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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Guiando os primeiros passos: educação em Puericultura para gestantes

Erika Anjos da Silva1; Gisele Souza da Silva2; Caroline Matielo Ricci3; Eduarda Kei-Lan Tavares Pierre4; Eliana Roldão dos Santos Nonose5; Larissa Matioski Brasil6; Kelly Meireles Varela7; Giovana Balcewicz Dal Bosco8; Ivan Soares Ribeiro Junior9; Diulia Tex Barbosa Francor10; Eduarda Caroline Hofmann11; Marcella Mariah Bezrutchka Benoliel Zaninetti12; Manuela Estrela do O Lacerda13; Betina Mendez Alcântara Gabardo14

 

Como Citar:

DA SILVA; Erika Anjos, DA SILVA; Gisele Souza, RICCI; Caroline Matielo et al. Guiando os primeiros passos: educação em Puericultura para gestantes. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.1005-1026, 2024.

https://doi.org/10.61411/rsc202425417

 

DOI: 10.61411/rsc202425417

 

Área do conhecimento: Medicina

 

Sub-área: Pediatria

 

Palavras-chaves: ​​ Puericultura, Educação Gestacional, Saúde Materno-Infantil.

 

Publicado: 22 de fevereiro de 2024

Resumo

O estudo aborda a educação da saúde materno-infantil e da puericultura, destacando a relevância da Estratégia de Saúde da Família (ESF) no acompanhamento desde a gestação até a infância. A puericultura é essencial para garantir o bem-estar físico e emocional de mães e bebês, com ênfase na prevenção e promoção da saúde desde o início da vida. O método utilizado na pesquisa envolveu uma revisão bibliográfica abrangente, consulta a documentos oficiais e diretrizes, garantindo a robustez do estudo. O desenvolvimento discute diversos aspectos da puericultura, incluindo cuidados com o sono hábitos de vida, transporte da criança, aleitamento materno, introdução alimentar e imunizações. Destaca-se a importância da vacinação no Programa Nacional de Imunização (PNI) para prevenir doenças, apesar dos desafios relacionados a movimentos contrários à vacinação. O estudo enfatiza que a não vacinação pode expor crianças a riscos significativos e ameaçar a imunidade coletiva. Em considerações finais, ressalta-se a interconexão entre os elementos abordados na saúde materno-infantil e puericultura, enfatizando o compromisso contínuo de profissionais de saúde, gestantes e comunidade para o sucesso dessas iniciativas. A implementação de práticas informadas por evidências é vista como um investimento significativo no bem-estar presente e futuro de mães e bebês.

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1. Introdução

A saúde materno-infantil, é delineada como um dos pilares fundamentais para a eficácia dos sistemas de cuidados de saúde. Assim, a promoção de uma gravidez saudável e o desenvolvimento apropriado das crianças desde os primeiros dias de vida emergem como compromissos primordiais, alinhando-se com as diretrizes estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde1.

A relevância dessa abordagem encontra respaldo na Estratégia de Saúde da Família (ESF), criada em 1994 pelo Ministério da Saúde do Brasil. Esta estratégia, que

visa promover a qualidade de vida e prevenir doenças em todos os segmentos da população, destaca explicitamente a importância da puericultura como uma especialidade crucial da pediatria2.

A puericultura, conceituada como o acompanhamento médico regular de crianças desde o nascimento até a infância, é um componente essencial para garantir o bem-estar físico e emocional tanto da mãe quanto do bebê3. Englobando exames, consultas médicas e orientações específicas, esse processo visa monitorar o crescimento e o desenvolvimento infantil, além de fornecer suporte contínuo às mães, tanto durante a gestação, quanto no pós-parto4.

À medida que exploramos a complexidade da maternidade e da infância, é evidente que a compreensão profunda da saúde materno-infantil transcende os limites de uma abordagem unidimensional. A Estratégia de Saúde da Família (ESF), ao colocar a puericultura no centro de seus princípios, destaca a importância de cuidados adequados desde os primeiros momentos da vida2.

O acompanhamento médico regular, parte integrante da puericultura, desempenha um papel vital na identificação precoce de possíveis problemas de saúde infantil, permitindo intervenções oportunas e eficazes1. O suporte contínuo às mães durante a gestação é outro pilar essencial para uma maternidade saudável, reconhecendo a complexidade das transformações físicas e emocionais que ocorrem nesse período4.

