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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 9, NÚMERO 1, ANO 2026
ARTIGO ORIGINAL
Inclusão de alunos com transtorno do espectro autista: ensino da arte em uma escola municipal de Parintins
Alexandre Silva Souza1; Sônia Lúcia da Silva Costa2
Como Citar:
SOUZA, Alexandre Silva; COSTA, Sônia Lúcia da Silva. Inclusão de alunos com transtorno do espectro autista: ensino da arte em uma escola municipal de Parintins. Revista Sociedade Científica, vol. 9, n. 1, p. 1938-1966, 2026. https://doi.org/10.61411/rsc2026136719
DOI: 10.61411/rsc2026136719
Área do conhecimento:
Ciências Humana
Educação
Subárea:
Ensino-Aprendizagem; Educação Especial; Ensino de Arte
Palavras-chave: Professor; Ensino; Arte; Inclusão; Autismo.
Publicado: 9 de julho de 2026.
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Resumo
O ensino de arte no contexto da educação inclusiva tem se destacado como um campo relevante para o desenvolvimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista, ao favorecer formas diversificadas de expressão, interação e aprendizagem no ambiente escolar. O estudo teve como propósito compreender as estratégias metodológicas utilizadas pelos professores de arte no processo de ensino e aprendizagem de alunos com TEA em uma escola municipal de Parintins, considerando os recursos didáticos, as adaptações pedagógicas e os desafios presentes na prática docente. A investigação foi desenvolvida por meio de abordagem qualitativa, caracterizada como estudo de caso, fundamentada na sistematização e reflexão sobre relatos de experiências pedagógicas compartilhados por professores atuantes na área de arte, cujas vivências foram analisadas de forma interpretativa. Os resultados evidenciaram que o ensino de arte contribui significativamente para o desenvolvimento dos alunos, ampliando possibilidades de comunicação, socialização e participação, ao mesmo tempo em que revelam a necessidade de maior apoio institucional e formação docente para o fortalecimento de práticas inclusivas no contexto escolar.
Inclusion of students with autism spectrum disorder: art teaching in a municipal school in Parintins
Abstract
Art education within the context of inclusive education has emerged as a relevant field for the development of students with Autism Spectrum Disorder, fostering diverse forms of expression, interaction, and learning in the school environment. This study aimed to understand the methodological strategies used by Art teachers in teaching students with ASD in a municipal school in Parintins, considering didactic resources, pedagogical adaptations, and challenges present in teaching practice. The investigation was developed using a qualitative approach, characterized as a case study, based on the systematization and reflection on pedagogical experience reports shared by teachers working in the field of Art, whose accounts were analyzed interpretively. The results showed that art education contributes significantly to the development of students, expanding possibilities for communication, socialization, and participation, while also revealing the need for greater institutional support and teacher training to strengthen inclusive practices in the school context.
Keywords: Teacher; Teaching; Art; Inclusion; Autism.
Introdução
A educação inclusiva tem se consolidado como um princípio fundamental no campo educacional contemporâneo. Orientando práticas pedagógicas voltadas ao reconhecimento da diversidade presente nas instituições de ensino. Nesse cenário, a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas regulares impulsiona reflexões sobre a necessidade de metodologias diferenciadas.
O ensino de arte apresenta potencial significativo para contribuir com esse processo de aprendizagem. Deste modo, favorece formas variadas de expressão, comunicação e interação, aspectos relevantes para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos estudantes.
De acordo com Costa, Soares e Araújo [6], a arte desempenha um papel relevante no desenvolvimento de pessoas com TEA. Isso ocorre porque as atividades artísticas estimulam a criatividade, a percepção sensorial e a expressão de emoções. Os autores ressaltam que experiências estéticas e criativas contribuem para a ampliação das possibilidades de comunicação e interação social, aspectos frequentemente e desafiadores.
Nesse sentido, o ensino de arte pode constituir um espaço pedagógico sensível às particularidades dos alunos. Abordagem que contribui diretamente para a construção de experiências educativas inclusivas. Segundo Carvalho e Okimoto [5], a arte pode atuar como importante instrumento de aprendizagem e socialização para os alunos atípicos. A prática mostra possibilidades no desenvolvimento de habilidades comunicativas e expressivas em contextos educativos.
As autoras indicam que atividades artísticas possibilitam o envolvimento dos estudantes nas práticas escolares. Sendo assim, promovem experiências de convivência, troca e reconhecimento das diferenças. A partir dessa perspectiva, o ensino de arte passa a ser compreendido como um recurso pedagógico fundamental, possibilitando a participação ativa do mesmo no ambiente escolar.
Roveda e Schmidt [16] destacam que a educação inclusiva requer práticas pedagógicas que considerem as particularidades dos estudantes autistas. Isso se aplica, especialmente, às formas de participação e avaliação no contexto escolar. Os autores observam que a escola deve desenvolver estratégias para ampliar as possibilidades de aprendizagem. É um processo que exige o respeito aos ritmos e modos distintos de interação com o conhecimento.
Nesse contexto, tornam-se indispensáveis metodologias que valorizam diferentes linguagens e formas de expressão. As propostas desenvolvidas no ensino da arte, por exemplo, contribuem para a construção de ambientes educacionais mais acessíveis e inclusivos.
Diante dessas discussões, torna-se evidente que a presença de alunos com Transtorno do Espectro Autista nas escolas demanda práticas pedagógicas diferenciadas. Tais ações devem reconhecer as peculiaridades e potencialidades de cada aluno. No campo da educação artística, o professor assume papel central na mediação das experiências de aprendizagem.
Nessa perspectiva o profissional precisa organizar as atividades que estimulem a criatividade, a expressão e a interação entre os alunos. Assim, compreender como os professores desenvolvem suas práticas no ensino de arte contribui para o debate acadêmico. A análise se faz necessário para ampliar de forma significativa as reflexões acerca das possibilidades de inclusão escolar dos estudantes autistas.
