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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Avaliação do uso das resinas autoadesivas em diferentes tipos de restaurações
Larissa Chaves Carbo1; Emerson de Jesus 2; Josué Miguel de Oliveira3
Como Citar:
CARBO, Larissa Chaves; DE JESUS, Emerson; DE OLIVEIRA, Josué Miguel. Avaliação do uso das resinas autoadesivas em diferentes tipos de restaurações. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5450-5470, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202486017
Área do conhecimento: Ciências da Saúde.
Sub-área: Odontologia.
Palavras-chaves: Odontologia; resinas; autoadesivas restauração; dentária.
Publicado: 14 de novembro de 2024.
Resumo
A odontologia moderna tem evoluído com novos materiais e técnicas que visam simplificar os tratamentos restauradores, como as resinas autoadesivas. Elas eliminam a necessidade de etapas como o condicionamento ácido e aplicação de primer, o que otimiza o tempo e reduz o risco de erros técnicos. Objetivos: descrever as propriedades e aplicações clínicas das resinas autoadesivas em restaurações dentárias, destacando sua eficácia, durabilidade e benefícios no tratamento odontológico. Os objetivos específicos incluem avaliar a eficácia das resinas autoadesivas em diferentes tipos de restaurações, comparar seu desempenho com os sistemas adesivos tradicionais e identificar as vantagens e desvantagens desse procedimento. Metodologia: Trata-se de uma revisão bibliográfica, com caráter quantitativo e descritivo. Os artigos foram pesquisados nas seguintes bases de dados científicas, Catálogos de Teses e Dissertações (CAPES), The Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Scholar, PubMed e livros disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados artigos publicados entre os anos de 2019 até 2024 em português e inglês. Resultados: as resinas autoadesivas mostraram-se eficazes na simplificação dos procedimentos restauradores, reduzindo o tempo de trabalho clínico e minimizando erros técnicos. Comparadas aos sistemas adesivos tradicionais, apresentaram desempenho clínico semelhante em restaurações convencionais, mas com menor adesão inicial em algumas situações. Conclusão: as resinas autoadesivas podem oferecer um desempenho clínico satisfatório e comparável ao dos sistemas adesivos convencionais, com o benefício adicional de simplificação do protocolo. o uso das resinas autoadesivas deve ser considerado como uma opção viável para restaurações dentárias, especialmente em situações onde a eficiência e a praticidade são prioritárias.
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Self-Adhesive Resins
Abstract
Modern dentistry has evolved with new materials and techniques aimed at simplifying restorative treatments, such as self-adhesive resins. These resins eliminate the need for steps like acid etching and primer application, which optimizes time and reduces the risk of technical errors. To describe the properties and clinical applications of self-adhesive resins in dental restorations, highlighting their efficacy, durability, and benefits in dental treatment. The specific objectives include evaluating the clinical efficacy of self-adhesive resins in different types of restorations, comparing their performance with traditional adhesive systems, and identifying the advantages and disadvantages of this procedure. This is a bibliographic review, with a quantitative and descriptive approach. The articles were searched in the following scientific databases: Catalog of Theses and Dissertations (CAPES), The Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Scholar, PubMed, and books available in the Virtual Health Library (VHL). Articles published between 2019 and 2024 in Portuguese and English were included. Results: Self-adhesive resins proved to be effective in simplifying restorative procedures, reducing clinical working time, and minimizing technical errors. Compared to traditional adhesive systems, they showed similar clinical performance in conventional restorations, but with lower initial adhesion in some situations. Self-adhesive resins can offer satisfactory clinical performance comparable to that of conventional adhesive systems, with the added benefit of protocol simplification. The use of self-adhesive resins should be considered a viable option for dental restorations, especially in situations where efficiency and practicality are priorities.
Keywords/Palabras clave: Dentistry; Self-adhesive; Resins; Dental; Restoration.
