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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.5281/zenodo.8264606

Publicado em 18 de agosto de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

ALEITAMENTO MATERNO E ESTADO NUTRICIONAL DE CRIANÇAS MENORES DE DOIS ANOS NO MUNICÍPIO DE CHAPECÓ-SC

 

Marta Nichele; Ana Paula de Abreu; Vanessa Fátima Felício

 

1 Universidade do Centro Oeste do Paraná (UNICENTRO), Guarapuava, Brasil

1[email protected]

2,3Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECO), Chapecó, Brasil

2[email protected] ​​ 

 

3In Memoriam

 

RESUMO

Neste trabalho se buscou avaliar a prevalência do aleitamento materno exclusivo em crianças até seis meses e aleitamento materno predominante e complementado em crianças a partir de seis meses até dois anos e também o estado nutricional das mesmas no município de Chapecó/SC. O estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa mapeou a totalidade das crianças menores de dois anos acompanhadas nas Unidades Básicas de Saúde do SUS, entre os anos 2010 e 2015, cadastradas no SISVAN do Ministério da Saúde. Este trabalho utilizou com o banco de dados disponível na base de dados secundários de domínio público do SISVAN, com 21.621 crianças inseridas para pesquisa. De acordo com os dados coletados sobre: aleitamento materno exclusivo, predominante, complementar, inexistente/não recebe e sem informações, pode-se destacar os resultados mais significantes: 32,28% de mães praticaram o aleitamento complementar no ano de 2011 e somente 4,13% receberam o aleitamento predominante no ano de 2013. Verificamos que no ano de 2013 a classificação de peso muito baixo para idade foi de 0,51% e de acordo com o peso adequado para idade ficou demonstrado que nos anos de 2010 a 2015 ficou na média de 92,64%, ficando explícito que há uma prevalência de crianças com peso adequado para idade. As conclusões deste estudo apontam para uma baixa adoção de percentuais favoráveis, ou seja, minimamente superiores a 50%, da população estudada quanto ao aleitamento materno. Já os valores quanto ao estado nutricional mostraram-se positivos, em comparação com valores de outros municípios.

Palavras-chave: ​​ Aleitamento materno, Estado nutricional, Nutrição.

 

1 INTRODUÇÃO

Amamentar é muito mais do que nutrir uma criança, é um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões principalmente na criança, como na habilidade de se defender de infecções, na fisiologia, no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, e com destaque no estado nutricional [1].

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define aleitamento materno exclusivo, aleitamento materno predominante e aleitamento materno complementado. Aleitamento materno exclusivo é quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem outros líquidos ou sólidos, com exceção de gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos. Aleitamento materno predominante é quando a criança recebe, além do leite materno, água ou bebidas à base de água (água adocicada, chás, infusões), sucos de frutas e fluidos rituais. E, aleitamento materno complementado é quando a criança recebe, além do leite materno, qualquer alimento sólido ou pastoso com a finalidade de complementá-lo, e não de substituí-lo, a criança pode receber além do leite materno, outro tipo de leite, mas este não é considerado alimento complementar [1].

Segundo Souza et al. [4], os aspectos facilitadores do apoio ao aleitamento materno são: pré-natal com bom vínculo e preparo para a amamentação; conhecer os desejos e interesse da mãe em amamentar e conversar sobre eles; suporte do pai e da família; auxílio durante a amamentação; ouvir a mãe e conversar sobre a maternidade e os cuidados cotidianos com o bebê; compreender seus conflitos e promover um ambiente emocional suficientemente bom para facilitar o relacionamento mãe - bebê - família, suporte aos profissionais e serviços para lidar com as frustrações e desmotivações decorrentes de desencontros das suas expectativas quanto ao aceitamento materno e às respostas das mães, crianças e famílias.

Correa et al. [5] afirmam que o leite materno é inquestionavelmente o melhor alimento nos primeiros meses de vida e seus benefícios são inúmeros. Apesar dos vários efeitos benéficos já conhecidos do aleitamento materno e os de programas existentes que visam incentivar a prática do aleitamento, as pesquisas mostram que as taxas ao nível mundial permanecem baixas com relação à prática de amamentação exclusiva [6]. De acordo com os mesmos autores, existe então a necessidade de fortalecimento das ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, que são importantes para a melhora dos índices de aleitamento materno e a diminuição das taxas de morbimortalidade infantil. É consenso que o aleitamento materno e a introdução em tempo oportuno da alimentação complementar são fatores que determinam o estado nutricional da criança ao longo de sua vida.

