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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO ORIGINAL

Saúde mental de professores da rede de educação básica: fatores de prazer e sofrimento no trabalho

Willow de Souza 1; Rebeca Ortiz Laroca2; Regisnei Aparecido de Oliveira Silva3

 

Como Citar:

DE SOUZA, Willow; LAROCA, Rebeca Ortiz; SILVA, Regisnei Aparecido de Oliveira. Saúde mental de professores da rede de educação básica: fatores de prazer e sofrimento no trabalho. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 2121-2134, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025114118

 

DOI: 10.61411/rsc2025114118

 

Área do conhecimento:

Ciências da Saúde

Sub-área:

Psicologia do Trabalho e Organizacional / Saúde Mental e Trabalho

 

Palavras-chaves: Saúde; Trabalho Docente; Educação Básica.

 

Publicado: 31 de outubro de 2025.

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Resumo

A saúde mental dos profissionais da educação tem se tornado uma questão central nas discussões sobre o bem-estar no trabalho, especialmente devido aos desafios enfrentados pelos professores da rede básica de ensino. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores de prazer e sofrimento entre os docentes, utilizando um questionário adaptado do Protocolo de Atenção à Saúde Mental e Trabalho (Bahia, 2014). Participaram 31 professores, com idades entre 25 e 54 anos, que responderam a Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (EIPST), uma escala Likert de sete pontos, de zero à seis, indicando o número de vezes que vivenciaram os fatores apontados. Os resultados revelam tanto aspectos positivos quanto críticos, destacando a necessidade de intervenções para promover o bem-estar e reduzir os impactos psicológicos negativos relacionados ao ambiente de trabalho docente.

Mental health of teachers in the basic education network: factors of pleasure and suffering at work

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Abstract

The mental health of education professionals has become a central issue in discussions about well-being at work, especially given the challenges faced by teachers in the basic education system. This study aims to analyze the factors that contribute to pleasure and suffering among teachers, using a questionnaire adapted from the Protocol for Mental Health Care and Work (Bahia, 2014). Participants included 31 teachers, aged between 25 and 54, who responded to the Scale of Indicators of Pleasure and Suffering at Work (EIPST), a seven-point Likert scale, from zero to six, indicating the number of times they experienced the factors identified. The results reveal both positive and critical aspects, highlighting the need for interventions to promote well-being and reduce the negative psychological impacts related to the teaching work environment.

Keywords: health; teaching work; basic education.

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  • Introdução

A saúde mental dos professores tem sido um foco crescente de estudos a algumas décadas [1.,2.,3.,4.], especialmente devido ao impacto direto que o bem-estar dos docentes exerce na qualidade do ensino e no desenvolvimento dos alunos. Professores que enfrentam altos níveis de estresse, esgotamento emocional e outros transtornos relacionados ao trabalho podem ter dificuldades em manter um ambiente de aprendizado produtivo. Diante do exposto o presente artigo propôs investigar a saúde mental dos professores da rede básica de ensino, focando nos fatores de prazer e sofrimento que impactam seu trabalho no dia a dia.

As experiências de prazer e sofrimento no trabalho emergem, geralmente, da relação entre o trabalhador e o contexto do trabalho que realiza. Neste contexto, o sujeito tem diferentes reações em relação às situações vivenciadas no trabalho em que atribui sentidos de natureza também distintas, podendo lhes trazer momentos de prazer ou sofrimento [4.]. O sofrimento no trabalho inicia quando o trabalhador, mesmo com robusto desempenho não consegue dar conta das tarefas que lhe foram atribuídas, iniciando um processo de desestabilização da identidade e da personalidade profissional, levando o trabalhador ao adoecimento. Ao contrário, o prazer tem sua gênese quando em seu desempenho o trabalhador consegue realização pessoal por meio de incentivos e reconhecimento [5.].

