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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Narrativas de gestores escolares: abordagens e desafios na condução de casos de discriminação
Rivison Soares de Souza Lima 1
Como Citar:
LIMA, Rivison Soares de Souza. Narrativas de gestores escolares: abordagens e desafios na condução de casos de discriminação. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.4353-4370, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202475517
Área do conhecimento: Ensino.
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Palavras-chaves: Gestores Escolares; Atos discriminatórios; Inclusão
Publicado: 20 de setembro de 2024.
Resumo
As discriminações existentes nos ambientes escolares, provenientes da intolerância entre corpos que trazem marcadores sociais considerados não aceitáveis por instituições que regulam o permitido, são vistas nesses espaços e desafiam os Gestores Escolares a fomentar uma cultura de paz nas escolas. Esse estudo traz narrativas de professores que ocupam a função de Gestores Escolares onde relatam a vivência desses profissionais no seu cotidiano com seus olhares voltados para situações que envolvam atos discriminatórios. O objetivo foi verificar por meio das narrativas trazidas pelos gestores escolares como os casos de discriminação são revelados e em seguida como são tratados por esses profissionais. O estudo é de cunho qualitativo e metodologicamente as entrevistas foram realizadas formando narrativas, enquanto foi observado a postura e falas dos entrevistados. Como resultado o entendimento que as conduções das situações discriminatórias são alcançadas à medida que aparecem, e que não são deixadas de serem tratadas por esses gestores, não ficando cegos perante as situações e as escondendo.
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1. Introdução
Na atuação do Gestor Escolar nas escolas distribuídas por todo o país, frequentemente são trazidos aos seus conhecimentos casos onde aconteceram falas ou comportamentos ocorridos entre alunos e professores que distanciam de um local inclusivo. Essa realidade me trouxe a escrever esse trabalho, onde me são apresentadas manifestações de discriminações e que no exercício da minha função, me vejo com dever de ajudar a solucionar e a promover ações de preventivas que busquem a inclusão.
Com a intenção de ouvir e familiarizar sobre as práticas desenvolvidas por colegas que ocupam essa função na busca em solucionar os conflitos ocorridos e ao mesmo tempo compreender que tais ocorrências estão presentes em diversas escolas. Esse estudo apresenta entrevistas realizadas com professores/as que ocupam o cargo de Gestores Escolares, e que na sua rotina diária, presenciaram ou foram buscados, a encontrarem caminhos na solução de situações de conflitos causados por pessoas que em algum momento agiu de forma discriminatória com o outro e da forma como ocorreram.
A temática em estudo tornou-se necessária, a partir do momento onde a convivência no espaço escolar é constituída de uma diversidade entre alunos e professores que trazem consigo estereótipos diferentes, tidos por muitos como não aceitáveis.
Para os alunos em suas salas de aulas foram mirados o olhar desse trabalho, uma vez que (Oliveira, 2009, p. 24) [6] “a diversidade invade a escola por meio de seus alunos; e são eles os legítimos portadores das culturas que insistem em se apresentar”, ao portarem também essa e outras características presentes em seu estereótipo que por muitas vezes podem leva-los/as a sofrerem ou produzirem preconceitos.
Assim o objetivo definido foi verificar por meio das narrativas trazidas pelos Gestores Escolares como os casos de discriminação são revelados e em seguida como são tratados por esses profissionais.
Nesse sentido faz necessário a atuação da gestão escolar, buscando promover na instituição uma cultura de paz, respeito, o entendimento das diferenças e a valorização do outro. É esperado que esse profissional tenha uma conduta e sensibilidade para tratar o próximo de forma acolhedora, entendendo que a diferença entre as pessoas está presente nesse local.
A metodologia aplicada nesse estudo consistiu em entrevista semi-estruturada, individual, com um grupo formado por professores que atuam como Gestores Escolares.
As respostas para os questionamentos proporcionaram narrativas. Enquanto os participantes foram observados levando em conta os gestos, falas, comportamentos e expressões para que em seguidas analisadas pelo autor.
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2. Fundamentação teórica
Trazer a discussão o campo da diversidade na escola, é preciso entender as diferenças e as desigualdades existentes nos sujeitos inseridos nesse local.
