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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc44224

Publicado em 23 de outubro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

EFEITOS DA SUPLEMENTAÇÃO DE ÔMEGA 3 EM PERÍODO EMBRIONÁRIO NOS PROCESSOS DE APRENDIZAGEM E NEURODESENVOLVIMENTO

Pollyana Weber da Maia Pawlowytsch¹; Adriane Celli²

 

1Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil ​​ 

[email protected]

2Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Brasil ​​ 

[email protected]

 

RESUMO

Este estudo teve como objetivo estudar os efeitos da suplementação de ômega 3 nos processos de aprendizagem e no neurodesenvolvimento a partir da histologia do Sistema Nervoso Central de ratos Lewis jovens. Tratou-se de um estudo experimental, controlado, randomizado com cegamento. A amostra foi constituída por 64 animais. Os principais resultados encontrados demonstram que a suplementação do ômega 3 promove melhor desempenho no treino ao bebedouro (p<0,03), tendo o grupo ômega 3 apresentado número menor de sessões e menor tempo na curva de latência (p<0,0007) para concluir o treino. No reforço contínuo o melhor desempenho do grupo ômega 3 (p<0,03). Na avaliação histológica foi encontrado diferenças significativas entre os grupos (p<0,001) com maior número de célula astrocitárias no grupo ômega 3 e maior incidência de astrócitos na substância branca. Em análise comparativa foi encontrado maior incidência de células gliais astrocitárias no grupo ômega 3 que foi treinado (p<0,007), seguido do grupo de ratos que foram somente treinados.

Palavras-chave: Aprendizagem; Ácido Graxo Ômega 3; Neurodesenvolvimento; Gravidez.

 

 

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1 INTRODUÇÃO

Ao longo dos últimos anos diversas pesquisas científicas vêm destacando a importância dos ácidos graxos ômega para a saúde humana e animal, assim como para prevenção de doenças. Trata-se de ácidos graxos poliinsaturados (LCPUFAs, do inglês long- chain polyunsaturated fatty acids), os quais são considerados como ácidos graxos essenciais, pois o corpo humano não consegue sintetizá-lo em quantidade suficiente para o organismo, sendo necessário que este nutriente componha a dieta a partir de alimentos ou suplementos [1], [2].

Os LCPUFAS ômega-3 (n-3), como o ácido eicosapentaenóico (EPA) e o ácido docosahexaenóico (DHA), estão envolvidos na saúde humana em todas as fases da vida desde o desenvolvimento fetal[3], estando envolvido na produção da camada lipídica, desempenhando também uma importante proteção das células, atuando na produção e armazenamento de energia, possibilitando a recuperação celular. Estudos comprovam efeitos positivos deste ácido graxo quando disponibilizado ao organismo humano e animal a partir de dietas adequadas. Já foram identificadas evidências de benefícios na saúde cognitiva, declínio da massa muscular relacionado à idade e à doença, tratamento de câncer, pacientes cirúrgicos e doenças críticas [4].

O sistema cardiovascular, gastrointestinal, assim como a visão e o cérebro, principalmente em sua fase de desenvolvimento, saem à frente nas pesquisas clínicas e estudos controlados realizados nas últimas décadas[5]. Sabe-se também que o EPA é usado pelo corpo para produzir moléculas de sinalização com uma variedade de papéis fisiológicos, principalmente envolvidos na regulação da imunidade assim como dos processos inflamatórios, já quando convertido em DHA, atua como importante componente estrutural das membranas celulares, especialmente nas células do sistema nervoso central[2].

Os LCPUFAs – ômega 3 são considerados AG essenciais, pelo fato de não poderem ser sintetizados pelo organismo dos mamíferos em quantidade suficiente, sendo necessário que seu suprimento ocorra a partir da dieta alimentar[6].

O ALA, precursor dos outros 2 LCPUFAs – ômega 3, pode ser encontrado em vegetais de folhas verdes, nozes, semente de chia, semente de linhaça, colza e trigo[1], [7]. Já o DHA e EPA, podem ser encontrados em frutos-do-mar e peixes de águas frias e profundas, principalmente os peixes oleosos [1], [7].

Estudos tem demonstrado que os LCPUFAs ômega 3, EPA e o DHA são capazes de alterar a estrutura da membrana celular, refletindo em benefícios para o organismo humano e animal em todas as fases da vida, desde o desenvolvimento embrionário até o envelhecimento fisiológico.

