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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
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ARTIGO CURTO ​​ ORIGINAL

Perfil epidemiológico dos casos de hanseníase na Região Centro-Oeste no período de 2018 a 2022

Celly Almeida e Almeida1;Yan Víctor Neves de Souza Melo2; Thauanne Brizzia Oliveira Rocha3; Gabriel Augusto Bernardes Stellato4; Ályfe Kerix Gontijo Clemente5; Diego Fonseca Oliveira Bispo6, Fernanda Camargos Costa Oliveira7; Luiza Helena Martins Alves Duarte8; Juliana Roberta Neves Enia9; Marcos Vinícius Soares de Souza10; Pedro Afonso Barreto Ferreira11

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Como Citar:

E ALMEIDA,Celly Almeida; MELO,Yan Víctor Neves de Souza; ROCHA, Thauanne Brizzia Oliveira et al. Perfil epidemiológico dos casos de hanseníase na Região Centro-Oeste no período de 2018 a 2022. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.572-585, 2025.

https://doi.org/10.61411/rsc202577918

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DOI: 10.61411/rsc202577918

 

Área do conhecimento: Ciências da Saúde.

 

Palavras-chaves: Hanseníase; Manifestação Clínica; Epidemiologia; Saúde pública; Incidência.

 

Publicado: 21 de fevereiro de 2025.

Resumo

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, capaz de acometer a pele e os nervos, sendo provocada por um bacilo álcool-ácido resistente conhecido como Mycobacterium leprae ou bacilo de hansen. Possui alta infectividade e baixa patogenicidade, tendo como sua via principal de transmissão a via aérea superior, por meio de longos períodos de exposição e contato próximo com pacientes infectados sem tratamento. Além disso, é possível determinar o grau de comprometimento pelo modo da manifestação clínica, sendo elas: indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana. O Brasil ocupa um lugar de destaque: é o segundo país que mais registrou novos casos, impactando, sobretudo, a população mais vulnerável. Este trabalho trata-se de um perfil epidemiológico, descritivo, que objetiva delinear as características de prevalência e de incidência da hanseníase no Centro-Oeste, no período de 2018 a 2022. É observável, a partir dos dados coletados, que a região Centro-Oeste é responsável por cerca de 21,6% dos casos em todo o Brasil, representando a segunda maior porcentagem do país, atrás apenas da região Nordeste. Além disso, é pertinente constatar uma significativa queda ao comparar os anos de 2019 e 2020, o que se manteve nos anos seguintes e adquiriu um aspecto proporcional em todas as regiões. Também foram analisadas variáveis como gênero - constatando que existe uma diferença pouco significativa - e idade - registrando um pico de incidência na faixa dos 40 aos 59 anos. Nota-se, ainda, em relação às formas clínicas analisadas, que o tipo dimorfa representa a grande maioria dos casos (quase 70% na região Centro-Oeste e aproximadamente 52% no Brasil) e que existe um número significativo de diagnósticos não classificados, tanto a nível Brasil (9.053 casos), como a nível Centro-Oeste (1.587 casos). Desse modo, conclui-se que a hanseníase necessita de um olhar cuidadoso a partir de políticas públicas eficientes, a fim de atender a constância do perfil epidemiológico dos casos a cada ano, para que, assim, seja possível diminuir a transmissibilidade.

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Epidemiological profile of leprosy cases in the Central-West Region from 2018 to 2022

