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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
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ARTIGO  ​​ ​​ ​​​​ ORIGINAL

Ensaio sobre proposições adornianas a partir da obra Dialética do Esclarecimento

Elaine Ferreira Vidal1; Eliane Ferreira Vidal 2; Diogenes José Gusmão Coutinho3

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Como Citar:

VIDAL, Elaine Ferreira; VIDAL, Eliane Ferreira; COUTINHO, Diogenes José Gusmão. Ensaio sobre proposições adornianas a partir da obra Dialética do Esclarecimento. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.804-815, 2025.

https://doi.org/10.61411/rsc2025102518

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DOI: 10.61411/rsc2025102518

 

Área do conhecimento: Ciências Humanas.

 

Palavras-chaves: Dialética do Esclarecimento; Racionalidade Instrumental; Dominação.

 

Publicado: 15 de abril de 2025.

Abstract

The propositions presented through the work Dialectic of Enlightenment are an invitation to reflect on the relationships of domination present in the social context. Enlightenment, originally intended for human liberation, has become an instrument of domination and social control. Instead of promoting the autonomy of the individual, scientific rationality transformed into a tool of power, reducing the complexity of the world to laws and numbers, similar to mythical thinking that sought to explain reality through dogmas.

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1.Introdução

 As proposições apresentadas através da obra Dialética do Esclarecimento é um convite à reflexão sobre as relações de dominação existente no contexto social. O esclarecimento, originalmente destinado à libertação humana, tornou-se um instrumento de dominação e controle social. Em vez de promover a autonomia do indivíduo, a racionalidade científica transformou-se em uma ferramenta de poder, reduzindo a complexidade do mundo a leis e números, à semelhança do pensamento mítico que buscava explicar a realidade por meio de dogmas.

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2.Metodologia

Embora um ensaio seja, por natureza, mais reflexivo e argumentativo, ele ainda exige uma estrutura clara e bem definida. Neste sentido, o objetivo deste texto é explorar de maneira crítica e argumentativa a obra Dialética do Esclarecimento [2]. Utilizando os conceitos e teorias que Adorno desenvolve ao longo do livro, recorremos à pesquisa bibliográfica para embasar a discussão teórica que estamos propondo.

A ideia é apresentar uma reflexão sobre as proposições de Adorno, ao mesmo tempo em que buscamos estabelecer um diálogo com outros autores que também utilizam sua obra, ampliando as conexões com diferentes áreas do conhecimento. A escolha da abordagem metodológica [7], está baseada na natureza filosófica do estudo e se dará a partir da revisão da literatura, com destaque para as contribuições de Adorno e Horkheimer [2], que propõem uma reflexão sobre a racionalidade e o esclarecimento, bem como os impactos dessas ideias nas estruturas de poder. Além disso, buscamos em autores como Barbosa [3], Bergo e Gomes [4] e Dias [5], um diálogo como as proposições adornianas e suas aplicações no âmbito da educação, como propõe Teixeira Filho [12] e da tecnologia, como defende Latour [10].

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3.Desenvolvimento e discussão

 Dialética do Esclarecimento [2] é um dos livros de grande importância do século XX que tem como tema central a Teoria Crítica da escola de Frankfurt. ​​ Escrito por ​​ Theodor W. Adorno em coautoria com Max Horkheimer, é um texto intenso, denso, de linguajar e conceitos rebuscados, que faz menção a diversos autores, filósofos, histórias, mitos e lendas. Suas questões abordam temas filosóficos, sociológicos e culturais para discutir como a razão, que deveria levar à libertação, distanciou-se de seu propósito emancipatório e passou a ​​ ser um mecanismo de controle [1]. Os autores traçam o paralelo entre esclarecimento e mito; argumentam sobre a produção cultural padroniza e impede o pensamento crítico; e, apesar de apresentar um olhar contrário às relações do mundo dominado pela razão instrumental, sugerem que há espaços de resistência por meio do pensamento filosófico e a pela arte autônoma. Apesar da sua complexidade filosófica, propomos aqui um breve ensaio sobre o conceito de esclarecimento que se alicerçam a partir das proposições dos autores.

