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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Tentativa de suicídio em mulheres vítimas de violência sexual
Valéria Raquel Alcântara Barbosa1; Rita de Cássia da Silva Alves2; Simone Oliveira Cunha3; Raiane Rodrigues dos Santos Carvalho4; Lívia Maria Moreira Oliveira5; Laura Gabryelle Silva Reis6
Como Citar:
BARBOSA, Valéria Raquel Alcântara; ALVES, Rita de Cássia da Silva; CUNHA, Simone Oliveira et al. Tentativa de suicídio em mulheres vítimas de violência sexual. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5647-5662, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202486717
Área do conhecimento: Ciências da Saúde.
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Palavras-chaves: Violência contra a Mulher; Violência Sexual; Tentativa de Suicídio.
Publicado: 22 de novembro de 2024.
Resumo
A violência sexual (VS) contra a mulher constitui fenômeno sociohistórico complexo, controverso, polissêmico, de ampla magnitude; grave problema de saúde pública e hedionda violação dos direitos humanos, que acarreta irrestritos e, por vezes, irreparáveis, danos físicos e psicológicos às vítimas, marcando transversalmente suas histórias. Como efeito, a tentativa de suicídio pode emergir nessa contextura, enquanto resposta para escapar dos sofrimentos decorrentes da vitimização por crime sexual. Investigar a associação entre vitimização por violência sexual e circunstância de tentativa de suicídio, em mulheres. Pesquisa bibliográfica na modalidade revisão integrativa da literatura, do tipo descritiva e de abordagem qualitativa, realizada nos meses de julho e agosto de 2024, por meio da apreciação das bases eletrônicas BVS, EBSCO, Lilacs, PubMed e Scielo. A análise de dados firmou-se nos aportes da análise de conteúdo de Bardin, na modalidade temática. Desenvolvimento e Discussão: Foram eleitos nove artigos para análise, cuja leitura pormenorizada viabilizou a composição de quatro categorias: (1) violência sexual intrafamiliar e sofrimento psíquico; (2) impactos da violência sexual sobre a saúde mental; (3) agressões sexuais, crise psíquica e tentativa de suicídio; (4) violência sexual, medidas preventivas do suicídio e valorização da vida. Diante da gravidade das consequências psicossociais que a violência sexual ocasiona, é crucial a implementação de medidas eficazes para prevenção do suicídio e valorização da vida. Há significativa associação entre a violência sexual sofrida por mulheres e os danos na saúde mental e qualidade de vida, que se desdobram em comportamentos autodestrutivos, mediante tentativas de suicídio. É fulcral a educação permanente dos profissionais da rede intersetorial de atendimento a mulheres em situação de violência sexual, com ênfase no acolhimento humanizado e no não julgamento; na valorização da vida, prevenção do suicídio, redução de danos. É impostergável o investimento em pesquisas científicas ampliadas, fortalecimento de políticas públicas intersetoriais e das redes de apoio.
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Attempted suicide in women victims of sexual violence
Abstract
Sexual violence (SV) against women is a complex, controversial, polysemic socio-historical phenomenon of vast magnitude; a serious public health problem and a heinous violation of human rights, which causes unrestricted and sometimes irreparable physical and psychological damage to the victims, transversely marking their histories. As an effect, attempted suicide can emerge in this context, as a response to escape the suffering resulting from victimization by sexual crime. To investigate the association between victimization by sexual violence and suicide attempts in women. Methodology: Bibliographic research in the form of an integrative literature review, of the descriptive type and with a qualitative approach, carried out in July and August 2024, through the appreciation of the electronic databases BVS, EBSCO, Lilacs, PubMed and Scielo. Data analysis was based on Bardin's content analysis, in the thematic modality. Development and discussion: Nine articles were chosen for analysis, the detailed reading of which made it possible to compose four categories: (1) intrafamily sexual violence and psychological suffering; (2) the impact of sexual violence on mental health; (3) sexual aggression, psychological crisis and attempted suicide; (4) sexual violence, suicide prevention measures and valuing life. Given the serious psychosocial consequences of sexual violence, it is crucial to implement effective measures to prevent suicide and value life. There is a significant association between sexual violence suffered by women and damage to their mental health and quality of life, which can lead to self-destructive behavior and suicide attempts. The ongoing education of professionals in the intersectoral network for the care of women in situations of sexual violence is crucial, with an emphasis on humanized reception and non-judgment; on valuing life, suicide prevention and harm reduction. It is essential to invest in expanded scientific research, strengthening intersectoral public policies and support networks.
Keywords: Violence Against Women; Sex Offenses; Suicide Attempt.
