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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Efetividade da terapia B+ na prevenção da transmissão vertical do HIV: revisão sistemática

Mariana Perotta; Miryam Ferrarini1; Saulo Vinicius da Rosa2; Juliana Schaia Rocha Orsi3; Renata Iani Werneck4; Samuel Jorge Moysés5

 

Como Citar:

PEROTTA, Mariana; FERRARINI, Miryam; ROSA, Saulo Vinicius; ORSI, Juliana Schaia Rocha; WERNECK, Renata Iani; MOYSÉS, Samuel Jorge.. Efetividade da terapia B+ na prevenção da transmissão vertical do HIV. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.4979-5000, 2024.

https://doi.org/10.61411/rsc202465417

 

DOI: 10.61411/rsc202465417

 

Área do conhecimento: Enfermagem.

Sub-área: Saúde Coletiva.

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Palavras-chaves: Transmissão vertical de doença infecciosa; Gestante; HIV; Antirretroviral.

 

Publicado: 28 de outubro de 2024.

Resumo

A transmissão vertical do HIV é um dos marcadores avaliados na condução do pré-natal da gestantes HIV positivo e as terapias medicamentosas são uma das maneiras de controlar esta via de transmissão. A terapia B+ é a preconizada, no momento, para o tratamento destas gestantes. Objetivo: investigar a efetividade da terapia B+ na prevenção da transmissão vertical do HIV. Revisão sistemática da literatura realizada nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Cinahl, Cochrane Library e Scielo, pesquisadas com palavras-chaves. A literatura cinzenta também foi explorada. Dos 1428 artigos selecionados no processo de busca, 13 artigos foram incluídos na revisão, sendo nove estudos de coorte e quatro estudos transversais. Os dados das gestantes foram coletados em unidades/centros de saúde, hospitais, programas de prevenção de transmissão vertical do HIV e um centro de obstetrícia. A taxa de transmissão vertical variou 0% a 5,9%; sendo que em dois estudos ficou abaixo de 1,0%, em quatro estudos esteve na faixa dos 2,0% e em dois estudos na faixa dos 3,0%. A faixa dos 4,0% foi observada em dois estudos e dois estudos relataram os maiores valores: 5,8% e 5,9%. Uma taxa de transmissão vertical abaixo de 5% é um dos indicadores preconizados dos programas de pré-natal e de manejo da AIDS. Os resultados dos estudos avaliados nessa revisão demonstraram que, após a implementação da terapia B+, a maioria deles apresentou uma taxa de transmissão vertical abaixo de 5%.

 

 

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Effectiveness of B+ therapy in preventing mother-to-child transmission of HIV: a systematic review of the literature

Abstract

Vertical transmission of HIV is one of the markers evaluated in prenatal care for HIV-positive pregnant women and drug therapies are one of the ways to control this route of transmission. B+ therapy is currently recommended for the treatment of these pregnant women. Aim: investigate the effectiveness of B+ therapy in preventing the transmission of HIV in mother-to-child. This is a systematic review of the literature in PubMed, Scopus, Web of Science, Latin American and Caribbean Health Sciences (LILACS), Cinahl, Cochrane Library, and Scielo databases, searched with keywords. Grey literature was also explored. Of the 1428 articles, 13 were selected to review, which include nine cohort studies and four cross-sectional studies. The data of pregnant women were collected at health units/centers, hospitals, programs for the prevention of mother-to-child transmission of HIV, and a midwifery center. The rate of mother-to-child transmission ranged from 0% to 5.9%; in two studies it was below 1.0%, in four studies it was in the range of 2.0%, and in two studies in the range of 3.0%. The 4.0% range was observed in two studies and two studies reported the highest values: 5.8% and 5.9%. A vertical transmission rate below 5% is a benchmark recommended in prenatal and AIDS management programs. The results evaluated in this review demonstrated that, after the B+ therapy performance, most women presented a vertical transmission rate below 5%.

Keywords: Vertical transmission of infectious disease; Pregnant Woman; HIV; Antiretroviral.

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1.Introdução

O Programa conjunto das Nações Unidas sobre HIV e AIDS (UNAIDS) estima que, globalmente, existem aproximadamente 38,4 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS, sendo que as mulheres e as meninas representam 54% dessa população [1]. Em 2014 foi feita a estimativa de que, no mundo, 1,5 milhão de mulheres infectadas pelo HIV engravidam todos os anos [2].

