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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Impactos da covid-19 nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial: comparação pré e pós-pandemia
Ana Vitória Silva Louzeiro Pereira1, Millene Fernanda Monteiro Borges2, Josué Miguel de Oliveira3
Como Citar:
PEREIRA, Ana Vitória Silva Louzeiro; BORGES, Millene Fernanda Monteiro; OLIVEIRA, Josué Miguel. Impactos da covid-19 nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial: comparação pré e pós-pandemia. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5471-5483, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202487217
Área do conhecimento: Ciências da Saúde.
Palavras-chaves: Covid-19; Cirurgia bucomaxilofacial; protocolos de segurança; cuidados odontológicos.
Publicado: 14 de novembro de 2024.
Resumo
A pandemia de COVID-19, iniciada em 2019, impactou severamente os serviços de saúde bucal, especialmente cirurgias bucomaxilofaciais, devido ao risco elevado de transmissão via aerossóis. Procedimentos eletivos foram suspensos, e novas diretrizes de segurança foram implementadas para proteger pacientes e profissionais. Analisar os impactos da COVID-19 nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial, comparando as rotinas e protocolos pré e pós-pandemia, avaliando a eficácia das medidas de segurança e como essas mudanças afetaram a qualidade dos cuidados. Estudo transversal baseado em dados secundários do SIA/SUS entre 2017 e 2022. A análise utilizou estatísticas descritivas e comparativas para avaliar mudanças nos atendimentos durante os períodos pré-pandemia (2017-2019) e pandemia (2020-2022). Os atendimentos caíram drasticamente em 2020, especialmente entre abril e julho, com uma média mensal de 1.143 procedimentos. Em 2022, houve recuperação parcial, atingindo 2.474 atendimentos em agosto, embora alguns meses ainda apresentassem números abaixo dos níveis pré-pandemia. Conclusão: A pandemia trouxe mudanças profundas nos protocolos clínicos, incluindo maior uso de EPIs e teleconsultas. Apesar da recuperação gradual, os resultados destacam a necessidade de políticas de saúde resilientes para lidar com crises futuras e garantir a continuidade dos cuidados.
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Abstract
Over the past 20 years, three major health crises caused by betacoronaviruses emerged: SARS in 2002, MERS in 2012, and COVID-19 in 2019. COVID-19, declared a pandemic by the World Health Organization in March 2020, significantly affected oral and maxillofacial surgery practices due to high risks of aerosol transmission and cross-infection. This study aims to analyze the impact of the COVID-19 pandemic on oral and maxillofacial surgery services by comparing care routines and protocols before, during, and after the health crisis, while evaluating how these changes affected both healthcare professionals and patients. The cross-sectional study used secondary data from the SIA/SUS system, covering 2017–2022 in the Federal District, Brazil. Descriptive and comparative statistical analyses identified patterns and significant changes in patient care between the pre-pandemic period (2017–2019) and the pandemic (2020–2022). Results: There was a significant drop in patient care in 2020, with numbers falling from an average of 1,924 visits/month in 2019 to just 657 in April 2020. A gradual recovery was observed by 2022, with a peak of 2,474 visits in August. The pandemic resulted in reduced capacity due to stricter protocols, PPE use, and extended time between appointments. The COVID-19 pandemic profoundly affected oral and maxillofacial surgery services, leading to disruptions in elective procedures and the adoption of remote consultations. The recovery was uneven, requiring new strategies to maintain care continuity during health crises and reduce the backlog of deferred treatments. Future policies must be resilient to ensure preparedness for similar situations.
Keywords: Covid-19; Oral and maxillofacial surgery; safety protocols; dental care.
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1. Introdução
Nos últimos 20 anos, os betacoronavírus causaram três grandes crises de saúde: a síndrome respiratória aguda grave (SARS) em 2002, a síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) em 2012 e, mais recentemente, a COVID-19, que surgiu em dezembro de 2019 na província de Wuhan, na China, e rapidamente se espalhou pelo mundo. Diferentemente dos surtos anteriores, a Organização Mundial da Saúde declarou a COVID-19 como uma pandemia em março de 20201.