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1. Introdução
A violência sexual (VS) compõe qualquer ato sexual, tentativa de obter ou consumar um ato sexual ou outro ato, direcionado contra a sexualidade de uma pessoa; perpetrado mediante coerção, por outra pessoa, independentemente da relação estabelecida com a vítima e em qualquer contexto. Abrange, estupro dentro do relacionamento; estupro perpetrado por pessoas conhecidas ou desconhecidas; tentativas sexuais indesejadas ou assédio sexual, que podem acontecer na escola, no local de trabalho, na residência e em outros ambientes; violação sistemática e outras formas de violência comuns em situações de conflito armado (a exemplo da fertilização forçada); abuso sexual de pessoas com incapacidades físicas ou mentais; estupro de vulnerável e abuso sexual de crianças; além de formas “tradicionais” de violência sexual, como, casamento ou coabitação forçada [1].
Considerada um dos tipos de violência mais cruéis e persistentes, cometidas contra mulheres ao longo da história da humanidade [2], a VS trata-se de violação dos direitos humanos, um crítico problema social e de saúde pública, de proporções endêmicas [3], geralmente acompanhada por agressões físicas e psicológicas. Ademais, pode provocar lesões e traumas nem sempre visíveis; gerar internações, produzir danos físicos e/ou psíquicos e, levar à morte [4].
Resultante de uma construção social e cultural pautada em relações desiguais de poder, nas quais a mulher é submetida a posição inferior à do homem, a violência é reproduzida por meio de atitudes abusivas, machistas, naturalizadas, em razão do processo de socialização masculina que incita ações voltadas à destruição da integridade da vítima, em vários âmbitos da vida. Como efeito, a mulher desenvolve percepções díspares sobre a violência sofrida, assinaladas por angústia, culpa, medo, humilhação, vergonha; que concorrem com sequelas negativas alusivas a baixa autoestima, codependência afetiva, eclosão e/ou agravamento de transtornos mentais, aumento do risco para suicídio [5].
O suicídio consiste em um ato deliberado executado pela pessoa com o intuito de pôr fim à própria vida, de modo consciente e intencional, ainda que ambivalente, com auxílio de determinado recurso considerado letal. Em que pese a mortalidade por suicídio seja, em média, três vezes maior em homens, as tentativas de suicídio são cerca de três vezes mais frequentes em mulheres [6].
Dentre fatores psicossociais de risco para suicídio, comumente, estão, instabilidade familiar, isolamento social, desesperança, desamparo, vitimização por abuso físico ou ter sofrido violência sexual [7]. Mulheres vítimas de violência sexual estão mais propensas a adoecimento psíquico, vulnerabilidade e alto risco de suicídio [8]. A propósito, em mulheres jovens, a violência está entre as causas mais frequentes de tentativas de suicídio [9]. Portanto, é crucial a compreensão das mensagens simbólicas subjacentes ao planejamento da tentativa de suicídio, para que se possa auxiliar na prevenção, pois, na ausência de resolução do conflito, as chances de outra tentativa ocorrer são inequívocas [10].
Diante do exposto, o presente estudo tem o objetivo investigar a associação entre vitimização por violência sexual e a circunstância de tentativa de suicídio, em mulheres.
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2. Metodologia
Pesquisa bibliográfica, na modalidade revisão integrativa da literatura, do tipo descritiva, de abordagem qualitativa. Em julho de 2024 realizou-se levantamento bibliográfico nas bases eletrônicas de dados, Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), EBSCO Information Services (EBSCO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), PubMed e Scientific Electronic Library Online (Scielo), sobre artigos publicados em periódicos científicos nos últimos 5 anos (2019-2024). A estratégia de busca foi conduzida através do cruzamento dos descritores adotados, padronizados nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), com uso do operador booleano AND: violência contra a mulher AND violência sexual AND tentativa de suicídio.
Os artigos localizados foram submetidos aos critérios de inclusão: (1) artigos completos, de acesso aberto, eletronicamente; (2) artigos escritos em português, inglês ou espanhol; (3) artigos referentes ao tema em foco. Em contrapartida, foram excluídos artigos que não abordavam sobre a correlação entre vitimização de violência sexual e tentativa de suicídio, em mulheres. Por conseguinte, foram identificados 26 artigos, sendo: 12 pela base de dados BVS, 1 pela EBSCO, 4 pela Lilacs, 8 pela PubMed e 1 pela Scielo. Após, procedeu-se com a eliminação de artigos duplicados.
