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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 9, NÚMERO 1, ANO 2026

 

ARTIGO ORIGINAL

Perfil territorial dos ingressantes do IFSP-Caraguatatuba (2017-2024): uma análise da mobilidade estudantil no ensino superior público

Tamy Gedinia Teraoka1; Monica Franchi Carniello2

 

Como Citar:

TERAOKA, Tamy Gedinia; CARNIELLO, Monica Franchi. Perfil territorial dos ingressantes do IFSP-Caraguatatuba (2017-2024): uma análise da mobilidade estudantil no ensino superior público. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 2033-2051, 2026. https://doi.org/10.61411/rsc2026140819

 

DOI: 10.61411/rsc2026140819

 

Área do conhecimento:

Ciências Humanas

Sub-área:

Teorias do Desenvolvimento Regional; Política Educacional.

 

Palavras-chaves: Mobilidade estudantil; Desenvolvimento regional; Institutos Federais; Litoral Norte Paulista.

 

Publicado: 19 de julho de 2026.

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Resumo

A expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, intensificada a partir dos anos 2000, promoveu a implantação de instituições de ensino superior em municípios anteriormente pouco atendidos, buscando ampliar a oferta educacional e contribuir para o desenvolvimento dos territórios. Nesse contexto, o presente estudo investiga o perfil territorial dos estudantes ingressantes nos cursos superiores do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), Campus Caraguatatuba, entre 2017 e 2024. Trata-se de uma pesquisa documental, de natureza quantitativa e descritiva, baseada em dados acadêmicos extraídos do Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP). A análise considerou conjuntamente os municípios de nascimento e de residência informada pelos estudantes no momento da matrícula, permitindo identificar diferentes padrões de vínculo territorial. Os resultados indicam que aproximadamente 78,8% dos ingressantes residiam no Litoral Norte Paulista, indicando que o campus atende predominantemente à demanda regional. Também foram identificados deslocamentos de estudantes oriundos de outras regiões do estado, sobretudo da Região Metropolitana de São Paulo, demonstrando que a área de influência da instituição extrapola seu município de localização. Conclui-se que o IFSP Campus Caraguatatuba fortalece a oferta pública de educação superior na região do Litoral Norte paulista, contribuindo para os objetivos da política de interiorização e para o fortalecimento das dinâmicas territoriais regionais.

 

Territorial profile of incoming students at IFSP-Caraguatatuba (2017-2024): an analysis of student mobility in public higher education

Abstract

The expansion of the Federal Network of Professional, Scientific, and Technological Education, which intensified from the 2000s onwards, fostered the establishment of higher education institutions in municipalities that were previously underserved, aiming to broaden educational opportunities and contribute to regional development. In this context, this study investigates the territorial profile of students enrolling in higher education programs at the Federal Institute of São Paulo (IFSP), Caraguatatuba Campus, between 2017 and 2024. This is a quantitative and descriptive documentary study based on academic data extracted from the Unified Public Administration System (SUAP). The analysis jointly considered the municipalities of birth and residence reported by students at the time of enrollment, making it possible to identify distinct patterns of territorial ties. The results indicate that approximately 78.8% of incoming students resided in the North Coast of São Paulo state, showing that the campus predominantly meets regional demand. Student mobility from other regions of the state, particularly the São Paulo Metropolitan Area, was also identified, demonstrating that the institution's sphere of influence extends beyond its host municipality. The study concludes that the IFSP Caraguatatuba Campus strengthens the provision of public higher education in the São Paulo North Coast region, contributing to the objectives of the policy to expand education into the interior and to the strengthening of regional territorial dynamics.

Keywords: ​​ Student mobility; Regional development; Federal Institutes; Northern Coast of São Paulo.

 

  • Introdução

As Instituições de Ensino Superior (IES) exercem papel estratégico no desenvolvimento dos territórios ao promoverem a formação de profissionais qualificados, a produção e a difusão do conhecimento e o fortalecimento da capacidade de inovação. Nesse sentido, sua contribuição ultrapassa a oferta de cursos, envolvendo também a geração de benefícios econômicos, sociais e institucionais para as regiões onde estão inseridas [13].

