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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc952

Publicado em 04 de outubro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

 

Alceu Souza dos Santos1

 

1Bacharel em Serviço Social pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR);

​​ ¹Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Acre (UFAC). ​​ 

Instituto Federal do Acre – IFAC, Brasil

[email protected]

 

 

RESUMO

É fato que a alfabetização e letramento vão muito além da ação de ler e escrever, pois se refere a processos diferentes. Na alfabetização há uma associação ao conhecimento, aprende-se como os sons quando falamos são convertidos em letras; por outro lado, o letramento habilita o aluno a aplicar o que aprendeu com a alfabetização. Em síntese, o presente artigo objetiva principalmente perscrutar como ocorre o processo de alfabetização na educação infantil e nesta concepção, procura estudar alguns aspectos do tema; como, por exemplo; como esse processo se amplifica no âmbito escolar, assim como sua função no desenvolvimento de metodologias para alfabetizar e também a compreensão do letramento sua contribuição no ensino/aprendizagem, disponibilizando métodos nos quais a criança seja incentivada a desenvolver de forma lúdica a leitura e ​​ a escrita.

Palavras-chave: Alfabetização, Ensino Infantil, ​​ Letramento.

 

ABSTRACT

It is a fact that literacy goes far beyond the action of reading and writing, as it refers to different processes. In literacy there is an association with knowledge, we learn how the sounds when we speak are converted into letters; on the other hand, literacy enables the student to apply what they have learned through literacy. In summary, this article mainly aims to examine how the literacy process occurs in early childhood education and in this conception, it seeks to study some aspects of the topic; Like for example; This process is amplified in the school environment, as is its role in developing literacy methodologies and how understanding literacy can contribute to teaching/learning, providing methods in which the child is encouraged to develop reading and writing in a playful way.

Keywords: Literacy, Kindergarten, Literacy

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1INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como principal finalidade, compreender como ocorre o letramento e a alfabetização na Educação Infantil, diferenciando os termos em questão e as metodologias adotadas pelos docentes, sabendo que cada um escolhe a mais conveniente para seus alunos.

Alfabetizar e letrar são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando, ou seja: ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita, de modo que o indivíduo se tornasse, ao mesmo tempo, alfabetizado e letrado. (SOARES, [9], p. 47)

É na educação infantil que a criança forma uma base de ensino para toda a vida, por isso é relevante saber que é nesta fase, que a alfabetização juntamente com o letramento deve ser trabalhada com esmero, buscando conquistar resultados pertinentes ao processo de leitura e escrita. Quando a criança é alfabetizada, é orientada a dominar o conhecimento da escrita, onde aprende a ler e escrever. Porém, é importante ao mesmo tempo, em que a criança seja alfabetizada também tenha contato com métodos de letramento para alcançar um aprendizado significativo, podendo assim demonstrar práticas sociais de leitura e escrita.

Esta justificativa surgiu da urgência de salientar a importância do letramento para criança no ensino infantil, pois é neste período de processo educacional que antecede a escola primária, o momento ideal para incluí-la no mundo letrado por meio das atividades da pré-escola, já que o aluno inicia no ambiente escolar de forma lúdica e gradativa, sendo esta fase para eles significativa, onde estão abertos aos estímulos e são curiosas, sendo tudo desafiador nesta nova etapa de estudos.

A pesquisa bibliográfica, foi realizada a partir de uma análise minuciosa em livros físicos, outros materiais e dados publicados na literatura e artigos científicos divulgados no meio eletrônico. Teve como base teórica autores como: SOARES, [9]; BARBOSA, [1]; FREIRE, [4]; GADOTTI,[7] e entre outros que exploram esta temática.

 

2METODOLOGIA

A pesquisa do trabalho em questão, contou com a pesquisa de cunho bibliográfico, na qual foi possível utilizar, livros, revistas, artigos, periódicos, e dentre outros instrumentos e legislações.

Conforme Antônio Carlos Gil, “[...] a pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos” (GIL, [6], p. 44). Perante essa perspectiva o trabalho ganhou forma e abordou os aspectos distintivos da alfabetização e letramento na educação infantil.

 

3 CONSIDERAÇÕES SOBRE ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

Na história, a alfabetização nem sempre foi como é nos dias atuais, antes leitura e escrita eram ensinadas de formas diferentes, ou seja, separados e só para aqueles que dispusesse de recursos financeiros, eram aulas individuais, ministrada pelo predecessor do pedagogo. A educação do povo não era cogitada, sendo individual e cara. Com a Revolução Francesa, a educação tornou-se pública, ou seja, além de não ser paga, era para todos. Ela então não está mais sob o controle do poder privado e sim do poder público. (BARBOSA, [1])

De acordo com Soares ([9]), o termo letramento é visto pela primeira vez no ano de 1986, no livro de Mari Kato, surgindo da demanda das pessoas serem inseridas no mundo da leitura e da escrita, já que necessitavam vivenciar o que aprendiam e não apenas saber ler e escrever, era preciso pôr em prática, ou seja, o letramento e alfabetização são termos distintos, mas, ambos devem estar juntos, a ideia é alfabetizar letrando.