Escrito em 1947, durante a Segunda Guerra Mundial, no período em que seus autores, Theodor Adorno e Max Horkheimer, estavam exilados nos Estados Unidos, o livro argumenta que o Esclarecimento, ao se tornar instrumentalizado, acabou servindo aos interesses do Fascismo, especialmente na Alemanha Nazista. Em vez de promover o aprimoramento moral da sociedade por meio do intelecto e da divulgação científica, como era sua intenção original, o Esclarecimento passou a ser um instrumento de controle social e de enfraquecimento das relações individuais. Dessa forma, o conceito se contradiz, pois aquilo que deveria libertar o indivíduo tornou-se um meio de sua submissão.

Para os autores, o esclarecimento, que deveria ser o processo que liberta os homens do medo e os torna senhores da natureza, frente ao conceito de racionalidade instrumental, transformou-se em um projeto de dominação da natureza e dos homens. A busca pelo conhecimento se tornou uma busca pelo poder, e como expõe Latour [10], a própria ciência que tem como princípio a verdade objetiva, se tornou uma ferramenta a serviço da economia e da política.

A ciência moderna, ao buscar explicações racionais para tudo, acabou "desencantando" o mundo. Os antigos gregos, por exemplo, explicavam os fenômenos naturais através de mitos e deuses, enquanto a ciência moderna busca leis e regras universais para compreendê-los. Esse processo trouxe avanços inegáveis, mas também levantou questionamentos sobre a desumanização do conhecimento e a possível incompletude da visão científica.

Esse paradoxo se intensifica ao tentarmos argumentar sobre os limites da racionalidade utilizando os próprios métodos científicos. Essa contradição foi amplamente discutida por pensadores como Adorno e Horkheimer, que no livro Dialética do Esclarecimento, apontaram como o Esclarecimento, ao se tornar excessivamente instrumental, pode levar a uma forma de dominação e alienação, afastando-se de sua promessa inicial de libertação humana. O esclarecimento é um processo de apreensão conceitual do mundo com vistas à liberação da submissão do homem à natureza [7].

No entanto, apesar da importância da ciência, com seu rigor e objetividade, não ser suficiente para oferecer uma compreensão total da realidade, quais outras formas de conhecimento poderiam complementar essa visão? A arte, por exemplo, permite expressar dimensões subjetivas e emocionais que escapam ao método científico. A filosofia questiona os próprios fundamentos do conhecimento e propõe reflexões que transcendem a lógica empírica. Até mesmo certas abordagens religiosas e espirituais oferecem narrativas que ajudam a construir sentido para a existência humana.

Dessa forma, embora a ciência tenha "desencantado" o mundo ao substituir explicações míticas por teorias baseadas na razão, isso não significa que ela deva ser vista como uma forma única e absoluta de compreender a realidade. Pelo contrário, integrar diferentes formas de conhecimento pode proporcionar uma visão mais rica e abrangente do mundo e da condição humana.

Tanto o esclarecimento quanto a filosofia que o precedeu, buscaram reduzir a complexidade do mundo a princípios simples e universais. Essa busca pela unificação se manifesta pela redução de tudo aos números e às leis, desprezando nuances e diversidade. Apesar do pensamento pré-filósofico, em algumas circunstâncias, ser ​​ baseado em mitos e narrativas religiosas, ​​ não deixa de ser filosófico, ​​ pois desempenha um papel fundamental na busca pela compreensão da realidade e já envolvia reflexões sobre existência humana, as questões relacionadas à ​​ moral e também à natureza, mesmo que de com uma abordagem de forma diferente da filosofia sistemática que veio depois.

Por outro lado, muitas questões fundamentais ultrapassam os limites do rigor científico. A ciência moderna, mesmo reconhecida como uma poderosa ferramenta para explicar a natureza do mundo, não é capaz de responder a ​​ todas as questões da humanidade. No contexto das proposições de Adorno, tanto no campo científico, quanto no campo filosófico a visão simplificada e reducionista da realidade, desconsiderando a riqueza e a complexidade do mundo que nos cerca. Para o esclarecimento, então, tudo que não se reduz aos números, e por fim a uma unidade, não passa de mera ilusão.