Os programas de prevenção da transmissão vertical do HIV (PTV) produziram grandes avanços nas últimas décadas e muitos países conseguiram diminuir as taxas de transmissão vertical do HIV para <5%. Apesar do sucesso demonstrado pelos programas de PTV, evidências sugerem que a baixa aceitação do serviço e a baixa retenção ao longo das linhas de cuidados clínico, para mães e seus bebês, representam um grande desafio para alcançar a eliminação da transmissão vertical. A adesão às etapas sequenciais da cadeia de prevenção da transmissão vertical é crucial, com um modelo indicando que a eliminação virtual da transmissão vertical poderia ser alcançada, com 95% de aderência a cada etapa. Aderência de 95% é difícil de alcançar em ambientes do mundo real, devido aos desafios com a adesão e retenção da terapia com antirretrovirais, conforme mostrado pelas taxas de perda de seguimento de até 88% em alguns contextos [3].

A incidência de crianças que adquirem HIV por transmissão vertical, em países de baixa renda, diminuiu de 400.000 em 2009 para 240.000 crianças em 2013, no entanto continua sendo expressiva [4]. O declínio pode ser atribuído em grande parte às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2010, para dois regimes de terapia antirretroviral (TARV) para a prevenção da transmissão vertical (PTV), conhecidas como opções A e B [5].

Na Opção A (contagem de CD4 >350 células/mm3), mulheres grávidas HIV positivas recebem Zidovudina (AZT) na 14ª semana de gestação, seguida por uma dose única de nevirapina (sdNVP) no início do trabalho de parto e um coquetel de AZT e Lamuvudina (3TC) até uma semana após o parto. O bebê exposto ao HIV recebe nevirapina oral diariamente, desde o nascimento até o término da amamentação [5].

Na opção B (contagem de CD4 >350 células/mm3) é fornecido um regime de dose tripla inicial de antirretrovirais, sendo que a medicação é continuada intraparto e até ao nascimento do bebê, se não amamentar, ou até uma semana após desmame completo. Doses orais diárias de nevirapina ou AZT são administradas ao lactente exposto ao HIV, como profilaxia nas primeiras seis semanas de vida [5,6].

Em 30 de junho de 2013, a OMS divulgou orientações consolidadas e atualizadas sobre o uso de medicamentos antirretrovirais para tratar e prevenir a infecção pelo HIV, sendo essas orientações oficialmente exigidas em 2015. A recomendação passou a ser o uso da terapia B+, uma estratégia de tratamento universal para a prevenção da transmissão vertical do HIV. Na opção B+, todas as mulheres grávidas ou lactantes com HIV são elegíveis para a terapia antirretroviral (TARV) vitalícia, independentemente do estágio clínico ou contagem de CD4 (os profissionais de saúde podem iniciar a TARV sem qualquer teste laboratorial). Foram estabelecidas metas de transmissão vertical <5% em populações que amamentam e <2% em populações que não amamentam [7].

A eliminação da transmissão vertical do HIV de mães soropositivas, para seus filhos, é possível por meio da prevenção, do uso de medicamentos antirretrovirais e do teste de HIV durante a gravidez. Vários estudos foram desenvolvidos avaliando a implementação da terapia B+ em diversas cidades, em sua maioria na África, tanto na avaliação da sua adesão pelas gestantes, quanto na taxa de transmissão vertical [3,8,9].

Assim, objetiva-se a realização de uma revisão sistemática avaliando a efetividade da terapia B+ na diminuição da taxa de transmissão vertical, com base na literatura científica internacional atual.

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2.Metodologia

O protocolo de pesquisa foi desenvolvido levando em consideração os itens recomendados para protocolos de revisão sistemática pelo Preferred reporting items for systematic review and meta-analysis protocols (PRISMA-P) [10], sendo cadastrado na plataforma International prospective register of systematic reviews (PROSPERO) sob número de registro CRD42021264738.