A Alfabetização é o processo no qual o indivíduo aprende a ler e a escrever, já o letramento além de saber ler e a escrever, o indivíduo aprende a ler o mundo. Ele faz uso da leitura e da escrita no contexto social. (SOARES, [9]).

A alfabetização não acontece apenas no ambiente escolar, ela pode acontecer também fora e mesmo antes da criança entrar na escola e ainda continua após. (MARTINS, SPECHELA,[8]).

Quando falamos que uma pessoa é alfabetizada queremos dizer que este indivíduo adquiriu a habilidade de ler e escrever, entretanto, a pessoa que é alfabetizada e letrada, é aquela que sabe ler e escrever e ainda faz uso do que aprendeu.

A necessidade de se começar a falar em letramento surgiu, creio eu, da tomada de consciência que se deu, principalmente entre os linguistas, de que havia alguma coisa além da alfabetização, que era mais ampla, e até determinante desta. (TFOUNI, Erro: Origem da referência não encontrada, p. 32)

Destarte, alfabetizar letrando é importante, pois é a partir deste processo que a criança será guiada a aprender a ler e a escrever, porém, colocando em prática o que aprendeu, logo saberá utilizar a leitura e a escrita no seu cotidiano. Se as condições forem favoráveis é relevante que durante o período de letramento o aluno adquiria o hábito de leitura, pois quando se pratica a leitura propicia a aprendizagem, ou seja, é lendo que se aprende a ler.

Como afirma Soares, uma criança que ainda está dando início ao processo de alfabetização, pode ser uma criança letrada, pois, ela vive em um ambiente letrado, na escola ela ouve a professora contar histórias ou mesmo em casa ao ir dormir. Ela tem contato com livros e vê seus familiares escrevendo, lendo um jornal ou uma revista, lendo uma receita. Então, a partir destes exemplos ela passa a se interessar pela leitura e pode até pegar um livro e fingir que está lendo, podendo ainda criar e contar histórias fantásticas, a sua imaginação flui. (SOARES, [9])

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3.1 DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE E AUTONOMIA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Segundo a revista Educa Brasil[3], a educação Infantil é vista como uma das mais relevantes etapas de formação das crianças, dado que é onde elas começam a existir fora do convívio familiar, o que implica superar as diferenças, o desenvolvimento da personalidade e da autonomia, a criação de vínculos e os descobrimentos em distintas áreas do conhecimento.

​​ No nosso país é um direito da criança, sendo o estado compelido a disponibilizar espaços e profissionais apropriados para atendê-la corretamente. Por isso encontramos em todas as regiões do Brasil, as instituições de ensino públicas que funcionam como creches e pré-escolas, mas diferentes escolas particulares também oferecem educação infantil, o que confere aos pais e responsáveis a oportunidade de optar por aquela que está de acordo com as suas possibilidades financeiras.

Ocupar-se de bebês e crianças requer cuidados especiais e muita cautela, a proposta pedagógica da educação infantil prevê a realização de jogos, brincadeiras e atividades prazerosas que além de ensinar, deve divertir, convertendo o processo de construção do conhecimento muito mais asserto e alegre.

Nesse contexto, a educação infantil é lecionada normalmente no período abrangido entre o zero e a cinco anos de idade. Nessa fase as crianças são incentivadas através de atividades lúdicas e brincadeiras que despertem as suas capacidades motoras e cognitivas, dando início ao processo de alfabetização.

Tal definição de educação infantil é resultado de um longo processo histórico sobre o próprio conceito de infância e desenvolvimento infantil. Inicialmente, a incorporação das teorias sobre o desenvolvimento infantil assumiu um caráter higienista, que ensinava práticas sanitárias, principalmente quando incluíam as crianças de baixa renda.

Com o decorrer do tempo e a contribuição de estudos sobre o desenvolvimento humano, muitas coisas se modificaram. O período da infância hoje não se define apenas por sua condição biológica, mas como uma fase do desenvolvimento humano que envolve aspectos ideológicos e culturais. Como bem afirma Paulo Freire, “somente o diálogo, que resulta um pensar crítico, é capaz, também, de gerá-lo” (FREIRE, [4], p.83).

Soares (Erro: Origem da referência não encontrada), aprofunda quando afirma que na educação infantil deve estar presente tanto atividades de introdução da criança ao sistema alfabético e suas convenções alfabetização, quanto às práticas de uso social da leitura e da escrita – letramento.

Portanto, são inúmeras metodologias que podem ser aproveitadas para que as crianças percebam a função da escrita para fins diversos e a utilizem em práticas de interação social.

 

3.2O PAPEL DO DOCENTE NO PROCESSO DE LETRAR E ALFABETIZAR NA ATUALIDADE

Segundo Barbosa [1]​​ o professor não é mais um simples transmissor de conteúdos, ele agora recebe a função importante de orientador, é um facilitador do aprendizado. Por isso é necessária uma investigação mais rigorosa do conteúdo relacionado às questões de leitura, e ainda ser completamente consciente do conhecimento das crianças que serão seus alunos, está interessado em conhecer o perfil de seus estudantes, saber o que elas já trazem de entendimento e saber aproveitar tais conhecimentos.