Atualmente, a profissão docente enfrenta muitas exigências, como ritmo acelerado de trabalho, pressão por produtividade, falta de autonomia, baixos salários, aumento de demandas, desvalorização e grande esforço físico e mental. Além disso, os docentes precisam se adaptar constantemente às novas tecnologias, bem como constantes mudanças curriculares, na formação e na atuação em sala de aula. Muitas vezes, há excesso de tarefas que necessitam de continuidade fora do espaço escolar e até mesmo em finais de semana. Esses trabalhos extras, principalmente fora dos muros escolares, não têm recompensa financeira e nem mesmo é reconhecido por parte significativa da sociedade [6.].

Esta situação é caracterizada por Assunção e Oliveira [7.] como intensificação do trabalho docente, ou seja, o ato de fazer a mesma coisa mais rapidamente e muitas vezes repetidamente. O processo de intensificação leva a outro processo denominado de precarização do trabalho docente [8.]. Esse contexto, típico de um mundo globalizado e em constante mudança, tem contribuído para o agravamento da saúde física e mental dos professores, comprometendo sua qualidade de vida e tornando-os mais suscetíveis a problemas de saúde. Rocha e Fernandes [9.] apontam que esse ambiente desfavorável promove mal-estar e desestabiliza a saúde desses profissionais. O mal-estar docente é definido por Esteve [1.] como um fenômeno social, que possui como agentes desencadeadores a desvalorização profissional, a violência, a indisciplina, entre outros fatores que podem promover uma crise de identidade em que o professor passa a se questionar sobre a sua escolha profissional e o próprio sentido da profissão.

Considerando o exposto e destacando a importância do tema para melhoria da qualidade de vida no trabalho dos professores, o presente estudo teve por objetivo analisar os fatores de prazer e sofrimento de docentes da Educação Básica de escolas públicas da rede estadual da cidade de Rondonópolis-MT.

 

  • Metodologia

O presente estudo caracteriza-se como estudo de caso descritivo, com abordagem quantitativa e qualitativa. Esta abordagem é sustentada por Günther [10.], ao destacar que num estudo de caso é possível utilizar tanto procedimentos qualitativos quanto quantitativos. A pesquisa foi realizada nos meses de maio a agosto do ano de 2024, com professores em exercício de nove escolas da Rede Pública Estadual de Educação Básica da cidade de Rondonópolis-MT.

Definiu-se como escolas participantes aquelas que tem parceria com a Universidade para realização de estágios. Para os professores que atuam nessas escolas foi enviado um link com dados sobre a pesquisa, solicitação de consentimento em participar e questionário. O critério de exclusão era apenas para professores com menos de 6 meses de atuação, pois não atende o instrumento de coleta de dados utilizado. A participação dos professores foi espontânea, com consentimento individual. Para coleta de dados utilizou-se a Escala de Indicadores de Prazer e Sofrimento no Trabalho (EIPST) do Protocolo de Atenção à Saúde Mental e Trabalho [11.]. A EIPST avalia quatro fatores: dois para avaliar o prazer – realização profissional e liberdade de expressão – e dois para avaliar o sofrimento no trabalho – esgotamento profissional e falta de reconhecimento. Este questionário utiliza uma escala Likert de sete pontos, de zero à seis, para avaliar a frequência com que os profissionais vivenciaram situações de prazer e sofrimento nos últimos seis meses. Para esta pesquisa os itens positivos (fatores de prazer) foram classificados em três categorias: satisfatório (5-6), moderado/crítico (3-4) e grave (0-2). Para os itens negativos (fatores de sofrimento), a classificação foi: grave (5-6), moderado/crítico (3-4) e satisfatório (0-2).

 

  • Desenvolvimento e discussão

Participaram voluntariamente da pesquisa 31 professores pertencentes a 9 escolas públicas da rede básica de ensino da cidade de Rondonópolis-MT. Os participantes são docentes das diferentes áreas do conhecimento no Ensino Fundamental (anos finais) e Ensino Médio. Apresentaram faixa etária entre 25 e 54 anos, sendo 6 profissionais do sexo masculino e 25 do sexo feminino, com tempo de experiência variando de 6 meses a 34 anos.

