ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc73661
Publicado em 20 de outubro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
A PRÁTICA HUMANIZADA DE ENFERMAGEM À PARTURIENTE: BASEADA NA TEORIA DE WANDA HORTA
Karine Barbosa Rodrigues Leite¹; Rafaela Figueiredo da Costa Bezerra2
1,2Faculdade Integrada Cete - FIC, Garanhuns - PE, Brasil
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RESUMO
A humanização do parto visa o respeito do processo biológico de cada mulher, assim como seus conceitos culturais e sociais, para que haja uma conduta saudável para a parturiente e o bebê. Uma atuação humanizada do enfermeiro, um plano de cuidados voltados às necessidades específicas dessa mulher promove o bem-estar e segurança, fazendo com que o parto ocorra de maneira agradável e segura tanto para a mãe quanto para o bebê. O Processo de Enfermagem é um método de organização e direção, do enfermeiro avaliar seu paciente com base nas suas necessidades, para que possa prestar o cuidado individualmente a cada pessoa. Por ser uma fase caracterizada por intensas mudanças fisiológicas, o uso da teoria de Wanda Horta[8] permite que os enfermeiros conheçam seus pacientes como um todo, para que assim, seja elaborada uma assistência diferenciada e específica para cada paciente. Conhecendo as necessidades de cada parturiente, a equipe será capaz de prestar atendimento centrado e especializado, garantindo maior adesão da parturiente aos cuidados prestados para que o momento do parto se realize de maneira colaborativa, agradável e segura para mãe e bebê.
Palavras-chave: Assistência de Enfermagem, Parto Humanizado, Parturiente
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1 INTRODUÇÃO
“A gravidez é um processo fisiológico que dura cerca de 40 semanas e envolve uma série de mudanças tanto físicas quanto psicológicas [4]. É notável que com o passar dos anos, o ato fisiológico do parto vem se privilegiando mais de técnicas medicamentosas ao invés de estímulos naturais e assistenciais à mulher que vive essa experiência.
Os sentimentos da parturiente na hora do trabalho de parto como, as inseguranças, ansiedade, desamparo afetivo, medo e dor podem transformar o que poderia ser uma experiência única em uma experiência negativa. Muitas vezes, a equipe de enfermagem utiliza de uma assistência para todas as parturientes, não observando as diferenças entre elas, fazendo com que se sintam mal acolhidas na assistência. Uma atuação humanizada do enfermeiro, um plano de cuidados voltados às necessidades específicas dessa mulher promove o bem-estar e segurança, fazendo com que o parto ocorra de maneira agradável e segura tanto para a mãe quanto para o bebê [4].
Como tal situação tem sido motivo de preocupação, por parte de órgãos como a OMS, o Ministério da Saúde e outros não necessariamente relacionados ao governo, têm por parte dos mesmos sido proposto modificações nessa assistência prestada, modificações essas que englobam inclusive o resgate do parto natural, com estímulo da atuação da enfermeira obstetra na assistência à gestação e ao parto. A humanização do parto visa o respeito do processo biológico de cada mulher, assim como seus conceitos culturais e sociais, para que haja uma conduta saudável para a parturiente e o bebê [1].
O Processo de Enfermagem é um método de organização e direção, do enfermeiro avaliar seu paciente com base nas suas necessidades, para que possa prestar o cuidado individualmente a cada pessoa. As teorias de enfermagem nada mais são do que uma organização de afirmações e conceitos que explicam o cuidado de enfermagem e suas consequências [10]. O uso das teorias para o processo de assistência de enfermagem foi salientado no artigo 3 da resolução 358/2009 do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). O suporte teórico deve orientar o enfermeiro desde a coleta de dados até a avaliação dos resultados esperados, proporcionando adaptações individuais.
A teoria das Necessidades Humanas Básicas, irá dar aos profissionais enfermeiros o suporte teórico na prática de assistência, direcionando-os para a realização de cuidados de acordo com as necessidades de cada indivíduo [6]. Por ser uma fase caracterizada por intensas mudanças fisiológicas, o uso da teoria de Wanda Horta[8] permite que os enfermeiros conheçam seus pacientes como um todo, para que assim, seja elaborada uma assistência diferenciada e específica para cada paciente. Baseado no indivíduo como um ser integral e busca harmonia e equilíbrio, trazendo contribuições importantes para que os pacientes recebam um tratamento humanizado e integrativo de maneira contínua. [9].