Abstract

Leprosy is an infectious disease that affects the skin and nerves and is caused by a resistant alcohol-acid bacillus known as Mycobacterium leprae or Hansen's bacillus. It has high infectivity and low pathogenicity, and its main route of transmission is the upper airway, through long periods of exposure and close contact with untreated infected patients. In addition, it is possible to determine the degree of involvement by the mode of clinical manifestation, which are: indeterminate, tuberculoid, dimorphic and virchowian. Brazil occupies a prominent position: it is the country with the second highest number of new cases, affecting, above all, the most vulnerable population. This is a descriptive epidemiological profile which aims to outline the characteristics of the prevalence and incidence of leprosy in the Midwest between 2018 and 2022. From the data collected, it can be seen that the Midwest region is responsible for around 21.6% of cases in the whole of Brazil, representing the second highest percentage in the country, behind only the Northeast region. In addition, it is pertinent to note a significant drop when comparing the years 2019 and 2020, which continued in the following years and acquired a proportional aspect in all regions. Variables such as gender were also analyzed - finding that there is little significant difference - and age - registering a peak in incidence in the 40 to 59 age group. The clinical forms analyzed also show that the dimorphic type accounts for the vast majority of cases (almost 70% in the Midwest region and approximately 52% in Brazil) and that there is a significant number of unclassified diagnoses, both in Brazil (9,053 cases) and in the Midwest (1,587 cases). It can therefore be concluded that leprosy requires a careful approach based on efficient public policies, in order to meet the constant epidemiological profile of cases each year, so that it is possible to reduce transmissibility.

Keywords: Leprosy; Clinical manifestation; Epidemiology; Public health; Incidence.

 

1.Introdução

A hanseníase é descrita como uma doença infecciosa, transmissível, de caráter crônico, provocada pelo parasita Mycobacterium leprae, um bacilo que acomete os olhos, a pele e, principalmente, os nervos periféricos7. O M. leprae possui alta infectividade e baixa patogenicidade. Em outros termos, infecta muitas pessoas, apesar de poucas delas adoeçam. A principal via de transmissão é a via aérea superior através de  longos períodos de exposição e contato próximo com pacientes infectados sem tratamento5.

A hanseníase possui inúmeros modos de se manifestar, é possível agrupá-los de acordo com a sua apresentação clínica sendo elas: indeterminada, tuberculoide, dimorfa e virchowiana5. Na hanseníase indeterminada há a presença de uma lesão na pele, geralmente única, mais clara que a pele ao redor, com bordas mal delimitadas, não elevadas e secas. Ocorre a perda da sensibilidade térmica e/ou dolorosa, porém há preservação da sensibilidade tátil. Todos os pacientes passam por essa fase no início da doença, porém ela pode ser ou não perceptível8. Já na forma turberculoide as lesões são descritas como eritemato hipocrômicas, com bordas discretamente elevadas ou com microtubérculos e bem delimitadas. A placa apresenta anestesia térmica, dolorosa e tátil. Variam em formato, tamanho e número. Destaca-se que as formas indeterminada e tuberculoide a baciloscopia da lesão é habitualmente negativa, classificadas como paucibacilares (PB)5.

Em continuidade, a apresentação dimorfa dessa patologia possui lesões eritematosas, hipocrômicas, ferruginosas, infiltradas, edematosas e brilhantes, com contornos internos bem definidos e externos mal definidos, centro deprimido, hipocrômico ou com coloração de pele normal, hipo ou anestésicos. Os pacientes apresentam um comprometimento neurológico periférico frequente, bem como os episódios reacionais, tornando-os potencialmente incapazes de realizar tarefas comuns do dia a dia5. Por fim, na manifestação virchowiana, encontra-se uma infiltração difusa — principalmente em face, ocasionando a perda definitiva de pelos dos cílios e supercílios, dando à face um aspecto peculiar, chamado fácies leonina —, numerosas lesões eritemato acastanhadas, brilhantes, mal definidas e de distribuição simétrica5

Dessarte é válido evidenciar que a hanseníase configura-se como uma importante questão de saúde pública tanto a nível nacional como mundial, sendo, o Brasil, o país que ocupa a segunda colocação entre os países que mais registram novos casos7. Essa patologia faz parte do rol das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN), a qual acomete, sobretudo, a parcela da população mais vulnerável. Em função do elevado número de registros em todas as regiões do Brasil, com sua distribuição de forma heterogênea, a doença transmitida pelo bacilo de Hansen permanece como uma intempérie, envolvendo, ainda, questões sociais e psicológicas como: exclusão, angústia e ansiedade, tanto pelo doente quanto por seus familiares6, o que dificulta o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno. 

Por ser uma doença infecciosa, contagiosa, a sua notificação é imprescindível, já que sua utilização efetiva fornece às autoridades informações sobre a patologia, seus agravos e eventos que apresentam grande impacto na saúde da população. Por meio dela é possível planejar medidas de promoção e controle, além de permitir que seja avaliada a repercussão das intervenções7.  

