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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Excesso de telas na infância: o impacto no desenvolvimento infantil
Bárbara Couto de Souza1; Lucas Guilherme Fernandes2
Como Citar:
SOUZA, Bárbara Couto; FERNANDES, Lucas Guilherme. Excesso de telas na infância: o impacto no desenvolvimento infantil. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5513-5536, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202488017
Área do conhecimento: Ciências Humanas.
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Palavras-chaves: Tempo de tela. Desenvolvimento infantil. Pandemia COVID-19.
Publicado: 18 de novembro de 2024.
Resumo
O uso de telas está cada vez mais presente na rotina de crianças e adolescentes, especialmente durante a infância. Durante a pandemia de COVID-19, pesquisas apontam um excesso no uso, principalmente, por este público. Por sua vez, o excesso de exposição a dispositivos como televisão, tablets e celulares pode acarretar consequências e danos no desenvolvimento infantil. Este trabalho tem como objetivo analisar as evidências científicas sobre os impactos do uso excessivo de telas para o desenvolvimento infantil, considerando tanto o contexto pré-pandemia quanto o período durante a pandemia da COVID-19. Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados: BVS, PubMed®, SciELO e Web of Science™. Os resultados indicam que o tempo prolongado em frente às telas, especialmente durante a pandemia, trouxe consigo uma série de consequências significativas, incluindo diminuição das atividades físicas, alterações no comportamento social, emocional e cognitivo, maior irritabilidade e até mesmo perturbações do sono nas crianças. Além disso, destaca-se a importância do monitoramento e controle do tempo de uso de telas como medida essencial para conter os impactos negativos no desenvolvimento infantil e impulsionar medidas educativas e políticas públicas para promover práticas saudáveis de uso.
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Excessive screen time in childhood: the impact on child development
Abstract
The use of screens is increasingly present in the routine of children and adolescents, especially during childhood. During the COVID-19 pandemic, research points to excessive screen time, particularly among this group. In turn, excessive exposure to devices such as televisions, tablets, and cell phones can lead to consequences and harm to child development. This study aims to analyze scientific evidence on the impacts of excessive screen use on child development, considering both the pre-pandemic context and the period during the COVID-19 pandemic. A systematic literature review was conducted in the following databases: BVS, PubMed®, SciELO, and Web of Science™. The results indicate that prolonged screen time, especially during the pandemic, brought with it a series of significant consequences, including reduced physical activity, changes in social, emotional, and cognitive behavior, increased irritability, and even sleep disturbances in children. Furthermore, the importance of monitoring and controlling screen time is highlighted as an essential measure to mitigate the negative impacts on child development and to promote educational initiatives and public policies that encourage healthy screen use practices.
Keywords/Palabras clave: Screen Time. Child Development. COVID-19 Pandemic.
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1. Introdução
A rápida expansão da tecnologia digital resultou em um notável aumento no tempo que crianças passam diante das telas. Estudos recentes indicam um crescimento alarmante na exposição das crianças a dispositivos digitais ao longo das últimas décadas [4]. Pesquisas conduzidas por Providello, Ferreira e Hage [18] mostram que crianças entre 8 e 18 anos gastam em média mais de sete horas diárias consumindo mídia digital, abrangendo televisão, computadores e smartphones. Essa tendência tem levantado sérias preocupações entre pais, educadores e profissionais de saúde sobre os potenciais impactos negativos no desenvolvimento infantil.
O período da infância é vital para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional, e o excesso de tempo diante das telas pode prejudicar esses aspectos fundamentais. O uso prolongado de dispositivos digitais durante a infância e adolescência estão associados a diversos problemas de saúde, como obesidade, distúrbios do sono, dificuldades de aprendizagem e questões de saúde mental, incluindo ansiedade e depressão [10].
A pandemia de COVID-19 (vírus SARS-CoV-2²) exacerbou a preocupação com o tempo de tela das crianças, uma vez que escolas, creches e centros de cuidado foram fechados, transferindo atividades educativas e recreativas para o ambiente virtual. Isso resultou em mudanças significativas na rotina das famílias e aumentou a dependência de dispositivos eletrônicos para entretenimento, educação e comunicação [10].
No entanto, esse excesso de exposição às telas está levantando preocupações sobre seu impacto no desenvolvimento infantil. Os dispositivos eletrônicos tornaram-se uma presença constante na vida das crianças desde a chamada primeira infância, faixa etária que compreende desde o nascimento até os seis anos de vida, desafiando os pais e educadores a equilibrar os benefícios da tecnologia com os riscos potenciais para o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das crianças. A fase inicial da infância é vista como o momento mais crucial para o desenvolvimento cerebral, representando uma oportunidade crucial para o crescimento e desenvolvimento infantil saudável do ponto de vista neuropsicossocial. De acordo com Silva et al. [23], ‘’é imprescindível estruturar e garantir um cuidado holístico, alicerçado nas diretrizes da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)’’.
