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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Fontes de proteína suplementar na terminação de ovinos confinado

Lucien Bissi da Freiria1; Kátia Cristina dos Santos2; Clarice Cortez Rocha Añez3; Fagton de Mattos Negrão4; Pedro Ivo José Lopes da Rosa e Silva5; Luciano da Silva Cabral 6

 

Como Citar:

FREIRIA, Lucien Bissi; SANTOS, Katia Cristina; AÑEZ, Clarice Cortez Rocha; NEGRÃO, Fagton de Mattos; ROSA E SILVA, Pedro Ivo José Lopes; CABRAL, Luciano da Silva. Fontes de proteína suplementar na terminação de ovinos confinados. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5499-5512, 2024.

​​ https://doi.org/10.61411/rsc202481017

 

DOI: 10.61411/rsc202481017

 

Área do conhecimento: Zootecnia.

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Palavras-chaves:  ​​​​ Nutrição animal; Ovinocultura; Suplementação proteica

 

Publicado: 18 de novembro de 2024.

Resumo

O objetivo deste estudo foi avaliar a utilização de grão de destilaria seco com solúveis de alta fibra (DDGS FS OURO®) associado à inclusão de diferentes fontes de proteína suplementar na dieta de ovinos confinados, sobre características de consumo e digestibilidade dos nutrientes. Foram utilizados oito animais da raça Santa Inês, machos, castrados, de 35 kg de peso corporal inicial, com 8 meses de idade, os animais foram distribuídos em delineamento de quadrado latino 4x4 duplo. A dietas consistem na inclusão de 36 % de DDGS alta fibra na matéria seca, associado a inclusão de fontes de proteína suplementar (controle, ureia, farelo de soja e DDGS tradicional), a elevar dieta controle de 12% para 15% de proteína bruta na matéria seca. Os dados de consumo dos nutrientes foram submetidos à análise de variância e as diferenças foram analisadas a 5% de probabilidade com contrastes ortogonais. Não houve efeito sobre o consumo de matéria seca (P=0,41), matéria orgânica (P=0,42), matéria seca em relação ao peso corporal (P=0,48), extrato etéreo (P=0,26), carboidratos não fibrosos (P=0,13) e nutrientes digestíveis totais (P=0,34). Observou-se efeito significativo (P=0,01) sobre o consumo de proteína bruta e fibra detergente neutro. Não houve efeito sobre a digestibilidade da matéria seca (P=0,76), matéria orgânica (P=0,82), extrato etéreo (P=0,81), carboidratos não fibrosos (P=0,12) e nutrientes digestíveis totais (P=0,58). Observou-se efeito significativo sobre a digestibilidade de proteína bruta (P=0,01) e fibra detergente neutro (P=0,02). A inclusão de fontes de proteínas suplementares em dietas de confinamento com a utilização de grão de destilaria seco com solúveis de alta fibra melhora o consumo e a digestibilidade da proteína bruta.

...

1.Introdução

Estratégias alimentares nos sistemas produtivos da carne, como a intensificação, visam a manutenção do setor frente a crescente elevação dos custos de produção. No país, tem-se estimativa para aumento da produção etanol a partir de grãos, crescimento de 15,4% referente a safra anterior. Essas usinas geram um coproduto, chamado de grão de destilaria seco ou úmido com solúveis (DDGS ou WDGS), a ser utilizado na nutrição animal. Esse coproduto pode proporcionar uma melhora no ganho peso diário e eficiência alimentar [1], que posiciona como algo promissor para intensificação do sistema de produção.

Comparativamente, a composição química do DDGS possui maior valor alimentar do que a do milho (2 a 3 vezes mais), com teores de proteína bruta de 22 a 43 %, fibra insolúvel em detergente neutro de 30 a 44%, extrato etéreo de 6 a 11%, e fósforo de 0,6 a 0,8% [2].

A recomendação do uso de DDGS na dieta de ruminantes confinados tem sido uma inclusão de até 30% na matéria seca, com efeito positivo para consumo alimentar, digestibilidade de nutrientes e prevenção de distúrbios metabólicos ruminais [1].

No entanto, DDGS quando incluído em dietas de confinamento, a proporção de 30%, eleva positivamente o teor de proteína bruta da dieta, aliado a adição proteína não degradável no rúmen, com detrimento nos valores de proteína degradável do rúmen (PDR).

