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Scientific Society Journal  ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Procrastinação no ambiente acadêmico: seus impactos na saúde mental dos estudantes universitários e como a terapia social cognitiva pode intervir

Quezia Gomes de Souza1; Mariana Fernandes Ramos dos Santos 2

 

Como Citar:

SOUZA, Quezia Gomes; DOS SANTOS, Mariana Fernande Ramos. Procrastinação no ambiente acadêmico: seus impactos na saúde mental e como a Terapia Social Cognitiva pode intervir. ​​ Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5746-5760, 2024.

https://doi.org/10.61411/rsc202490517

 

 

DOI: 10.61411/rsc202490517

 

Área do conhecimento: Ciências Humanas.

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Palavras-chaves: Procrastinação, Procrastinação acadêmica, Autoeficácia.

 

Publicado: 28 de novembro de 2024.

Resumo

Este trabalho tem como objetivo conceituar a procrastinação no contexto acadêmico e identificar como sua prática pode trazer prejuízos à saúde mental e ao aprendizado dos estudantes universitários. A temática da procrastinação é atual e de grande relevância para a sociedade. Através de uma revisão bibliográfica integrativa, o estudo busca conceituar a procrastinação, apresentar as características dos estudantes acadêmicos que procrastinam; identificar as possíveis causas da procrastinação nos estudantes universitários e analisar os impactos da procrastinação na saúde mental dos universitários. Além disso, o artigo examina como a Terapia Cognitivo-Social pode contribuir para a autorregulação emocional, ajudando a evitar a procrastinação. Foram selecionados artigos previamente publicados, priorizando aqueles que apresentavam maior alinhamento com o tema proposto. Os descritores utilizados foram “procrastinação”, “autoeficácia” e “procrastinação acadêmica”, resultando na escolha de seis artigos relevantes. A revisão de literatura identificou como causas da procrastinação fatores como as exigências do ensino superior, falta de motivação, preguiça, medo do fracasso e a ausência de apoio de amigos e familiares.

 

 

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Procrastination in the academic environment: its impact on the mental health of university students and how cognitive social therapy can intervene

Abstract

This study aims to define procrastination in the academic context and identify how its practice can harm the mental health and learning of university students. The theme of procrastination is current and highly relevant to society. Through an integrative literature review, the study seeks to define procrastination, present the characteristics of academic students who procrastinate, identify the possible causes of procrastination among university students, and analyze the impacts of procrastination on the mental health of university students. Additionally, the article examines how Cognitive-Social Therapy can contribute to emotional self-regulation, helping to prevent procrastination. Previously published articles were selected, prioritizing those that were most aligned with the proposed theme. The descriptors used were "procrastination," "self-efficacy," and "academic procrastination," resulting in the selection of six relevant articles. The literature review identified factors such as the demands of higher education, lack of motivation, laziness, fear of failure, and the absence of support from friends and family as causes of procrastination.

Keywords/Palabras clave: ​​ Procrastination, Academic Procrastination, Self-Efficacy.

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1.Introdução

O presente estudo busca compreender a procrastinação definida como adiar voluntariamente uma atividade, necessária ou importante, considerando que as consequências negativas são maiores que as positivas desse adiamento. Pode-se considerar a procrastinação como adiamento de tarefas, causa de estresse e de dificuldade de aprendizagem nesses estudantes universitários, pois, os estudantes que passam pela experiência de adiar tarefas e estudos acadêmicos, apresentam dificuldades para lidar com prazos. E por isso deixam para realizar a tarefa no último momento do prazo estabelecido. [9].

Com isso, esses universitários podem sofrer danos em sua saúde mental devido ao estresse resultado dessa prática. Além de ocasionar sentimentos de baixa autoestima e insuficiência acadêmica, associados com uma elevada autocrítica. [7]

O grau de dificuldade da tarefa pode influenciar com o quanto o estudante procrastine para realizá-la. Atividades consideradas mais difíceis, demoradas e importantes podem ser adiadas cada vez mais. Pois, o medo do fracasso, a preguiça, o perfeccionismo são citados como possíveis causas de procrastinação nos estudantes. E com isso, o adiamento das tarefas pode se tornar frequente para o universitário. [9].

