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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 9, NÚMERO 1, ANO 2026

 

ARTIGO ORIGINAL

Empreendedorismo invisível feminino: práticas de gestão em atividades econômicas informais no ambiente doméstico

Raquel Mól Cardoso Triani dos Santos1

 

Como Citar:

DOS SANTOS, Raquel Mól Cardoso Triani. Empreendedorismo invisível feminino: práticas de gestão em atividades econômicas informais no ambiente doméstico. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 2052-2061, 2026. https://doi.org/10.61411/rsc2026136119

 

DOI: 10.61411/rsc2026136119

 

Área do conhecimento:

Ciências Sociais Aplicadas

Administração

Sub-área:

Administração de Empresas

Empreendedorismo

 

Palavras-chave: Empreendedorismo Feminino; Informalidade; Gestão; Economia Doméstica.

 

Publicado: 22 de julho de 2026.

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Resumo

O empreendedorismo feminino tem adquirido crescente relevância no contexto econômico brasileiro, especialmente em atividades desenvolvidas na informalidade e no ambiente doméstico, evidenciando a necessidade de compreender como essas mulheres organizam e administram seus empreendimentos. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo identificar e compreender as práticas de gestão adotadas por mulheres que desenvolvem atividades econômicas informais no ambiente doméstico. A pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter exploratório, combinando revisão bibliográfica com levantamento de dados empíricos obtidos por meio da aplicação de questionário semiestruturado a 35 mulheres residentes em Barueri-SP e atuantes predominantemente no setor de alimentação. Os resultados evidenciaram que, mesmo sem formação formal em Administração, as participantes desenvolvem práticas relacionadas ao planejamento, organização, controle financeiro e relacionamento com clientes, demonstrando competências gerenciais construídas de forma intuitiva. Conclui-se que o empreendedorismo invisível feminino constitui importante estratégia de geração de renda e autonomia econômica, embora ainda enfrente limitações decorrentes da informalidade e da ausência de maior reconhecimento institucional.

 

Invisible female entrepreneurship: management practices in informal economic activities in the domestic environment

 

Abstract

Female entrepreneurship has gained increasing relevance within the Brazilian economic landscape, particularly regarding activities carried out informally and within the home, highlighting the need to understand how these women organize and manage their ventures. In this context, this study aimed to identify and understand the management practices adopted by women engaged in informal economic activities within the domestic environment. The research is qualitative and exploratory in nature, combining a literature review with the collection of empirical data via semi-structured questionnaires administered to 35 women residing in Barueri, São Paulo, who operate predominantly in the food sector. The results revealed that, despite lacking formal training in business administration, the participants engage in practices related to planning, organization, financial control, and customer relations, demonstrating managerial competencies developed intuitively. The study concludes that this "invisible" form of female entrepreneurship serves as a significant strategy for income generation and economic autonomy, although it still faces limitations stemming from informality and a lack of greater institutional recognition.

Keywords: Female Entrepreneurship; Informality; Management Practices; Domestic Economy.

     

      1. Introdução

O empreendedorismo feminino tem ganhado destaque nas últimas décadas, especialmente em contextos de vulnerabilidade econômica. No entanto, grande parte dessas atividades permanece invisível aos registros formais, sendo desenvolvida no ambiente doméstico e caracterizada pela informalidade. Esse fenômeno, denominado como o empreendedorismo invisível feminino, envolve práticas econômicas que, embora gerem renda, não são reconhecidas institucionalmente como atividades empreendedoras.

Segundo Chiavenato [1], a administração está presente em todas as organizações, independentemente de sua formalização. Nesse sentido, mesmo atividades informais podem apresentar elementos de gestão. De acordo com Dornelas [2], o empreendedorismo envolve a capacidade de identificar oportunidades e organizar recursos, o que também pode ocorrer em contextos não formalizados.

