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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 9, NÚMERO 1, ANO 2026

 

ARTIGO CURTO ORIGINAL

Hiperpigmentação pós-inflamatória após picadas de insetos da família Culicidae: uma abordagem biomédica multidisciplinar

Ana Beatriz Silva Amaral de Jesus1; Erik Richard Leão Maués2; Thierriny Gabrielly Guerra Bouéres3; Francielle Bonet Ferraz4;

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Como Citar:

DE JESUS, Ana Beatriz Silva Amaral; MAUÉS, Erik Richard Leão; BOUÉRES, Thierriny Gabrielly Guerra; FERRAZ, Francielle Bonet. Hiperpigmentação pós-inflamatória após picadas de insetos da família Culicidae: uma abordagem biomédica multidisciplinar. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 1218-1227, 2026.

https://doi.org/10.61411/rsc2026132519

 

DOI: 10.61411/rsc2026132519

 

Área do conhecimento:

Ciências da Saúde

Sub-área:

Biomedicina

 

Palavras-chaves: Hiperpigmentação Pós-Inflamatória, Estética, Picadas de Mosquito.

 

Publicado: 13 de maio de 2026.

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Abstract

Post-inflammatory hyperpigmentation (PIH) is a frequent skin alteration in aesthetic and dermatological practice, characterized by increased melanin deposition after inflammatory processes. Among the triggering factors, insect bites from the Culicidae family stand out, as their saliva contains immunogenic components capable of inducing local inflammation, itching, and melanocytic activation. This study aimed to analyze, through a multidisciplinary narrative literature review, the main pathophysiological mechanisms involved in PIH resulting from mosquito bites, as well as therapeutic approaches of interest to aesthetics and cosmetology. The findings demonstrate that the inflammatory response induced by Culicidae saliva promotes the release of cytokines, prostaglandins, and reactive oxygen species, stimulating melanocytes and increasing the synthesis and transfer of melanin to keratinocytes. It is concluded that understanding the inflammatory and pigmentary mechanisms is fundamental for the prevention and effective treatment of HPI associated with Culicidae bites.

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  • Introdução

A hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI) é uma condição comum caracterizada pelo escurecimento da pele após processos inflamatórios cutâneos, devido ao aumento da produção e deposição de melanina. Esse processo ocorre quando mediadores inflamatórios estimulam os melanócitos, sendo mais frequente em indivíduos com fototipos mais elevados. Diversas condições podem desencadeá-la, como acne, dermatites, psoríase, reações alérgicas e picadas de insetos, podendo impactar a autoestima e a qualidade de vida [1,2,8].

Dentre os agentes desencadeantes, destacam-se a picada dos mosquitos da família Culicidae, cuja saliva apresenta um complexo conjunto de moléculas bioativas que atuam na facilitação da hematofagia, mas também provocam resposta inflamatória local. Essa resposta envolve a ativação do sistema imunológico, com participação de células apresentadoras de antígenos, linfócitos T e liberação de citocinas e mediadores inflamatórios, resultando em sinais como prurido, eritema e edema. A exposição repetida pode intensificar essa resposta, favorecendo alterações cutâneas persistentes [1,3,6].

A inflamação prolongada estimula a atividade dos melanócitos, aumentando a produção de melanina e podendo levar ao seu depósito tanto na epiderme quanto na derme. Na forma epidérmica, surgem manchas castanhas mais superficiais e de melhor resposta terapêutica, enquanto na forma dérmica há pigmentação mais profunda, com coloração acinzentada ou azulada e maior resistência ao tratamento. A intensidade da HPI depende da resposta inflamatória e de características individuais da pele [4,5].

 

  • Metodologia

Trata-se de uma revisão bibliográfica narrativa, de caráter multidisciplinar, com o objetivo de compreender e sistematizar evidências sobre a hiperpigmentação pós-inflamatória (HPI) decorrente de picadas de insetos da família Culicidae e suas abordagens de prevenção e tratamento. A escolha do delineamento narrativo justifica-se pela heterogeneidade dos estudos disponíveis e pela necessidade de integrar evidências clínicas, experimentais e observacionais.

A busca foi realizada entre 01 e 10 de setembro de 2025 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, ScienceDirect, Web of Science e Google Scholar, utilizando descritores em inglês (MeSH) e português (DeCS), combinados por operadores booleanos. A estratégia incluiu: ("post-inflammatory hyperpigmentation" OR "postinflammatory hyperpigmentation") AND ("insect bites" OR "mosquito bite" OR "Culicidae") AND ("treatment" OR "therapy"), além dos correspondentes em português.

Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, com texto completo disponível, que abordassem a fisiopatologia da resposta inflamatória cutânea após picadas de mosquito e/ou estratégias de prevenção e tratamento da HPI. A seleção dos estudos ocorreu em três etapas: remoção de duplicatas, triagem por título e resumo e leitura na íntegra, realizadas por dois avaliadores independentes, com resolução de divergências por consenso. Ao final, 26 estudos foram incluídos para análise. Foram excluídos estudos publicados, sem acesso integral, fora do escopo temático ou de natureza não científica.

