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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 9, NÚMERO 1, ANO 2026

 

ARTIGO ORIGINAL

Análise da mortalidade de pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva em Mato Grosso

José Geraldo do Amaral1; Pamella Dal Bem2; Gilberto Paulo Pereira Franco3; Millena Abe Botof4; Carlos José Alves5; Renan Name Amaral6,; Manoella Almeida de Amorim7; Tamis Coelho Nunes8; Patrícia Henicka do Amaral9

 

Como Citar:

DO AMARAL, José Geraldo; DAL BEM, Pamella; FRANCO, Gilberto Paulo Pereira; BOTOF, Millena Abe; ALVES, Carlos José; AMARAL, Renan Name et al. Análise da mortalidade de pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva em Mato Gross. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 1583-1608, 2026. https://doi.org/10.61411/rsc2026129719

 

DOI: 10.61411/rsc2026129719

 

Área do conhecimento:

Ciências da Saúde

Sub-área:

Saúde Coletiva; Epidemiologia

 

Palavras-chave: Acessibilidade aos Serviços de Saúde; Localizações Geográficas; Mortalidade; Unidade de Terapia Intensiva.

 

Publicado: 25 de junho de 2026.

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Resumo

As desigualdades no acesso aos serviços de alta complexidade representam um importante desafio para o Sistema Único de Saúde, especialmente em estados de grande extensão territorial. Em unidades de terapia intensiva (UTI), o deslocamento intermunicipal de pacientes críticos pode atrasar a admissão, aumentar a gravidade clínica e impactar negativamente os desfechos hospitalares. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados à mortalidade de pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva no estado de Mato Grosso. Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, realizado com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Foram analisadas internações em UTI adulta no estado de Mato Grosso entre 2015 e 2024. As variáveis independentes incluíram características sociodemográficas, assistenciais, clínicas e geográficas, incluindo deslocamento intermunicipal, tempo de permanência, regime de internação, especialidade, procedimentos realizados e diagnóstico principal segundo a CID-10. O desfecho analisado foi óbito hospitalar. Foram utilizados o teste do qui-quadrado de Pearson e cálculo da Razão de Prevalência (RP), com intervalo de confiança de 95% e nível de significância de 5%. Foram analisadas 76.282 internações, com predomínio do sexo masculino (56,7%), raça/cor parda (72,7%) e pacientes com 60 anos ou mais. O deslocamento intermunicipal esteve presente em 53,7% das admissões. As principais causas de internação foram doenças do aparelho circulatório (33,1%), doenças infecciosas e parasitárias (17,3%) e doenças respiratórias (11,5%). A mortalidade global foi de 29,0%. Maior prevalência de óbito foi observada entre pacientes com tempo de permanência prolongado, ausência de internações por condições sensíveis à atenção primária, doenças infecciosas e respiratórias
e internação em regime privado (p<0,001). Por outro lado, observou-se menor prevalência de óbito entre pacientes com idade igual ou superior a 60 anos, internações de urgência/emergência, doenças cardiovasculares, neoplasias, lesões e causas externas, especialidade clínica médica, deslocamento intermunicipal e procedimentos clínicos (p<0,001). O sexo não apresentou associação estatisticamente significativa com o desfecho óbito (p=0,267). As internações em UTI adulta em Mato Grosso apresentaram crescimento progressivo ao longo da série histórica, com concentração da assistência em poucos municípios e elevada frequência de deslocamento intermunicipal. A maior prevalência de óbito esteve associada à permanência prolongada em UTI, doenças infecciosas e respiratórias e internação em regime privado. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento da regionalização da assistência e ampliação do acesso oportuno aos serviços de terapia intensiva.

.

Mortality Analysis of Patients Admitted to Intensive Care Units in Mato Grosso

 

