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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc84694

Publicado em 16 de outubro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

MODULAÇÃO SOCIAL E OS DESDOBRAMENTOS PSICOPATOLÓGICOS QUE ATRAVESSAM OS NATIVOS DIGITAIS INSERIDOS NO CIBERESPAÇO DA INTERNET, NUMA PERSPECTIVA FENOMENOLÓGICA EXISTENCIAL

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Anisio Miranda dos Santos¹; Matheus Garcia Coelho²; Renato Marcelo Resgala Junior3

1,2,3Uniredentor/Afya, Itaperuna/RJ, Brasil ​​ 

[email protected]

 

 

 

RESUMO

Considerando os sofrimentos psicopatológicos que atravessam a humanidade, o artigo proposto tem por objetivo lançar luz sobre um público que emergiu na década de 80, os chamados nativos digitais. Aqui serão abordadas as principais psicopatológicas diagnosticadas neste público em função do uso excessivo das redes sociais digitais, público esse, que de forma consciente ou não, são influenciados por esse meio de comunicação, onde a liberdade de se posicionar é tolhida e suas publicações estão postas mais no sentido de agradar o outro do que expressar sua própria opinião, uma verdadeira bolha dos iguais, induzindo-os a uma modulação social, e, gerando assim inúmeros conflitos e angústias existenciais que inclusive pode levá-los a tirar a própria vida. A metodologia a ser aplicada, basear-se-á numa pesquisa qualitativa e de revisão bibliográfica, abordando autores da escola fenomenológica existencial e outros da mesma corrente filosófica. A conclusão se dará de forma crítica e empática, chamando o leitor à reflexão sobre as questões psicológicas e subjetivas causadoras do sofrimento psíquico no ambiente virtual.

Palavras-chave: Existencialismo, Fenomenologia, Modulação social, Sofrimento Psicopatologico.

 

ABSTRACT

Considering the psychopathological sufferings that affect humanity, this article aims to shed light on an audience that emerged in the 1980s, the so-called digital natives. Here, the main psychopathologies diagnosed in this public will be addressed due to the excessive use of digital social networks, this public, which, consciously or not, are influenced by this means of communication, where freedom of choice is hampered and their publications are placed more in the sense of pleasing the other than expressing their own opinion, a true bubble of equals, inducing them to a social modulation, and thus generating countless conflicts and existential anguish that can even lead them to take their own lives. The methodology to be applied will be based on a qualitative research and a bibliographic review, approaching authors from the existential phenomenological school and others from the same philosophical current. The conclusion will be given in a critical and empathetic way, calling the reader to reflect on the psychological and subjective issues that cause psychic suffering in the virtual environment.

Keywords: Existentialism, Phenomenology, Social modulation, Psychopathological Suffering.

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1 INTRODUÇÃO

Segundo o Comitê Gestor da Internet do Brasil (CGI.Br)6, numa pesquisa realizada em 2014, das 34,1 milhões de pessoas entre 10 e 19 anos de idade, 81% acessam a internet todos os dias. Num paralelo entre o uso racional ou não da internet, nomes como nomofobia, síndrome do toque fantasma, náusea digital, transtorno de dependência da internet, depressão de facebook, vício em jogos online, hipocondria digital e efeito google se tornaram comuns em nosso meio. Esses são alguns dos transtornos que o uso excessivo da internet pode gerar nas pessoas, às vezes de forma consciente ou inconsciente.

Sobre estes transtornos por vezes considerados normais pelos nativos digitais, os psicólogos Pierre Weil21, Jean-Yves Leloup21 e Roberto Crema21, vão denominar essas psicopatologias de normose, a doença da normalidade, que abordaremos no decorrer da discussão.

A respeito dos nativos digitais, Marc Prensky16 vai definir como aqueles nascidos a partir da década de 80, que cresceram inseridos nas Tecnologias da Informação (TICs), de modo especial as digitais. E ciberespaço Lévy22, vai descrever como sendo um espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial de computadores, síntese das relações homem-máquina e homem-homem.

A partir da abordagem fenomenológica existencial, sustentada pelo conceito de liberdade, a pesquisa literária desenvolver-se-á no tocante às angústias e às psicopatologias que atravessam o sujeito, que de forma consciente ou não, sentem a necessidade de se afirmar para o outro, onde numa visão simplista e fortemente sustentada pelo senso comum contemporâneo torna-os parte de um enquadramento ou modulação social, alicerçados por uma bolha de atitudes e pensamentos direcionados e automáticos, bolha essa, definida também por Lévy22 como um ambiente baseado em afinidades de interesses, trocas ou cooperações entre aqueles que pensam iguais.