Os dados dos estudos selecionados foram extraídos e organizados em tabela, contemplando identificação, objetivo e tipo de estudo, permitindo a caracterização do perfil metodológico das evidências incluídas. Os estudos foram classificados em revisões, experimentais e observacionais.

A síntese dos dados foi conduzida de forma descritiva e crítica, organizada em eixos temáticos relacionados à interação hospedeiro-vetor, resposta imunológica cutânea, fisiopatologia da HPI e abordagens terapêuticas, conforme os objetivos do estudo, sem avaliação formal do risco de viés. E, por se tratar de estudo com dados secundários de domínio público, não houve necessidade de aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa.

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  • Desenvolvimento e discussão

Dentre os artigos revisados, a maioria continha as palavras chaves selecionadas: hiperpigmentação, mosquito e pós-inflamatória. Parte desses artigos se apresentava como revisão literária, o que destaca a ampliação de informações de forma quantitativa, ambos se complementando entre si, enquanto outros como estudo experimental e observacional.

As reações cutâneas decorrentes de picadas de mosquitos representam uma resposta imunológica variável, podendo manifestar-se de forma localizada ou sistêmica, associada à liberação de mediadores inflamatórios e ativação de linfócitos sensibilizados. A composição da saliva dos mosquitos, que inclui substâncias vasodilatadoras, anticoagulantes e imunomoduladoras, desempenha papel central nesse processo, desencadeando uma cascata inflamatória mediada por histamina, citocinas e imunoglobulinas, especialmente IgE [1,6]. A intensidade da resposta cutânea está relacionada à variabilidade das espécies de mosquitos e à composição de suas proteínas salivares, que apresentam diferentes potenciais alergênicos. A exposição repetida favorece a sensibilização imunológica e pode levar à persistência da inflamação, contribuindo para a hipersensibilidade cutânea e alterações crônicas no tecido [1,3].

Em indivíduos predispostos, a inflamação prolongada pode evoluir para HPI, resultado da ativação contínua dos melanócitos por mediadores inflamatórios. Esse processo leva ao aumento da síntese de melanina e sua deposição irregular na epiderme e/ou derme, podendo resultar em manchas persistentes. A gravidade e duração dessas alterações são mais evidentes em indivíduos com fototipos mais elevados [2,4].

Do ponto de vista fisiopatológico, mediadores como prostaglandinas, leucotrienos e citocinas estimulam a melanogênese, além de influenciar a proliferação e diferenciação queratinocítica. Em casos de dano à junção dermoepidérmica, ocorre deposição de melanina na derme e formação de melanófagos, contribuindo para pigmentações mais profundas e de difícil resolução [4,5]. Fatores adicionais como inflamação crônica, radiação UV e condições dermatológicas associadas, como acne, também modulam a intensidade da HPI, reforçando seu caráter multifatorial. Esses elementos atuam ampliando a resposta inflamatória e favorecendo a manutenção do estímulo melanocítico [2,4].

No que se refere ao tratamento, diversas abordagens terapêuticas têm sido descritas, incluindo agentes tópicos, sistêmicos e procedimentos dermatológicos. O ácido tranexâmico destaca-se por sua ação multifatorial, reduzindo mediadores inflamatórios e interferindo na melanogênese, com bom perfil de segurança [7,9]. Outros agentes, como o ácido azelaico, também apresentam eficácia relevante devido às suas propriedades anti-inflamatórias e inibitórias da tirosinase. Além disso, terapias complementares, como o uso de laser e outros métodos físicos, têm demonstrado eficácia no manejo da HPI, especialmente em casos mais resistentes. No entanto, a resposta ao tratamento varia conforme a profundidade da pigmentação e características individuais da pele, sendo necessário um manejo individualizado [2,4].

 

Tabela 1: Artigos utilizados para etapa de revisão e obtenção de informações.

ID

Título do artigo

Objetivo

Tipo de estudo

Ano

Periódico

Principais resultados

A1

Atualização sobre reação a picada de mosquito [10]

Analisar proteínas salivares e fatores que influenciam reações intensas

Revisão narrativa

2022

Clinical and Experimental Dermatology

Proteínas salivares induzem prurido e hipersensibilidade imunológica.

A2

Hiperpigmentação pós-inflamatória [8]

Avaliar etiologia e etapas de avaliação clínica

Revisão narrativa

2022

StatPearls (NCBI)

HPI resulta de inflamação com aumento da melanogênese.

A3

Sistema tegumentar [11]

Revisar papel da inflamação na pigmentação

Revisão descritiva

2015

PMC (NCBI)

Inflamação estimula melanócitos e altera pigmentação.