Uma vez que seus objetivos eram os mesmos, explicar o mundo, Adorno e Horkheimer falam sobre como as ritualísticas religiosas, os deuses, e as doutrinas se convertem em esclarecimento. Os mitos, agora vítimas do esclarecimento, são também fruto dele. E nesse movimento tanto a magia quanto o esclarecimento se destacam como formas de alienação da realidade, cada qual com seus próprios artifícios. Na magia, a alienação ocorre através da identificação com forças sobrenaturais, levando a uma percepção do mundo onde fenômenos naturais são atribuídos a entidades místicas e divinas. Já no esclarecimento, a alienação se dá pela redução da natureza a um objeto de cálculo e controle. A ciência, ao buscar a objetividade e a universalidade, desconsidera a singularidade e a complexidade dos fenômenos naturais, levando a uma visão fragmentada e reificada da realidade.

A reificação da realidade é resultado de uma alienação específica que surge quando a ciência fragmenta e simplifica os fenômenos naturais a ponto de transformá-los em meros objetos manipuláveis, afastando o ser humano de uma experiência mais integrada com o mundo. Essa alienação vai além do campo filosófico e passa gerar impactos sociais, pois restringe a forma como as pessoas percebem e se relacionam com a realidade. No entanto, só podemos a existência da alienação de fato quando há o distanciamento do indivíduo da realidade, pois tanto a magia quanto ​​ esclarecimento podem criar interpretações distorcidas ou simplificadas em relação às experiências humanas – a magia a partir da realidade dominada por forças invisíveis e o esclarecimento pela visão reducionista baseada em cálculos e previsibilidade.

Até que ponto se percebe a ideia de que o esclarecimento e a ciência representariam um avanço em relação à magia e à mitologia? Segundo os autores, a ciência herda muitos dos traços desses sistemas, como a busca por um controle total da natureza e a tendência a reduzir a complexidade a esquemas simplificados. Nesse sentido, não há investigação científica desinteressada, nesta análise entendemos a técnica como dependente da realidade histórica e vinculada aos processos sociais, por isso seu caráter paradoxal: pode libertar os homens, assim como pode ser forma eficiente de dominação [11].

Então, apesar de parecerem inicialmente opostos, tanto mito como esclarecimento compartilham raízes comuns, são dois lados de uma mesma moeda, e se perpetuam mutuamente. O mito ao reduzir tudo ao destino de que não se pode fugir. E o esclarecimento ao reduzir tudo às leis universais, igualmente inevitáveis. Mito e esclarecimento possuem uma relação mais complexa que uma simples oposição, mas ambos têm como princípio a ordenação e explicação da realidade a partir da interpretação do mundo. Para o mito o mundo se estabelece em meio a narrativa simbólicas e sobrenaturais, em que as forças divinas regem a integração entre o indivíduo e o universo. Por outro lado, o esclarecimento reduz os fenômenos às relações de causa e feitos e elimina os elementos sobrenaturais, passando a explicar a realidade a partir da ciência e da racionalidade. Os argumentos de Adorno e Horkheimer refletem sobre como o esclarecimento se tornou, paradoxalmente, uma forma de dominação, semelhante ao mito.

Esses sistemas utilizam, desde suas origens mais primitivas, a linguagem como seu instrumento de dominação e de poder, de modo a legitimar seus próprios conceitos e dogmas, e buscando consolidar e perpetuar suas estruturas. Ao tentar sobrepujar o mito, o esclarecimento reproduz muitos de seus mecanismos e cai em contradição, pois ao tentar destruir o mito, o esclarecimento acaba por reforçá-lo, e se encontra incapaz de realmente simplificar toda a existência sem estes artifícios.

Ainda que mais sutilmente, a ciência então ao buscar a objetividade, pode ser utilizada para justificar e perpetuar a desigualdade social, e se faz cumplice do aprisionamento do homem. Ela não apenas descreve a realidade, mas também a constrói através da linguagem. Linguagem esta utilizada pelos grupos dominantes a serviço de seus interesses. Essas proposições se perpetuam ainda nos tempos atuais, pois apesar de da característica de imparcialidade a ciência pode ser usada como forma de reforço das desigualdades sociais, sobretudo quando os avanços e descobertas que surgem a partir dos pressupostos científicos, são moldados por interesses dos grupos dominantes.