Enquanto os dispositivos eletrônicos oferecem uma variedade de oportunidades de aprendizado e entretenimento, além de indicar o avanço significativo dessa tecnologia à medida que se torna mais acessível, o excesso de telas na infância tem sido associado a uma série de consequências negativas. Cerca de 93% das crianças e adolescentes utilizam o telefone celular para assistir a vídeos ou filmes, compartilhar mensagens, usar redes sociais e jogar online [18]. A exposição prolongada a telas está relacionada a distúrbios do sono, problemas de atenção, dificuldades na aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades sociais. Além disso, o tempo excessivo diante das telas pode contribuir para um estilo de vida sedentário, aumentando o risco de obesidade infantil e problemas de saúde relacionados [10].
O cérebro em desenvolvimento da criança está continuamente passando por transformações, o que resulta na formação de novas conexões sinápticas capazes de remodelar habilidades motoras, psicossociais, cognitivas e linguísticas [24]. No cenário antes da pandemia, as crianças normalmente estavam expostas a uma variedade de estímulos, incluindo interações sociais regulares, atividades educacionais e experiências físicas diversificadas, que contribuíam para a formação saudável das conexões sinápticas [10]. No entanto, com as medidas de distanciamento social e restrições às atividades presenciais que ocorreu na pandemia do coronavírus, muitas crianças foram privadas dessas oportunidades enriquecedoras.
O isolamento social, a transição para a educação remota e a redução das interações presenciais com colegas e professores limitaram significativamente as experiências sensoriais e sociais das crianças, dificultando a formação adequada de conexões sinápticas e o desenvolvimento de habilidades essenciais. Aumentando a dependência de dispositivos eletrônicos para preencher o tempo livre e manter a conexão com o mundo exterior [4]. A mudança repentina para um estilo de vida mais digital trouxe à tona questões urgentes sobre como equilibrar o uso de telas com outras atividades essenciais para o desenvolvimento infantil. Posto que o ambiente físico, com a participação ativa das crianças, é projetado para promover a expansão de seu desenvolvimento, atendendo às suas necessidades sociais, cognitivas e emocionais. Além de proporcionar uma estrutura segura e adequada para oportunidades de aprendizado e ampliação de experiências, incluindo o estabelecimento de relações interpessoais, autoconhecimento e interação com o mundo ao seu redor [24].
Esta pesquisa foi motivada a partir do atendimento de um caso no espaço da Clínica-Escola, no qual foi identificado impactos negativos associados ao uso prolongado de dispositivos eletrônicos por criança em idade precoce. Além disso, trata-se de um tema relevante que o Conselho Federal de Psicologia ainda está em pesquisa. O excesso de tela pode afetar o desenvolvimento infantil de várias maneiras, incluindo comprometimento cognitivo, restrição da exploração do ambiente físico e social, impacto negativo na linguagem e nas habilidades motoras, podendo causar complicações no sono e na atenção. Além disso, pode contribuir para problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão, além de dificultar o controle emocional. Com a pandemia ampliando o uso de telas digitais, as crianças ficaram ainda mais expostas a um ambiente digital excessivo, sendo privadas de experiências sensoriais, interações sociais presenciais e atividades físicas, agravando os efeitos negativos para o seu desenvolvimento. Neste contexto, compreender os impactos do uso excessivo de telas na saúde e no desenvolvimento infantil é crucial.
Portanto, o objetivo dessa revisão bibliográfica é investigar como o excesso de exposição às telas digitais afeta o desenvolvimento infantil, junto a perspectiva da teoria de Urie Bronfenbrenner, assim como contextualizar a infância atual e a tecnologia; verificar os benefícios e os malefícios do uso de tecnologias na infância; caracterizar as especificidades do aumento significativo de telas durante a pandemia do Covid-19 e descrever a influência de diferentes ambientes na trajetória do desenvolvimento infantil, conforme a teoria bioecológica de Bronfenbrenner.
É crucial que pais, cuidadores e educadores estejam cientes dos impactos potenciais do excesso de telas na infância e adotem estratégias para promover um equilíbrio saudável no uso de dispositivos eletrônicos. Neste contexto, é fundamental incentivar práticas como: limitar o tempo de tela, estabelecer horários específicos para o uso de dispositivos, promover atividades off-line enriquecedoras e fomentar o diálogo aberto sobre os hábitos digitais com as crianças. Ao tomar medidas proativas para reduzir os efeitos negativos do excesso de telas, podemos promover um desenvolvimento infantil mais equilibrado e saudável em meio às complexidades do mundo digital moderno.
