ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc19360
Publicado em 06 de outubro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
A IMPORTÂNCIA DA IMPLEMENTAÇÃO DOS NÚCLEOS DE TECNOLOGIA PARA OS PROFESSORES-FORMADORES DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DA BAHIA
Amaro Serinhaem de Araújo Alves Ferreira
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Salvador, Brasil [email protected]
RESUMO
A área da educação tem enfrentado novos desafios a partir dos avanços tecnológicos, algo que demanda dos professores um conjunto de competências adequadamente adaptadas ao contexto atual. Assim, os docentes devem adaptar suas práticas pedagógicas incorporando as tecnologias da informação e comunicação (TICs), a fim de que a educação possa participar efetivamente da sociedade do conhecimento. Neste cenário, a presente pesquisa teve como objetivo central examinar a relevância da implementação dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) para os professores-formadores da rede municipal de ensino do estado da Bahia, referente ao uso das TICs. Para isso, seguiu o nível exploratório, baseado na pesquisa bibliográfica. O desenho da pesquisa se enquadra na cronologia do modelo transversal não experimental. A técnica de coleta de dados foi a revisão de literatura. Os resultados apontaram que, não obstante os professores estarem conscientes dos benefícios que as TICs proporcionam ao processo de ensino-aprendizagem para a construção do conhecimento pelos alunos, há obstáculos para a concretização dos objetivos do NTE para a inclusão de alunos na era digital e autonomia para a produção de conhecimento, dentre os quais estão a carência de recursos humanos qualificados, reduzida atualização de equipamentos de informática, falta de laboratórios bem equipados e necessidade de uma carga de trabalho adequada.
Palavras-chave: Avanços tecnológicos, Professor/formador, Prática Pedagógica, Era digital.
1 INTRODUÇÃO
Os avanços tecnológicos da contemporaneidade têm refletido no contexto educacional, levando à geração de novas demandas para o professor e, por conta disso, exigindo deste profissional um novo perfil que responda às expectativas do momento atual. Por conseguinte, o professor necessita adequar sua prática pedagógica, apropriando-se das Tecnologias da Comunicação e Informação (TIC), a fim de permitir a real inserção da educação na sociedade do conhecimento, faznedo com que esta cumpra o seu papel de preparar para o exercício da cidadania.
Nessa perspectiva, este trabalho tem como objeto de estudo o professor-formador, cuja contribuição em forma de ação perpassa por um melhor desempenho do professor regente – a quem o primeiro dará capacitação, ou seja, subsídios para uma prática pedagógica mais adequada às demandas atuais – e, consequentemente, do aluno. Conforme o Ministério da Educação e do Desporto [1], “capacitar para o trabalho com tecnologias de informática e comunicação não significa apenas preparar o indivíduo para um novo trabalho docente”. Mais que isso, “significa, de fato, prepará-lo para ingressar em uma nova cultura, apoiadas em tecnologias que suportam e integram os processos de integração e comunicação”.
A partir dos princípios levantados por esse conceito, foram criados os Núcleos de Tecnologia Educacionais (NTEs), os quais consistem em ambientes computacionais que contam com equipes interdisciplinares de professores qualificados para promoverem a formação contínua de outros professores.
Ressalte-se que há diferentes paradigmas de formação de professores, cada um coerente com a concepção de papel atribuído ao docente no processo educacional. Nesse sentido, formula-se o seguinte problema de pesquisa: qual a importância da implementação dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) para os professores-formadores das redes municipal municipais de ensino do estado da Bahia, no uso das TICs?
Este trabalho se justifica na medida em que apresenta os benefícios propiciados ao professor/formador, em face da imprescindibilidade de sua função na formação continuada do professor regente e das suas necessidades no desempenho das atividades, assim como pela sua contribuição direta para o sistema educacional por meio de uma pedagogia contemporânea baseada nas TICs, mais especificamente falando, sobre essa influência nas redes municipais de ensino.
Em harmonia com isso, o objetivo geral da pesquisa foi verificar de que forma a implementação dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) mostrou-se relevante para os professores-formadores das redes municipais de ensino do estado da Bahia, no que tange ao uso das TICs. Para tanto, definiram-se os seguintes objetivos específicos: discorrer sobre a inclusão das TICs no ambiente educacional; verificar as mudanças necessárias à práxis pedagógica diante da inclusão digital; descrever o papel do professor-formador na educação reflexiva; verificar a influência das políticas públicas na formação do professor; e levantar a linha de ação, as estratégias e os fundamentos utilizados pelos professores-formadores que compõem os Núcleos de Tecnologia Educacional.
Este trabalho, de caráter transversal e não experimental, foi conduzido por meio de uma pesquisa descritiva e exploratória. Descritiva, tendo em vista que descreve as características de determinadas populações ou fenômenos, no caso, dos professores-formadores dos NTEs [2]; e exploratória, porque visa permitir uma aproximação conceitual, objetivando proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito e, ainda, aprimorar ideias, ao envolver entrevistas com pessoas experientes no problema pesquisado [3].
Quanto ao enfoque, a pesquisa pode ser classificada como qualitativa, pois se realizou uma análise interpretativa e contextual das informações coletadas. Quanto aos procedimentos de coleta e análise de dados, o trabalho foi conduzido por meio da pesquisa bibliográfica [2]. A partir desse procedimento, estudou-se a dinâmica utilizada no cotidiano das formações, tendo sido descritas as atribuições do professor-formador e buscadas as teorias subjacentes à prática do formador. Do mesmo modo, procurou-se conhecer a criação, os objetivos e as ações dos NTEs, no Brasil e na Bahia.
