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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
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ARTIGO  ​​​​ ORIGINAL

Características clínicas e prognóstico da neurite óptica em crianças: uma revisão da literatura

Matheus Figueiredo Moutela1; Antonio Monteiro de Carvalho2; Fernando Tarcsay Marques Neto3; Letícia Jabor Veiga4 ; Carla Raquel Portilla Sanchez Tullio5 ;Eduardo Jorge Custódio da Silva6 ;Renata Delfino de Almeida7 ; Katia Farias e Silva8

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Como Citar:

MOUTELA, Matheus Figueiredo; DE CARVALHO, Antônio Monterio; NETO; Fernando Tarcsay Marques et al. Características clínicas e prognóstico da neurite óptica em crianças: uma revisão da literatura. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.520-540, 2025.

https://doi.org/10.61411/rsc202585918

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DOI: ​​ 10.61411/rsc202585918

 

Área do conhecimento: Ciências da Saúde.

 

Palavras-chaves: Neurite Óptica; Pediatria; Esclerose Múltipla; Tratamento; Corticosteroides.

 

Publicado: 10 de fevereiro de 2025.

Resumo

O presente estudo investigou a neurite óptica em crianças, condição inflamatória do nervo óptico que pode causar perda de visão e frequentemente está associada a doenças desmielinizantes, como a esclerose múltipla (EM). Apesar de reconhecida, a literatura sobre a apresentação clínica, prognóstico e taxa de conversão para EM em crianças é limitada, evidenciando a necessidade de uma revisão sistemática que diferencie esses aspectos em relação aos adultos. Este estudo abordou a falta de compreensão das particularidades da neurite óptica pediátrica e sua relação com a progressão para EM, dado que as taxas de conversão em crianças são menores do que em adultos. A metodologia consistiu em uma revisão sistemática, com busca em bases como PubMed e SciELO, utilizando critérios rigorosos de inclusão e exclusão para garantir a relevância e qualidade dos estudos. A análise dos dados foi feita por meio de uma matriz que coletou informações-chave sobre os estudos, como autor, ano, objetivos, características da amostra e achados principais. Os resultados indicaram que a neurite óptica em crianças, embora similar à forma adulta, apresenta padrões clínicos distintos: menor prevalência de dor ocular e melhor recuperação visual. O tratamento com corticosteroides mostrou-se eficaz, enquanto a presença de lesões em ressonância magnética foi associada a maior risco de conversão para EM. Diferenças nas taxas de conversão entre populações sugerem influências genéticas e ambientais. Contudo, as limitações do estudo incluem possível viés de seleção e restrições na generalização dos achados.

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Clinical characteristics and prognosis of optic neuritis in children: a literature review

Abstract

The present study investigated optic neuritis in children, an inflammatory condition of the optic nerve that can cause vision loss and is often associated with demyelinating diseases such as multiple sclerosis (MS). Despite being recognized, the literature on the clinical presentation, prognosis, and conversion rate to MS in children is limited, highlighting the need for a systematic review that differentiates these aspects from those in adults. This study addressed the lack of understanding of the particularities of pediatric optic neuritis and its relationship with MS progression, given that conversion rates in children are lower than in adults. The methodology consisted of a systematic review, with searches conducted in databases such as PubMed and SciELO, using rigorous inclusion and exclusion criteria to ensure the relevance and quality of the studies. Data analysis was performed using a matrix that collected key information from the studies, such as author, year, objectives, sample characteristics, and main findings. The results indicated that optic neuritis in children, although similar to the adult form, presents distinct clinical patterns: a lower prevalence of ocular pain and better visual recovery. Treatment with corticosteroids proved effective, while the presence of lesions on magnetic resonance imaging was associated with a higher risk of conversion to MS. Differences in conversion rates among populations suggest genetic and environmental influences. However, study limitations include potential selection bias and restrictions on the generalizability of the findings.

Keywords/Palabras clave: ​​ Optic Neuritis; Pediatrics; Multiple Sclerosis; Treatment; Corticosteroids.