Seguidamente à aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, efetuou-se a leitura dos materiais, que passaram pelo crivo das pesquisadoras da equipe, resultando na eleição de um total de nove artigos para análise, devido à consistência apresentada com o tema delimitado. O fluxograma do processo de seleção dos artigos está descrito na Figura 1:
Figura 1 - Fluxograma do processo de seleção dos artigos.
Fonte: Barbosa et al. (2024).
O processo de análise das idiossincrasias dos artigos encontrados nas bases de dados adotou a técnica de análise de conteúdo temática, de Bardin [11], respeitando-se as seguintes etapas: (1) leitura flutuante das fontes reunidas, com fichamento do material no Quadro 1; (2) seleção das unidades de análise, guiada pelo objetivo geral da pesquisa; (3) categorização; e (4) confronto com a base teórica que sustenta este estudo.
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3. Desenvolvimento e discussão
O Quadro 1 apresenta as principais características dos estudos eleitos, relativamente a: base de dados da qual foi extraído, título, autoria e ano de publicação, objetivo, delineamento metodológico utilizado, síntese dos resultados encontrados.
Quadro 1 - Caracterização dos estudos quanto a base de dados, título, autores, ano, objetivo, delineamento e síntese dos resultados encontrados.
N | Base de dados | Título | Autores e Ano | Objetivo | Delineamento |
1 | BVS | Interpersonal violence throughout the lifespan associations with suicidal ideation and suicide attempt among a national sample of female veterans. | Holliday et al. (2021) | Examinar se a violência física e sexual em diferentes momentos (pré-militar, durante o serviço militar) se associa à ideação suicida e a tentativa de suicídio em momentos subsequentes. | Quantitativo |
2 | EBSCO | Child and adolescent violence: oral story of women who attempted suicide. | Correia et al. (2019) | Desvelar as expressões da violência intrafamiliar vivenciadas na infância e/ou adolescência por mulheres que tentaram suicídio. | Qualitativo |
3 | Lilacs | Violências e tentativas de suicídio em narrativas de mulheres jovens. | Amarante et al. (2020) | Compreender histórias de vida de mulheres jovens que passaram pela experiência de tentativa de suicídio. | Qualitativo |
4 | PubMed | Relationship between sexual violence and the health of spanish women-a national population-based study. | García-Pérez et al. (2023) | Identificar o impacto da violência sexual na saúde das mulheres vítimas, na Espanha. | Quantitativo |
5 | PubMed | Persistent suffering: the serious consequences of sexual violence against women and girls, their search for inner healing and the significance of the #metoo movement. | Sigurdardottir; Sigridur (2021) | Explorar e compreender as consequências da violência sexual para mulheres e jovens e a sua procura de cura interior. | Qualitativo |
6 | PubMed | Sexual violence in women with HIV positive spouse and their mental health. | Torkashvand et al. (2020) | Investigar a variável associada a VS contra mulheres com cônjuge soropositivo e a respectiva relação com problemas mentais. | Quantitativo |
7 | PubMed | Association between lifetime sexual violence victimization and selected health conditions and risk behaviors among 13-24-year-olds in Lesotho: results from the Violence Against Children and Youth Survey (VACS), 2018. | Picchetti, et al. (2022) | Estimar a prevalência de vitimização por VS ao longo da vida entre jovens dos 13 aos 24 anos no Lesoto e avaliar a sua associação com determinadas condições de saúde e comportamentos de risco. | Quantitativo |
8 | PubMed | Sexual violence in the workplace and associated health outcomes: a nationwide, cross-sectional analysis of women in Iceland. | Jonsdottir et al. (2024) | Examinar associações entre violência sexual no local de trabalho e resultados de saúde em amostra nacional de mulheres islandesas com idades entre os 18 e os 69 anos. | Quantitativo |
9 | PubMed | Suicidal thoughts, depression, post-traumatic stress, and harmful alcohol use associated with intimate partner violence and rape exposures among female students in south africa. | Machisa et al. (2022) | Investigar associações e elucidar as vias estruturais entre saúde mental e os possíveis fatores de risco para pensamentos suicidas, sintomas depressivos, sintomas de estresse pós-traumático e uso de drogas. | Quantitativo |
Fonte: Barbosa et al. (2024).
A leitura pormenorizada dos artigos eleitos viabilizou a composição de quatro categorias analíticas que destacaram os principais temas contemplados pelos estudos: (1) violência sexual intrafamiliar e sofrimento psíquico; (2) impactos da violência sexual sobre a saúde mental; (3) agressões sexuais, crise psíquica e tentativa de suicídio; e, (4) violência sexual, medidas preventivas do suicídio e valorização da vida.