2 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
A formação continuada dos educadores (ou capacitação) vem sendo debatida e assumida na maioria das nações do mundo, em praticamente todos os textos oficiais e discursos, como fundamental para o alcance do sucesso nos processos educacionais. Nesse contexto, a inclusão digital e a utilização das novas tecnologias da informação e comunicação (TICs) são temas recorrentes. Nesta seção, apresentam-se as bases teóricas deste trabalho.
2.1 As TICs no contexto educacional
Os avanços tecnológicos vêm promovendo mudanças constantes nos meios de comunicação de massa e, como consequência disso, as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) se incorporaram ao dia a dia de todas as pessoas. Com isso, torna-se desafiador para as escolas e professores transformar as práticas tradicionais em outras que atendam às necessidades e interesses dos educandos, preparando-os para enfrentar um mundo globalizado que apresenta uma realidade nova a cada dia.
Nesse contexto, e em função de sua parcela de responsabilidade pela educação e formação dos indivíduos, cabe à escola cercar-se de recursos atuais capazes de contemplar com eficácia as demandas de aprendizagem de acordo com os perfis dos alunos que fazem parte de sua realidade, tornando-se capazes de atrair o interesse e prender a atenção do educando.
É assim que a utilização de TVs, computadores, projetores digitais (datashows), entre outros recursos, vem sendo cada vez mais frequente e necessária, promovendo uma revolução dentro das salas de aula, inclusive no que se refere ao próprio espaço de aprendizado, haja vista a introdução da educação on-line como apoio à educação presencial. Nesse contexto, a internet se apresenta como um elemento importante de oportunização da interação entre o educando e o mundo.
Diversos recursos passaram a compor as tecnologias de construção para essa rede mundial de computadores, facilitando a interação com vistas à aprendizagem cooperativa. Tem-se, assim, a educação como um processo no qual se forma a competência do indivíduo, tendo como principal alavanca o conhecimento das inovações, com capacidade crítica e criatividade, e as questões reconstrutivas que associam a teoria e a prática.
No contexto atual, “as possibilidades trazidas pelos novos meios instauram uma nova maneira de aprender a realidade que cerca todas as pessoas, bem como criam novos anseios e expectativas” [4]. Exemplo disso é a interatividade, elemento que caracteriza a relação com a internet, trazendo uma mudança fundamental em muitos aspectos da vida e condição humana e nos processos de aquisição qualitativa do conhecimento. Eis o motivo pelo qual, a partir da potencialização do que Lévy [5] chama de “inteligência coletiva”1, será necessário repensar a função da escola e dos sistemas tradicionais de aprendizagem.
A sala de aula tradicional, ao se centralizar na repetição, nega ao aluno não só o direito à criação, mas ao seu próprio processo autoral. Hoje, porém, com associação das TICs ao processo educacional, pode-se vivenciar um momento importante de (re)descoberta do autor [6].
Considerando-se que “a autoria é um procedimento básico da educação” [7], pode-se afirmar que a internet e seus recursos dão aos professores a oportunidade de associar a educação às TICs, sem transgredirem as práticas pedagógicas, promovendo a criatividade, a autonomia e a autoria de seus alunos. É desse modo que as TICs criam novos espaços do conhecimento, dos quais a escola já faz parte. Tais espaços, potencializados pelas novas tecnologias, inovam constantemente nas metodologias.
Essas inovações não raro enfrentam resistência da parte de alguns docentes. No entanto, acredita-se que essa resistência decorre da insegurança por conta das novas formas sugeridas, as quais ainda se encontram em processo de adaptação no campo educacional. Contudo, deve-se ressaltar que o cenário é de uma constante evolução, proporcionando efetivo e real conhecimento pautado num processo informativo e comunicativo que emerge no cenário atual em grande escala, no qual a inclusão digital tornou-se fundamental.
2.1.1 A inclusão digital: repensando a práxis pedagógica
Diante de uma perspectiva contemporânea, na qual a educação vem passando por uma radical transformação, o professor-formador precisa ter uma grande intimidade com a internet, bem como com os recursos que as TICs lhe oferecem, para assim produzir os conhecimentos com mais tranquilidade e firmeza, superando as dificuldades que gradativamente lhes são apresentadas.
Faz-se necessário vivenciar o processo com os sujeitos, com o fito de afunilar o caminho para, ao final, integrar-se à nova era. Aquele que não for criativo, não tendo uma percepção aberta à vivência de contextos, estará fora do ciclo evolutivo da tecnologia da informação e comunicação.
O conhecimento, seja do professor-formador, seja do aprendiz, é diverso e criativo, e se encontra inserido no contexto heterogêneo, na diversidade, na incerteza, na insegurança. A falta da criatividade, cópia de modelos, valores, estratégias, realidades já existentes, estão totalmente fora da nova situação. O novo representa a conexão do sistema de telecomunicações com a informática, o que leva a mudanças significativas na relação tecnologia x sociedade [8]. Diante dessa compreensão, cabe refletir com cuidado e discernirmento a respeito do caminho a seguir.
A transformação, a incorporação das novas formas de ser, de pensar e de agir com a presença das tecnologias da informação e da comunicação, tanto na vida de fora como de dentro da escola, são pontos cruciais a serem abordados na construção de um novo modelo pedagógico, que exige formas inovadoras de construção de subjetividade, de relações sociais e ambientais [9]. E é por meio das tecnologias que se pode alcançar este fim.
