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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Os fatores de risco associados ao desenvolvimento de burnout entre os profissionais da segurança pública/ militares: uma revisão de literatura

Nábil Chaves da Silva1

Como Citar:

DA SILVA, Nábil Chaves. Os fatores de risco associados ao desenvolvimento de burnout entre os profissionais da segurança pública/ militares: uma revisão de literatura. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5612-5628, 2024.

https://doi.org/10.61411/rsc202481617

 

DOI: 10.61411/rsc202481617

 

Área do conhecimento: Ciências Humanas.

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Palavras-chaves:  ​​​​ Síndrome de Burnout. Policiais. Sintomas e sinais.

 

Publicado: 21 de novembro de 2024.

Resumo

A segurança pública é realizada por agentes policias, e a síndrome de burnout acomete muitos profissionais da segurança. Já que a síndrome pode ocasionar sintomas sérios e sinais, como ansiedade, depressão, cansaço, entre outros sintomas e sinais. Assim, esse trabalho tem por objetivo de identificar a relação da síndrome de burnout em policiais assim apresentando como podem influenciar nas atividades laborais dos policiais. Foram verificados diversos artigos, monografias e documentos sobre a síndrome em policiais militares, por meio do google acadêmico, utilizando a delimitação da data entre os anos de 2004 a 2024. Sendo possível concluir que é de extrema importância uma assistência psicológica para os profissionais da polícia militar, em razão da sua profissão ser muito desgastante e exaustiva, ocasionando desordens psíquicas em razão de sua atividade profissional, porém é preciso que haja mais estudos sobre a relação da síndrome com as atividades policiais, necessitando maior atenção do setor público de saúde para essa população.

 

 

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1.Introdução

Segundo Silva; Vieira apud Boçon [1], a polícia militar surgiu durante o período do Brasil Imperial com o objetivo de manter a ordem pública e prevenir problemas. No reinado de D. Pedro I, as províncias não tinham recursos suficientes para garantir a segurança, sendo a criação da Polícia uma solução para essa questão. A Lei de 10 de Outubro de 1831, sancionada por Dom Pedro II, estabeleceu as bases originais dessa instituição.

Aguiar e Santana [2], descrevem que a Polícia Militar, como entidade é responsável por ações visando resguardar a sociedade, enfrenta o desafio de adaptar-se à nova realidade democrática pós-regime de exceção. Sob a égide da Constituição de 1988, a instituição passou a atuar em conformidade com os direitos fundamentais individuais e coletivos, diferente do seu papel anterior de restringi-los.

A atuação policial, por natureza, costuma ser vista como uma fonte intrínseca de estresse. No entanto, são principalmente os fatores estressores organizacionais que se destacam como os principais desencadeadores de sintomas psiquiátricos. Estudos apresentados por Arial et al [3] que foram realizados com policiais suíços indicam que 11,9% dos problemas de saúde mental estão associados à falta de apoio dos superiores e da instituição, percepção de baixa qualidade no trabalho, horários inadequados, exigência mental/intelectual elevada, idade e queixas sobre o ambiente de trabalho. Os estressores organizacionais são mais prevalentes do que os ligados às atividades de policiamento entre os policiais do Reino Unido, sobretudo quando relacionados a conflitos entre trabalho e família, sobrecarga de trabalho e carência de apoio da chefia [3, 4].

Portanto, o presente trabalho tem por objetivo identificar a relação entre a atividade policial e o desenvolvimento da Síndrome de Burnout.

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2.Metodologia

A metodologia para este trabalho é uma revisão bibliográfica utilizando o Google Acadêmico como fonte de pesquisa, utilizando os descritores “bournout em profissionais da segurança pública/ policiais militares”; “descrição das atividades policiais militares no Brasil”; “síndrome de burnout em policiais”, delimitando artigos e monografias com até vinte anos anteriores (2004-2024). Tendo como abordagem qualitativa, de natureza básica, e uma pesquisa descritiva, sendo feito a pesquisa nas plataformas no período de março a maio de 2024.

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3.Desenvolvimento e discussão

3.1Descrição das atividades policiais e o impacto na sua vida pessoal

O impacto do trabalho na saúde dos trabalhadores tem sido objeto de estudo em diversas áreas, uma vez que a carga mental do trabalho é elevada, o que pode causar ansiedade e insatisfação, resultando em cansaço, estresse e outros distúrbios. Os transtornos relacionados ao trabalho muitas vezes são identificados em estágios avançados e frequentemente apresentam sinais e sintomas semelhantes a outras doenças, dificultando o diagnóstico precoce desses problemas [5].