Nesse contexto, emerge a seguinte questão norteadora: como os professores de arte desenvolvem estratégias metodológicas no processo de ensino e aprendizagem capazes de viabilizar a inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista em uma escola municipal de Parintins?
A realização deste estudo justifica-se pela relevância educacional e social do tema. Há um crescimento contínuo no número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista matriculados na rede regular de ensino. Diante disso, as instituições escolares enfrentam sérios desafios para garantir práticas pedagógicas inclusivas. Investigar o ensino de arte nesse contexto contribui para debates sobre educação inclusiva. Além disso, a pesquisa possibilita reflexões sobre estratégias pedagógicas diferenciadas permitindo a participação de todos no processo educativo.
O objetivo geral desta pesquisa consiste em compreender as estratégias metodológicas utilizadas pelos professores de arte no processo de ensino e aprendizagem de alunos com Transtorno do Espectro Autista em uma escola municipal de Parintins. Quanto aos objetivos específicos, busca-se identificar os recursos didáticos utilizados nas aulas de arte. Também se pretende analisar as adaptações pedagógicas aplicadas para favorecer a inclusão desses estudantes. Do mesmo modo, o estudo visa compreender os desafios enfrentados pelos professores no desenvolvimento de práticas inclusivas. Por fim, busca-se examinar as percepções dos profissionais sobre a contribuição da arte para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Para atingir os objetivos propostos, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa. Essa escolha é voltada à compreensão aprofundada dos fenômenos educacionais e das experiências vivenciadas pelos participantes. O trabalho caracteriza-se como um estudo de caso. A investigação foi desenvolvida em uma escola municipal de Ensino Fundamental 1, localizada no município de Parintins, no estado do Amazonas. O estudo baseou-se na análise e no compartilhamento de relatos de experiências pedagógicas. Dados foram estruturados a partir de diálogos e pautas de reflexão profissional com professores que atuam no ensino de artes. Buscou-se, assim, compreender suas práticas cotidianas.
Referencial teórico
Educação inclusiva: fundamentos, políticas públicas e transformações históricas
A educação inclusiva forma um campo de reflexão fundamental, manifestando a necessidade de reorganização dos sistemas educacionais, com base no reconhecimento das diferenças humanas no procedimento de ensino e aprendizagem. Na perspectiva de Uchôa e Chacon [17], essa abordagem transfere o foco da adequação do aluno para a transformação da escola. Este movimento demanda práticas pedagógicas eficazes, capazes de identificar e compreender a diversidade sem estabelecer hierarquias. Essa abordagem exige revisões intensas nas concepções convencionais de normalidade e desempenho.
O fortalecimento das políticas públicas para a inclusão educacional revela avanços normativos e institucionais. Essas diretrizes buscam garantir o direito à educação em condições de igualdade. Segundo Freitas [7], a distinção entre acesso, acessibilidade e inclusão revela diferentes níveis de efetivação desse direito. O autor evidencia que a simples presença do aluno no espaço escolar não garante sua participação plena. Além disso, essa presença não assegura o reconhecimento de suas especificidades.
As transformações históricas da educação inclusiva evidenciam a transição de modelos excludentes para abordagens. Tais perspectivas valorizam a convivência na diversidade com princípio pedagógico. Como aponta Ramos [14], a inclusão na prática requer estratégias que considerem as singularidades dos alunos. Para isso, torna-se necessário integrar recursos didáticos, metodologias ativas e intervenções contextualizadas que favoreçam o desenvolvimento integral dos sujeitos.
As práticas pedagógicas inclusivas contribuem para a construção de uma educação mais democrática e participativa. No entanto, para que isso ocorra, precisa estar fundamentada em princípios éticos e metodológicos consistentes. Conforme observa Huallpa [10], a adoção de boas práticas na educação inclusiva envolve a valorização da colaboração e o uso de estratégias específicas. Além disso, exige o reconhecimento das potencialidades dos alunos fortalecendo a aprendizagem significativa em contextos diversos.
A trajetória da educação inclusiva revela um processo contínuo de reconfiguração das práticas educacionais. Esse procedimento articula fundamentos teóricos, diretrizes políticas e transformações históricas. Além disso, orienta-se firmemente pela valorização de diferenças e pela garantia de direitos. O movimento exige não apenas a ampliação do acesso, mas a construção de condições reais de participação. Nesse cenário impõe revisões permanentes nas estruturas escolares, nas metodologias de ensino e nas relações estabelecidas no ambiente educativo.
Transtorno do espectro autista (TEA): conceitos, características e implicações educacionais
Ao configura-se como uma condição do neurodesenvolvimento, o autismo é marcado pelas particularidades na comunicação, na interação social e nos padrões comportamentais. O transtorno é reconhecido como espectro devido à grande diversidade de manifestações entre os indivíduos. Segundo Klin [11], antigamente o autismo utilizava a nomenclatura conhecida como síndrome de Asperger compartilhando características centrais.
As semelhanças relacionam-se às dificuldades na reciprocidade social e na compreensão de pistas sociais existentes. Atualmente, ambas as condições estão unificadas sob o único diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) que variam em níveis de suporte quanto ao desenvolvimento da linguagem e das habilidades cognitivas.
As manifestações do autismo abrangem diferentes sinais no cotidiano do indivíduo. Na visão de Teixeira [19], essas características se apresentam como dificuldades no convívio social e seu progresso nessa área. O autor aponta, ainda, a existência de complicações na comunicação e no desenvolvimento das atividades cognitivas do sujeito.
As características do autismo abrangem aspectos sensoriais, cognitivos e comportamentais. Esses elementos influenciam diretamente a forma como os indivíduos percebe e responde aos estímulos do ambiente. De acordo com Grandin e Panek [9], muitas pessoas no espectro apresentam formas diferenciadas de processamento sensorial, que podem experimentar hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes e texturas. Essas particularidades interferem diretamente na adaptação do aluno a contextos cotidianos e educacionais.