Nesse sentido, os parceiros necessitam do apoio e cooperação dos profissionais de saúde para que recebam os cuidados adequados na maternidade. É fundamental que os profissionais de saúde estejam cientes da necessidade e importância de acompanhar a parturiente durante o parto, e devem estar preparados para realizar atividades com pais e mães para mantê-los informados sobre a evolução que ocorre durante o parto e comportamento [12]. Essas atitudes simples, mas eficazes, podem ter um impacto positivo na realidade da assistência binomial.
A equipe de enfermagem pode amenizar um pouco os desconfortos desse momento tão delicado na vida das mulheres, encorajando-as, usando as técnicas aprendidas durante a graduação ou especialização, mesmo as mais simples atitudes podem ter grandes resultados e evitar traumas que muitas parturientes levam para o resto de suas vidas [8].
É de suma importância que o enfermeiro se aproxime da parturiente e conheça suas necessidades e realidade, deste modo, será possível saber sobre seus medos e inseguranças, e a partir daí formar um vínculo entre a parturiente, sua família e a equipe. Conhecendo as necessidades de cada parturiente, a equipe será capaz de prestar um atendimento centrado e especializado, garantindo maior adesão da parturiente aos cuidados prestados para que o momento do parto se realize de maneira colaborativa, agradável e segura para mãe e bebê [4].
...2 REFERENCIAL TEÓRICO
O parto é vivido como uma realidade distante em que se encerram riscos, irreversibilidade e imprevisibilidade, sem previsão de anormalidades. Essas situações podem ser vivenciadas pela mulher de forma tranquila ou não, dependendo de sua adaptação. Representa, ainda, uma transição importante na vida da mulher e da família. Nesse momento, a parturiente necessita de compreensão para enfrentar naturalmente o trabalho de parto, o parto e o nascimento, participar dele ativamente, obtendo assim, conforto físico e psíquico [5].
A assistência à saúde da parturiente vem sendo discutida na perspectiva de tornar o processo de parir e nascer um contexto de promoção à saúde da mulher e do recém-nascido. Ou seja, um dos intuitos desta assistência humanizada é também promover a saúde do binômio. Acontece que existem obstáculos a serem superados: más condições de trabalho, excessiva demanda, ausência de condições de diagnóstico e tratamento adequados, infraestrutura precária e que não supre as necessidades requeridas pelas diretrizes da humanização, bem como o insuficiente conhecimento sobre humanização por parte dos profissionais [3].
O termo humanização acarreta um amplo conceito, tendo início desde o acolhimento da gestante durante o acompanhamento do pré-natal até as boas práticas de atendimento proporcionadas pela equipe de saúde, buscando evitar intervenções desnecessárias e fornecendo um trabalho de parto saudável. A assistência prestada durante o parto deve ocorrer de uma forma humanizada, respeitando e criando condições para que todas as dimensões espirituais, psicológicas, físicas do ser humano sejam alcançadas no momento do parto. Observar o paciente de forma holística significa humanizar a assistência, pois se consegue ofertar cuidados de forma integral e equitativa, gerando uma concepção assertiva sobre o processo saúde-doença [7].
Após entender a necessidade de uma atenção humanizada e incentivo ao parto normal,em 2022 foi criado pelo MS o Programa de Humanização no Pré-Natal e Nascimento (PHPN), voltado para as necessidades das gestantes, recém-nascidos e puérperas, que tinha como objetivo a melhoria do acesso e qualidade à atenção ao pré-natal, assistência ao parto e puerpério, entendendo que a humanização nesses momentos é a condição primária para uma assistência qualificada. Essa iniciativa também buscava modificar as atitudes dos profissionais envolvidos na prática do cuidado [1].
As necessidades humanas mais básicas são mais importantes para sua sobrevivência. Essas necessidades incluem: alimentação, respiração, repouso, sono, hidratação e atividade sexual – afinal, a continuação da espécie também é uma necessidade de sobrevivência. A enfermagem é para o ser humano, não para suas doenças ou desequilíbrios; todo cuidado é preventivo, curativo e restaurador; a enfermagem reconhece o ser humano como participante ativo no autocuidado. A teoria busca ajudar o ser humano a satisfazer suas necessidades básicas e, sempre que possível, torná-lo independente dessa ajuda, ensinando autocuidado, recuperação e promoção da saúde em colaboração com outros profissionais [4].