O processo educativo está relacionado com a interação entre indivíduos que se fazem homens singulares nas etapas interativas. Busca-se repensar o ser da escola, para que a dinâmica que ali se instaure torne-se tão significativa para sua comunidade quanto aquelas estabelecidas nos demais espaços em que interage, bem como utilizar estratégias, trabalhar com a incerteza, com o pensamento complexo. Isso implica uma educação reflexiva, e o professor-formador tem importante papel nesse processo.
2.2 O professor-formador na educação reflexiva
O papel do professor-formador relaciona-se diretamente aos métodos usados no ensino, uma vez que são por estes que se permite alcançar um nível de aprendizado e conhecimento. Essa questão se torna mais intensa quando se trata da atuação desse professor no uso das tecnologias atualmente existentes no âmbito do ensino público. De fato, a inserção das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem das escolas públicas é algo que deve ser contemplado por políticas públicas.
2.2.1 As políticas públicas na formação do professor
As políticas públicas aqui abordadas fazem referência à questão da comunicação no âmbito do saber, uma vez que são necessárias na defesa dos direitos de comunicação, tão essenciais na prática docente, ainda mais veementemente quando se adentra no contexto da tecnologia, atualmente necessitada de aplicabilidade efetiva, em face das inovações cada vez mais constantes.
Ferreiro [10] e Vieira [11] concordam em que a análise da inserção das TICs na educação pública requer a contextualização de tais tecnologias no âmbito das políticas educacionais brasileiras e na problemática do financiamento e influência das agências internacionais nos principais projetos e programas voltados para a escola pública.
Em outras palavras, as políticas educacionais brasileiras precisam contemplar a preparação de professores capazes de desenvolver conhecimentos e habilidades que forneçam aos estudantes as ferramentas de que precisarão para viverem em igualdade de condições no mundo globalizado.
Nessa linha, de acordo com Ribeiro [12], as políticas educacionais brasileiras precisam funcionar como “pulsão”, como propostas “de uma coisa nova”. Acompanhando esse raciocínio, a criação de políticas públicas que promovam a inserção das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem das escolas públicas representa desenvolver as potencialidades da democracia, do convívio e do aprendizado de forma ampla e atual.
Na verdade, isso já começou a acontecer há algum tempo, tendo ganhado impulso a partir da década de 1990, quando a Secretaria de Educação a Distância (SEED), do Ministério da Educação e Desporto, passou a coordenar diversos programas referentes às TICs e à Tecnologia Educacional (TV Escola e outros), que tinham como objetivo diminuir as diferenças de oportunidade entre os alunos da rede pública e da rede particular [13].
Segundo Cysneiros [14], o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), um dos programas criados pelo MEC, teria como principal meta a universalização das TICs por meio da rede pública de ensino. Além da implantação de equipamentos nas escolas, o ProInfo enfatizava a formação de recursos humanos, sendo a primeira etapa do processo de informatização.
A formação em Informática Educativa aconteceria em parceria com as secretarias estaduais e municipais, que ficariam responsáveis por criar os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTEs). “Os NTEs ficarão responsáveis pela sensibilização, adesão, formação e acompanhamento do processo de informatização das escolas públicas” [13]).
Os profissionais desses núcleos foram formados em nível de especialização pelo ProInfo, em parceria com universidades públicas e privadas, particularmente as que fizeram parte do projeto Educom2 [15]. Dotados desse conhecimento, tais profissionais atuariam como multiplicadores na disseminação da Informática Educativa entre alunos e professores.
Os NTE (são vários por estado) pesquisam, criam projetos educacionais que envolvem novas tecnologias da informática e da comunicação, capacitam professores utilizando os computadores distribuídos em escolas públicas estaduais e municipais e a internet [16].
Desse modo, os NTEs ganharam importância na concretização do ProInfo e passaram a funcionar como centros de formação docente para a utilização dos recursos da Informática na educação. Destarte, ligados às secretarias estaduais e municipais, dependendo sua autonomia e funcionamento do entendimento das secretarias sobre o seu papel nos processos de informatização do ensino público, os NTEs capacitam professores para que estes formem outros professores, qualificando-os para a utilização das TICs em suas práticas de ensino.
2.3 Atribuições e prática do professor-formador
Na formação de professores, uma gama de critérios é necessária. Assim sendo, além da prática do professor-formador, deve-se levar em conta a questão de todo o aparato que viabiliza a formação, desde as instituições até as normas por estas muitas vezes impostas. Vê-se, assim, que “[...] discutir o ofício de professor-formador não é tarefa simples, pois é algo pouco definido e em processo de constituição” [17]. Nessa perspectiva, a prática do professor-formador torna-se importante, pois o conhecimento por este obtido no decorrer de sua vida será transformado em métodos, para que tal conhecimento se torne também daqueles submetidos ao ensino.
No que tange às novas tecnologias, o professor-formador é aquele que motiva a argumentação, que problematiza de maneira a fomentar a qualidade das interações, apresentando ou desenvolvendo características que garantam o “estar junto virtual”[18].
Isso implica executar e desenvolver com os alunos a coautoria, selecionando conteúdos, ferramentas, estratégias, leituras, sugerindo sites, textos, livros, bem como desenvolvendo e mediando atividades que conduzam os alunos-professores a vivenciarem o papel de alunos para, em seguida, passarem a ser formadores das suas próprias turmas.