As implicações educacionais tornam-se evidentes no cotidiano escolar do aluno autista. O cenário exige a necessidade de adaptação das práticas pedagógicas para garantir a participação efetiva desses alunos. Na perspectiva de Bezerra et al. [4], a inclusão de crianças com autismo envolve a reorganização do ambiente educacional. Para isso, torna-se indispensável a utilização de estratégias mediadoras. Do mesmo modo, o fortalecimento da formação docente é um elemento que contribui para a construção de experiências educativas mais acessíveis e significativas.
Os desafios e possibilidades relacionados à presença de alunos autistas na escola pública evidenciam a relevância do tema. Esse contexto reforça a importância de políticas educacionais e práticas institucionais firmemente comprometidas com a inclusão. Conforme discutem Ambrosim et al. [2], a realidade escolar ainda enfrenta sérios obstáculos. Dentre eles, destacam-se a falta de recursos e a insuficiência de formação específica. Há também a necessidade de maior integração entre profissionais da educação e da saúde. Esses fatores reunidos impactam diretamente a qualidade do atendimento oferecido.
O Transtorno do Espectro Autista envolve uma ampla diversidade de características e manifestações. A pluralidade evidencia a necessidade de abordagens educacionais diferenciadas. Tais estratégias devem considerar as singularidades de cada aluno em seus processos de aprendizagem e interação. As particularidades relacionadas à comunicação, ao comportamento e à percepção sensorial demandam práticas pedagógicas flexíveis. Esse modelo de ensino é capaz de facilitar a participação ativa e o desenvolvimento integral dos sujeitos no ambiente escolar.
O ensino de arte como prática inclusiva e a responsabilidade do professor
O ensino de arte, quando orientado por princípios inclusivos, amplia as possibilidades de participação dos alunos. Essa abordagem atinge seu objetivo ao valorizar múltiplas formas de expressões e percepção do mundo. Segundo Barbosa [3], a arte no contexto educacional deve ser compreendida como linguagem que articula sensibilidade, reflexão e cultura. Esse processo permite que os sujeitos se reconheçam e se posicionem socialmente. Para isso, utilizam-se imagens, símbolos e experiências estéticas que transcendem a comunicação verbal.
A arte como prática inclusiva é uma ferramenta fundamental para o ambiente escolar. Visar trabalhar o processo cognitivo, baseando-se em um aspecto indispensável para o desenvolvimento infantil. Com base em Moreira e Masini [18], a cognição é a etapa percorrida para formação de pensamentos que dão sentido ao mundo. Essa construção de significados ocorre de forma coletiva. Diante disso, ela se consolida por meio da convivência com os demais indivíduos e com o meio em que vive o sujeito.
A articulação entre educação inclusiva e ensino de arte revela um campo fértil para a pesquisa docente. A união contribui para o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que garantem a participação de todos os estudantes. De acordo com Oliveira et al. [13], o ensino de arte atua como mediador de processos inclusivos. Tal mediação ocorre ao possibilitar abordagens flexíveis, adaptáveis e sensíveis às necessidades específicas dos alunos. Esta flexibilidade torna-se fundamental quando se considera a diversidade presente nas salas de aula contemporâneas.
A dimensão inclusiva da arte também se manifesta na relação entre práticas pedagógicas e desenvolvimento integral dos alunos. Tal influência fica evidente quando se consideram aspectos motores, emocionais e cognitivos dos estudantes. Como aponta Rosa et al. [15], a integração entre psicomotricidade e artes, viabiliza o desenvolvimento do aluno autista. Sendo uma prática que estimula habilidades corporais, expressivas e comunicativas em contextos lúdicos e significativos. Consequentemente, a metodologia amplia as possibilidades de interação e aprendizagem no espaço escolar.
O papel do professor no ensino de arte inclusivo exige uma postura reflexiva, criativa e comprometida. Esse profissional deve focar na construção de práticas pedagógicas que reconheçam e valorizem as diferenças. Conforme discute Alves et al. [1], a atuação do professor nesse campo envolve a criação de ambientes sustentáveis de aprendizagem. Nesses espaços, a inclusão não se limita à presença física dos alunos. Ela se efetiva, verdadeiramente, na participação ativa e no reconhecimento de suas potencialidades.
O ensino de arte, ao se constituir como prática inclusiva, evidencia seu potencial de acolher a diversidade. Isso engloba diferentes formas de expressão, percepção e aprendizagem, contribuindo para a construção de experiências educativas sensíveis às singularidades. A atuação do professor assume centralidade absoluta nesse processo. A atividade demanda uma postura criativa, flexível e comprometida com a valorização das diferenças. A partir disso, promovem-se estratégias pedagógicas que ampliem a participação e o envolvimento de todos no ambiente escolar.
Metodologia
Abordagem e tipo de pesquisa
A investigação proposta fundamenta-se em uma abordagem qualitativa. Tal escolha é orientada pela necessidade de interpretar os fenômenos educacionais a partir das experiências vividas pelos sujeitos envolvidos no processo de ensino e aprendizagem. Tal perspectiva privilegia os significados atribuídos pelos professores às suas práticas pedagógicas. Desse modo, o método permite uma leitura mais aprofundada das dinâmicas presentes no ensino de arte voltado a alunos com Transtorno do Espectro Autista. Marconi e Lakatos [12] sustentam que a pesquisa qualitativa possibilita captar aspectos subjetivos e contextuais da realidade social. Essa abordagem facilita uma interpretação que ultrapassa a simples descrição dos fatos, aproximando-se das vivências concretas dos participantes.