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2. Referencial teórico
2.1 Considerações sobre o desenvolvimento infantil atrelado as perspectivas de bronfenbrenner
O desenvolvimento infantil é um campo complexo e multifacetado que abrange uma vasta gama de aspectos físicos, emocionais, cognitivos e sociais. Compreender como as crianças crescem e se desenvolvem é crucial não apenas para pais e educadores, mas também para formuladores de políticas e profissionais de saúde. Diversas teorias têm sido propostas para explicar os processos que influenciam o desenvolvimento das crianças, e uma das mais influentes é a Teoria Bioecológica do Desenvolvimento, proposta por Urie Bronfenbrenner.
Caracterizado por mudanças progressivas e sequenciais que ocorrem desde o nascimento até a adolescência, as mudanças ocorridas no desenvolvimento infantil são influenciadas por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. No início da vida, o desenvolvimento físico é bastante evidente com marcos como o engatinhar, andar e falar. Paralelamente, o desenvolvimento cognitivo e emocional também avança quando as crianças começando a compreender o mundo ao seu redor, desenvolver linguagem e formar vínculos emocionais. As interações sociais desempenham um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Através de relações com pais, irmãos, colegas e outros adultos, as crianças aprendem normas sociais, valores e habilidades essenciais para a vida em sociedade. A qualidade dessas interações pode ter efeitos duradouros no desenvolvimento emocional e psicológico das crianças [5].
Urie Bronfenbrenner introduziu uma abordagem inovadora para entender o desenvolvimento humano, enfatizando a importância do contexto ambiental. Sua Teoria Bioecológica do Desenvolvimento sugere que o desenvolvimento infantil é influenciado por diferentes níveis de ambiente, que ele chama de sistemas ecológicos. Estes sistemas são: o microssistema, que inclui os ambientes mais próximos da criança, como a família, escola e vizinhança, onde as interações diretas com os pais, professores e colegas ocorrem; o mesossistema, que se refere às inter-relações entre os diferentes microssistemas, como a relação entre a família e a escola; o exossistema, que inclui contextos que não envolvem a criança diretamente, mas que afetam indiretamente seu desenvolvimento, como o ambiente de trabalho dos pais e políticas sociais; o macrossistema, que engloba as atitudes, ideologias e cultura da sociedade em que a criança vive, influenciando o desenvolvimento infantil de maneira ampla; e o cronossistema, adicionado posteriormente por Bronfenbrenner, que considera o impacto das mudanças e transições ao longo do tempo, tanto em termos de eventos da vida (como divórcio dos pais) quanto mudanças históricas e sociais mais amplas [5].
Ao considerar esses sistemas inter-relacionados, a teoria de Bronfenbrenner oferece uma visão compreensiva e dinâmica do desenvolvimento infantil. Ela destaca que o crescimento e o desenvolvimento das crianças são moldados por uma interação complexa de fatores ambientais, refletindo a natureza integrada e interdependente dos diversos contextos em que vivem. A teoria bioecológica de Bronfenbrenner proporciona uma estrutura rica para entender as múltiplas influências sobre o desenvolvimento infantil. Ao reconhecer a complexidade das interações entre a criança e seus diversos ambientes, esta perspectiva nos permite apreciar a profundidade e a diversidade dos fatores que contribuem para o crescimento e o desenvolvimento das crianças.
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2.2 Infância e o uso indevido das telas
A infância atual é marcada pela presença significativa de tecnologia e uso de telas, uma característica que distingue fortemente esta geração das anteriores. Dispositivos como smartphones, tablets e computadores são agora parte integrante do cotidiano das crianças, influenciando diversas dimensões de seu desenvolvimento. Por um lado, essas tecnologias oferecem oportunidades de aprendizado interativo e acesso a vastos recursos educacionais [17]. No entanto, o uso excessivo de telas tem levantado preocupações quanto aos impactos negativos na saúde física e mental das crianças, como sedentarismo, problemas de sono e dificuldades na socialização.
A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento, proposta por Urie Bronfenbrenner, pode ser fundamental para compreender a influência da tecnologia no desenvolvimento infantil contemporâneo. Essa teoria destaca a importância das interações entre o indivíduo e os diversos contextos em que ele está inserido, como a família, a escola e a comunidade. No caso das crianças atuais, a presença onipresente de tecnologias digitais molda essas interações, criando novos ambientes de socialização que muitas vezes substituem as experiências face a face. Por exemplo, enquanto a família pode se beneficiar de recursos educacionais online, a dependência excessiva de dispositivos eletrônicos pode limitar as interações diretas que são essenciais para o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais. Assim, as influências do contexto tecnológico, como o acesso a conteúdos digitais e a regulação parental do uso de telas, interagem com os fatores biológicos e individuais da criança, impactando seu desenvolvimento de maneira complexa e multifacetada. Essa perspectiva bioecológica ressalta a necessidade de abordagens integradas que considerem não apenas a criança em si, mas também os contextos sociais e culturais que afetam suas experiências com a tecnologia.