 A pergunta norteadora dessa revisão foi: “Prevalência da transmissão vertical do HIV após implementação da terapia B+: uma revisão sistemática da literatura”. Foi utilizada a estratégia CoCoPop, para revisões sistemáticas, apresentando: como condição (Co) a transmissão vertical do HIV; contexto (Co) a implementação da terapia B+; e população (Pop) as gestantes HIV positivo. As buscas foram realizadas nas seguintes bases de dados: PubMed, Scopus, Cinahl, Cochrane Library, Scielo, Web of Science e Latin American and Caribbean Health Sciences Literature database-Lilacs (via BVS). Foram empregados termos de busca de acordo com o Medical Subject Headings (MeSH) e termos livres. O quadro 1 traz a relação dos termos de busca definidos de acordo com a pergunta de estudo. As buscas foram realizadas sem restrição de data de publicação ou idioma.

Condição (Co)

Transmissão vertical

infectious disease transmission, vertical (mesh) OR mother to child transmission (tl) OR HIV exposed infant (tl) OR vertical-HIV infection (tl) OR PMTCT (tl)

Contexto (Co)

Terapia B+

option B (tl) OR B plus (tl) OR B program (tl) OR B+

População (Pop)

Gestantes HIV/AIDS

HIV (mesh) OR HIV infections (mesh) OR HIV seropositivity (mesh) OR acquired immunodeficiency syndrome virus (mesh) OR human immunodeficiency virus (tl) OR AIDS serodiagnosis (mesh) OR AIDS virus (tl)

Quadro 1. Relação dos descritores selecionados para busca das referências para revisão sistemática.

 

A literatura cinzenta também foi explorada em repositórios eletrônicos, bancos de dados bibliográficos ou mecanismo virtual de pesquisa em metadados da literatura acadêmica: OpenGrey, Proquest, Biblioteca Digital Brasileira de teses e dissertações, Banco de teses Capes, Anais do IV Congresso Brasileiro de Prevenção DST/AIDS e Google acadêmico.

Os critérios de inclusão foram artigos que avaliaram índices/indicadores de transmissão vertical após a implementação da terapia B+ para o tratamento de gestantes HIV positivo.

Os critérios de exclusão foram artigos que não avaliaram índices/indicadores de transmissão vertical após a implementação da terapia B+ para o tratamento de gestantes HIV positivo, revisões, opiniões de experts, resumos de conferência, séries de caso. Não houve exclusão baseada no idioma ou tempo de publicação. Todos os resultados foram importados para um gerenciador de referências (Endnote X5®), permitindo, de imediato, a identificação dos artigos em duplicata.

Após a remoção das duplicatas, os artigos foram exportados para o aplicativo Rayyan® (aprendizado de máquina para triagem inicial com semiautomação), por meio do qual dois revisores fizeram a seleção independente dos artigos; primeiro pela leitura dos títulos, depois pela leitura dos resumos e por fim pela leitura dos artigos na íntegra. Não houve discordâncias, mas, caso houvesse, foi estabelecido no protocolo de revisão que elas seriam resolvidas por um terceiro revisor. Após a leitura na íntegra, foram selecionados os artigos que se enquadravam nos critérios de inclusão (n=13), conforme fluxograma da Figura 1

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3.Desenvolvimento e discussão

Dos artigos selecionados foi realizada a extração dos dados relacionados com os objetivos do estudo. Os dados extraídos dos artigos estão na Tabela 1.

Tabela 1: Características dos estudos incluídos. Curitiba, 2022

Autor / Ano:

Língua:

Tipo de estudo:

Continente

Tamanho da amostra (mães/filhos):

Taxa de transmissão vertical:

Tempo de acompanhamento

Coleta de dados

Olana et al., 2016.

 

Inglês

Transversal

África

412 mães e 624 bebês

4,3%

6 - 8 semanas

Registro de hospital

Girma et al., 2017.

 

Inglês

Coorte

África

494 mães e 431 bebês

0,7%

6,7 semanas

Centros de saúde

Kyaw et al., 2017.

 

Inglês

Coorte

Ásia

678 mães e 457 bebês

 

2%

 

18 meses

Programa de prevenção de TV

Moges et al., 2017.

 

Inglês

Coorte

África

305 mães e 305 bebês

 

5,9%

18 – 24 meses

Unidades de saúde

Etoori et al., 2018.

 

Inglês

Coorte

África

665 mães e 320 bebês

 

2,2%

6 semanas

Setor de saúde pública

Deschamps et al., 2018.

