ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc13741
Publicado em 03 de novembro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
CARACTERIZAÇÃO INICIAL DO PERFIL EDUCACIONAL NA REGIÃO DE ABRANGÊNCIA DO IFBA - CAMPUS UBAITABA
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Allan Sérgio Gonçalves Alves¹; Bruno Souza de Jesus2; Salim Braian Moreno 3
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1,2,3 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia - IFBA, Campus Ubaitaba, Ubaitaba, Brasil
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RESUMO
Este estudo objetivou a análise da educação nos municípios que estão nos arredores do IFBA - Campus Ubaitaba, Bahia. Investigamos os custos de transporte para estudantes que residem em municípios próximos ao campus, o número de matrículas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, e a estrutura voltada para a educação nestas etapas do ensino. Revelamos que o transporte exerce uma pressão significativa sobre a renda familiar, podendo contribuir para a evasão escolar. Além disso, observamos a diminuição do número de escolas públicas na região, especialmente aquelas que oferecem os anos finais do ensino fundamental, e uma preocupante diminuição no número de matrículas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio, indicando desafios educacionais significativos e uma tendência de acesso limitado à educação em áreas circunvizinhas.
Palavras-chave: Evasão escolar, Matrícula, Rede Federal, Abandono.
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1 INTRODUÇÃO
Com a implementação da Lei nº 11.892 em 2008, os institutos federais trouxeram a inovação da verticalização do ensino, oferecendo educação básica, técnica e superior em um único ambiente. Isso ampliou o acesso à educação em áreas afastadas dos centros urbanos. O Campus Ubaitaba, parte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), foi criado em 2015 para atender a uma região com cerca de 12 municípios e 270 mil habitantes. No entanto, muitos desses municípios não são atendidos devido a desafios de deslocamento e baixa renda. Embora o campus ofereça vários cursos, incluindo ensino superior, técnico e cursos de formação, os dados indicam uma baixa procura e uma taxa de conclusão geralmente baixa. Isso destaca desafios significativos na educação na região.
Os estudantes enfrentam uma série de desafios em diferentes etapas da educação básica, que vão desde a insegurança na socialização com colegas e adaptação a novos ambientes até fatores econômicos, sociais e familiares que podem levar à interrupção dos estudos. Problemas como distância entre a residência e a escola, a necessidade de ingressar no mercado de trabalho e questões relacionadas a drogas e álcool podem dificultar a permanência na escola. Além disso, a falta de apoio familiar, falta de preparo dos estudantes e dos educadores, resultando em reprovações e aprendizado deficiente, também são desafios significativos. [1, 2, 3]. Diante disso, e das dificuldades encontradas para determinarmos os principais indicadores de evasão [4], reconhecemos a importância de estudar as comunidades vizinhas ao IFBA - Campus Ubaitaba para entender as tendências educacionais locais e os fatores que contribuem direta e indiretamente para a evasão e abandono escolar, especialmente entre os estudantes que vivem nos municípios mais próximos.
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2 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
Inicialmente, selecionamos os municípios participantes, limitando a amostra àqueles onde os estudantes pudessem chegar a Ubaitaba em aproximadamente 45 minutos. Isso levou em consideração a necessidade de deslocamento dos estudantes das áreas periféricas e rurais. O raio de 20 quilômetros ou 40 quilômetros via rodovia foi usado para determinar a inclusão dos municípios na análise. Em seguida, realizamos a análise dos custos da utilização de transporte coletivo intermunicipal, de modo que o estudo retratasse a realidade de maneira mais factual e próxima das dificuldades encontradas pelos estudantes. Comparamos, então, o custo com a tarifa de transporte em 22 dias do mês, no trajeto de ida e volta, com o salário mínimo, a fim de obter o impacto do transporte na renda familiar do estudante. Sabemos, porém, que o transporte não é o único custo associado à permanência de estudantes de outros municípios na escola, contudo, este apresenta impacto significativo nas despesas mensais destes estudantes. Sendo assim, definimos que
C𝑀𝑇 = (𝑇𝐼 + 𝑇𝑉) * 22 | (1) |
onde CMT corresponde ao custo mensal com transporte, TI refere-se a tarifa da ida do município de residência do estudante até o Campus e TV relaciona-se com a tarifa da volta do Campus até o município de residência. Além disso, realizamos também a análise do percentual de comprometimento de renda, definida por
CRT = (CMT / SAL) * 100 | (2) |
onde CRT corresponde ao Comprometimento de Renda com Transporte e SAL refere-se ao salário mínimo vigente. A Tabela 1 apresenta os valores obtidos para o custo com transporte intermunicipal dos municípios da região.
Tabela 1 – Distância entre Ubaitaba e cada um dos municípios e o custo associado à utilização do transporte coletivo intermunicipal e o seu impacto na renda familiar dos estudantes. Para efeito de cálculo do CRT, foi considerado o salário mínimo de R$ 1.320,00.