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1. Introdução
A odontologia moderna tem testemunhado avanços significativos nos materiais e técnicas de restauração dentária, com um foco crescente na eficiência e eficácia dos tratamentos. Segundo (29), as resinas autoadesivas surgiram como uma solução inovadora para simplificar o processo restaurador. (43) destacam que essas resinas eliminam a necessidade de etapas como condicionamento ácido e aplicação de primer, reduzindo o tempo de procedimento e o risco de erros técnicos. As resinas compostas convencionais, amplamente utilizadas anteriormente, exigiam um protocolo de aplicação complexo e sensível à técnica, resultando frequentemente em falhas adesivas e comprometedora a longevidade das restaurações (5). Com a introdução das resinas autoadesivas, essas complicações foram minimizadas, proporcionando uma adesão confiável diretamente à dentina e ao esmalte sem a necessidade de pré-tratamentos extensivos (35). Esses novos materiais têm se mostrado particularmente vantajosos em situações clínicas desafiadoras, como cavidades sub gengivais e dentes posteriores onde a umidade e a acessibilidade são limitadas (18 e 38). As resinas autoadesivas possuem propriedades físicas e mecânicas comparáveis às das resinas compostas tradicionais, mantendo resistência ao desgaste e à fratura (22 e 1). A evolução dos materiais dentários impulsionada pela busca por restaurações que não só restabeleçam a função dentária, mas também a estética, com o mínimo de intervenção invasiva. Nesse sentido, as resinas autoadesivas emergem como uma solução prática, atendendo às exigências estéticas e funcionais enquanto simplificam o protocolo clínico (31). A aceitação crescente das resinas autoadesivas é respaldada por um corpo robusto de evidências clínicas e laboratoriais que confirmam sua eficácia e durabilidade a longo prazo (40). Essas evidências indicam que, quando aplicadas corretamente, essas resinas oferecem restaurações com longevidade e desempenho clínico semelhantes às técnicas adesivas tradicionais (13). Contudo, de acordo com autores como (4) e (33), as resinas autoadesivas apresentam algumas limitações, como uma adesão inicial menor em comparação aos sistemas adesivos de múltiplas etapas. Por isso, é essencial entender adequadamente as indicações e limitações desses materiais para maximizar seus benefícios clínicos (2 e 8). Esse entendimento permitirá que os dentistas selecionem o material mais adequado para cada situação clínica específica. Neste contexto, vale destacar que o estudo sobre resinas autoadesivas é relevante porque essas resinas apresentam potencial para revolucionar a forma como os dentistas realizam restaurações, combinando adesão direta com praticidade. Contudo, ainda há questionamentos sobre sua real eficácia e durabilidade em comparação com sistemas adesivos tradicionais. Identificar as percepções dos profissionais de odontologia em relação às vantagens e limitações dessas resinas pode fornecer insights importantes para guiar práticas clínicas mais informadas e melhorar os resultados dos tratamentos restauradores. Assim, o problema de pesquisa foi: quais são as principais características e vantagens das resinas autoadesivas em comparação com os sistemas adesivos tradicionais, e como elas impactam a eficácia e durabilidade das restaurações dentárias? Para responder essa questão e diante do impacto positivo das resinas autoadesivas na prática odontológica, este estudo tem como objetivo geral descrever as propriedades e aplicações clínicas das resinas autoadesivas em restaurações dentárias, destacando sua eficácia, durabilidade e benefícios no tratamento odontológico. Os objetivos específicos incluem avaliar a eficácia das resinas autoadesivas em diferentes tipos de restaurações, comparar seu desempenho com os sistemas adesivos tradicionais e identificar as vantagens e desvantagens desse procedimento.