Abstract

Inequalities in access to high-complexity healthcare services represent a major challenge for the Brazilian Unified Health System (SUS), particularly in states with large territorial extensions. In intensive care units (ICUs), intermunicipal transfers of critically ill patients may delay admission, increase clinical severity, and negatively affect hospital outcomes. This study aimed to analyze factors associated with mortality among patients admitted to intensive care units in the state of Mato Grosso, Brazil. This retrospective observational study was conducted using data from the Hospital Information System of the Brazilian Unified Health System (SIH/SUS). Adult ICU admissions in the state of Mato Grosso between 2015 and 2024 were analyzed. Independent variables included sociodemographic, healthcare, clinical, and geographic characteristics, such as intermunicipal displacement, length of stay, hospitalization funding source, specialty, procedures performed, and primary diagnosis according to the International Classification of Diseases, 10th Revision (ICD-10). The outcome analyzed was in-hospital mortality. Pearson’s chi-square test and prevalence ratios (PRs) were calculated, with 95% confidence intervals and a significance level of 5%. A total of 76,282 hospitalizations were analyzed, with a predominance of male patients (56.7%), mixed-race individuals (72.7%), and patients aged 60 years or older. Intermunicipal displacement was observed in 53.7% of admissions. The main causes of hospitalization were diseases of the circulatory system (33.1%), infectious and parasitic diseases (17.3%), and respiratory diseases (11.5%). Overall mortality was 29.0%. A higher prevalence of death was observed among patients with prolonged ICU stays, absence of admissions for primary care-sensitive conditions, infectious and respiratory diseases, and hospitalization under private funding arrangements (p < 0.001). Conversely, a lower prevalence of death was observed among patients aged 60 years or older, emergency admissions, patients with cardiovascular diseases, neoplasms, injuries and external causes, those admitted under internal medicine specialties, patients requiring intermunicipal displacement, and those who underwent clinical procedures (p < 0.001). Sex was not significantly associated with the mortality outcome (p = 0.267). Adult ICU hospitalizations in Mato Grosso showed a progressive increase throughout the study period, with healthcare services concentrated in a limited number of municipalities and a high frequency of intermunicipal displacement. A higher prevalence of death was associated with prolonged ICU stays, infectious and respiratory diseases, and hospitalization under private funding arrangements. These findings reinforce the need to strengthen healthcare regionalization and expand timely access to intensive care services.

Keywords: ​​ Accessibility to Health Services; Geographic Locations; Mortality; Intensive Care Units.

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  • Introdução

O acesso oportuno e qualificado aos serviços de saúde é um dos principais pilares para garantir a universalidade, equidade e a efetividade do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. No entanto, as desigualdades regionais e geográficas persistem como um desafio à integralidade da atenção, sobretudo no que se refere à estruturação da Rede de Atenção à Saúde e à oferta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no interior dos estados, como ocorre em Mato Grosso [1,2]. A regionalização da assistência, apesar de prevista nas diretrizes do SUS, ainda apresenta obstáculos logísticos, financeiros e organizacionais que afetam diretamente a resolubilidade do cuidado em saúde [3,4].

No contexto das UTIs, o deslocamento geográfico de pacientes críticos para centros de maior complexidade é uma realidade frequente, especialmente em regiões com baixa densidade de leitos ou estrutura hospitalar deficiente [4,5]. O tempo e a distância percorrida até a admissão em UTIs podem influenciar negativamente os desfechos clínicos, como a mortalidade, além de agravar quadros clínicos já delicados, como sepse e insuficiência respiratória aguda [6,7]. Adicionalmente, a padronização e a análise de indicadores como a razão de mortalidade hospitalar vêm sendo utilizadas como ferramentas para avaliar o desempenho dos serviços hospitalares e sua relação com o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos [8].

Em estados com grande extensão territorial e desigual distribuição de recursos em saúde, como Mato Grosso, o estudo do impacto do deslocamento geográfico sobre os desfechos clínicos em UTIs é fundamental para orientar políticas públicas mais equitativas e efetivas. Além disso, compreender o perfil clínico e epidemiológico dos pacientes internados, as principais causas de admissão e os fatores de risco associados à mortalidade pode subsidiar ações de melhoria na gestão da rede hospitalar e no processo de regionalização [2,9,10].

 

    • Proposição

      • Objetivo Geral

Analisar a mortalidade de pacientes admitidos em unidades de terapia intensiva em Mato Grosso.

      • Objetivos específicos

  • Descrever o perfil sociodemográfico, clínico e assistencial dos pacientes internados em UTI adulta no estado de Mato Grosso.

  • Caracterizar o padrão de deslocamento geográfico (distância e frequência) para internação em UTI.

  • Analisar as principais causas de internação (segundo capítulos da CID-10) e a evolução (alta/óbito) dos pacientes.

  • Verificar a existência de associação entre as variáveis de estudo e o desfecho óbito em UTI.

 

  • Metodologia

Foi realizado um estudo observacional, retrospectivo, com a utilização de dados secundários. Foram incluídos pacientes com idade igual ou superior a 20 anos, registrados no Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS), que apresentaram internações em UTI no estado de Mato Grosso entre os anos de 2015 e 2024. Foram excluídos os registros de internação com dados inconsistentes ou incompletos, como a ausência de informações sobre o município de residência ou o município de internação.