Entretanto, a efetividade dessa contribuição depende, entre outros aspectos, da capacidade da instituição de atender às demandas do território em que está localizada. Assim, conhecer o perfil territorial dos estudantes constitui um importante indicador para compreender a área de influência das instituições de ensino superior e verificar se sua atuação está alinhada aos objetivos de ampliação do acesso à educação superior pública em âmbito regional.

No Brasil, a oferta de educação superior historicamente concentrou-se nas grandes metrópoles, acompanhando a distribuição das atividades econômicas, da infraestrutura e da população, especialmente na Região Sudeste [5]. Esse processo restringiu o acesso da população residente em municípios mais distantes dos grandes centros urbanos e contribuiu para a manutenção das desigualdades territoriais. Nesse contexto, o ensino superior passou a ser reconhecido não apenas como instrumento de formação de capital humano, mas também como elemento capaz de promover desenvolvimento social, ampliar oportunidades educacionais e fortalecer a competitividade regional [14].

Com o objetivo de ampliar o acesso à educação superior pública e reduzir essas disparidades, o Governo Federal promoveu, entre 2003 e 2014, a expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, implantando novos campi em municípios do interior do país. Entre essas unidades encontra-se o Instituto Federal de São Paulo (IFSP) - Campus Caraguatatuba, criado na primeira fase da expansão da Rede Federal para atender às demandas educacionais do Litoral Norte paulista.

A Lei nº 11.892/2008 atribui aos Institutos Federais a finalidade de contribuir para o desenvolvimento local e regional por meio do ensino, da pesquisa e da extensão. Embora esse papel esteja claramente estabelecido em sua legislação, ainda são limitados os estudos que procuram verificar empiricamente se essas instituições atendem prioritariamente à população residente em sua área de influência territorial.

Diante desse contexto, o presente estudo busca responder à seguinte questão de pesquisa: em que medida o IFSP Campus Caraguatatuba atende à população residente em sua área de influência regional? Para isso, analisa-se o perfil territorial dos estudantes ingressantes nos cursos superiores do campus entre 2017 e 2024, utilizando o cruzamento entre os municípios de naturalidade e de residência declarados no ato da matrícula como indicador da aderência territorial da instituição

 

  • Metodologia

O estudo foi realizado a partir de dados institucionais do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), Campus Caraguatatuba, localizado na região do Litoral Norte paulista. Foram analisados os registros acadêmico-administrativos dos estudantes ingressantes nos cursos superiores ofertados pela instituição entre os anos de 2017 e 2024.

Trata-se de uma pesquisa documental, de natureza quantitativa e descritiva. Conforme Gil [6], a pesquisa documental diferencia-se da pesquisa bibliográfica por utilizar fontes pri[márias que ainda não receberam tratamento analítico. Nesse sentido, foram utilizados os dados acadêmico-administrativos disponíveis no Sistema Unificado de Administração Pública (SUAP), informações referentes à naturalidade e ao endereço declarado pelos estudantes no ato da matrícula.

A análise metodológica adotada neste estudo foi inspirada nas discussões de Guimarães et al. [7] acerca da utilização de informações territoriais para compreender a inserção regional das instituições de ensino superior. Considerando as especificidades da base de dados disponível, a proposta foi operacionalizada por meio do cruzamento de dados sobre os municípios de naturalidade e de residência dos estudantes ingressantes, permitindo identificar diferentes vínculos territoriais com a região de estudo

Para fins de análise, adotou-se como critério de origem o local de nascimento do estudante, comparando-o com a região correspondente ao endereço declarado no ato da matrícula. A partir desse procedimento, os ingressantes foram classificados em quatro categorias analíticas segundo seu vínculo territorial com a região do Litoral Norte paulista: nativos, estudantes com naturalidade e residência na região; migrantes, indivíduos nascidos fora do Litoral Norte, mas residentes na região; migrantes externos, aqueles com naturalidade e residência fora do Litoral Norte; e emigrantes, estudantes nascidos na região, porém residentes fora dela. Para fins de sistematização, os critérios de classificação apresentados anteriormente foram compilados no Quadro 1.