Wanda de Aguiar Horta desenvolveu um modelo conceitual baseado nas leis do equilíbrio, adaptação e holismo. Uma necessidade humana básica é o nervosismo, consciente ou inconsciente, por o desequilíbrio homeopático dos fenômenos da vida. Existe um estado de homeostase, no qual as necessidades não se manifestam, mas espreitam, aparecendo mais ou menos força. Então, estes são universais e comuns a todos a humanidade, de uma pessoa para outra, como se comporta e como é satisfeita ou cuidada. Potencial, penetrante, importante, flexível, constante, apesar disso, a ajuda fornecida varia de acordo com a distração das manifestações, incluindo: personalidade, idade, gênero, cultura, educação, fatores socioeconômicos, ciclos Saúde Doença e Ambiente Físico [4].
De acordo com Wanda Horta[8], a enfermagem e as demais áreas da saúde precisam observar os pacientes e suprir suas necessidades básicas. Para tanto, foram criados seis passos básicos que regem o programa e hoje fazem parte do cuidado. No contexto brasileiro, o acompanhante da rede social da mulher tem assumido o papel de provedor de apoio durante o trabalho de parto e parto, sendo que algumas pesquisas têm investigado a satisfação das usuárias quanto ao apoio recebido durante a internação [2]. A teoria das Necessidades Humanas Básicas direciona o enfermeiro para que a assistência seja focada na necessidade de cada uma, fazendo com que a assistência seja feita de forma individualizada, trazendo apoio e fazendo com que as parturientes se sintam mais acolhidas e a vontade, gerando satisfação.
A incorporação da teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta [8] dentro de um centro obstétrico vai além de tratar bem as pessoas, envolve a humanização da equipe com a parturiente e todas as suas singularidades. A humanização implica o respeito às escolhas e opiniões, queixas, anseios e expectativas da mãe para que a partir daí possa ser feito uma assistência de maneira diferenciada e que não concentre apenas em técnicas e intervenções onde não são respeitados os direitos das mulheres [11].
Nota-se que o cuidado e a humanização estão intimamente ligados. O cuidado é, sobretudo, para atender as necessidades individuais da paciente, tendo um olhar diferenciado da profissional para a singularidade e integralidade. A enfermagem utiliza o cuidar como sua consciência, expresso pela experiência e moldado em sua prática, mas para que esse cuidado aconteça, ele deve estar pautado em um saber, e é por isso que na enfermagem tem teorias que guiam a prática da assistência [4].
O estudo utiliza-se do método da revisão integrativa da literatura, que tem como objetivo sintetizar os resultados alcançados em pesquisas sobre determinado tema ou questão de maneira abrangente e ordenada. É nomeada integrantiva por oferecer informações mais vastas sobre um determinado assunto .
Foram seguidos os seguintes passos: elaboração da pergunta norteadora da pesquisa; a busca da literatura (com a delimitação dos descritores) e a análise e avaliação dos dados obtidos. A identificação dos descritores se deu por meio do Decs (Descritores em Ciências da Saúde) e deu início à busca nas seguintes bases de dados: Medline (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe da Saúde), Scielo (Scientific Electronic Library Online), e BVS (Biblioteca Virtual de Saúde).
O recorte temporal escolhido foi o dos últimos 10 anos, 2012 - 2022, mediante o cruzamento dos seguintes descritores: “Parto normal”, “Humanização no Parto” e “Teoria de Wanda Horta”[8]. Os critérios de inclusão para seleção dos artigos foram: artigos publicados em português ; artigos na íntegra; que retratam a temática definida e publicados dentro do recorte temporal. Como critérios de exclusão, as publicações que não atenderam aos critérios estabelecidos na metodologia.
A análise dos dados se deu da seguinte forma: leitura, descrição dos dados e construção do quadro sinóptico, por conseguinte, seguirá a leitura detalhada das publicações e análise do conteúdo dos artigos, bem como será realizada a organização dos mesmos, agrupando-os por semelhanças e organizando-os em categorias temáticas.
Concentra-se em entender e interpretar a dinâmica que por sua vez representa as relações sociais do universo, significados, motivações, aspirações, crenças, valores e atitudes. Isso corresponde a um espaço relacional mais profundo como alguns processos e fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis.