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Categoria 1 - Violência sexual intrafamiliar e sofrimento psíquico
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A violência sexual intrafamiliar circunscreve fenômeno complexo, controverso, devastador, que impacta negativamente o bem-estar psicológico e emocional das vítimas, sobretudo, porque os abusadores são figuras próximas e confiáveis, a exemplo, pais, padrastos, avós. Essa proximidade, junto ao medo de desestruturação das relações familiares (em caso de denúncia), muitas vezes, influencia no silêncio das mulheres vitimadas. A sobrecarga emocional advinda se acompanha aos sentimentos de abandono, solidão, desamparo, desesperança; cooperando com a perpetuação da violência [12].
Entrementes, a violência sexual intrafamiliar reincidente conforma experiência demasiado traumática, que deixa cicatrizes psicológicas duradouras, agravadas pela violação da confiança. À vista disso, emergem, comportamento introvertido ou agressivo; sentimentos intensos de insegurança, medo, baixa autoestima [13], vergonha, culpa; que minam a resiliência psicológica da mulher, aumentando o risco de tentativa de suicídio. Aliás, a exposição contínua à violência, em especial nos primeiros anos de vida, se associa à maior incidência de depressão [14], transtorno de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT); assim como a ideação e a tentativa de suicídio – vista pela vítima como a única saída para escapar do sofrimento [15].
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Categoria 2 - Impactos da violência sexual sobre a saúde mental
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Em geral, mulheres com histórico de violência sexual exibem dificuldades em relação ao toque, à prática de relação sexual, à convivência conjugal, ao estabelecimento de relações interpessoais, principalmente, com homens [13]. Igualmente, mostram chances significativamente maiores de exibição de sofrimento mental moderado ou grave [15]; tal e qual, de adoecimento psíquico, isolamento social, automutilação e ideações suicidas – que podem perdurar ao longo da vida [14]. Nessa conjuntura, a dificuldade em falar sobre a violência sofrida incita à decisão de dar fim à própria vida [12].
Ora, a violência sexual se correlaciona à ideação suicida e à tentativa de suicídio [16]. Nessa acepção, a internalização do crime sexual sofrido pode minar as forças psíquicas e realimentar traumas, fazendo com que a mulher revisite os próprios sentimentos e sensações, e queira pôr fim em tudo. Inobstante, outra estratégia comumente adotada diante de situações correlatas tem sido a desconexão das emoções congeladas, por meio do uso prejudicial de álcool e/ou outras drogas [13].
Particularmente em meninas, os reflexos do abuso sexual sobre a saúde mental se expressam através do baixo desempenho escolar, pouca ou nenhuma adaptação social e baixa autoestima. Paralelamente, concorrem com a eclosão de doenças psicossomáticas, síndrome de fadiga crônica, transtornos de personalidade, estresse pós-traumático, ansiedade, pânico, comportamentos autolesivo, heteroagressividade e crise suicida [14].
Quando a violência sexual ocorre no local de trabalho, exacerbam prejuízos e danos na vida profissional da mulher violentada, com irrestritos impactos na saúde mental. Nesse sentido, destaca-se, transtorno depressivo, transtorno de ansiedade, fobia social, automutilação, ideação suicida, tentativa de suicídio, distúrbios do sono [17].
Fundamental alertar acerca da correlação entre a violência sexual sofrida por mulheres com cônjuge HIV positivo, expostas à prática de relações sexuais desprotegidas, e os verificando os impactos sobre a saúde mental. Desse modo, se acentuam quadros atinentes a transtorno depressivo, transtorno de estresse, transtorno de ansiedade, uso prejudicial de substâncias psicoativas [18].
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Categoria 3 - Agressões sexuais, crise psíquica e tentativa de suicídio
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A violência sexual contra a mulher gera efeitos colaterais de risco para as vítimas, mormente, através do comportamento suicida [19]; também, provoca prejuízos psicológicos, psicossociais, relacionais e socioeconômicos à pessoa e sua rede de apoio [7]. Daí, as sequelas decorrentes atingem as vítimas; afetam o bem-estar de famílias, comunidades e da sociedade; representam um desafio para gestores e profissionais da saúde, tendo em vista as marcas profundas na saúde física e mental [12].
Conquanto o suicídio seja um grave problema de saúde global, não lhe é atribuída a devida importância, devido a tabus e à desinformação subjacentes. Nesse cenário, o isolamento, a submissão e o silêncio em que vivem as vítimas de violência sexual, simultaneamente ao estigma, à ignorância, ao receio e à recusa em falar sobre suicídio, contribuem com que o fenômenos permaneça amplamente negligenciado [19].