    • Fatores de Prazer no Trabalho

Os indicadores de prazer no trabalho estão representados na Tabela 1​​ e subdividem-se em Fator Realização Profissional e Fator Liberdade de Expressão.

    • Fator Realização profissional

Os dados referentes ao fator Realização profissional revelam importantes percepções sobre a relação dos professores com seu ambiente de trabalho, conforme observado na Tabela 1. A satisfação geral foi considerada satisfatória por 45,1% dos professores, enquanto 51,6% a avaliaram de forma moderada, sugerindo que a maioria dos docentes não mantém uma percepção positiva de seu trabalho. No entanto, o resultado quantitativo pode ser encorajador, pois, quase a metade dos professores marcaram como satisfação moderada, demonstrando que, apesar das dificuldades enfrentadas, esses profissionais ainda encontram aspectos de satisfação em sua prática profissional.

A motivação, por outro lado, apresentou uma divisão mais preocupante. Apenas 29% dos professores consideram sua motivação satisfatória, enquanto 64,5% a classificam como moderada e 6,5% como grave. Esse dado revela um indicativo claro de desgaste, o que pode estar relacionado à sobrecarga de trabalho, às exigências excessivas e à falta de apoio institucional. A desmotivação no trabalho pode ser um reflexo direto da precarização das condições de trabalho docente e da falta de recursos adequados, o que leva os professores a sentirem que seu esforço não é suficiente para superar os desafios enfrentados no cotidiano escolar.

O orgulho pelo trabalho foi um dos fatores mais positivos, com 77,4% dos professores indicando como satisfatório. Este dado reflete o vínculo afetivo que muitos professores têm com sua profissão, mesmo diante das adversidades. O orgulho pelo trabalho docente, no entanto, pode ser um fator de compensação emocional diante de um ambiente adverso, funcionando como um mecanismo psicológico que protege os profissionais de maiores níveis de sofrimento. Isso sugere que, embora o ambiente de trabalho seja muitas vezes desfavorável, os docentes mantêm um forte compromisso com sua missão educativa. A realização profissional também teve a maioria como satisfatória, 51,6%. Esse indicador demonstra que, embora os professores enfrentem desafios, ainda há uma sensação de realização associada ao papel de transformar vidas por meio da educação.

Ainda entre os fatores positivos, bem-estar foi considerado satisfatório por apenas 35,4% dos participantes e moderado 54,8%. O baixo percentual de satisfação revela um mal estar na profissão. Esse mal estar na profissão docente tem um caráter negativo e reflete diretamente na sala de aula ao desempenhar seu trabalho. Dado preocupante está nos itens valorização e o reconhecimento que apresentaram valores semelhantes sendo 22,5% satisfatório, 48,3% moderados e 29% grave, refletindo uma percepção de que seus esforços não são devidamente reconhecidos. Essa falta de valorização é um dos principais fatores de desgaste emocional na profissão, podendo afetar a motivação e o desempenho a longo prazo.

A profissão de professor exige grande dedicação e energia, com um ritmo de trabalho intenso que demanda concentração e atenção para atingir as metas pedagógicas. Como resultado, muitos professores enfrentam sintomas de estresse relacionados ao ambiente de trabalho, como angústia e irritabilidade. A falta de segurança, problemas de disciplina, pressão de pais e baixos salários também são fatores que contribuem para essa situação, o que leva muitos docentes a se sentirem desvalorizados e sobrecarregados [12.]. 

Além disso, a identificação com as tarefas que desempenham foi considerada satisfatória por 58% dos professores, sugerindo que a maioria dos profissionais consegue enxergar sentido e propósito nas atividades que realizam. Isso é crucial, pois a identificação com o trabalho é um fator de proteção contra o esgotamento e a desmotivação. A gratificação pessoal foi também satisfatória para 48,3% e moderada para 45% dos professores, indicando que, apesar das dificuldades, o trabalho continua a proporcionar um sentimento de realização individual.