A ocupação de policial militar exerce um papel crucial na sociedade, atuando na prevenção e repressão da desordem pública, crimes contra a vida, crimes ambientais, entre outros. No entanto, devido ao aumento da violência, especialmente nas grandes cidades, houve um crescimento da carga horária de trabalho dos policiais militares. Esses profissionais atuam sob risco e estão sujeitos às implicações do regulamento militar, o que prejudica suas condições físicas e psicológicas durante o exercício de suas funções [6, 7].

De acordo com Souza et al ​​ [8], afirmam que os riscos recorrentes enfrentados pelos policiais militares devido à sua profissão os levam a experimentar medo, tanto por si mesmos quanto por suas famílias. Eles são identificados como agentes de segurança mesmo durante seus momentos de descanso, o que aumenta a possibilidade de serem vítimas de violência e até mesmo morte enquanto estão no desempenho de suas funções. Esse medo serve como mecanismo de proteção para o corpo e a mente daqueles que estão constantemente vigilantes diante dos perigos. No entanto, quando o estado de tensão e o desgaste físico e emocional se tornam frequentes, esses aspectos podem resultar em diversos impactos negativos para a saúde e a qualidade de vida, incluindo estresse e sofrimento psicológico. Os fatores de estresse no ambiente de trabalho da polícia são divididos em quatro categorias: estresse relacionado às atividades policiais em si, surgido das práticas e políticas internas da instituição policial, resultante das pressões do sistema de justiça criminal e da sociedade em geral, e estresse interno do próprio policial [9].

Os agentes da polícia militar integram um grupo singular na sociedade, uma vez que lidam diariamente com a violência e a criminalidade, frequentemente atuando em situações de grande conflito e tensão. A função desse trabalho é realizar um policiamento visível e garantir a ordem pública, distanciando-se de outras profissões devido ao alto nível de estresse envolvido, que pode resultar em desgaste físico e mental [10].

No Brasil, a segurança é um aspecto crucial para a organização e progresso do país. Em grande medida, essa segurança é mantida por policiais civis e militares, que estão sempre alertas e arriscam suas próprias vidas e a de seus familiares. No dia a dia, eles confrontam uma realidade permeada por violência, opressão e diversos fatores estressantes que trazem consigo o temor da morte. Essa condição, segundo a literatura, pode ter graves consequências a longo prazo, podendo levar ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout (SB). Essa síndrome caracteriza-se por um transtorno psicológico marcado por elevada tensão emocional e estresse provenientes de fatores que geram ansiedade e exaurimento das condições de trabalho [11].

Segundo Ribeiro et al [12], na sua atividade profissional, o policial militar (PM) tem como missão constitucional manter a ordem pública, garantir a segurança e proteger a sociedade. Ele pode atuar em diversas situações, como efetuar prisões de indivíduos que desrespeitem as leis e dar orientações e advertências aos cidadãos. No papel de representante da lei, é responsável por zelar pela segurança e o bem-estar da comunidade, além de prevenir a quebra da ordem social e auxiliar os cidadãos na observância dos princípios legais para que possam viver em liberdade.

Existem certas ocupações que têm particularidades que expõem os trabalhadores a situações que podem causar maior angústia mental em comparação com outras profissões. Um exemplo disso são os policiais e bombeiros militares, que enfrentam circunstâncias de risco para suas vidas e lidam com ambientes de trabalho precários devido a estruturas públicas deficientes. Estudos apontam que esses profissionais são mais propensos a desenvolver sintomas de estresse no trabalho, níveis elevados de sofrimento físico e mental, além do burnout. Apesar da influência significativa dos fatores relacionados às condições de trabalho no surgimento de sintomas e distúrbios laborais, características individuais também desempenham um papel relevante na forma como lidamos com situações estressantes [13].

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3.2 Burnout e sua descoberta como patologia psíquica

A origem da Síndrome de Burnout na literatura psicológica é creditada a Herbert Freudenberger, um psiquiatra que identificou esse fenômeno enquanto trabalhava com pacientes usuários de drogas em uma clínica de reabilitação. Seu papel foi crucial para a compreensão da importância desse problema. No entanto, foi a psicóloga social Christina Maslach que consolidou o conceito de burnout dentro do campo da Psicologia [14].

O termo Burnout em inglês informal, "queima total", foi criado pelo psicanalista Herbert Freudenberger nos anos 1970. Ele se refere a um estado de exaustão física e mental vivenciado por profissionais de saúde que trabalham com usuários de drogas [15].