De acordo com o psicólogo canadense Albert Bandura, a autorregulação é a capacidade de conseguir regular o próprio comportamento, emoções e pensamentos para conquistar metas. Em seu livro “Teoria Social Cognitiva: Conceitos Básicos”, abordou a relevância da autorregulação em seu modelo de aprendizagem social. Bandura [2], apresentou que as pessoas não são simplesmente moldadas pelo ambiente ou pela experiência direta com ele. Pois, as pessoas assim como o meio social em que estão envolvidas, também desempenham um importante papel em seu próprio desenvolvimento. [2].

Para Bandura [2], as pessoas aprendem pela observação de outros modelos e esse aprendizado pode influenciar na sua autorregulação. A literatura especializada destaca os efeitos adversos da procrastinação em diversos aspectos, como o processo de aprendizagem, o desempenho acadêmico, o senso de controle e o bem-estar subjetivo dos estudantes (Geara & Teixeira, 2017; Grunschel, Partrzek, & Fries, 2013, apud Pereira et. al., 2021). O hábito prolongado de procrastinar pode ser associado ao desenvolvimento de condições clínicas, tais como depressão, ansiedade aguda, estresse, perda da atenção e instabilidade emocional . [9].

A procrastinação é um tema de alta importância social, devido aos impactos que procrastinar pode causar na saúde mental das pessoas, sendo um deles no âmbito acadêmico, pois, o ingresso no ensino superior exige mais dos estudantes. É um ambiente novo, com mais autonomia no processo de aprendizagem (Ceballos, Vargas, & Santos, 2017, apud Pereira et. al., 2021). [9].

A procrastinação acadêmica é uma temática que precisa ser discutida e estudada, pois, seu impacto na vida dos universitários e seus prejuízos à saúde mental podem ser vistos. O hábito prolongado de procrastinar pode ser associado ao desenvolvimento de condições clínicas, tais como depressão, ansiedade aguda, estresse, perda da atenção e instabilidade emocional (Morris & Fritz, 2015; Patrzek, Grunschel, & Fries, 2012; Steel & Klingsieck, 2016, apud Pereira et. al., 2021). [9].

A Terapia Social Cognitiva de Bandura (1991), aborda como a autorregulação pode auxiliar os estudantes a regularem suas emoções e implicando em uma estratégia para evitar com que as tarefas sejam adiadas por descontrole emocional. [2].

A ação de procrastinar pode reforçar no estudante esse comportamento e o tornar mais frequente na sua vida acadêmica. Ao relacionar que cada adiamento de tarefas pode impactar na baixa autoestima e autoeficácia do estudante. E assim ele procrastine mais na próxima tarefa. E de modo que o estudante entre em um ciclo de procrastinação. A procrastinação pode ser utilizada para lidar com a baixa crença de autoeficácia de ter um desempenho negativo ou inadequado ao realizar tarefas (Batool et al., 2017 apud Lima-Silva et. al., 2022 p. 111). [7].

O artigo objetivou identificar os impactos na saúde mental que a prática de procrastinação gera nos estudantes universitários durante a graduação acadêmica. Ademais, conceituar procrastinação no cenário acadêmico; apresentar as características dos estudantes acadêmicos que procrastinam; identificar as possíveis causas da procrastinação nos estudantes universitários; analisar os impactos da procrastinação na saúde mental dos universitários e analisar como a Terapia Social Cognitiva contribui para a autorregulação emocional a fim de evitar a procrastinação.

