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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc7621

Publicado em 01 de outubro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

GAMIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE SOBRE VISITA DOMICILIAR: RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Ana Luiza Silva Gomes1; Lívia Gonçalves Dias do Val Alcântara2; Reni Aparecido Norberto Pinto3; Fabrine Aguilar Jardim4

 

1Universidade do Estado de Minas Gerais, MG, Brasil ​​ 

[email protected]

2Universidade do Estado de Minas Gerais, MG, Brasil

 ​​​​ [email protected]

3 Universidade do Estado de Minas Gerais, MG, Brasil ​​ 

[email protected]

4 Universidade do Estado de Minas Gerais, MG, Brasil ​​ 

[email protected]

 

RESUMO

Este relato de experiência tem como objetivo compartilhar a experiência de utilização do jogo Passa ou Repassa aplicado a agentes comunitários de saúde durante uma atividade de educação permanente sobre o tema visita domiciliar. Esta iniciativa ocorreu no contexto da disciplina Saúde Coletiva do curso de enfermagem de uma universidade pública, com o objetivo de treinar agentes comunitários, tendo como cenário uma Estratégia de Saúde da Família de um município do interior do estado de Minas Gerais. Ficou evidente a importância da utilização da gamificação na educação permanente, com o objetivo de tornar o processo de ensino mais interessante e eficaz, servindo como uma possível ferramenta de educação permanente para a equipe de Saúde da Família.

Palavras-chave: Gamificação, Jogos, Metodologia ativa, Enfermagem.

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1 INTRODUÇÃO

 A Estratégia Saúde da Família (ESF) prevê a visita domiciliar como uma tecnologia de promoção e interação no cuidado à saúde, baseada no conhecimento das condições de saúde da família, com intuito de potencializar os princípios norteadores do Sistema Único de Saúde (SUS) [1].

A visita domiciliar possibilita a identificação de vulnerabilidades, bem como permite realizar ações de proteção, promoção, reabilitação de saúde e prevenção de doenças e agravos. Durante a visita, o profissional tem a oportunidade de compreender o verdadeiro contexto de vida da família, bem como adequar e coordenar os cuidados de acordo com as possibilidades reais das pessoas e seus familiares [2].

A visita domiciliar é uma atividade predominante na atuação do Agente Comunitário de Saúde (ACS), que realiza o cadastro dos membros da família e orienta sobre a dinâmica de funcionamento da unidade de saúde, entre outras ações. O ACS por meio das visitas acompanha as condições de saúde das famílias que pertencem a sua microárea e realiza a busca ativa de situações específicas [5].

É imprescindível que o futuro enfermeiro compreenda a importância do acompanhamento sistemático das atividades dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e também da educação permanente para esses profissionais. Isso é fundamental para garantir que desempenhem suas visitas domiciliares de forma mais eficaz. A educação permanente desempenha um papel essencial na orientação das decisões relacionadas aos programas e ações nos serviços de saúde. Além disso, a educação permanente pode ser vista como um fator mediador de mudanças e uma oportunidade de crescimento pessoal para lidar com o mundo e reinterpretar constantemente a realidade, que deve ocorrer em ciclos permanentes [3].

Como alternativa às práticas tradicionais e com diversas vantagens, como a maior motivação proporcionada pela aplicação de elementos de jogos em contextos não lúdicos, a gamificação pode intensificar o envolvimento das pessoas em situações específicas [4]. É importante destacar que as tecnologias digitais, em especial os jogos, ou ainda a gamificação, estão relacionadas à utilização de mecanismos recreativos adaptados para resolver problemas práticos e/ou envolver o público em questões específicas, mesmo fora do contexto de jogos [7].

A utilização da gamificação como estratégia pode simplificar e aprimorar o processo de ensino, tornando-o mais interessante e eficaz. Nesse contexto, o propósito deste estudo é relatar a experiência da aplicação do jogo Passa ou Repassa com agentes comunitários de saúde durante uma atividade de educação permanente sobre visita domiciliar.

 

2  ​​ DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO

Este trabalho explora o uso da gamificação como uma ferramenta e/ou estratégia para ser utilizada na educação permanente de profissionais de saúde, neste caso agentes comunitários de saúde. É importante destacar que o relato de experiência representa um tipo de produção de conhecimento que explora experiências acadêmicas ou profissionais relacionadas aos princípios fundamentais da universidade, que envolvem o ensino, a pesquisa e a extensão [6].

Trata-se de um relato de experiência relacionado à aplicação do jogo 'Passa ou Repassa' com agentes comunitários de saúde durante uma atividade de educação permanente desenvolvida por estudantes do curso de graduação em Enfermagem de uma universidade pública no interior de Minas Gerais. Esta atividade foi realizada em junho de 2023, com a participação de 5 ACS e teve como principal objetivo enriquecer o treinamento desses agentes, tornando o processo educativo mais envolvente e interativo.