O EPA parece estar mais relacionado com as substâncias anti-inflamatórias, no equilíbrio do sistema imunológico, na melhora da vascularização, melhora das articulações e musculatura, assim como a sua deficiência tem sido relacionada as como doenças diabetes, câncer, cardiopatias e nas alergias em crianças[8].

Já o DHA tem se mostrado fundamental na formação e no desenvolvimento do tecido nervoso, devido ao seu alto grau de poli insaturação, atuando principalmente na fluidez das membranas celulares, contribuindo com isso para uma melhor função sináptica e para a neuroproteção[9], [6], [1], [2].

Quanto ao neurodesenvolvimento, sabe-se que este é caracterizado como um processo longo, dinâmico e progressivo, iniciando já no período embrionário, sendo considerado um dos momentos mais cruciais do desenvolvimento, pois determinará as condições de nascimento e de desenvolvimento até o final da vida deste indivíduo (humano/animal)[10].

Este processo sofrerá influências diretas e indiretas de fatores internos (biológicos e fisiológicos) e externos (ambiente inserido, dieta) durante toda a vida e como resultado será possível observar a evolução dos indivíduos a partir de uma melhor adaptação ao ambiente a partir das repostas comportamentais[11]. Sabendo inclusive que este processo que se inicia no período embrionário intraútero ocorre prioritariamente na formação do Sistema Nervoso Central, tendo seu desenvolvimento mantido até o declínio natural do final da vida[12].

O Sistema Nervoso (SN) é um sistema integrativo que funciona mediante a cooperação e interação dos seus diferentes elementos, formando uma rede morfológica e funcional de alta complexidade capaz de gerar sinais, conduzi-los e transmiti-los simultaneamente a milhares de outras células, modificando-os de inúmeras maneiras em um complexo processo de integração de informações[13]. Sob um ponto de vista evolutivo, cada espécie tem o sistema nervoso que necessita para sua sobrevivência[14].

No SNC encontra-se o tecido nervoso que possui a função de receber informações do meio interno (através da temperatura corporal, estiramentos e níveis de substâncias) e do ambiente externo (através dos sentidos). Este sistema processa de forma muito rápida a informação recebida e elabora uma resposta que pode ser apresentada como um comportamento, uma sensação (como dor, prazer), uma secreção glandular (o suor)[15].

Para o desenvolvimento destas funções o SNC possui no seu tecido nervoso uma alta concentração de corpos celulares de neurônios, prolongamentos de neurônios, principalmente axônios e neuroglias. A região que apresenta uma grande concentração de corpos celulares de neurônios é classificada como substância cinzenta e a região com maior quantidade de prolongamentos de neurônios, que por sua vez possuem grande quantidade de fibras nervosas mielinizadas, é classificada como substância branca[16].

Os neurônios possuem corpos celulares diferentes em sua dimensão e disposição. Como é o caso das células granulosas do cerebelo que são bastante pequenas e ficam aglomeradas (diâmetro médio de poucos micrômetros), ou de neurônios grandes e esparsos das células piramidais do córtex cerebral (que podem atingir dezenas de micrometros de diâmetro). Quanto à forma, há células com soma esférico, piramidal ou alongado[13].

Outro tipo celular de grande importância no tecido nervoso são as células da glia. Inicialmente foram chamadas de “cimento de nervo”, e tinham como única função reconhecida o suporte estrutural para as células neuronais. Chun et al.[17], descreve o avanço dos estudos e a ampliação das pesquisas nas ciências médicas e em neurociência, esta célula nervosa foi sendo identificada cada vez em maior número e em áreas distintas do organismo. Existem vários tipos de células gliais, cada uma com sua função, as três mais importantes do SNC são astrócito, oligodendrócito e a micróglia.

As células da glia podem ser classificadas em dois grandes grupos, a micróglia, que possui células com a função principal de atuar na defesa imune do SNC após a ocorrência de infecções, lesões ou doenças degenerativas e a micróglia, com 3 principais tipos de células: os oligodendrócitos, os astrócitos fibrosos e os astrócitos protoplasmáticos.

Os oligodendrócitos possuem a função de mielinização dos axônios e os astrócitos auxiliam na função da barreia hematoencefálica, controlam a concentração de moléculas no meio extra-celular, impedindo o comprometimento da transmissão das sinapses e de impulsos nervosos e mantém a atividade dos neurônios através do fornecimento de substâncias neuroativas e substratos energéticos. Portanto, os astrócitos, tidos inicialmente apenas como células de sustentação ou cimento, têm a importante função de nutrir e regular a função dos neurônios ao nível das sinapses[18], [16], [13].