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2. Metodologia
Este é um levantamento bibliográfico que possui um enfoque quantitativo e descritivo. A revisão envolve a coleta e a avaliação de pesquisas, artigos, livros e diversos materiais anteriormente publicados sobre um tema específico. O objetivo central é situar o problema de pesquisa, reconhecer as lacunas no conhecimento atual e proporcionar uma fundamentação teórica robusta para a elaboração do estudo
Os procedimentos de coleta dos dados nessa pesquisa, foi realizado de agosto a setembro de 2024. Foram utilizados artigos publicados entre os anos de 2019 até 2024. Os artigos foram pesquisados nas seguintes bases de dados científicas, Catálogos de Teses e Dissertações (CAPES), The Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Scholar, PubMed e livros disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). A estratégia de busca envolveu o uso de combinações de termos específicos relacionados ao tema, tais como "self-adhesive resin," "self-adhesive composite," "dentistry," "dental restoration," "resina autoadesiva," e "odontologia." Forma incluídos no estudo artigos científicos, teses de doutorado, dissertações de mestrado, revisões sistemáticas e meta-análises que abordassem o tema resinas autoadesivas, publicados em língua portuguesa ou inglesa e de acesso gratuito. Foram excluídos artigos pagos, editoriais, textos em blogs e que não atendiam os objetivos propostos do estudo. Os critérios para exclusão, também recaíram sobre as publicações anteriores ao ano de 2019, e artigos que não tratassem do tema em destaque.
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3. Desenvolvimento e discussão
3.1 Apresentação
As resinas autoadesivas representam uma inovação no campo da odontologia restauradora, oferecendo uma alternativa prática e eficaz aos sistemas adesivos tradicionais. O campo da odontologia está em constante evolução e cada vez mais adotando abordagens minimamente invasivas. Assim, as Resinas autoadesivas não requerem um sistema adesivo separado, pois têm a capacidade de aderir diretamente à superfície do dente. Elas simplificam o procedimento, pois combinam a função do adesivo e da resina em um único produto, eliminando a necessidade de condicionamento ácido e primer (7). O princípio básico das resinas autoadesivas é que elas contêm monômeros ácidos funcionalizados, que reagem diretamente com a superfície do esmalte e da dentina, criando uma adesão eficaz sem a necessidade de etapas intermediárias. Essa característica torna essas resinas particularmente úteis em situações clínicas que demandam rapidez ou quando o isolamento completo da umidade é difícil de alcançar (19). No entanto, ainda existem debates sobre a efetividade das resinas autoadesivas em termos de adesão a longo prazo, especialmente em áreas de alta carga mastigatória. Estudos comparativos com sistemas adesivos tradicionais indicam que, embora as resinas autoadesivas ofereçam vantagens em termos de simplificação do processo, seu desempenho adesivo pode ser inferior, particularmente quando não há condicionamento prévio da superfície dentária (10). Esses materiais inovadores combinam propriedades adesivas e restauradoras em uma única composição, dispensando o uso de sistemas adesivos convencionais em múltiplas etapas. Isso simplifica o processo clínico, resultando em economia de tempo e menor susceptibilidade a erros operacionais (46). Vale ressaltar que o conceito de resinas autoadesivas se baseia em sua capacidade de se unir diretamente à estrutura dentária, tanto ao esmalte quanto à dentina, por meio de interações químicas e micromecânicas. Isso é possível devido à presença de monômeros funcionalizados que interagem com o cálcio presente na superfície dos dentes e com a umidade, promovendo uma adesão mais confiável, mesmo em condições de isolamento imperfeitas. Dessa forma, essas resinas se destacam pela facilidade de aplicação, sobretudo em áreas de difícil acesso ou quando a preparação do campo operatório apresenta desafios técnicos (28). Apesar de toda complexidade os componentes são projetados para promover uma interação eficaz com a estrutura dentária, oferecendo resistência mecânica, estabilidade e adesão química, sem a necessidade de sistemas adesivos tradicionais. Dentre os principais constituintes dessas resinas, destacam-se os monômeros funcionais, os agentes de carga inorgânica, os fotoiniciadores, os estabilizantes e os solventes (24). O componente central das resinas autoadesivas é o monômero funcional, geralmente um composto