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3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
A partir do presente trabalho, espera-se identificar as lacunas do conhecimento referente às práticas humanistas de enfermagem a mulheres no processo do parto natural, para que se possa contribuir para a implementação de ações estratégicas, que sejam efetivas e eficazes no oferecimento de assistência qualificada e proporcione melhor qualidade [3]
A importância da assistência de enfermagem à gestante no momento do parto, descreve os muitos benefícios do parto humano no binômio citado acima a relação entre enfermeiro e gestante. Como na prática pode –se, utilizar técnicas que auxiliam gestantes durante o parto, aliviar a dor natural neste período tão crítico, quando as mulheres precisam de mais apoio dos profissionais que as auxiliam, e estimular a equipe de enfermagem. Pois quanto mais conhecimento da teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta [8], os enfermeiros podem olhar seu paciente de forma integral, fazendo com que o mesmo receba um tratamento integrado e humanizado focando em suas necessidades e respeitando suas escolhas e objetivos na hora do parto. Portanto, é necessário aproximações que combinem realidade e necessidades, a essa maternidade. A formação de vínculos entre maternidade, equipe e família.
O foco principal dos programas tradicionais de segurança e proteção à saúde é garantir a segurança no trabalho e proteger os trabalhadores dos efeitos nocivos de seu trabalho. Total Worker Health (TWH) baseia-se nesta abordagem, reconhecendo que o trabalho é um determinante social da saúde. Fatores relacionados ao trabalho, como salários, horas, carga de trabalho e níveis de estresse, interações com colegas de trabalho e gerentes, pagamento de férias e promoção de um ambiente de trabalho saudável – todos os quais têm impacto no bem-estar dos trabalhadores e de suas famílias e a sociedade em geral comunidades de alto impacto.
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática humanizada de enfermagem à parturiente, baseada na teoria de Wanda Horta[8], representa um enfoque centrado na mulher e em sua experiência durante o processo de parto. Wanda Horta[8], renomada enfermeira e teórica brasileira, enfatiza a importância do cuidado individualizado e holístico, considerando não apenas o aspectofísico, mas também o emocional, social e espiritual da parturiente.
Essa abordagem busca estabelecer uma relação terapêutica e empática entre a enfermeira e a parturiente, promovendo a autonomia, a participação ativa da mulher nas decisões relacionadas ao seu parto e o respeito às suas preferências e valores. A comunicação efetiva, o acolhimento, a segurança e o suporte emocional são fundamentais para proporcionar uma experiência de parto positiva e humanizada.
Além disso, a teoria de Wanda Horta[8] destaca a importância de considerar o contexto cultural, social e econômico da parturiente, reconhecendo que esses elementos podem influenciar suas percepções, necessidades e expectativas em relação ao processo de parto. Em última análise, a prática humanizada de enfermagem à parturiente, embasada na teoria de Wanda Horta[8], busca resgatar a humanização no cuidado à mulher durante o parto, privilegiando a sua dignidade, autonomia e bem-estar, e contribuindo para a promoção de uma assistência mais ética, empatia e centrada na pessoa.
Considerando o importante papel do enfermeiro no cuidado às mães, e o relato de uma assistência individualizada que leve em consideração todas as necessidades específicas de cada mãe, a hipótese levantada neste estudo é que a utilização da teoria das necessidades humanas básicas de Wanda Horta[8] orientará o enfermeiro no prestando assistência qualificada, respeitando as necessidades e limitações de cada indivíduo.
Esse refinamento da realidade, um modelo, integra as possibilidades apresentadas pelo cuidado e inclui a contribuição das perspectivas do enfermeiro sobre a gestante/puérpera durante o processo. Há décadas, a OMS e o MS recomendam as práticas de humanização no cuidado, segurança e qualidade no parto e nascimento, movimento esse chamado como “boas práticas''. Políticas e programas nacionais trouxeram a figura da enfermeira obstetra e parteira para o ambiente do parto no intuito de fortalecer a humanização e redução de intervenções desnecessárias.
O estudo justifica-se pela necessidade da disseminação das práticas humanizadas, na assistência da enfermagem obstétrica. O cuidado ao preservar a autonomia, atendendo aos seus anseios básicos é essencial para um parto satisfatório e seguro para a parturiente. Seguindo esse pensamento, surge a necessidade de discutir esse tema que vem se tornando mais visível na enfermagem. Ressaltar a importância de ter uma visão holística dessas gestantes, para estabelecer o máximo de conforto possível durante o parto.
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5 REFERÊNCIAS
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