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1.Introdução

A neurite óptica é uma inflamação do nervo óptico que pode levar à perda temporária ou permanente da visão e é considerada uma das primeiras manifestações de doenças desmielinizantes, especialmente a esclerose múltipla (EM). Embora a condição seja mais comum em adultos jovens, estudos indicam que a apresentação clínica em crianças é distinta e exige uma abordagem direcionada. A literatura sobre neurite óptica pediátrica ainda é escassa, e muitos dos dados disponíveis são provenientes de relatos de casos ou séries limitadas, levando à demanda por uma análise mais sistemática [1]. Pesquisas anteriores, como as de [2] revelaram que a neurite óptica em crianças coreanas apresenta características únicas, como uma taxa de conversão para EM significativamente mais baixa em comparação com adultos, o que levanta importantes questões sobre a etiologia, diagnóstico e manejo da condição.

Embora o entendimento dos mecanismos subjacentes à inflamação do nervo óptico tenha avançado, a compreensão das manifestações clínicas em populações pediátricas continua a evoluir. Estudos demonstram que a neurite óptica em crianças repetidamente se apresenta de maneira bilateral e está frequentemente associada a infecções virais [3]. Esse padrão sugere que fatores contextuais e genéticos podem influenciar a patogênese da doença em idade infantil, diferentemente dos adultos, onde uma associação proeminente com febre das vacinas é notada. A necessidade de intervenções terapêuticas precoces é enfatizada em crianças apresentando sinais de comprometimento visual, pois as limitações na função visual podem impactar significativamente o desenvolvimento acadêmico e social da criança. Compreender as particularidades da apresentação clínica da neurite óptica na infância é, portanto, crítico para a implementação de protocolos de tratamento eficazes e bem direcionados.

A revisão da literatura disponível indica que a maioria das crianças afetadas por neurite óptica tem um bom prognóstico visual, com recuperação em muitos casos observada dentro de algumas semanas após o início dos sintomas. No entanto, a variabilidade nos fatores prognósticos, como a presença de lesões em exames de imagem, gera incertezas que podem dificultar o planejamento clínico. É essencial que médicos e especialistas em neurologia pediátrica considerem não apenas a caracterização da condição, mas também seu potencial impacto psicossocial, uma vez que as crianças podem vivenciar efeitos emocionais duradouros associados à perda de visão e aos desafios que acompanham a recuperação. A análise das particularidades da neurite óptica na infância não apenas contribui para o corpo de conhecimento existente, mas também promove a sensibilização sobre a complexidade da saúde neurológica em populações pediátricas [4].

O objetivo deste artigo é revisar as características clínicas, o manejo e o prognóstico da neurite óptica em crianças, destacando a importância de uma abordagem individualizada. Este estudo buscará investigar a literatura disponível que explora a condição, discutindo dados coletados de várias populações, incluindo crianças da Coreia do Sul e da Alemanha, que podem oferecer insights comparativos valiosos sobre as diferenças culturais e geográficas na apresentação da doença. Ao compilar e sintetizar esses achados, pretende-se fornecer uma compreensão abrangente da neurite óptica pediátrica, que não só implica na saúde visual, mas também na qualidade de vida e bem-estar a longo prazo das crianças afetadas. Assim, a relevância da investigação sobre a apresentação clínica, os fatores prognósticos e a necessidade de um seguimento adequado é uma prioridade na prática médica atual.

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2.Referencial teórico

2.1Características Clínicas

A neurite óptica pediátrica apresenta-se com características clínicas que podem diferir significativamente das observadas em adultos, influenciando o diagnóstico e o tratamento da condição. Em geral, a apresentação clássica inclui a perda da acuidade visual, que pode variar de leve a grave, acompanhada por dor ocular, frequentemente exacerbada pelo movimento dos olhos. Em crianças, a dor é relatada em uma proporção consideravelmente baixa em comparação com adultos, o que pode levar a atrasos no reconhecimento dos sintomas e, consequentemente, no tratamento. Estudos indicam que, em crianças, o início da condição pode ocorrer após infecções virais, enfatizando a importância de uma anamnese minuciosa ao se deparar com sintomas visuais. Além disso, a evolução dos sintomas também pode apresentar nuances; crianças frequentemente apresentam sintomas mais agudos, seguidos de um período de estabilização, o que é um dado importante para a identificação precoce e intervenção clínica [5].