Estudos recentes, relatam a importância da suplementação do LCPUFAs ômega 3 no neurodesenvolvimento em período embrionário intraútero em humanos, destacando o papel do DHA como um elemento essencial para a maturação do cérebro, contribuindo diretamente nas extensões neuronais, na estabilização de sinapses e na mielinização[5], [19], [20].

Uma das formas que nossas habilidades e competências podem ser demonstrada é através do ambiente onde estamos inseridos, estas demonstrações podem ocorrer a partir das interações, comunicações e aprendizagem. ​​ 

Uma das características mais importantes da espécie humana e animal é a capacidade de adquirir e modificar o comportamento através de aprendizagem. Catania[21], define aprendizagem como processo pelo qual um comportamento é adicionado a um organismo, provocando uma mudança permanente no seu repertório comportamental. Já memória, é definida por este mesmo autor, como ato de lembrar um determinado comportamento que foi emitido na presença de um determinado estímulo que neste segundo momento não está presente.

O estudo para o entendimento e discussão dos processos de aprendizagem fazem parte de diversos arcabouços teóricos com diversos direcionamentos, uma vez que a psicologia enquanto ciência é multifacetada desde seu nascimento, ainda assim possibilita condições para que esta discussão permeie as mais diversas teorias que compõem sua ciência[22].

Sob a ótica da análise do comportamento, o estudo da ciência psicológica compreende a interação existente entre um organismo e o seu ambiente, assim como os efeitos que esta interação pode provocar nos dois atores envolvidos neste processo[23].

Análise do Comportamento é uma ciência que estuda a interação de interdependência de um organismo e um ambiente a partir do comportamento apresentado. Dentro deste contexto científico cabe a explicação em linhas gerais que o comportamento não é apresentado de forma pública (como podemos observá-lo), mas este comportamento também pode ser encoberto (oportunizando que somente o indivíduo possa identificá-lo) e, ao mesmo tempo, possa escolher se o publicará (contará para outra pessoa) ou se o manterá privado[24]. Cabe esclarecer que na descrição deste estudo a palavra comportamento representa unicamente os comportamentos públicos, ou seja, os comportamentos que podem ser observados pelo pesquisador, uma vez que se tratou de uma pesquisa animal.

Martin e Pear[23], garantem ainda que a execução de um comportamento é essencial, mas não é isso que afirma a existência de uma aprendizagem. Sendo assim, é necessário que se saiba a natureza do comportamento, bem como, o entendimento da aquisição desta aprendizagem.

Desta forma o objetivo deste artigo é o de apresentar os da suplementação de ômega 3 nos processos de aprendizagem, e na histologia do Sistema Nervoso Central de ratos (Rattus novergicus) Lewis jovens. Para tanto, foi realizado um estudo experimental, controlado, randomizado com cegamento.

 

2  METODOLOGIA

Tratou-se de um estudo experimental, controlado, randomizado com cegamento.

O fluxograma (Figuras 1 e 2) foi realizado duas vezes com intervalo médio de 120 dias. A primeira realização iniciou na data de 01 de outubro de 2019 e encerrou na data de ocorreu na data de 28 de janeiro de 2020 e a segunda realização do fluxo iniciou na data de 05 de fevereiro de 2020 e encerrou na data de 01 de junho de 2020. A duplicada do fluxo se fez necessária para fins de validação dos resultados encontrados.

 

  Figura 1 – Fluxograma Fase 1

 

Figura 2 – Fluxograma Fase 2

A intervenção com o Ômega 3 (O-3) aconteceu na primeira fase da pesquisa (fase 1) quando as fêmeas matrizes foram suplementadas com o ácido graxo ômega-3 sendo administrado diariamente 1,0 mg/kg. As cápsulas de ômega 3 continham 466 mg DHA e 748mg EPA por dose, durante todo o período embrionário e fetal intraútero.

A suplementação do ômega 3 aconteceu durante um período mínimo de 28 dias e máximo de 30 dias. Sendo considerado em média 7 dias anteriores a gestação (buscando garantir o início da suplementação já no primeiro dia de gestação das fêmeas matrizes suplementadas) e durante os 21 dias de desenvolvimento da gestação, em horário fixado 18h (dezoito horas), até o nascimento da nutriz.