Nesse contexto, é importante reconhecer o fenômeno do 'baby blues', uma reação emocional comum no pós-parto, caracterizada por sentimentos temporários de tristeza, ansiedade e irritabilidade. Este fenômeno representa uma resposta natural às mudanças hormonais e às adaptações da nova mãe à sua maternidade, sendo vital compreender e enfrentar esse aspecto emocional para uma jornada de maternidade saudável5. A compreensão do 'baby blues' não apenas como uma manifestação emocional, mas como uma reação natural a mudanças fisiológicas, destaca a importância de uma abordagem integrada à saúde materno-infantil6. A adaptação da nova mãe à sua maternidade é, portanto, um desafio multifacetado que requer um suporte contínuo e uma compreensão empática dos profissionais de saúde7.

A puericultura, ao ser reconhecida como uma especialidade da pediatria, destaca-se como uma ferramenta vital para a promoção da saúde materno-infantil. A compreensão e a aplicação adequada desses princípios são fundamentais para alcançar melhores resultados de saúde para mães e bebês, alinhando-se com as metas globais estabelecidas por organizações de saúde de renome1,8.

Por meio de diálogos construtivos e de uma abordagem educacional abrangente, visa-se não apenas informar, mas também inspirar mudanças positivas nos cuidados materno-infantis. Este compromisso reflete a visão das Unidades de Saúde em promover uma abordagem integral e centrada na pessoa para a saúde materno-infantil1.

Ao explorar as nuances da puericultura, o cuidado busca contribuir para uma mudança cultural, onde o conhecimento sobre cuidados infantis seja acessível a todas as gestantes. A ESF, ao reconhecer a importância da puericultura, inspira iniciativas como esta, que visam ir além do tratamento de doenças, enfatizando a prevenção e a promoção da saúde desde o início da vida2.

Portanto, à medida que avançamos nesta jornada de exploração da saúde materno-infantil e da puericultura, é decisivo reconhecer que a eficácia dessas iniciativas está intrinsecamente ligada ao compromisso contínuo de profissionais de saúde, gestantes e da comunidade em geral. A compreensão aprofundada desses temas e a implementação de práticas informadas por evidências representam não apenas um avanço na assistência médica, mas também um investimento promissor no bem-estar coletivo.

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2. Método

O método adotado na exploração do tema "Guiando os Primeiros Passos: Educação em Puericultura para Gestantes" foi meticulosamente delineado, visando estabelecer uma base sólida e relevante para as informações apresentadas. O processo, composto por diversas etapas coordenadas, assegurou a robustez do estudo.

Iniciando com uma revisão bibliográfica abrangente, incorporando literatura científica, artigos acadêmicos, manuais e diretrizes, a pesquisa visou construir um conhecimento amplo sobre a educação em puericultura para gestantes. Essa revisão proporcionou uma base sólida, cobrindo diversas perspectivas no campo.

Em seguida, a consulta a documentos oficiais e diretrizes de organizações respeitadas, como a OMS e o Ministério da Saúde, desempenhou um papel crucial na fundamentação das práticas educacionais propostas. Essa etapa assegurou que as abordagens propostas estivessem alinhadas com padrões internacionalmente reconhecidos.

A síntese e análise dos dados coletados foram conduzidas criteriosamente, destacando práticas e abordagens relevantes que promovem a efetividade da educação em puericultura para gestantes. Esse processo assegurou a aplicabilidade e adaptabilidade das estratégias propostas.

A validação das fontes utilizadas foi um componente crítico, priorizando a credibilidade e relevância das fontes selecionadas. Essa abordagem cuidadosa contribuiu para a confiabilidade das informações apresentadas, fortalecendo a base do estudo.

Em resumo, essa abordagem metodológica abrangente permitiu adquirir informações confiáveis e atualizadas sobre a educação em puericultura para gestantes. Ao considerar diversas fontes e perspectivas, esse processo resultou em um entendimento abrangente das melhores práticas educacionais, contribuindo para a promoção de uma gestação saudável.

