ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc66251
Publicado em 16 de setembro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
ANÁLISE DA DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL E DA TAXA DE DETECÇÃO DOS CASOS DE HIV/AIDS NO NORDESTE BRASILEIRO
Antonio Domingos de Sousa Neto¹; Marijany da Silva Reis²; Daís Nara Silva Barbosa³; Matheus Henrique da Silva Lemos4; Emanuella Pereira Ribeiro5; Lauro César de Morais6; Cynara Cristhina Aragão Pereira7; Filipe Melo da Silva8; Jailson Alberto Rodrigues9
1,2,3,5,6,7,8Universidade Federal do Piauí, Floriano/PI, Brasil
4,9Universidade Federal do Piauí, Teresina/PI, Brasil
RESUMO
Este estudo analisa a distribuição espacial e a taxa de detecção dos casos de HIV/Aids no Nordeste brasileiro. Trata-se de um estudo descritivo, a partir dos dados secundários de casos notificados de HIV/Aids, no período de 2002 a 2021, na região Nordeste do Brasil. Observou-se que houve uma maior prevalência em pessoas do sexo masculino, tendo um aumento entre os anos de 2017 a 2021. A faixa etária de indivíduos entre 20 e 49 anos e aqueles que possuem ensino fundamental incompleto estão com maior proporção no número de casos em relação as suas variáveis equivalentes. O estado do Pernambuco manteve constância nos números de casos no decorrer dos anos. A quantidade de casos entre o sexo masculino se manteve alta em relação ao feminino. Notou-se que Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Rio Grande do Norte, mantiveram altos índices de casos na distribuição da taxa de incidência do HIV. Em relação à orientação sexual, quando alocados os sexos, sobressaem-se os autodeclarados heterossexuais. Destaca-se a importância deste estudo em suas possíveis contribuições para o desenvolvimento de modelos de prevenção, reforço de campanhas e políticas públicas com enfoque nas áreas de risco do HIV na região Nordeste.
Palavras-chave: HIV, Epidemiologia, Demografía.
1 INTRODUÇÃO
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) pode resultar na Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), a qual induz nos portadores um processo profundo de imunodepressão, servindo como entrada para doenças oportunista e neoplasias, nos casos graves [1]. A infecção aguda da doença ocorre nas primeiras semanas com a replicação do vírus nos tecidos linfoides, atacando células do sistema imune como o LT-CD4+. Além disso, o HIV pode causar doenças por dano direto a certos órgãos ou processos inflamatórios, infecções e manifestações não infecciosas. Portanto, deve-se considerar diferenças regionais e grupos sob vulnerabilidade como, por exemplo, mulheres transexuais e adolescentes [2].
A forma de transmissão do HIV dá-se por algumas vias, como nas relações sexuais desprotegidas, sangue contaminado compartilhado através de agulhas, transfusão e por via vertical, ou seja, de mãe contaminada para filho, durante a gravidez, parto e amamentação [3]. O diagnóstico da doença atende fatores relacionados aos critérios epidemiológicos, sinais e sintomas clínicos e resultados de testes diagnósticos. Com isso, o tratamento é baseado na terapia antirretroviral, considerando que o HIV ainda não possuí vacina [4].
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, cerca de 38 milhões de pessoas viviam com HIV no mundo [5]. Na África subsaariana, por exemplo, a variação na prevalência do vírus tem implicações importantes para o controle da infecção, pois é a principal causa de morbidade e mortalidade do local [6].
No Brasil, a ocorrência do HIV permanece em ascensão, mesmo com uma diminuição no número de óbitos, devido à terapia antirretroviral. É notório que a região nordeste ainda mantém um aumento em relação as demais. No estado do Piauí, por exemplo, observa-se uma maior prevalência de infecção em heterossexuais, enquanto categoria de exposição [7].
Informações estratégicas são coletadas para informar as decisões sobre políticas e programas. Portanto, coletar, interpretar e organizar dados promove avanços científicos [8]. Assim, analises dinâmicas dos casos de HIV/AIDS, em sua complexidade, contribuem para a construção do conhecimento científico, identificando áreas de risco e evidenciando tendências.
Por si só, o perfil epidemiológico da AIDS no nordeste brasileiro é de grande relevância técnico-científica. Situar-se sobre os indivíduos mais afetados, de acordo com suas esferas, contribui para o desenvolvimento de modelos de prevenção, reforço de campanhas e políticas públicas com enfoque nas áreas de maior vulnerabilidade [9]. Desta forma, o presente estudo objetiva analisar a distribuição espacial e a taxa de detecção dos casos de HIV/AIDS no nordeste brasileiro.
2 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, conduzido a partir dos dados secundários de casos notificados de HIV/AIDS, referente ao período de 2002 a 2021, na região Nordeste do Brasil, conforme a figura 1. Os dados foram coletados através do departamento de informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), considerando como variável dependente os casos de HIV/aids notificados no período estabelecido e, como independentes, as variáveis sexo, faixa etária, cor, escolaridade, categoria de exposição e unidade federativa.
Figura 1 - Mapa de localização da região Nordeste
O tamanho da população residente da região Nordeste e unidade federativa foram obtidos dos censos demográficos e projeções intercensitárias produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), junto ao qual também foram obtidas as coordenadas geográficas da região Brasileira para construção dos mapas temáticos. A análise espacial foi realizada a partir dos dados absolutos por ano, de cada ano estudado. Foram calculadas as taxas de frequência, prevalência e incidência e descritos em tabelas. Para a avaliação descritiva dos dados, utilizou-se o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Para análise dos dados espaciais, foi utilizado o programa QGIS, versão 2.18 e as informações foram exportadas ao Excel vs 2010.
O presente estudo não foi submetido à apreciação ética, uma vez que, de acordo com Resolução nº 510/2016 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP do Conselho Nacional de Saúde – CNS, há dispensa de avaliação ética, pois os dados apresentados são de domínio público. Segundo o Artigo 1º, parágrafo único da mesma resolução, isso sé dá por não se possibilitar a identificação dos sujeitos.
3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
A tabela 1 demonstra a distribuição dos casos de HIV/aids em relação às variáveis de sexo, cor, idade e escolaridade. Observa-se uma maior prevalência em pessoas do sexo masculino, tendo um aumento entre os períodos de 2017 a 2021. A cor parda também se sobressai entre as variáveis, tendo uma disparidade entre a cor branca e preta.
Observa-se que pessoas com a faixa etária entre 20 e 49 anos e aquelas que possuem ensino fundamental incompleto também estão evidenciados na taxa de contaminados.
Tabela 1 – Caracterização dos casos de HIV/aids, segundo as características sociodemográficas, Nordeste, Brasil, 2002 a 2021.
Variável | 2002 a 2006 | 2007 a 2011 | 2012 a 2016 | 2017 a 2021 | ||||
Sexo | N | % | n | % | N | % | n | % |
Masculino | 16,920 | 62,14 | 23,126 | 61,6 | 29,362 | 65,4 | 26,305 | 70,0 |
Feminino | 10,310 | 37,86 | 14,431 | 38,4 | 15,518 | 34,6 | 11,271 | 30,0 |
Em branco | 1 | 0,00 | 4 | 0,0 | 3 | 0,0 | 7 | 0,0 |
Cor |
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Branca | 3,693 | 13,6 | 4,179 | 11,1 | 4,331 | 9,6 | 2,443 | 6,5 |
Preta | 1,728 | 6,3 | 2,539 | 6,8 | 2,894 | 6,4 | 1,812 | 4,8 |
Amarela | 84 | 0,3 | 89 | 0,2 | 116 | 0,3 | 73 | 0,2 |
Parda | 9,969 | 36,6 | 17,061 | 45,4 | 21,830 | 48,6 | 14,547 | 38,7 |
Indígena | 47 | 0,2 | 76 | 0,2 | 81 | 0,2 | 35 | 0,1 |
Ignorada | 11,710 | 43,0 | 13,617 | 36,3 | 15,631 | 34,8 | 18,673 | 49,7 |
Fixa etária |
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0 a 9 | 1,020 | 3,7 | 1,021 | 2,7 | 758 | 1,7 | 443 | 1,2 |
10 a 19 | 612 | 2,2 | 878 | 2,3 | 1,244 | 2,8 | 877 | 2,3 |
20 a 49 | 23,006 | 84,5 | 30,997 | 82,5 | 35,843 | 79,9 | 29,520 | 78,5 |
50 a 64 | 2,312 | 8,5 | 4,088 | 10,9 | 5,998 | 13,4 | 5,695 | 15,2 |
65-79 | 263 | 1,0 | 536 | 1,4 | 954 | 2,1 | 957 | 2,5 |
80 e mais | 18 | 0,1 | 41 | 0,1 | 86 | 0,2 | 91 | 0,2 |
Escolaridade |
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Analfabeto | 1,395 | 11,2 | 1,307 | 6,7 | 1,419 | 6,7 | 999 | 5,8 |
Ensino fundamental incompleto | 4,941 | 39,8 | 9,064 | 46,6 | 7,103 | 33,6 | 6,072 | 35,1 |
Ensino fundamental completo | 315 | 2,5 | 2,020 | 10,4 | 2,481 | 11,7 | 1,495 | 8,6 |
Ensino médio incompleto | 3,402 | 27,4 | 1,456 | 7,5 | 1,774 | 8,4 | 1,444 | 8,4 |
Ensino médio completo | 471 | 3,8 | 3,499 | 18,0 | 5,259 | 24,9 | 4,417 | 25,6 |
Ensino superior incompleto | 67 | 0,5 | 555 | 2,9 | 907 | 4,3 | 953 | 5,5 |
Ensino superior completo | 1,238 | 10,0 | 1,087 | 5,6 | 1,848 | 8,7 | 1,708 | 9,9 |
Não se aplica | 572 | 4,6 | 454 | 2,3 | 343 | 1,6 | 198 | 1,1 |
Fonte: Datasus
A figura 2, apresenta o gráfico com o número de infectados na região nordeste no período de 2002 a 2021.Observa-se o crescimento constante até o ano de 2020 e o pico de aumento nos anos de 2013 e 2018.
Figura 2 - Frequência de casos de HIV/aids, por ano de notificação, Nordeste, Brasil, 2002 a 2021
As categorias de exposição são amplas, a tabela 2 em questão demostra um maior número entre heterossexuais, tendo porcentagem extremas em relação as outras categorias, principalmente entre os anos de 2002 a 2006. Pode-se notar uma menor taxa de transmissão entre as categorias de hemofílicos, transfusão sanguínea e acidentes com material biológico.
Tabela 2 – Distribuição dos casos de HIV/aids segundo categoria de exposição, Nordeste, Brasil, 2002 a 2021
Variável | 2002 a 2006 | 2007 a 2011 | 2012 a 2016 | 2017 a 2021 | ||||
Categorias de exposição | n | % | N | % | N | % | n | % |
Homossexual | 2,517 | 9,24 | 3,561 | 9,48 | 5,361 | 11,94 | 4,094 | 10,89 |
Bissexual | 1,693 | 6,22 | 1,481 | 3,94 | 1,695 | 3,78 | 1,163 | 3,09 |
Heterossexual | 11,562 | 42,46 | 15,289 | 40,70 | 16,897 | 37,65 | 9,887 | 26,31 |
UDI | 502 | 1,84 | 475 | 1,26 | 443 | 0,99 | 260 | 0,69 |
Hemofílico | 11 | 0,04 | 06 | 0,02 | 07 | 0,02 | 04 | 0,01 |
Transfusão | 11 | 0,04 | 03 | 0,01 | 01 | 0,00 | 01 | 0,00 |
Acid. Material Biológico | 00 | 0,00 | 03 | 0,01 | 02 | 0,00 | 01 | 0,00 |
Transmissão Vertical | 598 | 2,20 | 726 | 1,93 | 686 | 1,53 | 345 | 0,92 |
Ignorado | 10,337 | 37,96 | 16,017 | 42,64 | 19,791 | 44,09 | 21,828 | 58,08 |
Fonte: Datasus
A tabela 3 caracteriza os indicadores de casos prevalentes e novos de HIV/aids, enquanto no período de 2002 a 2006 a cada 100 mil habitantes, surgiram 10,6 casos novo, de 2007 a 2011, obteve-se um pico maior, chegando a 16 habitantes (a cada 100 mil). É possível notar uma diferença na amplitude no período de 2017 a 2021 com relação aos anteriores.
Tabela 3- Indicadores de incidência e prevalência do HIV/AIDS, Nordeste, Brasil, 2002 a 2021
Períodos | Média da taxa de incidência por 100 mil hab. | Casos novos | Casos novos acumulados | Casos prevalentes | Mín. | Máx. | Amplitude |
|
| n.º | n.º | n.º | n.º | n.º |
|
2002-2006 | 10,6 | 2,417 | 4,603 | 27,235 | 4,772 | 6,155 | 1,383 |
2007-2011 | 13,9 | 2,389 | 4,340 | 37,565 | 6,690 | 8,236 | 1,546 |
2012-2016 | 16 | 1,019 | 1,790 | 44,884 | 8,712 | 9,218 | 506 |
2017-2021 | 13,01 | 396 | 0,677 | 37,583 | 2,982 | 9,292 | 6,310 |
Fonte: Datasus
A tabela 4 demonstra que o número de casos (a cada 100 mil habitantes) entre o sexo masculino se manteve alta em relação ao sexo feminino ao decorrer dos anos. Além disso, entre 0 a 9 ainda é a idade com menos casos durante os anos.
