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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO ORIGINAL

Antiquarismo, colecionismo e o surgimento embrionário da arqueologia: uma breve reflexão histórica

Jader Reis Monteiro1

 

Como Citar:

MONTEIRO, Jader Reis. Antiquarismo, colecionismo e o surgimento embrionário da arqueologia; uma breve reflexão histórica. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 1920-1929, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025113018

 

DOI: 10.61411/rsc2025113018

 

Área do conhecimento:

Ciências Humanas

Sub-área:

Arqueologia

 

Palavras-chaves: Teoria Arqueológica; História da Arqueologia; Antiquarismo.

 

Publicado: 5 de outubro de 2025

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Abstract

This article offers a brief analysis of how the Renaissance marked a transition in episteme and attitudes toward collecting practices, laying the ontological and epistemological foundations for the early stages of archaeology as an autonomous discipline. Through spaces such as studioli and cabinets of curiosities, artifacts gradually ceased to be regarded solely as relics and became objects of study. The main argument advanced here is that this epistemic shift was driven by two central factors: commercial expansion, which brought new wealth and exotic objects, and a changing perception of mortality, which transformed collecting into a legacy against the transience of time. It concludes that this new relationship with material culture - focused on classification and aesthetics at the expense of context - established the essentialist epistemological foundations that shaped archaeological thought in its formative phases.

Keywords: Archaeological Theory; History of Archaeology; Antiquarianism.

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    • Introdução

A Renascença viu um fervilhar de novas ideias e mudanças culturais em um curto espaço de tempo, isto não ocorreu de maneira diferente na relação do homem com sua cultura material, principalmente no que tange a objetos tidos como raros e tratados como relíquias. No entanto, a posse e recolha de itens considerados valiosos não era novidade durante o Renascimento, os chamados tesouros reais e particulares existiam há séculos. Há relatos - provenientes desde a antiguidade até a idade média - de grandes depósitos contendo relíquias, vasos de luxo, jóias entre outros objetos de valor e antiguidades [2.].

Para período em questão, no entanto, a historiografia utiliza para tal empreendimento o termo antiquarismo, atividade que se estende do século XIV, a princípio com compilações de textos escritos e os estúdios supracitados, passando pelo estabelecimento de gabinetes de curiosidades ao longo do séculos XV e XVII, ​​ a formação dos primeiros museus públicos e ​​ culminando nas mudanças de paradigma dos séculos XVIII e XIX com o estabelecimento das ciências naturais e de fundamental importância na formação da disciplina arqueológica [9.].

O termo, no entanto, não era utilizado no período anterior com o mesmo sentido, inserindo, portanto, o presente artigo como um breve contributo em uma discussão estabelecida na historiografia do colecionismo e do pensamento arqueológico.

Através de análise historiográfica do período e do tema, marca-se aqui, desta maneira, uma virada ontológica em relação aos períodos anteriores. Nomeadamente na separação entre tentativas incipientes de explicação do passado, desde o interesse pontual da antiguidade em cultura material à episteme medieval em relação ao pretérito, e o estabelecimento de ontologias e epistemologias que gradualmente e sistematicamente tentavam utilizar os artefactos como objeto para o entendimento histórico [10.].

 

    • Desenvolvimento e discussão

Ainda assim, tal virada não ocorreu subitamente. Neste momento e nos períodos que se seguiram, tanto a mística quanto o pensamento crítico faziam parte da explicação de fenómenos [2.]. Aos poucos a ontologia não mais lidava somente com o divino, surgiu gradualmente uma visão de mundo dominada pelas ideias de metamorfose e sentidos ocultos que englobava tanto o natural, o sobrenatural e o artificial [2.]. Destoando, portanto, da idade média, ainda que sendo encarado por vezes em diversos aspectos como sua continuidade, através uma nova maneira de se ler o mundo.

Esta virada de paradigma começou justamente com o advento dos studioli. O studiolo se desenvolveu a partir da ressignificação das coleções e tesouros já existentes e criação de novos cômodos do tipo, através de seu armazenamento em um estúdio construído ou atribuído propositalmente para tal fim. Tornando-o, assim, possuidor de uma natureza mais privativa e, portanto, inerente ao seu propósito que residia no estudo e contemplação de seu conteúdo. Este tipo de cômodo tornou-se muito popular na península itálica entre pessoas de posse e estudiosos a partir do século XIV em diante, sendo que o primeiro que se tem registro localizava-se em Treviso e pertenceu à Oliviero Forza, datando de 1335 [2.].

