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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO CURTO ORIGINAL

Inclusão de Alunos com Baixa Visão no Ensino de Geometria Espacial, Através da Realidade Aumentada

Fábio Júnior de Sousa Oliveira1; Sâmia Cristina Martins Silva2; Renata Araújo Lemos3; Welberth Santos Ferreira4

 

Como Citar:

OLIVEIRA, F. J. S.; SILVA, S. C. M.; LEMOS, R. A.; FERREIRA, W. S. Inclusão de alunos com baixa visão no ensino de geometria espacial, através da realidade aumentada. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 1114-1119, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025100818

DOI: 10.61411/rsc2025100818

 

Área do conhecimento:

Ensino de Ciências

Sub-área:

Matemática

 

Palavras-chaves: Baixa Visão; Inclusão; Realidade Aumentada; Geometria Espacial.

 

Publicado: 24 de maio de 2025.



Abstract

In this work, we analyzed how Augmented Reality (AR), through the educational program Sólidos RA, can function as an Assistive Technology to promote the inclusion of students with low vision in learning spatial geometry. The study, classified as action research, was conducted in ten public educational institutions in Fortaleza-CE and at the Hélio Góes Institute, involving 39 students with low vision. The application enabled students to observe and understand complex geometric concepts, such as planifications and characteristics of solids, in an engaging and interactive manner. The findings indicated that the use of the software helps overcome educational barriers, fostering inclusion and promoting equality in the learning process. Furthermore, the research highlights the importance of training teachers to incorporate innovative technologies into their pedagogical practices, expanding the possibilities for inclusive and accessible education. Finally, it is concluded that AR is a powerful tool in the educational context, reaffirming its transformative role in building more equitable and inclusive environments.

 

.1.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Introdução

Nas escolas públicas de educação básica, ainda que não exclusivamente, alguns professores mantêm uma visão segregacionista de que alunos com necessidades educacionais especiais, como aqueles com baixa visão, devem ser atendidos separadamente e/ou exclusivamente por profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Contudo, essa visão é excludente e deve ser eliminada do ambiente escolar.

Em consonância com o princípio da inclusão espera-se que as escolas estejam continuamente preparadas para receber alunos com necessidades educacionais especiais, não apenas em momentos pontuais, como no ingresso desses estudantes na escola (Reis, 2025) [4]. Essa preparação requer ações permanentes e intencionais para garantir um ambiente verdadeiramente inclusivo e acessível.

Diante desse cenário, considerando as possíveis lacunas relacionadas às orientações para o atendimento de alunos com baixa visão, este trabalho tem como objetivo investigar como o uso da Realidade Aumentada (RA), por meio do software educativo Sólidos RA, pode atuar como uma Tecnologia Assistiva para o ensino de geometria espacial a alunos com baixa visão. Além disso, busca-se propor reflexões e estratégias voltadas para a implementação efetiva dessas tecnologias favorecendo uma aprendizagem equitativa e inclusiva para todos.

 

2.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Metodologia

O estudo trata-se de uma pesquisa-ação, que é uma pesquisa aplicada onde Gil (2021, p.40)[2] destaca: “tem características situacionais, já que procura diagnosticar um problema numa situação específica, com vistas a alcançar algum resultado prático”.

Nesse sentido, elaborou-se a Tabela 1, contendo as escolas/instituições, identificadas com os códigos do L1 até L12, e os quantitativos de alunos com baixa visão, informados pela CODIN/SME de Fortaleza e pelo Instituto Hélio Góes, bem como as informações obtidas do Instituto supracitado, com o quantitativo de alunos atendidos.

A pesquisa foi desenvolvida em dez escolas da Rede Pública de Ensino da Prefeitura Municipal de Fortaleza e no Instituto Hélio Góes.  Para a escolha dessas dez unidades escolares e do Instituto optou-se pelo critério conveniência do pesquisador e disponibilidade de alunos com baixa visão.

  • A escolha da amostragem dos alunos foi não probabilística por intencionalidade, conforme Gil (2023, p. 143) [3], é uma amostra intencional onde o público é selecionado com base em certas características tidas como relevantes pelos pesquisadores e participantes, mostra-se mais adequada para a obtenção de dados na pesquisa-ação.

  •  

Tabela 1 – Escolas/instituições nas quais estudam e/ou são atendidos os alunos com baixa visão em Fortaleza–CE, que compuseram a amostra.

 

Item

Distrito

Escolas/

Instituição

Quantitativo

de alunos

1

I

L1

2

2

I

L2

2

3

I

L3

1

4

I

L4

2

5

I

L5

1

6

III

L6

1

7

III

L7

2

8

III

L8

1

9

III

L9

1

10

III

L10

1

11

-

Hélio Goes / L12

25

 

 

TOTAL

39

Fonte: SME/CODIN/Fortaleza-CE (2024).

 

3.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Desenvolvimento e discussão

No tocante à RA, Soares (2022) [6] apontou que este tema é de grande relevância, pois em pesquisa no repositório de dissertações e teses da Universidade Federal do Ceará (UFC), não foi encontrado nenhum trabalho com este objeto de estudo. Nesse sentido, Fialho (2018, p. 119) [1] afirma que:

As tecnologias RA e Realidade RV devem ser vistas no contexto escolar como ferramentas de auxílio e estimulação ao desenvolvimento da leitura fomentadora de discussões e que o educador deve deixar claro que elas retratam uma pequena partícula do mundo real.