A escolha dessa abordagem relaciona-se diretamente ao objetivo do estudo. A pesquisa busca investigar práticas pedagógicas, percepções docentes e estratégias de inclusão no ambiente escolar. Ao direcionar o olhar para as experiências dos professores, torna-se possível explorar nuances que dificilmente seriam identificadas por meio de métodos quantitativos. Essa relevância ocorre especialmente porque o processo envolve sensibilidade, adaptação e interação humana. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa permite acessar dimensões simbólicas do ensino de arte. Esse movimento evidencia como os professores constroem suas práticas diante das especificidades dos alunos com TEA.
Segundo Duarte [21] optar por relatos de experiência não descaracteriza a natureza qualitativa da investigação. O rigor científico desse tipo de abordagem decorre da interpretação teórica do objeto. Portanto, ele não depende da aplicação isolada de ferramentas tradicionais de coleta, como a entrevista.
Quanto ao tipo de pesquisa, o estudo caracteriza-se como um estudo de caso. A investigação concentra-se na análise detalhada de uma realidade específica, situada em uma escola municipal de Ensino Fundamental I em Parintins. Gil [8] define o estudo de caso como uma estratégia investigativa que possibilita examinar profundamente um fenômeno dentro de seu contexto real. Tal abordagem facilita a articulação direta entre teoria e prática. Essa escolha metodológica permite observar de maneira mais próxima as condições em que o ensino de Arte ocorre. Do mesmo modo, auxilia a compreender as estratégias utilizadas pelos professores no cotidiano escolar.
A adoção do estudo de caso também se justifica pela possibilidade de explorar múltiplas dimensões do fenômeno investigado. As variáveis incluem aspectos institucionais, pedagógicos e relacionais que influenciam o processo de inclusão. Ao focalizar um contexto específico, a pesquisa busca revelar particularidades que contribuem para a compreensão das ações educativas. Para isso, consideram-se as limitações estruturais, os recursos disponíveis e as interações estabelecidas entre professores e alunos. Esse recorte possibilita uma análise aprofundada das ações pedagógicas. Consequentemente, o estudo permite identificar caminhos possíveis para o aprimoramento do ensino inclusivo na área de arte.
Nessa perspectiva, a combinação entre abordagem qualitativa e estudo de caso constitui um caminho metodológico coerente com a natureza do objeto investigado. Este arranjo possibilita examinar o fenômeno em sua complexidade e em sua inserção no cotidiano escolar. A investigação valoriza as experiências dos professores e as especificidades do contexto educacional analisado. A partir disso, o estudo amplia as possibilidades de interpretação das práticas inclusivas. Tal movimento abre espaço para reflexões consistentes que dialogam com a realidade concreta do ensino de arte e com os desafios enfrentados na promoção de uma educação voltada à diversidade.
Contexto da pesquisa e participantes
A pesquisa foi desenvolvida em uma escola municipal de Ensino Fundamental I localizada em Parintins. A instituição está inserida em uma região periférica que apresenta características sociais e educacionais próprias de contextos urbanos em expansão. O ambiente escolar investigado reúne diferentes espaços pedagógicos, como salas de aula, biblioteca, refeitório e salas de recursos multifuncionais. Essas estruturas contribuem para o desenvolvimento das atividades educativas cotidianas. O cenário revela uma realidade marcada por desafios estruturais. Ao mesmo tempo, o espaço apresenta possibilidades reais de ideias voltadas à inclusão e à valorização das diferenças.
A escolha desse campo empírico está diretamente relacionada à proposta do estudo. A intenção central é analisar o ensino de arte no contexto da inclusão de alunos autistas. A escola selecionada atende alunos dos anos iniciais do ensino fundamental. Desta forma, configura-se como um espaço relevante para observar práticas pedagógicas voltadas à diversidade. A presença de alunos com Transtorno do Espectro Autista nesse ambiente amplia a necessidade de estratégias diferenciadas. Tal característica torna o contexto investigado um campo fértil para a reflexão sobre as ações do professor e sobre os caminhos possíveis para a inclusão.
Os participantes da pesquisa foram cinco professores atuantes no ensino da disciplina de arte na referida instituição. Todos os profissionais possuem experiência com alunos autistas. Dentre os profissionais citados, apenas um possui formação na área de arte. Cada professor atende em sua turma dois alunos com autismo. A seleção dos estudantes ocorreu a partir da disponibilidade e do interesse em contribuir com o estudo. Esta fase foi mediada pelo contato prévio com a equipe pedagógica da escola. Nessa etapa conseguimos reunir professores tendo diferentes trajetórias profissionais, enriquecendo a análise ao possibilitar a observação de múltiplas perspectivas.
Para essa pesquisa utilizamos nomes fictícios para preservar a identidade dos participantes e garantir os princípios éticos da pesquisa. Os codinomes foram inspirados em obras de arte reconhecidas. Tal estratégia contribui para manter o anonimato sem perder a identidade simbólica relacionada ao campo investigado. O cuidado ético é fundamental em estudos que envolvem sujeitos e experiências profissionais. A medida assegura o respeito, a confidencialidade e a integridade de todas as informações compartilhadas durante o processo investigativo.
A caracterização dos participantes evidencia um grupo heterogêneo. Sendo composto por professores com diferentes tempos de atuação e formação acadêmica variadas. Esses fatores permitem observar distintas formas de organização do trabalho pedagógico no ensino de arte. A diversidade de perfis contribui diretamente para ampliar a leitura das práticas inclusivas. Afinal, cada professor mobiliza conhecimentos, experiências e estratégias próprias diante das demandas apresentadas pelos alunos com autista. Tal arranjo configura um panorama dinâmico e em constante transformação dentro do ambiente escolar.
Procedimentos de sistematização de relatos e análise das experiências
A sistematização das experiências pedagógicas foi realizada por meio de encontros de diálogos e reflexão orientados por pautas docentes. Esta estratégia possibilitou direcionar as discussões sem restringir a livre expressão e o compartilhamento das vivências dos professores. Esse procedimento facilita a obtenção de informações detalhadas sobre as rotinas educacionais. Dentre elas, destacam-se as estratégias utilizadas no ensino de arte e as percepções dos professores acerca da inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista. A escolha desse instrumento está perfeitamente alinhada à natureza qualitativa da pesquisa. Afinal, o método permite captar sentidos, interpretações e vivências construídas no cotidiano escolar.