O suplemento utilizado foi Ômega Ultra TG - Suplemento Nutricional de ômega 3, extraído de peixes de águas frias e profundas com alta concentração de EPA (748mg) e DHA (466 mg) por dose - Nature (adquirido pela pesquisadora).

A suplementação ocorreu via oral, sendo utilizado uma micropipeta monocanal 10 – 1000uL (Labmate – Volume variável), e as cápsulas do suplemento.

Durante o período da fase 1 a pesquisadora as 18h iniciava a pesagem das duas fêmeas suplementadas para seguidamente realizar a suplementação de ômega 3 de acordo com a proporção definida no protocolo. Com o nascimento das proles a suplementação foi imediatamente suspensa.

A intervenção de treino (T) aconteceu na segunda fase da pesquisa (fase 2), sendo realizada com a prole. Nesta intervenção 4 treinos foram realizados. a) treino ao bebedouro; b) modelagem; c) reforço contínuo; d) labirinto radial de oito braços.

Este estudo foi realizado com 72 ratos (Rattus novergicus), 8 (4 machos e 4 fêmeas) pertencentes a primeira fase do protocolo e 64 ratos (Rattus novergicus), 32 machos e 32 fêmeas, pertencentes a segunda fase do protocolo. Na primeira fase (preparação dos casais matrizes), 8 ratos (Rattus novergicus) Lewis foram incluídos, destes 4 machos e 4 fêmeas (quadro 1), todos adultos (com idade de 75 dias), todos isogênicos, todos homozigóticos, com uniformidade fenotípica. A segunda fase do protocolo (proles estudadas) foi realizada com 64 ratos (Rattus novergicus). Esta fase foi incluída 64 ratos, (32 machos e 32 fêmeas). Todos apresentaram peso ao nascer de 5 a 7 gramas e peso ao desmame de 45 a 60 gramas.

Todos os ratos (da segunda fase nas duas rodadas) incluídos no protocolo durante todo o período do experimento foram mantidos em caixas viveiro que mediam 65 x 25 x 15 cm, com assoalho coberto de maravalha. Quanto a dieta alimentar, os ratos receberam ração (Nuvilab CR1 – Nuvital nutrientes S/A), assim como a ingesta hídrica (água). Tanto a ração como a água permaneceram ad libitum para os animais da fase 1 (até o final do protocolo) e para fase 2 até o início dos treinos de acordo com o protocolo.

Este estudo apresentou como variável independente e preditora a suplementação do Ômega 3, e como variável dependente e de desfecho, a apresentação dos astrócitos encontrados no estudo histológico do SNC e o desempenho dos treinamentos (nova aprendizagem e memória espacial).

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Animal – CEUA - UNC, e recebeu o parecer de aprovação N 03/2018.

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3 RESULTADOS

No Treino ao Bebedouro (TBB), a quantidade de repetições necessárias para que os ratos demonstrassem que o treino foi concluído variou entre um mínimo de 2 e um máximo de 4 repetições. Neste experimento, foram avaliados 16 ratos no grupo ômega 3 e 16 ratos no grupo controle.

Houve uma média maior de treinos necessários para a conclusão desta aprendizagem no grupo controle (média 3±0,70 DP versus média 2,5±0,53 DP p= 0,03), quando comparados com o grupo de ratos suplementados com ômega 3 (gráfico 1).

Gráfico 1 – Comparação das Sessões Necessárias para a Conclusão do TBB

Nota: Análise comparativa, teste t de Sudent.

Na análise entre os subgrupos, considerando a variável preditora (ômega 3 e controle e sexo dos ratos), as diferenças do número de treinos necessários para a conclusão da aprendizagem pelo teste anova one-way demonstrou valor de p=0,07. No entanto, em uma comparação entre os ratos do grupo ômega 3 e do grupo controle do mesmo sexo, o teste t de Student demonstrou diferença significativa entre as duas fêmeas (p=0,03), onde o número de repetições necessárias é maior (3,25 ± 0,70 versus 2,25 ± 0,53) para as fêmeas controle. Já em uma análise comparativa entre os ratos machos não foi identificado diferença significativa (p>0,05)

Como o treino ao bebedouro possui o tempo (em segundos) como controlador da apresentação da resposta de buscar a água no momento em que o ruído do bebedouro é acionado, o gráfico 3 apresenta a curva de latência (considerando a média de tempo) que os grupos do protocolo apresentaram até a conclusão o treino ao bebedouro, esta análise apresentou p=0,0007 no teste one way. O gráfico 2 apresenta a latência no tempo da resposta (buscar água) quando o bebedouro era acionado.