O levantamento dos dados ocorreu por meio do uso de bancos públicos e de acesso irrestrito, disponibilizados no repositório Data Warehouse da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), sem qualquer contato direto com os sujeitos da pesquisa. As informações acessadas eram de natureza pública e anonimizada, sem possibilidade de identificação individual dos pacientes, em conformidade com as diretrizes para uso de dados secundários em pesquisa e com a garantia de confidencialidade e anonimato.

As variáveis analisadas incluíram idade (agrupada em faixas etárias), sexo, raça/cor (branca, preta, parda, amarela, indígena), variáveis geográficas e de deslocamento (município de residência, utilizado para cálculo do deslocamento; ​​ município de internação; deslocamento intermunicipal, sim/não; distância percorrida (km) entre os municípios de residência e internação), tempo de permanência na UTI, caráter da internação (urgência ou eletiva), regime de internação (público ou privado), diagnóstico principal segundo os capítulos da CID-10 e presença de condições sensíveis à atenção primária (ICSAP). O desfecho analisado foi o desfecho clínico do caso: alta, óbito e outros.

A distância em quilômetros entre o município de residência e o de internação foi estimada por meio da ferramenta Google Maps (https://www.google.com/maps), considerando os centros urbanos de cada município como pontos de partida e destino. A rota rodoviária recomendada pelo sistema foi utilizada, e a distância total foi registrada no banco de dados para cada paciente, visando obter uma estimativa aproximada do deslocamento percorrido pelo paciente até sua internação.

A variável numérica dias de permanência na UTI foi dicotomizada para a análise de associação, utilizando um ponto de corte clinicamente relevante e frequentemente empregado na literatura de terapia intensiva, resultando na criação de dois grupos distintos: curta permanência (≤7 dias) e longa permanência (>7 dias). Permanências prolongadas em UTI têm sido associadas à maior gravidade clínica, maior ocorrência de complicações e maior utilização de recursos assistenciais [11].

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  • Desenvolvimento e discussão

Inicialmente, realizou-se análise descritiva das variáveis, com apresentação de frequências absolutas e relativas para variáveis categóricas, e medidas de tendência central (média) e dispersão (desvio-padrão) para variáveis contínuas.

Em seguida, foi realizada a análise bivariada para avaliar a associação entre as variáveis independentes e o desfecho óbito. Para todas as associações, foi utilizado o teste qui-quadrado de Pearson para verificar a significância estatística. A força de cada associação foi quantificada por meio do cálculo da Razão de Prevalência (RP) bruta. Para cada RP, foram estimados o respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%) e o valor de p. O nível de significância adotado para todas as análises foi de p < 0,05. As análises estatísticas foram realizadas no programa Jamovi, versão 2.6.44.0.

Ferramentas de inteligência artificial generativa foram utilizadas como apoio editorial durante a elaboração do manuscrito para revisão gramatical, aprimoramento da coesão e coerência textual entre os parágrafos, conferência da consistência metodológica em relação aos resultados apresentados e adequação das referências às normas do estilo Vancouver. A inteligência artificial não foi aplicada na análise estatística dos dados, interpretação dos resultados. O autor assume total responsabilidade pela integridade, originalidade e precisão das informações apresentadas.

Entre 2015 e 2024, foram registradas 76.282 internações em UTI adultas no estado de Mato Grosso. Observou-se uma tendência de crescimento progressivo no número de internações ao longo do período, com variações anuais de intensidade. Em 2015, foram contabilizadas 5.018 internações (6,6%), número que se manteve relativamente estável até 2019, com valores entre 5.480 (7,2%) e 5.631 (7,4%). A partir de 2020, verificou-se um aumento expressivo nas internações. Nesse ano, ocorreram 6.869 internações (9,0%), alcançando o pico de 9.132 internações (12,0%) em 2021. Apesar de uma redução relativa em 2022 (7.842 internações; 10,3%), os anos subsequentes voltaram a apresentar elevação acentuada, com 12.119 internações (15,9%) em 2023 e 13.068 (17,1%) em 2024, o maior registro do período (Figura 1).

 

Figura 1: Número de internações em UTI adulta no estado de Mato Grosso, entre 2015 e 2024.