A interação face a face, crucial para o desenvolvimento das habilidades sociais e emocionais, pode ser reduzida à medida que as crianças passam mais tempo em atividades digitais. Assim, a infância contemporânea é caracterizada por um delicado equilíbrio entre os benefícios tecnológicos e os desafios associados ao uso intensivo de dispositivos eletrônicos [11]. A crescente dependência tecnológica entre crianças trouxe consequências significativas, impactando negativamente sua saúde física e mental. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos tem sido associado à redução da atividade física, contribuindo para a obesidade infantil e transtornos alimentares. Além disso, problemas posturais, síndrome visual do computador, e danos à visão e audição são preocupações adicionais. A saúde mental também é afetada, com possíveis consequências como atraso cognitivo, ansiedade e distúrbios de aprendizagem [17]. Estudos revelam que expor as crianças a mais de 60 minutos diários de tela apontam efeitos negativos no temperamento, caráter e susceptibilidade aos sintomas de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Além disso, a exposição não supervisionada de crianças pequenas a conteúdos televisivos adultos também foi associada a dificuldades significativas de socialização no futuro [11].
No âmbito emocional, o uso prolongado das telas pode afetar negativamente o desenvolvimento emocional das crianças, interferindo na capacidade de identificar e expressar emoções de forma adequada. Pesquisas destacam que a exposição a diversas telas está correlacionada com dificuldades socioemocionais e comportamentais, assim como aumento da externalização de problemas em crianças entre dois e cinco anos de idade. A hiperatividade e desatenção foram observadas nessa faixa etária, entre 2 e 6 anos [3]. Além disso, um estudo identificou menor aprendizado de novas palavras. Outro ponto se refere a exposição excessiva a conteúdos inadequados ou violentos, que podem dessensibilizar as crianças e dificultar a compreensão de sentimentos complexos, como empatia e compaixão. Ademais, o tempo excessivo em frente às telas pode contribuir para o isolamento social e a falta de habilidades de comunicação interpessoal, impactando negativamente a saúde mental infantil [14].
A trajetória da utilização de tela examinada em crianças canadenses aos 24, 36 e 60 meses de idade, revela que o uso intenso resultou em um desenvolvimento infantil menos favorável e em um desempenho de aprendizado abaixo do esperado. O uso intenso de tela, definido como mais de 3 horas por dia, mostrou uma ligação com comportamentos de desatenção e agressividade, além de uma menor probabilidade de alcançar marcos adequados de desenvolvimento, como linguagem e habilidades motoras, aos 60 meses de idade [13].
Tais pesquisas apontam que os padrões de uso de mídias digitais se estabelecem nos primeiros anos de vida. Além disso, a exposição constante a estímulos visuais e auditivos pode sobrecarregar o cérebro em desenvolvimento, prejudicando a capacidade de processar informações e desenvolver habilidades cognitivas fundamentais, como raciocínio lógico, memória e criatividade [11]. O uso de telas pode impactar as interações sociais das crianças, muitas vezes substituindo atividades físicas e brincadeiras ao ar livre.
O excesso de dependência em dispositivos eletrônicos pode resultar na diminuição do tempo dedicado a interações presenciais, o que prejudica o desenvolvimento de habilidades sociais cruciais, como a resolução de conflitos, cooperação e construção de relacionamentos saudáveis [11]. Além disso, o uso de telas também é utilizado como uma forma de disciplina pelos cuidadores parentais, oferecendo-os em troca de bom comportamento das crianças, o que pode servir como uma estratégia de regulação, especialmente para aquelas com temperamento desafiador. É importante destacar que o temperamento difícil está associado ao aumento do consumo de mídias eletrônicas [4]. Intervenções destinadas a melhorar os hábitos de uso de dispositivos eletrônicos em crianças em idade pré-escolar têm o potencial de beneficiar significativamente suas habilidades sociais e emocionais de maneira geral.