    • Fator Liberdade de Expressão

Quando se trata do fator “liberdade de expressão” sobre o prazer no trabalho os dados mostram uma prevalência de positividade, em que quase sempre a maioria destaca satisfatório (Tabela 1). Podemos destacar os itens solidariedade, confiança e cooperação entre colegas com 77,4%, 58% e 54,4% de satisfação, respectivamente. O item liberdade para usar a criatividade, também se destaca, pois 51,6% dos professores avaliaram positivamente essa dimensão, o que indica que, mesmo em um sistema educacional frequentemente rígido, os professores ainda encontram espaço para inovar e experimentar em sua prática pedagógica. O único item deste fator que não registrou a maioria como satisfatório foi a liberdade para expressar opiniões, considerado satisfatório por 41,9% dos participantes e moderado para 48,3%. Este resultado revela que os professores se sentem relativamente à vontade para discutir suas preocupações e compartilhar ideias com colegas e superiores, o que pode criar um ambiente colaborativo e de apoio.

Tabela 1: Percepções dos professores sobre aspectos positivos de sua profissão. As porcentagens estão divididas entre as classificações de satisfatório (respostas mais positivas), moderado (respostas críticas) e grave (respostas raras ou negativas).

Fatores de Prazer

Satisfatório

(%)

Moderado

(%)

Grave

(%)

Satisfação geral

45,1

51,6

3,2

Motivação

29,0

64,5

6,5

Orgulho pelo Trabalho

 

Bem estar

 

Realização profissional

77,4

 

35,5

 

51,6

19,4

 

54,8

 

38,7

3,2

 

9,7

 

9,7

 

Valorização

 

Reconhecimento

 

Identificação c/ as tarefas

 

Gratificação pessoal

 

22,5

 

22,5

 

58,1

 

48,3

48,4

 

48,4

 

38,7

 

45,0

29,0

 

29,0

 

3,22

 

6,5

Solidariedade entre Colegas

 

Confiança entre colegas

 

Cooperação entre colegas

 

Liberdade para usar a criatividade

 

Liberdade para expressar opinião

77,4

 

58,1

 

54,8

 

51,6

 

41,9

19,4

 

32,2

 

42,0

 

45,2

 

48,4

3,22

 

9,7

 

3,2

 

3,2

 

9,7

Fonte: Autores (2025).

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    • Fatores de Sofrimento no Trabalho

Os fatores de sofrimento no trabalho, subdividem-se em esgotamento profissional e falta de reconhecimento. Na Tabela 2​​ são apresentados os principais itens negativos investigados na pesquisa.

    • Esgotamento profissional

No fator esgotamento profissional o item esgotamento emocional foi considerado moderado por 42% dos professores, enquanto 29% o avaliaram de forma satisfatória e 29% como grave, ou seja, quase 1/3 dos professores apontam o esgotamento emocional como grave. Esse dado sugere que, embora o esgotamento não tenha atingido níveis graves na maioria dos casos, ele ainda está presente de forma significativa, o que aponta para a necessidade de políticas de prevenção e promoção da saúde mental no ambiente escolar.

O estresse, classificado como grave por 35,4% dos professores e moderado por 41,9% dos professores, é outro indicativo claro do impacto da sobrecarga de trabalho, da pressão por resultados e da falta de apoio adequado. Neste item apenas 22,5% dos professores consideraram satisfatório. No item Insatisfação apenas 35,4% dos professores apontaram como satisfatório, outros 48,3% apontaram como moderado e 16% como grave. Os dados mostram que a maioria destaca a insatisfação de moderada a grave. A insatisfação com a profissão, somada ao estresse do ambiente de trabalho, reflete-se na saúde física e mental dos docentes, comprometendo a produtividade e o desempenho escolar.

A sobrecarga de trabalho foi um dos fatores mais críticos, com 45,2% dos professores a avaliando como moderada e 38,7% como grave. Esse dado reflete o excesso de demandas burocráticas, que muitas vezes não estão diretamente relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem, mas que consomem grande parte do tempo e energia dos docentes. A necessidade de conciliar atividades pedagógicas com tarefas administrativas e a escassez de tempo para planejar aulas ou lidar com questões disciplinares contribuem para o aumento da sobrecarga.