De acordo com Maslach et al apud Alves et al [16], a síndrome de burnout é um fenômeno complexo, relacionado à resposta contínua do corpo a várias fontes de estresse encontradas no ambiente de trabalho. Hakanen e Schaufeli apud Alves et al [16], destacam três dimensões que a compõem: (i) exaustão emocional, que resulta de uma falta de recursos emocionais causada principalmente por sobrecarga e conflitos pessoais no trabalho; (ii) despersonalização, caracterizada por atitudes negativas, como cinismo, distanciamento e indiferença em relação ao trabalho e às pessoas envolvidas; e (iii) diminuição da percepção de realização pessoal, que inclui uma visão negativa do próprio trabalho e sentimentos de baixa competência e produtividade.

Conforme com Carlotto e Câmara [17], as primeiras investigações sobre Burnout abordaram as emoções e estratégias para lidar com elas. O termo Burnout foi introduzido historicamente em 1953, por Schwartz e Will, em um estudo de caso conhecido como "Miss Jones", e mais tarde, em 1960, em "A Burn Out Case", de Graham Greene, descrevendo um enfermeira e um arquiteto que deixaram seus empregos devido a sentimentos de desilusão e apatia. Contudo, somente nos anos 70 é que Burnout se tornou amplamente reconhecido na comunidade acadêmica e no público americano, influenciado por fatores econômicos, sociais e históricos relacionados à procura por oportunidades profissionais mais promissoras. A síndrome de Burnout foi incluída na Classificação Internacional de Doenças de 2010 (CID 10), no capítulo XXI, sob o código Z73, como um problema associado à organização do estilo de vida.

Recentemente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) oficializou a Síndrome de Burnout como uma condição crônica. Ao considerá-la como um "fenômeno relacionado ao trabalho", a OMS incluiu o burnout na nova Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022 [18, 19].

No caso específico dos profissionais de segurança pública, como os policiais militares, a relação entre a Síndrome de Burnout e o ambiente de trabalho é preocupante. O cotidiano desses profissionais é caracterizado por um alto risco e um estresse constante [20].

Os policiais são profissionais que estão sempre em constante risco em sua profissão, assim são inúmeros fatores que contribuem para o desencadeamento da Síndrome de Burnout.

Como mencionado anteriormente, diversos estudos acerca do burnout em policiais ressaltaram a presença de níveis elevados de exaustão e despersonalização, a relação entre o burnout e problemas de ordem mental/psicológica (por exemplo, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático), assim como a despersonalização como uma estratégia de enfrentamento, de supressão emocional e de dificuldade em expressar as verdadeiras emoções [21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31].

Definida como um fenômeno de natureza multidimensional, a síndrome de burnout é composta por três dimensões específicas: exaustão emocional, despersonalização e diminuição do sentimento de satisfação profissional no trabalho. A exaustão emocional engloba a falta de esperança, solidão, irritação, tristeza, raiva, pessimismo e um cansaço emocional, físico e mental. O profissional sente que já não possui a habilidade de auxiliar as pessoas e experimenta uma profunda sensação de esgotamento. A despersonalização é a perda da percepção de que estamos lidando com seres humanos, resultando em um comportamento cínico e crítico exacerbado em relação a tudo e todos, inclusive colegas de trabalho. Em outras palavras, o profissional age com indiferença perante o sofrimento alheio. Já a diminuição do sentimento de realização profissional no trabalho envolve uma sensação de impotência em alcançar os próprios objetivos e uma desvalorização das conquistas já obtidas [32].

A fadiga emocional é o sintoma mais comum relatado e também a primeira reação ao estresse no ambiente de trabalho, caracterizando uma "sobrecarga emocional e física". Esse estado de exaustão dificulta que o profissional consiga descansar e se recuperar do dia de trabalho, deixando-o sem energia para novos projetos ou novas interações [33].

De acordo com Silva e colaboradores [29], a sensação negativa associada à Síndrome de Burnout está relacionada à diminuição da satisfação dos funcionários, à falta de empatia, à redução da produtividade, ao aumento da taxa de absenteísmo e à interrupção da atividade profissional, incluindo impactos na família, abuso de substâncias, depressão, ansiedade e até mesmo pensamentos suicidas.

Apesar da exaustão desempenhar um papel crucial na caracterização dessa patologia, não é o único fator determinante para o seu diagnóstico, pois não abrange os aspectos críticos das interações estabelecidas no ambiente de trabalho. Assim, como resultado disso e do desgaste decorrente, surge a despersonalização ou cinismo, relacionados à falta de interesse pelas situações ou sentimentos alheios, levando o colaborador a adotar "uma postura distante e indiferente em relação ao trabalho e às pessoas envolvidas". Nessa perspectiva, o indivíduo tende a atribuir, em grande parte, a culpa de seus problemas aos clientes, o que o leva a minimizar sua conexão com o trabalho na "tentativa de se proteger da exaustão e desilusão", gerando um claro distanciamento entre ele e o mundo ao seu redor [33].