Para termos sucesso no aleitamento materno, é necessário que a mãe esteja motivada e também que o profissional da saúde saiba informá-las apresentando as propostas de melhoria para os problemas mais comuns que serão enfrentados durante a amamentação [2].

Após os seis meses de vida do bebê deve ser introduzido alimentação complementar de forma saudável, lenta e gradual, a alimentação deve complementar a amamentação e não substituí- lá, a partir da introdução alimentar complementar deve- se oferecer água a criança (tratada, filtrada e fervida) [2].

​​ De acordo com Monteiro & Conde [7], o estado nutricional das populações, como um resultado da disposição/ oferta de alimentos que os indivíduos são expostos, ao longo de suas vidas. O processo de alimentação está diretamente relacionado às condições tanto do ambiente onde vivem até as socioeconômicas. Dessa forma, pode ser influenciado pela qualidade da assistência de saúde e também pelas políticas públicas.

A alimentação adequada e saudável, incluindo aqui o aleitamento materno, que é adequado tanto na qualidade quanto na quantidade recomendada desde os primeiros dias de vida até os dois anos ou mais, é importante para o desenvolvimento saudável de crianças, jovens, adultos e idosos. É dessa forma que teremos em nosso organismo, os nutrientes e energia necessária para que possamos realizar as tarefas do dia-a-dia mantendo então nosso corpo livre de enfermidades [8].

O Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) foi regulamentado como atribuição do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Portaria nº 080-P, de 16 de outubro de 1990, do Ministério da Saúde e da Lei nº 8.080/1990 (Lei Orgânica da Saúde). O SISVAN é um sistema de informações com o objetivo central dar subsídios para a tomada de decisões e ações em alimentação e nutrição nas três esferas do governo (municipal, estadual e federal). O SISVAN destina-se ao diagnóstico descritivo e analítico da situação alimentar e nutricional da população brasileira, contribuindo para que se conheça a natureza e a magnitude dos problemas de nutrição, identificando áreas geográficas, segmentos sociais e grupos populacionais de maior risco aos agravos nutricionais [1] [3].  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

O presente estudo visa avaliar a prevalência do aleitamento materno exclusivo em crianças até seis meses e aleitamento materno predominante e complementado em crianças a partir de seis meses até dois anos e, também, o estado nutricional das mesmas no município de Chapecó/SC.

 

2METODOLOGIA

Trata-se de um estudo transversal descritivo de abordagem quantitativa mapeou a totalidade das crianças menores de dois anos acompanhadas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) SUS, entre os anos 2010 e 2015, no município de Chapecó/SC, cadastradas no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) do Ministério da Saúde.

Este trabalho contou com o banco de dados online disponível na base de dados secundários provenientes dos relatórios de domínio público online do SISVAN, com 21.621 crianças inseridas para a busca realizada pelas UBS. As informações avaliadas foram quanto às formas de aleitamento materno utilizadas (aleitamento materno exclusivo, aleitamento materno predominante e aleitamento materno complementar), inexistente/ não recebe aleitamento materno e sem informações, quanto ao estado nutricional das crianças será analisado a variável: IMC para idade do município em questão. Os dados foram todos coletados no mês de janeiro de 2016. ​​ 

Os dados da pesquisa foram analisados e interpretados de forma quantitativa por meio de estatística descritiva, apresentando os resultados encontrados em forma de percentuais de ocorrência do fenômeno em estudo.

 

3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO

Os resultados encontrados no presente estudo serão apresentados em duas categorias: Aleitamento Materno e Estado Nutricional das Crianças. E para cada uma delas as variáveis são discutidas e comparadas com as recomendações do Ministério da Saúde e material científico reconhecido.

 

3.1ALEITAMENTO MATERNO

As crianças registradas no SISVAN compuseram dados para alimentar o Figura 1 e a Tabela 1.

Aleitamento Materno Exclusivo: Percebe-se que no período de 2010 a 2015, o percentual de crianças que recebem aleitamento exclusivo reduziu drasticamente, caiu de 30,77% em 2010 para 11,57% em 2014, tendo uma leve impulsão em 2015 fechando em 13,72%. Podemos concluir que se faz necessário no município de Chapecó a implantação de propagandas de incentivo e conscientização das mães lactantes quanto a importância de amamentar seus filhos exclusivamente até os 06 primeiros meses de vida.