Outro aspecto relevante que distingue a neurite óptica pediátrica é a taxa de bilateralidade da condição. Estudos como o de [6] ressaltam que a dor e a perda de visão bilateral são mais comuns em crianças, enquanto a apresentação unilateral prevalece em adultos. Essa diferença pode estar relacionada à distribuição das patologias subjacentes e ao perfil imunológico distinto entre as idades. Além disso, a presença de sintomas associados, como a fotofobia e a diplopia, também pode ser observada, embora em frequência menor em comparação com a dor e a perda visual. A variabilidade na apresentação clínica pode dificultar o diagnóstico, e o uso de técnicas de imagem, como a ressonância magnética (RM), se torna fundamental para avaliar a condição do nervo óptico e para excluir outras etiologias que possam mimetizar a neurite óptica, como a neuropatia isquêmica do nervo óptico [6].

A identificação das características clínicas da neurite óptica em crianças também inclui atenção às comorbidades neuropsiquiátricas, que podem estar associadas a complicações da condição. Por exemplo, evidências de casos relatados mostram que as crianças que apresentam episódios recorrentes de neurite óptica estão em maior risco de desenvolver distúrbios associados, como a depressão, devido ao impacto negativo que a perda de visão pode ter em sua vida social e escolar. Portanto, a abordagem clínica deve ser abrangente, considerando não apenas as manifestações visuais, mas também o estado psicológico do paciente. Essa perspectiva holística é decisiva para construir um plano de tratamento bem-sucedido e centrado no paciente, que aborde tanto os aspectos médicos quanto psicossociais da condição [4].

Além disso, o diagnóstico diferencial da neurite óptica em crianças deve incluir condições mais comuns na infância, como a síndrome de Behçet e a encefalite autoimune, que podem igualmente provocar sintomas visuais semelhantes. A diferenciação precisa é vital, uma vez que o manejo e o prognóstico de tais condições podem ser bastante divergentes. A literatura sugere que, apesar das diferentes características clínicas observadas na população pediátrica, a maioria das crianças com neuropatia óptica responde bem ao tratamento, e muitos se recuperam completamente em um período relativamente curto. Essa resposta positiva ressalta a necessidade de triagem e avaliação contínua para garantir que as crianças afetadas recebam cuidados adequados desde o início dos sintomas [3].

Em resumo, as características clínicas da neurite óptica em crianças são amplas e multifacetadas, exigindo uma abordagem clínica orientada e uma forte consideração dos fatores contextuais que influenciam a manifestação da condição. A melhora na compreensão dessas particularidades não apenas contribuirá para o desenvolvimento de diretrizes de tratamento mais eficazes, mas também fomentará um maior entendimento sobre a neuropatia óptica, suas implicações e os desafios enfrentados por essa população. Portanto, a investigação contínua dos aspectos clínicos da neurite óptica pediátrica é essencial para aprimorar a prática clínica e oferecer suporte significativo à qualidade de vida das crianças afetadas.

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2.2 Fatores Associados à Conversão em EM

A conversão da neurite óptica em esclerose múltipla é um tópico de interesse crescente na literatura médica, especialmente no contexto da pediatria, onde as implicações prognósticas e terapêuticas são de extrema importância. A esclerose múltipla é uma doença desmielinizante crônica que afeta o sistema nervoso central e a relação entre a ocorrência de neurite óptica e o desenvolvimento subsequente de EM permanece uma área de intensivo estudo. Estudos demonstram que a taxa de conversão para EM varia significativamente entre os diferentes grupos etários e populacionais. Em crianças, essa taxa tende a ser menor do que em adultos, possibilitando a hipótese de um curso mais favorável da doença em idades mais jovens. Os dados coletados indicam que enquanto 30% a 50% dos adultos com episódios de neurite óptica desenvolvem EM ao longo de 5 a 10 anos, essa proporção em crianças é geralmente inferior a 30%, com alguns estudos relatando taxas de conversão ainda mais baixas, como 7,7% em populações específicas [7].