 

3.Desenvolvimento e discussão

Conforme preconizado pelo Ministério da Saúde, as práticas de puericultura e hebicultura abrangem um conjunto contínuo e abrangente de ações de saúde, destinadas a orientar o desenvolvimento físico, emocional, intelectual, moral e social de crianças, desde a infância até a adolescência, visando proporcionar uma vida mais longa e integral1.

A atenção à saúde na infância se revela como um componente indispensável, dada a vulnerabilidade peculiar dessa fase do ciclo de vida humano9. A puericultura, caracterizada por ações realizadas em intervalos pré-determinados, visa evitar a abordagem tardia, possibilitando aos profissionais de saúde detectar precocemente distúrbios de crescimento, desenvolvimento, comportamento e patologias graves, possibilitando a identificação de grupos de maior risco para intervenções específicas e a prevenção e detecção precoce de déficits no desenvolvimento infantil10. Importa ressaltar que, diante de sinais de atraso no desenvolvimento, crescimento ou alterações fisiológicas, as consultas de puericultura podem ser agendadas com maior frequência11.

Segundo o Ministério da Saúde12, as consultas de puericultura desempenham um papel fundamental ao estabelecer condutas preventivas apropriadas à idade da criança, abrangendo temas como vacinação, alimentação, estimulação e cuidados gerais. O acompanhamento programado inclui atividades de controle das doenças prevalentes, como diarréia e distúrbios respiratórios agudos, e ações básicas, tais como estímulo ao aleitamento materno e orientações, contribuindo para a promoção de uma boa qualidade de vida infantil13.

Dentre as inúmeras utilidades desse acompanhamento, destacam-se a garantia da cobertura vacinal no primeiro ano de vida, o estímulo ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses, o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento infantil e o auxílio na prevenção das doenças mais comuns na infância por meio da conscientização14.

A consulta pós-parto, conforme recomendado pela Carteira da Gestante (2023)15, deve ocorrer na primeira semana após o parto, sendo, então, agendada pelo menos uma vez por mês. A presença do pai ou parceiro durante essas consultas é incentivada sempre que possível.

Além dos cuidados direcionados ao bebê, a puericultura também se estende aos cuidados maternos, concentrando-se na detecção de sinais de alerta, como febre, sangramento vaginal, baby blues, depressão pós-parto e outros, durante o puerpério imediato, tardio ou remoto. Essa abordagem visa possibilitar intervenções ou encaminhamentos precoces para evitar complicações na saúde da mãe e do bebê22.

A equipe de saúde, durante as consultas de puericultura, também monitora o tratamento das mães que tiveram complicações gestacionais ou no parto, assim como aquelas que desenvolveram ou descobriram comorbidades durante ou após esse período. Essa atenção visa reavaliar a adesão à abordagem terapêutica, fornecer orientações adicionais e determinar a necessidade de encaminhamentos ou outras condutas relacionadas22.

Nessas consultas, as mães também recebem orientações sobre cuidados com sua própria saúde, abordando temas como o retorno à atividade sexual (recomendado aguardar cerca de 40 dias pós-parto para recuperação total), uso de anticoncepcionais, precauções alimentares, monitorização de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), tratamento de comorbidades, e cuidados com as mamas e mamilos para evitar desconforto e complicações na amamentação. Essas orientações, conforme a Rede Mãe Curitibana Vale a Vida22, também abordam aspectos cruciais para a saúde do bebê.

Diante desse cenário, a puericultura emerge como um instrumento essencial para a promoção da saúde tanto do bebê quanto da mãe. A profundidade e a abrangência dessas consultas proporcionam um espaço valioso para a educação, o monitoramento e a intervenção, contribuindo significativamente para a construção de uma jornada de maternidade e infância saudável15.

 

3.1 Principais pontos a serem abordados na Puericultura

3.1.1Sobre a hora de dormir

Para proporcionar um sono seguro ao bebê, recomenda-se posicioná-lo de barriga para cima, mantendo o berço livre de objetos como travesseiros, brinquedos e almofadas. É crucial evitar que o bebê compartilhe a cama com os pais ou outras pessoas devido ao risco de sufocamento. Além disso, é importante agasalhar o bebê adequadamente, evitando excessos, e garantir que as cobertas estejam fixas sob o colchão16.