Contudo, mesmo com acesso a essas informações, muitas vezes estas podem não ser suficientes para estimular mudanças nas práticas parentais. Como evidenciado no estudo de Brown e Smolenaers [6], muitos pais concordam com a recomendação de evitar a exposição de bebês de até dois anos às telas, porém enfrentam consideráveis desafios para implementá-la. Em resumo, essas medidas podem incluir a promoção de alternativas saudáveis ao uso de telas para entretenimento infantil, a educação dos pais sobre os impactos do uso excessivo de dispositivos digitais em crianças pequenas e o estabelecimento de políticas escolares que incentivem o tempo de tela limitado [19]. Além disso, é fundamental promover uma conscientização mais ampla sobre os benefícios do engajamento em atividades físicas, interações sociais e brincadeiras criativas para o desenvolvimento saudável das crianças. Essa abordagem colaborativa entre pais, escolas e a sociedade em geral pode ajudar a enfrentar os desafios associados ao uso excessivo de telas por crianças pequenas.
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2.3 Excesso de telas na infância e pandemia do covid-19 e sua influência no uso de telas
A pandemia do COVID-19 transformou profundamente a rotina de milhões de pessoas ao redor do mundo, e suas repercussões se estendem até mesmo ao desenvolvimento infantil, especialmente no que diz respeito ao aumento do uso de tela. Nesta era de distanciamento social e restrições de movimento, as telas se tornaram uma ferramenta crucial para manter a conexão com o mundo exterior e, consequentemente, exerceram uma influência significativa sobre as crianças. Este fenômeno complexo não apenas destacou a importância das interações sociais presenciais na infância, mas também levantou questões sobre os impactos sociais e comportamentais do uso excessivo de dispositivos eletrônicos por parte das crianças [4].
Em tempos não marcados pela pandemia, as crianças com menos de três anos costumavam passar a maior parte do seu tempo em creches. Esses ambientes eram considerados potencializadores do desenvolvimento infantil, uma vez que possibilitavam interações, a formação de vínculos fundamentais e o recebimento dos estímulos necessários para seu crescimento [20]. No período pandêmico, muitas crianças passaram mais tempo em frente às telas do que nunca, seja para participar de aulas remotas, interagir com amigos e familiares por meio de chamadas de vídeo ou se entreter durante períodos prolongados em casa [22].
A pandemia da Covid-19 também levou os responsáveis pelas crianças a adotarem o trabalho em casa, conhecido como home office. Essa nova realidade demandou que eles desenvolvessem estratégias para cuidar dos filhos em tempo integral, ao mesmo tempo em que cumpriam suas responsabilidades profissionais. As telas se tornaram a principal ferramenta de entretenimento para as crianças nesse contexto. Como resultado, essa mudança pode ter afetado as interações entre os pequenos e seus familiares [5]. Essa mudança abrupta no padrão de uso de tecnologia desencadeou uma série de consequências sociais e comportamentais.
Entre elas, destacam-se questões relacionadas ao desenvolvimento social e emocional das crianças, bem como preocupações sobre os efeitos negativos do tempo excessivo de tela na saúde mental e física dos jovens. O estudo conduzido por Jiao et al. [12], que acompanhou 320 crianças e adolescentes na China durante os estágios iniciais da pandemia, apontou que esses indivíduos manifestaram sintomas de agitação, ansiedade, dependência excessiva dos pais, distúrbios do sono, estresse e medo ao longo do período de distanciamento físico. O contato face a face com colegas de classe e interações em ambientes sociais é fundamental para o desenvolvimento saudável das habilidades sociais, emocionais e cognitivas das crianças [22].
Além disso, o uso excessivo de telas tem sido associado a mudanças no comportamento das crianças, incluindo irritabilidade, dificuldade de concentração e problemas de sono. Essas emoções negativas manifestadas pelas crianças podem estar relacionadas à perda de atividades prazerosas e independência, à ausência da escola e dos amigos, bem como à energia não gasta durante o dia em casa [9]. A exposição prolongada à luz azul emitida por dispositivos eletrônicos pode interferir nos ritmos naturais do sono, prejudicando a qualidade do descanso das crianças e contribuindo para problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Esses efeitos podem ser especialmente preocupantes durante um período de desenvolvimento crucial, no qual os cérebros das crianças estão em constante evolução e moldagem [4].
A Teoria Bioecológica do Desenvolvimento, proposta por Urie Bronfenbrenner, oferece uma perspectiva valiosa para entender as repercussões da pandemia no desenvolvimento infantil. Segundo Bronfenbrenner, o desenvolvimento humano é moldado por vários sistemas interativos, que vão desde o ambiente imediato da criança, como a família e a escola, até fatores sociais mais amplos, incluindo políticas públicas e normas culturais. Durante a pandemia, mudanças drásticas nesses sistemas — como o fechamento de creches e escolas e a transição para o home office — prejudicaram as interações sociais essenciais para o desenvolvimento das crianças. A crescente dependência de telas para educação e entretenimento, embora uma adaptação necessária, pode limitar as experiências fundamentais para a formação de vínculos e habilidades sociais. Além disso, a pressão sobre os cuidadores para equilibrar trabalho e cuidado intensificou as tensões nos lares, afetando a qualidade das interações familiares e, por consequência, o desenvolvimento emocional das crianças.