 

Quadro 1: Critérios de classificação dos estudantes segundo vínculo territorial com o Litoral Norte

Categoria

Origem

Residência

Nativo

LN

LN

Migrante

Fora do LN

LN

Migrante externo

Fora do LN

Fora do LN

Emigrante

LN

Fora do LN

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026).

 

Embora essa classificação não permita identificar integralmente as trajetórias migratórias dos estudantes, ela constitui um parâmetro relevante para avaliar a aderência territorial da instituição, possibilitando analisar em que medida o campus atende à população local e regional.

Após a coleta, os dados foram sistematizados em planilhas eletrônicas e submetidos à análise estatística descritiva. As frequências absolutas foram obtidas com auxílio do software IBM SPSS Statistics. Posteriormente, foram calculadas frequências relativas e medidas de tendência central, utilizando-se o Microsoft Excel para apoiar a análise comparativa da distribuição territorial dos ingressantes.

Os municípios de naturalidade e residência foram agrupados de acordo com critérios de proximidade geográfica e frequência observada nos dados. Para essa classificação, utilizaram-se como referência a classificação geográfica administrativa da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVale-LN) e da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), estabelecidos pelas Leis Complementares Estaduais nº 1.166/2012 e nº 1.139/2011 [9,10].

Assim, os municípios foram classificados em cinco categorias: (i) Litoral Norte, composto pelos municípios de Caraguatatuba, Ilhabela, São Sebastião e Ubatuba; (ii) Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVale-LN), excluindo-se os municípios do Litoral Norte; (iii) Região Metropolitana de São Paulo (RMSP); (iv) outras regiões do estado de São Paulo, englobando os municípios paulistas não pertencentes às categorias anteriores; e (v) outros estados, abrangendo os municípios localizados fora do estado de São Paulo.

Optou-se pela utilização da mediana como medida de tendência central em razão da elevada variabilidade observada na série histórica e da presença de valores discrepantes, especialmente durante o período pandêmico.

 

  • Desenvolvimento e discussão

    • O IFSP e a interiorização do ensino superior público no Brasil

Por muitos anos, as instituições de ensino superior estiveram predominantemente localizadas nas grandes metrópoles, principalmente na região sudeste. Devido a própria acumulação do capital e infraestrutura.

Essa centralização de investimentos catalisou desigualdades geográficas e sociais, limitando o acesso às IES às pessoas de estratos sociais mais baixos [12]. Nesse sentido, as políticas nacionais e regionais adotadas no início do século XXI possibilitaram a desconcentração das atividades econômicas, atenuando as desigualdades intra e inter-regionais [17].

Entre essas medidas, destaca-se a expansão da educação superior, entendida como estratégica para o fortalecimento da competitividade territorial, por meio da geração de conhecimento e inovação, e como forma de inclusão social, ao ampliar as oportunidades de formação, emprego, mobilidade social e emancipação dos indivíduos [3].

Assim, foram concebidos os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) com o propósito de promover a formação integral dos estudantes, articulando educação, inclusão social e desenvolvimento regional [3].

Os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia são instituições especializadas na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino que ofertam desde a educação básica e profissional à educação superior (licenciatura, bacharelado, pós-graduação stricto sensu) [4].

A implantação dos Institutos Federais é realizada em municípios que não possuem uma instituição federal, com baixa cobertura de educação profissional e tecnológica na região e distante dos grandes centros [4].

A função dos Institutos Federais na promoção do desenvolvimento regional encontra-se expressa no Art. 6º da Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que estabelece suas finalidades institucionais, conforme apresentado a seguir:

I - ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades, formando e qualificando cidadãos com vistas na atuação profissional nos diversos setores da economia, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional;

II - desenvolver a educação profissional e tecnológica como processo educativo e investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e peculiaridades regionais; [3]

Entre as finalidades atribuídas aos Institutos Federais, destacam-se a oferta de cursos orientados ao fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais, estruturados a partir do mapeamento das potencialidades de desenvolvimento dos territórios em sua área de atuação. A instituição deve constituir-se como um centro de referência no ensino de ciências: nos cursos de capacitação voltados aos docentes das redes públicas de ensino, na pesquisa, em programas de extensão e divulgação científica.

Por fim, deve estimular o empreendedorismo, cooperativismo, produção cultural e a pesquisa aplicada para o desenvolvimento e transferência de tecnologias sociais, especialmente voltadas para a preservação ambiental [3].