Gráfico 2 – Curva de Latência no tempo de Resposta

Nota: Teste one way (comparação entre os grupos) – latência de resposta.

 

Neste treino foram avaliados 32 ratos, 16 fêmeas e 16 machos. Quando os dois grupos treinados (ômega n=16 e controle n=16) foram comparados, a média de sessões necessárias para a realização do comportamento alvo foi 2,18 ± x 0,40DP no grupo ômega 3 e 2,56 ± 0,51DP no grupo controle (p=0,06).

O teste Wilcoxon identificou um valor de p= 0,007 para a diferença entre os todos os grupos do protocolo. Em análise para identificação comparativa entre os sexos (macho n-16 e fêmeas n=16) não foi encontrado diferença significativa entre os grupos. Todos os ratos conseguiram concluir o treino de modelagem com um número mínimo de repetições de 2 sessões e um número máximo de 4 sessões.

O treino de reforço contínuo foi realizado duas vezes a fim de identificar a evolução na frequência do novo comportamento.

A comparação do desempenho dos ratos, considerando a condição suplementados com ômega 3 (n=16) e grupos controle (n=16), foi identificado diferença entre os dois grupos (p=0.03) teste t de Student. Este treino, quando realizado, possibilita a verificação e validação da aprendizagem do novo comportamento (modelagem de pressão a barra).

Analisando os grupos separadamente, foi possível descrever que o número de respostas de pressão à barra no grupo de ratos machos ômega foi em média 65,13 ± 6,66DP e nas fêmeas ômega a média foi 53,38 ± 8,60DP. Os ratos machos do grupo controle apresentaram média de 61,25 ± 7,24DP e nas fêmeas deste mesmo grupo a média foi de 48.75 ± 8,36DP. A partir do teste anova one-way, análise comparativa entre estes 4 grupos, eles mostram-se significativamente diferentes entre si (p=0.001).

Na segunda sessão de resposta de pressão a barra, a análise de comparação do desempenho dos ratos, considerando a condição suplementados com ômega 3 (n=16) e grupos controle (n=16), a diferença entre os dois grupos a partir do teste t de Student foi p=0,06 (gráfico 3).

Gráfico 3 – Apresentação dos Resultados encontrados no Reforço Contínuo.

Na análise do tecido nervoso foi considerado uma proporção de células gliais astrocitárias presentes no córtex sagital superior, esta análise ocorreu após mapeamento do campo total das lâminas analisadas (64 lâminas, 10 campos para cada lâmina). Para este resultado, os 64 ratos foram incluídos, uma vez que, todas as variáveis presentes no protocolo são consideradas nesta análise. ​​ 

Dos quatro grupos analisados [Ômega 3 e não treinados: n=16; Ômega 3 e treinados: n=16, Controles e treinados: n=16 e Controles não treinados n=16)], foi possível identificar a presença de 613 células gliais astrocitárias, destas 32,95% presentas na substância cinzenta e 66,23% presentes na substância branca.

De acordo com o teste Wicoxon em uma análise geral dos ratos foi identificado diferença significativa em relação as áreas analisadas quando considerado análise da substância cinzenta e da substância branca de todos os grupos (p=0.007) (tabela 1).

 

Tabela 1 – Comparação Células Gliais Astrocitárias de Acordo com a Área

 

(Ô+T)

Subs C

inzenta

(Ô+T)

Subs Branca

(Ômega 3)

Subs

Cinzenta

(Ômega 3)

Subs

Branca

(Contl+T)

Subs

Cinzenta

(Contl+T)

Subs

Branca

(Controle)

Subs

Cinzenta

(Controle)

Subs

Branca

Number of

​​ values

16

16

16

16

16

16

16

16

Minimum

1,000

6,000

2,000

4,000

1,000

3,000

2,000

3,000

Mean

4,625

9,875

3,000

7,563

4,750

7,125

4,313

5,875

Std.