Nesta perspectiva, há necessidade de esclarecer se dietas que lançam mão de um elevado uso de DDGS, precisam de uma correção do PDR, com uso associado da inclusão fontes de proteína suplementar, como a ureia ou farelo de soja, ou até mesmo o DDGS com alta proteína.

Desta forma, hipotetizou-se que inclusão de fontes de proteína suplementar em dietas com uso de DDGS melhora a eficiência do uso do nitrogênio pelo animal. Assim, o objetivo do estudo será avaliar a utilização de grão de destilaria seco com solúveis de alta fibra (DDGS FS OURO®) associado a inclusão de fontes de proteína suplementar na dieta de ovinos confinados sobre características de consumo e digestibilidade da matéria seca e dos nutrientes.

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2.Metodologia

O experimento foi realizado no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia - Campus Colorado do Oeste. O protocolo de experimentação animal foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais (CEUA) do Instituto Federal de Rondônia registrado com o número 306/21, de acordo com os preceitos da Lei nº 11.794, de 08 de outubro de 2008, e com as normas editadas pelo Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (CONCEA).

Foram utilizados oito animais da raça Santa Inês, machos e castrados, com em média 35 kg de peso corporal inicial, com oito meses de idade. Antes de iniciar o experimento os animais foram pesados, marcados com coleiras enumeradas, e tratados com endo e ectoparasita com administração de Ivermectina (Ivomec®, Merial, Paulínea, BR), e posteriormente foram distribuídos em 8 baias (5 m²), ou seja, 1 animal por baia, providas de bebedouros e comedouros (acesso unilateral de 0,5 m para cada animal).

Os animais foram distribuídos em delineamento de quadrado latino 4x4 duplo, com 4 períodos experimentais de 21 dias cada. Cada período consistia em 16 dias de adaptação, e 5 dias para coletas amostrais. As dietas consistiam na inclusão de 36% de DDGS FS OURO® na matéria seca, associado a inclusão de fontes de proteína suplementar (controle sem adição, ureia, farelo de soja e DDGS tradicional), a elevar dieta controle de 12% para 15% de proteína bruta na matéria seca (Tabela 1).

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Tabela 1. Composição (% da MS) ingredientes na dieta de ovinos confinados.

Ingredientes

Fontes de proteína suplementar

 

CONTROLE

UREIA

FARELO DE SOJA

DDGS1

Capulho de algodão

10

10

10

10

Grão de milho moído

51,74

44,39

50,65

37,71

DDGS¹ Alta fibra

36,26

36,26

36,26

36,26

Ureia

-

1,09

-

-

Farelo de soja

-

-

7,35

-

DDGS Tradicional

-

-

-

14,03

Núcleo mineral

2

2

2

2

Composição nutricional²

 

 

 

 

Matéria seca, %

89,4

89,6

89,5

89,6

Proteína bruta, %MS

12

15

15

15

PDR2, % MS

4,45

7,49

6,6

5,23

PNDR3, %MS

8,04

7,99

8,82

10,12

FDN4, %MS

28,59

28,44

28,71

31,3

FDNfe5

 

 

 

 

Extrato etéreo, %MS

5,88

5,83

5,73

6,16

NDT6, %MS

80,91

79,95

80,24

80,11

1grãos de destilaria seco com solúveis; 2: proteína degradável no rúmen, 3: proteína não degradável no rúmen, 4: fibra insolúvel em detergente neutro, 5: fibra insolúvel em detergente neutro fisicamente efetiva, 6: nutrientes digestíveis totais.

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A dieta controle foi formulada para atender a demanda energia e proteína de um ovino com peso corporal médio de 35 kg, para um desempenho de 250 g/animal/dia de acordo com [3]. O fornecimento da dieta foi ad libitum, com ajuste para 5% de sobras, realizados em dois tratos diários, às 8 e 16h.

O consumo e a digestibilidade de nutrientes foram estimados em cada período experimental, entre os dias 17º e 20º, com mensuração do consumo através da diferença da quantidade ofertada de ração em relação as sobras diárias (durante 24h), e realizado coleta amostral de fezes durante os seguintes horários (1º - 6:00 e 14:00; 2º - 8:00 e 16:00; 3º - 10:00 e 18:00; 4º - 12:00 e 20:00). As amostras da ração ofertadas, sobras e fezes, foram secas em estufa de ventilação forçada a 55ºC durante 72 h, para posteriormente análises laboratoriais.