metacrílico com grupos ácidos, como o ácido fosfórico. Esses monômeros são responsáveis pela interação química direta com a hidroxiapatita presente na dentina e no esmalte. A presença de grupos ácidos possibilita a desmineralização leve da superfície dentária, promovendo microretenção e adesão química ao cálcio. Essa dupla função é essencial para que a resina possa aderir tanto ao esmalte quanto à dentina sem a necessidade de um condicionamento ácido prévio (17). Outro componente essencial são os agentes de carga inorgânica, como partículas de vidro ou sílica, que conferem resistência mecânica e estabilidade dimensional às resinas. Essas partículas são dispersas na matriz polimérica e aumentam a resistência à compressão e à abrasão, tornando a resina mais durável em condições orais. A proporção e o tamanho dessas cargas variam entre os produtos, influenciando diretamente a viscosidade da resina e sua capacidade de adaptação ao preparo cavitário (12). Diante desse contexto, vale ressaltar que Tanaka (45) descreve que os fotoiniciadores, como a canforoquinona, ativam o processo de polimerização das resinas quando expostas a luz visível, como LED, transformando-as de um estado fluido para uma estrutura sólida. Essa transformação garante resistência mecânica e estabilidade a longo prazo. Complementando, Lino (28) destaca que os estabilizantes são adicionados para evitar a degradação prematura da resina, mantendo a integridade dos monômeros até a aplicação clínica. Em (9) é ressaltado o papel dos solventes, como água ou álcool, que facilitam a fluidez da resina e promovem melhor adesão ao substrato dentário, evaporando antes da polimerização. Já em (42) destaca que a adesão ao esmalte e à dentina é essencial para a durabilidade das restaurações, pois ambas as estruturas requerem abordagens específicas devido às suas diferenças físicas e químicas. Segundo (23), o esmalte, composto majoritariamente de hidroxiapatita, permite uma ligação micromecânica eficaz após o condicionamento ácido, criando uma interface resistente. Pesquisas de (26) observa que a dentina, por ser mais complexa e rica em colágeno, apresenta desafios para a adesão devido à presença de túbulos dentinários e à sua hidratação natural. Em concordância Trindade (46) acrescenta que a adesão à dentina envolve uma combinação de ligações químicas e micromecânicas, sendo influenciada pela profundidade e umidade da estrutura, o que pode afetar a durabilidade do processo. Outro fator a ser considerado é a sensibilidade à técnica de aplicação dos sistemas adesivos, particularmente na dentina. A quantidade de umidade residual após o condicionamento ácido pode influenciar significativamente a capacidade do adesivo de penetrar e formar uma camada híbrida estável. A desidratação excessiva pode colapsar a rede de colágeno, dificultando a infiltração do adesivo, enquanto a umidade excessiva pode comprometer a polimerização da resina, resultando em uma união fraca (23). As resinas autoadesivas trouxeram uma série de vantagens em comparação aos sistemas adesivos convencionais, especialmente no contexto da odontologia restauradora. Esses materiais, que integram propriedades adesivas e restauradoras em uma única formulação, proporcionam benefícios como a redução das etapas clínicas, a simplificação do protocolo restaurador e a diminuição da sensibilidade à técnica, fatores que têm impacto direto tanto na eficiência dos procedimentos quanto na experiência dos pacientes (11). Pesquisas destacam que as resinas autoadesivas diferem dos sistemas adesivos convencionais principalmente por combinarem em um único material as funções de adesão e restauração. Enquanto os sistemas convencionais requerem múltiplas etapas, como o condicionamento ácido, aplicação de primer e adesivo, as resinas autoadesivas eliminam esses passos, simplificando o procedimento clínico (26). Nos sistemas tradicionais, a adesão ao esmalte e à dentina depende de um protocolo rigoroso e da aplicação sequencial dos componentes, o que aumenta a sensibilidade à técnica e o risco de falhas. Já as resinas autoadesivas contêm monômeros ácidos que interagem diretamente com a estrutura dentária, promovendo adesão sem necessidade de pré-tratamento da superfície (3). Essa simplificação torna as resinas autoadesivas menos dependentes do controle da umidade e de outros fatores críticos ao sucesso dos sistemas convencionais. As resinas autoadesivas oferecem maior praticidade, reduzindo o tempo clínico e aumentando a previsibilidade do tratamento, ao integrar todas as funções em uma única aplicação (36).