No decorrer da atividade, os agentes foram divididos em duas equipes, e o jogo foi desenvolvido em um formato semelhante ao programa de televisão Passa ou Repassa. Os ACS foram desafiados com uma série de perguntas relacionadas às práticas de visita domiciliar. As questões abordaram temas referentes à visita domiciliar, como identificação das necessidades de saúde do usuário e de sua família, busca ativa, escuta qualificada e acolhimento de pessoas com doenças crônicas.

As respostas corretas foram recompensadas com pontos, enquanto respostas incorretas resultaram em perda de pontos. Isso adicionou um elemento competitivo à atividade e manteve todos envolvidos. Durante o jogo, os estudantes responsáveis pela atividade também forneceram informações adicionais e explicações sobre os tópicos discutidos, garantindo que a experiência fosse educativa.

A aplicação do jogo Passa ou Repass­­a revelou-se uma abordagem eficaz para engajar os ACS na atividade de educação permanente. Eles demonstraram grande entusiasmo e participação ativa durante o jogo, o que pode contribuir para a consolidação do conhecimento adquirido. Esta experiência destacou que a gamificação pode ser uma estratégia atrativa e eficaz para facilitar a aprendizagem e a educação permanente dos agentes comunitários de saúde, tornando o processo mais dinâmico e envolvente.

É importante destacar que a educação permanente foi conduzida pelos alunos, o que pode contribuir para uma melhor formação profissional do acadêmico em enfermagem, uma vez que apresenta a possibilidade de educação permanente por meio da gamificação a ser adotada em sua prática profissional, especialmente como líder de equipe. Além disso, proporciona a oportunidade de aprimorar ainda mais suas experiências. É também relevante refletir sobre a importância de tornar os treinamentos mais interessantes por meio de uma abordagem que promove a imersão e o entusiasmo, facilitando, assim, a assimilação dos conteúdos com mais facilidade.

 

3  CONSIDERAÇÕES

O relato de experiência apresentado neste artigo destaca a aplicação bem-sucedida da gamificação por meio do jogo Passa ou Repassa em uma atividade de educação permanente voltada para agentes comunitários de saúde. A experiência evidencia a eficácia dessa estratégia em promover o engajamento e o aprendizado desses profissionais, além de fornecer insights valiosos para a formação acadêmica de futuros enfermeiros.

A gamificação, quando aplicada de maneira adequada, revelou-se uma abordagem atrativa e eficaz para aprimorar a educação permanente. Durante o jogo, os agentes comunitários de saúde demonstraram entusiasmo e participação ativa, o que sugere que essa abordagem pode ser uma ferramenta valiosa para tornar o processo educativo mais dinâmico e envolvente. Além disso, a competição saudável entre as equipes estimulou a retenção das informações, reforçando ainda mais a utilidade da gamificação.

É importante ressaltar que a condução da atividade pelos próprios alunos do curso de graduação em Enfermagem proporcionou uma oportunidade única de aprendizado e crescimento profissional. Isso destaca a importância da educação permanente não apenas para os agentes comunitários de saúde, mas também para os futuros enfermeiros, que podem se beneficiar ao adotar essa abordagem em suas práticas profissionais, especialmente em cargos de liderança.

Torna-se necessário oferecer treinamentos mais interessantes e envolventes. Assim, a gamificação, conforme evidenciado nesta experiência, pode ser uma ferramenta capaz de desempenhar essa função, proporcionando imersão e entusiasmo, o que, por sua vez, contribui para uma assimilação mais eficaz dos conteúdos.

 

4 REFERÊNCIAS

[1] ASSIS, A. S.; CASTRO-SILVA, C. R. Agente comunitário de saúde e o idoso: visita domiciliar e práticas de cuidado. Physis: Revista de Saúde Coletiva, v. 28, p. e280308, 2018.

[2] BRASIL. Atenção Domiciliar na Atenção Primária à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência – Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

[3] CAMPOS, K. F. C.; SENA, R. R.; SILVA, K. L. Educação permanente nos serviços de saúde. Escola Anna Nery, v. 21, 2017.

[4] OLIVEIRA, L. B. J.; JORGE, M. S. B. Uso da gamificação com vistas à prevenção e promoção da saúde bucal: protocolo de revisão de escopo. Research, Society and Development, v. 11, n. 9, p. e31811931939-e31811931939, 2022.

[5] MOROSINI, M. V.; FONSECA, Angélica Ferreira. Os agentes comunitários na Atenção Primária à Saúde no Brasil: inventário de conquistas e desafios. Saúde em debate, v. 42, p. 261-274, 2018.

[6] MUSSI, R. F. F.; FLORES, F. F.; ALMEIDA, C. B. Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico. Revista práxis educacional, v. 17, n. 48, p. 60-77, 2021.

[7] TEICHNER, O. T.; FORTUNATO, I.; PAULO, S. Refletindo sobre a Gamificação e suas possibilidades na educação. Revista Brasileira de Iniciação Científica, Itapetininga, v. 2, n. 3, p. 102-111, 2015.

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ARTIGO CURTO

1712

 

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