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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Relação entre o uso do anticoncepcional de via oral com o músculo esquelético em treinamento resistido: uma revisão

Debora Cristina Feitosa Pereira1; Davi Vantini2; Enzo Shintaku3; Samanta Sanches de Carvalho4; Glaucia Luciano da Veiga5; Beatriz da Costa Aguiar Alves6; Thais Moura Gascón7; Edimar Cristiano Pereira8; Fernando Luiz Affonso Fonseca9

 

Como Citar:

BEREIRA, Debora Cristina Feitosa; VANTINI, Davi; SHINTAKU, Enzo; CARVALHO, Samanta Sanches de; VEIGA, Glaucia Luciano da; ALVES, Beatriz da Costa Aguiar; GASCÓN, Thais Moura; PEREIRA, Edimar Cristiano; FONSECA, Fernando Luiz Affonso. Relação entre o uso do anticoncepcional de via oral com o músculo esquelético em treinamento resistido: uma revisão. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.4755-4767, 2024.

https://doi.org/10.61411/rsc202478317

 

DOI: 10.61411/rsc202478317

 

Área do conhecimento: Ciências da Saúde.

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Palavras-chaves: ​​ Anticoncepcional oral; mulher; músculo esquelético; treinamento resistido

 

Publicado: 11 de outubro de 2024.

Resumo

A relação entre o uso de contraceptivos orais (COs) e exercícios de resistência é um tópico de interesse devido à potencial influência das alterações hormonais no desempenho e nas adaptações ao exercício. Este estudo revisa a literatura sobre a influência do uso de COs nas adaptações musculares de mulheres que praticam treinamento resistido. Foram selecionados artigos publicados entre 2017 e 2022, utilizando bases de dados como PubMed, SciELO e Google Acadêmico. No total, sete estudos atenderam aos critérios específicos. Os resultados indicam que, de modo geral, o uso de COs não resulta em diferenças significativas na massa muscular em comparação com não usuárias. No entanto, alguns estudos sugerem que o uso de COs pode afetar a hipertrofia muscular, mas as divergências nos resultados podem ser atribuídas a fatores como variação na nutrição, dosagens hormonais dos COs e diferenças na intensidade e volume do treinamento. Embora não haja evidências claras de que os COs impactem negativamente a hipertrofia muscular, mais pesquisas são necessárias para elucidar os efeitos dos anticoncepcionais orais nas adaptações musculares em mulheres.

 

 

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Relationship between oral contraceptive use and skeletal muscle in resistance training: a review

Abstract

The relationship between oral contraceptive (OC) use and resistance exercise is a topic of interest due to the potential influence of hormonal changes on performance and exercise adaptations. This study reviews the literature on the influence of OC use on muscle adaptations in women who engage in resistance training. Articles published between 2017 and 2022 were selected using databases such as PubMed, SciELO, and Google Scholar. In total, seven studies met the specific criteria. The results indicate that, overall, OC use does not result in significant differences in muscle mass compared to non-users. However, some studies suggest that OC use may affect muscle hypertrophy, but discrepancies in the results can be attributed to factors such as variations in nutrition, hormonal dosages of OCs, and differences in training intensity and volume. Although there is no clear evidence that OCs negatively impact muscle hypertrophy, further research is needed to elucidate the effects of oral contraceptives on muscle adaptations in women.

Keywords: oral contraceptive; women. Skeletal muscle; resistance training.

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1.Introdução

Os anticoncepcionais orais atuam suprimindo a liberação de gonadotrofinas pelo hipotálamo, o que inibe a ovulação e interfere na maturação folicular, tornando a fertilização e a implantação altamente improváveis.1 A pesquisa sobre contraceptivos orais (COs) teve início no século XX, com a descoberta da eficácia da progesterona e do estrogênio na inibição da ovulação. O Enovid® foi o primeiro contraceptivo oral a ser comercializado, em 1960. 2

Os COs são classificados em monofásicos, bifásicos e trifásicos, conforme a variação da dosagem hormonal ao longo do ciclo. Além disso, são categorizados em quatro gerações baseadas na dosagem de estrogênio e no tipo de progestágeno utilizado, variando de alta dosagem na primeira geração a baixa dosagem na terceira e quartas gerações. 3,4

A relação entre o uso de COs e exercícios de resistência é um tópico de interesse devido à influência potencial das alterações hormonais no desempenho e nas adaptações ao exercício. Estudos indicam que o uso de COs pode resultar em um aumento significativo na massa muscular, especialmente nas fibras musculares do tipo I. 5,6Além disso, há evidências de que usuárias de COs podem apresentar uma recuperação mais lenta e níveis mais elevados de marcadores de danos musculares em comparação com não usuárias. 7 ​​ No entanto, o impacto dos COs no desempenho do exercício tende a ser pequeno e variável. 8

A relação entre o uso de CO e exercícios de resistência é um tópico de interesse devido à sua influência nas adaptações musculares. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão para avaliar a relação entre o uso de contraceptivos orais e as fibras musculares em indivíduos que praticam exercícios de resistência.