Isto posto, adverte-se que faz parte da prevenção do suicídio a identificação dos fatores de risco e de proteção [20]. Logo, é imperativo que mulheres vítimas de crimes sexuais sejam incluídas nos planos de detecção precoce e intervenção promovidos pelos órgãos pertinentes para enfrentamento do suicídio [21].
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Categoria 4 – Violência sexual, medidas preventivas do suicídio e valorização da vida.
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Diante da complexidade e gravidade das consequências psicossociais que a vitimização por violência sexual contra a mulher ocasiona, é prioritária a implementação de medidas eficazes para prevenção do suicídio, valorização da vida e redução de danos emocionais. Essas medidas devem ser integradas, coordenadas, eficazes; precisam focalizar soluções adaptadas a distintas realidades, tanto quanto a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
No âmbito das políticas públicas, é imprescindível a criação e o consolidação de programas de valorização da vida das mulheres violentadas sexualmente. Além disso, apregoa-se a implementação de políticas que facilitem o acesso ao atendimento psicológico gratuito, a criação de centros de apoio especializados e o desenvolvimento de campanhas educativas que desmistifiquem o suicídio e a violência sexual, especialmente em regiões com altas taxas de violência sexual e suicídio [14].
Defende-se também, o fortalecimento da parceria entre profissionais da saúde e da educação, a favor da identificação precoce de meninas em contextos de vulnerabilidades, tal qual, de abuso sexual [14]. Soma-se a isso, a impostergável implementação de políticas públicas abrangentes, que incluam a sensibilização das comunidades sobre os impactos da violência sexual e acerca da desmistificação dos tabus intrínsecos ao suicídio [12]. Ao mesmo tempo, é decisiva a capacitação de profissionais da saúde e da assistência social, para impulsionar a detecção e a intervenção consistentes em casos de violência sexual com risco de suicídio, considerando-se, em primazia, a óptica da prevenção [13]. Destarte, a integração de programas de prevenção de violência sexual com iniciativas de saúde pública, pode amplificar esforços de proteção da saúde mental das vítimas e prevenção de tentativas de suicídio [18].
Além do mais, é preciso enaltecer a importância pelas redes de apoio comunitário, propícias à valorização da vida e à redução do isolamento social das vítimas; para oferta do cuidado informal à mulher; para revigoramento dos laços interpessoais e institucionais, ante o rompimento do ciclo da violência e recuperação das mulheres vitimizadas [22].
Em verdade, as medidas preventivas compõem diretrizes valiosas para a prática clínica e o desenvolvimento de políticas públicas de prevenção do suicídio em mulheres vítimas de violência sexual. Daí, é fundamental a capacitação de profissionais de saúde para detecção precoce dos sinais de risco de suicídio e implementação de intervenções que abordem os sintomas psicológicos e as necessidades sociais das vítimas. Aliás, exalta-se a integração de equipes multidisciplinares, no intuito da garantia da abordagem holística e do robustecimento da eficácia das intervenções a serem empreendidas [13].
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4. Considerações finais
Atesta-se a significativa associação entre a violência sexual sofrida por mulheres e as sequelas consequentes na saúde mental e qualidade de vida, que se desdobram em comportamento autodestrutivo, mediante tentativas de suicídio. Deveras, o crime sexual marca tão profundamente, que se enraíza nas memórias, como eventual gatilho para tentativas de suicídio. Logo, é fulcral a sensibilização e educação permanente dos profissionais da rede intersetorial de assistência a mulheres em situação de violência sexual, com ênfase no acolhimento humanizado e no não julgamento; na abordagem holística, assente na lógica da integralidade; em prol da valorização da vida, prevenção do suicídio e da redução de danos.
Afinal, é impostergável o investimento em futuras pesquisas científicas teóricas e empíricas ampliadas sobre o fenômeno, assim como o fortalecimento de políticas públicas intersetoriais para acompanhamento de demandas correlatas. Dessarte, com ênfase na prevenção, proteção, reparação, defesa dos direitos humanos e promoção dos cuidados baseados na relação sujeito-sujeito; que respeitem as idiossincrasias e singularidades das mulheres em contexto da vivência de violência sexual e tentativa de suicídio.
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5. Declaração de direitos
As autoras declaram ser detentoras dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade das autoras, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa| SESAPI|Associação Reabilitar, Teresina/PI, Brasil.
Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Teresina/PI, Brasil.
Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Teresina/PI, Brasil.
Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Teresina/PI, Brasil.
Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Teresina/PI, Brasil.
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