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2.Metodologia

Foi realizado uma revisão de literatura integrativa dos dados e impactos da procrastinação no âmbito acadêmico. Foram lidos os artigos e selecionados os com maior compatibilidade com o tema proposto. Ademais, foi utilizado os descritores “procrastinação”, “autoeficácia”, “procrastinação acadêmica” para obter mais resultados.

Os critérios para análise foram as publicações realizadas do período de 2019 a 2024, dispostos nas bases de dados: SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e Periódicos de Psicologia e Google Acadêmico. Desse modo, foram selecionados 7 artigos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão para a pesquisa a ser desenvolvida. Com base nos artigos foi identificado como a prática de procrastinar academicamente traz prejuízos para a saúde mental dos estudantes. E sua relação com a dificuldade de manejar o tempo de estudos e aprendizado.

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3.Teoria Social Cognitiva

A Teoria Social Cognitiva é considerada um importante trabalho científico e tem uma aplicabilidade em diferentes contextos como a psicologia educacional e clínica, além da promoção da saúde em resolução de problemas macrossociais (Carvalho & Petrich, 2020). [4].

Zimmerman e Schunk (2003) destacam que entre os anos de 1950 e 1960, Bandura começou a investigar os fatores sociais e familiares que influenciam comportamentos antissociais em adolescentes, compreendendo que as atitudes dos pais em relação à agressividade exerciam grande influência nesse tipo de conduta. [4].

Essa constatação levou Bandura a se aprofundar nos estudos dos mecanismos que coordenam a aprendizagem observacional, conhecida como aprendizagem vicariante ou modelação. Em um de seus famosos experimentos com o boneco Bobo (Experimentos do João-Bobo), concluíram que a exposição de crianças a comportamentos agressivos aumentava a probabilidade de elas reproduzirem essas ações . [4].

A Teoria da Aprendizagem Social diferenciou-se do behaviorismo radical3 ​​ com o programa para pesquisar as capacidades autorregulatórias das pessoas, através de habilidades que podem influenciar o próprio comportamento. ​​ Pois, os analistas operantes relacionam o controle de estímulos ao papel de controlar o comportamento, sendo uma função do ambiente externo . [3].

A Teoria Social Cognitiva apresenta como conceitos básicos a aprendizagem observacional4 ​​ e enativa5, ​​ autorregulação6 ​​ e autoeficácia7 ​​ em termos relacionados ao desenvolvimento individual dos seres humanos. De acordo com Bandura (1997), a aprendizagem observacional é também conhecida como vicariante ou modelação e aprendizagem enativa são um dos meios importantes de adquirir comportamentos . [4].

Segundo Bandura (1977), a modelação é considerada a principal fonte da aprendizagem humana. Pois, seria pouco prazeroso e até perigoso adquirir diferentes comportamentos através apenas da tentativa e erro. Por isso, ao observar as ações, pode-se compreender como os comportamentos são realizados e até mesmo realizar o comportamento através dos resultados observados. [4].

De acordo com Bandura, para a modelação acontecer são necessários quatro processos. (Quadro 1)

Quadro 1 - Processos necessários para a modelação.

Atenção: o observador precisa estar muito atento aos detalhes principais do comportamento. Essa atenção pode depender das características, posição social e poder, relacionando-se com o valor atribuído ao comportamento. Pois, o observador pode apresentar uma maior capacidade para processar elementos que sejam mais atrativos, recebendo mais a sua atenção.

Retenção: o observador precisa lembrar do comportamento para reproduzir, através de um processo de simbolização. Como a criação de imagens mentais, visualizar uma fatia de pizza quando se menciona o comportamento de comer; e a codificação verbal como as instruções da receita para preparar a pizza.

Reprodução motora: O observador precisa transformar a representação cognitiva em uma ação motora. Pois, a modelação consegue propor uma noção ao da complexidade de comportamentos motores.

Motivação: o comportamento aprendido que é executado precisa ser valorizado pelo observador ou no contexto social, é necessário que as consequências do comportamento do modelo sejam vistas como reforçadoras pelo observador.