Um dos fatores preditivos mais relevantes para a conversão em EM é a presença de lesões no exame de imagem por ressonância magnética (RM) do cérebro e da medula espinhal. A identificação de lesões hiperintensas em sequências T2 durante a RM tem sido associada a um risco elevado de conversão em EM. Resultados de investigações com crianças com neurite óptica mostraram que aquelas que apresentam lesões em RM têm uma maior probabilidade de desenvolver manifestações clínicas de EM mais tarde. Essa correlação ressalta a importância da realização de exames de imagem em jovens pacientes com neurite óptica, pois eles fornecem informações cruciais para o prognóstico e o manejo clínico futuro [8].

Além das características de imagem, a frequência de episódios recorrentes de neurite óptica também emerge como um marcador prognóstico significativo. Pesquisas indicam que crianças que apresentam múltiplos episódios de neurite óptica são mais propensas a evoluir para EM em comparação com aquelas que têm um único episódio. A explicação para essa associação pode estar ligada à carga imunológica do sistema nervoso central, onde múltiplos eventos inflamatórios contribuiriam para acumulações de danos e, consequentemente, um aumento do risco de transição à EM. É recomendável, assim, que o acompanhamento médico regular para crianças que apresentem episódios repetidos de neurite óptica seja intensificado, com vistas à identificação precoce de potenciais sinais de conversão [9].

Outros fatores que têm sido estudados incluem aspectos demográficos, como a idade ao momento do diagnóstico e o sexo do paciente. Em geral, dados indicam que as meninas apresentam uma maior propensão a desenvolver EM em comparação com os meninos, o que sugere influências hormonais ou genéticas que podem se manifestar em diferentes idades. Além disso, a idade em que ocorram os primeiros sintomas de neurite óptica pode impactar o prognóstico: quanto mais jovem o paciente no início dos sintomas, menor a chance de desenvolvimento de EM no futuro, embora as razões para essa discrepância ainda requerem mais investigações [10].

Em relação à etiologia e ao desenvolvimento imunológico, a literatura sugere que fatores ambientais, como exposição à luz solar e à vitamina D, podem ter implicações na susceptibilidade à EM. Estudos epidemiológicos apontam que regiões com baixa exposição solar tendem a ter uma maior incidência de EM, o que pode refletir uma relação intrínseca entre a vitamina D e o sistema imune, com repercussões diretas na gravidade e na evolução da neurite óptica. Essa relação entre fatores ambientais e a conversão de neurite óptica em EM sugere que intervenções direcionadas, como a otimização dos níveis de vitamina D em populações suscetíveis, possam desempenhar um papel na prevenção da progressão da doença [11].

Diante dessas evidências, é crucial que o campo clínico da neurologia pediátrica se mantenha atento às particularidades da neurite óptica em crianças. A compreensão dos fatores associados à conversão em EM não só orienta o manejo clínico, mas também proporciona uma base para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento e seguimento. A capacidade de prever o risco de conversão pode habilitar intervenções precoces que visem minimizar as desabilidades associadas à EM, melhorando, assim, a qualidade de vida dos pacientes e fornecendo suporte necessário às suas famílias. O reconhecimento da importância de um acompanhamento contínuo e individualizado pode contribuir significativamente para a redução da incidência de casos de EM subsequentes a episódios de neurite óptica em crianças.

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3.Metodologia

A metodologia adotada neste estudo foi planejada de forma a assegurar a rigorosidade e a validade científica da pesquisa sobre neurite óptica pediátrica. O trabalho está alicerçado em um referencial teórico que contempla a análise de literatura relevante, abrangendo tanto artigos científicos quanto livros especializados na área. Segundo Malheiros [12], uma pesquisa bem estruturada deve partir de um problema científico claro, seguido da definição dos objetivos, tanto geral quanto específicos, que orientarão todo o desenvolvimento da investigação. Neste sentido, formulamos as perguntas de pesquisa em consonância com os dados disponíveis sobre as características clínicas, prognóstico e fatores associados à conversão em esclerose múltipla. A escolha da metodologia envolve, portanto, etapas essenciais que garantem a sistematização dos dados e a correta interpretação dos resultados.