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

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A idade média dos pacientes internados foi de 60,1±16,8 anos, com a amostra abrangendo uma ampla diversidade etária, variando de 20 a 114 anos. Em relação ao tempo de permanência na UTI, a média foi de 11,3±10,0 dias. O alto desvio-padrão (10,0) em relação à média indica uma grande heterogeneidade nos dados, sugerindo uma distribuição altamente assimétrica, com a maioria dos pacientes apresentando curtas permanências e uma minoria significativa com internações prolongadas, alcançando um tempo máximo de 153 dias (Tabela 1).

Tabela 1: Medidas de tendência central e dispersão para idade e dias de permanência na unidade de terapia intensiva (UTI) adulta em Mato Grosso entre 2015 2 2024 (n = 76.282).

 

Média

Desvio-padrão

Mínimo

Máximo

Idade

60,1

16,8

20

114

Dias de permanência

11,3

10,0

0

153

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

 

O perfil sociodemográfico da amostra demonstrou uma prevalência do sexo masculino (56,7%), com a raça/cor parda (72,7%), seguida pela categoria branca (20,1%). A maior frequência de internações no grupo etário de 60 a 69 anos (24,1%) casos, seguido pelas faixas de 70 a 79 anos (20,2%) e 50 a 59 anos (19,1%). A centralização da assistência em terapia intensiva foi nos municípios Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, que concentraram aproximadamente 79,0% das internações. Mais da metade dos pacientes necessitou de deslocamento intermunicipal para internação (53,7%) (Tabela 2).

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Tabela 2: Distribuição das características sociodemográficas e de utilização de serviços dos pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTI), Mato Grosso, 2015-2024.

Variável

N

%

Faixa etária

 

 

20 a 29 anos

4.371

5,7

30 a 39 anos

5.834

7,6

40 a 49 anos

9.283

12,4

50 a 59 anos

14.390

19,1

60 a 69 anos

18.149

24,1

70 a 79 anos

15.229

20,2

80 anos ou mais

9.026

12

Sexo

 

 

Feminino

32.998

43,3

Masculino

43.284

56,7

Raça/Cor

 

 

Parda

55.444

72,7

Branca

15.298

20,1

Preta

2.744

3,6

Amarela

2.407

3,2

Indígena

389

0,5

Município de Internação

 

Cuiabá

29.563

38,8

Rondonópolis

14.603

19,1

Várzea Grande

8.465

11,1

Cáceres

6.512

8,5

Primavera do Leste

3.667

4,8

Sorriso

3.215

4,2

Barra do Garças

3.120

4,1

Sinop

2.789

3,7

Nova Mutum

1.646

2,2

Água Boa

1.160

1,5

Colíder

804

1,1

Outros (<1.000)

1.174

1,6

Deslocamento entre municípios

Sim

40.951

53,7

Não

35.331

46,3

Nota: Proporções (%) expressas em relação ao total da amostra (n = 76.282)

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

 

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A distribuição dos diagnósticos principais (CID-10) que motivaram as internações em UTI demonstrou uma concentração nos agravos cardiovasculares e infecciosos. As doenças do aparelho circulatório se estabeleceram como a principal causa de admissão, totalizando 25.260 (33,10%) dos casos, seguido por doenças infecciosas e parasitárias (13.188; 17,00%), as doenças do aparelho respiratório (8.799; 11,50%) e as neoplasias (7.854; 10,10%). Em conjunto, as quatro principais categorias diagnósticas, somaram mais de 70% das internações. As lesões, envenenamentos e outras causas externas (causas traumáticas) também apresentaram frequência elevada, sendo a quinta causa mais comum com 6.786 (8,80%) dos casos. As demais categorias diagnósticas, como doenças do aparelho digestivo (4.255; 5,50%) e doenças do aparelho geniturinário (3.942; 5,10%), apresentaram frequências individuais inferiores a 6,0%. (Tabela 3).

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Tabela 3: Características clínicas, de internação e evolução de pacientes internados em UTI adulta em Mato Grosso entre 2024 e 2025 (n = 76.282).

Categoria

N

(%)

Diagnóstico Principal (CID-10 - capítulos)

Doenças do aparelho circulatório

25.260

33,1

Doenças infecciosas e parasitárias

13.171

17,3

Doenças do aparelho respiratório

8.799

11,5

Neoplasias

7.849

10,3

Lesões, envenenamentos e outras causas externas

6.786

8,9

Doenças do aparelho digestivo

4.253

5,6

Doenças do aparelho geniturinário

3.939

5,2

Achados anormais de exames clínicos e laboratoriais

2.111

2,8

Doenças do sistema nervoso

1.343

1,8

Doenças do sistema osteomuscular e tecido conjuntivo

1.045

1,4

Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas

847

1,1

Outros

879

1,1

Especialidade

 

