ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc19587
Publicado em 05 de outubro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
O PROCESSO DE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL NO CONTEXTO DA FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL ENFERMEIRO.
Moara Ludmila Rosa Lima1, Vanilda Gonçalves da Silva2, Stefany Silva Dias3, Aline Feitoza de Oliveira4
1Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Brasil
2Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Brasil
3Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Brasil
4Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Brasil
RESUMO CONDENSADO
Diante do crescimento da população brasileira de idosos e das discussões que envolvem o processo de envelhecimento saudável, é inegável a importância da formação de profissionais de Enfermagem mais preparados para o atendimento a essa população. A revisão da matriz curricular de ensino, incluindo o incentivo e amplificação de projetos de extensão universitária, auxilia a promoção da inserção do discente ao contato com a população. Além do desenvolvimento de habilidades que, permitem a associação mais efetiva do ensino teórico com a prática e a vivência da Humanização.
Palavras-chave: Envelhecimento, Estudante de Enfermagem, Extensão Comunitária.
1 INTRODUÇÃO
A população brasileira está passando por um rápido processo de envelhecimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento que mais aumenta na população brasileira é o de idosos, que cresceu mais de 4 % ao ano na década entre 2012 e 2022, resultando neste período, em um aumento médio de mais de 1 milhão de idosos por ano.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde[1], o envelhecimento saudável é definido como: “um processo contínuo de otimização da habilidade funcional e de oportunidades para manter e melhorar a saúde física e mental, promovendo independência e qualidade de vida ao longo da vida”. [2]
Fator essencial para o processo de envelhecimento saudável, são os cuidados de saúde, principalmente preventivos e de promoção a saúde. A equipe de Enfermagem está envolvida neste processo, desde o acolhimento, atendimento, promoção da educação em saúde e ao próprio cuidado deste idoso.
A formação dos estudantes de enfermagem e as vivências no atendimento à população idosa durante a graduação, preparam os futuros profissionais para o atendimento a este público, que além de cuidado humanizado devem oferecer escuta ativa e qualificada, acolhendo a singularidade desta população.
2 DISCUSSÃO
No Brasil, o aumento da expectativa de vida e a maior procura dos idosos pelos serviços de saúde estimulam a ampliação de estudos pelos profissionais da área da enfermagem geriátrica com a finalidade de suprir o atendimento as especificidades do idoso. Porém, com aumento do número de idosos, estima-se que serão necessários mais profissionais preparados para este atendimento.
Além do aumento da expectativa de vida, destacamos a transição epidemiológica caraterizada pelo aumento progressivo das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis (DANT), sendo a população idosa a mais vulnerável a estas doenças. Assim como em outros países, no Brasil, as doenças crônicas e agravos não transmissíveis também constituem o problema de saúde mais importante, sendo responsáveis por 72 % das causas de morte, com destaque para as doenças do aparelho circulatório, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Estas doenças, afetam pessoas de todos os níveis socioeconômicos e ainda mais aqueles que pertencem a grupos vulneráveis, como os idosos e pessoas com pouca escolaridade e baixa renda. [1]
No ano de 2003, foi criada a Política Nacional de Humanização (PNH), com intuito de estimular a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construção de processos de enfrentamento e de produção e gestão do cuidar. A humanização no trabalho de enfermagem é uma necessidade, a qual exige que o profissional repense suas ações. Humanização não se trata apenas de outro tipo de cuidado, mas também engloba situações de respeito, apoio, diálogo, acolhimento e empatia, conceitos estes que precisam ser verdadeiramente praticados na atuação do enfermeiro. [3]
A preocupação com o envelhecimento mais leve e saudável é uma realidade que abarca o trabalho de enfermagem e o processo de formação dos estudantes deste curso. Os projetos pedagógicos, as ementas das disciplinas e a matriz curricular dos Cursos de Graduação em Enfermagem, devem estar em constante análise, discussão e atualização, principalmente para promover a aproximação do estudante à realidade da profissão.
Os projetos de extensão universitária são meios de aproximação dos estudantes da comunidade, facilitando a construção do aprendizado e de saberes interdisciplinares. Assim, os projetos de extensão beneficiam a troca de experiências e conhecimentos entre professores, alunos e a população.
Guiados pelo professor, os estudantes podem estar mais próximos da população idosa, oferecendo serviços de orientação em saúde com maior tempo, dando mais atenção e carinho, em um espaço fora da unidade de saúde, fazendo com que o idoso se sinta mais à vontade, mas não menos assistido. Além de promover um contato prático mais célere com pacientes, desde os primeiros períodos da faculdade, gerando um impacto positivo nos seus estudos, ampliando seus conhecimentos acadêmicos e a aplicação da Humanização na prática. [4]
3 CONSIDERAÇÕES
A ampliação dos projetos de extensão universitária deve ser prioritária nas discussões de atualização dos currículos de Graduação em Enfermagem, indo ao encontro da metodologia “Hands On”, que estimula, positivamente, o processo ensino-aprendizagem, além de promover a autonomia e protagonismo do aluno neste processo.
Além disso, projetos de extensão universitária permitem a vivência e promovem o contato do discente com a prática clínica, incentivando o pensamento crítico, abordagem humanizada, comunicação assertiva e postura ética.
As “Soft skills”, ou “habilidades comportamentais”, tão demandadas no mercado de trabalho atual, também são incentivadas, o aluno tem a oportunidade de trabalhar em equipe, refinar a empatia, desenvolver habilidades para tomadas de decisão, além do processo de desenvolvimento de inteligência emocional.
Sem dúvida, a formação humana também é estimulada, trazendo o estudante para viver a realidade do território da comunidade atendida, proporcionando a integração entre conhecimento teórico e a compreensão da realidade de modo mais completo.
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] BRASIL. Boletim temático da biblioteca do Ministério da Saúde: Saúde do Idoso. Ministério da Saúde. Divisão de Biblioteca do Ministério da Saúde. v. 1, n. 1 (mar. 2021). Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/boletim_tematico/saude_idoso_outubro_2022-1.pdf>
[2] ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS).Envelhecimento Saudável. Disponível em: https://www.paho.org/pt/envelhecimento-saudavel#:~:text=O%20envelhecimento%20saud%C3%A1vel%20%C3%A9%20um,vida%20ao%20longo%20da%
20vida .
[3] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização - PNH. Brasília: Ed. Ministério da Saúde, 2013c. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/humanizasus_2004.pdf>
[4] LOPES, Marcos Marinho; NOGUEIRA, Inara Suelane Pontes; CORDEIRO Marina Ferraz; COSTA, Anacely Guimarães. Perspectivas de estudantes da área de saúde sobre participação em programa intergeracional: potencialidades e desafios. Revista Brasileira de Educação Médica. V. 47, n. 3, 2023.