Fonte: Bandura (1997)

 

Já a aprendizagem enativa, considera que os comportamentos são aprendidos e modificados através de suas consequências. Segundo Bandura (1997), não existem muitas evidências sustentando a ideia de que os reforços e punições atuam aumentando a intensidade ou enfraquecendo o comportamento. Pois, poderia se medir as consequências cognitivamente. Diante disso, Bandura não exclui a chance do aprendizado de comportamentos mediante ao reforço, porém, destaca que não pode ser aplicado sobre padrões mais complexos de conduta. E pontua que as consequências desses comportamentos têm objetivo de informar e motivar respostas comportamentais mais adequadas em certos contextos do que fortalecer ou intensificar a frequência dessas respostas. [4].

A Teoria Social Cognitiva é o conceito de agência humana, capacidade que o indivíduo possui de gerenciar suas ações [2].

Bandura (2001), elenca quatro características essenciais da agência:

Quadro 2 - características essenciais da agência:

Intencionalidade: o comportamento pode ser intencional, pois, as intenções são compreendidas como a representação que o indivíduo possui de suas ações futuras e não como resultados esperados de uma ação ou uma intuição.

Antecipação: os indivíduos possuem capacidade para imaginar e criar possibilidades que possam acontecer em situações futuras. Pois, planejam ações objetivas e podem utilizar da representação para motivar comportamentos presentes.

Autorreatividade: a capacidade de conciliar o curso da ação em prática e regular os resultados obtidos.

Autorreflexão: capacidade de análise dos indivíduos sobre a própria conduta. Considera-se examinar e avaliar pensamentos e comportamentos próprios como uma das características básicas da agência humana.

Fonte: Bandura (2001)

 

De acordo com Bandura (1991), ferramenta capaz de controlar pensamentos, comportamentos e sentimentos próprios é chamada de autorregulação. Para a autorregulação acontecer depende-se de três subfunções principais: auto-observação, processos de julgamento e autorreação. [4].

A auto-observação conhecida como fase inicial da autorregulação, para que aconteça é importante que as pessoas observem com atenção seus próprios comportamentos. O contexto em que eles ocorrem, e as respostas atuais e futuras. Considera-se que as caraterísticas comportamentais reparadas, essas que recebem atenção do sujeito possuem relação com os significados relacionados e o funcionamento de crenças que o indivíduo tem. Após o processo de observação do próprio comportamento, o próximo evento é a comparação com padrões já estabelecidos. Esses padrões podem ser subjetivos ou podem ser em relação ao desempenho de outras pessoas e o próprio desempenho passado. E por fim, o último passo da autorregulação é a autorreação, acontece a produção de reações ao próprio comportamento, com base nos julgamentos realizados no passo antecedente. ​​ Os indivíduos procuram comportamentos que geram autorreações positivas e com isso evitam comportamentos que causem uma autoavaliação negativa . [4].

As pessoas regulam suas ações ao estabelecer incentivos que influenciam seu comportamento e ao prever as reações emocionais que resultam dos julgamentos. Esses incentivos podem ser tangíveis, como a concessão de um dia de folga após a realização de uma tarefa difícil, ou autoavaliativos, como a sensação de satisfação que se segue a um trabalho bem feito . [4].

Bandura (1991), destaca a autoeficácia como um ponto central da autorregulação. Pois, estabelece como crença na capacidade própria de realizar certa ação para atingir objetivos desejados. A autoeficácia é a crença que o indivíduo tem de sua capacidade de realizar ações. Contudo, ela não é uma característica global, que se amplia ao funcionamento do indivíduo, sendo específica para cada atividade. Por exemplo, a pessoa que tem autoeficácia alta para dirigir em cidade movimentada pode ter baixa autoeficácia para falar em público. [4].