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2METODOLOGIA

A pesquisa a ser realizada dar-se-á de forma exploratória e qualitativa, baseada em revisão bibliográfica, tendo como fontes de consultas, a plataforma SciELO, o Google Acadêmico e os periódicos da Capes (que disponibiliza artigos de revistas científicas brasileiras e internacionais), onde as palavras-chave que nortearão a busca, serão: Existencialismo, Fenomenologia, Modulação Social e Sofrimento Psicopatológico. As bases teóricas serão fundamentadas por autores da escola fenomenológica existencial, Heidegger, Jean-Paul Sartre, Ludwig Binswagner, Rollo May, Victor Frankl e outros teóricos que convergem com esse pensamento filosófico e científico, dentro de uma proposta reflexiva sobre as angústias e sofrimentos psicopatológicos que atravessam o sujeito por ocasião do tema proposto.

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2.1JUSTIFICATIVA

Entende-se que a pesquisa se justifica pelos crescentes casos de sofrimento psicopatológico que tem atravessado a geração que nasceu conectada com a internet e criaram suas relações baseadas nas redes sociais digitais, onde o mundo virtual confunde-se com o mundo físico. Segundo pesquisa realizada Universidade de São Paulo (UNIFESP)35 no ano de 2019, o número de casos de suicídio entre adolescentes no Brasil entre os anos de 2000 a 2016 aumentou 24% e esse mesmo estudo confirma a relação do uso excessivo da tecnologia com a depressão e a ideação suicida.

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2.2 PROBLEMA

De que forma o uso excessivo da internet e das redes sociais podem desencadear transtornos psicopatológicos nos nativos digitais?

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2.3 HIPÓTESE

Acredita-se que a obsessão por permanecer conectado o tempo todo à internet, às redes sociais, o desejo de se afirmarem para o outro, a satisfação em receber likes e curtidas de seus seguidores, geram gravíssimas consequências aos nativos digitais, como alienação, perda de autenticidade, embotamento social e transtornos psicopatológicos.

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2.4OBJETIVOS

2.4.1  GERAL

Correlacionar o uso excessivo das redes sociais digitais como causadora de modulação social e sofrimento psicopatológico nos nativos digitais.

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2.4.2ESPECÍFICOS

Descrever os processos de desenvolvimento da internet e a relação de interdependência homem-máquina;

Relatar como se o processo de modulação social na internet e suas consequências psicopatológicas; e

Citar as psicopatologias provocadas pelo uso excessivo da internet e das redes sociais digitais.

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3DISCUSSÃO

3.1 A evolução da internet e a relação que se estabelece entre homem e máquina

Definitivamente a forma como surge a internet, humanamente falando, não é digna de aplausos, uma vez que o gatilho para o seu surgimento se deu nas artimanhas de uma guerra. De acordo com Giles15, numa estratégia cunhada pelo exército norte-americano no contexto da guerra fria, na década de 60, com o objetivo de descentralizar, proteger e dinamizar as informações, os militares propuseram conectar esse centro informacional a diversos pontos de redes computacionais pelo país, dificultando assim o rastreio e a destruição dessa inteligência num possível ataque nuclear dos inimigos.

Nesse contexto, surge em 1958, a primeira rede de computadores denominada Advanced Research Projects Agency Network (ARPANET), que segundo Castells5, foi capitaneada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e mobilizou recursos de pesquisa envolvendo alguns centros universitários de computação pelo país.

A internet se divide em quatro principais períodos históricos: década de 80, grandes computadores conectados por cabos ou redes telefônicas utilizadas especificamente para troca de informações; Na década de 90, com as conexões discadas, ela chega ao público em geral, mas timidamente restringindo-se a textos de hiperlinks; na terceira fase, no final da década de 90, surge a conexão de banda larga, possibilitando a interação de imagens, jogos, figuras, músicas e o surgimento das plataformas de interações como as redes sociais e as salas de bate- papo; no quarto e atual período temos a internet definitivamente vinculada ao processo de existência do ser humano, onde os smartphones são parte do nosso corpo e das nossas relações sociais, onde o mundo virtual se entrelaça com o mundo real. Nesse sentido, Deleuze9, Lévy22 e Bergson1 utilizam a ideia de virtual como potência que existe sem estar presente, ou melhor, que existe sem ter presença física, mas definitivamente não físico, mas real.

Assim, é neste ciberespaço complexo e dinâmico que a sociedade foi e é atravessada nestas últimas décadas. Lévy22 define o ciberespaço como "espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial dos computadores e das memórias dos computadores" (p. 92).

Diante disso, percebe-se que as implicações que cercam essa tecnologia, fazem com que a rede mundial de computadores gere desdobramentos sem precedentes na história contemporânea da humanidade em todas as áreas, onde a cibercultura em que estes usuários transitam, transforma-os e os levam a tomar decisões alicerçadas por esse ambiente. Para Lévy22, cibercultura (a cultura da internet) é: “um conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (p.17).