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3.2 Aplicações Clinicas das Resinas Autoadesivas
As resinas autoadesivas são indicadas em uma variedade de situações clínicas, principalmente em restaurações diretas e indiretas que demandam simplificação do protocolo adesivo. Elas são especialmente úteis em procedimentos de restaurações provisórias, em dentes decíduos e em áreas onde o controle da umidade é difícil, como nas regiões subgengivais ou em pacientes com limitação de abertura bucal (11). Também contam com uma ampla indicação para restaurações em dentes posteriores, isso devido à sua resistência mecânica e facilidade de aplicação, além da possibilidade de serem utilizadas na cimentação de coroas, pontes e facetas. São recomendadas para reparos de restaurações cerâmicas e metálicas e especialmente eficazes em cavidades de classes I e II, onde o controle de umidade é limitado, como em regiões subgengivais ou pacientes com pouca cooperação (27 e 15). Outro uso relevante é em dentes decíduos, onde a simplicidade e a velocidade do procedimento são essenciais. Devido à sua menor sensibilidade à técnica e à ausência de múltiplos passos adesivos, as resinas autoadesivas são uma escolha vantajosa para tratar crianças. Elas podem ser indicadas para reparos em restaurações de cerâmica, metal ou compósitos antigos, proporcionando uma adesão adequada mesmo em substratos previamente restaurados (31).
Contudo, apesar de suas vantagens, esse tipo de resinas apresenta contraindicações e limitações no uso clínico. Uma de suas principais limitações é a adesão inferior em comparação aos sistemas adesivos convencionais, especialmente em substratos como a dentina profunda e o esmalte não condicionado. Em situações em que é necessária uma adesão de alta resistência, como em restaurações extensas ou em áreas de alta carga oclusal, elas podem não ser a melhor opção. Outro fator limitante importante seria a menor capacidade de selamento marginal, o que pode aumentar o risco de infiltração e sensibilidade pós-operatória. Em substratos como cerâmicas feldspáticas ou em casos em que há necessidade de uma adesão química mais forte, as resinas autoadesivas podem não oferecer a retenção necessária, exigindo sistemas adesivos convencionais (39) alem de não serem recomendadas em restaurações que requerem estética superior, como em facetas em dentes anteriores, já que sua translucidez e capacidade de polimento são inferiores a outros materiais restauradores (46) e em restaurações de grande extensão ou em áreas de alta carga oclusal, sua adesão pode ser inferior à dos sistemas convencionais, o que pode impactar a longevidade da restauração (17).
Como visto, a eficácia clínica ou não desse tipo de resinas pode variar de acordo com o tipo de uso e o ambiente oral. Em restaurações diretas de dentes posteriores, como cavidades de classes I e II, elas demonstram boa performance devido à sua resistência mecânica e simplificação do protocolo adesivo. Em procedimentos de cimentação, como coroas, pontes e inlays/onlays, as resinas autoadesivas apresentam eficácia satisfatória, especialmente quando utilizadas em substratos com retenção mecânica adequada alem de serem essenciais em restaurações cerâmicas ou onde a adesão química (9).
Para reparos de restaurações antigas e cimentação de pinos intracanais, as resinas autoadesivas mostram-se práticas e funcionais, embora sua eficácia possa ser comprometida em casos de condições de adesão subótimas, como dentina esclerótica ou superfícies contaminadas. Assim, apesar de sua praticidade e eficiência em diversas situações clínicas, seu uso deve ser avaliado conforme as exigências mecânicas e estéticas de cada caso (16).
