Compartilhar:

Artigo - PDF

Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
.

 

 

ARTIGO ​​ CURTO  ​​​​ ORIGINAL

Infecção por Ascaris lumbricoides na vesícula biliar - relato de caso na região amazônica

Bruna Rocha Torres Gonçalves1; Eduardo Carvalho Horta Barbosa2

.

Como Citar:

GONÇALVES, Burna Rocha Tores; BARBOSA, Eduardo Carvalho Horta. Infecção por Ascaris lumbricoides na vesícula biliar - relato de caso na região amazônica. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.779-785, 2025.

https://doi.org/10.61411/rsc2025103718

.

DOI: 10.61411/rsc2025103718

 

Área do conhecimento: Medicina.

 

Palavras-chaves:  ​​​​ Ascaridiase; Colecistite; Colecistectomia. Complicaões parasitárias.

 

Publicado: 31 de março de 2025.

Abstract

The objective of this study is to report a case of Ascaris lumbricoides in the gallbladder, highlighting the clinical presentation, diagnosis, and therapeutic management adopted. The methodology is based on the analysis of a case report of a patient treated at the Maternidade Celina Villacrez Ruiz Hospital, who presented with diffuse abdominal pain, nausea, and vomiting. The diagnosis was confirmed through laboratory tests and abdominal ultrasound. The results show that, although it is an uncommon event, the migration of Ascaris lumbricoides to the gallbladder can lead to serious complications. It is concluded that biliary ascariasis should be considered in the differential diagnosis of patients with abdominal pain and a history of parasitic infection. The report highlights the need for access to appropriate diagnostic and therapeutic methods.

.

1. Introdução

O Ascaris lumbricoides, um dos helmintos intestinais mais comuns, afeta mais de um bilhão de pessoas globalmente, com maior prevalência em regiões com saneamento básico precário. A migração desse parasita para a vesícula biliar, embora rara, pode levar a complicações graves, como colecistite e obstrução biliar, sendo responsável por aproximadamente 2,1% dos casos de ascaridíase hepatobiliar. O diagnóstico precoce dessa condição, geralmente feito por ultrassonografia, é essencial para evitar complicações mais severas [1 -4].

Esse relato de caso incomum é sobre uma paciente, do sexo feminino, 31 anos, com o quadro de dor abdominal difusa com cerca de 05 dias de evolução associado a náuseas e vômitos, sem outros sintomas associados e sem comorbidades. A paciente referiu ter procurado atendimento médico após ter vomitado vermes.

Este estudo reforça a importância da inclusão da ascaridíase biliar no protocolo de diagnóstico diferencial para pacientes com sintomas abdominais inespecíficos, especialmente em áreas endêmicas. A ultrassonografia continua sendo o exame de escolha para a identificação do parasita na vesícula biliar [4], mas a variabilidade da apresentação clínica exige maior atenção dos profissionais de saúde. Dessa forma, o estudo contribui para reforçar a vigilância epidemiológica e a necessidade de políticas públicas voltadas à erradicação da parasitose.

Esse artigo relata o caso de Ascaris lumbricoides em vesícula biliar, detalhando a apresentação clínica, diagnóstico, tratamento e evolução da paciente, com o intuito de contribuir para a literatura existente sobre essa condição rara e aumentar a conscientização entre os profissionais de saúde.

.

2.Referencial teórico

O ciclo do verme começa com a ingestão de ovos presentes no solo, alimentos ou água contaminados. No intestino, as larvas eclodem, migram para os pulmões e retornam ao trato digestivo, onde se tornam adultas. A doença é prevalente em áreas com saneamento inadequado. Os sintomas vão de ausência de manifestações a desconfortos gastrointestinais, podendo evoluir para complicações graves, como obstrução intestinal. O diagnóstico é feito por exames laboratoriais e imagem, e o tratamento inclui anti-helmínticos, podendo haver necessidade de cirurgia em casos severos. A prevenção envolve higiene, saneamento e consumo seguro de alimentos e água. ​​ Esta doença é geralmente leve; no entanto, em raras ocasiões, pode invadir o trato biliar, levando a várias complicações, incluindo colecistite, colangite piogênica e abscessos hepáticos [5].