Dessa inter-relação homem máquina, o primeiro viu-se na necessidade de mergulhar-se nesse mundo virtual em busca de um angustiante desejo de existir-se para o mundo e para o outro biopsicossocialmente, uma vez que abdicar-se deste novo construto tecnológico contemporâneo pode levar o sujeito a viver à margem da sociedade. Como há mais de duas décadas vem argumentando Lévy22, o computador conectado à internet - o grande instrumento da telemática - é muito mais do que uma simples ferramenta de comunicação. A atividade humana exercida por meio do computador conectado à internet o transforma numa complexa máquina de atravessamento e reconfiguração das “modalidades de percepção, de atenção, de sensação, de visão e de pensamento” 20, p. 177.

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3.2 Modulação social e os nativos digitais

Atravessados pelo quarto período histórico da internet, os nativos digitais têm a sua disposição uma ferramenta tecnológica capaz de transmitir informações e se conectarem mundo afora em milésimos de segundos, que são as redes sociais digitais. Em meio a este processo de globalização tecnológica digital, onde os usuários recebem e fornecem informações de suas áreas de interesse, suas rotinas diárias, seus sentimentos e suas frustrações, expondo-se por vezes demasiadamente, torna-se relativamente fácil atrair para si seguidores da mesma área de interesse, e é justamente pela quantidade de seguidores que esses indivíduos se consideram satisfeitos ou não. Entretanto, para que isso se concretize, seu ambiente virtual precisa satisfazer as demandas ideológicas e comportamentais destes seguidores para não perdê-los, ser criticados ou cancelados por eles, surgindo assim uma bolha virtual que praticamente não dá espaço para que pensem ou ajam diferentes nesse ambiente dos iguais e, assim, neste ciberespaço, se constitui a modulação social. E, uma das características da modulação é a possibilidade de criar um espaço para o individual, dar a sensação de liberdade para o indivíduo enquanto o mantém em um ambiente restrito19.

Na perspectiva fenomenológica de Heidegger18, em se tratando do ser no mundo, posicionar-se diante do que acredita, como ente único, mutável, cercado de possibilidades e reflexo de suas decisões, ele propõe, em sua obra, uma análise existencial por meio de sua ontologia fundamental. Para ele, ser é o conceito mais universal, já que está constantemente presente em nossa lida cotidiana com o mundo, mas é simultaneamente o mais obscuro, exigindo, portanto, discussão e reflexão, já que a compreensão de ser dada pela metafísica ao longo da história sedimentou-se. O obscurecimento sobre a questão do ser se constituiu com o modo como a questão foi

colocada pela ontologia tradicional: ao se perguntar o que é o ser, lançamos mão de uma compreensão prévia de ser no próprio interrogar. Na tradição filosófica ocidental, o ser é concebido como simplesmente dado: visto que o ser se manifesta no ente, vem sendo compreendido como um ente entre outros entes. Ao identificar o ser, o modo de interrogar da tradição pressupõe nele um caráter de imutabilidade e de essência fixa passível de ser encontrada ultrapassando-se a aparência. Tais pressuposições atribuem-lhe uma substancialidade que restringe seu caráter acontecimental.

Desse modo, corroborando com a perspectiva filosófica de Heidegger, o ser como sujeito lançado no mundo, ao escolher uma autenticidade que não é sua, ou seja, ser inautêntico, seguir influências e tendências guiadas pela moda do momento e pelo senso comum, o pensamento crítico e a essência do sujeito pode ficar em segundo plano e um vazio existencial passa a ganhar força para se estabelecer, levando-o a questionar o sentido da vida. Logo, “o sentimento de ausência do sentido da vida, designado como frustração da vontade de sentido, não é necessariamente patológico, mas pode ser potencialmente patógeno” 12, p. 145.

Antes de trazermos exemplos concretos que podem ou poderiam causar sofrimento psicopatológico por questões angustiante em função desta modulação social, entende-se ser importante apresentar aqui uma conceituação que caminha junto à fenomenologia existencial, que é o Dasein, na literalidade da palavra, ser-aí, ou seja, o modo do ser humano de estar no mundo e como ele se posiciona diante desta presença unicamente sua como sujeito lançado no mundo e consequentemente o que esse sujeito faz de sua existência. Cunhado por Heidegger, o termo Dasein sempre compreende o ser em geral e o seu próprio ser de alguma maneira. “O ente que temos a tarefa de analisar somos nós mesmos. O ser deste ente é sempre e cada vez meu” 18, p. 85.