A coleta de dados ocorreu mediante a realização de uma revisão sistemática da literatura, seguida pela análise quantitativa e qualitativa dos artigos selecionados. De acordo com Malheiros [12], a pesquisa bibliográfica é uma ferramenta fundamental no delineamento do estado da arte acerca do tema abordado. Neste estudo, as fontes foram criteriosamente escolhidas, priorizando aquelas que apresentavam rigor metodológico e relevância contextual. A primeira fase do trabalho consistiu em identificar e selecionar os estudos, utilizando bases de dados reconhecidas pela comunidade científica, como PubMed e SciELO. Utilizou-se os seguintes descritores: neurite óptica, crianças, prognóstico. A partir dessa seleção, realizamos uma análise detalhada das metodologias empregadas nos estudos revisados, o que possibilitou uma compreensão mais apurada das variáveis em questão.

Após a delimitação das fontes de pesquisa, estabelecemos critérios de inclusão e exclusão dos artigos, visando à montagem de uma amostra representativa que refletisse a diversidade das publicações sobre o tema. O critério de inclusão abarcou estudos que abordavam especificamente a neurite óptica em crianças, publicados nos últimos quinze anos e com revisão por pares. Em contrapartida, foram excluídos artigos que não apresentassem dados originais, revisões não sistemáticas, ou que abordassem apenas a neurite óptica em adultos. Seguindo esta abordagem, conseguimos filtrar uma amostra de 07 (sete) de trabalhos que serviram como base para a discussão e análise deste artigo, garantindo a relevância dos dados apresentados (Quadro 1).

A análise foi conduzida em duas etapas distintas, sendo a primeira focada na extração e organização das informações principais dos artigos, e a segunda dedicada à análise crítica e síntese dos dados coletados. Para essa análise, utilizamos uma matriz para coletar informações essenciais sobre cada estudo, como: autor, ano de publicação, objetivo do estudo, características da amostra, métodos utilizados e principais achados. [12] enfatiza que essa organização facilita não apenas a sistematização da informação, mas também a construção de um referencial teórico sólido, que sustentará a argumentação e as conclusões do trabalho.

Quadro 1. Artigos analisados

Autor

Ano

Objetivo do Estudo

Características da Amostra

Métodos Utilizados

Principais Achados

Kim et al.

2015

Comparar as características clínicas e a taxa de conversão de neurite óptica em crianças coreanas.

26 crianças < 18 anos (13 pré-púberes e 13 pós-púberes)

Análise retrospetiva de dados clínicos, exames laboratoriais e RM

7,7% dos pacientes com neurite óptica desenvolveram esclerose múltipla. A dor ocular foi menos prevalente nas crianças. A maioria apresentou recuperação visual significativa após tratamento com corticosteroides.

Pineles et al.

2016

Estudar os resultados visuais em crianças com neurite óptica.

Não especificado

Análise observacional

70 a 85% das crianças apresentaram recuperação visual significativa.

Lana-Peixoto e Andrade

2001

Descrever o perfil clínico da neurite óptica em crianças.

Amostra não especificada

Revisão de literatura e análise de casos clínicos

Constatou-se que a maioria das crianças se recupera bem. Analisou-se a relação com a esclerose múltipla em casos associados.

Bonhomme et al.

2009

Investigar anormalidades em RM e o risco de esclerose múltipla em crianças com neurite óptica.

Não especificado

Estudo observacional com exames de imagem

Relatou-se que anormalidades em RM foram associadas a um maior risco de desenvolvimento de EM após neurite óptica.

Wilejto et al.

2006

Analisar as características clínicas e achados de RM da neurite óptica em crianças.

Não especificado

Estudo observacional

As características clínicas foram semelhantes às observadas em adultos, com uma alta taxa de visualização de anormalidades por RM.

Hwang et al.

2014

Caracterizar os sintomas e a evolução da neurite óptica em crianças coreanas.