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Figura 1 - Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 202316.

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3.1.2 Sobre hábitos de vida

É fundamental evitar o tabagismo e a exposição do bebê à fumaça de cigarro, pois isso pode prejudicar sua saúde. Nos primeiros três meses de vida, é recomendável evitar ambientes fechados com muitas pessoas. Deve-se evitar locais muito cheios e passeios prolongados. A visita de pessoas resfriadas deve ser evitada, e ao tocar ou segurar o bebê, é imprescindível lavar bem as mãos16.

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3.1.3Orientações sobre o transporte da criança

As orientações para o transporte de crianças em automóveis devem ser seguidas atentamente, conforme recomendações.

Figura 2 - Fonte: (Caderneta de Saúde da Criança Curitibana; 2021)17,18.

 

3.1.4 Sobre as consultas de puericultura

É imprescindível comparecer às consultas mensais de puericultura, pois estas são essenciais para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento do bebê. Durante essas consultas, são realizados anamnese, exame físico completo, medição antropométrica e avaliação do desenvolvimento neuropsicomotor. Tais medidas visam à detecção precoce de anomalias, permitindo intervenções adequadas15. A correta aferição das medidas antropométricas é crucial para determinar se estão dentro dos limites da normalidade, sendo essencial que o profissional de saúde que atenda recém-nascidos saiba medir e correlacionar corretamente esses dados19.

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3.1.5 Anomalias que podem ser detectadas através dos exames antropométricos

Mediante as medidas antropométricas, é possível identificar anomalias como microcefalia, causada por diversas razões, incluindo infecções durante a gravidez, exposição a substâncias lesivas, e outras; macrocefalia, relacionada a condições como hidrocefalia e hemorragia intracraniana; e desnutrição grave, que pode comprometer o desenvolvimento19.

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3.2Sobre a saúde geral da criança

A saúde da criança abrange diversos aspectos, incluindo físicos, emocionais, sociais, espirituais, culturais e ecológicos. A promoção de uma vida saudável envolve alimentação adequada, higiene física e mental, atividades ao ar livre, sono adequado, frequência escolar, interação com outras crianças e participação familiar17,18,20. O exemplo dado pelos adultos tem impacto significativo na criança, influenciando sua felicidade e autoestima. A orientação e a segurança proporcionadas pelos cuidadores contribuem para que a criança compreenda seu papel no mundo, destacando a importância dos valores universais como fraternidade, colaboração, respeito e ética12,17,18.

 

3.3Aleitamento materno e introdução alimentar

3.3.1Aleitamento materno

O aleitamento materno é uma estratégia singular na prevenção de mortes em crianças menores de cinco anos. O leite materno, de fácil digestão, é um alimento completo, contendo todos os nutrientes essenciais e anticorpos protetores contra doenças como diarréia, infecções respiratórias e alergias21. Os benefícios para a criança incluem a redução do risco de diversas condições na vida adulta, como diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia e obesidade. Além disso, contribui para o desenvolvimento cognitivo e previne problemas orofaciais e respiratórios17,18. Para a mãe, o aleitamento materno auxilia na recuperação pós-parto, reduzindo o risco de hemorragia, anemia e câncer, além de estabelecer um vínculo afetivo crucial. É uma opção econômica e higiênica, oferecendo praticidade e segurança, com o leite sempre pronto e fresco15.

É fundamental orientar sobre o armazenamento do leite, incluindo fervura do frasco, identificação com nome e data, e prazos de validade. A amamentação exclusiva, sob livre demanda, deve persistir até os seis meses, sendo estimulada até os dois anos ou mais, se desejado pela mãe e criança15. Profissionais de saúde devem fornecer apoio desde o pré-natal, orientando sobre a técnica adequada de amamentação. Cuidados com os mamilos, posição confortável e a importância do acompanhamento frequente são cruciais15. Outras preocupações, como problemas na sucção, mamilos invertidos, efeitos de medicamentos e infecções fúngicas, requerem atenção específica22.