“O papel do educador, nessa concepção, muda de transmissor de informação para mediador na construção do conhecimento, provocador de situações, respeitando os diversos saberes” [18]. Para tanto, é preciso que o professor-formador se enxergue dentro do processo e que, solidariamente com seus alunos, seja um aliado da jornada rumo a um modelo de sociedade mais justo; que ele se transforme em um agente de superações, sendo o grande cúmplice na construção dos processos de aprendizagem de outros professores.
O trabalho do professor-formador contribui para o processo de democratização da TIC, buscando a inserção dos alunos nos processos educacionais para além da instrumentalização ou “alfabetização digital”, de tal forma que se garanta mais do que o treinamento técnico exigido pelo mercado de trabalho, mas também uma formação reflexiva.
O professor-formador procurará, na sua ação, se autoformar ao mesmo tempo em que forma outros educadores. Nesse sentido, será o sujeito da própria ação, transformando-se e favorecendo transformações, vendo a si como melhor recurso e o espaço digital como melhor ambiente de sua formação, ou seja, sua ação reflexiva o tornará um veículo de mudanças.
Nessa perspectiva, a ação formadora no uso pedagógico das TICs representa uma ação ímpar no processo educativo na tentativa de propiciar ao professor o desenvolvimento de um estilo de ensino assumidamente reflexivo, capaz de possibilitar aos seus alunos uma aprendizagem significativa [19].
Segundo André e Almeida [17], o conceito de reflexão é empregado em diferentes paradigmas da formação e prática de educadores. Numa abordagem comportamentalista, o educador é levado a refletir sobre as técnicas e estratégias apropriadas para atingir os objetivos instrucionais.
Já numa abordagem construcionista, modelo aqui concebido, o professor reflexivo é aquele que utiliza o computador como ferramenta de pensar-com e de pensar-sobre o pensar [20]. Infere-se daí que desenvolver uma atitude reflexiva requer vontade para assim atuar, visto não se tratar de uma prática usual observada nos professores, pelo fato de sua formação acadêmica tradicional não incentivar normalmente essa atitude, restringindo-se, algumas vezes, à reflexão durante a ação.
A reflexão-na-ação representa o saber fazer (que ultrapassa o fazer automatizado) e a reflexão-sobre-a-ação representa o saber compreender. São dois processos de pensamentos distintos, “[...] que não acontecem ao mesmo tempo, mas que se completam na qualidade reflexiva do professor” [21]. Acredita-se que as duas ações necessitam ser estimuladas, e até mesmo direcionadas, tanto na ação educativa do professor como na ação dos seus alunos.
Para Almeida [22], o computador empregado em educação, segundo o ciclo descrição-execução-reflexão-depuração, pode ser a ferramenta apropriada para promover a reflexão. O desafio, como diz a autora, é sair da perspectiva de utilização do computador como ferramenta pedagógica e partir para a aplicação das interfaces, de forma a promover uma aprendizagem que venha a romper com os patamares estabelecidos, fomentando o desenvolvimento cognitivo e a construção de valores que favoreçam a convivência humana, em padrões compatíveis com as informações e conhecimentos gerados pela própria tecnologia.
A partir do que observa a supracitada autora, é importante que o formador se aproprie de competências necessárias a garantir respostas às exigências do novo modelo social, dentre elas a ação reflexiva. Ou seja, o formador deve ser aquele que propicia o aprender a pensar, questionar, criticar, problematizar, e que, por meio da dialogicidade, do compartilhamento de ideias e afetividade, permite ao outro vislumbrar alternativas para sua ação educativa e até mesmo para o percurso de sua vida.
2.3.1 NTEs do estado da Bahia: utilização das TICs no processo formador da rede municipal de ensino
Os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE), na Bahia, foram criados a partir do Decreto nº. 7.380, de 22 de julho de 1998 [23], como unidades escolares estaduais de grande porte:
Art. 1º - Sendo-lhes asseguradas as condições pedagógicas, administrativas e financeiras para o ensino da informática e para o acompanhamento e avaliação dos projetos pedagógicos de informática, bem como a manutenção e plena utilização dos equipamentos do Programa de Informática Administrativa - PINAD e dos laboratórios de informática implantados nas escolas estaduais e municipais de sua jurisdição, previstos no Programa Estadual de Informática na Educação – PROINFE [23].
Posteriormente, o Decreto nº. 7.804, de 16 de maio de 2000 vincula os Núcleos ao Instituto Anísio Teixeira (IAT) [24] e, em 2002, um novo Decreto, o de nº. 8.259, altera o decreto anterior, instituindo que os NTEs deixam de ser unidades escolares de grande porte, passando a integrar a estrutura do IAT [25]. Este mesmo decreto, em seu art. 2º, determina que “o NTE será dirigido por 1 Coordenador II (DAS3-3) e 2 Coordenadores III (DAI4– 4)”, contando ainda com um Secretário Administrativo (DAI – 6) [26].
Por fim, o Decreto nº. 9.117, de 09 de junho de 2004, estabelece a formação mínima exigida para o desempenho das funções administrativas dos Núcleos e também para os professores multiplicadores, que deverão ser titulares de especialização na área de tecnologia educacional para poder atuar [27].
