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ISSN: 2595-8402

DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025

 

ARTIGO CURTO ORIGINAL

Vítimas masculinas de estupro: invisibilidade dos estigmas de gênero e desafios do reconhecimento

Eduarda Mafra Cotinguiba1; Júlia de Oliveira e Mendes2; Ana Maria Pereira de Souza3

 

COTINGUIBA, Eduarda Mafra; E MENDES, Júlia de Oliveira; DE SOUZA, Ana Maria Pereira. Vítimas masculinas de estupro: invisibilidade dos estigmas de gênero e desafios do reconhecimento. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 2165-2170, 2025. https://doi.org/10.61411/rsc2025115618

 

DOI: 10.61411/rsc2025115618

Área do conhecimento:

Ciência Jurídica

Sub-área:

Sociologia

 

Palavras-chaves: Violência Sexual; Vítimas Masculinas; Políticas Públicas.

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Publicado: 3 de novembro de 2025.

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Abstract

The invisibility and stigmatization of male rape victims is a topic that remains underexplored and hinders victim recognition. This qualitative, bibliographical text analyzes cultural, psychological, and legal barriers. It considers academic research, theoretical analysis, and a critique of legislation, examining the impact of gender stigma and the lack of institutional support. The results demonstrate the persistence of male silence and the need for inclusive public policies, educational initiatives, and awareness-raising strategies that increase visibility and support for male victims.

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  • Introdução

O estupro, crime tipificado no artigo 213 do Código Penal Brasileiro [1.], representa um grave problema social que atinge indivíduos de todos os gêneros, sem restrição quanto à condição da vítima. Trata-se de um crime de natureza hedionda, de conteúdo altamente reprovável. Contudo, as experiências vividas pelas vítimas masculinas permanecem invisíveis devido a estigmas culturais e preconceitos sociais enraizados.

Nessa ótica, este estudo objetiva analisar a literatura acadêmica sobre a violência sexual contra homens, abordando os desafios enfrentados por vítimas masculinas e a necessidade de políticas de reconhecimento e suporte adequadas. Busca, ainda, destacar como os estigmas de gênero estão diretamente ligados à invisibilidade dessas vítimas e desbravar caminhos para o reconhecimento e acolhimento das figuras masculinas tanto no âmbito social quanto institucional.

 

  • Metodologia

A presente pesquisa possui caráter qualitativo e exploratório, desenvolvida por meio de análise bibliográfica e documental de fontes acadêmicas e publicações científicas que versam sobre o tema da violência sexual contra homens.

Ademais, foram utilizados dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2022. O critério para seleção das fontes foi a consonância com a relevância temática e atualidade, com destaque em estudos que exploram a subnotificação, os estigmas de gênero e a dificuldade de reconhecimento social e jurídico das vítimas masculinas. A análise foi realizada de modo interpretativo e crítico, objetivando a identificação de padrões de invisibilidade e estigma relacionados à masculinidade.

O teor bibliográfico foi consultado em fontes como SciELO, Google Acadêmico e Periódicos CAPES, utilizando as palavras-chave “violência sexual”, “vítimas masculinas”, “estupro” e “gênero”. Foram considerados estudos publicados entre 2000 e 2024, em português e inglês, diretamente relacionados ao tema, sendo excluídos textos tangenciais ou generalistas.

 

  • Desenvolvimento e discussão

    • Panorama dos resultados

Consoante pesquisas realizadas, evidenciou-se que a violência sexual contra homens é considerável, mas permanece amplamente invisível. No Brasil, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2022, 1,8 milhão de homens sofreram abuso sexual ao longo da vida, mas apenas 9% dos adolescentes vítimas denunciam os casos, frente a 46% das meninas. A ausência de registros do crime de estupro contra homens relaciona-se a fatores socioculturais, como estigmas de masculinidade, vergonha e medo de retaliação [2.].

Pesquisadores apontam que essa realidade está fortemente relacionada aos estereótipos de gênero que moldam a masculinidade, bem como à invisibilidade do problema nos espaços do cotidiano. Tais elementos dificultam que a figura masculina se reconheça como vítima, denuncie e procure ajuda, conforme apontam Gabel apud [7.] e Pfeiffer e Salvagni [4.]. Ferreira [2.] indica que homens vítimas de violência sexual estão mais propensos ao isolamento, uso de drogas, disfunções sexuais e pensamentos suicidas, em decorrência da pressão social para manter uma imagem de força e invulnerabilidade.

A idealização histórica da masculinidade reforça o silêncio institucional e familiar, ocasionando a invisibilidade do crime de estupro. Entretanto, casos de vítimas públicas, como Marcelo Adnet e Silvério Pereira, expõem a dificuldade de romper o estigma e relatar o abuso. Segundo Pires [5.] e relatos publicados na imprensa [2.], tais testemunhos demonstram a importância de tornar visíveis essas experiências, incentivando denúncias e promovendo acolhimento às vítimas.