Devido às especificidades dos ambientes odontológicos, como a produção de aerossóis, o risco de infecção cruzada entre dentistas e pacientes é elevado. Nesse contexto, houve orientações rigorosas para interromper procedimentos geradores de aerossóis1,2. Com a escassez de dados e a variação nas políticas nos Estados Unidos, líderes hospitalares e médicos tiveram que equilibrar as diretrizes do CDC, as políticas estaduais e as prioridades institucionais. Muitos hospitais implementaram testes universais de triagem pré-operatória para SARS-CoV-2, visando coletar dados objetivos que possam informar as medidas de controle de infecção. Os autores sugerem que esses testes possam revelar uma incidência de COVID-19 maior do que a documentada anteriormente, devido à disseminação do vírus e suas variantes2.
O impacto dessa pandemia foi significativo nos serviços de cirurgia ortognática no Reino Unido. No início da crise, os hospitais foram orientados a suspender todas as cirurgias não essenciais para liberar leitos para pacientes com COVID-19. Essa determinação foi formalizada em uma carta de Simon Stevens, presidente-executivo do NHS England, e Amanda Pritchard, diretora de operações, datada de 17 de março de 2020, que estabeleceu a suspensão de procedimentos eletivos por pelo menos três meses a partir de 15 de abril de 20203.
Além disso, é importante ressaltar que os cirurgiões maxilofaciais estão inseridos em uma categoria específica de profissionais de saúde, uma vez que sua prática envolve inevitavelmente o contato com a cavidade oral, as vias aéreas superiores e com secreções dos pacientes, como saliva, muco e sangue. Essa exposição os coloca em uma posição de alto risco para infecções, o que pode transformá-los em fontes de contágio4.
A justificativa foi a necessidade de entender como a pandemia transformou as práticas clínicas e as rotinas de atendimento na área de saúde bucal. Já que a cirurgia bucomaxilofacial é uma especialidade que envolve procedimentos complexos e que, por sua natureza, demanda um alto nível de contato entre o profissional de saúde e o paciente, aumentando o risco de contaminação. Analisar as mudanças ocorridas neste campo é crucial não apenas para aprimorar os protocolos de segurança e atendimento, mas também para garantir a continuidade e a qualidade dos cuidados oferecidos aos pacientes em contextos de crises sanitárias. Além disso, esta pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias que assegurem uma resposta odontológica mais eficiente a futuras pandemias.
O objetivo deste estudo é analisar os impactos da pandemia de COVID-19 nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial, comparando as rotinas e protocolos de atendimento durante e as medidas agregadas após crise sanitária. A pesquisa busca identificar as mudanças nas práticas clínicas, avaliar a eficácia das novas diretrizes de segurança implementadas e compreender como essas transformações afetaram tanto os profissionais de saúde quanto os pacientes.
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2. Metodologia
Este estudo transversal foi conduzido com base em dados secundários obtidos do Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS), acessados por meio da plataforma TabNet/DataSUS. A pesquisa abrange o período de janeiro de 2017 a dezembro de 2022, com enfoque nos atendimentos realizados no Distrito Federal. O delineamento metodológico foi escolhido para investigar os impactos da pandemia de COVID-19 sobre os atendimentos de cirurgia bucomaxilofacial, visando comparar as rotinas e protocolos assistenciais antes e durante a crise sanitária.
A análise dos dados foi realizada utilizando estatísticas descritivas para identificar padrões temporais e variações nos atendimentos ao longo dos anos. Técnicas de análise comparativa foram aplicadas para verificar diferenças significativas nos indicadores de atendimento entre os períodos pré-pandemia (2017-2019) e pandemia (2020-2022).
De acordo com a Tabela 1, antes da pandemia (2017-2019), os atendimentos anuais mantinham uma média mensal relativamente estável. Por exemplo, em 2017, o número de atendimentos variou de 1.125 em julho a 2.409 em junho, com uma média anual de 1.750 atendimentos/mês. Em 2018, houve um aumento notável em abril e maio, com 2.834 e 2.297 atendimentos, respectivamente, mantendo a média em torno de 1.940 atendimentos/mês. No último ano antes da pandemia, 2019, o padrão se manteve estável, com média mensal de aproximadamente 1.924 atendimentos.