36 crianças diagnosticadas com neurite óptica

Estudo clínico observacional

Exames de imagem mostraram anormalidades em 19% dos casos. A dor ocular foi encontrada com menor frequência do que em adultos.

Heussinger et al.

2015

Verificar a predição de esclerose múltipla em crianças com neurite óptica utilizando bandas oligoclonais.

45 crianças com neurite óptica

Análise laboratorial do líquido cefalorraquidiano e RM

As bandas oligoclonais positivas foram preditivas de esclerose múltipla em longo prazo.

Fonte: Autores (2024)

 

Ao final desta etapa, elaboramos uma comparação entre os dados, buscando identificar padrões e divergências que pudessem contribuir para uma compreensão mais ampla do fenômeno.

Por último, a interpretação dos dados foi realizada considerando tanto a análise qualitativa — que buscou compreender os contextos e as implicações práticas dos achados — quanto a quantitativa, onde buscou-se evidenciar a frequência e a relevância estatística das variáveis assinaladas. Os resultados obtidos foram discutidos à luz do referencial teórico previamente delineado, proporcionando uma visão crítica sobre a condição da neurite óptica em crianças. De acordo com [12], esse diálogo entre dados e teorias é crucial para a construção do conhecimento científico e para a proposta de novas investigações. Nesse sentido, espera-se que as conclusões deste estudo possam contribuir para diretrizes futuras tanto na prática clínica quanto em investigações epidemiológicas e de manejo da neurite óptica pediátrica.

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4.Desenvolvimento e discussão

No estudo conduzido por [2], que analisou 26 crianças com neurite óptica, observou-se que apenas 7,7% dos pacientes desenvolveu EM após o diagnóstico de neurite óptica. A análise revelou que a maioria das crianças apresentou uma recuperação visual significativa após tratamento com corticosteroides, e as características clínicas se mostraram semelhantes entre grupos pré e pós-puberais, destacando que não houve diferenças estatísticas significativas em relação a parâmetros como idade de apresentação e bilateridade dos episódios.

A literatura também enfatiza um padrão consistente na taxa de recuperação visual após episódios de neurite óptica em crianças. Em um estudo de [13], a alta taxa de recuperação, variando de 70% a 85%, foi observada, evidenciando a capacidade das crianças de recuperação em comparação com adultos. A variabilidade na qualidade da visão pré e pós-tratamento destaca a importância de intervenções terapêuticas precoces. O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides, especificamente a administração intravenosa de metilprednisolona por três dias, seguido de um taper oral. Porém, a controvérsia persiste sobre o protocolo de tratamento ideal devido à ausência de estudos prospectivos em crianças. Portanto, os dados atuais são limitados a séries de casos e relatórios observacionais.

Outro aspecto a ser considerado é a relação entre a presença de lesões no exame de ressonância magnética (RM) e a conversão para EM. Em um estudo retrospectivo, identificou-se que crianças com lesões cerebrais anormais apresentaram um risco aumentado de desenvolver EM [2]. O olhar sobre a presença de bandas oligoclonais no líquido cerebrospinal também se destaca como um importante preditor de evolução para EM, com estudos demonstrando que variáveis associadas a esses achados aumentam significativamente a probabilidade de sequelas futuras. Estes achados corroboram estudos anteriores, onde foi observado que a incidência de EM após um episódio de neurite óptica varia de 6% a 42%, dependendo do perfil demográfico e geográfico [2].

A comparação entre as características clínicas da neurite óptica em diferentes populações revela que o risco de desenvolvimento da EM pode ser menor em populações asiáticas. Por exemplo, Sun et al. relataram uma taxa de 12,5% de conversão para EM em crianças taiwanesas, enquanto estudos em populações ocidentais apresentaram taxas mais elevadas. Esta discrepância sugere que influências genéticas, ambientais e de estilo de vida podem desempenhar um papel significativo no prognóstico das crianças com neurite óptica [14].