 

3.3.2Introdução Alimentar

A introdução alimentar deve ocorrer após os seis meses ou quando o bebê consegue sentar sozinho para evitar riscos de engasgamento e asfixia. A desnutrição, crescimento inadequado e morbidades associadas ao desmame e à introdução precoce de alimentos podem ser evitadas com a prática adequada. Cuidados com a higiene, evitando alimentos processados, oferecendo variedade e respeitando as preferências do bebê, são essenciais23.

Recomenda-se amassar os alimentos com um garfo e evitar liquidificadores, promovendo gradualmente a transição para pedaços pequenos. Após um ano, é crucial monitorar o tamanho das porções, apresentação e consistência dos alimentos. A atenção à alimentação, com a preferência por frutas em vez de sucos e a oferta de alimentos in natura, contribui para um crescimento saudável e previne complicações como cáries dentárias23.

A criação de rotinas alimentares regulares, a oferta de uma variedade de alimentos e o estímulo ao desenvolvimento neuropsicomotor através da diversidade de cores, formas e texturas são recomendados. É essencial evitar distrações durante as refeições e introduzir a escovação dental regular a partir do aparecimento do primeiro dentinho23. O acompanhamento regular ao dentista é fundamental para garantir a saúde bucal da criança.

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3.4 Imunizações

Importância da Vacinação

A vacinação é uma ferramenta altamente eficaz na prevenção de doenças e manter as vacinas em dia é essencial para a saúde infantil17,18. O Programa Nacional de Imunização (PNI), estabelecido pelo Ministério da Saúde em 1973, oferece 19 vacinas gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS), abrangendo todas as faixas etárias conforme o calendário nacional de imunização10.

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Imunização de Gestantes e Crianças

A imunização de gestantes e crianças ganhou prioridade, protegendo-as de doenças infecciosas que, no passado, resultaram em óbitos e complicações graves. Mudanças fisiológicas nas gestantes e a falta de imunidade em recém-nascidos tornam crucial a administração de vacinas nesses grupos10.

Figura 3 - Calendário de Vacinação 2023. Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria16.

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Com a imunização, os anticorpos da mulher são transmitidos para a criança. Além dos testes feitos durante o pré-natal, há também várias vacinas que devem ser administradas à mulher. Essas medidas visam reforçar o sistema imunológico da gestante e salvaguardar a saúde do bebê. Com a vacinação, os anticorpos da mulher são passados para a criança através da placenta e, após o parto, através da amamentação27.

A Caderneta da Gestante15, acessível no Sistema Único de Saúde (SUS), apresenta dados sobre imunização durante a gravidez, exames rápidos e análises para identificar mudanças, precauções indispensáveis, guias para o parto, prerrogativas da gestante, sugestões, acompanhamento pré-natal do pai/companheiro, além de outras relevantes fontes de informação. Entre as vacinas recomendadas para a grávida e oferecidas pelo SUS, encontram-se:

 Vacina dupla adulto (dT)
 Protege a gestante e o bebê contra o tétano e a difteria.

  • Gestante não imunizada previamente: administrar 3 (três) doses de vacina contendo toxoide tetânico e diftérico com intervalo de 60 dias entre as doses. Sendo 2 (duas) doses de dT em qualquer momento da gestação e 1 (uma) dose de dTpa, a partir da vigésima semana de gestação;

  • Gestante vacinada com 1 (uma) dose de dT: administrar 1 (uma) dose de dT em qualquer momento da gravidez e 1 (uma) dose de dTpa a partir da vigésima semana de gestação com intervalo de 60 dias entre as doses, mínimo de 30 dias;

  • Gestante vacinada com 2 (duas) doses de dT: administrar 1 (uma) dose da dTpa a partir da vigésima semana de gestação;

  • Gestante vacinada com 3 (três) doses de dT: administrar 1 (uma) dose de dTpa a partir da vigésima semana de gestação.

Apesar de completar o esquema (três doses de dT ou dTpa) e/ou receber reforço com dT ou dTpa, a mulher grávida sempre deverá receber 1 (uma) dose de dTpa a cada gestação. O tétano neonatal tem alta taxa de mortalidade devido à contaminação do cordão umbilical durante o parto. A difteria pode causar obstrução respiratória, resultando em alta taxa de mortalidade entre os recém-nascidos.27

 

Vacina dTpa

A vacina tríplice bacteriana acelular para adultos (difteria, tétano e coqueluche) é recomendada em todas as gravidezes. Além de proteger a mulher grávida e impedir a transmissão da Bordetella pertussis (coqueluche) ao recém-nascido, permite a transferência de anticorpos maternos para o feto, protegendo-o nos primeiros meses de vida, até que possa receber a vacina pentavalente.