Tabela 1 - Evolução da quantidade de atendimentos odontológicos realizados mensalmente na especialidade de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial na atenção secundária do Distrito Federal entre 2017 e 2022.
ANO | MÊS | |||||||||||
Jan | Fev | Mar | Abr | Mai | Jun | Jul | Ago | Set | Out | Nov | Dez | |
2017 | 1957 | 1338 | 1656 | 1560 | 1130 | 2409 | 1125 | 1926 | 1636 | 2318 | 1651 | 2011 |
2018 | 1880 | 1917 | 2105 | 2834 | 2297 | 1770 | 1815 | 1766 | 1836 | 1725 | 2065 | 1444 |
2019 | 1888 | 1800 | 1332 | 2241 | 2527 | 2258 | 2052 | 1545 | 1550 | 2026 | 1806 | 1746 |
2020 | 1797 | 1663 | 1406 | 657 | 704 | 890 | 881 | 894 | 1449 | 960 | 1044 | 936 |
2021 | 1214 | 1133 | 1362 | 950 | 1213 | 1570 | 1388 | 1566 | 1594 | 1797 | 1510 | 1507 |
2022 | 1562 | 1783 | 2137 | 2208 | 2053 | 1944 | 1143 | 2474 | 1944 | 1558 | 1935 | 1366 |
Fonte: TabNet/Datasus (2024).
Com a chegada da pandemia em 2020, os atendimentos caíram drasticamente, especialmente entre abril e julho, onde os números chegaram a 657 em abril e 704 em maio, uma redução significativa em relação ao período pré-pandemia. O total de atendimentos de 2020 registrou uma média mensal de 1.143, uma redução considerável em comparação aos anos anteriores.
Em 2020, o número de atendimentos caiu para 657 em abril e 704 em maio, durante o auge das restrições relacionadas à COVID-19, refletindo a interrupção de procedimentos eletivos e a reorganização dos serviços de saúde. A baixa nos atendimentos se manteve ao longo do ano, com números abaixo de 1.000 atendimentos/mês em muitos meses, como em novembro (1.044) e dezembro (936). O impacto foi evidente devido às medidas restritivas e à readequação dos protocolos de biossegurança.
Gráfico 1. Representação da evolução da quantidade de atendimentos (2017-2022).
Fonte: TabNet/Datasus (2024).
Em 2021, ainda houve flutuações, com atendimentos permanecendo baixos em alguns meses (ex.: 1.214 em janeiro e 950 em abril), mas observando-se uma recuperação moderada, especialmente no segundo semestre, com 1.797 atendimentos em outubro e 1.507 em dezembro. A média anual ficou em torno de 1.407 atendimentos/mês, evidenciando uma recuperação parcial, porém ainda distante dos níveis pré-pandêmicos.
Já em 2022, a recuperação foi mais clara, com números mais consistentes, alcançando 2.474 atendimentos em agosto e 2.208 em abril, próximos aos valores observados antes da pandemia. No entanto, em alguns meses, como dezembro (1.366) e julho (1.143), ainda se verificou um volume de atendimentos inferior ao esperado, sugerindo que a normalização total do fluxo de pacientes ainda estava em andamento. A média mensal do ano foi de 1.892 atendimentos, aproximando-se dos níveis pré-pandemia.
A pandemia forçou mudanças significativas nos protocolos de atendimento, o que fica evidente na drástica queda de atendimentos durante 2020, com uma média mensal de 1.143 atendimentos, em comparação à média de 1.924 em 2019. O uso intensivo de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), aumento dos intervalos entre os atendimentos e maior tempo de higienização contribuíram para a menor capacidade de atendimento.
A queda de atendimentos, de 1.924 atendimentos/mês em 2019 para 657 em abril de 2020, e a recuperação gradual em 2022 com 2.474 atendimentos em agosto, indicam a necessidade de políticas de saúde pública mais resilientes para lidar com futuras crises sanitárias. Esse período reforça a importância de estratégias de mitigação, como a teleodontologia, para garantir a continuidade dos cuidados e evitar o acúmulo de demanda reprimida.