Dados do Global Entrepreneurship Monitor [3] indicam que o Brasil apresenta altos índices de empreendedorismo por necessidade, especialmente entre mulheres. Além disso, informações do IBGE [4] demonstram que uma parcela significativa da população economicamente ativa atua na informalidade.

Apesar da relevância econômica dessas atividades, torna-se importante ampliar a compreensão das práticas de gestão desenvolvidas por mulheres que empreendem de forma informal no ambiente doméstico. Essa compreensão pode contribuir para o fortalecimento das discussões sobre empreendedorismo feminino e subsidiar futuras pesquisas e políticas públicas.

Diante desse contexto, o presente estudo parte da seguinte questão de pesquisa: quais práticas de gestão são desenvolvidas por mulheres que realizam atividades econômicas informais no ambiente doméstico? Considera-se como proposição que essas mulheres, mesmo sem formação acadêmica em Administração e sem formalização empresarial, desenvolvem práticas gerenciais intuitivas relacionadas ao planejamento, organização, controle financeiro e relacionamento com clientes, contribuindo para a geração de renda e para sua autonomia econômica.

Diante desse cenário, o presente estudo tem como objetivo identificar e compreender as práticas de gestão adotadas por mulheres que desenvolvem atividades econômicas informais no ambiente doméstico.

 

    • 2. Referencial teórico

O empreendedorismo é amplamente reconhecido como um fator essencial para o desenvolvimento econômico e social, sendo caracterizado pela capacidade de identificar oportunidades e organizar recursos para a geração de valor. De acordo com Dornelas [2], empreender consiste em transformar ideias em negócios viáveis por meio da inovação, da iniciativa e da capacidade de assumir riscos calculados, contribuindo para a criação de riqueza e o desenvolvimento da sociedade.

No contexto da Administração, a gestão está presente em diferentes tipos de organizações, independentemente de sua formalização. Segundo Chiavenato [1], a administração compreende os processos de planejamento, organização, direção e controle, fundamentais para a coordenação eficiente de recursos e para o alcance dos objetivos organizacionais. Tais princípios também podem ser identificados em empreendimentos informais e de pequeno porte, ainda que aplicados de maneira empírica.

O empreendedorismo feminino tem se consolidado como importante alternativa de geração de renda e inclusão econômica, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Conforme o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) [3], observa-se crescimento significativo da participação feminina em atividades empreendedoras, muitas vezes motivadas pela necessidade de obtenção de renda, pela busca de autonomia financeira e pelo desejo de melhorar as condições de vida de suas famílias.

Entretanto, grande parte dessas atividades é desenvolvida na informalidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) [4] indicam que parcela significativa da população economicamente ativa brasileira atua em ocupações informais, realidade que também contempla um número expressivo de mulheres. Nesse contexto, o empreendedorismo feminino frequentemente ocorre no ambiente doméstico, sem formalização empresarial ou reconhecimento institucional.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) [5], o empreendedorismo feminino no Brasil está fortemente associado à necessidade de geração de renda, sendo comum a atuação em setores como alimentação, comércio e prestação de serviços. Esses empreendimentos geralmente apresentam baixo investimento inicial, flexibilidade na organização do trabalho e utilização de redes sociais como importante canal de divulgação e comercialização.

Nesse contexto, Silva et al. [6] destacam que o empreendedorismo feminino está diretamente relacionado à busca por autonomia financeira, realização pessoal e melhores condições de vida. Os autores ressaltam, ainda, que as mulheres empreendedoras enfrentam desafios para conciliar as atividades econômicas com as responsabilidades familiares e domésticas, cenário que evidencia as desigualdades de gênero ainda presentes na sociedade.

Além disso, a revisão integrativa realizada por Silva et al. [6] evidencia que o fortalecimento do empreendedorismo feminino depende da ampliação de oportunidades, do acesso a recursos, da implementação de políticas públicas de apoio, da capacitação e da promoção da equidade de gênero. Segundo os autores, esses fatores contribuem para ampliar a autonomia financeira, favorecer o desenvolvimento dos empreendimentos e fortalecer a participação das mulheres no desenvolvimento econômico e social.