Seguindo na linha do Dasein, na perspectiva fenomenológica de Heidegger, é justamente no momento em que o sujeito confronta-se com a necessidade de tomar suas decisões que são exclusivamente sua, e ao não saber lidar com essas questões por motivos diversos, o ser humano entra em conflito com sua essência e acaba por adoecer. “Ser é o que neste ente está sempre em jogo” 18, p. 85. Estando sempre em jogo, sempre em questão, na própria existência, a essência do ser humano está em “ter de ser”. Ou seja, conforme Heidegger18, a essência do ser humano está na sua existência.

Para clarificar o conceito exposto acima, acredita-se ser relevante trazer aqui alguns casos de indivíduos que se viram de alguma forma atravessados por uma angústia existencial em função dos questionamentos de seus seguidores das redes sociais, deixando-os num dilema entre modular-se socialmente a eles ou afastarem-se das redes: a cantora Anitta abarca em sua plataforma Instagram 63,2 milhões de seguidores e seus posicionamentos geram tendências, comentários e discussões que por vezes a torna refém de sua própria bolha virtual. No caso envolvendo o assassinato da vereadora Marielle Franco no Rio de Janeiro, após ser cobrada por seus seguidores a se posicionar, a cantora se manifestou em sua rede social: “muita paciência para aturar o ódio gratuito dos internautas” e continua “se ela não fosse feminista como eu, também teria meus sentimentos. De esquerda, direita, hétero, gay, pecador, religioso, o que for... Ninguém merece morrer”. (ESTADÃO, 2018) 10.

No exemplo supracitado, a questão em tela vai de encontro ao que defende Heidegger17 em se tratando de autonomia. Segundo o autor, “o ser não somente não pode ser definido, como também nunca se deixa determinar em seu sentido por outra coisa nem como outra coisa. O ser só pode ser determinado a partir do seu sentido como ele mesmo”. Ou seja, o ser é autônomo, independente e indefinível.

Nessa mesma perspectiva do “não pensar fora da caixa” e, ao mesmo tempo o sentir a necessidade de serem vistos e seguidos pelos outros nas redes sociais, tornam os nativos digitais, por vezes, meros replicadores de ideias, sejam compartilhando fotos, vídeos, comentários em busca de likes e consequentemente tornando-os escravos das redes sociais e, tolhendo sua liberdade de escolher, uma vez que buscam agradar a quem os segue.

Desse modo, com o passar do tempo, os nativos digitais começam a sentir-se incomodados pela mesmice de uma bolha virtual que eles mesmos ajudaram a criar e desconectar-se dela não é uma opção, uma vez que para este público afastar-se das mídias sociais está fora de questão, ou a fazem de forma muito penosa, uma vez que eles sentem fortemente a necessidade de serem “clicados”. Logo, essa insistência em atender a sua rede acaba por conflitar com seu direito de livre escolha, o que pode gerar sofrimento, pois a necessidade de ser autêntico e estar livre são inerentes ao ser humano. "De fato, diz o existencialista, somos uma liberdade que escolhe, mas não escolhemos ser livres: estamos condenados à liberdade, arremessados na liberdade" 27, p. 565.

Desse estar condenado à liberdade de que fala Sartre, possibilidades se abrem para que o sujeito de fato tome suas decisões. Exemplificando, o ator Tom Holland, de 27 anos, estrela do filme “Homem Aranha: sem volta pra casa”, publicou em suas redes sociais o seguinte comentário: “Dei uma pausa nas redes sociais para cuidar da minha saúde mental, porque acho o Instagram e o Twitter super estimulantes e esmagadores. Eu sou pego e fico em espiral quando leio coisas sobre mim online. E, em última análise, é muito prejudicial para o meu estado mental 34.

Outro personagem que também preferiu abandonar as redes sociais em 2016 e retornou agora em 2022 por entender que estava sendo cooptada e inautêntica, foi a atriz Daisy Ridley do filme “Star Wars”, que fez o seguinte relado:

​​ “as pessoas precisam estar mais conectadas e acho que as pessoas pensam que estão mais conectadas em seus telefones, mas eu não acredito nisso” e prossegue “sai, por me sentir pressionada para postar conteúdos em minhas páginas” 34.

A influenciadora digital Gkay, com mais de 20 milhões de seguidores, sentiu-se psicologicamente abalada ao ter sua aparência criticada nas redes e postou a seguinte mensagem:

“Cansada a ponto de não sentir mais nada. Na verdade, antes eu me achava bem bonita, mas depois de ler tanto que eu era feia, horrorosa e etc, hoje eu me acho um monstro” 26.

Posto isso, percebe-se que as redes sociais digitais, mesmo sendo necessária nos dias atuais para a promoção pessoal e profissional, notadamente, também podem ser capazes de causar inúmeros sofrimentos psicopatológicos aos usuários.