Baseado em estudos realizado por Taglietti et al. [11], em que Garcia et al. [12] demonstrou em sua pesquisa que 99% das mães iniciaram o aleitamento materno logo ao darem à luz; porém o ato do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês foi exposta por apenas 9,64% delas. De acordo com a II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras e Distrito Federal (2009), a média de duração de aleitamento materno exclusivo foi de 1,8 meses e a média de duração de aleitamento materno foi de 11,2 meses. Tendo em vista que a prevalência do aleitamento materno exclusivo em menores de seis meses foi de 41% no conjunto das capitais brasileiras e em Florianópolis/SC foi de 52,4%. ​​ 

Figura 1 – Aleitamento Materno no município de Chapecó-SC, de acordo com o banco de dados online disponível no SISVAN, entre os anos de 2010 e 2015. Fonte: SISVAN, MS [3].

 

Segundo os autores Kummer et al. [9], o aleitamento materno é considerado uma das bases fundamentais para a promoção e proteção da saúde das crianças no mundo todo. O leite humano tem sua superioridade indiscutível como fonte de alimento que contribui para um desenvolvimento saudável e de proteção contra doenças, fazendo com que especialistas na área da saúde do mundo inteiro recomendem a amamentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida e complementado ao menos até o final do primeiro ano de vida, mas podendo a mãe estar amamentando até os dois anos da criança.

Tabela 1 – Estado Nutricional de Crianças entre 0 e 2 anos no município de Chapecó-SC, disponível no banco de dados online no SISVAN, entre 2010 a 2015.

Estado Nutricional

2010

2011

2012

2013

2014

2015

Peso: Muito Baixo para a Idade

1%

(n=28)

0,87% (n=38)

0,70% (n=32)

0,51% (n=24)

0,52%

(n=25)

0,61%

(n=31)

Peso: Baixo para a Idade

2,61%

(n=73)

1,97%

(n=86)

1,92% (n=88)

1,81%

(n=85)

1,46%

(n=70)

1,67%

(n=85)

Peso: Adequado para a Idade

91,6%

(n=2.563)

92,82%

(n=4.045)

92,97%

(n=4.270)

93,04%

(n=4.361)

92,49%

(n=4.424)

92,93%

(n=4.717)

Peso: Elevado para a Idade

4,79%

(n=134)

4,34% (n=189)

4,42%

(n=203)

4,63%

(n=216)

5,52%

(n=264)

4,79%

(n=243)

Fonte: SISVAN, MS [3].

 

Relata Dias et al. [10] que a demanda nutricional do lactente é suprida pelo aleitamento materno exclusivo até os primeiros seis meses de vida. A partir do sexto mês é necessária a introdução da alimentação complementar, visando o complemento para o fornecimento de energia, proteínas, vitaminas e minerais, em que as necessidades diárias da criança não são mais supridas apenas com o aleitamento materno.

Em um estudo realizado por Franco et al. [13] no município de Joinville/SC, sobre aleitamento materno exclusivo em lactentes atendidos em UBS mostrou que as frequências de aleitamento materno e de aleitamento materno exclusivo foram, respectivamente, 90,7% e 53,9% nos lactentes com idade abaixo de quatro meses, e 84,2% e 43,6% nos lactentes com idade abaixo de seis meses, este estudo contou com uma amostra de 889 lactentes com idade inferior a um ano.

Segundo dados da II Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno realizada nas capitais brasileiras e no Distrito Federal demonstrou que a média de tempo que as mães amamentam exclusivamente foi de 52,1 dias (1,8 meses) e de aleitamento materno complementar foi de 341,6 dias (11,2 meses), nesta mesma pesquisa, pode ser observado a questão do desmame precoce que ocorre dentro das primeiras semanas ou meses de vida, assim introduzindo chás, água, sucos e outros leites e progredindo de modo gradativo (MS,2009).

Entre os 6 e 9 meses, uma faixa de 68,8% das crianças haviam consumido frutas e 70,9% verduras e legumes. Com relação ao consumo de alimentos que não são considerados saudáveis, percebeu- se o alto consumo de café (8,7%), refrigerantes (11,6%) e bolachas ou salgadinhos (71,7%) entre as crianças com idade de 9 a 12 meses (MS,2009).

Desse modo, é afirmativo que o processo de introdução de alimentação complementar não é oportuno, possivelmente sendo inadequado do ponto de vista energético e nutricional [2].

Aleitamento Materno Predominante; Não apresenta grandes variações no período analisado, porém, percebe-se que teve queda constante em período semelhante ao aleitamento materno exclusivo, no entanto, voltou a crescer no ano de 2014 e segue linha crescente desde então.