Dessa forma, conforme indica Pereira e Cruz [11] a política de interiorização das instituições de ensino federal, visa a atuação em dois vetores: na Regionalização, através da distribuição das unidades de ensino que amplia a capilaridade na oferta da educação profissional e na Territorialização, na perspectiva de um desenvolvimento ancorado nas especificidades do território, que valoriza saberes e experiências locais e regionais. Incorporando-as nos processos de tomada de decisões e políticas de formação profissional, conforme as necessidades e potencialidades regionais.

    • IFSP - Campus Caraguatatuba e seu contexto regional

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) - Campus Caraguatatuba integra o conjunto de unidades implantadas na primeira fase do Plano de Expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, iniciado pelo Governo Federal em meados dos anos 2000.

A expansão das instituições federais de ensino buscava ampliar o acesso à educação pública em regiões até então desprovidas dessa oferta, contribuindo para a redução das desigualdades territoriais e para o desenvolvimento regional [4].

Segundo Souza e Silva [15], a definição dos municípios contemplados ocorreu com base nas diretrizes da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (SETEC/MEC), que consideravam critérios como a distribuição territorial equilibrada das novas unidades, a cobertura do maior número possível de mesorregiões, a sintonia com os Arranjos Produtivos Locais (APLs), o aproveitamento de infraestruturas físicas existentes e a identificação de potenciais parcerias institucionais. À luz desses critérios, observa-se que o município de Caraguatatuba apresentava condições favoráveis para sediar uma unidade da Rede Federal.

O município constitui o principal centro urbano do Litoral Norte paulista, exercendo funções de centralidade regional na oferta de comércio e serviços. Integrante da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, possui localização estratégica entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além de apresentar forte vocação turística e ambiental, características que contribuem para sua relevância econômica e territorial na região [8].

Outro aspecto relevante refere-se à infraestrutura educacional previamente instalada no município. O atual Campus Caraguatatuba ocupa as instalações que abrigavam o Centro de Educação Profissional do Litoral Norte (CEPROLIN), mantido pela administração municipal. Posteriormente, no contexto da expansão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, a unidade foi incorporada ao então Centro Federal de Educação Tecnológica de São Paulo (CEFET-SP), na condição de Unidade de Ensino Descentralizada (UNED). Com a promulgação da Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e criou os Institutos Federais, a UNED Caraguatatuba passou a integrar o Instituto Federal de São Paulo, constituindo o atual Campus Caraguatatuba. Dessa forma, a implantação da unidade está alinhada aos objetivos da política de interiorização do ensino superior e da educação profissional federal, buscando ampliar o acesso à formação pública e gratuita e contribuir para o desenvolvimento regional do Litoral Norte paulista.

Considerando que a escolha do município esteve associada à função de atendimento regional atribuída à instituição, torna-se relevante analisar o perfil territorial dos estudantes ingressantes, de modo a compreender em que medida o campus atende à sua área de abrangência regional.

    • Mobilidade estudantil e migração educacional

A mobilidade não se limita apenas ao deslocamento entre territórios. Trata-se, sobretudo, de uma prática socioespacial que expressa as dinâmicas dos indivíduos no espaço social, orientadas tanto por motivações próprias quanto por condicionantes e imposições externas [2].

Segundo Balbim [1], a mobilidade é um fenômeno inerente à dinâmica das sociedades modernas, vinculada à organização territorial e às formas de produção que moldam o espaço. Nesse sentido, os deslocamentos de indivíduos entre diferentes territórios constituem expressão das relações sociais contemporâneas e refletem processos mais amplos de organização econômica e espacial.

Dessa forma, o deslocamento constitui um dos fatores decisivos para o acesso e permanência no ensino superior, em razão das dificuldades relacionadas ao transporte coletivo, ao tempo de percurso, às limitações de trajeto, aos custos de deslocamento e à localização da instituição.

Este estudo optou pela utilização do termo mobilidade, por compreender que os deslocamentos estudantis não se restringem apenas ao deslocamento físico entre territórios, mas envolvem dimensões socioeconômicas e educacionais relacionadas ao acesso, permanência e circulação dos estudantes no espaço regional.