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3.3 Psicopatologias que atravessam os nativos digitais nesse processo de afirmar-se para o outro

Ao se falar de psicopatologias na perspectiva fenomenológica, acredita-se ser importante trazer aqui alguns pontos da obra de Ludwig Binswagner, que traz uma nova forma e um novo olhar para se compreender as psicopatologias contemporâneas. Binswanger é considerado por muitos o "pai da psicopatologia fenomenológica"36.

Para Binswanger4, o homem não pode se realizar em sua existência quando há desproporções entre as dimensões espaciais de seu Dasein. De modo que o sujeito precisa necessariamente se orientar para vivenciar a plenitude de sua existência, o que raramente ocorre com os nativos digitais que buscam sua satisfação através das redes sociais e da aceitação e avaliação de sua bolha virtual.

 Em se tratando de psicopatologias, de forma bastante enfática, e, entendendo o sujeito como um ser atravessado pelas questões que experimenta em sua existência, Binswanger3 recusava a cisão entre o elemento psíquico e o corporal, pois considerava o ser humano como uma existência em sua história de vida. O psicótico, por exemplo, deve ser compreendido na manifestação de sua experiência vivida. Partindo desta ideia, a oposição entre fatores internos e externos como origem das psicopatologias perde o sentido, pois a importância de enfatizar as características singulares do paciente é ressaltada ao ser proposta uma compreensão dinâmica e viva deste homem. Reconhecemos aí um presságio da inserção da antropologia no campo psicopatológico, ou seja, um ser indissociável.

Posto isso, para discorrermos sobre as psicopatologias que atravessam os nativos digitais, precisa-se definir a palavra liberdade, pois é nesta perspectiva de ser livre que vão emergindo as angústias existenciais, fenomenológicas e as psicopatologias.

No senso comum, o termo liberdade quer dizer ausência de obstáculos ou fronteiras que impeçam algo, pensamento ou movimento. Na definição do Dicionário da Língua Portuguesa: Liberdade é “Autonomia para expressar-se conforme sua vontade”.

Para o existencialismo, mais especificamente para Sartre, a liberdade é inegociável, se abdicar dela não faz sentido, culpar os outros por suas escolhas menos ainda. “A liberdade humana precede a essência do homem e torna-a possível: a essência do ser humano acha-se em suspenso na liberdade, logo aquilo que chamamos de liberdade não pode se diferenciar do ser da realidade humana” 31, p. 68. E ainda: “O homem nada mais é do que aquilo que faz de si mesmo” 28, p. 06.

Neste conflito existencial e subjetivo entre seguir uma modulação social e a liberdade de escolha inerente ao sujeito, quando chegam a níveis que transcendem o controle biopsicossocial, deparamo-nos com dados estatísticos sem precedentes. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV/2019)11, para 41% dos jovens brasileiros, as redes sociais causam sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão. Para Sartre, estas questões emergem quando o sujeito se dá conta que suas escolhas individuais estão baseadas em atender o desejo do outro e a preocupação com o que os outros vão achar de suas decisões, influenciando sua liberdade de escolha:

Vou emergindo sozinho, e, na angústia frente ao projeto único e inicial que constitui meu ser, todas as barreias, todos os parapeitos desabam, nadificados pela consciência da minha liberdade: não tenho nem posso ter qualquer valor a recorrer contra o fato de que sou eu quem mantém os valores no ser; nada pode me proteger de mim mesmo; separado do mundo e da minha essência por esse nada que sou, tenho de realizar o sentido do mundo e de minha essência: eu decido sozinho, injustificável e sem desculpas.” 33, p. 74.

Para o existencialismo, a angústia está relacionada diretamente às escolhas a qual o sujeito faz, não somente, para sim, mas também para a humanidade. Essa angústia existencial é inerente ao indivíduo, justamente pela responsabilidade que envolve o ato de fazer escolhas.

O sentimento de angústia evidencia a realidade de um ser inacabado, definitivamente o autor de sua vida, e sabidamente incapaz de construí-la com perfeição. O indivíduo possui liberdade de escolha para fazer opções em sua vida e, em contrapartida, esta consciência de liberdade suscita no sujeito o aterrorizante sentimento de angústia29.

Assim, obrigado a tomar decisões das mais variadas formas: o indivíduo pode acomodar-se a uma determinada situação, aceitá-la ou mesmo combatê-la. Mas, sobretudo, de afirmar-se nesta tarefa e assumir a responsabilidade por suas opções, sejam essas quais forem, mesmo que esta atitude lhe gere muitas vezes inquietação, agonia e angústia29.

Sartre29 usa o termo angústia para descrever o reconhecimento da total liberdade de escolha que confronta o indivíduo e o desafia a cada momento de sua existência. O indivíduo tem receio que, através de sua liberdade de escolha, venha a tomar uma decisão “equivocada”, que afete irremediavelmente o curso de sua existência. E continua afirmando que a angústia é apenas angústia e sua relação com a liberdade, mera constatação da fragilidade humana.