A vacina dTpa deve ser administrada a partir da vigésima semana de gestação e a cada gestação. Para aquelas que não foram vacinadas durante a gestação, é importante receber uma dose de dTpa no pós-parto, o mais cedo possível.27.

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Vacina hepatite B

Para gestantes em qualquer estágio da gestação, é crucial administrar 3 doses (0, 1 e 6 meses) da vacina contra hepatite B, levando em conta o histórico de vacinação prévio. Se não for possível completar o esquema durante a gestação, a mulher deve fazê-lo após o parto, devidamente oportuno. Em caso de interrupção após a primeira dose, a segunda dose deve ser aplicada assim que possível, e a terceira dose deve ser programada para 6 meses após a primeira, respeitando um intervalo mínimo de 8 semanas entre a segunda e a terceira dose.

A última dose do esquema vacinal deve ser administrada pelo menos 8 semanas após a segunda dose e pelo menos 16 semanas após a primeira dose para que o esquema seja considerado completo. O intervalo mínimo entre a primeira e a segunda dose deve ser de 4 semanas.

A hepatite B é uma doença viral que pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gravidez, no momento do parto ou mesmo durante a amamentação, se houver contato com pequenas quantidades de sangue da mãe, como em casos de fissuras nos mamilos. A infecção por hepatite B durante a gravidez aumenta o risco de parto prematuro.

É importante ressaltar que a hepatite B não é uma contraindicação para amamentação. Se houver fissuras nos mamilos, é recomendado interromper a amamentação na mama afetada até que as lesões cicatrizem. A mulher pode oferecer a outra mama e realizar extração manual na mama afetada para manter a produção de leite27.

Vacina influenza (gripe)

É aconselhável que todas as gestantes, bem como aquelas que estão até 42 dias após o parto, recebam a vacina contra a gripe durante a campanha anual de vacinação27.

As gestantes são consideradas um grupo de risco para complicações relacionadas à infecção pelo vírus influenza. A vacinação é recomendada durante os meses em que o vírus está em circulação, mesmo durante o primeiro trimestre da gravidez. Durante a gestação, há maior probabilidade de ocorrência de sintomas graves e complicações, o que pode levar a uma taxa elevada de hospitalização27.

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Vacina Covid-19

Ajuda a prevenir a infecção pelo vírus responsável pela Covid-19. É aconselhável que essa vacina seja administrada em qualquer fase da gravidez para todas as mulheres grávidas e aquelas no puerpério (até 42 dias após o parto).

Todas as vacinas mencionadas acima estão disponíveis sem custo nas Unidades Básicas de Saúde.27.

 

Vírus sincicial respiratório (VSR)

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu o aval para a primeira vacina destinada à prevenção do vírus sincicial respiratório (VSR), que é a principal causa de bronquiolite. Atualmente, o imunizante está passando por análise para aprovação para uso em gestantes no Brasil, com o intuito de proteger os bebês recém-nascidos, que podem herdar os anticorpos da mãe. Vale ressaltar que essa vacina já recebeu aprovação nos Estados Unidos e na União Europeia.28.

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Desafios e movimentos contrários à vacinação

Apesar dos sucessos na redução de casos de doenças imunopreveníveis, movimentos contrários à vacinação são crescentes, disseminando informações falsas. Essas estratégias, embora promovam um certo terror psicológico, são infundadas, pois as vacinas passam por rigorosos estudos e monitoramento antes da aprovação10.

 

Composição e efeitos das vacinas

As vacinas contêm microrganismos inativados ou atenuados, além de substâncias que estimulam a resposta do sistema imunológico. Essenciais na prevenção, contribuíram para controle de doenças como Difteria, Tétano, Caxumba, Sarampo Rubéola e erradicação da poliomielite no Brasil10.