O presente estudo caracteriza-se como um relato e análise de experiências profissionais e práticas pedagógicas. Não houve qualquer tipo de intervenção clínica, experimental ou exposição de vulnerabilidades. Por essa razão, a pesquisa prescinde de registro ou avaliação pelo sistema CEP/CONEP. Essa decisão fundamenta-se nas diretrizes estipuladas pelo Artigo 1º, Parágrafo Único da Resolução n° 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde (CNS) [20].
Os procedimentos foram conduzidos sob estrita anuência dos profissionais, salvaguardou-se integralmente o sigilo institucional e o anonimato dos envolvidos na pesquisa. Por isso, utilizou-se a atribuição de nomes fictícios inspirados no meio artístico.
O compartilhamento dos relatos ocorreu individualmente em um espaço reservado dentro da própria escola. Essa logística garantiu condições adequadas para a escuta e para a troca de experiências entre pesquisador e participante. Antes do início do registro dos depoimentos, foram realizadas conversas iniciais. O objetivo desse momento foi estabelecer um ambiente de confiança e acolhimento, facilitando a espontaneidade dos discursos. Esta etapa inicial contribuiu para que os professores se sentissem à vontade ao relatar suas práticas, desafios e percepções. Por consequência, houve uma ampliação na riqueza das informações adquiridas ao longo do processo investigativo.
A pauta de reflexão dos profissionais contemplou questões fundamentais. Os eixos abordaram a concepção do ensino de arte, a importância da disciplina no desenvolvimento dos alunos, as estratégias utilizadas para promover a inclusão de estudantes com TEA e os desafios enfrentados no ambiente escolar. Também foram exploradas as experiências dos professores com adaptações pedagógicas e recursos didáticos. Do mesmo modo, investigaram-se as percepções dos professores sobre o papel da arte no desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos alunos autistas. Tal organização permitiu reunir dados consistentes e articulados com os objetivos do estudo. O formato manteve a coerência entre a sistematização e as questões investigativas propostas.
Após o registro dos diálogos, as informações foram organizadas por meio da transcrição descritiva das falas. Esse procedimento que possibilitou maior fidelidade às experiências compartilhadas pelos participantes. Além disso, contribui para uma análise criteriosa das informações obtidas. A leitura cuidadosa do material permitiu identificar padrões, recorrências e singularidades nos depoimentos. O exame evidenciou aspectos relevantes das práticas abordadas pelos professores no ensino de arte. Tal processo analítico buscou interpretar os significados presentes nos discursos, articulando-os diretamente no contexto educacional.
A análise dos dados foi conduzida de maneira interpretativa. Consideram-se as relações diretas entre as falas dos participantes e os objetivos da pesquisa. Este caminho permite evidenciar como os professores constroem suas práticas diante das demandas da inclusão. Ao examinar os relatos, tornou-se possível identificar elementos cruciais. Eles revelam tanto as potencialidades quanto os desafios do ensino de arte no contexto investigado. Esse percurso permite uma leitura que valoriza as experiências dos professores. Do mesmo modo, mantém o olhar voltado para as dinâmicas vividas no ambiente escolar.
Desenvolvimento e discussão
Estratégias pedagógicas no ensino de arte para alunos com TEA
As estratégias pedagógicas evidenciadas no ensino de arte para alunos com autismo revelam um movimento constante de adaptação por parte dos professores. Os profissionais buscam adequar suas práticas às necessidades específicas de cada aluno. Ao compartilharem seus relatos, os profissionais destacaram que atividades visuais e práticas favorecem o envolvimento dos estudantes. Tais propostas permitem maior participação nas aulas e estimulam formas alternativas de expressão. Um dos professores relatou que as atividades artísticas possibilitam identificar habilidades que muitas vezes não são percebidas em outras disciplinas. Este fato demonstra a relevância da arte como meio de acesso ao aprendizado.
Observa-se, a partir dos relatos, que a mediação do professor assume um papel central na organização das atividades. No dia a dia, torna-se necessário ajustar a linguagem, o tempo das tarefas e os estímulos oferecidos em sala de aula. O professor identificado como Guernica destacou que o incentivo e a observação contínua permitem reconhecer as especificidades de cada aluno. A postura orienta a escolha das estratégias utilizadas no processo de ensino. A prática evidencia uma atuação pedagógica sensível às diferenças, na qual o professor reorganiza suas ações conforme as respostas apresentadas pelos alunos.
Diante dessas questões os professores descrevem uma frequente necessidade de mudança de planos, essa realidade confirma a tese de Roveda e Schmidt [16]. Os autores sinalizam que a verdadeira educação inclusiva carece de respeito aos limites biológicos e psicológicos dos alunos. Do mesmo modo, demanda atenção às estratégias particulares de interação do aluno com autista com o saber escolar.
Outro aspecto recorrente nas reflexões dos professores registradas refere-se à valorização de atividades que estimulam a socialização. Entre as atividades mencionadas, notabilizam-se pinturas em grupo ou em dupla, além de desenhos com tema livre seguidos de práticas de colagens. A propostas potencializa o uso de cores para promover interações que contribuem para o desenvolvimento emocional e cognitivo. Os professores relataram que é comum observar momentos de colaboração durante as aulas de arte. Com o acompanhamento adequado, os alunos demonstram cooperação ao compartilhar materiais e participar de produções coletivas. Desse modo, as atividades estimulam a interação mútua e a troca de ideias. Esse tipo de prática fortalece os vínculos no ambiente escolar e amplia as possibilidades de aprendizagem, especialmente para alunos autistas que apresentam dificuldades nas interações sociais.
As falas dos professores também evidenciam a importância da flexibilidade pedagógica. Afinal, nem todas as atividades produzem os mesmos resultados para todos os alunos. Enquanto alguns estudantes optam por pintura, outros preferem colagem. Essa dinâmica expõe a diversidade de interesses dentro da turma. Nesse sentido, os professores relataram a necessidade de adaptar constantemente suas estratégias.
O processo envolve modificar propostas e experimentar diferentes abordagens, como mesclar pintura e colagem. Essa adaptação promove a participação coletiva, pois a alternância de linguagens garante o interesse dos alunos, independentemente de suas preferências. A postura demonstra um processo de construção contínua do professor baseando-se na experiência.
A análise dos dados revela que as estratégias pedagógicas não se limitam à aplicação de técnicas específicas. Elas envolvem uma compreensão ampliada do processo educativo, na qual o professor considera aspectos emocionais, comportamentais e cognitivos. Os participantes destacaram que o ensino de arte permite observar avanços significativos na concentração, no interesse e na expressão dos estudantes. Esses indícios apontam que as atividades artísticas funcionam como um espaço de desenvolvimento integral. Tais elementos reforçam a importância de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e promovam a participação ativa de todos os alunos.
Nesse cenário, as estratégias adotadas pelos professores configuram-se como práticas em constante transformação. Elas são construídas a partir da experiência, da observação e da interação com os alunos no cotidiano escolar. O conjunto de relatos evidencia que o ensino de arte amplia as possibilidades de aprendizagem quando orientado por princípios inclusivos. A abordagem facilita a construção de um ambiente mais participativo. Nele, os alunos com autistas encontram caminhos para se expressar, interagir e desenvolver suas potencialidades de maneira progressiva dentro da realidade investigada.
Recursos didáticos e adaptações no processo de inclusão
Os recursos didáticos utilizados no ensino de arte para alunos com TEA evidenciam a necessidade de diversificação das práticas pedagógicas. Essa variedade deve considerar as diferentes formas de percepção e expressão de cada indivíduo. A partir das experiências compartilhadas, os professores destacaram o uso frequente de materiais visuais e táteis.
Dentre eles, citam-se tintas, papéis coloridos, colagens e atividades manuais. Tais recursos facilitam o envolvimento dos alunos durante as aulas e contribuem para ampliar as possibilidades de participação. Desse modo, os alunos se expressem de maneira mais autônoma e encontrem formas próprias de interação com o conteúdo.
Os relatos dos professores indicam que a escolha dos materiais não ocorre de forma aleatória. Tal decisão está diretamente relacionada às características dos alunos e às respostas observadas em sala de aula. O professor identificado como Mona Lisa mencionou que atividades que envolvem estímulos visuais e sensoriais tendem a gerar maior interesse. Esse fator aumenta a concentração por parte dos alunos autistas e orienta o planejamento das aulas. A prática revela um olhar atento às necessidades dos estudantes. Nesse contexto, o recurso didático passa a ser um elemento mediador essencial do processo de ensino e aprendizagem.
A compreensão do professor gira em torno do que declaram Costa, Soares e Araújo [6]. Os autores afirmam que os meios estéticos e a investigação sensorial atuam impulsionando a cognição e a expressão emocional do autista. Ao variar os materiais táteis, o professor reitera a premissa de Barbosa [3]. A pesquisadora defende o papel sobre da imagem e do fazer artístico como linguagens que ampliam as fronteiras da comunicação puramente verbal.
As adaptações pedagógicas também aparecem como um componente essencial no desenvolvimento das atividades. Elas são frequentemente mencionadas pelos professores como estratégias necessárias para garantir a inclusão. Entre as adaptações relatadas, destacam-se a simplificação das tarefas. Um exemplo é a proposta de desenho livre com lápis de cor, que possui baixa demanda dirigida. Outra estratégia é a divisão das atividades em etapas menores, como uma pintura realizada ao longo de duas aulas. Esse fracionamento viabiliza a conclusão de produções em sessões menores.
Por fim, utiliza-se a aplicação de instruções mais objetivas. Essa clareza facilita a compreensão e a execução das propostas. Klin [11] aponta que a organização de estímulos e a adequação dos recursos são fundamentais para possibilitar a participação de alunos autistas, especialmente em ambientes que exigem maior interação e concentração.
Outro aspecto evidenciado nos relatos refere-se à importância da flexibilidade no uso dos recursos didáticos. Os professores sentem a necessidade de ajustar continuamente suas práticas conforme o comportamento e o desempenho dos alunos. O professor identificado como Abaporu destacou que, em determinadas situações, é preciso modificar a atividade durante sua execução. Esse movimento envolve adaptar materiais ou estratégias para manter o engajamento dos alunos. Essa postura demonstra que o processo de inclusão envolve uma dinâmica constante de observação e ajuste. A partir disso, o planejamento inicial se transforma com base nas experiências vividas em sala de aula.
Os professores também ressaltaram que os recursos didáticos contribuem para o desenvolvimento emocional e social dos alunos. Afinal, as atividades artísticas favorecem a expressão de sentimentos e a interação com os colegas.
Durante os relatos de experiências, foi mencionado que muitos alunos demonstram maior envolvimento quando utilizam materiais que possibilitam a criação livre. Essa autonomia estimula a autoestima e o interesse pelas atividades propostas. Entre os materiais estão: lápis de cor, fitas coloridas, tintas, pincéis e recortes de revistas. Barbosa [3] destaca que a educação artística amplia a sensibilidade e promove a expressão subjetiva. Esse aspecto manifesta-se de maneira significativa nas práticas observadas no estudo.
A análise dos dados evidencia que os recursos didáticos e as adaptações pedagógicas constituem elementos centrais na construção de um ensino inclusivo. Eles são utilizados pelos professores como estratégias para ampliar o acesso e a participação dos alunos autistas nas aulas de arte. As práticas relatadas revelam um processo contínuo de experimentação e ajuste. Nesse percurso, os professores buscam alternativas que atendam às necessidades específicas dos alunos. Esse movimento configura um cenário em que o ensino se constrói a partir da interação entre planejamento, experiência e realidade escolar vivenciada.