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Compreender, a multiplicidade de sujeitos que compõe esse espaço: de homens, mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, negros e brancos, adultos e adolescentes, enfim, todos seres humanos concretos, reais, sujeitos sociais e históricos, presentes na história, determinantes dela e por ela determinado (Aoyama; Perrude,2009) [1]
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A compreensão por parte desse professor que exerce a função de gestão, onde gerencia questões relacionada a infraestrutura em vários aspectos, a execução do currículo proposto na escola, e tantas outras atribuições que lhe são conferidas, ainda deve-se destacar a promoção de um ambiente educacional que respeite e valorize a diversidade existente em relação, a questão racial, religiosa, as sexualidades existentes para além da heterossexualidade e o binarismo de gêneros.
Todos esses compromissos a ele destinado, contribuem para assegurar o direito trazido pela Constituição Federal (1998) no art 205:
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A educação é um direito de todos e dever do Estado e da família, deve ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, com vistas ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (Brasil, 1988) [2]
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A Educação pretendida para todos é o reconhecimento digno e seus direitos assegurados, mas não de forma uniforme, com padronizações de cor da pele, sexualidade, religião e etc. Portanto a escola assume uma responsabilidade na implementação de uma administração que zele para as diversas identidades existentes em seu interior.
A escola por meio de seus atores que a compõe, desempenha sua função na socialização, sendo o ambiente que possibilita as crianças, adolescentes, jovens e adultos a passarem uma parte dos seus tempos, internalizando valores sociais, éticos, de respeito e a valorização das diferenças, considerando a diversidade significativa de pessoas que frequentam essa instituição.
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3. Os marcadores sociais que habitam a escola
Alguns alunos que transitam nas escolas trazem com eles marcadores sociais da diferença que assim são identificados, organizados em categorias com estereótipos iguais. Essas classificações sociais estabelecem hierarquias que produzem desigualdades entre os que as possuem. Tais desigualdades os separam ou os unem, de maneira que possamos perceber os outros e nos distinguindo, dentro de uma sociedade.
Dessa forma, o estudo dos marcadores sociais revela (Silva, 2020, p. 2) [11] “a diversidade como constituição ontológica das sociedades, mas que a concepção que defende como “natural” o fato de que alguns presumam possuir privilégio e poder sobre outros é uma construção ideologicamente histórica e social”.
Nesse sentido, a identificação e separação das pessoas nos ambientes escolares também são percebidas e produzidas. A hierarquia entre os grupos tidos como dominantes (homem, branco, héteros, cristãos) que possuem mais poder, influência, com a capacidade de impor suas normas, valores e interesses perpetuando assim sua posição privilegiada. Já os dominados (mulher, pretas, homossexuais, religiões de matrizes africanas) possuem menos poder e recursos e, frequentemente, são submetidos à influência e controle dos grupos dominantes sofrendo discriminação, marginalização e exclusão.
A convivência em um mesmo local de diferentes corpos, onde alguns desafiam a aceitação colocada por instituições, pode possibilitar a prática de preconceitos e discriminações. Sobretudo inferiorizando aquele que não possui características tidas como padronizadas e aceitáveis.
As consequências dessas reações são desde fisicamente e emocionalmente. O preconceito pode levar a baixa autoestima, levando com que a pessoa duvide de seu próprio valor. Seu julgamento interno, ao perceber que suas características não agradam grupos e devido as mesmas, são apontados/as por não pertencerem a uma padronização, levando a um adoecimento emocional.
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O que mais maltrata o ser humano que sofre alguma forma de opressão é a "naturalização" de determinadas "marcas" – estigmas – que deixam profundas cicatrizes sociais, causando transtornos na saúde mental – emocional/sentimental – do indivíduo afetado, e por essa razão precisamos debater diuturnamente as relações sociais apontadas para que consigamos naturalizar, entre todos e todas, o respeito, a dignidade e a tolerância humana (Silva, 2013, p. 18) [10]
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Buscando contribuir para que alunos não sofram com essa “naturalização” e com isso possam ter uma convivência harmoniosa e inclusiva, a educação busca incluir todos para pôr uma linguagem sem ódio, onde a contribuição da família e de outras instituições, se articulem em busca de ações que combatam as violências vindas de preconceitos.
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4. Professores e gestão no enfrentamento do preconceito
Uma das contribuições que podem ser feita no ambiente escolar é promover discussões em tordo do “diferente”, a partir de padrões naturalizados. Entretanto, para que as discussões ocorram é fundamental a formação de professores e dos Gestores Escolares, já que muitos precisam reconsiderar suas concepções sobre diversidade e criar um ambiente educacional acessível à comunidade em que estão inseridos. Isso é essencial para orientar os alunos a se respeitarem, combater as discriminações, eliminar preconceitos e estereótipos no contexto escolar e social, além de incentivar a autoimagem e a autoestima e promover a igualdade através do reconhecimento da diversidade.