As amostras dos ingredientes da dieta, da ração fornecida, das sobras diárias e fezes foram analisadas quanto à MS (INCT-CA G-003/1), proteína bruta (CP; INCT-CA N-001/1), extrato etéreo (INCT-CA G-005/2), de acordo com [4]. A determinação da fração fibrosa foi realizada pelo método sequencial, utilizando α-amilase termoestável para determinação da fibra em detergente neutro (FDN) utilizando um aparelho Ankom A2000 (Ankom Tech. Corp., Fairport, NY, EUA). A fibra em detergente neutro é corrigida para cinzas e proteína (apNDF; INCT-CA F-002/1), sem o uso de sulfito de sódio, de acordo com [4].

Os carboidratos não fibrosos (NFC) foram estimados de acordo com [5]. Os nutrientes digestíveis totais (NDT) foram calculados com adaptações ao método descrito por [6], pela seguinte equação: NDT (%) = PBD + FDNcpD +CNFD + 2,25EED, em que PBD = proteína bruta digerível, FDNcpD = fibra em detergente neutro corrigida para cinzas e proteínas digeríveis, CNFD = carboidratos não fibrosos digeríveis e EED = extrato etéreo digerível.

Foi usado fibra em detergente neutro indigestível (FDNi) como indicador da digestibilidade da dieta (INCT-CA G-009/1). A concentração de FDNi foi determinada nas amostras da dieta fornecida e nas fezes por intermédio de uma incubação in situ por 288 horas (12 dias), segundo [4].

As análises referentes as variáveis avaliadas, foram de acordo a um delineamento em quadrado latino 4x4 duplo, com 4 tratamentos e 8 repetições. Os resultados foram interpretados estatisticamente por meio de análises de variância. Para as comparações foram realizados com contrastes ortogonais, pela da seguinte forma: CON vs FP – dieta controle versus as dietas com adição de proteína suplementar (UR, FS, DDGS tradicional); NNP vs PV – dieta com adição de ureia (fonte de nitrogênio não proteico) versus dietas com adição de FS e/ou DDGS (fontes de proteínas verdadeiras); FS vs DDGS – dieta com uso de farelo de soja versus dieta com uso de DDGS, por meio procedimento Mixed do sistema estatístico [7], versão 9.1.3, com 5% de significância.

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3.Desenvolvimento

Não houve efeito sobre o consumo de matéria seca (P=0,41), matéria orgânica (P=0,42), matéria seca em relação ao peso corporal (P=0,48), extrato etéreo (P=0,26), carboidratos não fibrosos (P=0,13) e nutrientes digestíveis totais (P=0,34).

Observou-se efeito significativo (P=0,01) sobre o consumo de proteína bruta e fibra detergente neutro (Tabela 2). O CPB aumentou com a inclusão de fontes de proteína suplementar, independente da fonte proteica. Quando comparado com as fontes suplementares de proteína, observou-se que a dieta contendo ureia apresentou um consumo de fibra detergente neutro (FDN) inferior em relação às dietas que incluíam farelo de soja e DDGS. Observou-se que a dieta que resultou no maior consumo de FDN foi o DDGS com 0,429 kg/dia na MS, em contraste com a dieta que continha farelo de soja.

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Tabela 2. Consumo de nutrientes de ovinos confinados alimentados com grãos secos de destilaria com solúveis associado a inclusão de fontes de proteína suplementar.

 

Fontes de proteína suplementar

 

Valor de P

Contrastes1

Itens2

Controle

Ureia

Farelo de soja

Ddgs

Epm

Tratamen-to

CON vs FP

NNP vs PV

FS vs DDGS

CMS, kg/dia

1,265

1,289

1,324

1,350

0,052

0,41

0,20

0,30

0,62

CMS, PC%

1,956

1,990

2,060

2,070

0,076

0,42

0,21

0,28

0,93

CMO, kg/dia

1,189

1,212

1,243

1,262

0,035

0,48

0,22

0,36

0,69

CPB, kg/dia

0,147b

0,190a

0,193a

0,199a

0,007

0,01

0,01

0,38

0,45

CFDN, kg/dia

0.346b

0.350b

0.393a

0.429a

0.012

0.01

0.01

0.01

0.01

CEE, kg/dia

0.093

0.101

0.101

0.107

0.004

0.26

0.09

0.53

0.39

CCNF, kg/dia

0.680

0.649

0.659

0.595

0.029

0.13

0.12

0.45

0.09

CNDT, kg/dia

0.987

1.008

1.064

1.052

0.047

0.34

0.17

0.23

0.80

1CON vs FP – dieta controle versus as dietas com adição de proteína suplementar (UR, FS, DDGS tradicional); NNP vs PV- dieta com adição de ureia (fonte de nitrogênio não proteico) versus deitas com adição de FS e/ou DDGS (fontes de proteínas verdadeiras); FS vs DDGS- dieta com uso de farelo de soja versus dieta com uso de DDGS.