Outro sentimento que pode afetar os nativos digitais é a solidão, que por vezes ocorre quando seu ciclo virtual, as curtidas, os likes e os comentários começam a diminuir, seja pela monotonia da bolha ou por cancelamentos por discordâncias de pensamento ou atitudes, e, esta solidão o atravessa fortemente, uma vez que suas relações majoritariamente baseiam-se no virtual.

Partindo de sua origem etimológica, o termo solidão deriva da palavra latina "solus", que, segundo Cunha7, significa estar só, solitário, desacompanhado e único. 

Fenomenologicamente, solidão aponta diretamente para o problema de liberdade. Martin Heidegger18, por meio de sua descrição da essência do ser-aí humano como determinada pela noção de cuidado, aponta em sua obra capital Ser e Tempo para o fato de a solidão ser a condição primordial de cada um de nós.

Desse modo, entre o ser e o não-ser, o próximo e o distante, o certo e o errado, emerge um vácuo, que, ao mesmo tempo que protege, sufoca. E, voltando ao Dasein, o indivíduo lançado no mundo, experienciando o momento, vê-se frente a essa dicotomia e na tentativa de equilibrar-se e manter-se de pé, é sugado para o nada.  ​​​​ 

​​ Outra psicopatologia muito comum nos nativos digitais é a ansiedade, que na perspectiva existencial, entende-se como um estado de contrariedade ou insatisfação relacionada a conflitos da existência do ser. E é justamente nessa crise existencial que os nativos digitais envolvidos num ciberespaço alienado se encontram e não conseguem se afirmarem como sujeitos em si mesmos.

May24 esclarece que a ansiedade constitui uma ameaça ao sistema de valores que embasa cada existência individual e se tal valor é destruído, ele sente que sua existência pessoal poderia ser igualmente aniquilada.

Acompanhada da suposta falta de liberdade, o sujeito começa a questionar o sentido da vida, o porquê da sua existência, se suas decisões são baseadas de fora para dentro e não de dentro para fora. E esses questionamentos vêm carregados de tristeza, apatia e desesperança. Segundo Frankl14, o vazio existencial pode ser um dos sintomas da depressão endógena, considerando que, nessa condição, o paciente não consegue encontrar uma resposta plausível para a questão do sentido de sua vida; por esse mesmo motivo, os pacientes depressivos se sentem em débito com seu dever13.

À medida que a tecnologia vai se desenvolvendo, a velocidade das informações vai ganhando ritmo assustadoramente veloz, os sujeitos, abarcados por esse processo inconsciente de seguir a proposta contemporânea das redes sociais, acabam por desenvolverem, também, inconscientemente, outras psicopatologias sutis que podem causar sofrimento. Nesse processo de adoecimento mental não percebido, os psicólogos Pierre Weil, Jean-Yves Leloup e Roberto Crema escreverem o livro “Normose: A Patologia da normalidade” no ano de 2003, onde colocam de forma categórica que é difícil para o paciente perceber até que ponto seu comportamento está dentro da normalidade. Assim definem Normose:

“O termo Normose, pode ser considerado como o conjunto de normas, conceitos, valores, estereótipos, hábitos de pensar ou de agir aprovados por um consenso ou pela maioria de pessoas de uma determinada sociedade, que levam a sofrimentos, doenças e mortes. Em outras palavras: que são patogênicas ou letais, executadas sem que os seus autores e atores tenham consciência da natureza patológica” 18, p.22.

Lançando luz sobre essas normoses contemporâneas, o psiquiatra norte-americano Ivan Goldberg, cunhou em 1995 o termo dependência digital, que influencia negativamente a vida dos nativos digitais e dessa dependência, Dashevsky8, destaca oito doenças sensíveis ligadas ao uso das tecnologias digitais:

* Síndrome do toque fantasma: onde o cérebro faz com que o indivíduo pense que seu celular está vibrando no seu bolso ou bolsa;

* Nomophobia: que é o aumento definido da ansiedade que determinadas pessoas sentem quando são afastadas de seus celulares;

* Náuseas Digital (Cybersickness): é a desorientação e vertigem que algumas pessoas sentem quando interagem com determinados ambientes digitais;

* Depressão de Facebook: causada por influências mútuas sociais ou a falta do Facebook;

* Transtorno de Dependência da Internet: é a ambição constante e não benéfica de acessar a Internet;

* Vício de jogos online: é uma necessidade não saudável de acessar jogos multiplayer online;

* Cibercondria ou hipocondria digital: é a tendência de acreditar que tem doenças sobre as quais leu online; e

* Efeito Google: é a tendência do cérebro humano de reter menos informação porque ele sabe que as respostas estão ao alcance de alguns cliques.