Ainda que tal estúdio representasse uma significante diferença de atitude em relação ao período medieval europeu - onde o acúmulo de cultura material pretérita se resumia, com escassas excepções, a itens de natureza religiosa - pouco mudara tanto em seu programa quanto em estrutura. Suas paredes o isolavam do mundo exterior representando, em um microcosmos, sua ordem simbólica e ressoavam ainda valorização da heráldica e a memória do canto gregoriano [2.].

Com a popularização destes cômodos, o período chamado de renascentista viu surgir um fervor e uma curiosidade entre os pensadores da época, não somente em relação ao passado e seus vestígios, mas também em relação à estrutura geral das coisas e da ordem cosmológica. Cada vez mais patronos e indivíduos particulares começam a recolher objetos e textos da antiguidade, com atenção especial à epigrafia e aquilo que poderiam traduzir em vernáculo [10.].

Assim, através dos séculos que constituíram o período supracitado, desenvolveram-se as visões que relacionam-se e remetem, ao que muitas vezes ainda consiste e se entende atualmente por arqueologia. Essas visões inicialmente se ativeram aos textos antigos e posteriormente começam a valorizar artefactos entendidos como sendo “excepcionais” e “únicos” [10.].

Paulatinamente, estes pensadores começaram a argumentar que, para além do estudo dos textos antigos, era importante estudar também as estruturas e os objectos relacionados a estas. Expedições às ruínas e sítios onde se sabia que haviam resquícios de sociedades antigas, especialmente aquelas datadas do período romano, se tornaram comuns não só na península itálica, mas também por todo o continente europeu. Este período também viu surgir a primeira “escola de arqueologia”2, financiada por Lorenzo de Medici (1449-1492), instituída em Florença [7.].

Este movimento levou a uma mistificação e fetichização do artefacto, que propulsiona neste momento, entre outros meios e actividades para sua obtenção, escavações com o intuito de reaver tais objetos de “luxo” ou exóticos, levou à criação e ampliação de coleções e antiquários particulares, muitos destes pertencentes à realeza, nobreza e pessoas abastadas.

A resignificação destes artefactos e a difusão da valorização de tais objetos viu ​​ surgir uma modalidade de turismo que impulsionou e foi impulsionada por este fenómeno como descrevem Durrani e Fagan: ​​ “A renascença [...] estimulou uma irrupção no colecionismo de antiguidades praticado por parte de cardeais e reis, como também nobres e senhores abastados ​​ com tempo livre de todos os cantos da Europa, levando-os a viajar pelas terras do Mediterrâneo à procura de aprendizado e prazer. Retornando para seus lares carregados de estatuária, pinturas e antiguidades clássicas de todos os tipos. Seus troféus adornavam gabinetes de curiosidades em suas localidades, pois naquela época, como hoje, viajantes buscavam souvenires como memorabília aprazível de suas jornadas. Em pouco tempo tornou-se tendência ser um antiquarista - um colecionista de objetos antigos e exóticos” [tradução própria]3 [3.] .

O colecionismo, porém, não se ateve somente aos mais ricos nem somente a objetos provindos de terras distantes. Antiquários provindos de uma recém formada “classe média”, nomeadamente membros do baixo clero, da burguesia e fidalgos, também possuíam suas próprias coleções. Para colocar em perspectiva como se difundiu na Europa tal actividade, há o relato de Hubert Goltzius que afirma que - até onde tinha conhecimento - existiam mais de 968 coleções e gabinetes de curiosidades espalhadas pelo continente em localidades que hoje compreendem países como: Alemanha, Áustria, França, Itália e Suíça [2.]. No mundo lusófono, temos tal exemplo em nomes como André de Resende e Fr. Bernardo de Brito, que se ocuparam da recolha e reconhecimento de vestígios da antiguidade clássica, em território potuguês, entre meados do século XV e finais do XVI [4.].

Muitos dos “colecionadores de origens mais humildes [,] voltaram suas atenções para a sua própria e familiar paisagem [...] [,assim] a investigação antiquaria tinha raízes não somente em uma ânsia pelo exótico, mas [também] em uma curiosidade natural acerca da paisagem e do passado” [tradução e inserções próprias]4 [3.].

Boa parte destas experiências antiquárias incipientes sobreviveram sendo absorvidas dentro de coleções maiores ou transformando-se em museus como será novamente referido nos parágrafos que se seguem. No entanto, diversas delas ou perderam-se, ou foram absorvidas sem o devido registo ou, a existência de tal documentação, ainda que realizada, fora extraviada.