 

    • 3. Metodologia

A presente pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de caráter exploratório, tendo como objetivo compreender o fenômeno do empreendedorismo invisível feminino no contexto da informalidade.

Quanto aos procedimentos técnicos, o estudo baseia-se em pesquisa bibliográfica, realizada a partir de livros, artigos científicos e relatórios institucionais relevantes para a área de Administração. Foram utilizadas como fontes publicações de Chiavenato [1], Dornelas [2], além de dados do Global Entrepreneurship Monitor [3], IBGE [4], SEBRAE [5] e Silva et al. [6].

Além disso, foi realizado levantamento de dados empíricos por meio da aplicação de um questionário semiestruturado a mulheres atuantes na informalidade. O instrumento continha questões abertas e fechadas, com o objetivo de identificar práticas de gestão relacionadas ao planejamento, organização, controle financeiro e relacionamento com clientes.

A coleta de dados ocorreu de forma online, com participação de trinta e cinco respondentes, a amostra foi composta por mulheres que residem em Barueri-SP, e que atuam predominantemente nos setores de alimentação.

A seleção das participantes ocorreu por conveniência, considerando acessibilidade e atuação prévia em atividades informais no ambiente doméstico.

A análise dos dados foi realizada de forma interpretativa, buscando relacionar os achados empíricos com o referencial teórico adotado.

 

    • 4. Desenvolvimento e discussão

A análise do empreendedorismo invisível feminino no Brasil evidencia que a informalidade não constitui apenas uma condição marginal, mas um elemento estruturante da dinâmica econômica contemporânea. Conforme dados do IBGE [4], parcela expressiva da população economicamente ativa está inserida em ocupações informais, cenário no qual as mulheres apresentam participação significativa, especialmente em atividades realizadas no ambiente doméstico.

No campo do empreendedorismo, observa-se que a atuação feminina está frequentemente associada à necessidade de geração de renda e à busca por autonomia financeira. Segundo o SEBRAE [5], muitas mulheres iniciam suas atividades com baixo capital inicial, utilizando recursos próprios e estratégias adaptativas, o que reforça o caráter resiliente dessas iniciativas.

Os dados empíricos obtidos na pesquisa indicam que a maioria das participantes da amostra (n=35) realiza algum tipo de controle financeiro, ainda que de forma simplificada, como anotações em cadernos ou registros informais. Além disso, foram identificadas práticas de organização da produção e estratégias de relacionamento com clientes, especialmente por meio de redes sociais. Esses achados evidenciam que, mesmo em contextos de informalidade, há presença de práticas gerenciais aplicadas de forma empírica.

De acordo com Chiavenato [1], a administração envolve funções como planejamento, organização, direção e controle, elementos que podem ser identificados nas práticas relatadas pelas participantes. Esses resultados reforçam a ideia de que competências gerenciais podem ser desenvolvidas de maneira intuitiva, sem necessariamente depender de formação formal.

Além disso, conforme Dornelas [2], o empreendedorismo envolve a capacidade de identificar oportunidades e mobilizar recursos. Essa característica se manifesta na forma como essas mulheres utilizam o ambiente doméstico e as redes digitais para desenvolver suas atividades econômicas, demonstrando adaptação às condições disponíveis e às transformações do mercado.

Sob a perspectiva macroeconômica, os dados do Global Entrepreneurship Monitor [3] indicam que o Brasil apresenta elevados índices de empreendedorismo por necessidade, com destaque para a participação feminina.

Conforme apresentado no Gráfico 1, aproximadamente 80% das participantes atuam exclusivamente na informalidade, resultado obtido a partir do questionário aplicado. Esse percentual é superior ao índice nacional de informalidade divulgado pelo IBGE [4], evidenciando a elevada presença da informalidade entre as participantes desta pesquisa.