Os vermes Ascaris migram para o sistema biliar através do orifício papilar e pode causar obstrução biliar e uma variedade de complicações. Geralmente se apresenta como colecistite acalculosa aguda. O tratamento envolve a administração de anti-helmínticos, como o albendazol ou o mebendazol, para eliminar os vermes. Além disso, em casos de complicações na vesícula biliar, pode ser necessário o tratamento cirúrgico, como a remoção da vesícula (colecistectomia) [4].

.

3.Metodolodia

O estudo baseia-se na análise de um relato de caso envolvendo uma paciente com Ascaris lumbricoides na vesícula biliar. Foram utilizados dados clínicos, laboratoriais e de imagem para diagnóstico e acompanhamento da evolução do quadro. O tratamento foi descrito com base nas condutas médicas necessárias. A discussão foi embasada na literatura sobre a ascaridíase biliar, comparando o caso relatado com estudos prévios para reforçar a relevância do diagnóstico precoce e das opções terapêuticas disponíveis.

..

4.Resultados e discussão

Este relato descreve o caso de uma paciente de 31 anos que, em julho de 2024, procurou atendimento médico no Hospital Maternidade Celina Villacrez Ruiz, em Tabatinga, no Amazonas, uma cidade localizada na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A paciente se queixava de dor abdominal difusa, associada a náuseas e vômitos, com sintomas iniciados há cerca de cinco dias. Ela procurou ajuda após vomitar vermes.

Nos exames laboratoriais da paciente do dia 25/07/2024 foi evidenciado anemia leve (Hb: 11), leucócitos: 7.450 e eosinofilia: 24,7%. Ultrassonografia abdominal do mesmo dia mostrava vesícula biliar distendida completamente, textura homogênea do conteúdo biliar, paredes finais, com imagem móvel em seu interior, sugestiva de parasitose intestinal em seu interior.

Foi então iniciado tratamento com anti-helmíntico, ivermectina (02 comprimidos -cps- e meio de 06 mg cada comprimido) e mebendazol 100mg de 12 em 12 horas por 03 dias [6], e optado por realização de colecistectomia convencional visto não disponibilidade de material endoscópico no serviço e a dificuldade para transferir a paciente para o serviço de referência. Ademais, não foi realizado exploração cirúrgica das vias biliares, visto que nos exames laboratoriais não havia alterações de bilirrubinas e enzimas canaliculares.

A ascaridíase biliar é uma condição incomum caracterizada por sintomas como dor no hipocôndrio direito, febre e vômitos, podendo evoluir para complicações graves, como colecistite e formação de cálculos biliares devido à presença do parasita. O diagnóstico geralmente é facilitado quando há manifestações intestinais prévias da ascaridíase, permitindo um tratamento precoce e reduzindo riscos [5]. No entanto, o caso relatado apresentou um desafio diagnóstico, pois a paciente não apresentou sintomas intestinais prévios, o que atrasou a identificação da infecção e reforça a importância da suspeita clínica diante de sintomas compatíveis.

A migração do Ascaris lumbricoides para a via biliar pode causar lesões nos ductos biliares devido à obstrução, inflamação e fibrose. Embora muitas infecções sejam assintomáticas, em casos graves, podem ocorrer sintomas como dor abdominal, náuseas, vômitos e até obstrução intestinal. Quando o parasita chega à vesícula biliar, pode resultar em complicações como cólica biliar, colecistite, colangite e pancreatite. A ascaridíase deve ser considerada no diagnóstico de dor abdominal, especialmente em áreas com saneamento inadequado. O diagnóstico precoce e tratamento adequado são essenciais para evitar complicações e melhorar o prognóstico do paciente [1, 4].

Segundo literatura vigente o tratamento com anti-helmínticos é eficaz em eliminar a infecção [5], mas a remoção cirúrgica da vesícula biliar foi necessária em alguns casos para aliviar a obstrução biliar causada pelo parasita, principalmente em locais que não possuem colangio pancreatografia endoscópica – CPRE [7].