A forma como um indivíduo define metas, como interpreta os eventos que ocorrem em sua vida atribuindo a eles sucessos e falhas são resultados do seu próprio desempenho, seus padrões de pensamento, sua perseverança diante desafios ao realizar metas, o estresse resultado a pressões do ambiente e outros fenômenos. (Bandura, 1991) Pois, a baixa crença na realização de tarefas impacta em uma falta de incentivo e motivação em realizá-los. Ademais, as crenças de autoeficácia auxiliam indivíduos confiantes a prever os resultados desejados, por acreditarem em bons resultados. Já na esfera acadêmica aqueles que confiam em suas habilidades e almejam boas notas em provas e relacionam a qualidade do trabalho acadêmico com o futuro têm bons resultados profissionais e pessoais. E o oposto também acontece para os indivíduos que não tem confiança. Os estudantes que têm baixa crença em suas habilidades acadêmicas preveem notas baixas antes da prova ou de começaram a disciplina. E por isso, os resultados esperados desses comportamentos imaginários divergem: enquanto os primeiros podem obter sucesso social ou maior diversidade de opções de carreira, os últimos enfrentam possibilidades como isolamento social ou restrições acadêmicas. [4].

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4.Procrastinação no Ambiente Acadêmico

De acordo com Lourenço & Santos (2016), ao ingressar no ensino superior o indivíduo passa por uma modificação em sua configuração social e acadêmica que resulta em mudanças na vida do acadêmico, em seus relacionamentos interpessoais, na sua rotina e na sua visão de mundo. Pois, esse período de ingresso estudantil pode ser experienciado como estressante, influenciando na saúde mental e na produtividade do estudante (Bardagi & Hutz, 2011; Monteiro & Soares, 2017). E com isso, o estudante pode se utilizar do coping- estratégia de enfrentamento com o objetivo de solucionar questões emergentes nesse processo (Carlotto, Teixeira, & Dias, 2015, apud Sahão et. al., 2021). [10].

Nesse cenário, a frequente adoção de estratégias como desculpas e comportamentos de esquiva durante a realização de tarefas pode ter efeitos prejudiciais para a saúde e o aprendizado do estudante, comprometendo o desempenho e o êxito nas atividades em execução (Brito & Bakos, 2013). Dentre as estratégias prejudiciais destacadas em estudos, encontram-se o uso excessivo de álcool e outras drogas, procrastinação nos estudos e trabalhos acadêmicos, e saída na noite anterior a provas e exames, entre outras (Ganda & Boruchovitch, 2015; Geara, Filho, & Teixeira, 2017; Machado & Schwartz, 2018 apud Pereira et. al., 2021). [9].

Segundo os autores Sampaio & Bariani (2011), a investigação científica sobre a procrastinação teve início na década de 1980, tornando o estudo desse fenômeno relativamente recente. A procrastinação acadêmica é conceituada como o adiamento desnecessário de tarefas relacionadas às tarefas acadêmicas, como preparação para atividades avaliativas, realização de trabalhos e revisão de literatura de textos (Kerbauy, 1999; Geara & Teixeira, 2017). A análise dessa temática é socialmente importante devido às consequências que a procrastinação pode causar na vida das pessoas, seja no âmbito social, na saúde ou na educação, principalmente no ensino superior, onde se requer do aluno um maior senso de autonomia e autorregulação em relação ao próprio processo de aprendizagem. [9].

Ademais, a problemática da procrastinação constantemente tem sido associada à falha no processo de autorregulação. [9].

De acordo com o psicólogo canadense Albert Bandura, a autorregulação é a capacidade de conseguir regular o próprio comportamento, emoções e pensamentos para conquistar metas.

Em seu livro “Teoria Social Cognitiva: Conceitos Básicos”, abordou a relevância da autorregulação em seu modelo de aprendizagem social. Bandura (1991), apresentou que as pessoas não são simplesmente moldadas pelo ambiente ou pela experiência direta com ele. Pois, as pessoas assim como o meio social em que estão envolvidas, também desempenham um importante papel em seu próprio desenvolvimento.