Partindo dessa acepção, compreendemos a mobilidade estudantil como uma ação de deslocamento motivado pelo estudo em uma instituição de ensino superior.

Ao analisarem os impactos da interiorização das instituições federais de ensino superior, Teramatsu e Straforini [16] destacam que as políticas de interiorização contribuem para uma nova configuração do território brasileiro tornando acessíveis as instituições de educação superior (IES), estas atuam na redução das desigualdades e diferenciações regionais, ainda amplia a mobilidade geográfica estudantil.

Assim, a partir desse conceito sobre a mobilidade, com base nos dados da naturalidade e endereço, foi possível inferir o vínculo territorial dos ingressantes e analisar em que medida a instituição atende à sua área regional de influência.

Conforme demostrado na Tabela 1​​ abaixo o perfil dos ingressantes categorizados por vínculo territorial em relação à região estudada.

 

Tabela 1: Distribuição dos estudantes por vínculo territorial com o Litoral Norte (2017-2024)

Ano

Nativo

Migrante

Migrante

Externo

Emigrante

SI

Total

2017

78 (29,1%)

114 (42,5%)

53 (19,8%)

1 (0,4%)

22 (8,2%)

268

2018

105 (37,5%)

112 (40,0%)

60 (21,4%)

0 (0%)

3 (1,1%)

280

2019

102 (38,3%)

111 (41,7%)

53 (19,9%)

0 (0%)

0 (0%)

266

2020

80 (37,4%)

86 (40,2%)

46 (21,5%)

1 (0,5%)

1 (0,5%)

214

2021

49 (19,1%)

96 (37,4%)

108 (42%)

3 (1,2%)

1 (0,4%)

257

2022

83 (44,9%)

79 (42,7%)

23 (12,4%)

0 (0%)

0 (0%)

185

2023

77 (35,5%)

101 (46,5%)

37 (17,1%)

1 (0,5%)

1 (0,5%)

217

2024

79 (36,4%)

96 (44,2%)

42 (19,4%)

0 (0%)

0 (0%)

217

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026).

.

A análise conjunta das categorias nativos e migrantes demonstra que a maior parte dos ingressantes do IFSP-Caraguatatuba declarou residência no Litoral Norte no momento da matrícula. Ao longo da série histórica (2017-2024), a soma dessas categorias apresentou mediana de 78,8%, indicando que aproximadamente quatro em cada cinco estudantes estavam domiciliados na região. Esse resultado indica que a instituição tem aderência predominante dos residentes na região do Litoral Norte, destes aproximadamente 38% são nascidos e residentes na região estudada.

Enquanto, os migrantes externos, estudantes com origem e endereço fora da região do Litoral Norte, representam aproximadamente cerca de 19,8% do total de calouros, indicando aproximadamente um estudante a cada cinco.

Em relação à categoria dos emigrantes, ao longo do período analisado, apenas em 2021 alcançou 1,2% do total de ingressantes, indicando que o IFSP-Caraguatatuba atraiu apenas um número muito reduzido de estudantes naturais do Litoral Norte que declararam residência em outras regiões no momento da matrícula.

Observa-se que a série histórica evidencia os efeitos da pandemia de COVID-19 sobre o perfil territorial dos ingressantes. Em 2021, período em que as atividades acadêmicas ocorreram de forma remota, observou-se a menor participação de estudantes nativos e a maior proporção de migrantes externos em toda a série analisada. Em 2022, com o retorno das atividades presenciais, verificou-se uma inversão, com aumento da participação dos estudantes nativos e redução dos migrantes externos. Os dados de 2020 não apresentaram alterações significativas, uma vez que o processo de matrícula ocorreu em março, antes do estado de calamidade pública no país.

Com base na classificação territorial adotada, as Tabelas 2​​ e 3​​ apresentam a distribuição dos ingressantes residentes na região do Litoral Norte, segundo os municípios de naturalidade e residência declarada.