Clínica médica

33.120

43,5

Clínica cirúrgica

43.130

56,5

Procedimento

 

Procedimentos clínicos

43.180

56,6

Procedimentos cirúrgicos

33.102

43,4

Regime

 

 

Privado

43.827

57,5

Público

32.455

42,5

Internação por Condição Sensível à Atenção Primária

 

 

Sim

4372

5,7

Não

71910

94,3

Evolução

 

 

Óbito

22.150

29,0

Não óbito

54.132

71,0

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

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A análise da distância geográfica entre o município de residência e o município de internação em UTI mostra variações no deslocamento dos pacientes em todo o estado de Mato Grosso. O valore máximo de deslocamento correspondeu à internação de um paciente com residência registrada em Natal (RN), admitido por urgência/emergência devido a hemorragia intracerebral hemisférica não especificada (I61.2) em uma UTI em Cuiabá (MT), distante aproximadamente 3.486 km de sua residência (Figura 2).

 

Figura 2: Deslocamento (Km) entre o município de residência e o município com leitos de UTI adulta no estado de Mato Grosso, entre 2015 e 2024.

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

 

A média geral das distâncias percorridas situou-se entre 605 km e 952 km, com amplos desvios-padrão (452 a 741 km), evidenciando heterogeneidade no acesso aos serviços intensivos. Os maiores deslocamentos médios foram observados nos municípios de Rondonópolis (952 ± 532 km), Nova Mutum (929 ± 741 km), Cuiabá (903 ± 637 km) e Várzea Grande (861 ± 568 km), refletindo a centralização dos leitos de UTI em polos regionais e a necessidade de transferência de pacientes provenientes de áreas interioranas. Por outro lado, as menores distâncias médias ocorreram em Barra do Garças (605 ± 452 km) e Primavera do Leste (636 ± 459 km), sugerindo maior proximidade entre o local de residência e o de internação nesses municípios.

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Tabela 4: Distância média percorrida por pacientes até a internação, segundo o município de destino (internação) com leitos de UTI adulta. Mato Grosso, 2015-2024.

Município de internação 

Média (Km)

Desvio-padrão

Rondonópolis

952,8

531,8

Nova Mutum

929,7

740,6

Cuiabá

903,1

637,2

Várzea Grande

861,7

567,9

Sinop

838,2

619,2

Sorriso

786,1

661,1

Colíder

784,8

614,7

Água Boa

781,5

629,5

Cáceres

741,7

592,5

Primavera do Leste

636,6

458,9

Barra do Garças

605,1

452,2

Outros

379,1

499,3

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

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A análise bivariada demonstrou associação estatisticamente significativa com o desfecho óbito para 13 das 14 variáveis analisadas. Maior prevalência de óbito foi observada entre pacientes com tempo de permanência prolongado (RP=1,327; p<0,001), ausência de ICSAP (RP=1,476; p<0,001), doenças infecciosas e parasitárias (RP=2,243; p<0,001), doenças respiratórias (RP=1,519; p<0,001) e internação em regime privado (RP=1,469; p<0,001). Por outro lado, observou-se menor prevalência de óbito entre pacientes com idade igual ou superior a 60 anos (RP=0,695; p<0,001), internações de urgência/emergência (RP=0,849; p<0,001), doenças cardiovasculares (RP=0,500; p<0,001), neoplasias (RP=0,748; p<0,001), lesões e causas externas (RP=0,559; p<0,001), especialidade clínica médica (RP=0,371; p<0,001), deslocamento intermunicipal (RP=0,885; p<0,001) e procedimentos clínicos (RP=0,370; p<0,001). O sexo não apresentou associação estatisticamente significativa (p=0,267) (Tabela 5).

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Tabela 5: Análise da associação entre variáveis de estudo e o desfecho óbito em UTI, apresentando a Razão de Prevalência (RP) bruta. Mato Grosso, 2015-2024.