 

Inglês

Coorte

América

3.737 mães e 560 bebês

 

3,6%

12 - 24 meses

Programa de prevenção de TV

Landes et al., 2018

 

Inglês

Transversal

África

3.519 mães e 3.519 bebês

4,7%

4 – 26 semanas

Unidades de saúde

Pricilla et al., 2018.

 

Inglês

Coorte

África

2604 mães e 1883 bebês

2,7%

18 meses

Hospital do governo

Daver et al., 2019.

 

Inglês

Transversal

Ásia

93 mães e 74 bebês

 

0% (não houve)

 

12 – 18 meses

Departamento de obstetrícia

Nlend et al., 2019.

Francês

Transversal

África

200 mães e 120 bebês

5,8%

 

12 meses

Centro Hospitalar

Kassaw et al., 2020.

 

Inglês

Coorte

África

217 mães e 198 bebês

 

3,7%

18 – 24 meses

Hospitais estaduais

Muyunda et al., 2020.

 

Inglês

Coorte

África

1444 mães e 580 bebês

2,9%

Não informado

Unidades de saúde

Alamdo et al., 2021.

Inglês

Coorte

África

356 mães e 356 bebês

 

0,61%

18 – 24 meses

Unidades de saúde

 

Sem as duplicatas, um total de 1428 artigos foram compilados de todas as bases de dados consultadas. Após a leitura dos títulos e resumos, foram selecionados 46 artigos para a leitura na íntegra. Após a leitura das versões em texto completo, 33 artigos foram excluídos pelos seguintes motivos: os dados do artigo não eram referentes a terapia B+ (n=14) [11-23], o artigo não tinha valores da taxa de transmissão vertical (n=16) [24-39] e os artigos eram relatórios de serviços (n=3) [40-42].

Entre os 13 artigos incluídos, 10 deles eram da África [43-52], dois da Ásia [53,54] e um artigo da América [55], totalizando nove estudos de coorte [44-47,50-53,55] e quatro estudos transversais [43,48,49,54]. O ano de publicação variou entre 2016 e 2021. Doze artigos foram escritos em inglês e um artigo em francês [49].

Os dados das gestantes foram coletados em diferentes locais, tais como em unidades/centros de saúde [44,45,47,48,51,52], hospitais [43,46,49,50], programas de prevenção de transmissão vertical do HIV [53,55] e um centro de obstetrícia [54]. Essa diversidade esteve diretamente relacionada com o desenho do estudo, transversal ou coorte, e também com o tamanho das amostras, uma vez que os estudos de coorte tiveram amostras mais numerosas do que os estudos transversais.

O período de acompanhamento dos bebês para a coleta de dados referentes a transmissão vertical variou bastante, de 4-26 semanas [48], 6 semanas [47], 6-8 semanas [43], 6,7 [44] semanas, 12 meses [49], 12-18 meses [54], 12-24 meses [55], 18 meses [46,53], e 18-24 meses [45,50,52], sendo que em um artigo não tinha o período de acompanhamento [51].

Nos artigos incluídos houve uma variação da taxa de transmissão vertical com a implementação da terapia B+, sendo a menor de 0% de um estudo realizado em um centro de obstetrícia na Ásia (Índia) [54] e a maior de 5,9% em um estudo realizado em sete unidades de saúde na África (Etiópia) [45]. Em dois estudos realizados em centros de saúde na África, a taxa ficou abaixo de 1,0%; em um foi de 0,6% [52] e no outro de 0,7% [44]. Em quatro estudos a taxa esteve na faixa dos 2%, sendo de 2% em estudo realizado na Ásia [53] em um programa de prevenção de TV; de 2,2% [47] e 2,9% [51] em dois estudos realizados em centros de saúde na África e de 2,7% em um estudo realizado em quatro hospitais [46], também na África. No estudo realizado com dados de um programa de prevenção de TV na América a taxa foi de 3,6% [55] e a taxa de um hospital na África foi muito próxima, 3,7% [50]. Dois estudos na África, um em hospital [43] e um em unidade de saúde [48] apresentaram taxa na faixa dos 4%, sendo respectivamente de 4,3% e 4,7%. Os maiores valores foram de um estudo com dados de cinco hospitais na África (Etiópia) [49] que foi de 5,8% e o do estudo, já mencionado, com unidades de saúde também na Etiópia [45] (5,9%).