O Programa Nacional de Controle da Hanseníase (PNCH) foi criado nos anos 2000 com o intuito de aumentar a cobertura, resultando em mais diagnósticos e tratamentos efetivos, para extinguir a doença como problema de saúde pública até o ano de 200510. Entretanto, apesar da elaboração do PNCH, ainda há dificuldade para reduzir o número de casos no Brasil e no mundo, colocando o enfrentamento a hanseníase dentro das agendas internacionais, ampliando o período para a eliminação da ocorrência das epidemias das DNT até o ano de 20309. Posto isso, a presente pesquisa busca analisar o perfil epidemiológico dos casos de hanseníase no Brasil, indicando faixa etária e gênero. Além de analisar as diferenças de incidência e prevalência nas regiões do Brasil no período de 2018 a 2022.

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2.Metodologia

Delineamento de estudo: O presente estudo trata-se de um perfil epidemiológico, descritivo, que objetiva delinear as características de prevalência e de incidência da hanseníase no Centro-Oeste. 

Amostra, período e local de pesquisa: Ampara-se na amostragem de dados de diagnóstico, agravos de saúde e notificação compulsória de casos de hanseníase do período de 2018 a 2022 no Centro-Oeste. 

Fonte e coleta de dados: Os dados obtidos foram disponibilizados pelo Ministério da Saúde, no site do DATASUS. A coleta de informações será feita a partir do programa tabulador de dados Tabnet. A pesquisa acerca da mortalidade será feita conforme os códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID), especificamente do CID-10 A30, que se refere à hanseníase.

Variáveis de estudo: serão selecionadas variáveis referentes à faixa etária, sexo (masculino e feminino) e fatores de risco associados (região endêmica e idade). 

Manejo e análise dos dados: Os dados coletados foram tabulados e analisados por meio do programa Microsoft Excel 2010.

Benefícios da pesquisa: As evidências obtidas na presente pesquisa poderão auxiliar na compreensão do perfil de pacientes acometidos por hanseníase no Brasil e na região estudada dentro do período determinado, viabilizando assim o subsídio de ações de Saúde Pública que visem a redução da incidência por hanseníase no país. 

Considerações éticas: Por se tratar de uma pesquisa envolvendo dados secundários, de domínio público, sem identificação dos participantes, o estudo está dispensado de apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme parágrafo único, itens III e V, da resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 510, de 07 de abril de 2016 (CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE, 2016).

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3.Desenvolvimento e discussão

É observável, a partir dos dados coletados, que os elevados índices relacionados aos diagnósticos de hanseníase no Brasil se apresentam como uma importante questão de saúde pública. 

A tabela 1 evidencia que a região centro-oeste é responsável por cerca de 21,6% dos casos em todo o Brasil, considerando o período analisado (2018-2022), o que representa a segunda maior porcentagem do país, atrás apenas da região nordeste, a qual registrou quase o dobro de casos neste mesmo intervalo. Além disso, é pertinente constatar uma significativa queda ao comparar os anos de 2019 e 2020, o que se manteve nos anos seguintes e adquiriu um aspecto proporcional em todas as regiões. 

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Tabela 1 – Diagnóstico de hanseníase por regiões do Brasil no período de 2018 a 2022

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXc_7kJ_IHSQR-q4U_m_WVWycnXddmGDxfB9A0jxuPQyZxxZGdM4LMG-ykUFuniNwVs110jNYbh1i1FQmApihOxbJfxpF3hQHy5QEkRHngqba-oLttLM0ybB4dFwute3KG-uIB6JpuhYSxxiHdveSxrYxWIT?key=T-2G4GwaZXzrqfLgpxMJWQ

 

Analisa-se, ainda, considerando os dados vigentes nas tabelas 2 e 3, a diferença de acometimento dos gêneros masculino e feminino, tanto a nível de Brasil como na região centro-oeste. É observada uma diferença pouco significativa entre os sexos, sendo que, durante os cinco anos expostos, os homens registraram números levemente superiores às mulheres. No entanto, é possível perceber um equilíbrio cada vez maior com o passar dos anos, demonstrado com maior clareza na região centro-oeste, a qual mostrou uma diferença de pouco menos que 8%.