Assim, o contexto familiar é crucial para o desenvolvimento infantil. Quanto mais fatores de risco presentes no microssistema da criança, maior a chance de interferências, o que pode resultar em atrasos ou até na falta de marcos de desenvolvimento [23]. Uma pesquisa no Brasil com famílias atendidas pelo Programa Criança Feliz (PCF) identificou que fatores como baixa escolaridade, depressão materna, falta de acesso à água potável, ausência de saneamento básico, nutrição inadequada e anemia infantil estavam associados a escores de desenvolvimento mais baixos em crianças na primeira infância [16]. Essa análise ressalta a importância de considerar os múltiplos contextos nos quais as crianças estão inseridas e como mudanças em um nível podem ressoar em outros, impactando profundamente e de forma duradoura seu desenvolvimento [5].
É fundamental reconhecer que, embora as telas tenham sido uma ferramenta indispensável para manter a conectividade durante a pandemia, é essencial encontrar um equilíbrio saudável entre o tempo de tela e outras atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como brincadeiras ao ar livre, leitura e interações sociais presenciais. Principalmente, levando em conta a importância da saúde mental infantil na tomada de decisão. Os pais e cuidadores desempenham um papel crucial nesse processo, estabelecendo limites adequados e modelando comportamentos de uso responsável da tecnologia. Ao mesmo tempo, educadores e profissionais de saúde devem trabalhar em conjunto para fornecer recursos e orientações que ajudem as famílias a enfrentar os desafios associados ao uso excessivo de telas na infância durante e além da pandemia do COVID-19. Além disso, é provável que haja impactos significativos, especialmente em grupos menos privilegiados, e que as medidas adotadas pelo governo, como o ensino remoto, o uso de tecnologias e o aumento da carga horária, possam não constituir soluções eficazes para lidar com as consequências da interrupção da rotina escolar [22].
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3. Metodologia
A presente pesquisa bibliográfica foi realizada a partir da busca de artigos através das bases de dados BVS, PubMed®, SciELO e Web of Science™. As buscas foram realizadas com os seguintes descritores: ‘’Telas e Desenvolvimento Infantil’’, “Uso de telas na infância”, “Efeitos na pandemia no desenvolvimento”, “Pandemia e uso de telas”, “Desenvolvimento infantil modificações ocorrentes da pandemia”, “Causas do efeito pandêmico”, “COVID-19 e alterações na primeira infância”. Temas abordando como a pandemia do Covid-19 afetou no desenvolvimento das crianças em decorrência do aumento do uso das telas, principalmente no momento de isolamento social, causando prejuízo no âmbito escolar, familiar e social.
Transcorreu-se a pré-seleção de 40 artigos, incluindo trabalhos escritos em língua inglesa e publicados no período de 2016 a 2023, todos os estudos foram submetidos a uma análise detalhada, incluindo a leitura dos resumos e do desenvolvimento. Com base nessa análise, foram estabelecidos critérios para a inclusão e exclusão dos artigos, os critérios de exclusão resultaram na rejeição de estudos que não estavam diretamente relacionados ao tema do desenvolvimento infantil e ao impacto do uso de telas, bem como aqueles que não apresentavam dados relevantes ou eram baseados em metodologias inadequadas. Como exemplo, estudos focados exclusivamente em populações adultas ou em outras faixas etárias que não a infantil foi considerada irrelevante para o propósito desta revisão. Da mesma forma, pesquisas que abordavam o uso de telas sem considerar seus efeitos no desenvolvimento infantil. Em termos de metodologias inadequadas, foram descartados artigos que utilizavam amostras muito pequenas ou não representativas, que aplicavam técnicas estatísticas insuficientes para testar hipóteses relevantes. Após a aplicação desses critérios, foram escolhidos 24 artigos para prosseguir na revisão sistemática da literatura. Ademais, foi incluída uma obra sobre o tema, considerada indispensável para este estudo bibliográfico. Esta revisão sistemática foi então baseada na análise destes artigos e pela leitura dos determinados trabalhos referenciados pelos autores consultados.
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4. Desenvolvimento e discussão
O desenvolvimento infantil é uma trajetória repleta de mudanças progressivas, influenciadas por uma variedade de fatores externos, incluindo aspectos sociais, culturais e biológicos [9]. Nesse cenário, a pandemia se destacou como um agente significativo de transformações no ambiente de vida e na saúde das crianças. O estresse causado pela reclusão, o temor constante de contaminação e o distanciamento social impactaram os relacionamentos familiares, o senso de competência para agir e a autonomia das famílias. Como resultado, esses fatores têm contribuído para desfechos mal adaptativos a médio e longo prazo no desenvolvimento infantil [23].