No caso clínico citado, a paciente teve alta hospitalar 02 dias após a realização de colecistectomia, recebendo orientações quanto ingesta de água potável, higienização adequada das mãos e de alimentos, bem como prescrição de tratamento anti-parasitário para os familiares que residem em conjunto com a paciente.

.

5.Considerações finais

A migração do Ascaris lumbricoides para a vesícula biliar, embora rara, pode resultar em complicações graves, exigindo diagnóstico precoce e conduta terapêutica adequada. O caso apresentado reforça a importância da ultrassonografia na identificação do parasita e destaca a necessidade de protocolos clínicos bem estabelecidos, especialmente em regiões endêmicas. Além disso, evidencia a relevância do controle epidemiológico e da educação em saúde na prevenção da ascaridíase.

.

6.Declaração de direitos

 Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaraam respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

.

7.REFERÊNCIAS

  • Martinez, J. D. C.; Pajuelo, J. J.; López, P. O. Ascaridíase em vias biliares: relato de caso. (J Med Case Rep Case Series), ISSN 1752-1947, v. 3, n. 13, p. 10.38207, Dez. 2022. Disponível em: https://www.acquaintpublications.com/article/ascariasis-in-the-bile-ducts-a-case-report. Acesso em: 09 mar. 2025.

  • Ferreira C S, Ferreira Mu, Nogueira Mr. Prevalência e intensidade de infecção por Ascaris lumbricoides em amostra populacional urbana (São Paulo, SP). (Cad Saúde Pública) ISSN 1678-4464, v. 7, n. 1, p. 82-9, Jan. 1991. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csp/a/VT9Rr9dBVmbXKJkBRR3XnLq/. Acesso em: 13 mar. 2025.

  • Jalan, A.; Musa, O.; Afroz, A. A rare case report of gallbladder ascariasis. (Era's Journal of Medical Research) ISNN 2348-9839, v. 9, n. 2, p. 272-274, 2022. Disponível em: https://www.proquest.com/openview/b2fccfda0b2512720631b90a5c 8e4a36/1?cbl=2046323&pq-origsite=gscholar. Acesso em: 10 mar. 2025.

  • Pushkarenko, O.; Horlenko, O.; Khalaturnyk, I. Ascaris lumbricodes na vesícula biliar. (Ultrassom em Medicina e Biologia), INSS 2210-2612, v. 48, p. S73, 2022. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0301562922 003507. Acesso em: 10 mar. 2025.

  • Ramos, Darwin R.; Robalino, Antonio S.; Magrovejo, Daniel L.; Suárez, Doménica A.; Proño, Aitana E Ross.; Parrales, Diana E.; Molina, Gabriel A. Um hóspede indesejado, Ascaris no ducto biliar causando colangite tratada com sucesso com cirurgia. (Journal of surgical case reports), INSS 2042-8812, v. 2024, n. 4, p. rjae264, 2024. Disponível em: https://academic.oup.com/jscr/article/2024/4/rjae264/ 7658739?login=false. Acesso em: 11 mar. 2025.

  • Conterno LO, Turchi MD, Corrêa I, Monteiro de Barros Almeida RA. Anthelmintic drugs for treating ascariasis. (Cochrane Database Syst Rev.), ISSN 1469-493X, v, 14, n. 4, p. 99, apr. 2020. Disponível em: https://www.cochranelibrary.com/cdsr/doi /10.1002/14651858.CD010599.pub2/full. Acesso em: 11 mar. 2025

  • Wu, X.; Wang, W.; Li, Q.; Xue, Q.; Li, Y.; Li, S. Case Report: Surgical Intervention for Fasciolopsis buski Infection: A Literature Review. (Am J Trop Med Hyg), ISSN 0002-9637, v. 103, n. 6, p. 2282-87, sep. 2020.

1

Secretária de saúde do Distrito Federal no Hospital Regional de Sobradinho (hrs) Brasília – DF, Brasil.

2

​​ Secretária de saúde do Distrito Federal no Hospital Regional de Sobradinho (hrs) Brasília – DF, Brasil.


Compartilhar: