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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc69069

Publicado em 25 de outubro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

A INFLUÊNCIA DO EMAGRECIMENTO NA SAÚDE MENTAL

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1Bruna de Oliveira Guerra; 2Leticia Firmino de Sousa

1,2Faculdades Metropolitanas Unidas- Santo Amaro-SP

2[email protected]

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RESUMO

A valorização exacerbada de uma forma corporal estabelecida socialmente é a principal razão para o aumento das cirurgias estéticas no país, ela remonta ao século XVI, quando os europeus, durante o processo de colonização, determinaram que o modelo padrão de indivíduo superior era o de um homem sem imperfeições em seu bem-estar físico. A sociedade, tendendo a adaptar as estruturas sociais de seu tempo defendidas por Pierre Bourdieu, naturalizou esse modelo e o reproduzem por gerações. Um exemplo contemporâneo disso é o "homem Ken", que tentou se adaptar à perfeição de um nenê com cirurgias, mas durante uma dessas intervenções contraiu uma infeção que resume sua vida. Assim, não se deve arriscar a saúde em favor de tipos de corpo que prevalecem nas estruturas sociais.

Palavras-chave: Corpo perfeito, Estética, Dieta, Emagrecimento, Obesidade.

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THE INFLUENCE OF WEIGHT LOSS ON MENTAL HEALTH

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ABSTRACT

The exacerbated appreciation of a socially established body shape is the main reason for the increase in cosmetic surgeries in the country, it dates back to the 16th century, when Europeans, during the colonization process, determined that the standard model of a superior individual was that of a man without imperfections in his physical well-being. Society tending to adopt the social structures of its time defended by Pierre Bourdieu, naturalized this model and reproduced it for generations. A contemporary example of this is the "Ken man", who tried to adapt himself to the perfection of a baby with surgeries, but during one of these operations he contracted an infection that summed up his life. Thus, one should not risk one's health in favor of body types that prevail in social structures.

Keywords: Perfect body, Aesthetics, Diet, Weight loss, Obesity.

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1 INTRODUÇÃO

O trabalho a seguir tem como objetivo tecer sobre a saúde mental e como o processo de emagrecimento pode influenciar na qualidade da saúde mental das pessoas.

 

2 REFERENCIAL TEÓRICO

A alimentação é um processo determinante para que os seres vivos recebam o alimento necessário para exercer suas atividades vitais necessárias. Se não nos alimentarmos, não conseguimos realizar funções básicas de nosso organismo, como crescer ou nos reproduzir.[2]

Já a nutrição, nada mais é do que um processo biológico que vem por trás da alimentação, onde o organismo assimila e realiza a absorção dos nutrientes contidos nos alimentos.[2]

 Sobre a alimentação, existem alguns pilares que podem determinar a forma de como nos alimentamos; e esses fatores determinantes, que são definidos como: Biológicos, que são componentes fisiológicos, patológicos e genéticos, onde caracterizam as necessidades energéticas e de nutrientes para manutenção do metabolismo orgânico. Podendo determinar indiretamente a sensibilidade gustativa e consequentemente as preferências alimentares do indivíduo; socioculturais, que incluem a questão do convívio do indivíduo (família, amigos, relações de trabalho), dos grupos que gostaria de pertencer e ser aceito, ou dos grupos nos quais não deseja ser associado[3].

 Antropológico, que se refere à liberdade de escolha alimentar do indivíduo em paralelo às representações do que ele prefere consumir, podendo ser citado as variáveis como: valores, crenças, confianças ou intenções, expectativas e experiências[3].

Econômicos, que são relacionados ao poder de compra do indivíduo e a condição da oferta, e podem estar associados aos fatores demográficos.

Psicológicos, que da alimentação remetem aos significados emocionais relativos às experiências e memórias alimentares relacionadas à fonte de vínculo, afeto e sentimentos.

A partir da forma como nos alimentamos e também nos relacionamos com o 'ato' de comer e a alimentação, são levantados muitos questionamentos, que podem tentar ser solucionados por mitos e invenções sobre o assunto.[3]

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2.1CONCEITO DE OBESIDADE

A obesidade é uma doença crônica, caracterizada pelo excesso de tecido adiposo. Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), sua disseminação configura uma pandemia que atinge países desenvolvidos e em desenvolvimento, estimando-se, em todo o mundo, a existência de 300 milhões de pessoas com excesso de peso ou obesas (Organização Mundial de Saúde [OMS], 2004). Trata-se, portanto, de um grave problema de saúde pública.

Ditando padrões e regras, a sociedade atual demarca as fronteiras da beleza física ideal e o faz tornando "natural" e "necessária" a veiculação do corpo à magreza. Para o obeso, esse imperativo estético da magreza, ao qual não consegue atender, acarreta sentimento de rejeição e exclusão, pois é socialmente percebido, segundo atributos estereotipados, estigmatizantes e depreciativos, como preguiçoso, feio, descuidado, assexuado[6].

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2.2DA ESTÉTICA

Na sociedade moderna, há um crescente culto ao corpo onde as pessoas estão mais preocupadas com a imagem corporal e a estética interpretada como consumo cultural, a prática do culto ao corpo é hoje um problema geral que perpassa todas as classes sociais e todas as faixas etárias, ora sustentado pela questão estética, ora pelo discurso da saúde. Programas de televisão, revistas e jornais têm espaços dedicados para promover inovações nas indústrias de cosméticos, alimentos e vestuário com uma programação cada vez maiores anúncios nessas mídias estão incessantemente tentando vender algo pronto: sucesso e felicidade.

 O consumo desenfreado gerado pela mídia concentra-se principalmente nos adolescentes como principais alvos de vendas, no desenvolvimento de modelos de roupas estereotipadas, na indústria de cosméticos, que a cada dia lança novos cremes e géis redutores para eliminar "formas indesejáveis" do corpo e na prática de exercícios. “A indústria farmacêutica com supressores de apetite de alta qualidade[7].

Nas palavras de Descartes:

(...) minha essência consiste somente em que sou uma coisa que pensa e/ou uma substância da qual toda a essência e natureza consiste apenas em pensar. E, embora talvez (ou, antes, certamente, como direi logo mais) eu tenha um corpo ao qual estou muito estreitamente conjugado, todavia, já que, de um lado, tenho uma idéia ideia clara e distinta de mim mesmo, na medida em que sou apenas uma coisa pensante e inextensa, e que, de outro, tenho uma ideia distinta de corpo, na medida em que é apenas uma coisa extensa e que não pensa, é certo que este eu é minha alma, pela qual eu sou o que sou, é inteira e verdadeiramente distinta de meu corpo e que ela pode ser e existir sem ele[9].

Somos constantemente influenciados por inúmeras tecnologias que potencializam as imagens e que, de certa forma, alimentam o que somos, o que imaginamos ser e, sobretudo, o que queremos ser: cinema, publicidade, televisor, design, moda, digital, fotografia, compartilhamento e aplicativos como Facebook, Twitter e Instagram.

Todas as imagens que consumimos expressam em si a visão de mundo ou o interesse de seu autor/emissor. Por exemplo, um anúncio de uma marca de roupa ou perfume em uma revista geralmente termina com uma foto e uma legenda. Uma foto como essa geralmente nos entrega um cosmo de informações sobre como é ser consumidor dessa marca, desse cheiro[10].

Resume em si mensagens infinitas quando consumidos o referido perfume, acreditamos que fazemos parte desse mundo perfumado constituído pelos modelos, hábitos e valores da publicidade visual: é como se existirmos, de certa forma, parte desta casta. Isso desperta anseio em um certo número de pessoas que passam a consumir não só produtos, mas também estilo, espírito e modo de vida[8].

Um padrão de beleza é um conjunto de padrões estéticos que querem ditar o que o corpo ou a aparência de uma pessoa deve, ou não ser. Embora haja muito debate hoje sobre a importância de um conceito de beleza mais diverso e inclusivo, alguns mandatos parecem estar se fortalecendo com o tempo e as consequências da busca por padrões de beleza estão se tornando mais severas[7].

Corpo a Corpo é a mais completa revista de beleza do País, pois valoriza a essência de cada mulher. Em suas páginas, a leitora encontrará informações para ter uma silhueta definida e um visual mais bonito e saudável, com dicas de moda, cabelo, maquiagem e cuidados com a pele. Uma revista atual, feita para a mulher que sabe o quanto a aparência é fundamental na vida moderna[11].

Preocupada com a busca desenfreada pela "beleza perfeita" e pela vaidade excessiva, influenciada pelos mais diversos meios de comunicação, a associação Brasileira de Cirurgia Plástica estima que aproximadamente 130 mil crianças e adolescentes já passaram por cirurgias plásticas.

Obviamente, a existência de cuidados com o corpo não é exclusividade das sociedades contemporâneos e atenção especial deve ser dada à boa saúde. Porém, o cuidado pessoal não deve ser tão intenso e ditatorial como tem sido nas últimas décadas. Devemos sempre respeitar nosso corpo e nossos próprios limites.

Há uma espécie de inversão na trajetória do conceito, em que o estético deixa de ser uma faculdade que produz o conhecimento sensorial inferior à mente para se transmutar numa mudança cultural em que o corpo e os sentidos adquirem proeminência[11].

O estético põe em movimento a imaginação (como Kant já havia indicado), forjando o material dado, desafiando os sentidos e lançando luz sobre a pluralidade, pois nos permite configurar novos sentidos. Uma vez liberada de hierarquizações restritivas, é possível reconhecer que a estética promove a constituição de um mundo interior pelo desenvolvimento da imaginação, que, recuperada em sua força produtiva, capacita a fazer conjeturas e acolher formas de vida distintas, ampliando o conhecimento dos afetos, avaliando suas consequências. Auxilia a interiorizar sentimentos, preparando-nos para reordenar nossos pensamentos, emoções e motivações[8].

O efeito apelativo que a ideia de corpo ideal tem sobre determinados grupos merece aqui uma atenção especial, pois tem um perfil único. Segundo o psiquiatra e arqueólogo francês Gustave Le Bon, o grupo nas deita em uma espécie de “mente coletiva” que nos faz pensar, agir e sentir de forma diferente do que delineamos individualmente. Somos dominados por forças e impulsos que não podemos sustentar sozinhos[8].

Le Bon também propõe a ideia do fenômeno do contágio que contagia sentimentos e ações quando um indivíduo está no grupo, o que pode ser um efeito de sugestionabilidade, também é possível que o interesse coletivo supere o interesse individual, o que possuir um caráter hipnótico grupal. Esse fenômeno de contágio, ou apego hipnótico, descrito por Le Bon interessa a Freud porque ilumina o fenômeno da identificação[8].

Dentre as diversas nuances de identificação estudadas por Freud, destacamos aqui a terceira forma de identificação que ele apresenta, a partir do exemplo de uma menininha de internato. Uma das meninas recebe uma carta de amor e todas as outras ficam doentes como ela. Nesse caso, o mecanismo de identificação com o anseio (identificação histérica) desenvolvido por uma das meninas funciona a partir da capacitância ou vontade de se colocar na mesma situação[8].

Um dos exemplos psicológicos que Freud propõe ao longo de sua teoria e é utilizado neste texto para entender as diferentes formas de identificação é o ideal do ego. Para Freud, o auto ideal é composto por partes individuais e sociais. Isso pode ser consistente com os ideais gerais de uma família, um grupo ou mesmo uma nação. Este é um exemplo mental, responsável pelo autocontrole, ao mesmo tempo, em que provê medidas relacionadas a ideais perdidos e inatingíveis e direciona seus desejos. É também essa autoridade psíquica, o ideal do eu, que opera decisivamente na formação de massas ou grupos, pois, nesse caso, um objeto é levantado no lugar do ideal do eu, marcando um ponto de convergência de diferentes “eus” alinhando seu desejo pelo ideal. Daí o efeito da hipóstase e do fascínio sobre os diferentes indivíduos, qualquer que seja a relação que estabelecem entre si[8].

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2.3RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os comportamentos e práticas alimentares são edificados com base em determinações socioculturais. No mundo moderno, a mídia desempenha um papel estruturante na construção e desconstrução dos processos alimentares.

As dietas para emagrecer fazem parte da lógica de mercado permeada por padrões estéticos de corpo ideal. Atua conectando diversos ramos como a indústria cultural, empresas produtoras de commodities, indústria de eletrodomésticos e equipamentos e setor financeiro. É dentro dessa lógica que surgem os paradigmas estéticos e, consequentemente, os discursos sobre práticas alimentares para perda de peso.

Palavras, textos e imagens formam complexa rede de relações que tecem história e tecnologia em um domínio específico que produz poder, o discurso científico opera de acordo com regras predeterminadas sob certas condições de produção e é, portanto, uma representação de poder e controle social. O discurso mediático é transposto como síntese destes discursos científicos, mas apenas os generalizando e reelaborando-os de forma descontextualizada, despojada da sua identidade[8].

A análise dos significados presentes nos subtítulos das ementas da maior revista voltada para o público jovem feminino mostra que o anseio de sedução está presente na maioria delas. Os títulos das reportagens da revista Capricha não escondem sentido ou sentido, são claros e diretos, por se tratar de uma revista voltada para o público adolescente, que se identifica mais com a linguagem das imagens com pouco texto, demandando pouca leitura, ou oferece muita informação de forma rápida.

O discurso das matérias de revista sobre comer para emagrecer é sempre feito por especialistas, artistas e adolescentes, atores sociais cujas características acabam por levá-los a se engajar como formadores de ideias, ações e estilos.

Esse discurso, do ponto de vista técnico, reflete na ciência como uma maneira de construir conexões sociais e culturais e legitimar as informações apresentadas. Para a fala de um artista, a força do "dito" está na imagem. Os significados subjacentes a esses discursos incluem fama, sucesso, poder, bem como a cultura pós-moderna narcísica e individualista.8

Os corpos são produções e, como tais, figurados de formas distintas em momentos históricos distintos, até mesmo de forma heterogênea em um mesmo período. Rodriguez (1975) aponta que cada sociedade escolhe características que determinam como uma pessoa deve ser em muitos aspectos, inclusive físicos (às vezes mais do que qualquer outra coisa).

São as relações sociais em um determinado momento histórico que configuram e edifica modelos de ser socialmente autorizados, de acordo com os valores dos diferentes grupos e sociedades. Ainda segundo o mesmo autor "Temos consciência de no nosso corpo e nas pessoas que nos sãos relacionados, um dos indicadores da nossa posição social, e gerimos cuidadosamente de acordo com esta função" edificar sociedade[7].

Eles estão enraizados em leis e normas, mas também em costumes e hábitos.

A busca pela adequabilidade do corpo e o cumprimento das normas sociais é uma forma de controle do corpo por meio de práticas discursivas hegemônicas. Propagar corpos magros, sarados, petrificados, fortes, duros, saudáveis e jovens significa promover a abrangente petrificação da magreza tensionada pela gordura, o que influencia fortemente o desenvolvimento da subjetividade, pois são justamente as construções do saber e do poder que as gera[7].

Diante da avalanche de imagens nos artigos, algumas ocupando páginas inteiras de um corpo tonificado com aparatos de ginástica e uma dieta muito restritiva, reconhecemos que o que é comunicado quase sempre esconde o não dito e sua força verbal. Além da abundância da natureza, que revela a beleza sem pretensão e grande esforço ainda exige a diligência de cuidar do corpo, alimentação, estética, rituais diários e cuidados com o corpo que abrange mais do que simples exercícios ou qualquer tipo de exercício sobre comida: é um modo de vida. A felicidade está no sacrifício na privação. O ascetismo físico se manifesta na subsequente rejeição do deleite do sabor de alimentos gordurosos ou salgados; durante o treinamento diário, cada parte do corpo é examinada de perto e isolada do todo.

Ciência e tecnologia contribuem para encontrar o corpo perfeito. Como aliado, legitima esforços incansáveis pela afirmação de valores que proporcionam um padrão de beleza associado ao conhecimento científico, ao requinte e à disciplina. Assim, nos diferentes contextos em que operam, os técnicos disciplinares revelam e banem a diferença incômoda, sempre validando a adequabilidade em normas, imperativos, tomando o corpo como registro de poder vinculado a um modelo hegemônico de beleza.

Hoje, na correlação entre mídia e ciência, a estética da existência cede lugar à assimilação em massa de imperativos, muitas vezes distorcidos por publicidades da eterna juventude, sendo o consumo o agente mais importante para a construção da saúde perfeita. Os meios de comunicação, principalmente a imprensa escrita, veiculam jeitos de pensar e agir na sociedade parece que propagam jeitos de ser, alimentar estilísticas de existência e produzem jeitos de subjetivação que se fundamentam em verdades do vasto campo da ciência médica. Ainda assim, segundo os autores, o conhecimento produzido pela ciência moderna tem uma coisa em comum: intervir e mudar as coisas. Claro, o corpo não foi deixado sem vigilância[12].

O corpo é tanto um investimento em si mesmo quanto uma imagem apresentada aos outros. Tendo se tornado o mais fiel objeto de justiça aos súditos, o corpo foi submetido a uma disciplina rígida por tempo indeterminado, de forma que se sobrepôs estrategicamente a outra indústria, a saúde. Ao mesmo tempo, o corpo é um escravo sumariamente submetido a uma disciplina incessante, e um senhor, porque é a fonte absoluta de sacrifício de tempo, deleites e caminhos de investimentos emocionais e, para a maioria dos leitores, parca economia. Assim, vários discursos, sejam filosóficos, religiosos ou morais, são prejudicados pela (suposta) proteção da saúde de ramos muito diversos do corpo[12].

O corpo é cada vez mais visto como uma ferramenta para a criação de modelos identitários que nada mais são do que coerções sociais, disseminados pelos mais diversos meios de persuasão: da educação à mídia. Os modelos de identidade estão se tornando cada vez mais difíceis de implementar e exigem enormes somas de dinheiro, bem como esforço físico e tempo imensuráveis[13]. Estamos falando de produção em duas áreas: por um lado, cadáveres produzidos em massa, corpo padronizado e do outro lado controle e gerenciamento. A formação da subjetividade envolve, portanto, valores dominantes que acabam por aderir à mídia pautada pelo discurso da ciência ou em nome da ciência, sendo a mídia a mais forte conselheiro ao promover a inclusão em um grupo mais aceito socialmente, o que faz as pessoas acreditarem ser mais feliz, mais bonita, mais bem-sucedida.

Desde os primeiros habitantes da terra a busca pela beleza é uma conquista diária, porém, mais que uma moda a beleza é um impacto visual, em busca da perfeição, hoje visa o equilíbrio do corpo e o bem-estar, pois antes vivíamos apenas de beleza superficial, higiene adequada, cuidados pessoais e todos aqueles pós e perfumes, e sem todos os cuidados internos necessários para sua boa conservação.

Mas com a evolução da Estética, o mundo abriu suas portas para a tecnologia, novas ideias e novos horizontes foram delineados em busca verdadeira perfeição, uma perfeição que hoje está ao alcance de todos, em qualquer lugar, por isso hoje vivemos por dentro e por fora beleza, para que possamos estar bem com nosso corpo e mente[13]. Por isso, a profissão de tecnóloga estética é mais que uma meta, é uma missão que devemos cumprir, que assumimos sempre essa obrigação para com nossos clientes e nossas vidas. Foi no Paleolítico que surgiu o homossexual Sapiens, ou seja, o homem que sabe, assim denominado pelo progresso intelectual que demonstrou. Foi nesta época que o homem atingiu um grande desenvolvimento da linguagem e da sua capacidade de expressão abstrata, remetendo-nos para os primórdios da estória da ilustração, quando emergiram os primeiros vestígios da atividade artística[13].

A evolução artística do Paleolítico divide-se em várias épocas: a Aurinhacense e a técnica de pintura manual em negativo (wall art), onde se utilizava pó colorido obtido de entulho de pedra, misturado com um elemento de fixação, provavelmente obeso animal soprado por um canudo sobre uma mão apoiada na parede de uma caverna gravuras, gravuras aparecer nas paredes (arte da parede; silhuetas, animais vistos de perfil e pintura monocromática.

A obsessão estética é a fixação de uma pessoa em certos padrões de beleza. Tornamo-nos consumidores e dependemos de certos estereótipos e ideais que nada têm a ver com a realidade.

A beleza é criada através de filtros e se não filtrar, pode ser um corpo que trespassou por uma sala de cirurgia ou horas na academia e hábitos alimentares questionáveis.

O corpo bonito que muitos sonham é apenas uma propaganda na mídia. Grande parte da população jovem foi aprisionada por esse tipo de obsessão estética. Mas o tema não é novo, sabemos.

No entanto, a polêmica ocasionada por uma publicação no Wall Street Journal trouxe esse assunto à tona, o Facebook parece saber o impacto que o Instagram possuir sobre os adolescentes. Neste universo digital onde a imagem é primordial, mais de 40 % dos jovens usuários dizem sentir-se cada vez mais inseguros com o seu corpo e Mark Zuckerberg sabia disso de antemão.