Assim, surge a necessidade de romper com antigos entendimentos ainda presentes de uma educação tradicional, presa em padrões e modelos que não refletem a atualidade diversa, ainda sendo baseada em uma visão homogênea. Nesse contexto a gestão escolar desempenha um papel importante no entendimento e mudança do modelo de educação que exclui, marginaliza e segrega com aqueles que não se encaixam nos padrões estabelecidos pela sociedade. Na tentativa de mostrar esse novo modelo, uma aposta pode ser a formação continuada de todos os inseridos na educação, com estudos que busquem a inclusão da diversidade ensino.
Pensando dessa maneira os professores que estão ou não exercendo a função de gestor escolar, (Lima, 2002, p.122) [5] “devem possuir o domínio básico de conhecimentos que os auxiliem a se aproximarem da diversidade educacional obtendo assim, subsídios para atuarem pedagogicamente” e para algo que atinja uma esfera ainda maior, a mudança na forma de pensar de toda uma rede de educação.
Todavia, a inclusão deve passar da teoria para a prática, permitindo que a gestão escolar, professores buscando na formação possam vencer os desafios do sistema de ensino atual para atender a diversidade.
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5. Metodologia
A pesquisa possui cunho qualitativo onde os processos de entrevista e observação permitiram ao autor analisar o fenômeno estudado, ao passo que o produto apenas mostrou um resultado. Assim, esse estudo em questão buscou observar a relação dos participantes com o fenômeno e como este atuava sobre tais.
Metodologicamente optou-se por uma forma única de produção de dados, em duas etapas: as entrevistas com os participantes, as impressões do autor em relação à entrevista com os Gestores Escolares.
A entrevista é uma técnica muito potente, que permite obter de forma rápida dados que levem o pesquisador no aprofundamento em questões de forma direta. Para Fiorentini e Lorenzato (2006) [3] “a entrevista é, nas ciências sociais, o procedimento mais usual no processo de campo. Trata-se de uma conversa a dois, com propósitos bem definidos”. As entrevistas foram realizadas com os participantes individualmente e on line, onde responderam a três questionamentos. Tais indagações em alguns casos deram brechas para outros, à medida que as respostas precisaram de serem mais compreendidas.
As respostas para esses questionamentos forneceram narrativas e expressaram a constituição dos olhares dos participantes em relação ao assunto, destacando suas atitudes no enfrentamento das situações ocorridas, bem como a forma que as mesmas chegaram ao seu conhecimento, ocorridas nos espaços escolares onde atuam.
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As narrativas são as matérias-primas por excelência de todo um processo hermenêutico e a apresentação delas na íntegra, no corpo do trabalho, pode permitir com que cada leitor participe (ou não) desse processo hermenêutico e compreenda (ou não) o modo pelo qual nos apropriamos dos elementos, singularidades e particularidades narrados pelos nossos colaboradores e, assim, possa atribuir outros (novos) significados para o presente tema (Silva, 2020, p.19) [11]
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Quanto a observação do autor em relação a participação dos entrevistados nas suas narrativas, vale destacar que ultrapassa ao que está sendo dito pelo participante. Nesse momento o corpo, os gestos com as mãos, a falta de palavras, a confusão quanto a organização dos pensamentos, acabam sendo forma de comunicar e assim mostrar o quanto demonstram profundidade relacionado ao assunto.
Ainda ao tratar da observação e sabendo da importância que envolve as análises do que foi produzido nela, precauções como por exemplo em ter um olhar atento foram necessários para que a compreensão não tornasse equivocadas. Segundo Triviños (2017) [13] Observar não é somente olhar, mas destacar algo que possa fornecer informações que complementarão o que está sendo discutido.
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5.1 Os primeiros passos
O movimento inicial desta investigação foi atender a oportunidade de entrevistar um grupo de gestores escolares, que manifestaram o interesse em contribuir com o estudo. Entre a intenção de desenvolver este trabalho e a possibilidade de desenvolvê-lo existe uma lacuna, pelo motivo, quando envolvia um grupo com receio de falar sobre o assunto e “atrair holofotes” quanto a maneira com que trataram casos ocorridos nas escolas ondem trabalham, podendo assim serem questionados ou julgados.
Para a montagem do grupo de gestores escolares, foram feitos convites a três profissionais que atendessem algumas particularidades. Para Stone (2011) [12] “a operacionalização do método dá-se, em primeiro lugar, pela definição de um universo de sujeitos e, em segundo lugar, pela formulação de um grupo de questões padronizadas a serem lançadas ao universo definido”. Era preciso ser gestor/a de alguma escola da rede municipal ou estadual do Estado do Espírito Santo e ter a formação em alguma componente curricular que compõe a BNCC2, além de ter no mínimo dois anos na gestão escolar.
Importante afirmar que para a escolha desses participantes outros filtros poderiam terem sido feito, como a questão de gênero, raça, gênero, idade, sexualidade e tantos outros que trazem em si marcadores sociais, que em algum momento sofreram ou sofrem discriminações.
O fato é que ao assumirem a função de Gestor Escolar, uma de suas atribuições é proporcionar um espaço que traga o respeito e a diversidade dos alunos e professores, para aquele local sendo ampliando para fora dos muros.
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O papel da gestão escolar na construção da escola inclusiva é de suma importância, cabe ao Gestor escolar a implantação dos projetos e administração dos mesmos no que se refere a inclusão, porém a participação no processo inclusivo deve ser de toda a comunidade escolar. (Santos, 2021, p. 61) [9]
Sendo assim, independente de trazer ou não consigo características físicas de sexualidade e gênero, seu olhar precisa de estar atendo no combate ao preconceito e a inclusão no exercício de sua função.
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Após convites realizados para os três participantes e aceitos, foi então iniciada a entrevista com os/as gestores/as escolares. Usando nomes fictícios escolhidos por eles/as com a intenção de preserva-los/as e para que os leitores desse material não pudessem associar ou supor sua identidade.
A primeira entrevista foi Ana (29/07/2024). Uma gestora da rede estadual, com 46 anos de idade, professora de Geografia, gestora há 06 anos. A segunda foi Valéria (30/07/2024), 44 anos de idade, professora de Química, gestora há 10 anos. Finalmente o terceiro gestor, Pedro (05/08/2024), 39 anos de idade, professor de Filosofia e na função há 08 anos.
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5.2 Entrevistas/ narrativas
Os questionamentos realizados na entrevista foram elencados na tabela abaixo e as respostas dos participantes (narrativas) organizadas nos anexos I, II, III. As narrativas foram transcritas fielmente conforme as falas.
Tabela 1: Questionamentos usados nas entrevistas
Número | Questionamentos | Narrativas trazidas referente ao questionamento |
1 | Nesses seus anos estando a frente da escola onde atua. Em algum momento, o/a senhor/a já presenciou ou levaram até você, alguma situação onde tenha ocorrido discriminação no ambiente escolar? | ANEXO I |
2 | E quais foram as medidas tomadas por você para o tratamento desse/s caso/s? | ANEXO II |
3 | Você se sente preparado/a para atuar com as demandas sociais no espaço escolar? Justifique? | ANEXO III |
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5.2.1 Meus olhares sobre as respostas do questionamento 1
Definitivamente o Gestor Escolar já teve contato com situações que foram trazidas ao seu conhecimento. As falas discriminatórias cometidas entre alunos por não preencherem características tidas como aceitáveis, chegam a gestão e são esperadas que soluções aconteçam para o fortalecimento de um ambiente onde a socialização, a formação e o respeito entre as pessoas, possa construir esse espaço.
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[…] procedimento consensual de solução de conflitos por meio do qual uma terceira pessoal imparcial – escolhida ou aceita pelas partes – age no sentido de encorajar e facilitar a resolução de uma divergência. As pessoas envolvidas nesse conflito são as responsáveis pela decisão que melhor a satisfaça. A mediação representa um mecanismo de solução de conflitos utilizado pelas próprias partes que, motivadas pelo diálogo, encontram uma alternativa ponderada, eficaz e satisfatória. O mediador é a pessoa que auxilia na construção desse diálogo (Sales, 2007, p.56) [8].
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Alguns casos deixam marcas nos gestores, que os fazem guardar em suas lembranças, enquanto outros talvez pelo fato de ocorrerem com frequência, já não causam mais surpresas. Por algumas vezes os conflitos são marcados por violências que deixam marcas difíceis de serem esquecidas.