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3.3Relação do desenvolvimento da síndrome de burnout e atividade profissional de policiais

Os membros da Polícia Militar enfrentam os perigos inerentes à profissão, tanto aqueles envolvidos no confronto direto (policiais em serviço externo) quanto os indiretos (policiais administrativos), além de baixos salários, uma visão muitas vezes inadequada da sociedade, falta de investimento dos governantes e a necessidade de realizar trabalhos extras nas folgas para complementar a renda. Isso acaba por prejudicar a capacidade dessa instituição e de seus funcionários de desempenhar suas tarefas com eficácia plena. Esses fatores aumentam a suscetibilidade dos policiais militares à Síndrome de Burnout, também conhecida como Síndrome do Esgotamento Profissional, e ao estresse [6, 17].

O policial que desenvolve a Síndrome de Burnout apresenta algumas mudanças no comportamento, podendo resultar em uma maior probabilidade de abordagens agressivas, abuso de autoridade e até mesmo consequências mais graves, como agressões ou até mesmo suicídio [11].

Quando nos concentramos na Síndrome de Burnout com relação aos profissionais da segurança pública, mais especificamente os policiais militares, podemos observar como é complexa a situação, pois a vida cotidiana desses agentes é permeada por riscos iminentes e estresse constante. Os policiais militares enfrentam perigos frequentemente no exercício de sua profissão, colocando inclusive suas próprias vidas em jogo. Além disso, nem mesmo nos momentos de descanso, quando retornam para casa, eles podem verdadeiramente se desconectar da sua profissão ou esquecer o uniforme [20].

É importante destacar que o policial militar, devido à sua exposição diária a situações perigosas devido à profissão, acaba adoecendo, pois sua preocupação se intensifica a ponto de não conseguirem desligar-se dos momentos de tensão e enfrentamentos vividos no trabalho, nem mesmo durante seus momentos de descanso [20].

Através dos estudos de Fonseca et al [15] foi identificado que os Policiais Militares estão sujeitos a constantes riscos de desenvolver doenças relacionadas ao ambiente de trabalho, tais como estresse, depressão e Burnout, prejudicando sua qualidade de vida tanto no trabalho quanto fora dele. Portanto, é crucial direcionar uma atenção especial a esses profissionais, oferecendo apoio psicológico, alternando suas funções para evitar que permaneçam por longos períodos em operações, garantindo sua segurança em situações de ameaça e preservando a confidencialidade. Isso contribuirá para reduzir os problemas que podem gerar desconforto e desgaste. Além disso, é de extrema importância que suas famílias estejam presentes para identificar alterações de humor e sintomas como irritabilidade.

Após analisar diversos artigos e averiguar sobre a Síndrome de Burnout como uma patologia psíquica que afeta as pessoas em diferentes níveis, e de diferentes formas e profissionais estão dispostos a desenvolver burnout em decorrência de suas profissões, principalmente os que atuam com risco eminente, e com o público, como é o caso de profissionais da saúde e de segurança, em especial os policiais militares. Visto que é muito apontado como fator estressante da profissão de policia militar, o constante medo que a profissão engloba, pois os policiais precisam estar em constante vigilância, tanto no momento de serviço quanto no seu cotidiano, para assegurar sua segurança, de seus familiares e amigos.

Destacam-se pesquisadores renomados como Machado et al [20], além de Spode e Merlo apud Elbert Junior [34], que abordam essa temática sob a ótica da psicodinâmica do trabalho. Seus estudos indicam que os policiais enfrentam um elevado nível de pressão, devido à frequente exposição à violência, aliada à estrutura da atividade, horários e ritmos de trabalho imprevisíveis, demandando dos profissionais um estado constante de vigilância, característico desse setor. Tal estrutura laboral acaba exigindo um grande comprometimento físico e psicológico, o que pode ter um impacto direto na saúde integral desses trabalhadores. O policial lida com perigos reais e imaginários em sua profissão. Desse modo, o sofrimento e o estresse sofrem agravamentos e, mesmo quando se trata de ameaças apenas percebidas, podem desencadear respostas de alerta, podendo até mesmo levar ao óbito. Benevides-Pereira apud Elbert Junior [34] sugere que profissionais que atuam diretamente no auxílio a outros estão suscetíveis ao estresse. Os sintomas podem ser descritos da seguinte maneira: cansaço constante e progressivo, dores nos músculos, distúrbios do sono e problemas no trato gastrointestinal. Também podem acontecer dificuldades de atenção e concentração, lapsos de memória, baixa autoestima, instabilidade emocional, impaciência e desafios de comportamento ligados à negligência ou excesso de preocupações, irritabilidade e aumento da agressividade, dificuldade para relaxar, uso abusivo de substâncias, risco de suicídio e sinais defensivos que levam ao isolamento, sensação de superioridade, perda de interesse no trabalho, sarcasmo e cinismo.