Conforme o IAT [26], orientados pela Coordenação de Tecnologia Educacional (CTE), os NTEs promovem cursos e oficinas, dando suporte tecnológico, acompanhando e avaliando os projetos pedagógicos das unidades escolares relacionadas com a sua área geográfica de atuação [28].
Em 2008, cerca de 100 mil professores da rede pública foram capacitados para utilizar novas tecnologias em sala de aula, incluindo computadores e internet, a partir da realização do 1º Encontro Regional de Formação de Multiplicadores do ProInfo Integrado (Brasília), no qual participaram 230 professores-formadores dos núcleos de tecnologias educacionais (NTEs) [29].
Chamarelli [29] explica que nesse evento foram apresentadas as diretrizes e materiais didáticos de um curso de 180h em tecnologias educacionais ofertado pelo Ministério da Educação, sendo dividido em duas etapas: a primeira, com 40h, objetivou preparar professores e gestores para utilizar computadores e internet; a segunda, com 140h, visou estimular professores a planejar e utilizar as tecnologias da informação e comunicação (TICs) na sala de aula.
Ainda segundo Chamarelli [29], após o referido encontro, os 230 formadores, oriundos de diversos estados do Brasil, repassaram os conhecimentos aos multiplicadores de seus respectivos núcleos. Na sequência, cada multiplicador ministrou o curso diretamente nas escolas da rede pública de cada estado da federação, formando assim uma grande rede de conhecimentos.
Os Núcleos de Tecnologia Educacional da Bahia funcionam nas cidades de Teixeira de Freitas, Itabuna, Jacobina, Barreiras, Jequié, Juazeiro, Feira de Santana, Alagoinhas, Paulo Afonso, Vitória da Conquista, Itaberaba, Guanambi, Santo Antônio de Jesus e Salvador. Nesta última encontram-se em funcionamento quatro Núcleos (Comércio, Estrada das Muriçocas, Av. Sete e Pituba). Resumidamente, são 04 (quatro) na capital e 13 (treze) no interior, que juntos constituem uma rede de experimentação em informática educativa e tecnologias audiovisuais [30].
Segundo a Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer [31], em Salvador, o NTE está vinculado diretamente à Coordenadoria de Ensino e Apoio Pedagógico (CENAP) e busca implementar a cultura tecnológica nas escolas da Rede Municipal, ampliando a concepção de tecnologia que não está limitada aos elementos digitais, mas que se relaciona com toda a criação humana.
Os Núcleos são dotados de infraestrutura de informática e comunicação, reunindo educadores e especialistas que discutem o uso das TICs na educação. Esses profissionais são especialmente capacitados para auxiliar as escolas em todas as fases do processo de incorporação das novas tecnologias [26].
Compete ao NTE: planejar e executar ações do Programa Nacional de Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado) para profissionais da rede estadual de ensino da Bahia e intermediar o contato entre as escolas e a coordenação regional do Programa no que tange às ações do ProInfo Laboratório, ambos programas do governo federal; desenvolver programas e projetos visando à inclusão digital dos profissionais da Educação; e promover demonstrações e experimentações em tecnologias educacionais, apoiando o desenvolvimento da Educação a Distância no estado da Bahia.
Entre os cursos ofertados pelo Proinfo para os professores-formadores dos NTEs, estão os seguintes [32]:
a) Introdução à Educação Digital - com duração de 40h, objetiva contribuir para a inclusão digital de docentes, capacitando-os para a utilização dos recursos e serviços dos computadores, além de levá-los a refletir sobre o impacto das tecnologias digitais nos diversos aspectos da vida e, principalmente, no ensino;
b) Tecnologias na Educação – com o subtítulo “ensinando e aprendendo com as TIC”, tem duração de 100h e visa oferecer subsídios teórico-metodológicos práticos para que os professores e gestores escolares possam compreender o potencial pedagógico de recursos das TICs no ensino e na aprendizagem em suas escolas;
c) Elaboração de Projetos – com duração de 40h, esse curso visa capacitar professores e gestores escolares para que possam: identificar as contribuições das TICspara o desenvolvimento de projetos em salas de aula; compreender a história e o valor do trabalho com projetos e aprender formas de integrar as tecnologias no seu desenvolvimento; analisar o currículo na perspectiva da integração com as TIC; planejar e desenvolver o Projeto Integrado de Tecnologia no Currículo (PITEC); utilizar os mapas conceituais ao trabalho com projetos e tecnologias, como uma estratégia para facilitar a aprendizagem;
d) Redes de Aprendizagem – com 40h, tem o objetivo de preparar os professores para compreenderem o papel da escola frente à cultura digital, dando-lhes condições de utilizarem as novas mídias sociais no ensino;
e) Projeto UCA (Um Computador por Aluno) – busca preparar os participantes para o uso dos programas do laptop educacional e propõe atividades que proporcionem um melhor entendimento de suas potencialidades.
Podem participar dos cursos supramencionados todos os professores e gestores das escolas públicas que sejam dotadas, ou não, de laboratórios de informática, além de técnicos e outros agentes educacionais dos sistemas de ensino responsáveis pelas unidades de ensino [32].
Desse modo, como declara a Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer [31], ao desenvolver uma proposta de trabalho baseada na teoria educacional de alguns pesquisadores da área da educação, séria e eficaz, o NTE traz contribuições significativas para professores/alunos/comunidade, no sentido de prepará-los para interagir com os suportes informáticos dentro do contexto pedagógico.