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3. Desenvolvimento e discussão
Nesse contexto, é evidente que a pandemia teve um impacto profundo nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial, exigindo adaptações significativas nos protocolos clínicos. A literatura científica sobre a COVID-19 cresceu rapidamente durante a pandemia, resultando em uma ampla gama de artigos sobre o tema5. Antes da crise sanitária, os atendimentos eletivos eram realizados com poucas restrições, focando principalmente nos procedimentos rotineiros e de emergência, sem a necessidade de rigorosas medidas de triagem ou de equipamentos de proteção avançados5. Contudo, com o surgimento da COVID, houve uma mudança drástica na gestão desses atendimentos, especialmente em virtude do risco de transmissão durante procedimentos que geram aerossóis5. [6, 7] destacam que, durante a pandemia, muitos centros interromperam a realização de cirurgias eletivas para preservar recursos e proteger os profissionais de saúde. Em contrapartida, os atendimentos de urgência continuaram a ser realizados, mas sob protocolos mais rigorosos, incluindo a testagem para SARS-CoV-2 antes de qualquer intervenção cirúrgica6,7.
Paralelamente, houve uma grande transformação na maneira como os serviços odontológicos e cirúrgicos foram oferecidos, com a incorporação de tecnologias como teleconsultas e plataformas de educação a distância6. De acordo com [6, 8], a triagem remota de pacientes e o uso de consultas virtuais tornaram-se uma prática amplamente utilizada para reduzir o contato físico e evitar a propagação do vírus. Mas [8] identificou que os pacientes demonstraram maior resistência às consultas telefônicas em comparação com os pacientes habituais, evidenciando a importância do atendimento presencial em determinados contextos, principalmente para a construção da relação dentista-paciente8.
Outro aspecto que se alterou significativamente foi a infraestrutura das unidades de cirurgia bucomaxilofacial. [7] observam que foram necessárias mudanças na estrutura física dos centros cirúrgicos para evitar contaminações cruzadas entre pacientes internados e ambulatoriais. Essas modificações incluíram a criação de áreas de triagem, a utilização de EPIs avançados, como máscaras N95 e face shields, e a implementação de práticas mais rigorosas de higiene e desinfecção7. Tais medidas contrastam com o período pré-pandemia, quando o uso de EPIs era mais flexível e dependia do tipo de procedimento7. [6] também mencionam que o treinamento em práticas seguras se tornou uma prioridade, utilizando-se de plataformas de e-learning para evitar a exposição desnecessária dos profissionais de saúde.
A pandemia também acelerou o uso de teleconsultas e triagens virtuais, que se tornaram ferramentas essenciais para reduzir o contato físico e minimizar a exposição ao vírus8. [8] destacam que, apesar da aceitação geral das teleconsultas pelos pacientes, novos pacientes apresentaram uma certa resistência à modalidade, revelando a necessidade de adaptações contínuas nos atendimentos virtuais. Essas práticas não eram comuns no período pré-pandemia, quando a consulta presencial era padrão.
Além das questões práticas e de segurança, a pandemia também trouxe à tona desigualdades preexistentes na especialidade de cirurgia bucomaxilofacial9. Segundo [9], as disparidades de gênero foram exacerbadas durante a pandemia, especialmente em termos de remuneração e acesso a oportunidades acadêmicas e profissionais. Antes da pandemia, essas desigualdades já existiam, mas o cenário pandêmico aumentou as dificuldades enfrentadas por mulheres na especialidade, dificultando ainda mais o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, conforme evidenciado pela menor participação feminina em posições de liderança e pela maior carga doméstica durante o isolamento social9.
A continuidade dos atendimentos durante a pandemia também levantou questões sobre a formação dos residentes em cirurgia bucomaxilofacial. [8,10] apontam que a redução nos procedimentos eletivos e as novas exigências de segurança impactaram diretamente o treinamento cirúrgico, criando preocupações quanto à aquisição das competências necessárias para a conclusão dos programas de residência. O período pré-pandemia era caracterizado por uma alta demanda de casos clínicos, que contribuíam para a formação prática dos residentes10. Com a pandemia, essa realidade mudou, forçando os programas de residência a adaptar seu currículo para plataformas digitais, algo que não era amplamente utilizado anteriormente10.