Variáveis

Óbito

Não óbito

RP

IC 95%

p valor

Sexo

 

 

 

 

 

Masculino

12499

30785

1

0,965 - 1,01

0,267

Feminino

9651

23347

0,987

 

 

Faixa etária

 

 

 

 

 

Até 59

5863

20157

1

0,678 - 0,713

<0,001

60 ou mais

16287

33975

0,695

 

 

Tempo de permanência

 

 

 

 

 

até 7 dias

11735

23298

1

1,298 - 1,356

<0,001

8 dias ou mais

10415

30834

1,327

 

 

Caráter de internação

 

 

 

 

Eletiva

3560

10481

1

0,823 - 0,875

<0,001

Urgência/Emergência

18590

43651

0,849

 

 

Internação por Condição Sensível à Atenção Primária

Sim

2223

3136

1

1,427 - 1,527

<0,001

Não

19927

50996

1,476

 

 

Doença do aparelho cardiovascular

Sim

4395

20865

1

0,485 - 0,515

<0,001

Não

17755

33267

0,5

 

 

Doença Infecciosa ou parasitária

Sim

7062

6109

1

2,196 - 2,290

<0,001

Não

15088

48023

2,243

 

 

Doença do aparelho respiratório

Sim

3661

5138

1

1,477 - 1,561

<0,001

Não

18489

48994

1,519

 

 

Neoplasia

 

 

 

 

 

Sim

1750

6099

1

0,716 - 0,780

<0,001

Não

20400

48033

0,748

 

 

Lesões, envenenamentos e outras causas externas

 

Sim

1146

5640

1

0,529 - 0,590

<0,001

Não

21004

48492

0,559

 

 

Especialidade

 

 

 

 

 

Clínica cirúrgica

4929

28271

1

0,361 - 0,382

<0,001

Clínica médica

17221

25861

0,371

 

 

Deslocamento entre municípios

 

 

 

 

 

Sim

11217

29734

1

0,866 - 0,905

<0,001

Não

10933

24398

0,885

 

 

Regime

 

 

 

 

 

Público

11541

20914

1

1,437 - 1,502

<0,001

Privado

10609

33218

1,469

 

 

Grupo de Procedimento

 

 

 

 

 

Cirúrgico

4898

28204

1

0,360 - 0,381

<0,001

Clínico

17252

25928

0,370

 

 

Fonte: Sistema de Internações Hospitalares (SIH/SUS).

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As internações em UTI adultas no estado de Mato Grosso durante o período do estudo apresentaram crescimento progressivo ao longo da série histórica. A estabilidade observada no número de internações entre 2015 e 2019 foi seguida por um aumento expressivo a partir de 2020, coincidindo com os anos iniciais da pandemia de COVID-19, período caracterizado por sobrecarga do sistema de saúde, reorganização da rede assistencial e ampliação da demanda por cuidados intensivos [12]. A redução relativa observada em 2022 não configurou tendência sustentada de queda, mas refletiu a dinâmica não linear da pandemia, com variações associadas às ondas de transmissão, medidas sanitárias e avanço da vacinação, fenômeno descrito em diferentes contextos nacionais [13].

O perfil sociodemográfico das internações foi consistente com o padrão descrito anteriormente, marcado pela maioria de pacientes idosos, do sexo masculino e com elevada carga de morbidade [9]. A maior concentração de internações em indivíduos com 60 anos ou mais, reforça o impacto do envelhecimento populacional e da maior prevalência de doenças crônicas sobre a demanda por leitos de terapia intensiva. Esse cenário tem sido associado ao aumento da complexidade clínica, maior necessidade de suporte avançado e maior tempo de permanência em UTI, com repercussões diretas sobre os custos e a organização dos serviços [14].

A distribuição geográfica das internações mostra uma centralização da assistência de alta complexidade nos municípios de Cuiabá, Rondonópolis e Várzea Grande, os quais concentraram a maioria das internações em UTI no estado. Esse achado sugere desigualdades regionais na oferta de serviços de alta complexidade e sugere que barreiras geográficas e logísticas podem contribuir para maior gravidade clínica no momento da admissão, especialmente em populações residentes em áreas distantes dos grandes centros urbanos [15].

A alta frequência de doenças do aparelho cardiovascular, seguidas por agravos infecciosos, doenças respiratórias e neoplasias, em conjunto, responderam pela maioria das admissões em UTI. Esse padrão reflete o perfil clássico das internações em terapia intensiva, caracterizado por condições associadas à instabilidade hemodinâmica, insuficiência orgânica e elevado risco de morte [9]. Durante os períodos mais críticos da pandemia, estudos apontaram redução temporária das internações por eventos cardiovasculares e infecções da corrente sanguínea, atribuída tanto à reorganização dos serviços de saúde quanto à menor procura por atendimento hospitalar em cenários de colapso assistencial [16,17]. Esse redirecionamento da assistência durante os picos pandêmicos pode ajudar a explicar as flutuações observadas na série temporal, em especial a redução relativa no número de internações em 2022, que não configurou uma tendência de queda, mas um ajuste pontual, seguida pelo aumento expressivo observado em 2023 e 2024, que atingiu os maiores volumes da série histórica. Esse padrão sugere uma retomada plena do acesso aos serviços e um possível represamento da demanda reprimida durante a crise sanitária mais aguda. Esses achados reforçam a necessidade de planejamento contínuo da rede de atenção à saúde, com ampliação e qualificação da oferta de leitos de terapia intensiva, além de estratégias regionais que reduzam desigualdades no acesso e garantam resposta adequada às transições demográficas e epidemiológicas em curso [12,14].