Deviation

2,363

2,247

1,155

2,707

2,380

2,125

1,250

1,455

Std. Error

​​ of Mean

0,5907

0,5618

0,2887

0,6768

0,5951

0,5313

0,3125

0,3637

Nota: Estatística Descritiva

 

A tabela acima demonstra que os ratos suplementados e treinados apresentaram média maior de células astrocitárias, seguido pelos ratos que foram somente trenados, os ratos que foram somente suplementados apresentam a terceira melhor média e os ratos que fizeram parte do grupo controle (não sendo suplementados e não sendo expostos ao treino) apresentaram a quarta médica de células astrocitárias quando comparados entre os grupos.

..
 
Gráfico 4 – Distribuição das células astrocitárias em todos os Sujeitos Experimentais Respeitando as Variáveis e a área analisada.

Nota: Teste Wilcoxon para análise comparativa entre grupos.

 

Quando os resultados são comparados em relação as intervenções, suplementação ômega 3 e exposição aos treinos de todos os grupos (p=0,001) (teste Wilcoxon). Em análise comparativa quando a diferença entre os sexos e os achados na distribuição astrocitária não foi encontrado diferença entre os grupos (p=007).

 

4 DISCUSSÃO

De acordo com muitos estudos clínicos e revisões sistemáticas, os LCPUFas - ômega 3, vem sendo estudados com o objetivo de validar de forma cada vez mais eficiente as suas contribuições para o organismo humano, um dos aspectos que vem sendo fortemente estudado são as contribuições do DHA no desenvolvimento do Sistema Nervoso Central, tem se destacado com grande relevância em pesquisas nas área médica, e interdisciplinar.

Sabe-se que o ser humano passa todo o tempo de sua vida em constante desenvolvimento biológico e comportamental. Com isso, os estudos têm buscado cada vez mais, elementos que possam contribuir para a melhora de um destes dois fatores, seja o fator biológico para mostrar-se cada vez mais preparado para as adaptações do meio (a partir de competências físicas, intelectuais e de resistência), ou o fator comportamental, para a partir de aprendizagens demonstrar maior ou melhor desempenho (nas esferas sociais, emocionais, escolares, entre outras)[11].

Sob uma perspectiva comportamental, espera-se que este indivíduo (suplementado ou não), busque através de interações com o meio que está inserido aprendizagens que possibilitem sua melhor adaptação e desenvolvimento, e uma das características mais impressionantes do ser humano e do animal é a capacidade de modificar seus comportamentos por meio de aprendizagens[25].

No experimento treino ao bebedouro em uma comparação entre ratos suplementados com ômega 3 e os controles, identificou-se que os ratos ômega 3 concluíram o experimento proposto em tempo menor do que os ratos controles, validando o que os estudos têm trazido acerca de um melhor desempenho aos sujeitos suplementados em período intraútero Best et al[1] e Thoene et al. [26] descrevem que o DHA presente no LCPUFA é um componente da bicamada fosfolipídica das membranas, desempenhando com isso uma maior fluidez destas membranas ​​ celulares do SNC, pois estes LCPUFAs se acumulam no tecido neural ao longo do desenvolvimento fetal neonatal e infantil sendo incorporados pelo cérebro, principalmente quando as redes neurais estão sendo estabelecidas e fortalecidas, possibilitando com isso maior fluidez nas sinapses, fator que pode resultar em melhor resposta adaptativa[27], [28].

Ainda nesta linha de discussão os achados neste estudo experimental que direcionam para uma tendência de melhores resultados ao grupo suplementado (atribuído por um valor de p=0,06) pode estar relacionado ao fato que neste estudo a suplementação foi suspensa com o nascimento das proles, diferente dos estudos já realizados que mantiveram a suplementação durante o período intrauterino e amamentação. Com isso novos estudos devem ser realizados buscando maior clareza dos efeitos dos LCPUFAs somente no período intra uterino, efeitos somente no período de amamentação, assim como a permanência da suplementação nos dois momentos[29].

Os resultados encontrados no treino de reforço contínuo 1 e 2 trazem que os sujeitos suplementados com ômega 3 machos e fêmeas apresentaram melhores resultados quando comparados com os sujeitos controle no treino 1, esta comparação é feita considerando média de pressões à barra que cada grupo emitiu durante 30 minutos. No entanto no treino 2, quando as mesmas comparações são realizadas identifica-se um valor de p limítrofe e nenhuma diferença entre os grupos.

É possível discutir com isso dois pontos; o primeiro reforça a teoria, fortemente validada dos efeitos do LCPUFAs na formação e desenvolvimento neurológico e o reflexo que este desenvolvimento melhorado demonstra na cognição de crianças em estudos comparativos[30], assim como o papel determinante do ambiente e do controle de estímulo no aumento da frequência do responder, a partir da presença do reforço[31].