Assim, cercado pela tecnologia digital a todo o momento e se tornando escravo das mídias sociais, e sendo influenciado por ela, acredita-se que os nativos digitais estejam sendo atravessados constantemente por questões inerentes à essência de sua existência, a liberdade. Para Sartre, o homem é livre e sua liberdade é inegociável, pois está cotidianamente a fazer escolhas das ações que pretende ou não tomar. A liberdade é uma condição da existência humana e o homem a utiliza para escolher o que deseja ser, constituindo assim seus valores:

Com efeito, sou um existente que aprende sua liberdade através de seus atos; mas sou também um existente cuja existência individual e única temporaliza-se como liberdade [...] Assim, minha liberdade está perpetuamente em questão em meu ser; não se trata de uma qualidade sobreposta ou uma propriedade de minha natureza; é bem precisamente a textura de meu ser30, p. 542-543.

 

Assim, estamos lançados no mundo, em constante construção e amadurecimento para as tomadas de decisões que nos satisfaçam da melhor forma possível, de acordo com nossos princípios e valores.

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4 CONCLUSÃO

O homem está condenado a ser livre, como diz Sartre. Logo, quando essa liberdade se esbarra no desejo de moldar-se ao senso comum, o homem, ao se dar conta desse fenômeno existencial, acaba por adoecer.

Entretanto, por óbvio que as plataformas digitais e os avanços tecnológicos não retroagirão, pelo contrário, tendem a evoluir cada vez mais e, cabe ao homem, através da sua liberdade, escolher as melhores decisões a serem tomadas para sua existência, e, sabidamente, arcar com as consequências delas.

O que se pode aferir aqui é que a modulação social que atravessa os nativos digitais coloca-os desapercebidamente ou não, vulneráveis diante de uma evolução tecnológica sem precedentes, mas, num olhar existencial, isso não justifica transferir responsabilidades por possíveis danos causados ou culpar outrem, pois as escolhas são individuais.

Não nos cabe aqui indicar direcionamentos ou fazer juízo de valores, esse não é o propósito do artigo, porém, entende-se também que apesar do sujeito ser livre para fazer suas escolhas, é importante ressaltar que a sociedade civil organizada precisa estar atenta às questões tecnológicas que envolvem a saúde mental dos nativos digitais, haja vista a quantidade de psicopatologias que estão surgindo em função dessa modalidade de interação social e o que é mais grave, o número de suicídios nessa população em decorrência desta falta de sentido da vida está crescendo vertiginosamente.

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5REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] BERGSON, H. (1957). Écrits et paroles. Paris, France: PUF.

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[3] BINSWANGER, L. (1971). Fonction Vitale et histoire intérieure de la vie. In L. Binswanger, Introduction à l’analyse existentielle (pp. 49-77). Paris: Les Éditions de Minuit (Original publicado em 1924).

[4] BINSWANGER, L. (1998). Le problème de l’espace en psychopathologie. Toulouse: Presses Universitaires du Mirail (Original publicado em 1932).

[5] CASTELLS, Manuel. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003

 

[6]  COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL: CGI.Br. TIC Kids online Brasil. 2014: pesquisa sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil. São Paulo: CGI.Br; 2015. Disponível em: <http://www.cgi.br/media/docs/publicacoes/2/TIC_Kids_2014_livro_eletronicopdf>. Acesso em: 04 Mar. 2023

[7]  CUNHA, A. (2001) Dicionário etimológico da língua portuguesa. São Paulo: Nova Fronteira.

[8]  DASCHEVSKY,Evan. Oito novas doenças provocadas pelo uso da Internet. Você tem alguma? ITmídia.com. 2013. Disponível em: ​​ <https://itmidia.com/oito-novas-doencas-mentais-que-atingem-voce-por-causa-da-internet/> . Acesso em: 11 mai. 2023.

[9]  DELEUZE, G. (1996). O atual e o virtual. In E. Alliez, Filosofia virtual (E. B. S. Rocha, trad., pp. 47-58). São Paulo, SP: Editora 34. Pesquisa do IPEA sobre violência doméstica: (2015). Disponível  ​​ ​​ ​​​​ em:<http://www.ipea.gov.br/portal/index.phpoption=com_content&view=article&id=24610>. Acesso em: 10 mar. 2023

[10]  ESTADAO, 2018. Anitta critica 'ódio gratuito' de fãs por não opinar sobre caso de vereadora assassinada - Emais - Estadão (estadao.com.br). Disponível em: <https://www.estadao.com.br/emais/gente/anitta-critica-odio-

gratuito-em-caso-de-vereadora-assassinada/>Acesso em: 07 mai. 2023

 

[11]  FGV, 2019. Redes sociais geram ansiedade e depressão em jovens brasileiros, diz estudo. Disponível em: <https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/10/redes-sociais- geram-ansiedade-e-depressao-em-jovens-brasileiros-diz-estudo.ghtml>. Acesso em: 07 mai. 2023.