2 Consumo de matéria seca (CMS), Consumo de matéria seca por peso corporal (CMS PC), Consumo de matéria orgânica (CMO), Consumo de proteína bruta (CPB), consumo de fibra insolúvel em detergente neutro (CFDN); consumo de extrato etéreo (CEE); consumo de carboidrato não fibroso (CCNF); consumo de nutrientes digestíveis totais (CNDT); EPM = erro padrão da média.

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Não houve efeito sobre a digestibilidade da matéria seca (P=0,76), matéria orgânica (P=0,82), extrato etéreo (P=0,81), carboidratos não fibrosos (P=0,12) e nutrientes digestíveis totais (P=0,58). Observou-se efeito significativo sobre a digestibilidade de proteína bruta (P=0,01) e fibra detergente neutro (P=0,02) (Tabela 3).

As dietas que resultaram em maior digestibilidade de FDN foram aquelas que incorporaram fontes suplementares de proteína, como DDGS (64,26%) e farelo de soja (61,14%), em comparação com a dieta controle, que registrou uma menor digestibilidade de FDN (59,14%), todas consideradas na matéria seca.

Ao comparar as médias de nitrogênio não proteico (NNP) e proteína verdadeira (PV), observou-se que as PV apresentaram uma digestibilidade de FDN superior à ureia. Por outro lado, na comparação entre farelo de soja e DDGS. O DDGS demonstrou uma maior digestibilidade de FDN, atingindo 64,26% na matéria seca.

 

Tabela 3. Digestibilidade de nutrientes de ovinos confinados alimentados com grãos de destilaria com solúveis associado a inclusão de fontes de proteína suplementar.

 

Fontes de proteína suplementar

 

Valor de P

Contrastes1

Itens2

CONTROLE

UREIA

FARELO DE SOJA

DDGS

EPM

Tratamento

CON vs FP

NNP vs PV

FS vs DDGS

DMS

70,44

69,89

70,74

71,30

1,330

0,76

0,85

0,34

0,68

DMO

71,75

70,99

71,66

72,23

1,312

0,82

0,91

0,41

0,67

DPB

64,59a

71,64b

71,31b

72,2b

1,360

0,01

0,01

0,92

0,52

DFDN

59.14ab

56.55b

61.14ab

64.26b

2.230

0.02

0.42

0.01

0.18

DEE

81.88

84.35

84.51

84.94

3.450

0.81

0.35

0.90

0.90

DCNF

75.73

74.33

73.92

73.41

1.380

0.40

0.12

0.58

0.72

NDT

77.98

78.04

78.66

79.92

1.562

0.58

0.49

0.36

0.43

1 CON vs FP – dieta controle versus as dietas com adição de proteína suplementar (UR, FS, DDGS tradicional); NNP vs PV- dieta com adição de ureia (fonte de nitrogênio não proteico) versus deitas com adição de FS e/ou DDGS (fontes de proteínas verdadeiras); FS vs DDGS- dieta com uso de farelo de soja versus dieta com uso de DDGS.

2Digestibilidade de matéria seca (DMS), digestibilidade de matéria orgânica (DMO), digestibilidade de proteína bruta (DPB), digestibilidade de fibra insolúvel em detergente neutro (DFDN); (DEE) digestibilidade de extrato etéreo (DEE); digestibilidade de carboidrato não fibroso (DCNF); nutrientes digestíveis totais (NDT, %). EPM = erro padrão da média..

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4.Discussões

A estratégia de usar DDGS em dietas de confinamento é devido possuir alta porcentagem de proteína bruta, sendo boa parte dessa proteína é classificada como proteína não degradada no rúmen (PNDR), e isso, é umas das diferenças entre o DDGS e os farelos proteicos comumente utilizados (farelo de soja). Nesta situação, foi utilizado outras fontes de proteína ricas em PDR, para possível correção.

