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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO CURTO ORIGINAL

Primeiro registro de Amblyomma dissimile parasitando Ameiva ameiva (Squamata: Teiidae) para o estado do Pará

Gustavo Gomes Braga1; Francisco Thiago Ferreira da Cruz2; Reinaldo Lucas Cajaiba3

 

Como Citar:

BRAGA,Gustavo Gomes; DA CRUZ, Francisco Thiago Ferreira; CAJAIBA, Reinaldo Lucas. Primeiro registro de Amblyomma dissimile parasitando Ameiva ameiva (Squamata: Teiidae) para o estado do Pará. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 2258-2263, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025114618

 

DOI: 10.61411/rsc2025114618

 

Área do conhecimento:

Ciências Biológicas; Parasitologia

 

Sub-área:

Ectoparasitologia de Répteis

 

Palavras-chaves: Amblyomma dissimile; Ameiva ameiva; Ectoparasitismo; Interação réptil–parasita.

 

Publicado: 11 de novembro de 2025

 

Abstract

We report the first record of Amblyomma dissimile parasitizing the lizard Ameiva ameiva in Pará, northern Brazil. Field observations were conducted in secondary forest fragments near urban areas in Itaituba, Pará, during August and September 2025. This finding expands the known host range and geographic distribution of A. dissimile, filling a gap in parasitological records of reptiles in the Brazilian Amazon. Since ticks are recognized vectors of pathogens that can affect both wildlife and humans, this record underscores the importance of systematic investigations on ectoparasitism in reptiles, a taxonomic group that remains underrepresented in parasitological research in Brazil.

 

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    • Introdução

O estudo das interações parasito-hospedeiro em répteis no Pará e em outras regiões do Brasil torna-se de grande importância tanto do ponto de vista ecológico quanto sanitário. Répteis, como lagartos, serpentes e quelônios, desempenham papéis centrais em suas comunidades, atuando como predadores e presas e controlando populações de invertebrados, além de servirem de hospedeiros para uma diversidade de parasitos, incluindo ectoparasitos e endoparasitos [1]. A documentação dessas interações permite compreender padrões de especificidade, transmissão, distribuição geográfica e sazonalidade de parasitos, bem como suas possíveis implicações para a conservação dos répteis. Desta forma, identificar novas associações parasito-hospedeiro pode revelar vetores de patógenos ainda desconhecidos ou ampliar o conhecimento sobre vetores já conhecidos, contribuindo para a saúde pública e para o manejo ambiental.

O carrapato Amblyomma dissimile Koch, 1844 (Acari: Ixodidae) é uma espécie de carrapato tipicamente associada a hospedeiros de sangue frio, como anfíbios, quelônios, serpentes e lagartos na região neotropical. Em estudos anteriores, A. dissimile já foi registrado parasitando serpentes, no Mato Grosso do Sul [2]. Em outras investigações, foram detectadas formas imaturas de A. dissimile infestando répteis no estado do Maranhão [3], ampliando o leque de hospedeiros conhecidos. Sua ocorrência em hospedeiros até então não documentadas para o estado do Pará reforça a necessidade de reconhecimento destas interações parasitárias para mapear a biodiversidade de parasitos e sua distribuição.

Ameiva ameiva (Linnaeus, 1758), é um lagarto amplamente distribuído na América do Sul, ocorrendo em diversos biomas brasileiros como Amazônia, Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica, além de ambientes antropizados [4, 5). Esta espécie apresenta hábitos ativos, de forrageamento intenso [6], o que a torna vulnerável à infestação por parasitos externos (ectoparasitos) e internos (endoparasitos) — por exemplo, larvas de Acanthocephala foram encontradas no peritônio visceral de A. ameiva ameiva do Pará [7]. No entanto, até o presente estudo, não havia registro da associação entre A. dissimile e A. ameiva no Estado do Pará, sendo este o primeiro documento que reporta tal interação, o que preenche lacuna no conhecimento sobre a ecologia parasitária de répteis nesta região.

 

    • Metodologia

O registro foi realizado durante atividades de campo no município de Itaituba, estado do Pará, nos meses de agosto e setembro de 2025. Amostragens de A. ameiva foram realizadas em fragmentos de floresta secundária localizados nas proximidades de áreas urbanas do município. Os fragmentos apresentavam cobertura vegetal heterogênea, com sub-bosque denso e presença de clareiras, típicas de ambientes em regeneração.

A captura dos indivíduos foi realizada por meio de armadilhas do tipo pitfall, distribuídas em linhas amostrais. Cada armadilha consistiu em um balde plástico com capacidade de 30 litros, enterrado ao nível do solo, e associado a uma cerca guia de lona com 20 m de comprimento e aproximadamente 50 cm de altura. O balde foi posicionado no ponto central da cerca guia, de modo a interceptar o deslocamento dos indivíduos pelo solo.

As armadilhas permaneceram instaladas por sete dias consecutivos, totalizando um esforço amostral de 168 horas por armadilha. As inspeções foram realizadas duas vezes ao dia, às 8h e às 19h, para o registro e coleta dos indivíduos capturados, bem como para evitar a predação ou fuga dos espécimes.

Os indivíduos capturados foram acondicionados em sacos de pano úmido e identificados com base em características morfológicas diagnósticas, utilizando-se chaves taxonômicas específicas. Após a identificação, os exemplares foram liberados no mesmo local de captura.