O deslocamento intermunicipal para admissão em UTI tem implicações clínicas relevantes, sobretudo em função do atraso no início do tratamento intensivo e dos riscos inerentes ao transporte de pacientes criticamente enfermos. O tempo prolongado entre a indicação clínica e a admissão efetiva em UTI está associado a pior prognóstico, maior mortalidade e aumento de complicações, especialmente em condições de instabilidade hemodinâmica e insuficiência respiratória aguda [8]. Além disso, o transporte inter-hospitalar de pacientes críticos envolve riscos adicionais, como deterioração clínica durante o trajeto, eventos adversos relacionados à ventilação, uso de drogas vasoativas e limitações estruturais das equipes e dos meios de transporte disponíveis [18,19]. O deslocamento intermunicipal identificado pelo estudo requer interpretação cuidadosa. Embora a variável tenha sido operacionalizada como a diferença entre o município de residência e o de internação, é importante destacar que ela engloba realidades distintas e não representa exclusivamente transferências formais e programadas para tratamento. Os casos de maior distância geográfica, como o paciente residente em Natal (RN) internado em Cuiabá (MT), provavelmente não resultaram de um processo regulado como o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) - que é um benefício para acesso eletivo a serviços não disponíveis no estado de origem. Em vez disso, é mais admissível que representem situações de urgência ou emergência ocorridas durante uma permanência temporária do paciente em Mato Grosso, como em viagens ou deslocamentos por outros motivos. Esse atendimento é garantido por lei, conforme estabelecido pela Portaria GM/MS nº 1.820/2009, que determina que qualquer serviço de saúde deve acolher e tratar pessoas em situações de urgência, independentemente do município de residência. Esta distinção é uma limitação metodológica relevante, pois o banco de dados utilizado não permite diferenciar os motivos do deslocamento. Portanto, a interpretação da associação entre "deslocamento intermunicipal" e desfechos clínicos deve considerar que a variável capta não apenas as barreiras de acesso relacionadas à concentração de leitos, mas também o fluxo natural de atendimentos de urgência a não residentes, um direito constitucional dos usuários do SUS [20-22].

O perfil das admissões em UTI no estado, marcado pela predominância de doenças cardiovasculares, infecciosas e respiratórias, somadas às causas externas (traumas), reflete o conjunto de condições que demandam terapia intensiva, conforme descrito em um estudo nacional [9]. Essas condições, como infarto agudo do miocárdio, sepse, pneumonia grave e traumatismos múltiplos, tipicamente cursam com instabilidade fisiológica aguda e alto risco de morte, justificando a necessidade de suporte avançado e monitorização contínua disponíveis apenas em UTI. A alta proporção de internações de caráter urgência e emergência corrobora essa gravidade relacionado à admissão. Este quadro clínico de alta complexidade, aliado à elevada frequência de deslocamento intermunicipal, cria um desafio logístico duplo. Por um lado, a própria natureza imprevisível e aguda dessas condições pressiona por acesso imediato. Por outro, como demonstrado em sistemas com dependência de transferências, a necessidade de deslocamento de pacientes críticos sobrecarrega a coordenação do cuidado, introduz atrasos e pode impactar negativamente os desfechos, concentrando a pressão assistencial nos serviços de referência [23].

Foi observado uma associação estatisticamente significativa entre a ocorrência de óbito e praticamente todas as variáveis analisadas, à exceção do sexo, reforçando que os desfechos em UTI adulta estão fortemente relacionados a fatores clínicos, assistenciais e organizacionais, mais do que as características demográficas isoladas. Achados recentes indicam que a mortalidade tende a ser explicada pela gravidade clínica, comorbidades e condições de admissão, e não pelo sexo isoladamente [24].