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Riscos relacionados à não Vacinação

O risco mais significativo relacionado às vacinas é a não vacinação. Mesmo com efeitos adversos sendo raros e de baixa frequência, são insignificantes quando comparados aos riscos associados à falta de imunização. A não vacinação pode resultar em surtos de doenças evitáveis e contribuir para a perda da imunidade coletiva24.

 

Aspectos legais e decisão individual

No Brasil, a vacinação é obrigatória e regulada por legislação federal. No entanto, a decisão de não vacinar é individual, influenciada por diversos fatores, incluindo políticas públicas, recomendações de profissionais de saúde e crenças pessoais. A não vacinação, além de impactar o indivíduo, pode comprometer a imunidade coletiva24, e portanto a população como um todo.

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Desafios atuais e reflexos do sucesso das vacinas

O sucesso das vacinas, levando à erradicação ou redução expressiva de doenças, gerou certo distanciamento da população em relação à necessidade de vacinação. Contudo, a não vacinação por falta de conhecimento das doenças pode expor bebês a patologias graves e ameaçar a imunidade coletiva, possibilitando o ressurgimento de doenças e o desenvolvimento de microrganismos resistentes25.
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4.Considerações finais

Ao explorar a complexidade da saúde materno-infantil e da puericultura, torna-se evidente a importância de uma abordagem abrangente que permeie desde a gestação até a infância. O compromisso estabelecido pela ESF, ao posicionar a puericultura como um pilar fundamental, reflete a compreensão de que cuidados adequados desde os primeiros momentos da vida, são essenciais.

A puericultura, ao ser reconhecida como uma especialidade crucial da pediatria, surge como uma ferramenta vital para promover a saúde materno-infantil. O acompanhamento médico regular desempenha um papel crucial na identificação precoce de possíveis problemas de saúde infantil, possibilitando intervenções oportunas e eficazes.

A abordagem integral à saúde materno-infantil vai além do tratamento de doenças; enfatiza a prevenção e a promoção da saúde desde o início da vida.

O desenvolvimento e discussão destacam a amplitude das práticas de puericultura, abrangendo desde a atenção à saúde na infância até orientações sobre hábitos de vida, transporte da criança, sono seguro, e outros aspectos essenciais para a saúde geral da criança. A promoção do aleitamento materno, a introdução alimentar adequada e a ênfase na importância das imunizações são elementos cruciais nessa jornada.

A prevenção de doenças por meio da vacinação, com destaque para as principais doenças preveníveis, enfatiza a relevância das práticas de imunização. O sucesso das vacinas ao longo do tempo levanta desafios atuais, como movimentos contrários à vacinação, evidenciando a necessidade contínua de educação e conscientização.

Em síntese, a jornada de exploração da saúde materno-infantil e da puericultura destaca a interconexão entre diversos elementos. A eficácia dessas iniciativas depende do compromisso contínuo de profissionais de saúde, gestantes e da comunidade em geral. A implementação de práticas informadas por evidências representa não apenas um avanço na assistência médica, mas também um investimento significativo no bem-estar presente e futuro de mães e bebês.

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5. Declaração de direitos

O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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6. Referências

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  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Saúde da Criança de Zero a Cinco Anos. Guia de Orientação para as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, 2021.

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  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança. Orientações para implementação, 2018.

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  • Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba. Pré-natal e puerpério na Atenção Primária. Rede Mãe Curitibana Vale a Vida. Versão 2023.

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  • APS, L. R. de M. M. et al. Eventos adversos de vacinas e as consequências da não vacinação: uma análise crítica. Revista de Saúde Pública, v. 52, 2018.

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  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Calendário de Vacinação da SBP 2021.

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1

Universidade Nilton Lins, Manaus, Amazonas

2

Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, Paraná

3

Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, São Paulo

4

Universidade do Estado do Amazonas, Manaus, Amazonas

5

Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo

6

Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, Paraná

7

Cento Universitário Maurício de Nassau, Recife, Pernambuco

8

Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

9

Universidade Positivo, Curitiba, Paraná

10

Universidade Cidade de São Paulo, São Paulo, São Paulo

11

Faculdade Centro Universitário Campo Real, Guarapuava, Paraná

12

Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, Paraná

13

União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental, Porto Velho, Rondônia

14

Faculdades Pequeno Príncipe, Curitiba, Paraná

 

 


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