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Como a convivência entre os seres humanos está cheia de conflitos de todo tipo, os quais habitualmente se resolvem por meio da força, da coerção ou da violência, o objetivo de uma educação para a paz seria a generalização de um tratamento desses conflitos baseado no diálogo, na cooperação e no respeito mútuo entre os principais atores envolvidos nos problemas. Mais do que de educar para a paz, é preciso educar para o conflito (Saéz, 2003, p.66) [7]
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5.2.2 Meus olhares sobre as respostas do questionamento 2
As medidas tomadas para solucionar são quase sempre as mesmas. A presença da família dos envolvidos, seja dos que cometeram, quanto os que sofreram são solicitadas na escola, afim de que promova um momento de reflexão dos atos cometidos e as dores causadas.
As conversas com as famílias podem durar bastante tempo, onde pode perceber as mágoas e dores sofridas pelas vítimas, que se sentem de alguma forma não aceitas. A rejeição, as humilhações são confundidas com uma culpa, ao acreditarem que possuem (ou não) algo que os fazem diferentes, tornando assim alvos de julgamentos.
Diante do cenário provocado pela discriminação, entra em cena o Gestor Escolar, que muito das vezes encontra-se em um ponto que precisa saber de todas as demandas da escola, nos seguimentos administrativos e pedagógicos. Mas estará esse profissional pronto para fazer a inclusão? Talvez o diálogo seja uma saída para a ressignificação de fatos ocorridos que segundo Freire (1996) [4], ensinar exige saber escutar, e escutar significa a disponibilidade permanente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao gesto do outro, às diferenças do outro.
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5.2.3 Meus olhares sobre as respostas do questionamento 3
Os conflitos são inevitáveis em qualquer contexto, seja nas escolas ou em outros ambientes, uma vez que fazem parte da natureza humana. No entanto, quando esses conflitos são abordados de forma racional e considerando a essência do problema, o uso dos recursos e da energia por ambas as partes pode levar à busca de soluções criativas. Além disso, isso melhora a capacidade das pessoas para trabalhar em equipe e, sobretudo, fortalece a confiança e as relações entre os envolvidos.
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6. Considerações finais
A gestão não é algo que se aprende da noite para o dia. Mas a cada dia faz-se necessário aperfeiçoar a arte de sanar e prevenir os mais diversos problemas que aparecem na sua rotina.
No entanto, não pode ser possível aprender com a repetição, problemas que venha da discriminação. Isso porque, a dor é algo que não deve se repetir na mesma pessoa que já vem cansada de todos os dias conviver com as piadas e julgamentos.
Em busca de evitar que o ambiente escolar seja propício para a exclusão o gestor escolar aparece como um personagem que promove essa mudança, ao aceitar que a diversidade faz parte das escolas e em seus pátios estão presentes corpos que não são iguais, raças além da branca, sexualidades que se distanciam da heterossexualidade, gêneros presente entre o masculino e o feminino, religiões que distanciam das cristãs.
O entendimento de que o ambiente se fará incluso a partir do momento que o respeito estiver presente e que para isso políticas internas que promovam o acolhimento e a cultura de paz precisam de fazer parte desse local.
Por fim, a gestão escolar comprometida por meio de campanhas, projetos e ações que celebrem a diversidade e estimulem a convivência harmoniosa. Dessa forma, a inclusão será um princípio norteador de todas as práticas e políticas da escola, assegurando que todos os alunos, independentemente de suas características individuais, possam se desenvolver plenamente em um ambiente acolhedor, respeitoso e estimulante.
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7. Declaração de direitos
O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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8. Referências
Aoyama, Ana Lúcia; Perrude Rodrigues da Silva, Marleide. Educação e Diversidade: as armadilhas produzidas e reproduzidas no espaço escolar. In: Eliane Cleide da Silkva Czernicsz; Marleide Rodrigues da Silva Perrude; Ana Lúcia Ferreira Aoyama. (Org.). Política e Gestão da Educação. Londrina: Editora da UEL, 2009.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasil, 1988.
Fiorentini, Dário; Lorenzato, Sérgio. Investigação em educação matemática: percursos teóricos e metodológicos. Campinas, SP: Autores associados, 2006.
Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Lima Augusta, Priscila. Educação Inclusiva e Igualdade Social. São Paulo: Avercamp, 2002.