A maior prevalência de óbito observada entre pacientes atendidos em regime privado deve ser interpretada com cautela, uma vez que o banco de dados utilizado não permite avaliar a gravidade clínica inicial, o tempo decorrido até a admissão em UTI ou o perfil detalhado das comorbidades. Uma hipótese plausível é que hospitais privados concentrem pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos complexos, tratamentos oncológicos avançados ou internações tardias após falha terapêutica prévia. Além disso, diferenças no fluxo assistencial, na porta de entrada hospitalar e no perfil epidemiológico dos pacientes podem contribuir para esse resultado. Assim, os achados não devem ser interpretados como indicativo de pior qualidade assistencial do setor privado, mas sim como reflexo de características clínicas e organizacionais não capturadas pelo SIH/SUS [25,26].

A associação entre menor prevalência de óbito e a ausência de deslocamento intermunicipal reforça a relevância do acesso oportuno aos serviços de terapia intensiva. Pacientes que necessitam de transferência entre municípios frequentemente enfrentam atrasos na admissão, maior instabilidade clínica e riscos adicionais durante o transporte, fatores amplamente associados a pior prognóstico em UTI [8,20,24].

A menor prevalência de óbito observada na faixa etária de 60 anos ou mais deve ser interpretada com cautela, pois diverge do padrão descrito na literatura internacional e nacional, que reconhece a idade avançada como importante fator prognóstico para mortalidade em UTI [27,28]. Em contextos de limitação de leitos, como ocorre em regiões com desigual distribuição de serviços de alta complexidade, pode ocorrer um fenômeno de seleção implícita dos pacientes admitidos, no qual idosos mais frágeis ou com pior prognóstico deixam de ser encaminhados ou não conseguem acesso oportuno à terapia intensiva. Dessa forma, os idosos efetivamente internados podem representar um subconjunto com melhor reserva funcional e maior potencial de recuperação clínica, produzindo aparente redução da mortalidade nessa faixa etária.

No que se refere aos diagnósticos principais, observou-se que a maior prevalência de óbito ocorreu entre pacientes internados por doenças do aparelho cardiovascular. Esse achado é consistente com a literatura, que descreve elevada letalidade associada às condições cardiovasculares graves e necessidade de suporte intensivo imediato [29]. Por outro lado, o menor percentual de óbito observado nos grupos com diagnóstico infeccioso ou respiratório sugere que parte dessas admissões pode estar relacionada a uma combinação de fatores, incluindo intervenção precoce, controle eficaz de infecções e cuidados intensivos de suporte, especialmente quando comparados a agravos cardiovasculares avançados [8]. O tempo prolongado de internação na UTI, que foi relacionado ao óbito neste estudo, constitui um fator de risco significativo para a mortalidade, uma vez que está diretamente associado à maior gravidade clínica inicial do paciente e à maior suscetibilidade ao desenvolvimento de complicações. A permanência estendida na unidade é, em si, um indicador de condições de saúde mais complexas ou instáveis, as quais elevam a probabilidade de um desfecho desfavorável [30,31].

Este estudo apresenta limitações inerentes ao uso de dados secundários públicos e anonimizados, que não permitem acesso a informações clínicas detalhadas. Não foi possível avaliar o número e a gravidade das comorbidades, o perfil de resistência antimicrobiana ou a realização de procedimentos invasivos, fatores relevantes para o prognóstico em UTI. Além disso, por se tratar de um estudo observacional baseado em registros administrativos, não é possível estabelecer relações de causalidade, tampouco descartar vieses de informação decorrentes de inconsistências nos registros. Outra importante limitação se refere à análise dos dados. Por se tratar de uma análise bivariada, os resultados não consideram potenciais fatores de confusão. Dessa forma, as associações identificadas devem ser interpretadas com cautela, uma vez que não foram ajustadas para potenciais fatores de confusão. Estudos futuros utilizando modelos multivariados, como regressão logística ou regressão de Poisson, poderão fornecer estimativas mais robustas e independentes dos fatores associados à mortalidade.

 

  • Considerações finais

As internações em UTI adulta no estado de Mato Grosso apresentaram um crescimento ao longo do período analisado, com concentração dos serviços em poucos municípios. O perfil das admissões foi composto por pacientes idosos, do sexo masculino e com diagnósticos cardiovasculares, refletindo a transição demográfica e a elevada carga de doenças crônicas. O deslocamento intermunicipal esteve associado a maior vulnerabilidade clínica. Por sua vez, a maior mortalidade relacionou-se a internações prolongadas. Esses achados reforçam a importância de estratégias voltadas à regionalização do cuidado, ao fortalecimento da atenção primária e à ampliação do acesso oportuno à UTI, com potencial impacto positivo na redução de iniquidades e na melhoria dos desfechos clínicos.

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  • Declarações de direitos

Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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