Segundo a Teoria Bioecológica de Bronfenbrenner, o contexto exerce uma influência significativa nos cuidados destinados ao desenvolvimento infantil. As repercussões da pandemia reforçam essa premissa, destacando a fragilização dos vínculos familiares e a alteração na dinâmica de interação entre família e criança [1]. Considerando que o contexto familiar é fundamental para o desenvolvimento, um maior número de fatores de risco no microssistema da criança aumenta a probabilidade de interferências, resultando em atrasos ou na ausência de marcos de desenvolvimento [23]. Uma pesquisa no Brasil com famílias do Programa Criança Feliz (PCF) revelou que, entre vários aspectos, baixa escolaridade, depressão materna, falta de acesso a água potável, ausência de saneamento básico, nutrição inadequada e anemia na infância estavam associados a escores de desenvolvimento mais baixos em crianças na primeira infância [16].
Uma das consequências da pandemia que merece destaque é o aumento significativo do tempo que as crianças passaram em frente às telas, como TV, celulares e computadores. O uso excessivo de dispositivos eletrônicos pode comprometer o desenvolvimento cognitivo das crianças, limitando a capacidade de se engajar em atividades criativas e exploratórias, essenciais para o pensamento crítico e a resolução de problemas [23]. A literatura concorda que a exposição a telas é prejudicial ao desenvolvimento infantil, sendo os impactos mais acentuados em crianças mais novas. Crianças com menos de dois anos são especialmente vulneráveis, enfrentando riscos como atrasos no desenvolvimento psicomotor, aumento da obesidade, depressão, ansiedade e distúrbios do sono. A exposição excessiva a telas pode prejudicar o desenvolvimento da fala e da linguagem [8].
No que se refere ao desenvolvimento social, o uso diário de dispositivos eletrônicos na primeira infância é associado a menos exposição a novas palavras, redução dos momentos de leitura compartilhada com cuidadores e comportamentos negativos, como déficit de atenção, hiperatividade e dificuldades de socialização, que afetam a comunicação e a empatia [11].
O impacto do uso excessivo de telas também é alarmante no que diz respeito ao desenvolvimento emocional. Estudos indicam uma correlação entre a exposição prolongada a dispositivos eletrônicos e problemas como ansiedade, depressão e dificuldades de regulação emocional em crianças [10]. Além disso, a diminuição do convívio familiar, especialmente com avós, e a exposição a situações de negligência ou vulnerabilidade socioeconômica aumentaram a carga de estressores, resultando em efeitos mais severos na saúde mental infantil [15].
A qualidade do sono, crucial para o desenvolvimento, também foi afetada durante a pandemia. Cuidadores de crianças de 9 a 12 anos relataram uma deterioração na qualidade do sono em comparação com períodos anteriores, evidenciando a relação com o uso excessivo de telas. A atenção ao sono infantil é vital, dado seu papel no desenvolvimento físico, cognitivo e metabólico [2].
Dessa forma, a literatura aponta que o uso excessivo de telas pode ter impactos negativos no desenvolvimento neurolinguístico e psicossocial das crianças, contribuindo para atrasos na fala e na linguagem, além de problemas como insônia, obesidade e "tecnoestresse" — a tensão provocada pela tecnologia, que pode acentuar a perda de empatia, irritabilidade, agressividade e distúrbios emocionais [24]. O comportamento infantil é afetado pela falta de oportunidades de prática e desenvolvimento sensorial, que são essenciais para a formação de conexões neurais adequadas e não podem ser substituídas por interações passivas com telas [7].
O aspecto socioemocional do desenvolvimento infantil foi particularmente afetado pela pandemia. Fatores estressantes, como o distanciamento social, fechamento de escolas, recessão econômica e violência doméstica impactaram negativamente a saúde mental das crianças, resultando em um aumento de transtornos psicossomáticos [24]. A longo prazo, os efeitos do isolamento social podem ser ainda mais devastadores. Um estudo de Saurabh e colaboradores [21] mostrou que crianças em quarentena relataram sofrimento psicológico significativamente maior em comparação com aquelas que não passaram pelo isolamento.
Em termos cognitivo-linguísticos, o desenvolvimento infantil também sofreu consideráveis danos devido à pandemia [24]. O ambiente social influência de forma significativa a programação do desenvolvimento. Em um cenário de restrições, onde atividades lúdicas e recreativas são limitadas e a comunicação facial é dificultada pelo uso de máscaras, as crianças enfrentam dificuldades na formação de áreas cerebrais essenciais, resultando em prejuízos nas habilidades cognitivas, comportamentais e de comunicação [25].