O estudo de Venâncio et al. [14], sobre a frequência e determinantes do aleitamento materno em municípios no estado de São Paulo, mostra que dos 84 municípios estudados, 72 (85,7%) municípios alcançaram uma prevalência de aleitamento materno predominante superior a 20%. Já Giugliani [15] relata em seu estudo de revisão sobre aleitamento materno, que em relação ao aleitamento materno predominante essa suplementação com água ou chás nos primeiros seis meses é desnecessária, mesmo em locais secos e quentes, recém-nascidos normais não necessitam de mais líquidos além do leite materno, pois nascem com níveis de hidratação tecidual relativamente altos. Neste mesmo estudo revisado há evidências de que pode ser uma das causas do desmame precoce.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

Aleitamento Materno Complementar; através dos dados coletados percebe-se que grande percentual de crianças recebem aleitamento complementar, sendo que o mesmo não apresenta variação significativa durante o período de 2010 a 2014, porém em 2015 sofreu preocupante queda de crianças adeptas desta amamentação, é necessário acompanhar esta informação no próximo ano para analisar a necessidade de intervenção através dos SUS com propagandas de conscientização quanto a importância desta modalidade.  ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

Em Santa Maria/RS, D’Ávila & Basso[16] perceberam, em sua pesquisa, que a idade onde há o maior percentual de introdução de alimentação complementar é o quinto mês de vida. O percentual de crianças que não recebem alimentação complementar, sendo um total de 17%, relaciona-se com as crianças menores de seis meses, cujas mães amamentam. O mesmo estudo mostrou que a idade média de introdução de alimentação complementar correspon­de a 4,1 meses, mostrando assim que a transição alimentar não ocorreu da maneira adequada, que segundo orientações da OMS e recomendações do MS, deve ser a partir dos seis meses de idade.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria [17] a introdução de outros alimentos complementares ao leite materno deve ser feita aos seis meses. Outro estudo, realizado por Stahelin [18], com 63 crianças matriculadas em uma creche no município de Florianópolis/SC, apresentou 42,9% de crianças com introdução da alimentação complementar antes dos seis meses; portanto, nesta amostra, o início da alimentação complementar está muito precoce, visto do que é recomendado. Esta introdução precoce da alimentação complementar esta diretamente relacionada com o risco de sobrepeso e sobrepeso encontrado neste mesmo estudo.

Balaban et al. [19], ​​ avaliaram a associação do leite materno com a proteção contra o sobrepeso e obesidade, com uma amostra de 409 crianças na faixa etária de dois a seis anos, provenientes de creches vinculadas à prefeitura da cidade de Recife, mostrou que o sobrepeso foi mais prevalente entre as crianças que receberam leite materno exclusivo por menos de quatro meses (22,5%) do que entre aquelas que receberam leite materno exclusivo por quatro meses ou mais (13,5%).

Com relação ao item: Inexistente/ Não recebe; preocupantemente grande parte das crianças acompanhadas neste período não recebe amamentação, tendo seu pico de aproximadamente 41% em 2013, sofreu grande queda em 2014 chegando a 31% o que representou um ganho importante no número de crianças adeptas a amamentação, porém esta tendência que deveria continuar baixando não se confirmou, e o número de crianças sem amamentação voltou a subir e 2015 atingindo aproximadamente 34%, sendo assim identifica-se a necessidade de programas de conscientização quanto a necessidade das mães amamentarem seus filhos por ao menos 06 meses de vida.

De acordo com Machado et al. [20], em seu estudo sobre a intenção de amamentar e de introdução de alimentação complementar de puérperas de um hospital-escola do sul do Brasil, verificou se que todas as 170 mulheres entrevistadas afirmaram ter o desejo de amamentar seus filhos. A média de duração da amamentação exclusiva pretendida por elas foi de 5,5 meses, variando de um até 12 meses.

Observou–se que nas consultas de pré-natal, aproximadamente 99% das gestantes, realizaram pelo menos uma consulta, sendo a média encontrada foi de 8,0 atendimentos realizados nesse período. Porém, foi percebido que menos da metade dessas mulheres (49%) relata lembrar-se de ter recebido algum tipo de informação relacionado a aleitamento materno e/ou alimentação complementar durante as consultas de pré-natal. As informações e orientações sobre o aleitamento materno que foram prestadas no pré-natal, foi visto que as mães que receberam orientações pretendiam amamentar em média por 5,72 meses, enquanto as pretenderam amamentar exclusivamente por período menor (5,35 meses), sendo esta diferença estatisticamente significativa [20]. Também se pode observar neste estudo que, quanto maior o tempo de escolaridade da mãe, maior o tempo pretendido para a amamentação exclusiva.