O risco de viés foi avaliado de acordo com o instrumento JBI Joanna Briggs Institute [56] para avaliação de artigos de coorte. Esse instrumento é composto por uma lista de 11 perguntas que avaliam se a exposição foi medida de forma confiável, se foram identificados fatores de confusão, se os resultados foram medidos de forma válida, se o tempo de seguimento foi relatado e suficiente para os resultados. Com base no checklist dessa avaliação, os artigos que fizeram parte da revisão tiveram uma pontuação média de qualidade de 6,9, variando de cinco a oito. Dez estudos (71%) eram de alta qualidade (pontuação > 6,9) e os outros quatro eram estudos de qualidade moderada (pontuação entre 5 e 6). Nenhum dos artigos foi considerado de baixa qualidade.

O uso da medicação antirretroviral é uma das principais maneiras de controlar a transmissão vertical do HIV. A terapia B+ é a recomendada para o tratamento das gestantes, iniciando em qualquer período da gestação e com qualquer carga viral. Assim, saber como está a taxa de TV após a implementação dessa terapia foi o objeto de pesquisa desta revisão sistemática.

Sabendo-se que a maior via de contaminação de crianças pelo HIV é a TV, torna-se importante estabelecer a melhor evidência disponível para o manejo do pré-natal das gestantes HIV positivo, além dos cuidados inerentes a mulher, exigindo o cuidado adequado para evitar essa transmissão. De acordo com a literatura pertinente, o uso da medicação antirretroviral, levando à diminuição da carga viral da gestante, é a melhor conduta atualmente disponível para reduzir a taxa de TV. Mulheres que estavam em uso de qualquer TARV, e aquelas que iniciaram na opção B+ a tempo, foram significativamente menos propensas a transmitir o HIV46. Mulheres que engravidaram depois de saber a sua sorologia para HIV tiveram uma chance 0,22 vezes menor de ter um filho HIV positivo, em comparação com aquelas que souberam de sua sorologia durante o pré-natal, no pós-parto ou após a gravidez45.

A África foi o continente mais prevalente entre os estudos avaliados para essa revisão; no entanto, isso não caracteriza uma limitação do estudo, pois a África é a região do mundo onde os números da epidemia da AIDS são mais preocupantes e onde há uma maior dificuldade de adesão ao tratamento, em decorrência de dificuldades econômicas e de acesso aos programas, mesmo depois da implementação da terapia B+ que não necessita de exames laboratoriais para determinar a dose da medicação51. Assim, grandes esforços de pesquisa têm sido dirigidos para este continente.

Dentre os estudos considerados nessa revisão houve uma variação quanto aos locais dos estudos, aos desenhos dos estudos (coorte ou transversal) e no tamanho das amostras, todavia isso não influenciou na avaliação da taxa de transmissão vertical, que foi calculada de acordo com o tamanho da amostra e com o programa de cada local de estudo.

 Um dos indicadores preconizados pela UNAIDS57 (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS) é uma taxa de transmissão vertical do HIV menor que 5%; assim, dos 13 artigos avaliados para essa revisão somente em dois deles não foi alcançado esse resultado45,49, indicando uma melhora após a implementação da terapia B+.

 Uma limitação na presente revisão que reflete as limitações dos estudos primários incluídos é em relação ao tempo de acompanhamento do bebê na avaliação da taxa de transmissão vertical. Não houve uma padronização em tais estudos, e o mais indicado pela literatura seria de 18-24 meses, sendo que esse período foi observado em apenas quatro estudos45,50,52,55.

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4.Considerações finais

A transmissão vertical é a principal via de contaminação das crianças por HIV, portanto reduzir a sua taxa é um dos objetivos dos programas de pré-natal e de manejo da AIDS. Uma taxa de transmissão vertical abaixo de 5% é um dos indicadores preconizados nesses programas. Os resultados dos estudos avaliados nessa revisão demonstraram que, após a implementação da terapia B+, a maioria deles apresentou uma taxa de transmissão vertical abaixo de 5%. Assim, como resposta ao objetivo desta revisão, conclui-se que há efetividade da terapia B+ na prevenção da transmissão vertical do HIV.

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5.Declaração de direitos

Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra Revista. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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