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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
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ARTIGO CURTO ORIGINAL
Torção de apêndice testicular supranumerário: um raro diagnóstico diferencial no escroto agudo pediátrico
Marjorey Jezzine Viana1; Roger Arthur da Cunha Alves2; Fernanda Cunha Sampaio 3; Francisco Cruz Guttemberg Filho4; Hélio Gomes Fontinelle Neto5; Sarah Albuquerque Bezerra6
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Como Citar:
VIANA, Marjorey Jezzine; ALVES, Roger Arthur da Cunha; SAMPAIO, Fernanda Cunha; et al. Torção de apêndice testicular supranumerário: um raro diagnóstico diferencial no escroto agudo pediátrico. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.565-571, 2025.
https://doi.org/10.61411/rsc2025101418
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Área do conhecimento: Ciências da Saúde.
Palavras-chaves: Medicina de Emergência Pediátrica; Escroto Agudo; Pediatria; Urologia.
Publicado: 15 de fevereiro de 2025.
Resumo
A torção de apêndice testicular é uma causa frequente de escroto agudo pediátrico, frequentemente confundida com torção testicular. Relatamos o caso de um menino de 10 anos com dor escrotal súbita, inicialmente suspeito de poliorquidismo torcido. A exploração cirúrgica revelou uma estrutura torcida e necrótica, posteriormente identificada pela anatomopatologia como Hidátide de Morgagni torcida. O caso destaca a importância do diagnóstico diferencial no escroto agudo pediátrico e a necessidade da abordagem cirúrgica em situações incertas. Embora o ultrassom com Doppler seja fundamental para diferenciar a torção testicular da torção do apêndice testicular, casos atípicos podem necessitar de confirmação anatomopatológica. A raridade do achado reforça a importância de um diagnóstico preciso para evitar intervenções desnecessárias. Além disso, enfatiza a necessidade de comunicação clara com os familiares em emergências pediátricas. O manejo cirúrgico oportuno e a orquidopexia profilática garantiram uma recuperação sem intercorrências, evidenciando a relevância de uma abordagem objetiva em situações nas quais o tempo até a intervenção apresenta -se como fator de definição prognóstica do paciente.
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1. Introdução
O escroto agudo é uma condição clínica caracterizada por dor escrotal de início súbito, frequentemente associada a edema e eritema. Representa uma emergência urológica que requer diagnóstico e intervenção imediatos para evitar complicações, como isquemia e perda testicular. Entre as causas mais comuns de escroto agudo estão a torção testicular, a orquiepididimite e a torção de apêndices testiculares, com esta última sendo responsável por até 40% dos casos em pacientes pediátricos (1).
Os apêndices testiculares são remanescentes embrionários que incluem a Hidátide de Morgagni, o apêndice do epidídimo e o apêndice da cauda do epidídimo. Entre esses, a Hidátide de Morgagni é o mais comum e suscetível à torção devido à sua estrutura pediculada (2). Embora menos severa do que a torção testicular, a torção de apêndices testiculares pode gerar ansiedade significativa em pais e cuidadores, além de um desafio diagnóstico, dada a sobreposição clínica entre as diferentes etiologias do escroto agudo (3).
No contexto pediátrico, a avaliação rápida e precisa é crucial, pois a apresentação clínica pode ser inespecífica e a colaboração do paciente, devido à idade, pode ser limitada. Estudos indicam que a torção testicular deve ser a primeira consideração em crianças e adolescentes com dor escrotal aguda, devido ao risco de lesão definitiva da gônada em casos de atraso ou erro de diagnóstico. Além disso, a utilização de escores clínicos, como o TWIST Score, pode auxiliar na estratificação do risco de torção testicular, orientando a necessidade de intervenções diagnósticas e terapêuticas adicionais (4).
Este trabalho discute um caso de suspeita de testículo supranumerário torcido, posteriormente confirmado como torção de apêndice testicular por exame histopatológico, destacando a importância do diagnóstico diferencial e das especificidades do manejo pediátrico.
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2. Apresentação do caso
Paciente do sexo masculino, 10 anos, previamente hígido, apresentou-se ao serviço de emergência pediátrica com queixa de dor testicular à esquerda de início súbito e grande intensidade, com duração de aproximadamente cinco horas. Não havia sinais sistêmicos, como febre ou alterações urinárias, e o histórico patológico pregresso não apresentava comorbidades ou alergias. Ao exame físico, observou-se edema escrotal moderado à esquerda, sem sinais evidentes de eritema ou coleções. Diante da história clínica e do quadro de dor escrotal aguda, foi estabelecida a hipótese diagnóstica de torção testicular, dado o potencial risco de comprometimento isquêmico irreversível do testículo. Assim, a equipe decidiu pela exploração cirúrgica de urgência da bolsa escrotal.