Sem informação; O percentual apresentado neste período se mostra preocupante, pois em 2010 o banco de dados SISVAN contava com acompanhamento de aproximadamente 98% das crianças de Chapecó, porém este acompanhamento foi se perdendo e em 2014, 22% das crianças não participaram de pesquisa quanto a sua forma de alimentação, número altíssimo e preocupante, pois sem as informações coletadas não é possível chegar a números confiáveis de atendimentos das UBS para com as crianças do município, impossibilitando também o mesmo de tomar medidas corretas e cabíveis para melhor informação ao público alvo [3].

 

3.2 ESTADO NUTRICIONAL DAS CRIANÇAS

Os dois primeiros anos de vida é um período caracterizado por rápido crescimento e desenvolvimento. O crescimento reflete as condições de gestação da mãe e de fatores ambientais, dentre os quais entra em destaque o estado nutricional das crianças. [10].

Segundo Trahms & McKean [21], durante os dois primeiros anos de vida, caracterizados pelos rígidos crescimento e desenvolvimento físicos e sociais, ocorrem muitas mudanças que afetam a alimentação e o consumo de nutrientes. A adequação da ingestão de nutrientes pela criança afeta sua interação com o ambiente em que vive. As crianças bem nutridas com uma alimentação de boa qualidade são capazes de responder e aprender com os estímulos ambientais e de interagir com seus pais e cuidadores de maneira a fortalecer o vínculo e a afeição.

Segundo Araújo & Campos [22], o indicador peso para a idade (P/I) reflete o peso segundo a idade cronológica da criança. Os mesmos autores citam que a aplicação desse indicador tem vantagem por ser de simples e rápida aplicação. O peso é uma medida muito sensível e sua avaliação permite identificar alterações no estado nutricional precocemente. Entretanto, os autores alertam que este indicador utilizado isoladamente não é capaz de detectar a natureza do agravo, é necessária uma investigação com apoio de outros indicadores e métodos de avaliação.

De acordo com a Tabela 1, constando dados para o estado nutricional de crianças com faixa etária entre 0 e 2 anos, entre os anos 2010 e 2015, observa-se que item peso muito baixo para a idade no município de Chapecó/SC, nos anos de 2010 foi de 1%, 2011 foi de 0,87%, 2012 foi de 0,70%, em 2013 foi de 0,51%, já em 2014 foi de 0,52% e no ano de 2015 foi de 0,61%, tendo em vista que dos anos de 2010 a 2014 houve uma diminuição de peso muito baixo para idade e em 2015 volta novamente a subir.

A prevalência de desnutrição vista em estudo realizado por Salomons et al. [24] em rede municipal de ensino no estado do Paraná, com um total de 1.647 crianças, foi de 22,7% (21% meninos e 24,7% meninas). O que demonstra um quadro ainda elevado de casos de desnutrição, porém é importante salientar que a desnutrição está relacionada com a baixa estatura foi a que apresentou a maior prevalência tanto em meninos (10,5%) quanto em meninas (12,2%).

Segundo pesquisa realizada por Mendes, Campos & Lana [23], sobre a avaliação do estado nutricional de crianças menores de dez anos no município de Ferros, de 1.322 crianças estudadas, pode-se verificar no estudo que desse total, 134 crianças (10,1%) se encontram em risco nutricional e 50 crianças (3,8%) do total analisado classifica-se como desnutrição.

Quanto ao peso baixo para idade dos anos de 2010 foi de 2,61%, de 2011 foi de 1,97%, já para 2012 foi de 1,92%, em 2013 foi de 1,46% e no ano de 2015 foi de 1,67%, então se verifica que em 2010 foi o ano em que mais possui crianças com peso baixo para idade, para os anos de 2011, 2012, 2013 e 2014 houve uma diminuição nesses dados e em 2015 um leve aumento, o que não é satisfatório. Porém, há evidências, como cita Eickmann et al. [25], que crianças que nascem com baixo peso, tendem a permanecer com magreza e muitas vezes com déficit de na estatura, no decorrer de toda ou boa parte da infância, isso ocorre com mais frequência em países em desenvolvimento, e que algumas regiões encontram-se em condições precárias.