 

Tabela 2: Distribuição dos ingressantes nativos com origem e residência na região do Litoral Norte no período de (2017-2024)

Ano

Natalidade

N/%

Caraguatatuba

Ilhabela

São Sebastião

Ubatuba

Total

Nativo

2017

Contagem (%)

53 (19,0%)

25 (9,3%)

78 (29,1%)

2018

Contagem (%)

66 (23,6%)

39 (13,9%)

105 (37,5%)

2019

Contagem (%)

63 (23,7%)

39 (14,7%)

102 (38,3%)

2020

Contagem (%)

49 (22,9%)

31 (14,5%)

80 (37,4%)

2021

Contagem (%)

29 (11,3%)

20 (7,8%)

49 (19,1%)

2022

Contagem (%)

55 (29,7%)

28 (15,1%)

83 (44,9%)

2023

Contagem (%)

57 (26,3%)

20 (9,2%)

77 (35,5%)

2024

Contagem (%)

48 (22,1%)

31 (14,3%)

79 (36,4%)

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026).

 

A participação dos ingressantes naturais do município sede do campus estudado, apresentou a mediana de 23,2% do total, a dos demais municípios do Litoral Norte representam uma participação mediana em 14,1% em relação ao total de ingressantes. A série histórica apresenta oscilações anuais, porém sem evidenciar tendência de crescimento ou redução, caracterizando um comportamento relativamente estável.

 

Tabela 3: Distribuição dos ingressantes migrantes com endereço na região do Litoral Norte no período de (2017 -2024)

Ano

Natalidade

N(%)

RMVale

RMSP

Outras

regiões SP

Outros

Estados

Total

Migrantes

2017

Contagem (%)

16 (6,0%)

62 (23,1%)

16 (6,0%)

20 (7,5%)

114 (42,5%)

2018

Contagem (%)

16 (5,7%)

46 (16,4%)

18 (6,4%)

32 (11,4%)

112 (40,0%)

2019

Contagem (%)

15 (5,6%)

51 (19,2%)

16 (6,0%)

29 (10,9%)

111 (41,7%)

2020

Contagem (%)

10 (4,7%)

33 (15,4%)

12 (5,6%)

31 (14,5%)

86 (40,2%)

2021

Contagem (%)

20 (7,8%)

41 (16,0%)

12 (4,7%)

23 (8,9%)

96 (37,4%)

2022

Contagem (%)

12 (6,5%)

27 (14,6%)

16 (8,6%)

24 (13,0%)

79 (42,7%)

2023

Contagem (%)

15 (6,9%)

45 (20,7%)

11 (5,1%)

30 (13,8%)

101 (46,5%)

2024

Contagem (%)

21 (9,7%)

43 (19,8%)

12 (5,5%)

20 (9,2%)

96 (44,2%)

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026).

 

Observa-se que os migrantes residentes no Litoral Norte oriundos da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) representam uma mediana de aproximadamente 17,8% do total de ingressantes e correspondem a cerca de 43,6% do conjunto dos estudantes migrantes. Em contrapartida, os provenientes da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte (RMVale-LN), excluindo-se os municípios do Litoral Norte, apresentam participação mediana de aproximadamente 6,2% do total de ingressantes. Esse resultado indica maior representatividade dos migrantes oriundos da RMSP, apesar da maior proximidade geográfica dos municípios pertencentes à RMVale-LN.

Na sequência, apresentamos a Tabela 4​​ sobre a distribuição dos alunos migrantes externos, agrupados por natalidade e residência fora da região do LN. Para melhor organização dos dados, os indivíduos foram agrupados conforme a correspondência entre a região de natalidade e a região de residência.

 

Tabela 4: Distribuição dos ingressantes migrantes externos origem e endereço fora da região do Litoral Norte no período de (2017 a 2024)

Ano

Origem e end.