A4

Ácido tranexâmico e hiperpigmentação [7]

Avaliar aplicações e efeitos do ácido tranexâmico

Revisão narrativa

2024

Dermatologic Therapy

TXA reduz melanogênese por inibição da plasmina.

A5

Ácido tranexâmico na HPI [12]

Identificar eficácia e forma de uso

Revisão narrativa

2022

Journal of Cosmetic Dermatology

TXA eficaz em diferentes vias de administração.

A6

Tratamentos para hiperpigmentação [6]

Avaliar terapias tópicas, orais e procedimentais

Revisão narrativa

2024

International Journal of Dermatology

Terapias combinadas são mais eficazes.

A7

HPI em pele negra [9]

Avaliar resposta terapêutica em peles de cor

Revisão narrativa

2024

Journal of Cutaneous Medicine and Surgery

Maior predisposição à HPI em peles de cor.

A8

Tiamidol na HPI [13]

Avaliar eficácia do inibidor de tirosinase

Estudo experimental

2021

International Journal of Cosmetic Science

Redução significativa da hiperpigmentação.

A9

Ácido azelaico vs tranexâmico [14]

Comparar eficácia em acne com HPI

Estudo experimental

2023

PMC (NCBI)

Ambos eficazes com diferenças na resposta clínica.

A10

Tratamento em peles negras [15]

Avaliar múltiplas abordagens terapêuticas

Revisão quali-quantitativa

2022

Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology

Necessidade de terapias individualizadas.

A11

Laser Nd:YAG na HPI [16]

Avaliar eficácia e segurança

Experimental/observacional

2024

Lasers in Medical Science

Laser eficaz na redução da pigmentação.

A12

Mosquitos e hospedeiros [17]

Avaliar impacto de inseticidas em espécies

Experimental/observacional

2023

PMC (NCBI)

Alterações na interação vetor-hospedeiro.

A13

Alérgenos salivares [18]

Caracterizar alérgenos e resposta IgE

Estudo experimental

2020

Scientific Reports

Identificação de proteínas alergênicas.

A14

Fitofotodermatite [19]

Analisar mecanismos de hiperpigmentação

Revisão narrativa

2024

PMC (NCBI)

Compostos fotossensibilizantes causam HPI.

A15

Tratamento com ervas [20]

Avaliar terapias alternativas

Revisão literária

2021

Future Journal of Pharmaceutical Sciences

Compostos naturais com potencial terapêutico.

A16

HPI por acne [21]

Avaliar fisiopatologia e tratamento

Revisão literária

2025

Acta Dermato-Venereologica

Acne como importante causa de HPI.

A17

Condições em pele negra [22]

Abordar doenças dermatológicas comuns

Observacional/revisão

2023

American Family Physician

Maior prevalência de distúrbios pigmentares.

A18

Peeling vs microagulhamento [23]

Comparar tratamentos pigmentares

Experimental

2025

MDPI

Ambos eficazes, com variação conforme técnica.

A19

Resposta IgE (Aedes) [24]

Avaliar resposta imune e hipersensibilidade

Experimental

2023

PMC (NCBI)

Confirma resposta mediada por IgE.

A20

Ácido tranexâmico clínico [25]

Avaliar uso na prevenção e tratamento

Revisão literária

2024

PMC (NCBI)

Eficácia em diferentes vias terapêuticas.

A21

Tiamidol (revisão clínica) [26]

Avaliar eficácia terapêutica

Revisão/experimental

2021

International Journal of Cosmetic Science

Redução significativa da hiperpigmentação.

A22

HPI geral [3]

Revisar aspectos clínicos e terapêuticos

Revisão narrativa

2024

Frontiers in Pharmacology

Importância do diagnóstico precoce e terapias combinadas.

Fonte: Autoria própria, 2026.

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De forma geral, os resultados indicam que as picadas de mosquito podem atuar como desencadeantes de processos inflamatórios capazes de evoluir para hiperpigmentação persistente, especialmente em contextos de exposição repetida e em indivíduos com maior predisposição pigmentogênica [1,2].

 

  • Considerações finais

A HPI decorrente de picadas de mosquitos da família Culicidae representa uma manifestação cutânea resultante da interação entre resposta imunológica e ativação melanocítica induzida por mediadores inflamatórios. E, a compreensão desse processo é fundamental para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção e tratamento. Medidas como controle precoce da inflamação, fotoproteção e uso de agentes despigmentantes desempenham papel importante no manejo clínico da HPI.

 

  • Declaração de direitos

Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

 

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Universidade do Estado do Pará (UEPA), Marabá, Brasil. Email: ​​ 

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Universidade do Estado do Pará (UEPA), Marabá, Brasil. Email: ​​ 

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Universidade do Estado do Pará (UEPA), Marabá, Brasil. Email: ​​ 

4

Universidade do Estado do Pará (UEPA), Marabá, Brasil. Email: ​​ 


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