​​ O docente saberá o que fazer no momento necessário para ensinar o aluno a aprender a ler. Não é uma função fácil, o professor deve se dedicar muito. Seria tão simples ter em mãos um planejamento já todo idealizado, e que apenas fosse necessário segui-lo. Mas infelizmente, não é bem assim. (BARBOSA, [1]). O professor deve experimentar as suas hipóteses a partir do que se conhece a respeito dos seus alunos e também do seu referencial teórico. É relevante que se faça todas as observações necessárias sobre à classe, e em seguida procurar opções que promovam resultados efetivos em relação à aprendizagem. (BARBOSA, [1]).

De acordo com Gadotti ([7]) assim, pensamos num novo professor, mediador do conhecimento, sensível e crítico aprendiz permanente e organizador do trabalho na escola, um orientador, um cooperador, curioso e, sobretudo, um construtor de sentido. O ensino é muito significante, não é apenas transmitir o que se sabe, mas desenvolver todas as oportunidades necessárias para ser produzido.

Não há docência sem discente, as duas explicam-se e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. (FREIRE [5], p. 25 apud GADOTTI, [7]​​ )

 

4CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir deste estudo podemos ressaltar a importância da alfabetização na perspectiva do letramento, que deve ser introduzido na Educação infantil, desde que se leve em consideração à faixa etária das crianças. Como também percebemos que a elaboração de uma prática pedagógica pode propiciar o desenvolvimento de atividades significativas que contribuem amplamente para que as crianças desenvolvam conhecimentos sobre o sistema de leitura e escrita desde a Educação Infantil.

Mas é importante ressaltar a necessidade de ter clareza desse processo para não fazer uso de uma prática pedagógica voltada para conteúdos segmentados e fragmentados, apenas cumprindo tarefas e passando a maior parte do tempo dentro de uma sala de aula fazendo atividades como cópia de letras, silaba e palavras.

Neste contexto, devemos proporcionar aos alunos da Educação Infantil, uma prática pedagógica que vise o desenvolvimento integral deles, com o trabalho voltado às atividades lúdicas, aprendizagens significativas e capazes de promover o aprimoramento das habilidades necessárias à construção do conhecimento, para que possamos garantir que nossas crianças se desenvolvam, construam e adquiram conhecimento e se tornem autônomas e cooperativas. Para que esse processo se desenvolva de forma efetiva, é preciso pensar o processo de alfabetização numa perspectiva de letramento e dessa forma, enxergar na criança não apenas o desenvolvimento cognitivo, mas como um indivíduo social.

Conclui-se que o processo de alfabetização e letramento, são importantes no desenvolvimento da aprendizagem dos alunos, é interessante perceber a função do docente nesta etapa, ele é o mediador e facilitador do aprendizado, pois precisa auxiliar os discentes a conquistar essa etapa, de uma forma lúdica, criativa, acreditando na capacidade dos seus alunos e também na sua própria aptidão para ensinar.

​​ Por isso, a função de um professor, não é fácil, pois ele é aquele, que ajuda a evoluir o mundo, a abrir portas e janelas para uma educação digna e levar uma criança a um estágio mais avançado de conhecimento.

 

5PERFIL DO AUTOR

 

 

 

6REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e Leitura / José Juvêncio Barbosa. – 3. ed. – São Paulo: Cortez, 2013.

  • BRASIL, 2017. Portal da Educação Infantil. Editora do Brasil. [s/n,s/d]. Disponível em: Acesso em: 25 agost. 2023.

  • Educação Infantil/Educa Mais Brasil https://www.educamaisbrasil.com.br/etapa-de-formacao-e-series/educacao-infantil acesso em 28 de agosto de 2023.

  • FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido 4ª. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2003

  • FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 36 ed. SãoPaulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura)

  • GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

  • GADOTTI, Moacir. Pedagogia da Terra / Moacir Gadotti. – 7. ed. – São Paulo: Peirópolis, 2013.

  • MARTINS, Edson; SPECHELA, Luana Cristine. A importância do Letramento na Alfabetização. Disponível em: . Acesso em: 25 Agos. 2023.

  • SOARES, Magda. Letramento um tema em três gêneros/ Magda Soares – 3 ed. – 2. reimp. – Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.

  • SOARES, Magda. Oralidade, alfabetização e letramento. Revista Pátio Educação Infantil – Ano VII – N 20°. Jul/Out. 2009. Disponível em: Fonoaudiologia | Psicopedagogia: Alfabetização e letramento na educação infantil (falandodospequenos.blogspot.com) Acesso em: 29 agos. 2023.

  • TFOUNI, Leda Verdiani. Letramento e alfabetização/ Leda Verdiani Tfouni. – 9. ed. – São Paulo: Cortez, 2010. – (Coleção questões da nossa época; v.15).

1

Bacharel em Serviço Social pela Universidade Norte do Paraná (UNOPAR); Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Acre (UFAC), atualmente assistente social do Instituto Federal do Acre – IFAC

www.scientificsociety.net

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