Estes dois direcionamentos tomam evidência quando o treino de reforço contínuo 1 é comparado com o treino de reforço continuo 2, demonstrando que os sujeitos experimentais dos 4 grupos a partir da repetição do comportamento, controlado pela presença do reforçador, melhoram a quantidade de depressão a barra, reduzindo com isso a diferença entre os grupos.

Rodrigues[32], descreveu que os astrócitos vem ocupando o seu espaço de reconhecimento no funcionamento cerebral, pois esta célula da glia deixou de ocupar um papel coadjuvante somente de suporte e nutrição no funcionamento cerebral, passando a integrar as membranas celulares nervosas auxiliando na fluidez e força nas respostas sinápticas, e com isso passaram a ser estudados com mais evidencia por exercerem um papel fundamental no que diz respeito aos processos de aprendizagem e memória.

Desta forma este estudo buscou identificar se os efeitos da suplementação do LCPUFAs e da exposição a treinos de aprendizagem e memória poderiam ser representados na população de astrócitos, uma vez que sua contribuição na mielinização já está bastante evidenciada.

Considerando os resultados encontrados nas análises histológicas do SNC foi mapeado astrócitos protoplasmáticos na substância cinzenta e astrócito fibrosos na substância branca, as diferenças encontradas na entre os grupos de sujeitos suplementados com ômega 3 e não suplementados (controles) vem de encontro com a morfologia dos animais estudados[33].

Para este grupo estudado a população de glias astrocitárias foi superior no grupo ômega 3, quando comparados com o grupo controle. Estudos animais controlados e pesquisas clínicas com humanos tem demostram os efeitos da suplementação do LCPUFAs em processos de aprendizagem e consequentemente de memória[27], esta contribuição é oriundo do LCPUFAS – DHA e EPA, cada um com seu papel dentro do processo fisiológico.

Para o grupo experimental estudado a suplementação demostrou diferença significativa na população de astrócitos somente quando comparado com um grupo não suplementado e não exposto em nenhum novo estímulo. Pois em uma análise comparativa entre os efeitos do treino, podem também trazer efeitos de grande relevância, uma vez que foi possível encontrar que os animais treinados (após repetição promove dois resultados, a melhora na resposta e o aumento da população astrocitária, uma vez que o treino e a estimulação correta do ambiente resultarão em mais estimulação neurológica, logo, mais células astrocitárias.

 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo animal controlado possibilitou a verificação de como os LCPUFAs podem influenciar nos processos de aprendizagem, a partir do tempo de conclusão dos exercícios, pois esta condição se demonstrou mais evidente nos estudos comparativos, no entanto cabe destacar a identificação dos efeitos do ambiente como determinante de aprendizagem e também neuromodulador, uma vez que a repetição dos treinos provocou um número muito semelhante de células astrocitárias dos grupos que foram treinados e não foram suplementados.

Cabe destacar que neste estudo a suplementação foi mantida somente no período embrionário intra-útero, não sendo mantida durante o período de amamentação, fator que pode ter justificado os resultados menos expressivos na diferença entre os grupos suplementados e não suplementados.

Abe também um maior esclarecimento do que a literatura tem trazido como efeitos cognitivos, uma vez que, o conceito cognição apresenta uma abrangência muito grande e muito subjetiva, talvez a realização de mais estudos controlados refinando este conceito para suas ramificações (aprendizagem, memória, emoções) possam oportunizar mais clareza na base científica da área.

 

6 REFERÊNCIAS

[1]Best, K.P.; Sullivan, T.R.; Palmer, D.J.; Gold, M.; Martin, J.; Kennedy, D.; Makrides, M. Prenatal omega-3 LCPUFA and symptoms of allergic disease and sensitization throughout early childhood – a longitudinal analysis of long-term follow-up of a randomized controlled trial. World Allergy Organization Journal, v. 11, p. 10, 2018. DOI. http://dx.doi.org/10.1186/s40413-018-0190-7.

[2] Alvarez-Arellano, Lourdes; González-García, Nadia; Salazar-García, Marcela; Corona, Juan Carlos. Antioxidants as a potential target against inflammation and oxidative stress in attention-deficit/hyperactivity disorder. Antioxidants, v. 9, n. 2, p. 176, fev. 2020. DOI. http://dx.doi.org/10.3390/antiox9020176.

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