Conforme Silveira e Miola (2013, p. 68)[5], “o fato de as tecnologias serem consideradas como agentes transformadores da sociedade já lhes dão um respaldo significativo para figurarem no meio educacional”. Assim é oportuno verificar as contribuições de softwares de RA, como Tecnologia Assistiva, no ensino de geometria espacial para alunos com baixa visão, a fim de promover a inclusão de fato desses alunos com esta deficiência em classe regular.

O software educativo Sólidos RA, Figura 1, é uma versão baixada gratuitamente na Play Store, que conta com uma interface e funções de fácil entendimento. Nesse sentido, Tzur, Katz e Davidovich (2021) [7] apontam que o software educacional se baseia em uma variedade de abordagens instrucionais e diferentes tipos de software podem ser usados para atender a uma variedade de objetivos educacionais. Tzur, Katz e Davidovich (2021) [7] afirmam ainda que os professores precisam decidir se um software educacional pretendido pode melhorar seu ensino e como os alunos precisam saber como o uso de um software específico pode impactar a experiência de aprendizagem. 

Uma imagem contendo Código QR

Descrição gerada automaticamente

Figura 1 - ​​ Pirâmide após o acionamento da função transparência.

 

A escolha do Sólidos RA se justifica por sua facilidade de manipulação, funcionalidades práticas e design com cores vibrantes e ícones de comandos facilmente identificáveis. Observa-se que a simplicidade e objetividade das informações – com apenas cinco ícones dispostos no lado esquerdo da tela – evitam que discentes se sintam perdidos diante de uma sobrecarga de informações. O objetivo maior é permitir a análise das características, elementos e planificações dos sólidos geométricos.

Durante a aplicação do software através de registros em diário de campo, identificaram-se possíveis barreiras e dificuldades. Entretanto, constatou-se que os educandos com baixa visão interagiam facilmente com o software, acionando os comandos através de ícones intuitivos e identificáveis.

Dando continuidade, podemos afirmar que: a RA, exemplificada pelo Sólidos RA, transcende o simples uso de tecnologia, oferecendo uma experiência inclusiva, interativa e acessível. Essa abordagem reafirma o papel transformador da tecnologia na educação, promovendo não somente a aprendizagem, bem como a equidade no acesso ao conhecimento. O futuro da educação inclusiva está diretamente ligado à integração criativa e eficiente de tecnologias inovadoras, como a RA, que abre novas possibilidades para todos.

.

4.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Considerações finais

O estudo revelou que a aplicação do software educativo, Sólidos RA, é uma estratégia eficiente para incentivar a inclusão de estudantes com visão reduzida no aprendizado de geometria espacial. A interface intuitiva e o design acessível possibilitou aos discentes visualizarem e entenderem conceitos geométricos complexos, tais como: planificações e propriedades dos sólidos. A interação dinâmica oferecida pelo Sólidos RA auxilia na superação de obstáculos que muitas vezes impedem a participação integral desses alunos em ambientes de ensino convencionais.

A incorporação da RA nas metodologias de ensino destaca o papel do docente em relação às tecnologias educacionais. É responsabilidade das escolas e docentes não só ajustar o ambiente escolar, mas também aprimorar habilidades para aplicar essas ferramentas de maneira eficaz e justa. Portanto, o nosso trabalho apresenta a relevância de ações que expandam as oportunidades de ensino e aprendizado, assegurando que nenhum estudante seja negligenciado.

 

5.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Declaração de direitos

O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

 

6.  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ Referências

  • FIALHO, Arivelto Bustamante. Realidade virtual e aumentada: Tecnologias para aplicações profissionais. São Paulo: Érica, 2018.

  • GIL, Carlos Antonio. Como fazer pesquisa qualitativa. 1. ed. Barueri[SP]: Atlas, 2021.

  • GIL, Carlos Antonio. Como elaborar projetos de pesquisa. 7. ed.-[2ª Reimpr.]. – Barueri[SP]: Atlas, 2023.

  • REIS, D. C. A.; SILVA, C. R. M.; SANTOS, H. M.; FERREIRA, W. S. O uso do software brailleapp como ferramenta digital na alfabetização de aluno com deficiência visual. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 11, p. 1383-1389, 2025.

  • SILVEIRA, Everaldo; MIOLA, Rudinei j. Professor-Pesquisador em Educação Matemática . Curitiba, InterSaberes, 2013.

  • SOARES, Fredson Rodrigues. As contribuições da Realidade Aumentada mediada pela metodologia Sequência Fedathi para aprendizagem de geometria espacial. 2022. Dissertação (Mestrado em Tecnologia Educacional) – Instituto Universidade Virtual – IUVI da Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2022.

  • TZUR, Sharon; KATZ, Adi; DAVIDOVICH, Nitza. Learning Supported by Technology: Effectiveness with Educational Software. European Journal of Educational Research, v. 10:3, p. 1137-1156, May/2021.

1

Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, Brasil.

2

Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, Brasil.

3

Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, Brasil.

4

Universidade Estadual do Maranhão, São Luís, Brasil.

 

 

 

 


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