[12]  FRANKL, V. E. Teoría y terapia de las neuroses. Iniciacíon a la logoterapia y al análisis existencial. Tradução de Constantino Ruiz Garrido. Barcelona: Herder, 1992.

 

[13]  FRANKL, V. E (2001). Teoría y terapia de las neurosis: Iniciación a la logoterapia y a análisis existencial. Barcelona: Herder, 2001.

 

[14]  FRANKL, V. E. Las raíces de la Logoterapia. Escritos juveniles 1923-1942 Recopilación a cargo de Eugenio Fizzotti. Tradução de Ángel Romano. Buenos Aires: San Pablo, 2005a.

[15]  GILES, D. Psychology of the media. New York. Palgrave Macmillan, 2010.

[16]  GUIMARÃES, Camila. Marc Prensky: „o aluno virou o especialista‟. Época, São Paulo, 09

 

jul. 2010. Disponível em:<http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI153918-15224,00- MARC+PRENSKY+O+ALUNO+VIROU+O+ESPECIALISTA.html>. Acesso em: 04 mar. 2023.

[17]  HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. 14ª ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2005.

[18] HEIDEGGER, M. (2012). Ser e tempo. (F. Castilho Trad.). Campinas: Editora da Unicamp, Petrópolis: Vozes (Original publicado em 1927).

 

[19]  HUI, Y. Modulation after Control. New formations: a journal of culture/theory/politics, 7 nov. 2015. v. 84, n. 84, p. 74-91.

 

[20]  Lazzarato, M. (2017). O governo do homem endividado. n-1 edições.

[21]  LELOUP, Jean-Yves; CREMA, Roberto; WEIL, Pierre. Normose: a patologia da normalidade. Campinas: Verus, 2003.

 

[22]  LÉVY, P. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1999.

 

[23]  LÉVY, P. Cibercultura. (Trad. Carlos Irineu da Costa). São Paulo: Editora 34, 2009.

 

[24]  MAY, R. O Significado de Ansiedade: as causas de integração e desintegração da ansiedade. Zahar Editores, Rio de Janeiro, RJ, 1980.

 

[25] MODERNO dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2007. Disponível em: <https://michaelis.uol.com.br/busca?id=NyqME> . Acesso em: 10 mai. 2023.

 

[26]  R7, 2021. Veja famosos que sofreram com ataques de ódio nas redes sociais.

Disponível em: <https://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/fotos/veja-famosos-que-sofreram-com-ataques-de-odio-nas-redes-sociais-29062022>. Acesso em 10 mai. 2023.

[27] SARTRE, J. P. L'Être et le néant essai d'ontologie phénoménologique. Paris: Gallimard, 1943.

[28]  SARTRE, J. P. O Existencialismo é um humanismo. 3 ed. São Paulo: Nova Cultural. Trad. Rita Correia Guedes, Luis Prado Júior, 1987.

 

[29] SARTRE, J. P. O ser e o nada: Ensaio de fenomenologia ontológica. Tradução de Paulo Perdigão. 5. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1997.

 

[30]  SARTRE, J. P. O ser e o nada: ensaio de ontologia fenomenológica. Tradução: Paulo Perdigão. 6 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1998.

 

[31] SARTRE, J. P. O Ser e o Nada: ensaio de ontologia fenomenológica. 11 ed. Petrópilos: Vozes. Tradução e notas de Paulo Perdigão, 2002.

 

[32]  SARTRE, J. P. O ser e o nada. Petrópolis. Editora Vozes: 2007, 782 p.

 

[33] SARTRE, J. P. L‟être et le néant Essai d‟ontologie phénoménologique. Paris: Éditions Gallimard, “Tel”, 2010a.

 

[34] TERRA, 2022. Veja selebridades que se afastaram das redes sociais e fâs

da internet. Disponível em:

​​ <https://www.terra.com.br/byte/veja-celebridades-que-se-afastaram-das-redes-sociais-e-fasnainternet,5b2a2fe5567722966fd2aaf447464b3cs22oatvg.html>. Acesso em: 10 mar. 2023

 

[35] UNIFESP, 2019. Impacto da tecnologia na saúde mental dos jovens: um sinal de alerta. Disponível em: <https://hospitalsantamonica.com.br/impacto-da-tecnologia-na-saude- mental-dos-jovens-um-sinal-de-alerta/>. Acesso em: 04 mar. 2023

[36] VAN DEN BERG, J. H. (1966). O paciente psiquiátrico: esboço de psicopatologia fenomenológica. São Paulo: Mestre Jou.

 

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