Tabela 4- Caracterização dos casos de HIV/aids, de acordo com a taxa de detecção, Nordeste, Brasil, 2002 a 2021.
Variável | 2002 a 2006 | 2007 a 2011 | 2012 a 2016 | 2017 a 2021 | ||||
Sexo (taxa por 100 mil hab) | ||||||||
| n | taxa | n | taxa | n | taxa | n | taxa |
Masculino | 16,920 | 65,20 | 23,126 | 85,5 | 29,362 | 83 | 26,305 | 81 |
Feminino | 10,310 | 38,8 | 14,431 | 36,9 | 15,518 | 35,5 | 11,271 | 34,4 |
Em branco | 1 | 0,001 | 4 | 0,007 | 3 | 0,005 | 7 | 0,011 |
Faixas etária (taxa por 100 mil hab) | ||||||||
| n | taxa | n | taxa | n | taxa | n | taxa |
0 a 9 | 1,020 | 9,6 | 1,021 | 0,01 | 758 | 8,15 | 443 | 5,2 |
10 a 19 | 612 | 5,8 | 878 | 8,54 | 1,244 | 12,1 | 877 | 9,0 |
20 a 49 | 23,006 | 100 | 30,997 | 124 | 35,843 | 134 | 29,520 | 108,9 |
50 a 64 | 2,312 | 44,8 | 4,088 | 67,4 | 5,998 | 84,2 | 5,695 | 69,7 |
65-79 | 263 | 10,7 | 536 | 19,2 | 954 | 29 | 957 | 24,8 |
80 e mais | 18 | 2,8 | 41 | 5,6 | 86 | 10 | 91 | 8,9 |
Fonte: Datasus
3.1 DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL
Os mapas ilustram os Estados da região nordeste e os casos de HIV/aids entre os períodos de 2002 a 2021.
Observa-se que no período de 2002 a 2006 ocorreu uma taxa de prevalência baixa nos Estados do Piauí (PI), Rio Grande do Norte (RN), Paraíba (PB), Alagoas (AL) e Sergipe (SE) em relação aos demais, no período estudado. No período de 2007 a 2011, observa-se que Pernambuco (PE) ainda permanece com uma disparidade quanto comparada aos outros estados, com um aumento exponencial. Nota-se que o Maranhão (MA) manteve um crescimento contínuo, como visto no mapa.
É notório o crescimento acentuado de casos no PI e RN, no período de 2012 a 2016. Além disso, MA teve aumento significativo na quantidade de casos, porém ocorre o inverso na Bahia (BA), Estado que apresentou taxas menores desde o período inicial.
O período de 2017 a 2021 é o mais próximo do momento atual neste intervalo de tempo, nota-se Os Estados com maior número de casos, sendo MA, RN e AL. Outrossim, PE não mostrou nenhuma diminuição na quantidade de casos desde o início da distribuição. Destarte, SE ainda se manteve em crescimento contínuo, diferente do CE, que permaneceu estável. Em contrapartida, os Estados do PI e BA permaneceram com menores taxas apresentadas no período de 2017 a 2021.
A predominância do sexo masculino entre os participantes deste estudo é um achado comum na literatura nacional e mundial. Além disso, Homens que fazem sexo com homens (HSH) caracterizam parte dos dados e também são mais afetados por casos de HIV, sendo população de risco. Portanto, a prevalência do número de casos de HIV deve direcionar políticas públicas com enfoque em situações que imprimam vulnerabilidade [11-12-13].
Quanto a etnia, indivíduos da cor parda são maioria entre os casos, essa prevalência também é encontrada em outros estudos [14-15]. Outrossim, a região nordeste também possui uma quantidade elevada da população autodeclarada parda e preta, com aproximadamente 69% desta, que pode explicar a quantidade encontrada [16].
De acordo com um relatório de vigilância realizado no Canadá, a faixa etária de maior diagnóstico de HIV na região é entre 30 a 39 anos, seguidos da faixa dos maiores de 50 anos, além das idades de 20 a 29 anos, observações também identificadas nesse estudo [17]. Nacionalmente, a concentração dos casos mantém-se nessa base, além de reafirmarem os dados em relação ao sexo masculino [18-19].