    • Análise e interpretação dos achados

Os resultados obtidos indicam que a invisibilidade social e institucional das vítimas masculinas de violência sexual advém de uma idealização histórica da masculinidade que associa o homem a força e a invulnerabilidade. Isso acarreta à resistência ao reconhecimento individual do abuso e a denúncia formal, de modo que impede a busca por ajuda.

O cenário evidencia a necessidade de políticas públicas que desconstruam estigmas de gênero, criem espaços de acolhimento e capacitem profissionais da saúde e segurança pública para lidar com as especificidades das vítimas masculinas.

Assim, a análise aponta que o enfrentamento dessa violência depende de intervenções integradas entre Estado, sociedade civil e instituições de ensino. É necessário o reconhecimento de que os homens também são vítimas, e que o silêncio diante dessa realidade contribui para a perpetuação de sofrimentos físicos e psicológicos, assim como para a manutenção de uma cultura de negação.

 

Tabela 1: Artigos selecionados sobre a violência sexual masculina

Nº

Artigos

Principais achados

1

BRASIL [1.]

O artigo 213 do Código Penal Brasileiro, corresponde ao crime de estupro, o dispositivo não distingue o gênero, configurando uma evolução jurídica na proteção da dignidade sexual de homens e mulheres.

2

FERREIRA [2.]

Evidencia-se que, em razão dos estigmas de gênero, a subnotificação de casos de violência sexual envolvendo vítimas masculinas ocorre em proporção inferior ao esperado, o que contribui para a perpetuação dessa violência. A falta de espaços para denúncia agrava ainda mais, e por conseguinte, traumas psicológicos irreversíveis.

3

MITCHELL [3.]

Explora-se o abuso sexual contra meninos, mostrando que vergonha, medo dificultam denúncias e causam impactos psicológicos duradouros, ressaltando a necessidade de visibilidade e políticas públicas para vítimas masculinas.

4

PIRES [5.]

Expõe que normas culturais e de gênero moldam comportamentos preventivos frente à violência sexual, reforçando a responsabilidade sobre a vítima. Tal entendimento pode ser aplicado aos homens, evidenciando como estigmas de gênero também dificultam denúncias masculinas.

5

QUEIROZ & VAN LANGENDONCK [6.]

A violência sexual contra homens no Brasil é fortemente subnotificada, com a PNS (2022) apontando 1,8 milhão de vítimas entre homens e meninos. Apenas 9% dos meninos vítimas denunciam, refletindo estigmas de gênero e baixa visibilidade social. Uma revisão de 1.400 estudos identificou apenas 53 que tratam de homens vítimas, evidenciando lacunas na pesquisa e a necessidade de ampliar o debate.

Fonte: Autoras (2025).

 

  • Considerações finais

 À luz do que foi exposto, evidencia-se que a violência sexual contra meninos e homens é amplamente subnotificada e invisível. Esse quadro é reforçado por estigmas de gênero que dificultam a denúncia e, consequentemente, o acolhimento das vítimas. A invisibilidade social e institucional prolonga os efeitos do abuso, com repercussões psicológicas, comportamentais e sociais na vida adulta, como isolamento, uso de drogas, disfunções sexuais e pensamentos suicidas.

A subnotificação revela barreiras socioculturais e familiares ligadas à idealização histórica da masculinidade que agrava a invisibilidade e intensifica os impactos negativos do abuso. Essa construção social de invulnerabilidade contribui para o silêncio e a falta de apoio.

Diante desse cenário, destaca-se a relevância da educação sexual no âmbito comunitário, nas unidades básicas de saúde e nas escolas. Essa prática deve esclarecer o que caracteriza a violência sexual e como ela ocorre, possibilitando a identificação dos fatores de riscos e prevenir situações de abuso.

Urge, ainda, a implementação de políticas públicas inclusivas, campanhas de conscientização e programas educativos que promovam visibilidade e desconstruam estigmas de gênero. Soma-se a isso a criação de ambientes seguros de acolhimento, a capacitação de profissionais e o incentivo a pesquisas interdisciplinares que aprofundem a compreensão dos impactos da violência sexual. Além disso, é essencial investir em tecnologias que favoreçam a denúncia e a educação, como aplicativos que ofereçam espaços seguros e interativos para desconstruir estereótipos de gênero. Feito isso, torna-se possível a construção de uma resposta social mais justa e equitativa à violência sexual contra homens.

 

  • Declaração de direitos

 As autoras declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outro(a) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade das autoras, e não possuem direitos autorais reservados a terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou autoplágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade das autoras.

 

  • Referências

1

AFYA Vitória da Conquista, Vitória da Conquista, Brasil. E-mail: ​​ 

2

AFYA Vitória da Conquista, Vitória da Conquista, Brasil. E-mail: ​​ 

3

AFYA Vitória da Conquista, Vitória da Conquista, Brasil. E-mail: ​​ 


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