Outro fator preocupante é a frustração, que foi classificada como moderada por 45,1% dos professores e 25,8% grave, o que pode estar associado à sensação de impotência diante de um sistema educacional que não oferece os recursos ou as condições necessárias para que eles possam desempenhar seu trabalho de forma plena. A insegurança, avaliada como moderada por 51,6% dos professores, também sugere que os docentes se sentem vulneráveis, tanto em relação à estabilidade no emprego quanto em relação à sua capacidade de enfrentar os desafios do ambiente escolar.

O medo, considerado moderado por 54,8% dos professores, reflete uma sensação de incerteza sobre as condições do ambiente de trabalho e sobre as expectativas e demandas colocadas sobre os professores. O medo de falhar, de ser avaliado negativamente, e até mesmo de lidar com situações de conflito dentro da escola, pode gerar ansiedade e um estado constante de alerta, afetando a saúde mental dos docentes de forma significativa e comprometendo a qualidade do trabalho.

    • Falta de reconhecimento

Nos dados do fator “Falta de reconhecimento” (Tab. 2), os itens “falta de reconhecimento do esforço e falta de reconhecimento do desempenho” tiveram valores aproximados em que 58,1% e 54,8% respectivamente avaliaram como moderado. Isso reflete a percepção de que, apesar do esforço investido em seu trabalho, muitos professores não se sentem devidamente recompensados ou reconhecidos por suas contribuições.

A desvalorização foi considerada satisfatória por 42% dos professores, outros 58% marcaram moderada e grave. Esse dado reforça a percepção de que, apesar de encontrarem valor em seu trabalho, os docentes ainda sentem que sua profissão é subestimada socialmente. Este sentimento de desvalorização pode ser exacerbado pelas condições precárias de trabalho que vivem os docentes e pela falta de investimentos estruturais nas escolas públicas.

A maioria dos professores não se sente desqualificado, pois no item desqualificação 51,6% apontaram satisfatório. Por outro lado, eles sentem-se injustiçados no trabalho ao registrar 54,7% no item injustiça. A sensação de injustiça no trabalho apontada pelos docentes pode estar relacionada a falta de reconhecimento, desvalorização da carreira e sobrecarga de trabalho.

A indignação foi outro fator significativo, com 45,2% dos professores classificando-a como moderada, 32,2% como satisfatória e 22,6% grave. A indignação pode surgir da incongruência entre os ideais de ensino que os professores desejam implementar e as barreiras sistêmicas que encontram no ambiente escolar, como a falta de recursos, infraestrutura inadequada e o desinteresse das autoridades públicas em melhorar as condições de trabalho.

A inutilidade, classificada como satisfatória por 48,4% e moderada e grave por 51,6% dos professores, revela a sensação de que, em alguns momentos, o trabalho do professor não é suficiente para impactar a vida dos alunos da forma desejada. Esse sentimento pode ser particularmente forte em contextos onde os professores enfrentam desafios relacionados à vulnerabilidade social dos estudantes ou à falta de apoio das famílias.

Finalmente, a discriminação foi um dos poucos fatores de sofrimento que apresentou uma avaliação predominantemente positiva, com 61,2% dos professores classificando-o como satisfatório e 32,2% como moderado. Isso sugere que, embora os professores enfrentem diversos desafios relacionados ao ambiente de trabalho, a discriminação direta ou indireta não parece ser um problema significativo nesse contexto.

Tabela 2: Fatores de sofrimento no ambiente de trabalho dos professores. As porcentagens estão divididas em classificações de satisfatório (respostas positivas), moderado (respostas críticas) e grave (respostas mais negativas).

Fatores de Sofrimento

Satisfatório

(%)

Moderado

(%)

Grave

(%)

Esgotamento emocional

 

29,0

42,0

29,0

Estresse

 

Insatisfação

22,6

 

35,4

42,0

 

48,3

35,4

 

16,0

Sobrecarga de Trabalho

 

Frustração

 

Insegurança

 

Medo

 

16,1

 

29,0

 

29,0

 

35,5

45,2

 

45,2

 

51,6

 

54,8

38,7

 

25,8

 

19,4

 

9,7

Falta de reconhecimento do esforço

25,8

58,1

16,1

Falta de Reconhecimento do Desempenho

32,2

54,8

13,0

Desvalorização

 

Indignação

29,0

 

32,2

42,0

 

45,2

29,0

 

22,6

Fonte: Autores (2025).