Assim, a pandemia da COVID-19 impactou diretamente o aumento do uso de telas na infância. Durante o isolamento, as telas se tornaram a principal fonte de interação, lazer e distração para as crianças em casa. As vulnerabilidades observadas estão diretamente ligadas ao uso excessivo de dispositivos e ao conhecimento limitado sobre os efeitos a longo prazo desse uso no desenvolvimento infantil.
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5. Considerações finais
Em síntese, a análise do impacto do uso excessivo de telas na infância revela preocupações significativas quanto ao desenvolvimento, afetando diversas áreas, incluindo cognição, habilidades sociais e emocionais. Os resultados destacam a importância de pais, cuidadores e profissionais de saúde e educação estarem atentos aos riscos associados ao uso excessivo de telas e adotarem estratégias para limitar o tempo de exposição. Intervenções educativas e políticas públicas são necessárias para promover práticas saudáveis de uso de tecnologia desde a primeira infância. Garantir um equilíbrio adequado entre o tempo de tela e outras atividades essenciais para o desenvolvimento é fundamental para o bem-estar e crescimento saudável das crianças em um mundo digital.
A análise do impacto da pandemia da COVID-19 no desenvolvimento infantil, especialmente em relação ao uso excessivo de telas, se alinha de maneira contundente à Teoria Bioecológica de Bronfenbrenner. Esta teoria sublinha a importância do contexto social e das interações nos múltiplos ambientes que cercam a criança, desde o microssistema familiar até estruturas mais amplas, como a sociedade e a cultura.
No microssistema, que abrange a família e as interações imediatas da criança, a pandemia causou mudanças significativas. O distanciamento social e o fechamento das escolas reduziram as oportunidades de interação e atividades lúdicas, essenciais para o desenvolvimento emocional e social. Esse empobrecimento do ambiente pode resultar em atrasos no desenvolvimento, pois a falta de estímulos adequados prejudica a formação das conexões neurais necessárias para as habilidades cognitivas e socioemocionais. Fatores de risco, como depressão materna e baixa escolaridade, comprometem ainda mais o ambiente em que a criança se desenvolve, evidenciando a importância do contexto familiar para os resultados do desenvolvimento.
Além disso, a teoria de Bronfenbrenner destaca a influência do exossistema, que envolve contextos sociais que não impactam diretamente a criança, mas afetam sua vida. Durante a pandemia, fatores como insegurança econômica e aumento da violência doméstica tornaram-se mais prevalentes, contribuindo para um estresse adicional nas famílias e fragilizando os vínculos, o que resultou em consequências significativas para o desenvolvimento infantil.
No mesossistema, a interação entre diferentes contextos da vida da criança, como escola e família, foi severamente afetada. A interrupção da rotina escolar e a diminuição da leitura compartilhada com cuidadores limitaram a aquisição de habilidades linguísticas e sociais, essenciais para o desenvolvimento da linguagem e empatia. A ausência dessa interação exacerba os atrasos no desenvolvimento.
Por fim, ao considerar o macrosistema, que inclui normas e crenças culturais, a resposta da sociedade à pandemia — como o aumento do uso de tecnologia para distração — reflete uma adaptação a uma crise, mas com consequências prejudiciais a longo prazo. A normalização do uso excessivo de telas pode ter se tornado uma estratégia de enfrentamento, mas a literatura indica que isso compromete o desenvolvimento infantil, evidenciando a necessidade de reavaliar práticas sociais em um mundo cada vez mais digital.
Em resumo, a Teoria Bioecológica de Bronfenbrenner oferece um quadro valioso para entender como a pandemia impactou o desenvolvimento infantil por meio de múltiplos contextos. A interdependência entre os diferentes sistemas destaca a importância de abordagens integradas e colaborativas para mitigar os efeitos negativos do uso excessivo de telas e outros fatores de risco associados ao ambiente da criança. Isso requer um esforço conjunto de pais, educadores e formuladores de políticas para promover práticas saudáveis que garantam um desenvolvimento equilibrado e saudável para as crianças em um mundo em rápida transformação.
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6. Declaração de direitos
Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Discente do curso de Psicologia no Centro Universitário Redentor/Afya, Itaperuna, Brasil.
Docente em Psicologia, Centro Universitário Redentor/Afya, Itaperuna, Brasil. Doutorando em Psicologia (UFF). Mestre em Pesquisa e Clínica em Psicanálise (UERJ). Especialista em Atenção Psicossocial na Infância e Adolescência (IPUB/UFRJ). Bacharel em Psicologia.