De acordo com a Secretaria Municipal da Educação, Cultura, Esporte e Lazer [31], o referencial teórico, ou teoria subjacente, que norteia a prática do NTE está embasado nas ideias de Lévy e dos teóricos psicogenéticos5, tais como Jean Piaget (1896-1980), Vygotsky (1896-1934), Leontiev (1903-1979), Luria (1902-1977) e Wallon (1879- 1962), que discutiram a construção do conhecimento como um processo contínuo, de construção/desconstrução, no qual o sujeito transforma e é transformado pelo objeto do conhecimento.
Todavia, cabe mencionar que essas teorias foram desenvolvidas numa época em que a aprendizagem não recebia influência das novas tecnologias, por isso, deve-se admitir que as práticas dos NTEs são fortemente influenciadas também pela teoria da conectividade, de George Siemens.
Para Lévy, a inteligência coletiva tem como escopo a valorização do saber individual e a aprendizagem mútua entre indivíduos e comunidades, que por meio das tecnologias computacionais podem experimentar possibilidades originais e únicas de criação e elaboração de conhecimentos [33]. Tal ideia de fato se coaduna com a proposta dos NTEs, uma vez que os professores-formadores, ao repassarem os conhecimentos adquiridos para os colegas, se aprimoram cada vez mais. A ideia é: quanto mais se ensina, mais se aprende.
No que diz respeito às contribuições das teorias psicogenéticas à educação, conforme ressalta Santana [34], a principal delas está na possibilidade de visualizar o sujeito na sua totalidade, compreendendo-o nos processos subjacentes à interação sujeito-objeto, em que a escola tem o papel de desenvolver o pensamento/capacidade de analisar do aluno.
A teoria da conectividade de George Siemens, ao lado das teorias psicogenéticas, destaca-se porque, para este autor:
A aprendizagem é um processo que ocorre dentro de ambientes difusos onde elementos centrais estão em mudança – que não estão totalmente sob o controle do indivíduo. A aprendizagem (definido como conhecimento aplicável) pode residir fora de nós (dentro de uma organização ou banco de dados), está focada em conectar conjuntos de informação especializada, e as conexões que nos permitem aprender mais tem maior importância que nosso estado atual de conhecimento [35].
As mudanças citadas acima ocorrem junto com a significativa evolução da sociedade contemporânea, que por sua vez se associa ao avanço das TICs, alcançando igualmente a educação, criando, como consequência, um novo ambiente de aprendizado. Nesse contexto, professores e alunos são confrontados com as exigências de absorver novas demandas e métodos de ensino, com o emprego de suportes tecnológicos inovadores.
Ainda de acordo com Coelho et al. [36], pela teoria de George Siemens, se o conhecimento está distribuído numa rede de conexões, a aprendizagem consiste na capacidade de construir essa rede e circular nela, desenvolvendo a capacidade de refletir, decidir e partilhar. Desse modo, a aprendizagem pode ser conduzida de forma mais autônoma.
2.3.2 Primeiros passos dos NTEs na era do conhecimento e as primeiras impressões dos professores cursistas
Os NTEs foram criados a fim de prepararem os professores para disseminar uma nova forma de pensar para outros professores, fazendo com que estes busquem moldar suas práticas pelas teorias de aprendizagem tradicionais, mas também pela teoria da conectividade, que é bastante atual.
Antes da criação dos NTEs, conforme aduz Quartiero [37], diversos autores se dedicaram com muita ênfase, a partir da metade dos anos 1990, à pesquisa de opiniões e a avaliações dos professores sobre os meios de ensino. Como conclusões dessas pesquisas, aponta a autora: a) que a maior parte dos professores aprovava o emprego de meios no processo pedagógico, mas não acreditava na possibilidade do seu uso generalizado, principalmente do computador; b) julgavam positivos os efeitos dos meios sobre as aprendizagens dos alunos; c) demonstravam preocupação com as mudanças que pudessem ocorrer no trabalho docente com a introdução dos meios.
A mesma pesquisa revelou a resistência de alguns professores em utilizar o computador como auxiliar do seu trabalho pedagógico sob dois aspectos: muitos se sentiam despreparados para realizar seu trabalho utilizando a informática, alegando que não tinham tempo para fazer todos os cursos que consideravam necessários, ou condições para comprar um computador; outros rejeitavam as TICs de uma forma definitiva, por verem como um potencial perigo para seus valores o uso de qualquer tecnologia que não tivesse sido utilizada por eles desde a infância e que tivesse passado a fazer parte da sua vida pessoal e profissional de maneira inicial [37].
Assim, o trabalho dos professores dos NTEs é também vencer a resistência dos seus colegas em aceitar a inclusão das TICs em suas práticas pedagógicas. No Brasil, pesquisadores como Valente [38], Basso e Fagundes [39] e Almeida [40] têm enfatizado que o propósito mais relevante dos NTEs não é formar professores de Informática, mas viabilizar a esses docentes o domínio instrumental do computador e da rede, tornando-os aptos a discutirem os propósitos e as condições fundamentais da plena integração das TICs na escola e em outras atividades humanas.
De acordo com Ponte [41], o que se deseja é levar os docentes a se questionarem: “de que forma esta tecnologia pode auxiliar meu trabalho? Até que ponto ela é capaz de transformar minha atividade, criar novos objetivos, processos de trabalho e modos de interação com os meus semelhantes?”. Almeida [40], por sua vez, acredita na possibilidade de superar as dificuldades dos docentes nesse sentido por meio do engajamento desses profissionais em processos de formação contínuos, associados à participação em comunidades de aprendizagem e subsidiados por teorias educacionais que permitam identificar para que atividades o emprego dessas TICs é mais adequado e tem maior potencial. Acredita-se que é justamente nesse mister que os NTEs estão sendo mais benéficos para os professores da rede municipal de ensino.