Toma-se aqui como exemplo de tal facto, a suposta coleção D. Afonso filho do primeiro duque de Bragança, mencionada por Vilhena Barbosa na Introdução como constante na obra de Possidónio da Silva em Noções elementares de archaeologia (1878). Coloca-se como suposta por não se encontrar referenciada pelo primeiro, no que tange à sua fonte original ou ainda seu paradeiro, em qualquer outra obra posterior [4.]. A provável referência à qual utilizou Barbosa para citar tal coleção, no entanto, encontra-se na obra de António Caetano Sousa, História Genealógica da Casa Real Portugueza, Livro V [8.].

Qualquer que seja a classe social das quais sejam oriundas tais coleções, entretanto, houve durante a modernidade uma grande difusão de coleções, dado o aparecimento de antiquários e gabinetes de curiosidade que se espalharam por todo o continente europeu, culminando eventualmente na criação dos primeiros “museus” do mundo [10.].

Utilizando-se do conceito num sentido lato, a actividade de recuperação de vestígios do passado passou por um período “em que a arqueologia, como disciplina dos monumentos mudos, dos rastros inertes, dos objetos sem contexto e das coisas deixadas pelo passado, se voltava para a história e só tomava sentido pelo restabelecimento de um discurso histórico” [5.].

Posto isso, porém, a simples curiosidade pelo passado não explica porquê somente na modernidade a atividade ganhou o impulso que teve neste período, afinal, como dito anteriormente, coleções e tesouros não eram novidade à época.

Durante o Renascimento, uma era marcada pelo ressurgimento do interesse nas artes, ciências e cultura clássicas, figuras proeminentes renascentistas demonstraram um notável fascínio pela arqueologia. Esse interesse não era meramente antiquário; era uma busca por conhecimento que poderia ser aplicado na contemporaneidade. Esses estudiosos viam na arqueologia uma janela para entender a ciência e a técnica do passado, com a intenção de adaptar esse conhecimento para resolver desafios do seu tempo.

Neste momento a sociedade também ganhava um aspecto mais mercantil e semelhante ao que compreendemos como sistema capitalista. Impulsionadas em grande parte pelas “grandes navegações”, curiosidades de todas as partes do mundo chegavam ao continente causando grande comoção. A partir de fins do século XV e inícios do século XVI, a Europa vivia um fervilhar nunca antes visto, impulsionado - desta forma - por dois distintos fatores, material e espiritual [2.].

O primeiro fator é causado, resumidamente, pela “expansão do conhecimento no século XVI [que] exigia novas respostas, novas abordagens para os novos fenômenos.[...] Com os impérios comerciais como as repúblicas holandesa e veneziana [bem como o império português], surgiu uma riqueza sem precedentes, outro factor crucial para uma florescente cultura de colecionador. Para tirar objectos de circulação, ou para se dedicar à procura de coisas ‘inúteis’, era preciso dispor de tempo e de recursos. De facto, as coleções progrediram em toda parte onde o comércio floresceu” [inserções próprias] [2.].

O segundo fator é uma mudança de episteme. Tal modificação está compreendida na maneira de se perceber a morte e o mundo material. Enquanto o medievo via a morte como uma transição entre o mundo físico e o espiritual - condição evidenciada por espetáculos públicos comumente ritualizados e tratados como parte do plano divino - a era moderna, por sua vez, é, especialmente durante o século XVI, marcada na relação com a mortalidade e com bens mundanos, por uma noção de fulgaridade e impermanência. Em tudo aquilo que estava relacionado à vida e à morte dentro de uma ontologia cristã medieval como o eterno ciclo da criação divina, via-se agora o próprio germe de degeneração e decadência que ocorre com o passar do tempo [2.].

Em cada objeto e obra de arte, havia incutida a noção da transitoriedade da vida, ​​ seja através de representações figurativas da passagem do tempo nestes últimos, com representações de ampulhetas, crânios e velas acesas, ou nos primeiros, com a especulação da antiguidade dos mesmos marcada por seu decaimento natural [2.]. Para os colecionistas, “a consciência da mortalidade dos esplendores do mundo apenas os estimulava a fazerem de suas coleções testamentos para as futuras gerações” [2.].

 

 

    • Considerações finais

Neste contexto o antiquarismo passou por um grande desenvolvimento ao longo do período moderno, passando de mera curiosidade focado nas características intrínsecas do artefacto, colocando-o em ordem de complexidade inspirada em uma cosmovisão da antiguidade clássica do sistema das idades.

Tal posicionamento é claramente visto nos escritos antiquaristas e histórico culturais em seu período inicial, os quais focavam nos atributos, descrição e classificação de diversos artefactos [10.,6.]. Possuindo então, por definição, uma postura, em relação ao seu objeto de estudo, essencialista ao assumir e atribuir classes e tipos à cultura material. Esta predileção pelo artefacto, sem na grande maioria das vezes, considerar o seu contexto é um reflexo de uma escolha feita tanto no objeto de estudo quanto no objetivo daquilo que viria a ser o embrião da arqueologia.