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2.Metodologia

O trabalho se baseou na revisão bibliográfica de artigos publicados entre 2017 e 2022 em bases de dados dos sistemas PubMed, SciELO e Google Acadêmico, sendo considerados artigos em inglês e português. A busca utilizou os seguintes descritores com a combinação dos termos: “anticoncepcional oral; músculo esquelético; treinamento de força; oral contraceptive; skeletal muscle; resistance training”.

Foram utilizados os seguintes critérios de inclusão para a seleção dos artigos: (1) Pesquisa apenas com mulheres; (2) Trabalhos observacionais com seres humanos; (3) Mulheres jovens; (4) Participantes que faziam a prática de atividade resistida; (5) Participantes que faziam uso do contraceptivo oral concomitantemente à prática da atividade resistida e as que não faziam; (6) Ciclo menstrual regulado; (7) Mulheres saudáveis; (8) Treinamento supervisionado de 8 a 14 semanas; (9) Utilização de contraceptivos de segunda e terceira geração.

Foram selecionados sete artigos, analisados e organizados por autor e ano de publicação, pelo método de fichamento, com o objetivo de estudar mais precisamente as alterações do músculo esquelético no treinamento resistido, de modo a gerar uma discussão sobre cada artigo.

Para facilitar a compreensão do processo de seleção dos artigos, foi elaborado um fluxograma detalhando o método e as diferentes fases da seleção (Figura 1).

Diagrama

Descrição gerada automaticamente

Figura 1 - Fluxograma das diferentes fases da seleção de artigos para a revisão sistemática.

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3.Desenvolvimento e discussão

A tabela 1 relaciona o fichamento dos artigos selecionados para revisão com os seguintes dados sobre os estudos: autores, ano, artigo / revista, tipo de pílula, dieta, resultado e conclusão.

Tabela 1 – Artigos incluídos na revisão sistemática

Autores e ano

Artigo/revista

Tipo de pílula

Dieta

Resultados

Conclusões

Wikström-Frisén L. et al

2017

 

Effects on power, strength and lean body mass of menstrual/oral contraceptive cycle based resistance training

Monofásico e trifásico

Não padronizada

As mulheres foram divididas em três grupos: ​​ (1º dia de menstruação); ​​ 2º grupo (15º dia pós-menstruação); e 3º grupo (controle). Não houve nenhum aumento significativo na massa magra corporal de ambos os grupos.

Não houve nenhuma evidência significativa de que o uso do CO contribuiu para o aumento da força muscular e no desempenho da atividade física de perna.

Dalgaard L. B. et al

2019

 

 

 

Influence of Oral Contraceptive Use

on Adaptations to Resistance

Training

 

 

Monofásico - 3º geração

Não padronizada

Observou-se um maior aumento na fibra muscular do tipo I em mulheres que se utilizavam de CO em comparação com as não usuárias. O CO induziu o aumento da massa muscular em mulheres que fizeram uso de CO com 30 μg de etinilestradiol.

O uso do CO foi associado a um maior aumento da massa muscular (fibra muscular esquelética) em comparação com mulheres que não fizeram o uso do CO.

Romance R. et al

2019

Oral Contraceptive Use does not Negatively Affect Body

Composition and Strength Adaptations in Trained Women

 

Monofásico

 

Padronizada

Programa de treinamento com Grupo 1 (N= 12), CO e Grupo 2 (N= 11), NCO.

 

De duas a três séries de 12-15 repetições dos membros inferiores e superiores. Exercícios realizados: agachamento, leg press, extensão e flexão da perna, elevação da panturrilha em pé, supino reto e inclinado, rosca direta de bíceps e flexão de tríceps.

Tanto as mulheres que utilizavam

CO quanto às não usuárias tiveram aumento significativo da massa corporal.

Para a massa isenta de gordura também houve aumento tanto para mulheres que utilizavam CO quanto para as não usuárias de CO.

Dalgaard L. B. et al

2020

Influence of Second Generation Oral Contraceptive

Use on Adaptations to Resistance Training in Young

Untrained Women

Bifásico - 2º geração

 

Padronizada

 

Após 10 semanas de treinamento, tanto as mulheres que se utilizavam de CO de segunda geração quanto as mulheres que não faziam uso do CO, não tiveram resultados significativos referente a área de secção transversal do músculo.

Mulheres que fazem uso do CO não promovem maior ganho de massa muscular comparado às que não fazem uso do CO.

Oxfeldt M. et al

2020

Molecular markers of skeletal muscle hypertrophy following 10 wk of resistance

training in oral contraceptive users and nonusers

2º geração

Não padronizada

 

Após 10 semanas de treino, as fibras do tipo I e II foram aumentadas em ambos os grupos.

 

Mulheres jovens não treinadas que fazem uso de CO de segunda geração aumentaram significativamente o número de células satélites e o marcador molecular do músculo esquelético em comparação com mulheres não usuárias de CO.

Riechman S.E & Lee C. W.