Para ser um professor-formador, os profissionais da educação realizam o Curso de Especialização em Tecnologia e Novas Educações, com duração de 400h, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) ou na Universidade Estadual de Santa Catarina (UESC).
Nesse curso, os professores têm a oportunidade de analisar as mudanças mais gerais ocorridas no processo histórico contemporâneo no campo da educação, especialmente no que se refere às TICs, bem como as implicações das políticas públicas brasileiras nos últimos anos, podendo formar, com isso, uma postura crítica diante dessas mudanças, articulando-as com uma práxis educativa ativa, propositiva e dinâmica [42].
O curso de Tecnologias Digitais na Educação de Jovens e Adultos – EJA, com duração de 120h, já é ministrado pelos professores-formadores aos colegas das escolas municipais. O objetivo do curso é qualificar os participantes para a utilização do computador e da internet como elementos mediadores na aquisição da linguagem. Conforme mencionado por Freire [43], os benefícios relatados pelos participantes desse curso são: a troca de experiência, a possibilidade de aprender e absorver os conhecimentos necessários a uma melhor prática docente, aprender a utilizar as novas tecnologias para incentivar os alunos e auxiliá-los na aprendizagem, entre outros.
O curso de Introdução à Educação Digital, por sua vez, de acordo com Bastos et al. [44], tem duração de 40h e é realizado da seguinte forma: os formadores dos NTEs planejam e realizam os encontros de formação com os professores e gestores nas escolas, utilizando os laboratórios de informática, de acordo com as condições específicas de cada escola, a demanda dos cursistas e outros fatores.
Tal curso beneficia os professores com a inclusão digital, tendo o objetivo de propiciar-lhes a oportunidade de: conhecer e vivenciar atividades com recursos básicos de computadores e internet; organizar conteúdos em vários tipos de textos; participar de atividades e experiências comunicativas e cooperativas de aprendizagem; refletir sobre propostas para dinamizar sua prática pedagógica e a vivência de seus alunos, entre outros benefícios [44]. A proposta do curso é enriquecer a experiência, a produção e a atuação de todos os professores, fazendo com que cada um deles
[...] mude sua própria postura e o modo como utiliza o computador, seja como ambiente tecnológico, como ferramenta mental, como ambiente social na hora de estudar, produzir, comunicar-se, interagir e trabalhar com os colegas e com os alunos na escola, de forma individual, em grupos e entre grupos [44].
O curso Ensinando e Aprendendo com as TICs, com duração de 100h, é ministrado nos próprios Núcleos, com divulgação, no caso da Bahia, pela Secretaria de Educação e pelo Instituto Anísio Teixeira. Nele são oferecidos subsídios teórico- metodológicos-práticos que permitam aos professores e coordenadores escolares a criação de condições de: compreenderem o potencial de recursos das TICs no ensino e aprendizagem; planejarem estratégias de ensino e aprendizagem integrando recursos tecnológicos disponíveis; e criarem situações de aprendizagem que levem os alunos à construção de conhecimento [45]. Segundo Tornaghi, Prado e Almeida [46]:
No curso de Introdução à Educação Digital, as atividades são realizadas, predominantemente, em encontros presenciais e focalizam um processo investigativo pessoal dos cursistas, buscando desenvolver uma cultura de uso e reflexão acerca das TICs. Na continuidade, o curso de Tecnologias na Educação: ensinando e aprendendo com as TICs proporciona a evolução da prática pedagógica, com atividades predominantemente a distância, que visam à aplicação dos saberes com turmas de alunos.
O que os professores-formadores esperam com a realização desse curso é que os professores cursistas sejam capazes de perceber o papel das TICs nos setores da cultura contemporânea, o que implica novas formas de letramento ou alfabetização (sonora, visual, hipermídia e outras) próprias da cibercultura, incorporando assim no currículo uma visão mais rica do conhecimento e da cultura [47].
O curso Uso pedagógico do computador na alfabetização, com duração de 120h, beneficia os professores cursistas ao lhes transmitir conceitos estruturantes, tais como: tecnologia, técnica, TIC, EAD, Ambiente Virtual de Aprendizagem e Plataforma Moodle. Também provoca a reflexão sobre o uso das tecnologias na educação e os habilita a conhecer e utilizar o ambiente virtual de aprendizagem Moodle [48].
Do curso Educando com as mídias (120h) podem participar professores com licenciatura plena em qualquer área, em cursos reconhecidos pelo MEC, que estejam vinculados às redes municipais e estaduais de educação, dando-se prioridade aos que estão em sala de aula. A proposta é contribuir para que as mídias sejam inseridas nas práticas educativas escolares, por meio da formação de professores, em nível de especialização, em uma perspectiva crítica autoral [49].
Segundo Barros [50], a introdução das diversas mídias nas práticas pedagógicas dos professores cursistas do Educando com as mídias trará mais dinâmica para as salas de aula. Para Machado [51], o maior ganho dos professores - que farão o uso de novas tecnologias de um modo proveitoso - é a perda do medo de experimentar junto com seus alunos, pois muitos dos cursistas não tinham habilidade para a internet e as novas TICs.