 

Tabela 2 – Diagnóstico de hanseníase por sexo por ano entre 2018-2022 no Centro-Oeste

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXdeAU8uiD82qXisjU9heg8rrclAYLyM-uTDdTQjn2I7-A2onzDDb1bz_PCeHNo51sta5NxjrdE80JBf9RWZOfkXdFqGT94xcyVho_gD0le9rTq-Pg4aGdhRKgA0K1vR42ybSdm1qT-gk35Dr_adMSjWSe6I?key=T-2G4GwaZXzrqfLgpxMJWQ

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Tabela 3 – Diagnóstico de hanseníase por sexo por ano entre 2018-2022 no Brasil

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXe8L8PcdqroniKOlAUnCjjI9XRns5YuEVme_V5dlp_QdCrshO141q_GU9MWVnkq4ZkQbQ-usyyIzOGoAjftq0Ms38xh3dTtRI02gbAtY4ADeIcpSgTwm1wWEt3uSMxPjqmqKr9tVlVX9nnC2MtY7zmu2HpL?key=T-2G4GwaZXzrqfLgpxMJWQ

 

No que diz respeito à idade, infere-se, através da análise das tabelas 4 e 5, que existe um pico de incidência por volta dos 40 aos 59 anos, sendo os extremos de idade (1-4 anos e 80 anos ou mais) responsáveis pelo menor número de casos. Esta análise se mantém constante ao decorrer dos anos, além de se mostrar proporcional no Brasil em relação ao centro-oeste.

Tabela 4 – Diagnóstico de hanseníase por idade por ano entre 2018-2022 no Brasil

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXet_azw56Ip8wq-xrWu0_Z0UXvK1nbcSSCbSh8c26ef7Oo-ljS6K4IsnuxAiKhfZBms0e9UWy-qaV2CEsyc-_GTLl8qGrroD7jtPaZmvjoKJQ8-J6-ZZwBqCoCo3Ey3Q6P2iJcNSiqZEioX6M6fCUMrNdb_?key=T-2G4GwaZXzrqfLgpxMJWQ

 

Tabela 5 – Diagnóstico de hanseníase por idade por ano entre 2018-2022 no Centro-Oeste

https://lh7-rt.googleusercontent.com/docsz/AD_4nXdXkOMDAwcmtMub307Dtg4o0IbWFmAMhxo1VwWnZjTRmXfUpXalMTw3pclSfnQBPgOdales5IOVQXurnxrNWDLSGCZfUT2sk8y031hBjPykErspIcfph6G55tCLRzFGlglG_sn53n9Y0MOZ_5oorLpXgsg?key=T-2G4GwaZXzrqfLgpxMJWQ

 

Por conseguinte, avalia-se, por meio das tabelas 6 e 7, o número de casos relacionados com a forma clínica apresentada pelos pacientes com hanseníase. Nota-se que existe uma predominância evidente do tipo dimorfa, sendo responsável por quase 70% dos casos no centro-oeste e aproximadamente 52% dos casos no Brasil. Logo atrás, mostra-se a forma virchowiana, registrando pouco mais de 12% do total no centro-oeste e 18% no Brasil. Além disso, é necessário destacar que existe um número significativo de diagnósticos não classificados, tanto a nível Brasil (9.053 casos), como a nível centro-oeste (1.587 casos).

Tabela 6 – Frequência por região de notificação segundo a forma clínica notificada no período de 2018 a 2022

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Tabela 7 – Frequência de diagnóstico por ano segundo a forma clínica notificada no Brasil no período de 2018 a 2022

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A partir da análise dos dados presentes neste estudo, é comum reforçar a relevância da hanseníase como um problema de saúde pública no Brasil, especialmente na região Centro-Oeste, que contribui com 21,6% dos casos registrados no país entre 2018 e 2022. Apesar dos esforços realizados ao longo das últimas décadas, como a instituição do Programa Nacional de Controle da Hanseníase (PNCH), ainda há desafios consideráveis na redução da prevalência e incidência da doença.