Oliveira Andrade, Dalila. Política educacional, crise da escola e a promoção de justiça social. In: Ferreira Bartolozzi, Elisa; Oliveira Andrade, Dalila (orgs). Crise da escola e políticas educativas. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
Saéz, Pedro. (2003). Dez Propostas para uma Pedagogia da Paz.
Sales Maia de Morais, Lília. Mediação de Conflitos: Família, Escola e Comunidade.
Santos Sandro, Alex. A importância do gestor escolar na inclusão de alunos com necessidades especiais na escola. Alamedas, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 56–68, 2021.
Silva Kelly Leandra, Ariana. Diversidade sexual e de gênero: a construção do sujeito social. Rev. Nufen, São Paulo, v. 5, n. 1, p. 12-25, 2013.
Silva Victória, Karoline. et al.. O (re)conhecimento dos marcadores sociais da diferença como forma de combate às desigualdades: uma reflexão introdutória em torno do papael da educação. Anais VII Conedu - Edição Online... Campina Grande: Realize Editora, 2020.
Stone, Lawrence. Prosopografia. Revista de Sociologia Política, Curitiba, v. 19, n. 39, p. 115-137, jun. 2011.
Triviños Nibaldo Silva, Augusto. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. Atlas. São Paulo.1987.
Anexo I – Narrativas: gestora Ana
Nesses seus anos estando a frente da escola onde atua. Em algum momento, o/a senhor/a já presenciou ou levaram até você, alguma situação onde tenha ocorrido discriminação no ambiente escolar?
Ana: Discriminação em qualquer sentido? Gênero, raça...? Sim
Autor: Que características apresentam essas vítimas, para sofrerem discriminação?
Ana: Estou tentando lembrar realmente dos casos para ficar mais claro, para ter uma amostragem mais significativa. A comunicação violenta é muito presente, a questão do corpo, fora dos padrões, na obesidade. A questão étnico-racial, embora a escola seja majoritariamente negra, mas quando tem um preto retinto, ele se destaca em relação ao pardo.
E quais foram as medidas tomadas por você para o tratamento desse/s caso/s?
Ana: Primeiro passa pela Coordenação, que filtra e se for recorrente passa pra mim. Ou quando temos as reuniões semanais onde conversamos para eu ficar ciente do que está acontecendo e propor algumas ações. A equipe de professores é muito envolvida nessas ações, eles são os primeiros a fazer a mediação ali. Quando eles não dão conta, passam para a coordenação que me passa também. Então, propomos muito diálogo com alunos, eu passo nas salas de vez enquanto quando algo me chama a atenção, se destaca, onde falo que aquilo não é legal. Fazemos palestra, roda de conversa, como já fizemos. A questão da sexualidade e gênero também aparecem. De forma mais velada, porque essa geração é menos preconceituosa que a gente, embora herde esse comportamento nosso (da nossa geração). Mas essa geração lida melhor com essa questão do que nós com nossos pais. Mas ainda assim existem palavras usadas com ofensas, como sapatão e macaco tentando diminuir a pessoa. Então as medidas são: A gente conversa muito com os professores para tentarem fazer a mediação no local e não deixar a ‘coisa’ se prolongar. Quando vai para a coordenação, dependendo da gravidade, acionamos a família para pedir intervenção, ao mesmo tempo temos palestras com profissionais que levamos na escola. Professores de filosofia, Sociologia e Projeto de Vida, pedimos que trabalhem com esses temas que aparecem. E quando chega pra mim um caso que excede, damos suspensão e já aconteceu de darmos transferência, onde acionamos o conselho de escola. Procuramos trabalhar no diálogo, rodas de conversas e oficinas.
Você se sente preparado/a para atuar com as demandas sociais no espaço escolar? Justifique?
Ana: (Um grande suspiro) plenamente não! Mas eu acho, que temos avançado nesse sentido de tentar entender e de lidar com isso. Estamos num momento de mudança social. É difícil para a gente perceber isso tudo e mediar, não tomar medidas drásticas, porque a gente entende o aluno e também professor que foi formado em outra geração e não tem o domínio pleno para fazer uma intervenção. Então assim, eu tento fazer tudo muito na linha da educação. Educar é um processo demorado
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Anexo I I– Narrativas: gestora Valéria
Nesses seus anos estando a frente da escola onde atua. Em algum momento, o/a senhor/a já presenciou ou levaram até você, alguma situação onde tenha ocorrido discriminação no ambiente escolar?