O boletim epidemiológico de HIV/aids fornece dados dos números de infecções no Brasil. Nacionalmente, o número de infectados aos considerados heterossexuais são menores que o de homossexuais, porém as mulheres heterossexuais lideram as estatísticas. Esse artigo fornece dados aprimorados em relação a ambos os sexos, que juntos lideram a quantidade de casos, sendo maior em heterossexuais. Portanto, quanto a prática entre HSH os dados fornecidos são 52,6%, e em relação a transmissão vertical o boletim referiu ser 2,2% dos casos de transmissão [20].
Figura 3- Distribuição da taxa de incidência do HIV/aids de acordo com os períodos e Unidades Federativas do Nordeste, Brasil, 2002 a 2021.
A diferença na amplitude entre os anos de 2017 a 2021 pode ser justificada pelo fato de entre 2020 e 2021 ter ocorrido o surto de COVID-19, no Japão, por exemplo, a capacidade das instalações para testes de HIV foi limitada. Além disso, as pessoas podem ter optado por não fazerem o teste de HIV, durante esse período, para evitar a exposição ao corona vírus [21].
A quantidade de casos de HIV entre crianças está diretamente relacionada com a transmissão vertical, além disso, observou-se um aumento no decorrer dos anos, que demonstra a necessidade do pré-natal precoce entre as mães, além de um planejamento familiar adequado [22].
No Estados Unidos, em termos de populações e áreas geográficas mais afetadas, notam-se disparidades entre regiões, por raça ou etnia, em relação à contaminação pelo HIV. Observou-se que a região sul do país demanda uma concentração de casos. Estudos informam que isso pode ser causado pela falta na cobertura do seguro de saúde, escassez de assistência médica, baixo nível de ensino em saúde e altas taxas de IST [23].
O crescimento notado no MA também é observado no estudo de Domingues et al publicado em 2022, relacionado ao perfil epidemiológico dos habitantes do Estado. A capital São Luiz, se manteve na 6ª posição no ranking de detecção do Brasil, além disso, os autores associam o crescimento na cidade com o baixo nível de escolaridade dos portadores [24].
Outrossim, mantendo constância no número de casos, PE teve destaque. O estado é um dos mais populosos do nordeste e Brasil. No estado, a capital Recife mantém liderança no número de casos, seguida por Jaboatão dos Guararapes. Autores alinham a epidemia na urbanização, principalmente em adolescentes, ao aumento de possibilidades e facilidade de contatos sexuais, promiscuidade e múltiplos parceiros, além de aumento de relações sexuais no estado [25].
O aumento dos casos no período de 2012 a 2016 pode ser concomitante a implementação do HIV como agravo de notificação compulsória em 2014. Uma pesquisa realizada no Brasil, mostra que na região nordeste são observados aglomerados no sul do MA, interior do PI, sul do CE e oeste da BA, corroborando para os Estados em destaque na distribuição da taxa de incidência do HIV neste estudo [26].
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados permitem a ampliação dos casos de HIV demonstrados pela distribuição espacial deles no Nordeste brasileiro, além do perfil epidemiológico dos contaminados.
Desse modo, observou-se que Pernambuco, Maranhão, Alagoas e Rio Grande do Norte, mantiveram altos índices de casos na distribuição da taxa de incidência do HIV. Além disso, pessoas do sexo masculino são quase o dobro dos contaminados. Em relação à orientação sexual, notou-se que quando alocados os sexos, sobressaem-se os autodeclarados heterossexuais.
Destaca-se a importância deste estudo em suas possíveis contribuições para o desenvolvimento de modelos de prevenção, reforço de campanhas e políticas públicas com enfoque nas áreas de risco do HIV na região Nordeste. Baseado no propósito desse estudo, que foi analisar a distribuição espacial e a taxa de detecção dos casos de HIV/AIDS no nordeste brasileiro, esses modelos de prevenção, são estatísticos, e podem auxiliar profissionais de saúde e epidemiologistas para uma maior atuação nas áreas de maior número de detecção.
Em suma, esse estudo teve limitações metodológicas devido à falta de dados disponíveis e faltas de pesquisas prévias sobre o assunto. Apesar disso, esse estudo retifica as variáveis que caracterizam as quantidades de casos notificados de HIV no nordeste brasileiro e a distribuição espacial desses.
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