Desafios docentes no ensino inclusivo
Os desafios enfrentados pelos professores no ensino inclusivo de alunos com Transtorno do Espectro Autista foram evidenciados de maneira recorrente nos relatos dos profissionais. A constatação revela um cenário que exige constante adaptação das práticas pedagógicas. Os professores relataram que a inclusão demanda mais do que a simples presença do aluno em sala de aula.
Diante disso, torna-se necessário desenvolver estratégias específicas que atendam às suas necessidades. Contudo, essa meta nem sempre é possível devido às condições oferecidas pela escola. Essa realidade aponta para a complexidade do trabalho docente. A atividade inclui não apenas o domínio dos conteúdos, mas também a capacidade de lidar com diferentes formas de aprendizagem no mesmo espaço educativo.
Entre os principais desafios mencionados, destaca-se a ausência de formação específica para atuar com alunos autistas. Esse aspecto que foi apontado por diferentes participantes como um fator que dificulta o desenvolvimento de práticas mais seguras e eficazes.
O professor identificado como Primavera relatou que, em muitos momentos, precisa buscar alternativas por conta própria. Para superar as barreiras, o profissional recorre à experiência e à troca com outros colegas no cotidiano escolar. Essa condição evidencia a urgência de formação continuada. Em suma, o preparo docente influência diretamente na qualidade das estratégias utilizadas no processo de inclusão.
Outro ponto relevante refere-se à limitação de recursos disponíveis na escola. Essa escassez que impacta diretamente na realização das atividades propostas. Os professores destacaram que, embora existam iniciativas voltadas à inclusão, muitas vezes faltam materiais adequados.
Há carência de apoio pedagógico especializado e estrutura que favoreça o atendimento das demandas dos alunos autistas. Essa realidade exige do professor criatividade e capacidade de adaptação. O profissional precisa reorganizar suas práticas a partir das condições disponíveis, buscando alternativas que permitam a continuidade do processo educativo.
Os desafios estruturais e a sobrecarga relatados pelos profissionais destacam que o contexto de Parintins repercute as discussões nacionais de Ambrosim et al. [2]. Os autores tratam justamente da carência de recursos públicos especializados e deficiências na formação continuada. Diante disso, o desafio central encontra-se em transferir o peso da adaptação exclusiva do ombro do professor. Esse esforço deve se deslocar para uma reestruturação macro de suporte da escola e das políticas públicas, como apontam Uchôa e Chacon [17].
Os relatos também evidenciam a sobrecarga de funções atribuídas ao profissional. Esse professor precisa planejar e executar as atividades, acompanhar individualmente os alunos, adaptar conteúdos e lidar com diferentes demandas dentro da sala de aula.
O professor identificado como Olympia destacou que, em turmas com muitos alunos, torna-se difícil oferecer atenção individualizada. Consequentemente, essa limitação impacta diretamente no processo de inclusão. Tal situação revela a necessidade de apoio institucional mais efetivo. A medida contribuiria para a organização do trabalho do educacional e para a melhoria das condições de ensino.
Os dados evidenciam que os desafios enfrentados pelos professores no ensino inclusivo não se limitam a um único aspecto. Eles são o resultado de uma articulação entre limitações estruturais, lacunas na formação profissional e as características dos alunos atendidos. Essa interdependência de fatores torna o trabalho pedagógico mais exigente. Visto que demanda do professor não apenas domínio teórico, mas também sensibilidade para lidar com situações diversas que emergem no cotidiano. Esse panorama amplia a complexidade das práticas educativas em contextos marcados pela heterogeneidade.
As experiências relatadas pelos professores revelam um esforço contínuo para enfrentar essas dificuldades. O contexto evidencia que a inclusão se constrói gradualmente, por meio de tentativas, ajustes e aprendizados permanentes ao longo da prática docente. Esse movimento demonstra que o processo inclusivo não se configura como estático ou previamente definido. Pelo contrário, trata-se de uma construção dinâmica desenvolvida na interação diária com os alunos. O percurso exige constante reflexão e adaptação diante das múltiplas demandas presentes na realidade educacional.
Percepções dos professores sobre a contribuição da arte
As percepções dos professores sobre a contribuição do ensino de arte no contexto da inclusão de alunos autistas evidenciam a relevância dessa área. Se configurando como espaço essencial de expressão e participação no ambiente escolar. A partir das informações coletadas, os professores destacaram que as atividades artísticas contribuem para a manifestação de sentimentos, ideias e experiências. Muitas dessas produções não se expressam por meio da linguagem verbal. O aspecto foi apontado como um diferencial significativo do ensino de arte. Visto que a disciplina amplia as possibilidades de comunicação dos alunos dentro do contexto educativo.
Os relatos dos participantes indicam que a arte contribui de maneira expressiva para o desenvolvimento da socialização dos alunos. Tal ganho fica evidente em atividades que envolvem produção coletiva e interação com os colegas. Durante as aulas, os professores observaram que os alunos tendem a se aproximar mais dos outros. Eles passam a compartilhar materiais e participar de propostas em grupo. Essa dinâmica contribuiu para a construção de vínculos no ambiente escolar. O movimento demonstra que a arte atua como mediadora das relações sociais, criando condições para a interação em contextos mais flexíveis e acolhedores.
Outro aspecto evidenciado nas falas dos professores refere-se ao impacto da arte no desenvolvimento emocional dos alunos autistas. Os professores relataram que, por meio das atividades artísticas, os alunos conseguem externar emoções. Tal procedimento reduz comportamentos de ansiedade e proporciona um maior equilíbrio durante as aulas. Essa percepção reforça a importância da arte como espaço de acolhimento das experiências subjetivas. Nesses momentos, o aluno encontra possibilidades de expressão que contribuem para seu bem-estar no ambiente escolar.