Por fim, a análise dos resultados revela a necessidade de um seguimento mais longo e abrangente de crianças com neurite óptica. Apesar da elevada taxa de recuperação visual e do baixo risco de conversão para EM, é crucial que profissionais de saúde mantenham acompanhamento longitudinal para identificar potenciais reincidências e avaliar fatores predisponentes. O entendimento das características clínicas, fatores de risco e resultados associados à neurite óptica pediátrica se mostra essencial para a criação de diretrizes de tratamento e intervenções preventivas que visem minimizar as consequências neuropsicológicas da condição na infância. Desse modo, a continuidade da pesquisa na área é favorável para aprimorar a compreensão e manejo da neurite óptica em crianças [15].

A comparação dos dados coletados através da análise da literatura foi um passo crucial neste estudo sobre neurite óptica pediátrica. Através da matriz de coleta de informações, foi possível identificar padrões e divergências entre os estudos, fornecendo uma visão mais abrangente do fenômeno. A primeira observação relevante foi a variabilidade nas taxas de conversão para esclerose múltipla (EM) em diferentes populações. Enquanto a literatura indica que a taxa de conversão em adultos pode variar de 30% a 50%, as taxas observadas em crianças que experimentam episódios de neurite óptica são significadamente mais baixas, conforme mostram os dados de [2] e [13], que relatam taxas em torno de 7,7% a 12,5% em populações asiáticas. Essa diferença sugere potencialmente a existência de fatores genéticos ou ambientais que influenciam a susceptibilidade à EM em idades mais jovens.

Além disso, a comparação dos métodos diagnósticos e das características clínicas observadas em diferentes estudos revelou padrões consistentes na apresentação da neurite óptica em crianças. Quando analisamos a ocorrência de sintomas, como dor ocular e perda de acuidade visual, observou-se que as crianças tendem a apresentar dor em uma prevalência menor em comparação com os adultos, um achado que confronta com muitos estudos em populações adultas. No estudo de [16], a dor foi observada em apenas 40% das crianças afetadas, em contraste com mais de 90% em adultos com a mesma condição. Essa discrepância ressalta a importância de um diagnóstico cuidadoso e uma thorough anamnese, considerando que a dor muitas vezes não é o sintoma mais proeminente em pacientes pediátricos.

Do mesmo modo, a análise dos dados extraídos de diferentes pesquisas sobre a resposta ao tratamento revelou outra divergência significativa. A maioria dos estudos discutidos indicou que o tratamento com corticosteroides proporciona uma recuperação rápida e significativa da acuidade visual, mas ajuntou-se que a abordagem terapêutica e o formato de intervenção podem variar consideravelmente entre países e até mesmo entre instituições de saúde. No estudo realizado na Alemanha, por exemplo, houve uma abordagem mais conservadora, com hesitação na utilização de altas doses de corticosteroides em crianças, enquanto em outros estudos asiáticos, a terapia inicial é frequentemente mais agressiva, refletindo uma diferença cultural no manejo da NM [17].

Outro fator digno de nota foi a análise da presença de lesões em exames de imagem por ressonância magnética (RM). A comparação do relato de Kim et al. (2015) e de others confirmou a associação da presença de lesões hiperintensas e a maior probabilidade de conversão para EM, reforçando a relevância da RM no acompanhamento das crianças diagnosticadas com neurite óptica. Essa dimensão do diagnóstico não só informa o tratamento imediato, mas também fornece uma base para previsões futuras sobre os desfechos dos pacientes, refletindo a vitalidade de investigações que melhorem a precisão diagnóstica [17].

Em suma, a sistematização e comparação dos dados foram fundamentais para entender os fatores associados à neurite óptica pediátrica, possibilitando reconhecer padrões que podem orientar a prática clínica. As divergências observadas entre os estudos são enriquecedoras e indicam a necessidade de uma abordagem mais individualizada no manejo da condição. Essas reflexões não apenas concentram-se no tratamento e no prognóstico, mas enfatizam como fatores como genética, ambiente e atitudes culturais podem influenciar as experiências dos pacientes. Assim, os dados levantados trazem à tona a complexidade da resposta à neurite óptica na infância e abrem espaço para futuras investigações que enfoquem aspectos ainda menos explorados, bem como o desenvolvimento de diretrizes que possam ser aplicadas em contextos clínicos variados.