Para o item peso adequado para idade foi possível analisar no presente estudo que nos anos de 2010 a 2013 houve um aumento nesses dados, podemos considerar um aumento bom, porém em 2014 e 2015 os dados caem e permanecem parecidos. Seguindo uma média no decorrer dos anos de 92,64%, o que mostra que no município em questão a prevalência maior está para crianças com peso adequado para idade. ​​ 

Conforme estudo realizado em Ferros/MG por Mendes, Campos & Lana [23], sobre a avaliação do estado nutricional de crianças, foram coletados dados do SISVAN, de 1.322 crianças, a classificação de peso adequado para idade, 1049 (87,4%) estão eutróficas, ou seja, em peso adequado. Outro estudo realizado em Alto Xingu/PA por Morais et al. [26] para avaliar o estado nutricional de crianças índias entre o primeiro e o quarto ano de vida demonstrou no primeiro ano de vida com adequação percentual do peso para a estatura entre 110% e 120%.  ​​​​ 

Quanto ao peso elevado para idade, neste presente estudo, pode-se verificar que no ano de 2010 foi de 4,79%, em 2011 a 2014 houve um aumento, pois leva em conta o sobrepeso de crianças e no ano de 2015 houve uma breve melhora, ou seja, novamente os dados começaram a cair. Stahelin [18] em seu estudo com 63 crianças matriculadas numa creche de Florianópolis/SC apontou que no indicador P/I 6,3% das crianças apresentaram peso elevado para idade.

Em outro estudo sobre avaliação do estado nutricional em crianças menores de seis anos, num determinado município de Santa Catarina, realizado no ano de 2015 por Kneipp et al. [27], mostrou que a prevalência mais elevada foi a de sobrepeso (6,8%).

Também na mesma pesquisa realizada por Mendes, Campos e Lana [23], sobre a avaliação do estado nutricional de crianças no município de Ferros/MG, foram coletados dados do SISVAN, com 1.322 crianças, dessas 661 (50%) eram do sexo masculino e 661 (50%) do sexo masculino, representando assim 51% da população estudada, correspondente a 74,9% do total da população dessa faixa etária em estudo que foi cadastrada no SIAB em agosto de 2016. Dessa forma pode ser observado no estudo que quanto ao indicador P/I foi utilizado para classificação do estudo nutricional infantil, mostrou que 20,7% das crianças apresentam alguma alteração nutricional, sendo que do total de crianças estudadas, 89 crianças, contabilizando em porcentagem 6,7% encontram-se na classificação de risco para sobrepeso.

Guimarães & Barros [28] também perceberam em sua pesquisa realizada no município de Cosmópolis/SP, com 1.200 crianças, que há um aumento significativo de crianças apresentando peso elevado para idade.

 

5CONSIDERAÇÕES FINAIS

As conclusões deste estudo apontam uma baixa adesão ao aleitamento materno, minimamente superior a 50% da população estudada, em que um dos fatores que podem estar contribuindo é a falta de incentivo por meio das mídias locais, a falta de informações para as mães em relação aos benefícios que o aleitamento materno traz para o desenvolvimento e crescimento saudável de seus filhos. Já os valores quanto ao estado nutricional mostraram-se positivos, em comparação com valores de outros municípios trazidos nas discussões. Espera-se que os resultados dessa pesquisa contribuam para o desenvolvimento de ações de proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno do município em questão e manutenção da atenção quanto ao cuidado do estado nutricional das crianças, tendo em vista a introdução de alimentos em tempo adequado e a seleção dos alimentos ofertados para um crescimento e desenvolvimento saudável.

Pode-se ressaltar a importância do papel do profissional nutricionista nas orientações para as mães, futuras mães e famílias, sobre a importância do aleitamento materno, seus benefícios para a saúde da criança, a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês de vida, e também a importância da introdução alimentar ser gradativamente e com alimentos saudáveis e nutritivos.

É sempre importante lembrar que uma alimentação saudável é benéfico para a vida toda, as crianças seguem o exemplo das pessoas com quem convive, por isso, devemos ser bons exemplos, incentivando sempre para escolhas saudáveis.

Portanto, deve ser promovido a alimentação saudável de um modo abrangente, e prever então uma finalidade de ações que considerem a formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância até a idade adulta, com uma alimentação complementar, adequada e em tempo oportuno, porém respeitando a identidade de cada cultura com relação à alimentação, nas diversas regiões do Brasil.

 

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