Essa revelação de sinais e obstáculos comportamentais são descritas nos relatos de Teixeira [19]. O autor refere-se aos sinais característicos do transtorno que se manifestam como problemas na socialização e no convívio pleno. Tais desafios encontram na atividade artística um canal fundamental de escoamento e regulação.
As percepções dos professores também apontam para o papel da arte no desenvolvimento da concentração e do interesse dos alunos. Segundo os relatos, muitos alunos com Transtorno do Espectro Autista demonstram maior envolvimento durante as aulas de arte em comparação com outras disciplinas. Esse dado confirma que a natureza prática e sensorial das atividades artísticas contribui para a atenção. Por conseguinte, criam-se condições mais propícias para o desenvolvimento da aprendizagem.
O progresso observado pelos professores fortalece a perspectiva teórica de Moreira e Masini [18]. As autoras determinam a cognição como ciclo essencial para a formação de pensamentos e atribuição de sentido ao mundo. Visto que essa estrutura é formada progressivamente através do convívio e da investigação do meio estético.
Os professores destacaram ainda que o ensino de arte possibilita identificar habilidades e potencialidades ocultas. Durante as atividades, os professores observaram que alguns alunos apresentam habilidades específicas relacionadas à criatividade, à percepção visual e à organização das produções. Tal fator contribui para ampliar a visão sobre o processo de aprendizagem desses alunos. A percepção indica que a arte pode revelar competências que permanecem pouco visíveis em contextos curriculares mais rígidos.
Outro elemento recorrente nos relatos compartilhados refere-se à flexibilidade proporcionada pelo ensino de arte. Essa característica permite ao professor adaptar atividade conforme as necessidades dos alunos. Os participantes relataram que é possível reorganizar propostas, modificar materiais e ajustar o ritmo das atividades de maneira mais dinâmica. Visto que esse manejo direto contribui a inclusão desses alunos. A flexibilidade foi apontada como um aspecto positivo da disciplina, pois expande as possibilidades de intervenção pedagógica.
As falas dos professores também evidenciam que a arte coopera para o fortalecimento da autonomia dos alunos. Isso ocorre especialmente quando são incentivados a realizar produções próprias. Os professores observaram que, ao se envolverem em atividades criativas, os estudantes passam a tomar decisões e a experimentar os materiais. Desse modo, desenvolvem suas produções de forma mais independente. Esse processo facilita o desenvolvimento da autoconfiança e amplia a participação ativa dos alunos no contexto escolar.
Os participantes da pesquisa destacaram ainda que o ensino de arte possibilita a construção de um ambiente mais acolhedor. Nesse espaço, as diferenças são mais facilmente aceitas e valorizadas. Durante as atividades, os professores observaram que os alunos tendem a respeitar mais as produções uns dos outros. Eles passam a reconhecer as particularidades de cada colega. Esse ponto contribui para a formação de uma cultura escolar mais inclusiva, na qual a diversidade é percebida como parte natural do processo educativo.
Outro ponto relevante refere-se à percepção de que a arte contribui para a ampliação das formas de aprendizagem. Ela permite que os alunos acessem o conhecimento por diferentes caminhos pedagógicos. Os professores relataram que, por meio das atividades artísticas, os alunos conseguem estabelecer relações com conteúdo de maneira mais concreta e significativa. Tal formato diferenciado contribui para o desenvolvimento cognitivo. A característica reforça a importância da arte como componente curricular que dialoga com diferentes estilos de aprendizagem.
As percepções dos professores confirmam que o ensino de arte se configura como um espaço pedagógico potente no processo de inclusão. A disciplina coopera para o desenvolvimento social, emocional e cognitivo dos alunos autistas. As experiências relatadas demonstram que a arte expande as possibilidades de participação e fortalece vínculos comunitários. Do mesmo modo, ela favorece a construção de práticas educativas mais sensíveis às diferenças. Sua presença no currículo escolar desempenha um papel relevante na organização de ambientes mais inclusivos e dinâmicas no cotidiano investigado.
Considerações finais
O estudo teve como propósito compreender as estratégias metodológicas utilizadas pelos professores de arte no ensino de alunos com Transtorno do Espectro Autista. A investigação ocorreu em uma escola de ensino fundamental 1 em Parintins, confirmando como essas práticas se organizam no cotidiano escolar. Os dados revelam que o ensino de arte se configura como um espaço significativo de expressão e participação. Nesse ambiente, os professores mobilizam diferentes estratégias para atender às especificidades dos alunos. As práticas observadas indicam uma atuação profissional marcada por adaptações constantes. Esse movimento considera aspectos cognitivos, emocionais e sociais que influenciam diretamente o processo de aprendizagem.
Os resultados evidenciam que os recursos didáticos e as adaptações pedagógicas desempenham papel central na promoção da inclusão. Esses elementos contribuem para o engajamento e a participação dos alunos com autistas. As análises demonstraram que atividades visuais, sensoriais e práticas ampliam as formas de comunicação e interação. Desse modo, as propostas permitem maior autonomia dos alunos nas atividades realizadas. Ao mesmo tempo, o estudo identificou desafios relacionados à formação profissional e às limitações estruturais, também ficou explícita à necessidade de apoio institucional. Esses fatores interferem diretamente na organização das práticas pedagógicas desenvolvidas na escola.
As percepções dos professores indicam que a arte contribui de forma significativa para o desenvolvimento dos alunos. A disciplina promove avanços na socialização, na expressão e no envolvimento com as atividades escolares. As experiências relatadas apontam que a inclusão se constrói no cotidiano. Essa construção acontece por meio das interações e das estratégias adotadas pelos professores diante das demandas apresentadas. Os achados reforçam a importância do ensino de arte como prática pedagógica voltada à diversidade. Por fim, os dados apontam para a necessidade urgente de fortalecimento das condições de trabalho e formação continuada dos professores.
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