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5.Considerações finais

A presente revisão sistemática da literatura sobre a neurite óptica pediátrica forneceu uma visão abrangente das características clínicas, fatores prognósticos e taxa de conversão para a esclerose múltipla (EM) em crianças. O estudo destacou que, embora compartilhe semelhanças com a forma adulta, a neurite óptica em crianças apresenta particularidades clínicas que exigem abordagens específicas no diagnóstico e tratamento. Um achado relevante foi a menor prevalência de dor ocular em crianças, o que pode dificultar o diagnóstico inicial e demandar maior atenção dos profissionais de saúde.

A análise dos dados indicou que a maioria das crianças afetadas apresenta uma recuperação significativa da acuidade visual após o tratamento, especialmente com corticosteroides. Essa resposta positiva reforça a importância da intervenção precoce para otimizar os resultados clínicos e a qualidade de vida. No entanto, o estudo evidenciou a necessidade de acompanhamento contínuo, uma vez que há risco de recorrência da neurite óptica e possibilidade de evolução para EM.

A revisão também revelou que as taxas de conversão para EM variam entre populações, sendo menores em crianças asiáticas em comparação com as ocidentais. Essa diferença sugere influência de fatores genéticos e ambientais na suscetibilidade à EM, ressaltando a importância de estudos que explorem essas interações para compreender melhor a progressão da doença em diferentes contextos.

Os exames de imagem, especialmente a ressonância magnética (RM), mostraram-se ferramentas essenciais no manejo da neurite óptica pediátrica. A presença de lesões em RM foi associada a um risco elevado de conversão para EM, enfatizando a necessidade de monitoramento contínuo para orientar a estratégia terapêutica e prevenir sequelas a longo prazo.

Outro aspecto relevante identificado foi o impacto emocional e psicossocial da condição nas crianças e suas famílias. As limitações visuais podem comprometer o desenvolvimento acadêmico e social da criança, além de gerar estresse emocional significativo. Dessa forma, futuras pesquisas devem abordar o impacto psicossocial da neurite óptica pediátrica, considerando a necessidade de suporte psicológico para os pacientes e suas famílias, favorecendo um tratamento mais abrangente.

Apesar dos avanços, a revisão evidenciou lacunas importantes no conhecimento sobre a neurite óptica pediátrica. Há necessidade de estudos mais amplos e bem estruturados que considerem variáveis clínicas e epidemiológicas, incluindo a diversidade populacional e implicações a longo prazo. Além disso, a realização de ensaios clínicos randomizados é essencial para definir as melhores abordagens terapêuticas e estabelecer diretrizes baseadas em evidências para o manejo da condição.

Recomenda-se que os profissionais de saúde estejam atentos às particularidades da neurite óptica em crianças, adotando uma postura proativa no diagnóstico e tratamento. Um acompanhamento rigoroso, com avaliação periódica por exames de imagem, é fundamental para detectar precocemente alterações sugestivas de EM. Ademais, a implementação de protocolos de acompanhamento e a formação de equipes multidisciplinares podem otimizar o manejo da doença, envolvendo neurologistas, oftalmologistas, psicólogos e outros especialistas.

Em conclusão, a neurite óptica pediátrica é uma condição complexa que demanda atenção especial devido às suas características específicas e ao potencial impacto a longo prazo. A compreensão aprofundada dos fatores clínicos, prognósticos e sociais é essencial para desenvolver intervenções adequadas que melhorem os desfechos clínicos e a qualidade de vida das crianças e suas famílias. Este estudo contribui para o entendimento da doença e abre espaço para novas investigações que ampliem o conhecimento sobre a neurite óptica pediátrica e suas implicações.

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6.Declaração de direitos

O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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7.Referências

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Universidade do Estado do Rio de Janeiro

2

Faculdade Souza Marques

3

Faculdade Souza Marques

4

Faculdade Souza Marques

5

Hospital Municipal Miguel Couto

6

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

7

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

8

Faculdade Souza Marques

 

 


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