Para Bandura [2], as pessoas aprendem pela observação de outros modelos e esse aprendizado pode influenciar na sua autorregulação. A literatura especializada destaca os efeitos adversos da procrastinação em diversos aspectos, como o processo de aprendizagem, o desempenho acadêmico, o senso de controle e o bem-estar subjetivo dos estudantes. [9].

O hábito prolongado de procrastinar pode ser associado ao desenvolvimento de condições clínicas, tais como depressão, ansiedade aguda, estresse, perda da atenção e instabilidade emocional. [9].

Estudos realizados por Klassen, Krawchuk e Rajani (2008) e Klassen e Kuzucu (2009) com universitários evidenciaram que um elevado índice de procrastinação está correlacionado à má qualidade dos trabalhos acadêmicos, à redução das chances de atingir metas acadêmicas com êxito e à propensão a um desempenho acadêmico inferior ao esperado. Nesse sentido, ressalta-se a necessidade de serviços de apoio psicológico aos estudantes, para orientar no planejamento dos estudos, na diminuição da procrastinação e na autorregulação da aprendizagem. [9].

A procrastinação é compreendida como uma forma de enfrentamento da ansiedade relacionada ao início ou conclusão de atividades importantes para o indivíduo. Essa prática está correlacionada a níveis altos de estresse, depressão, ansiedade e baixa satisfação com a vida sendo amplamente prevalente entre estudantes universitários (Batool et al., 2017 apud Lima-Silva et. al., 2022). Nas últimas quatro décadas, tem-se observado um crescimento no corpo teórico relacionado à procrastinação acadêmica de modo geral. [7].

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5.Saúde Mental e Intervenção do Psicólogo

De acordo com Bandura [2], a aplicabilidade da Teoria Social Cognitiva de forma individual alcança bons resultados ao utilizar a autoeficácia no tratamento de transtornos de ansiedade e depressivos. Pois, pode-se aplicar para casos de procrastinação relacionados a esses transtornos. Além da motivação influenciar na capacidade do indivíduo acreditar em realizar atividades de acordo com suas habilidades. Bandura [3], pontua como a modelação pode ser utilizada para transformar ambientes mais propícios para realizar tarefas com mais êxito. Se o indivíduo está em um ambiente em que as pessoas ao seu redor se planejam e executam tarefas sem procrastinar, pode-se modelar a seu comportamento. Porém, se seu ambiente é desorganizado, tumultuado e as pessoas ao seu redor não são tão disciplinadas tendem a procrastinar mais.

Em relação a sentimentos de incapacidades, o indivíduo tende a procrastinar mais ao evitar os sentimentos que causam desconforto ao precisar realizar uma atividade. E com isso, ter danos que prejudiquem a sua saúde mental. Por isso, a intervenção do psicólogo é importante para garantir o acesso facilitado à saúde mental.

De forma, que esse indivíduo que está passando por dificuldades de planejamento acadêmica relacionada a procrastinação possa encontrar na intervenção psicológica ferramentas de planejamento, controle da ansiedade, técnicas de respiração para realizar a sua autorregulação emocional como proposto por Bandura. O psicólogo poderá trabalhar as crenças de autoeficácia do indivíduo de modo a questionar essas crenças por meio do questionamento socrático, exame de evidências e técnica de registro de pensamentos, sendo utilizado para identificar pensamentos que dificultam a realização de tarefas desconfortáveis, para pontuar de forma subjetiva a dificuldade enfrentada pelo indivíduo. E com isso, o psicólogo poderá auxiliar na melhora de crenças de autoeficácia para aumentar a confiança do indivíduo. [3].

O indivíduo com a confiança elevada acredita mais em seu potencial e terá mais motivação para realizar tarefas que costumava procrastinar. Por isso, a importância da intervenção psicológica para auxiliar o indivíduo a planejar seus estudos e alcançar metas acadêmicas. [3].