A dialética pode então ser percebida entre o sagrado e o profano, entre o sujeito e o objeto, e entre a natureza e a cultura. E observam como a tentativa de dominar a natureza e de encontrar uma explicação racional para o mundo leva a uma alienação crescente do homem em relação a si mesmo e ao mundo natural. Para Eliade [6] a dualidade entre Sagrado e do Profano pode ser interpretada como uma forma de oposição dinâmica, que a partir das proposições de Adorno e Horkheimer [2] se estabelecem a partir da transformação das coisas em mercadorias, dando espaço para um mundo desprovido de sentido.

Seguindo nesta linha de comparação, a magia, a mitologia, o esclarecimento e a ciência são vistos como diferentes formas de lidar com a realidade, mas todas elas carregam em si as sementes da dominação e da alienação, cada qual com seus próprios métodos e nuances. Tanto a magia como o esclarecimento compartilham um objetivo comum por dominar a natureza e o mundo.

E como seria de outra forma, se o esclarecimento nominalista por se deter nos nomes e conceitos particulares, negligencia a dimensão histórica e social das ideias? O positivismo ao encarar apenas os fatos observáveis e a experimentação científica como caminhos válidos fomenta uma negação determinada. A pura negação da religião e mitologia que não permitiria então uma análise crítica das representações, identificando suas limitações e suas relações de poder, imperfeições e abstrações.

Adorno expressa que Hegel bem tentou distinguir o esclarecimento do positivismo, mas ao demonstrar um processo absoluto e irredutível, acabou ele mesmo por desqualificar seu método, e reduzindo ele próprio à mitologia, em um processo pré determinado que encerra em si mesmo. A visão positivista da ciência restringiria o pensamento e a busca por conhecimento a uma mera reprodução dos fatos constatáveis e sem que se busque entender ou interpretá-los propriamente dito. E esta excessiva objetividade e neutralidade, aspecto intrínseco do pensamento científico, leva a uma alienação do sujeito pensante e a realidade deveras simplista. Nesse contexto, a obra Crítica da Razão Pura de Kant [8], datada de 1781, é utilizada por Adorno e Horkeimer para propor uma reflexão sobre a argumentação de que ao limitar o conhecimento humano ao fenômeno observável e reproduzível e ao negar a possibilidade de se conhecer a coisa em si, contribui para essa visão limitada da realidade. O que se pesa um tanto a mais, uma vez que, o próprio Kant era ele defensor da razão crítica que se estabelece a partir de seus próprios limites antes de formular juízos sobre o mundo.

O mundo moderno, mascarado de racional e esclarecido, está, em verdade, dominado por forças semelhantes às forças mitológicas. Segundo Kant [9], ainda estamos em um tempo por se esclarecer, não pode falta de inteligência, mas pelo medo de usar a razão com autonomia.

A abstração para a ciência se igualaria a um evento mítico de repetição e já predefinido. Não há nada de novo, uma vez que não se pensa em nada de um modo novo, tudo é pensado segundo os padrões e critérios já determinados. A questão central reside no fato da coisa nova emergir sem a necessidade de uma ruptura com o modo de pensar se efetivar. Sendo, em contraponto, essa ruptura a representação da possibilidade de ocorrer o impulsionamento das transformações do mundo e dos elementos que o constitui.

A busca pela eficiência e o domínio da natureza, características do pensamento científico e da sociedade industrial, levaram a uma alienação do indivíduo e à transformação das relações humanas em relações de poder e dominação. A racionalidade instrumental, ao invés de libertar o homem, o aprisiona em um sistema que o reduz a um mero objeto de produção e consumo. A busca pela autoconservação, elevada à condição de princípio supremo, leva à negação da subjetividade e da singularidade humana.

Neste sentido, se referem ao processo em que a sociedade moderna, ao tentar escapar da irracionalidade do mito, acabou por criar uma nova forma de irracionalidade, baseada na lógica da eficiência e da dominação. A racionalidade, ao se tornar um instrumento de controle social, perde sua capacidade de questionar e transformar a realidade. Daí resulta a alienação do indivíduo que advém do processo mecanicista que o molda como sociedade homogênea e consumista. Essa alienação do pensamento leva à criação de sistemas de dominação que, embora se camuflem como sendo racionais e objetivos, são na verdade baseados em interesses particulares dos dominantes e em seus mecanismos de poder.