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3.3 Desafios na Utilização de Resinas Autoadesivas
As resinas autoadesivas têm sido bem recebidas por profissionais de odontologia devido a diversas vantagens associadas ao seu uso. Entre os benefícios percebidos, destaca-se a simplificação do protocolo clínico. A combinação de adesão e restauração em um único material elimina a necessidade de múltiplas etapas, como o condicionamento ácido e a aplicação de primer, reduzindo o tempo total do procedimento e facilitando a prática clínica (10). Os feedbacks dos profissionais frequentemente ressaltam a facilidade de uso das resinas autoadesivas. A eliminação de etapas complexas e a menor sensibilidade técnica permitem que dentistas, mesmo aqueles com menos experiência, possam utilizar essas resinas com segurança. Isso resulta em um aumento da confiança na realização de restaurações, promovendo uma abordagem mais ágil e eficiente (17). Estudos destacam que relatos sobre a eficiência no tempo clínico são comuns entre os dentistas que adotam resinas autoadesivas. A redução do tempo de aplicação não só aumenta a produtividade no consultório, mas também melhora a experiência do paciente, que se beneficia de procedimentos mais rápidos. Essa eficiência temporal se traduz em menos consultas necessárias para finalização de tratamentos e na possibilidade de atender um maior número de pacientes no mesmo período (12).
No entanto, embora sejam adequadas para restaurações em dentes posteriores, sua resistência à compressão e ao desgaste pode ser inferior em comparação a sistemas adesivos convencionais. Em restaurações extensas ou em dentes submetidos a forças oclusais significativas, o desempenho a longo prazo das resinas autoadesivas pode ser insuficiente, resultando em fraturas ou desgaste prematuro (25). Esses fatores tornam essencial que os profissionais de odontologia avaliem cuidadosamente a escolha do material em função das necessidades específicas de cada caso clínico. Embora as resinas autoadesivas ofereçam uma abordagem prática, é fundamental considerar suas limitações para garantir resultados eficazes e duradouros (46).
As inovações em resinas autoadesivas têm buscado aprimorar sua eficácia e expandir suas aplicações clínicas. Uma tendência emergente é o desenvolvimento de formulações que incorporam nanomateriais, visando aumentar a adesão a diferentes substratos, como esmalte e dentina, visando melhorar as propriedades mecânicas do material. Esses avanços têm potencial para reduzir a sensibilidade à técnica e proporcionar maior resistência em áreas de alta carga mastigatória (41).
Outra direção promissora é a inclusão de agentes bioativos nas resinas autoadesivas, que podem promover a remineralização da dentina e do esmalte. Essa característica não apenas ajuda na prevenção de cáries, mas também contribui para a longevidade das restaurações, tornando-as mais benéficas à saúde dental a longo prazo (7).
Para (20) é importante considerar a necessidade de mais pesquisas sobre a interação das resinas autoadesivas com diferentes substratos dentais e sua performance ao longo do tempo. Estudos futuros podem ajudar a otimizar a formulação desses materiais e expandir suas aplicações clínicas. Isso é especialmente relevante para garantir que as inovações na formulação e aplicação desses materiais continuem a melhorar os resultados clínicos.