Apesar de gerar renda e promover autonomia, a informalidade impõe limitações significativas, como o acesso restrito a crédito, capacitação e políticas públicas. Nesse sentido, observa-se que a ausência de reconhecimento institucional contribui para a perpetuação de desigualdades estruturais, especialmente de gênero, ao invisibilizar atividades economicamente relevantes desempenhadas por mulheres.

Além disso, a limitada atuação do Estado no apoio a essas iniciativas reforça a precarização dessas atividades, dificultando sua formalização e crescimento sustentável. Dessa forma, o empreendedorismo invisível feminino não deve ser compreendido apenas como alternativa econômica, mas também como reflexo das desigualdades sociais e das lacunas nas políticas públicas voltadas à inclusão produtiva.

 

Gráfico 1: Níveis de Informalidade no Brasil e no Empreendedorismo Invisível (2026)

Fonte: Elaborado pela autora com base em IBGE [4], SEBRAE [5] e Dados da Pesquisa (2026).

 

Assim, o fenômeno analisado evidencia não apenas uma estratégia de sobrevivência econômica, mas também uma forma de protagonismo e resistência feminina em contextos de vulnerabilidade social.

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    • 5. Considerações finais

O presente estudo teve como objetivo analisar o fenômeno do empreendedorismo invisível feminino, com foco na identificação das práticas de gestão adotadas por mulheres em atividades informais no ambiente doméstico.

Os resultados demonstraram que, mesmo sem formação formal em Administração, essas mulheres desenvolvem práticas relacionadas ao planejamento, organização, controle financeiro e relacionamento com clientes, evidenciando competências gerenciais intuitivas.

Além disso, verificou-se que o empreendedorismo invisível constitui importante estratégia de geração de renda e autonomia feminina, especialmente em contextos de vulnerabilidade econômica.

Entretanto, a informalidade ainda representa um fator limitante, restringindo o acesso a recursos financeiros, capacitação e políticas públicas, além de contribuir para a invisibilidade dessas atividades no âmbito institucional.

Como contribuição, o estudo amplia a compreensão do empreendedorismo feminino informal, destacando sua relevância econômica e social.

Como limitação, destaca-se o número de participantes e o caráter qualitativo da pesquisa. Sugere-se que estudos futuros ampliem a amostra e utilizem abordagens quantitativas para aprofundar a análise.

Conclui-se que o empreendedorismo invisível feminino representa uma forma relevante de inserção econômica, sendo necessário maior reconhecimento institucional e apoio estruturado para o seu desenvolvimento.

 

    • 6. Declaração de direitos

A autora declara ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara que as imagens e textos publicados são de responsabilidade da autora, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade da autora.

 

    • 7. Referências

  • CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. Barueri: Manole, 2014.

  • DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2018.

  • GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR (GEM). Empreendedorismo no Brasil: Relatório Executivo 2023. Curitiba: IBQP, 2024.

  • INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): características adicionais do mercado de trabalho 2022. Rio de Janeiro: IBGE, 2023. Disponível em: https://www.ibge.gov.br. Acesso em: 4 abr. 2026.

  • SERVIÇO BRASILEIRO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Empreendedorismo Feminino no Brasil. Brasília, DF: Sebrae, 2025. Disponível em: https://www.sebrae.com.br. Acesso em: 2 abr. 2026.

  • SILVA, Dennys Danillo Araújo; ALMEIDA, José Elesbão de; BEZERRA, Sara Taciana Firmino; QUEIROZ, Misly Fabrícia da Rocha; NOVAIS, Deyze Araújo Silva. Empreendedorismo feminino e fatores associados ao sucesso pessoal e profissional: uma revisão integrativa. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 7, n. 6, e768262, 2026. DOI: 10.47820/recima21.v7i6.8262. Disponível em: https://doi.org/10.47820/recima21.v7i6.8262. Acesso em: 2 abr. 2026.

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Associação Educacional Dom Bosco (AEDB), Resende-RJ, Brasil. Email: ​​ 


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