Valéria: Sim
Autor: Que características apresentam essas vítimas, para sofrerem discriminação?
Valéria: Ela é menor de 18 anos, não se identifica como menina e os colegas acabam fazendo piada e envergonhando. Acabou ficando chateada com a situação e não queria ir para a escola. Antes de tudo isso, a característica que ela apresentou na prova que ela fez, ela escrevia coisas pesadas de cunho emocional. Aí a professora veio e sinalizou e a partir daí começamos a chamar a aluna a responsável.
E quais foram as medidas tomadas por você para o tratamento desse/s caso/s?
Valéria: Assim que essa prova chegou até mim, eu pedi para chamar a família (da aluna). Nessa prova, a aluna colocava que gostaria de tirar a própria vida por não ser aceita, onde fazia desenhos, mas falava também sobre a questão da inteligência. Como a família não aceitava essas questões. Então chamamos a família, mas não abrimos a questão da aceitação familiar e tratamos da questão de aprendizagem. Não entramos na questão de gênero! Assim encerramos o ano. Nesse ano a aluno veio querendo trocar o nome e fazer uso do nome social, e foi assim que chamamos a família e falar tudo. E com os alunos pontuados por ela, aqueles que faziam brincadeira em tom pejorativo. Então tratamos com os alunos.
Autor: Então com exemplo dessa situação, como você trata outros casos com pessoas que cometam preconceito?
Valéria: Do mesmo jeito. Vou chamar a família e o aluno. Chamando os pares que esse aluno aponta. No caso foram chamados os responsáveis que essa aluna aponta com discriminação. Mas o a tratativa é a mesma, chamar família de quem discrimina e de quem foi discriminado. E quando necessário envolver outros órgãos competentes, que a gente entende que foge a nossa governabilidade.
Você se sente preparado/a para atuar com as demandas sociais no espaço escolar? Justifique?
Valéria: (Momento de pausa e reflexão) Não sei se é preparada! Se essa pergunta fosse feita há 10 anos atrás eu pensaria diferente. Mas hoje, não tem como a gente separar e dizer eu trabalho só com educação, porque quem está lá precisa de ajuda. Então as vezes pode parecer (e é) uma sobrecarga, porque a gente acaba se envolvendo com várias áreas como da saúde, emocional e educacional. Então nos dias de hoje fica difícil de desassociar. Então eu estou preparada? Eu não tenho resistência (querendo dizer que não se opõe) de tratar isso... e preparada a gente vem se preparando à medida que aparecem os casos.
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Anexo I I I– narrativas: gestor Pedro
Nesses seus anos estando a frente da escola onde atua. Em algum momento, o/a senhor/a já presenciou ou levaram até você, alguma situação onde tenha ocorrido discriminação no ambiente escolar?
Pedro: Diversas vezes
Autor: Que características apresentam essas vítimas, para sofrerem discriminação?
Pedro: Essas vítimas apresentavam características que eram fora do padrão. Fora do padrão que eu digo é no sentido de maioria. Seria quem então? Seriam as minorias consideradas no Brasil, pessoas pretas, declaradas homossexuais e não cristãs.
E quais foram as medidas tomadas por você para o tratamento desse/s caso/s?
Pedro: Bom na maioria dos casos, a pessoa que é agressora é convidada até minha sala, eu registro uma ocorrência, cito para ela o regimento escolar, cito as leis e através do diálogo entendendo que a educação é um campo de aprendizado, eu explico que são caminhos que não se deve repetir e caso isso venha a recorrer.. eu enquanto diretor, devo acionar o poder judiciário ou a própria polícia para confrontar a atitude dela. Esse é o protocolo!
Autor: E para a vítima?
Pedro: A gente tenta conversar que ela tem direito e que ela pode e ela pode recorrer a justiça. A escola em momento nenhum iria dificultar esse caminho, mesmo que tenha acontecido no ambiente escolar, porque em muita escola que faz isso, tentando abafar o caso! Eu enquanto diretor posiciono em defesa dessa vítima, orientado que se ela não se sentir justiçada com a determinação da escola, ela pode buscar a justiça e advogados. Paralelo a isso quando ocorre na escola de forma repetitiva, fazemos ações para confrontar esses problemas.
Secretaria de Educação do Estado do Espírito Santo, Brasil.
BNCC é a sigla da Base Nacional Comum Curricular