Durante o procedimento, sob raquianestesia, foi realizada uma incisão longitudinal de 4 cm na rafe mediana da bolsa escrotal. A exploração inicial revelou o testículo esquerdo preservado, porém foi identificada uma estrutura adicional distal ao testículo esquerdo, apresentando cordão espermático torcido e necrose macroscópica do parênquima. Dada a configuração estrutural observada inicialmente no intraoperatório evidenciada na figura 1, aventou-se a hipótese intraoperatória de torção de um testículo supranumerário, condição rara, mas já descrita na literatura em casos de poliorquidismo.
Seguindo os protocolos cirúrgicos, a equipe procedeu à dissecção das estruturas vasculares e do ducto deferente do testículo supranumerário por técnica romba, com ligadura transfixante do cordão espermático, seguida de exérese completa da estrutura, sendo realizada orquidopexia bilateral para prevenção de torções futuras. O testículo esquerdo remanescente foi fixado à bolsa escrotal para prevenção de torções futuras, e a hemostasia foi rigorosamente revisada antes do fechamento por planos.
Entretanto, o laudo anatomopatológico revelou que a estrutura excisada tratava-se de um apêndice testicular torcido, mais precisamente uma Hidátide de Morgagni. Esse achado redirecionou a compreensão do caso, destacando a torção de apêndices testiculares como uma importante causa de escroto agudo em crianças. Embora benigno na maioria dos casos, esse diagnóstico pode mimetizar outras condições graves, como torção testicular, justificando a abordagem cirúrgica emergencial.
Figura 1 - Achado intraoperatório após exploração de bolsa escrotal: Estrutura adicional torcida distal ao testículo esquerdo, inicialmente interpretada como um testículo supranumerário
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3. Discussão
Na população pediátrica, a torção de apêndices testiculares é a causa mais comum de escroto agudo em crianças entre 7 e 14 anos. Apresenta-se tipicamente como dor escrotal focal, edema moderado e, em cerca de 20% dos casos, o "blue dot sign", uma mancha azulada subcutânea que é patognomônica da condição (4). Embora geralmente benigna e autolimitada, a condição pode ser confundida com torção testicular, que requer intervenção cirúrgica imediata para evitar complicações graves (3). O ultrassom com Doppler é o padrão-ouro para a avaliação do escroto agudo, permitindo diferenciar entre torção de apêndice testicular, torção testicular e outras condições, como orquiepididimite. Na torção de apêndice testicular, observa-se uma massa extratesticular avascular com ecogenicidade variável e fluxo periapendicular aumentado (5). Além disso, o exame é útil para tranquilizar pais e cuidadores ao excluir condições mais graves, como a torção testicular (10).
No caso relatado, houve inicialmente a suspeita de um caso de torção de poliorquidismo, devido à identificação de uma estrutura sugestiva de testículo supranumerário. Contudo, o exame anatomopatológico revelou tratar-se de um terceiro apêndice testicular torcido. Essa descoberta destaca a raridade do quadro e a importância de uma avaliação detalhada para confirmar o diagnóstico. O poliorquidismo é uma anomalia extremamente rara, com menos de 200 casos relatados na literatura, enquanto complicações como torção de um testículo supranumerário ou apêndices adicionais são ainda mais incomuns (7).
O tratamento da torção de apêndice testicular é predominantemente conservador, com analgesia, anti-inflamatórios e elevação escrotal, sendo a cirurgia reservada para casos com dor persistente ou diagnóstico incerto (1). A boa evolução no caso relatado ressalta a eficiência dessa abordagem em um ambiente clínico-cirúrgico bem estruturado.
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4. Conclusão
A torção de apêndice testicular é uma causa comum de escroto agudo em crianças, mas casos raros, como a torção de um terceiro apêndice, reforçam a importância do diagnóstico diferencial e do manejo individualizado. Em nosso caso, a intervenção cirúrgica direta foi fundamental devido ao tempo desde o início dos sintomas. O manejo e suspeição diagnóstica inicial foi essencial para garantir uma abordagem centrada não apenas na resolução cirúrgica, mas também no suporte integral à família. A idade jovem do paciente intensificou a preocupação dos parentes, um aspecto frequentemente observado em emergências pediátricas, exigindo comunicação clara e empática para mitigar ansiedades. Este relato é relevante por destacar uma condição rara e reforçar a necessidade de manejo individualizado, que equilibre eficiência diagnóstica e intervenções apropriadas. A experiência relatada amplia a compreensão sobre as nuances do escroto agudo pediátrico, oferecendo lições valiosas para prática clínica.
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5. Declaração de direitos
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6. Referências
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Residente de Pediatria do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus, AM.
Médico Urologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Manaus, AM.
Medicina da Universidade Fametro, Manaus, AM.
Medicina da Universidade Federal do Amazonas, Manaus,
Medicina da Universidade Federal do Amazonas, Manaus, AM.
Medicina da Universidade Nilton Lins, Manaus, AM.