  • Redução de casos e impacto da pandemia

 Os resultados indicam uma queda significativa no número de casos diagnosticados em 2019 e 2020, possivelmente atribuída aos impactos da pandemia de COVID-19, a qual pode ter dificultado o diagnóstico precoce e o acesso aos serviços de saúde. As mudanças no modo de vida das pessoas frente à alta transmissibilidade do coronavírus humano, apesar de visar conter a disseminação, afetou diretamente outros agravos, tais como a estratégia de diagnóstico e tratamento da hanseníase[6]. Essa tendência escondeu casos não diagnosticados e promoveu certo agravamento na subnotificação, o que tendenciou os gráficos relacionados à questão.

 Pode-se destacar os números observados durante a pandemia, observando que seu curso, as campanhas de conscientização e busca ativa de casos de hanseníase perderam prioridade, frente ao momento delicado no qual o planeta vivenciava[13]. Essa redução de esforços voltados à hanseníase comprometeu a identificação de novos casos e favoreceu a progressão da doença em diversos indivíduos. 

  • Diferenças de gênero e faixa etária

 Os achados sobre a distribuição por gênero demonstram uma ligeira predominância masculina, mas com uma tendência de equilíbrio ao longo dos anos. Isso pode indicar mudanças nos padrões de exposição, bem como no comportamento de busca por atendimento entre homens e mulheres. Ao comparar os efeitos da hanseníase em homens e mulheres através de um ponto de vista sócio-cultural é possível evidenciar representações diferentes ao realizar comparações entre os gêneros, refletindo questões sociais expressas dentro da própria doença[14]. Os homens tendem a preocupar-se, principalmente, com a parte anatômica da questão, visto os impedimentos funcionais que a hanseníase pode desencadear. Por outro lado, as mulheres demonstram preocupação quanto à aparência física, dificultando suas relações. 

 No que se diz respeito à faixa etária, a concentração de casos entre 40 e 59 anos de idade reforça a necessidade de políticas voltadas para adultos em idade economicamente ativa. Esses achados fortalecem padrões já identificados em estudos epidemiológicos anteriores e suscitam reflexões importantes sobre os fatores que influenciam a distribuição etária da doença e suas implicações para a saúde pública. Essa tendência está atrelada, principalmente, ao diagnóstico tardio da hanseníase, visto que a doença possui um longo período de incubação e pode levar anos para apresentar sinais e sintomas perceptíveis[15]. Além disso, são observadas barreiras socioeconômicas no acesso à saúde, já que indivíduos em idade adulta podem apresentar prioridades financeiras, bem como estigmas relacionados à doença.

  • Predomínio do tipo dimorfo

O tipo clínico dimorfo, que representa quase 70% dos casos no Centro-Oeste, destaca-se como a forma mais prevalente, exigindo atenção especial para seu manejo, devido à sua associação com maior comprometimento neurológico[1]. A elevada proporção de casos não classificados, tanto regional quanto nacionalmente, também aponta para possíveis falhas no processo de diagnóstico e registro, o que limita a compreensão completa do cenário epidemiológico.

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4.Considerações finais

Os dados analisados neste estudo demonstram uma intensa necessidade de preocupação com o diagnóstico de hanseníase, sendo questões que envolvem diversos fatores, desde sociais e econômicos até obstáculos de saúde pública, tais como a ascensão da pandemia de covid-19. Essa prevalência exige um olhar cuidadoso para a região centro-oeste, a qual é responsável por grande parte dos casos existentes no país. Dessa forma, percebe-se que, apesar dos grandes esforços para que se diminua a transmissão da hanseníase, a doença ainda se destaca em meio ao país.

Em vista disso, é extremamente necessário que políticas públicas de saúde sejam reforçadas, a fim de atender a constância do perfil epidemiológico dos casos de hanseníase a cada ano, para que, assim, seja possível diminuir a transmissibilidade.

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5.Declaração de direitos

O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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1

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

2

Afya Faculdade de Ciências Médicas, Palmas, Brasil.

3

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

4

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

5

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

6

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

7

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

8

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

9

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

10

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

11

Universidade de Rio Verde, Formosa, Brasil.

 

 


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