De acordo com (32) as resinas fluidas autoadesivas apresentaram maior microinfiltração em esmalte e dentina quando comparadas com as resinas convencionais. O condicionamento prévio da superfície, tanto com ácido fosfórico como irradiação a laser, aprimora os índices de microadesão. A resina fluida autoadesiva apresentou adesão às estruturas dos dentes decíduos inferior quando comparada com os materiais convencionais, sendo recomendado seu uso na odontopediatria apenas como selantes cavitários. De acordo com a revisão sistemática realizada por (47) pode se inferir que a resina fluida autoadesiva demonstrou valores de resistência de união ao esmalte e à dentina inferior à resina fluida convencional. Também a associação do sistema adesivo de condicionamento ácido total com resina fluida autoadesiva mostrou valores de resistência de união maior que o uso dos autoadesivos sozinhos. Ainda a resina fluida autoadesiva obteve valores de resistência de união similar aos materiais restauradores à base de ionômero de vidro. Portanto, mais estudos in vitro e in vivo são necessários para esclarecer se a resistência de união e a capacidade de vedamento das resinas compostas fluidas autoadesivas são clinicamente adequadas. Em (22) apontam que uma das principais vantagens das resinas autoadesivas é a simplificação do procedimento restaurador, eliminando a necessidade de múltiplas etapas, como o condicionamento ácido e a aplicação de primer e adesivo, o que reduz o tempo e os riscos de contaminação. (34) acrescentam que essa simplificação do protocolo, combinando adesão e restauração em um único produto, resulta em maior consistência clínica, sendo especialmente útil em áreas de difícil acesso e cavidades profundas. Além disso, (21) ressaltam que a menor sensibilidade à técnica é um benefício significativo das resinas autoadesivas. Elas são mais tolerantes a variações de umidade, tornando o procedimento mais previsível e seguro, mesmo em condições clínicas subótimas. Essa característica é importante, pois sistemas convencionais exigem controle rigoroso de umidade e aplicação precisa dos componentes, o que aumenta o risco de falhas. (6) destacam que a combinação dessas vantagens — redução das etapas, maior previsibilidade e simplificação do protocolo — contribui para procedimentos mais rápidos e eficazes, beneficiando tanto o profissional quanto o paciente. De forma semelhante, (24) reforça que a eliminação de passos intermediários reduz o risco de contaminação e melhora a previsibilidade clínica, especialmente em pacientes propensos à sensibilidade pós-operatória. Entretanto, (14) adverte que, embora as resinas autoadesivas apresentem benefícios claros, sua adesão ao esmalte pode ser inferior à dos sistemas convencionais, que utilizam o condicionamento ácido para gerar maior retenção. A durabilidade dessas resinas, portanto, pode variar, demandando estudos adicionais sobre seu desempenho em diferentes cenários clínicos.
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4. Considerações finais
As resinas autoadesivas emergem como uma alternativa relevante e inovadora na prática odontológica moderna, especialmente por sua capacidade de simplificar os protocolos clínicos sem comprometer a qualidade das restaurações. Os achados destacam, que a eliminação de etapas tradicionais, como o condicionamento ácido e a aplicação de primer, possibilita uma redução significativa do tempo de trabalho, diminuindo a probabilidade de erros técnicos e aumentando a praticidade no ambiente clínico. Isso é particularmente útil em situações clínicas desafiadoras, como restaurações em áreas subgengivais e em dentes posteriores, onde o acesso e o controle da umidade são limitados. Por conseguinte, apesar dos benefícios, as resinas autoadesivas ainda apresentam algumas limitações. Uma das principais desvantagens é a adesão inicial relativamente inferior em comparação com os sistemas adesivos de múltiplas etapas, o que pode comprometer a durabilidade em áreas de alta carga oclusal ou em superfícies que exigem adesão máxima. Essas limitações exigem que os profissionais sejam criteriosos na seleção dos casos clínicos em que as resinas autoadesivas serão utilizadas, garantindo que o material seja aplicado de forma a maximizar seus benefícios e minimizar seus riscos. Desse modo, essa pesquisa indica que, quando utilizadas de forma adequada, as resinas autoadesivas podem oferecer um desempenho clínico satisfatório e comparável ao dos sistemas adesivos convencionais, com o benefício adicional de simplificação do protocolo. Conclui-se que o uso das resinas autoadesivas deve ser considerado como uma opção viável para restaurações dentárias, especialmente em situações em que a eficiência e a praticidade são prioritárias. A contínua investigação científica e o desenvolvimento de novas formulações são essenciais para superar as limitações atuais e expandir ainda mais as indicações clínicas desses materiais, promovendo avanços na odontologia restauradora e melhorando os resultados a longo prazo para os pacientes.
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5. Declaração de direitos
O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Faculdade Planalto Central, Brasília, Brasil.
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