Município | Valor da Tarifa (em R$) | CMT (R$) | CRT (%) | Raio (km) | Rodovia (km) |
Aurelino Leal | 2,00 | 88,00 | 6,7 | 0,5 | 2,8 |
Barra do Rocha | 16,64 | 732,16 | 55,5 | 32,3 | 40,7 |
Gongogi | 12,42 | 546,48 | 41,4 | 15,6 | 40,8 |
Ibirapitanga | 9,38 | 412,72 | 31,3 | 17,2 | 23,5 |
Itapitanga | 52,51 | 2.310,44 | 175,0 | 29,2 | 40,4 |
Ubatã | 12,24 | 538,56 | 40,8 | 24,0 | 30,3 |
Uruçuca | 17,28 | 760,32 | 57,6 | 31,7 | 37,4 |
Destaca-se que Itapitanga possui a tarifa de transporte mais alta, apesar de estar dentro dos parâmetros de distância da amostra. Municípios como Ibirapitanga, Gongogi e Ubatã têm tarifas próximas a R$ 500,00, resultando em um comprometimento de renda entre 30% e 45%. Barra do Rocha e Gongogi, embora estejam a distâncias equivalentes do campus, possuem tarifas de transporte consideravelmente diferentes.
Após analisarmos os custos de transporte, observamos uma tendência de diminuição nas matrículas no ensino médio, principalmente entre 2010 e 2014, com números mais estáveis desde então (Figura 1a). Nos anos finais do ensino fundamental, houve uma queda acentuada em municípios como Ubaitaba, Ibirapitanga, Itapitanga e Ubatã (Figura 1b). A região em geral viu uma diminuição na média de matrículas por município, passando de cerca de 1300 em 2010 para aproximadamente 1000 nos anos recentes. Importante notar que as matrículas no ensino médio representam cerca de 55% das matrículas nos anos finais do ensino fundamental. Essa discrepância sugere que muitos estudantes que concluem o ensino fundamental não continuam para o ensino médio.
Figura 1 - Variação das matrículas nos diversos municípios estudados entre 2010 e 2022. (a) À esquerda, número de matrículas por município nos anos finais do ensino fundamental. (b) À direita, número de matrículas por município no ensino médio.
Em toda a região, observamos a diminuição do número de escolas da rede pública, principalmente aquelas que oferecem os anos finais do ensino fundamental, como podemos observar na Figura 2a. No que diz respeito às instalações, vimos o aumento de escolas com acesso à Internet, a manutenção daquelas que possuíam quadra de esporte e biblioteca, e a drástica diminuição dos espaços direcionados a laboratórios de informática (Figura 2b).
.Figura 3 - Variação da quantidade de escolas direcionadas aos anos finais do ensino fundamental e ao ensino médio entre 2010 e 2022. (a) À esquerda, número de escolas por rede de ensino. (b) À direita, quantidade escolas com bibliotecas, laboratórios de informática, quadras de esporte e acesso à Internet.
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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo teve como foco a análise inicial do perfil educacional dos municípios circunvizinhos ao IFBA – Campus Ubaitaba, com o intuito de levantar indicadores para pesquisas futuras sobre a evasão e o abandono escolar na região. Observamos uma tendência de diminuição nas matrículas no ensino médio e nos anos finais do ensino fundamental, sendo mais pronunciada nesta última etapa. Além disso, os dados observados sugerem que o número de estudantes matriculados no ensino médio não condiz com o esperado, algo que pode apontar a não continuidade dos estudantes egressos dos anos finais do ensino fundamental.
O custo do transporte escolar também foi estudado, apresentando uma pressão sobre a renda familiar, o que poderia contribuir para a evasão dos estudantes. Os resultados indicaram a necessidade de uma análise mais aprofundada, e futuros estudos estão sendo planejados para entender os processos de evasão, continuidade e abandono escolar, bem como o incentivo para que os estudantes continuem na escola. Além disso, outros trabalhos irão explorar o impacto da assistência estudantil na vida dos estudantes que residem em municípios distantes do campus e como essa assistência pode ser mais eficaz na redução da evasão e no estímulo à presença dos estudantes.
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Oliveira, Francisco Lidoval de; Nóbrega, Luciano. Evasão escolar: um problema que se perpetua na educação brasileira. Revista Educação Pública, ISSN 1984-6290, v. 21, n. 19, 25 de maio de 2021.
Ribeiro, A. Do Fundamental para o Ensino Médio: uma transição sem tumulto. Nova Escola Gestão, 2012.
Silva Filho, Raimundo B.; Araújo, Ronaldo M. Evasão e abandono escolar na educação básica no Brasil: fatores, causas e possíveis consequências. Educação por Escrito, ISSN 2179-8435, v. 8, n. 1, p. 35-48, 29 de junho de 2017.
Silva, Denise B. M.; Castioni, Remi; Martínez, Rogfel T. Evasão Escolar e os Indicadores da Rede Federal de Educação Profissional no Brasil entre 2003 e 2015. Vértices, v. 23, n. 2, p. 437-460, 2021.