[8] avaliaram-se cinco níveis de DDG (0%, 25%, 50%, 75% e 100%) em substituição ao farelo de soja na dieta de ovinos confinados: consumo e digestibilidade, e obtiveram como resultados que não houve diferença estatística para consumo e houve efeito quadrático para digestibilidade de proteína para nível 50%. A inclusão de DDG até o nível 100% não influenciou no consumo de nutrientes, porém a digestibilidade de proteína foi maior para o nível de 50% de inclusão de DDG.

Esses resultados de proteína corroboram com os encontrados por [9] que ao analisarem a suplementação de DDG na dieta de bovinos, observaram que conforme aumentavam os níveis de DDG, os níveis de proteína aumentavam. No trabalho atual, independente do uso de fonte de proteína suplementar, tem-se um aumento no consumo de proteína, que pode auxiliar em melhor padrão fermentativo ruminal, proporcionando um maior crescimento de microrganismos no rúmen.

[10] avaliou -se o efeito dos níveis de ureia na dieta de novilhos de origem leiteira em confinamento, utilizando quatro tratamentos (0,0; 0,65; 1,30; e 1,95%) de ureia na base da MS total, sobre características de consumo e digestibilidade, e obteve como resultado, que os consumos não foram alterados pelos níveis crescentes de ureia na dieta, o que difere com o estudo atual, onde o aumento do consumo da proteína era quando incluído fontes de proteína na dieta. Apesar do autor não obter resultados significativos de aumento de consumo de matéria seca e consumo de proteína bruta com a adição de ureia, a digestibilidade de matéria seca e da proteína bruta foi progressiva, devido a ureia ser totalmente digerível no rúmen.

Todavia, os resultados obtidos nesses trabalhos se assemelham dos resultados acima, onde a digestibilidade de proteína bruta foi maior com o uso de fontes de proteína suplementares comparados com o tratamento controle, que pode ser interpretada, pela elevação de proteína bruta na dieta, e aumento proporcional de PDR, que pode ter melhorado o caráter fermentativo ruminal.

[11] avaliou os efeitos da inclusão do grão seco de destilaria (DDG) na dieta de cordeiros em confinamento sobre o consumo e digestibilidade dos nutrientes com inclusão de 0, 15, 30, 45 e 60% de DDG, e observou uma diminuição linear no consumo de matéria seca e de matéria orgânica. Resultados divergentes do atual trabalho, onde o consumo não foi afetado pela inclusão de fontes de proteína, e podem estar associados ao tipo de DDG utilizado. Existe variações na qualidade e composição dos grãos secos de destilaria, o que pode obter efeitos diferentes no consumo e desempenho dos animais.

Já, a digestibilidade da matéria seca, matéria orgânica e proteína bruta diminuiu linearmente com inclusão do DDG na dieta [11], o que diferem dos resultados do presente trabalho, em que a digestibilidade de MS e MO, não foram influenciados pela inclusão de fontes de proteína. Já, a digestibilidade de proteína bruta, foi observado diferença comparando entre o tratamento controle com as fontes de proteína.

[12] avaliaram o efeito da inclusão de DDGS em substituição ao farelo de soja na dieta de cordeiros confinados, sendo: dieta com farelo de soja (controle); dieta com substituição de 50% do farelo de soja por DDGS; dieta com substituição de 100% do farelo de soja por DDGS; os resultados não demostraram efeito sobre consumo de nutrientes, eficiência alimentar e conversão alimentar.

A PNDR, tem maior eficiência energética em comparação a proteínas degradáveis no rúmen, por não sofrer perdas durante a fermentação ruminal [1]. Alta inclusão de DDGS pode haver um excesso de proteína metabolizável, podendo ser convertida em energia e apresentar maior eficiência energética. E para melhorar a fermentação ruminal, é importante haver um balanço de PNDR e PDR. Onde o teor ideal de PDR, melhora a eficiência de nitrogênio, fermentação do rúmen e digestibilidade dos nutrientes [13].

Dietas que incorporam fontes de proteína suplementar têm a tendência de aumentar o teor de fibra na dieta, especialmente quando utilizam fontes de proteína verdadeira. Essa elevação é ainda mais acentuada quando se faz uso de DDGS tradicional, o qual aumenta significativamente o teor de fibra detergente neutro na dieta.