Quanto às Oficinas Linux Educacional 3.0, eventos com duração de 10h, são compostas de seis módulos: instalação do Linux Educacional, instalação de conteúdo educacional, configuração de rede, instalação de impressora, compartilhamento de arquivos como o Samba e Clonagem de discos UDPcast [52]. O objetivo é apresentar aos técnicos municipais e professores cursistas os procedimentos a serem adotados em situações de problemas com o sistema operacional Linux Educacional 3.0, qualificando- se, assim, um corpo técnico capaz de dar maior e melhor assistência às escolas no uso dos laboratórios ProInfo [52].
Deve-se ressaltar que, com exceção do curso de especialização oferecido pela Universidade Federal da Bahia para os professores-formadores, todos os outros cursos não têm caráter de continuidade, mas são realizados de acordo com a demanda. Os professores que se especializam pela UFBA são cadastrados nos NTEs de Salvador, sendo então designados para as escolas de acordo com as solicitações.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Iniciou-se este trabalho com o objetivo de verificar a relevância da implementação dos NTEs para os professores-formadores das redes municipais de ensino da Bahia, no que tange ao uso das TICs.
A pesquisa permitiu constatar que o cotidiano das formações no mundo atual exige a incorporação das novas formas de ser, de pensar e de agir, com a presença das TICs, com o intuito de tornar possível a construção de um novo modelo pedagógico que as inclua. Ou seja, é preciso transformar a escola, ao mesmo tempo em que sejam desenvolvidas práticas específicas que se voltem a modificar e reinventar maneiras de ser, nos mais diversos contextos de interação.
Nesse cenário, evidenciou-se que a educação pela pesquisa está ligada ao desafio de engendrar a própria capacidade de construir na educação, alicerçando-se no processo de pesquisa e formulação própria. Daí entender-se que a educação pela pesquisa é uma prática libertadora, baseada em novos fazeres pedagógicos fundamentados na interação educando-educador, educando-educando, na qual todos os envolvidos se tornam sujeitos da ação pedagógica. Tal tarefa tem se tornado mais fácil, na medida em que se utiliza a internet, que por sua vez permite a interatividade potencializadora da cooperação, a imaginação e o processo de aquisição de conhecimento.
Nesse contexto, as atribuições do professor-formador passam pela autoformação para chegar à formação de outros formadores, associando-se ao aparato que viabiliza a formação, desde as instituições, até as normas por estas impostas. A experiência de toda uma vida deve ser ressignificada em novos métodos que transformem o professor/formador em um mediador na construção do conhecimento, provocador de situações, que respeite os diversos saberes, que seja um agente de superações, auxiliando na aprendizagem de outros professores, estando alicerçado por mais de uma teoria da aprendizagem.
Assim, retoma-se o problema levantado nesta pesquisa, qual seja: qual a importância da implementação dos NTEs para os professores-formadores das redes municipais de ensino da Bahia, no uso das TICs? Ficou evidente que a ação dos NTEs promoveu a capacitação de professores/formadores aptos a refletirem sobre suas práticas antes, durante e depois da atuação. Ademais, ao se tornarem multiplicadores do conhecimento a respeito da utilização das TICs, os professores aprimoram a autoformação, pois quanto mais se ensina, mais se aprende, e ajudam os colegas a vencerem a insegurança e a resistência em modificarem suas práticas pedagógicas para incluir as TICs.
Pode-se concluir, em primeira instância, que são necessários métodos contemporâneos e eficazes que garantam uma formação de qualidade. Ademais, falar em linhas gerais sobre a educação e as tecnologias educacionais torna-se, para o presente estudo, uma forma de demonstrar em que proporção a utilização de tecnologias no âmbito educacional influencia na formação de professores atuantes em redes municipais de ensino, pois esses sujeitos educativos precisam de uma orientação para melhor desempenhar suas atividades, na busca de uma educação de qualidade. Nesse contexto educacional e tecnológico, o NTE revela-se tão importante quanto os métodos usados na formação.
Deve-se reconhecer a importância de se adequar os professores a esse novo ambiente de aprendizado do qual as TICs fazem parte, mas acredita-se que apenas o curso de especialização para formadores não é suficiente para mantê-los atualizados, haja vista que todos os dias surge uma nova tecnologia e, com ela, uma gama de informações.
Resta dizer que a educação atualmente passa por um período de transição muito intenso, e por isso é extremamente relevante dar a devida atenção a tudo quanto a esta se refere, desde as instituições de ensino formadoras, passando pelo seu corpo docente, até o desempenho dos alunos no âmbito escolar e o uso das tecnologias para melhor viabilizar a sua interação com um mundo cada vez mais informatizado.
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É uma inteligência distribuída por toda a parte, incessantemente valorizada, coordenada em tempo real, que resulta em mobilização efetiva das competências. [...] a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuo das pessoas, senão o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas [5].
Primeiro projeto público a tratar da informática educacional, originado do 1º Seminário Nacional de Informática na Educação realizado na Universidade de Brasília (1981). Volta-se para as escolas de 2º grau, e está interessado no desenvolvimento de novas metodologias de ensino, na promoção de uma aprendizagem mais ativa e significativa, numa educação básica de melhor qualidade.
Diretoria de Assessoramento Superior.
Cargos de subgerente.
Chamados teóricos interacionistas, entendem a gênese do comportamento humano na perspectiva interacionista, em que sujeito e objeto interagem em um processo que constrói e reconstrói estruturas cognitivas [34].