Ao perseguir a dominação total da natureza, a todo custo, culminou na perda da capacidade de se experimentar o mundo de forma autêntica. A razão ao se converter em instrumento de dominação, desconhece a capacidade de questionar e de se autorrefletir. Não se vê necessidade em pensar criticamente e refletir muito a respeito dos processos da sociedade moderna, os dominados deixam-se dominar, pois sua vida aparenta estar facilitada e melhorada pelos mesmos processos que os subjugam.

Os instrumentos de dominação, sejam eles armas, linguagem ou mesmo as máquinas, devem estar ao alcance de todos para que efetivamente aconteça a dualidade em que os mesmos mecanismos que têm o potencial de libertá-los seja o que os aprisionam. Estes mecanismos de controle das massas, e de repressão do indivíduo, encerrando-o em um processo onde “ter é ser”, ainda se mostra atual e contemporâneo.

A política, a mídia, a economia, todos estes utilizam deste mesmo modus operandi. Desencorajam os indivíduos do pensamento crítico ao levá-los a crer que eles já pensaram o suficiente, que tudo já foi pensado por eles, e que a grande prova de que são importantes é justamente o fato de eles terem a possibilidade de terem disponíveis os mesmos instrumentos de dominação que os dominam. Que sua importância está justamente em serem parte de uma universalidade. E esta universalidade não admite individualidades. As individualidades e pensamentos críticos são desacreditados.

De modo geral, a análise das proposições de Adorno, ​​ partir da Obra Dialética do esclarecimento, desencadeia um alerta sobre o aprisionamento do indivíduo nos sistemas de dominação e alienação. Longe de serem opostos absolutos, o esclarecimento e o mito coadunam em uma lógica de controle sobre a realidade. Aí reside a crítica de Adorno que em meio às narrativas simbólicas ou às imposições de leis universais, a sociedade se molda a partir da racionalidade técnica, não apenas a ciência, mas também pelas relações humanas, culturais e políticas. Sendo fundamental a reflexão sobre os limites da racionalidade, para que o resgate da subjetividade, da autonomia e do pensamento humano possam transcender aos mecanismos de controle impostos pela própria modernidade.

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4.Considerações finais

A partir da crítica apresentada por Adorno e Horkheimer na obra Dialética do Esclarecimento, podemos refletir sobre as relações históricas e epistemológicas que transformam a razão, inicialmente voltada para a emancipação humana, em instrumento de controle e dominação. A ideia de que o esclarecimento, ao invés de promover a autonomia do indivíduo, acaba reforçando as estruturas de poder é norteador na compreensão da dinâmica de alienação ​​ e dominação.

Nos dias atuais, as relações sociais continuam a serem moldadas pelos propósitos estabelecidos a partir da racionalidade instrumental. Se antes o esclarecimento podia ser confundido com a busca pela verdade universal e libertadora, hoje se manifesta como mecanismos de controle. Nesse contexto, o presente ensaio representa o disparador para questionamentos sobre o cerne da liberdade humana, sobre a perpetuação da alienação e, sobretudo, uma busca pelo estímulo da consciência crítica que a possibilidade de rompimento com os padrões impostos dê lugar à autonomia do pensamento, levando ao esclarecimento de fato.

A reflexão proposta, além de resgatar a crítica ao esclarecimento apresentada por Adorno e Horkheimer, contribui para que seja reconhecida como importante ferramenta para a atualidade. Se por um lado a racionalidade tecnológica e científica, podem reduzir a complexidade do mundo e ser compreendida como uma forma de aprisionamento, o resgate da autonomia do pensamento crítico é a maneira de se alcançar a possibilidade de emancipação. Assim, o esclarecimento se despi do rótulo de conquista da razão para dar lugar ao processo dialético e crítico ​​ de desconstrução das estruturas que promovem a alienação e dominação.

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5.Declaração de direitos

 O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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6.Referências

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1

Christian Business School (CBS), Orlando, US.

2

UNIASSELVI, Rio de Janeiro, Brasil.

3

Christian Business School (CBS), Orlando, US.

 

 

 


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