A literatura científica sobre a COVID-19 cresceu rapidamente durante a pandemia, resultando em uma ampla gama de artigos sobre o tema7. Nesse contexto, é evidente que a pandemia teve um impacto profundo nos atendimentos em cirurgia bucomaxilofacial, exigindo adaptações significativas nos protocolos clínicos7. Antes da crise sanitária, os atendimentos eletivos eram realizados com poucas restrições, focando principalmente nos procedimentos rotineiros e de emergência, sem a necessidade de rigorosas medidas de triagem ou de equipamentos de proteção avançados7. Contudo, com o surgimento da COVID-19, houve uma mudança drástica na gestão desses atendimentos, especialmente em virtude do risco de transmissão durante procedimentos que geram aerossóis. [6,7] destacam que, durante a pandemia, muitos centros interromperam a realização de cirurgias eletivas para preservar recursos e proteger os profissionais de saúde. Em contrapartida, os atendimentos de urgência continuaram a ser realizados, mas sob protocolos mais rigorosos, incluindo a testagem para SARS-CoV-2 antes de qualquer intervenção cirúrgica7.
A prestação de cuidados a pacientes com malignidades ativas tornou-se uma das principais preocupações durante a pandemia. Dados indicam que uma mudança comum na prática foi o uso de retalhos locais após a ressecção do câncer, em vez da reconstrução com retalhos livres11. Essa abordagem não apenas reduz a necessidade de pessoal, mas também permite o tratamento de mais pacientes em uma única sessão cirúrgica, devido ao tempo operatório reduzido11. No entanto, essa estratégia pode exigir que esses pacientes retornem ao hospital para procedimentos adicionais, como dissecções cervicais eletivas ou vigilância clínica intensificada11. Ademais, esses pacientes geralmente apresentam múltiplas comorbidades, o que os torna mais vulneráveis à mortalidade associada à COVID-19, levantando preocupações sobre o acesso diminuído a cuidados de saúde e o aumento potencial de mortes por câncer não tratado11.
Outra área da cirurgia maxilofacial que passou por mudanças significativas é o tratamento de trauma craniofacial. De acordo com respostas de questionários, a técnica de Imobilização Maxilofacial (IMF) tem sido utilizada com mais frequência para tratar fraturas faciais que podem ser estabilizadas por meio de redução fechada11. Essa prática é respaldada por orientações da AO CMF que favorecem procedimentos fechados quando a fixação interna não é necessária11. Essa abordagem não apenas ajuda a evitar procedimentos geradores de aerossóis, mas também diminui a necessidade de visitas aos serviços de emergência, onde a exposição ao vírus pode ser maior11. Além disso, o uso de suturas reabsorvíveis aumentou em vez das não reabsorvíveis, visando prevenir comparecimentos desnecessários para a remoção de suturas, o que contribui para reduzir a exposição potencial ao vírus11..
4. Considerações finais
Embora tenha sido observada uma recuperação parcial dos atendimentos em 2021 e 2022, os números ainda não retornaram aos níveis pré-pandemia em determinados períodos, sugerindo que a retomada completa dos serviços é um processo gradual. Essa crise sanitária mundial também evidenciou a importância de alternativas, como a teleodontologia, para assegurar a continuidade dos cuidados e evitar a sobrecarga futura do sistema.
Por fim, a experiência pandêmica destacou a relevância da resiliência dos sistemas de saúde e a necessidade de aprimoramento contínuo dos protocolos de segurança, visando preparar a especialidade para futuras crises. A compreensão dos impactos duradouros da pandemia permitirá que os serviços de cirurgia bucomaxilofacial se tornem mais robustos e eficazes, garantindo um atendimento de qualidade mesmo em outras futuras crises sanitária.
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5. Declaração de direitos
O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Faculdade Planalto Central.
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