2021

Oral Contraceptive Use Impairs Muscle Gains in

Young Women

 

Monofásicos e bifásicos

Padronizada

Após dez semanas de treino, as mulheres que usaram CO não ganharam massa magra comparada às mulheres que não usuárias de CO.  Ambos os grupos tiveram aumento de força muscular em todos os exercícios.

 

O uso de CO prejudicou os ganhos de massa muscular magra em mulheres jovens após exercícios resistidos.

 

Sung E. et al.

2022

 

Effects of oral contraceptive use on muscle strength, muscle thickness, and fiber size

and composition in young women undergoing 12 weeks of strength training: a cohort study

2º geração e ​​ monofásicos com doses de etinilestradiol entre 20 e 30μg.

Não padronizado

Após 12 semanas de treinamento resistido, houve um aumento na força muscular e na espessura muscular tanto em mulheres que se utilizam de CO quanto as não usuárias.

 

O músculo esquelético após o exercício resistido se manteve praticamente o mesmo tanto em mulheres que faziam uso do CO quanto as não usuárias.

 

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Poucos estudos foram realizados sobre a relação entre o uso de contraceptivos orais e o músculo esquelético em treinamento de força. Por esse motivo, a compreensão sobre o tema é limitada. Contudo, a maioria dos resultados encontrados demonstrou que não houve diferenças significativas entre as usuárias de contraceptivos orais e o grupo controle. 9-13 ​​ Dos sete artigos selecionados, dois mostraram que não houve aumento significativo na massa magra corporal em ambos os grupos. 9,10 Três artigos demonstraram aumento muscular em ambos os grupos. Entretanto, alguns estudos divergem da maioria dos resultados. Um estudo mostrou um maior aumento na fibra muscular do tipo I em mulheres que utilizavam contraceptivos orais em comparação com as não usuárias. 11-13 O uso de contraceptivos orais com 30 μg de etinilestradiol induziu o aumento da massa muscular em mulheres. 14 No entanto, outro estudo demonstrou que, após dez semanas de treino, as mulheres que usaram contraceptivos orais não ganharam massa magra comparadas às mulheres que não usaram contraceptivos orais. Ambos os grupos tiveram aumento de força muscular em todos os exercícios. 15

As divergências observadas entre os resultados dos estudos podem ser atribuídas a diversos fatores. Primeiramente, há diferenças na nutrição hipertrófica dos participantes. Na maioria dos trabalhos, não houve acompanhamento e padronização da alimentação diária, sendo que macro e micronutrientes, especialmente o consumo de proteínas, são fundamentais para o ganho de massa magra. 16

Além disso, os artigos analisados não possuem a mesma padronização quanto ao tipo e à geração dos contraceptivos orais utilizados, o que limita uma análise mais robusta. A quantidade hormonal presente nos contraceptivos interfere na reação bioquímica do organismo, podendo também afetar o ganho de massa magra durante a atividade física. 17

Outro fator a ser considerado é o volume da atividade física, definido pela quantidade de repetições multiplicada pela carga utilizada nos exercícios. A variação no volume entre os estudos dificulta a obtenção de conclusões consistentes sobre o ganho de massa magra. 18

Diferentemente do volume, a frequência refere-se ao número de vezes e sessões semanais de atividade física. Observa-se uma padronização parcial nesse aspecto, com uma periodização de três vezes por semana de atividade resistida. No entanto, a variação na quantidade de sessões entre os estudos limita a capacidade de gerar associações conclusivas sobre o ganho de massa magra. A intensidade dos exercícios, relacionada ao esforço máximo durante a atividade física, é outro ponto crucial. Contudo, não há parâmetros padronizados entre as pesquisas, tornando este fator também inconclusivo. 18

Entretanto, um dos estudos apresentou um achado significativo: mulheres jovens não treinadas que utilizam contraceptivos orais de segunda geração mostraram um aumento significativo no número de células satélites e nos marcadores moleculares do músculo esquelético, em comparação com mulheres não usuárias de contraceptivos orais. 12 As células satélites desempenham um papel fundamental na hipertrofia muscular, sendo cruciais para a remodelação da matriz extracelular, regulação do ambiente muscular, produção de IL-6 e interação com outras células para uma remodelação muscular ideal. 19

 

4.Considerações finais

A revisão realizada revelou que diversos estudos indicam que o uso de anticoncepcionais orais não causa alterações significativas na massa muscular quando comparado ao grupo controle em atividades resistidas. No entanto, algumas pesquisas sugerem que o uso de anticoncepcionais orais pode reduzir o ganho de massa muscular em mulheres que praticam atividades resistidas. Portanto, a associação entre o uso de contraceptivos orais e o músculo esquelético em atividades resistidas permanece incerta devido às divergências encontradas entre os estudos.

É crucial que mais pesquisas sejam conduzidas para obter dados mais robustos sobre o tema e para compreender melhor a influência dos anticoncepcionais orais em mulheres que praticam atividades resistidas com o objetivo de alcançar hipertrofia.

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5.Declaração de direitos

 Os autores declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceira. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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