 

    • Discussão

Os resultados deste estudo apontam para a necessidade urgente de políticas públicas que abordem as causas sistêmicas dos fatores de sofrimento no trabalho docente. A precarização das condições de trabalho, a sobrecarga burocrática, a pressão por resultados e a falta de apoio institucional são fatores que, quando somados, contribuem para o esgotamento emocional e o estresse dos professores. A falta de reconhecimento e valorização são reflexos de um sistema educacional que, historicamente, não prioriza o bem-estar dos profissionais de ensino.

Por outro lado, os fatores de prazer mostram que, apesar dos desafios, os professores ainda encontram sentido e satisfação em seu trabalho, principalmente quando se trata de seu orgulho pela profissão, suas relações com colegas e a possibilidade de expressar opiniões e utilizar a criatividade. Esses elementos são fundamentais para a resiliência dos docentes, uma vez que proporcionam suporte emocional e engajamento com o trabalho. Entretanto, é importante que esses aspectos positivos sejam reforçados por meio de políticas institucionais que promovam o reconhecimento e a valorização dos professores, tanto no âmbito escolar quanto na sociedade em geral.

A motivação, embora presente, demonstra sinais de deterioração, provavelmente influenciada pela falta de reconhecimento e pela sobrecarga de trabalho. Esses fatores não só afetam a saúde mental dos professores, mas também a qualidade da educação oferecida aos alunos. Quando os professores se sentem desmotivados ou esgotados, sua capacidade de manter um ambiente de aprendizado positivo é prejudicada, o que pode gerar um ciclo vicioso de baixo rendimento e maiores demandas emocionais.

Portanto, é essencial que gestores educacionais e formuladores de políticas considerem a implementação de medidas de apoio à saúde mental e à melhoria das condições de trabalho dos professores. A criação de espaços de diálogo, o incentivo à cooperação entre colegas, e a valorização do esforço docente são algumas estratégias que podem contribuir para o fortalecimento do bem-estar no ambiente de trabalho. Além disso, a revisão das exigências burocráticas e a redução da carga de trabalho são fundamentais para minimizar o impacto dos fatores de sofrimento, especialmente em relação ao estresse e ao esgotamento emocional.

 

  • Considerações finais

Este estudo oferece uma visão abrangente sobre a saúde mental dos professores da rede básica de ensino, destacando tanto os fatores de prazer quanto os de sofrimento. Os dados revelaram que fatores de prazer foram mais positivos, enquanto os fatores de sofrimento são mais negativos. Itens como o orgulho pelo trabalho e a solidariedade entre colegas se destacam positivamente, a sobrecarga de trabalho, o esgotamento emocional e a falta de reconhecimento emergem como desafios críticos que precisam ser enfrentados.

Para melhorar a saúde mental dos professores, é essencial que sejam implementadas políticas que abordem tanto os fatores individuais quanto os sistêmicos que impactam o trabalho docente. Quando os professores estão desmotivados ou adoecidos, o processo de ensino e aprendizagem dos alunos é diretamente afetado, prejudicando a qualidade do trabalho. A valorização dos professores, o reconhecimento de seus esforços e a criação de condições de trabalho mais favoráveis são essenciais para garantir não apenas a saúde desses profissionais, mas também a qualidade do ensino oferecido aos alunos.

 

  • Declaração de direitos

Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade dos autores, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

 

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1

Universidade Federal de Rondonópolis - UFR, Rondonópolis-MT, Brasil. E-mail:

2

Universidade Federal de Rondonópolis - UFR, Rondonópolis-MT, Brasil. E-mail:

3

Universidade Federal de Rondonópolis - UFR, Rondonópolis-MT, Brasil. E-mail:

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