O lagarto apresentava ectoparasitos visíveis fixados na região próximo da cabeça e na região central-lateral do animal (Figura 1A-C). Ainda em campo, os ectoparasitos foram removidos com auxílio de pinça entomológica fina e armazenados em frascos contendo álcool 70%. Em laboratório os espécimes foram examinados em estereomicroscópio.

Figura 1: A-C, A. ameiva com presença de parasitas (sinalizado pelas setas). D, A. dissimile.

Fonte: Autores (2025).

    • Desenvolvimento e discussão

Em laboratório os ectoparasitos foram identificados como A. dissimile (Figura 1D), grupo amplamente relatado em répteis, aves e mamíferos no Brasil [8]. Este registro representa a primeira evidência documentada de parasitismo por carrapatos em Ameiva ameiva no estado do Pará, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre os hospedeiros potenciais dessa espécie de ectoparasito. Embora não existam registros prévios envolvendo A. ameiva na região, estudos semelhantes têm sido realizados com outras espécies de répteis neotropicais, indicando que o parasitismo por carrapatos é relativamente comum entre lagartos de diferentes gêneros, como Tropidurus, Cnemidophorus e Norops [9, 10]. Esses estudos destacam a ampla distribuição e a baixa especificidade de hospedeiro de várias espécies de carrapatos, reforçando a importância deste novo registro para o entendimento das interações parasito-hospedeiro em ecossistemas amazônicos.

    • Considerações finais

A ocorrência desse tipo de interação pode ter implicações ecológicas e epidemiológicas, visto que carrapatos são vetores de diferentes patógenos que podem afetar tanto a fauna silvestre quanto os humanos [11]. Dessa forma, este achado reforça a necessidade de investigações sistemáticas sobre parasitismo em répteis, grupo que ainda permanece subamostrado em estudos de parasitologia no Brasil.

 

    • Declaração de direitos

 Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

 

    • Referências

  • MENDOZA-ROLDAN, J., RIBEIRO, S.R., CASTILHO-ONOFRIO, V., BARROS-BATTESTI, D.C. Mites and ticks of reptiles and amphibians in Brazil. Acta Tropica, v. 208, p. 105515, 2020.

  • FISCHER, C.D.B., MOTTIN, V.D., HEERDT, M., FILADELFO, T., CERESÉR, V.H., QUEIROLO, M.T. Amblyomma dissimile (Acari: Ixodidae) in Hydrodynastes gigas (Squamata: Colubridae) in Mato Grosso do Sul State, Brasil. Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., v. 46, p. 400-3, 2009.

  • LOPES, S.G., ANDRADE, G.V., COSTA-JÚNIOR, L.V. A first record of Amblyomma dissimile (Acari: Ixodidae) parasitizing the lizard Ameiva ameiva (Teiidae) in Brazil. Rev. Bras. Parasitol. Vet., Jaboticabal, v. 19, p. 262-264, 2010.

  • SARTORIUS, S. S.; VITT, L. J.; COLLI, G. R. Use of naturally and antropogenically disturbed habitats in Amazonian rainforest by the teiid lizard Ameiva ameiva. Biological Conservation, v. 90, p. 91-101, 1999.

  • SILVA, L.F., TAVARES, L.E., ODA, F. Easy prey for the predator’s eyes: new predation record of a bird of prey (Accipitriformes: Accipitridae) on Ameiva ameiva (Squamata: Teiidae) in Brazil and the state of current knowledge on predators of this lizard species. Acta Zoológica Lilloana, v. 67, p. 51-69, 2023.

  • VITT, L.J., CALDWELL, J.P. Herpetology: An Introductory Biology of Amphibians and Reptiles. Academic Press, San Diego. 2014.

  • MACEDO, L.C., MELO, F.T.V., GIESE, E.G., PIRES, T.C.S.A., SANTOS, J.N. Acanthocephala larvae parasitizing Ameiva ameiva (Linnaeus, 1758) (Squamata: Teiidae). Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, v. 25, p. 119-123, 2016.

  • BARROS-BATTESTI, D.M., ARZÚA, M., BECHARA, G.H. Carrapatos de importância médico-veterinária da região neotropical: um guia ilustrado para identificação de espécies. São Paulo: Vox / ICTTD-3 / Instituto Butantan; 2006.

  • SANTANA, D.O., CALDAS, F., CAVALCANTI, L., FARIA, R. Occurrence of Amblyomma sp. (Acari: Ixodidae) in Tropidurus hispidus (Spix, 1825) (Squamata: Tropiduridae) in Parque Nacional Serra de Itabaiana, Sergipe, Brazil. Pesquisa e Ensino em Ciências Exatas e da Natureza, v. 1, p. 99–103, 2017.

  • TOJAL, S.D., COSTA, I., AGUIRRE, A., MARTINS, T., CAMARGO, L. Parasitism by Amblyomma rotundatum on Teiidae lizards in the eastern part of the state of Acre, Brazil. Braz J Vet Parasitol, v. 32, p. e004923, 2023.

  • SZABÓ, M.P.J., PINTER, A., LABRUNA, M.B. Ecology, biology and distribution of spotted-fever tick vectors in Brazil. Front Cell Infect Microbiol., v.3, 2013.

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Instituto Federal do Pará, campus Itaituba, Brasil. Email:

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Instituto Federal do Pará, campus Itaituba, Brasil. Email:

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Instituto Federal do Pará, campus Itaituba, Brasil. Email:


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