Um outro ponto observado nos estudos encontrados sobre o burnout em policiais militares está relacionado também a pressão psicológica que este profissionais sofrem de seus superiores, além da pressão populacional para que tenha uma segurança pública adequada. O burnout está também associado nos policiais militares que sofrem problemas de sono, depressão, instabilidade emocional entre outros problemas de saúde, assim é de extrema relevância os órgãos públicos estarem atentos e disponibilizarem assistência psicológica para estes profissionais e demais que enfrentam risco eminente de saúde.

A síndrome de Burnout é frequentemente observada nesse grupo devido à partilha de vários fatores de risco, como a possibilidade aumentada de morte durante o exercício da profissão, as dinâmicas internas das organizações, a carga excessiva de trabalho, a natureza das atividades desempenhadas, as pressões sociais por mudanças na forma de policiamento e as condições inadequadas de trabalho. As entidades de segurança pública têm a responsabilidade de manter a ordem social, o que contribui para tornar essa uma atividade extremamente estressante. No Brasil, fazem parte desse setor as polícias federal, civil, militar, rodoviária federal e penitenciária federal, além do corpo de bombeiros militares, conforme disposto no artigo 144 da Constituição Federal [35, 36, 37, 38].

Na análise da profissão dos policiais militares, percebe-se que estão imersos em uma rotina constantemente arriscada e sob situações estressantes, colocando suas vidas em perigo em prol da segurança da população. Além disso, faz parte intrinsecamente de um sistema hierárquico rigoroso, característico do meio militar, o que acrescenta pressões e exigências a essa ocupação. Todos esses elementos predispõem os policiais militares ao desenvolvimento de problemas psicológicos, como a Síndrome de Burnout. Como resultado, é evidente a alta frequência de afastamentos devido a condições como depressão, síndrome do pânico e transtorno de estresse pós-traumático [39, 40] .

Através dos materiais apresentados foi possível notar que os policiais militares enfrentam desafios ao compreender o adoecimento mental e sua relação com o trabalho, reforçando o estigma em torno da saúde mental e dos tabus ligados a essa profissão, frequentemente vista como uma figura protetora, resiliente e invulnerável. É fundamental que esses profissionais reconheçam a importância da atenção à saúde para implementar medidas de proteção à sua própria saúde, assim como despertar as instituições para a necessidade de cuidar desses indivíduos [12].

Há inúmeros artigos abordando a temática da síndrome de burnout em diferentes áreas, sendo muito apontados em profissionais da saúde, porém ultimamente tem-se observado que os policiais têm sido cada vez mais analisados a respeito do desenvolvimento de doenças psicológicas. Pois, eles estão sofrendo cada vez mais com o cansaço, desmotivação profissional, o risco da própria profissão.

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4.Considerações finais

Este estudo permitiu avaliar inúmeros artigos e documentos sobre a síndrome de burnout no público de profissionais da polícia militar que estão sendo cada vez mais acometidos por essa patologia psicológica, e como é apontado em alguns estudos a respeito da prevenção e tratamento, e quais são os sintomas e as causas do desencadeamento essa síndrome.

A síndrome de burnout que os policiais desenvolvem, podem ser correlacionados ao trabalho exaustivo e preocupante, no qual é submetido diariamente na sua jornada de trabalho, e em seu cotidiano, onde não param de se preocupar, como é apontado em diversos artigos pesquisados.

Por meio desse estudo foi possível analisar como os policiais militares que desenvolvem a síndrome de burnout são pouco relatados por estudos. Visto que eles são afetados por essa doença psicológica em decorrência da periculosidade da própria profissão e do seu cotidiano.

Desse modo, pode-se concluir que por meio de estudos sobre a importância de serviços assistenciais psicológicos para os policiais militares, é de extrema relevância, já que estes profissionais são muito acometidos por essa síndrome e ela ocorre de forma silenciosa, e quase imperceptível por seus colegas e familiares.

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Centro Universitário Redentor, Itaperuna, Brasil.

 

 


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