O essencialismo, portanto, se encontra muito presente, como referido anteriormente, no estabelecimento de tipologias e na epistemologia dos artefactos. Contudo, apesar de existir esta condição inicial que é enviesada em favor de um objetivo claro na recuperação de artefactos e que desta derivaram, há que considerar que: “Não há nada intrinsecamente ruim em se utilizar a morfologia de artefatos como base classificatória, assim como não há garantia de que aspectos tecnológicos serão altamente informativos. Tudo vai depender do tipo de pergunta que se quer responder, que em última análise vai se relacionar com o arcabouço teórico do analista.” [1.]

Assim sendo, “a concorrência movida pelos vestígios esteticamente relevantes ​​ ou portadores de registos escritos é notória” [4.] - em detrimento de dados que poderiam ter sido obtidos a partir de outras fontes de interesse arqueológico [4.] - é presente na epistemologia adotada à época e consequência direta dela.

Estavam, portanto, nesta mudança de episteme e paradigma, lançadas as bases ontológicas e epistemológicas que culminaram no estabelecimento da arqueologia como campo independente do conhecimento e as quais, até os dias atuais, ainda influenciam a disciplina.

 

    • Declaração de direitos

 O autor declara ser detentor dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do autor, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade do autor.

 

    • Referências

  • ARAÚJO, Astolfo Gomes de Mello. Por uma Arqueologia Cética: Ontologia, Epistemologia, Teoria e Prática da Mais Interdisciplinar das Disciplinas. Curitiba: Appris, ISBN 978-8553700929, 2019.

  • BLOM, Philipp. To Have and To Hold: An Intimate History of Collectors and Collecting. New York: Overlook Press, ISBN 978-1585675616, 2004.

  • DURRANI, Nadia; FAGAN, Brian M. A Brief History of Archaeology: Classical Times to the Twenty-First Century. 2. ed. London: Routledge, ISBN 978-1138657076, 2016.

  • FABIÃO, Carlos. Para a História da Arqueologia em Portugal. Penélope: Fazer e desfazer a história, Lisboa, ISSN 0871-7486, n. 2, fev. 1989.

  • FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. Tradução de Luiz Felipe Baeta Neves 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, ISBN 978-8521803447, 2006.

  • FUNARI, Pedro Paulo A. Arqueologia. São Paulo: Contexto, ISBN 978-8572442510, 2003.

  • LANGER, Johnni. As Origens da Arqueologia Clássica. Revista do Museu de Arqueologia e Etnologia, São Paulo, ISSN 2448-1750, v. 9, p. 95–110, 1999. Disponível em: https://revistas.usp.br/revmae/article/view/109344. Acesso em: 17 set. 2025.

  • SOUSA, António Caetano de. História Genealógica da Casa Real Portugueza: Desde a Sua Origem até o Presente, com as Famílias Ilustres que Procedem dos Reis e dos Sereníssimos Duques de Bragança. Volume 3, Lisboa: Na Officina de José António da Silva, 1735–1749: Academia Portuguesa de História, ISBN 978-9895542994, 2008. (Edição fac-similada da obra original publicada em 1735-1749).

  • SWEET, Rosemary. Antiquaries: The Discovery of the Past in Eighteenth-Century Britain. London: Hambledon Continuum, ISBN ‎ 978-1852853099 , 2004.

  • TRIGGER, Bruce G. A History of Archaeological Thought. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, ISBN 978-0521840767, 1996.

     

1

Universidade NOVA de Lisboa-FCSH, Lisboa, Portugal. Email: [email protected]

2

​​ Note-se que o termo se encontra com aspas pois escola de arqueologia no século XV não tinha o mesmo sentido que possui hoje.

3

​​ “The Renaissance also stimulated an upsurge in the collecting of antiquities by cardinals and kings, as well as by wealthy nobility and gentlemen of leisure from throughout Europe, who traveled to Mediterranean lands in search of learning and pleasure. They returned home laden with statuary and paintings, and with classical antiquities of all kinds. Their trophies adorned cabinets of curiosities at home, for then, as now, travelers sought souvenirs as pleasant reminders of their travels. Soon it became fashionable to be an antiquary— a collector of things ancient and exotic.” [3.].

4

​​ “humble collectors turned their attention to their own familiar countryside. This form of antiquarian inquiry had its roots not only in a lust for exotica, but in a natural curiosity about the landscape and the past” [3.].


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