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6.Considerações finais

Diante do exposto, compreende-se que a procrastinação acadêmica atua como um importante indicador de desempenho acadêmico prejudicial em estudantes universitários e está correlacionada a prejuízos na saúde mental, como ansiedade e depressão (Randjelović et al., 2021). Nesse contexto, estudantes universitários que experimentam sintomas depressivos enfrentam prejuízos significativos em sua saúde física e mental, já que existe uma associação positiva entre estresse, sintomas depressivos e procrastinação acadêmica (Yang et al., 2022). A Teoria Social Cognitiva se destaca como base de conhecimento importante ao apresentar os conceitos de autorregulação, autoeficácia e modelação para auxiliar os indivíduos que enfrentam a procrastinação acadêmica. [6].

 

7.Declaração de direitos

 O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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8.Referências

  • BANDURA, A. Social learning theory. Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall, 1977a.

  • BANDURA, A. Social Cognitive Theory of Self-Regulation. Organizational Behavior and Human Decision Processes, v. 50, n. 2, pp. 248-287, 1991.

  • ​​ BANDURA, A. A evolução da teoria social cognitiva. In: BANDURA, A., AZZI, R. G., POLYDORO, S. (orgs.). Teoria Social Cognitiva: Conceitos Básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.

  • CARVALHO, C. F.; PETRICH, L. R.. Uma Introdução à Teoria Social Cognitiva de Albert Bandura. In: XVIII Jornada Científica da Univel, 2020, Cascavel. XVIII Jornada Científica da Univel: equilíbrio e simplicidade da vida, 2020. p. 913-924.

  • FIOR, C. A.; SAMPAIO, R. K. N.; REIS, C. A. do C.; POLYDORO, S. A. J. Autoeficácia e procrastinação acadêmica em estudantes do ensino superior: Um estudo correlacional. Psico, [S. l.], v. 53, n. 1, p. e38943, 2022. DOI: 10.15448/1980-8623.2022.1.38943. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/index.php/revistapsico/article/view/38943. Acesso em: 29 abr. 2024.

  • LIMA, Tamires Almeida da Costa. Por que deixamos para depois? Explicando a procrastinação acadêmica em universitários a partir da personalidade e das variáveis sociodemográficas. 2023. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/123456789/28111/1/_.pdf. Acesso em: 12 nov. 2024

  • LIMA-SILVA, Luiz Guilherme; DE FARIAS LEITE, Michelle; FARO, André. Procrastinação acadêmica e ansiedade: uma revisão integrativa. Revista Construção Psicopedagógica, v. 31, n. 32, p. 109-123.

  • PAULA, Y. A. D.; PADOVANI, R. D. C.; BATISTA, S. H. S. D. S. O olhar de graduandos sobre a procrastinação acadêmica: conhecendo e intervindo. Educação em Revista, v. 38, p. e26629, 2022.

  • PEREIRA, L. DA C.; RAMOS, F. P.. Procrastinação acadêmica em estudantes universitários: uma revisão sistemática da literatura. Psicologia Escolar e Educacional, v. 25, p. e223504, 2021.

  • SAHÃO, F. T.; KIENEN, N.. Adaptação e saúde mental do estudante universitário: revisão sistemática da literatura. Psicologia Escolar e Educacional, v. 25, p. e224238, 2021.

 

 

 

 

1

UniRedentor/Afya, Itaperuna, Brasil.

2

UniRedentor/Afya, Itaperuna, Brasil.

3

​​ Behaviorismo radical é uma filosofia que estuda cientificamente o comportamento humano e animal.

4

​​ Aprendizagem observacional acontece através da observação de comportamentos.

5

​​ Aprendizagem enativa os comportamentos são aprendidos e modificados através de suas consequências.

6

​​ Autoregulação capacidade do indivíduo controlar seu comportamento.

7

​​ Autoeficácia é a crença na sua capacidade para realizar tarefas.

 

 


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