Pois, na obtenção de DDGS de grão de milho nas destilarias, se tem a concentração de três nutrientes, sendo eles, proteína bruta, fibra insolúvel em detergente neutro e extrato etéreo, com detrimento do nível de amido [14], [1]. Dessa forma, a fibra insolúvel em detergente neutro da dieta pode ser mais elevada com a simples inclusão de DDGS tradicional, o que pode ser incitante para condições de dieta de confinamento com elevado teor de concentrado, pois este aporte de fibra, é visto de maneira positiva a prover melhor saúde ruminal, devido ao um perfil de fermentação microbiana menos incisivo na redução do pH ruminal [15].

Os resultados referentes ao consumo de fibra insolúvel em detergente neutro neste estudo diferem das observações de [9], os quais houve uma diminuição no consumo de fibra insolúvel em detergente neutro à medida que os níveis de DDGS aumentavam. Em contraste, [16] identificaram um efeito linear crescente na ingestão de extrato etéreo, fibra insolúvel em detergente neutro e fibra insolúvel em detergente ácido em cordeiros alimentados com quatro níveis (0, 20, 40 e 60%) de DDGS.

Por sua vez, [17], ao analisarem uma dieta com cinco níveis (0, 15, 30, 45 e 60%) de DDGS como substituto de uma combinação de milho seco laminado, farelo de girassol e ureia, identificaram um efeito quadrático no consumo de fibra insolúvel em detergente neutro e fibra insolúvel em detergente ácido, sendo o maior consumo observado no nível de 15% e o menor no nível de 60%. [18] relatou um aumento no consumo de fibra insolúvel em detergente neutro em dietas contendo DDGS (0,334 kg/dia) em comparação com aquelas contendo farelo de soja (0,297 kg/dia).

Enquanto a adição de DDGS tradicional mostrou uma tendência de diminuir o consumo de carboidratos não fibrosos na dieta, não afetando o consumo de nutrientes digestíveis totais, ocorreu uma alteração na forma como a energia estava disponível para o animal. Em outras palavras, houve uma diminuição no consumo de carboidratos não fibrosos e um aumento no consumo de proteína bruta e fibra insolúvel em detergente neutro. Em dietas baseadas em grãos de milho, a maioria dos carboidratos não fibrosos provém de amido, um nutriente que pode impulsionar a produção animal, mas também pode levar ao aumento de distúrbios metabólicos ruminais, como acidose [15]. Assim, a inclusão de DDGS tradicional na dieta manteve o consumo de energia, expresso em kg NDT/dia, provavelmente com uma redução no consumo de amido.

Na digestibilidade de fibra detergente neutro, observam-se diferenças notáveis em resposta ao uso de diferentes fontes de proteínas suplementares. As fontes de proteína verdadeira apresentaram valores superiores de digestibilidade de fibra detergente neutro em comparação com a fonte de nitrogênio não proteico. Essa observação pode ser explicada por duas situações distintas. Em primeiro lugar, quando há a inclusão de farelo de soja e/ou DDGS tradicional, as dietas demonstraram uma redução na inclusão de grão de milho em comparação com a dieta que incluía ureia.

Isso significa menos grão de milho e um teor reduzido de amido, o que pode influenciar positivamente no pH ruminal para a digestibilidade da fibra. Em segundo lugar, a adição de proteína verdadeira, especialmente o DDGS tradicional, aumenta o aporte e o consumo de fibra detergente neutro na dieta, criando um ambiente ruminal mais propício para a digestibilidade desse componente [1].

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5.Considerações finais

A inclusão de fontes de proteínas suplementares em dietas de confinamento com a utilização de grão de destilaria seco com solúveis de alta fibra melhora o consumo e a digestibilidade da proteína bruta.

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6.Declaração de direitos

 O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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7.Referências

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  • VALADARES FILHO, S.C.; SILVA, L.F.C.; GIONBELLI, M.P.; ROTTA, P.P.; MARCONDES, M.I.; CHIZZOTTI, M.L.; PRADOS, L.F. Nutrient requirements of zebu and crossbred cattle BR-CORTE, 3ed. UFV-Departamento de Zootecnia, Viçosa, 314, 2016.

  • NATIONAL RESEARCH COUNCIL - NRC. Nutrient requirements of small ruminants. 2007, 362p

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1

Instituto Federal de Rondônia, Colorado do Oeste, Brasil.

2

Instituto Federal de Rondônia, Colorado do Oeste, Brasil.

3

Instituto Federal de Rondônia, Colorado do Oeste, Brasil.

4

Instituto Federal de Rondônia, Colorado do Oeste, Brasil.

5

Vitamais Nutriçaõ Animal, Ji-Paraná, Brasil.

6

Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, Brasil.

 

 

 


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