N(%)

RMVale

RMSP

Outras

regiões SP

Outros

estados

Origem e end.

não correspondente3

Total Migrantes externos

2017

Contagem (%)

10 (3,7%)

25 (9,3%)

7 (2,6%)

1 (0,4%)

10 (3,7%)

53 (19,8%)

2018

Contagem (%)

16 (5,7%)

22 (7,9%)

10 (3,6%)

4 (1,4%)

8 (2,9%)

60 (21,4%)

2019

Contagem (%)

8 (3,0%)

26 (9,8%)

7 (2,6%)

4 (1,5%)

8 (3,0%)

53 (19,9%)

2020

Contagem (%)

8 (3,7%)

17 (7,9%)

7 (3,3%)

2 (0,9%)

13 (6,1%)

46 (21,5%)

2021

Contagem (%)

20 (7,8%)

54 (21,0%)

13 (5,1%)

7 (2,7%)

14 (5,4%)

108 (42%)

2022

Contagem (%)

4 (2,2%)

7 (3,8%)

4 (2,2%)

3 (1,6%)

5 (2,7%)

23 (12,4%)

2023

Contagem (%)

8 (3,7%)

18 (8,3%)

5 (2,3%)

2 (0,9%)

4 (1,8%)

37 (17,1%)

2024

Contagem (%)

8 (3,7%)

16 (7,4%)

8 (3,7%)

2 (0,9%)

8 (3,7%)

42 (19,4%)

Fonte: Elaborado pelas autoras (2026).

 

Complementando as informações apresentadas na Tabela 4, verifica-se que a proporção de migrantes externos com naturalidade e residência declarada coincidentes em uma mesma categoria territorial (RMVale-LN, RMSP, outras regiões do estado de São Paulo ou outros estados) situa-se entre 80% e 90% do total dessa categoria ao longo do período analisado. Tal resultado sugere, hipoteticamente, que parte desses estudantes, até então que mantinham vínculo territorial com sua região de origem, com natalidade e residência na mesma região, passaram a migrar motivados pelo ingresso na instituição situada na região litorânea.

Nota-se uma proporção considerável de alunos migrantes externos, que representam aproximadamente cerca de 19,8% do total de calouros. Desta categoria destaca-se em números os oriundos da RMSP com mediana de 8,1%, percentual superior ao observado para a Região Metropolitana do Vale do Paraíba 3,7%. As demais regiões do estado de São Paulo e os demais estados apresentaram participação mediana de 2,9% e 1,1%, respectivamente. Apesar da baixa representatividade, a presença recorrente dessas categorias ao longo de toda a série histórica evidencia que o campus também exerce capacidade de atração para além de sua área de influência regional mais imediata.

Considerando o papel das instituições federais de ensino superior na democratização do acesso à educação e na promoção do desenvolvimento regional, este estudo analisou o perfil territorial dos estudantes ingressantes dos cursos superiores do IFSP Campus Caraguatatuba no período de 2017 a 2024.

 

  • Considerações finais

Os resultados evidenciaram que aproximadamente 80% dos ingressantes residiam na região do Litoral Norte, demonstrando a forte inserção territorial da instituição e sua capacidade de atender predominantemente à demanda regional por educação superior pública. Embora o campus também atraia estudantes de outras localidades, a predominância de residentes na região reforça sua relevância para a ampliação do acesso ao ensino superior público no próprio território, corroborando os objetivos das políticas de interiorização e democratização da educação superior.

Verificou-se ainda que a área de influência do IFSP-Caraguatatuba ultrapassa os limites regionais imediatos, estabelecendo conexões com outras regiões do estado, especialmente com a Região Metropolitana de São Paulo, principal origem dos estudantes migrantes residentes no Litoral Norte. Esse resultado evidencia que a atuação da instituição está inserida em dinâmicas territoriais mais amplas, associadas aos fluxos populacionais entre a metrópole paulista e os municípios do litoral.

Por fim, sugere-se que pesquisas futuras acompanhem a trajetória dos egressos do campus, investigando sua permanência ou migração após a conclusão dos cursos, a fim de compreender em que medida a formação oferecida pela instituição contribui para a retenção de capital humano qualificado e para o desenvolvimento regional do Litoral Norte paulista.

 

  • Declaração de direitos

As autoras declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade das autoras, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade das autoras.

 

  • Referências

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1

Universidade de Taubaté (UNITAU), Taubaté, Brasil. Email: ​​ 

2

Universidade de Taubaté (UNITAU), Taubaté, Brasil. Email: ​​ 

3

Um adendo, observa-se que, entre os migrantes externos com origem e endereço não coincidentes, aproximadamente 50% correspondiam a casos envolvendo estados distintos, predominando situações relacionadas à naturalidade em outro estado e endereço no estado de São Paulo.


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