A ideia segue um estudo publicado pela universidade de Kentucky em 2018. Ele argumentou que as redes sociais reproduziram uma geração cada vez mais instável, com baixa autoestima e formas corporais cada vez mais insatisfeitas. Meio século atrás, as pessoas recorrem a psicólogos por questões de identidade, problemas familiares ou trauma na infância. Hoje, a falta de autoestima é a grande “doença” do século XXI. Pode-se dizer que é a raiz da maioria dos problemas, preocupações, infortúnios e estados psicológicos.

Também deve ser reparado que os distúrbios alimentares pioram rapidamente, as meninas a partir dos 13 anos têm a obsessão de perder peso, reflexo desse ideal de beleza que elas têm em mente.

As obsessões estéticas esgotam a energia emocional, o potencial humano e o bem-estar físico e psicológico. Essa distorção do belo e da aceitável causa sofrimento imerecido a grande parte da população, principalmente aos mais jovens.

É hora de rever todas as histórias internas que criamos a partir de nossa paixão pela estética, ideias patológicas precisam ser gerenciadas para redirecioná-las para áreas mais saudáveis. Porque se deixar levar por esses filtros em que só valem determinados cadáveres leva o homem às fobias, à ansiedade e ao labirinto dos transtornos mentais de alto impacto.

A arte psicológica de repensar narrativas e construir músculos de autoestima leva tempo. É necessário, portanto, iniciar essa reeducação o quanto antes para lembrar novas gerações que elas são perfeitas do jeito que são.

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3CONCLUSÃO

A interação entre os indivíduos cria a sociedade que valoriza a aparência da cultura e isso afeta os indivíduos. As regras e leis que regem as sociedades humanas não são naturais, elas são criadas e construídas em sua realidade, por pessoas que participaram de suas práticas ao longo da história. O objetivo da cultura é dar sentido à vida em grupo, criar valores usuais e harmonizar, a cultura é o modo de ser do próprio homem, é o que o distingue dos animais. De certa forma, podemos dizer que um grupo humano, além de indivíduo, é pai e filho de sua própria cultura.

A forma como interagimos com o mundo, bem como o nosso comportamento e a atribuição de valores a determinados objetos, pessoas ou comportamentos estão diretamente ligados ao contexto social em que estamos inseridos. Portanto, não podemos negar que não somos pessoas que se autor recuperam e, em geral, não somos fortemente influenciados pelo ambiente ao nosso redor em relação ao nosso processo de desenvolvimento. O corpo como lugar onde nos experimentamos como animais no mundo – como forma de interação com o outro e com o mundo – é onde aparecem os signos da cultura.

Do ponto de vista acima, as fronteiras entre as culturas e os padrões de beleza criados pela sociedade são claras, o padrão de beleza é algo erigido culturalmente, a cada momento, em cada lugar o corpo é cabido e reconstruído das mais variadas formas. No início do século XXI, a beleza do corpo é considerada algo supremo. O contexto sociocultural está diretamente relacionado a essa rotulação, ou seja, a beleza do corpo está sempre ligada aos valores e ao contexto histórico da sociedade em que o sujeito está inserido. Atualmente, estamos vendo uma variedade de procedimentos de modificação corporal, como: Tudo isso aproxima a população feminina da elaboração dessa norma, quais várias mídias publicadas o tempo todo.

 Sejam novelas, revistas, outdoors, folders distribuídos em lojas de roupas, etc. Somos constantemente bombeados com essas imagens que nos fazem querer atingir esse corpo padrão. As meninas sofrem com prescrições mais do que nunca. Ela não era mais marido, padre ou médico. É o discurso jornalístico e publicitário que a envolve. No início do século 21, todos nós temos o dever de cuidar de nossos cadáveres. Esta é, sem dúvida, outra forma de submissão. A subordinação, diga-se de passagem, pior do que ela sofria antes, porque ao contrário de antigamente, quando o marido mandava, hoje o carrasco não tem rosto.

Este é um sinal de trânsito. Bombardeio de imagens de televisão. Os incidentes de bullying relacionados à aparência também são uma manifestação de avaliação irrestrita da aparência física, e isso ocorre não apenas por meio de indicadores corporais como obesidade, idade, etnia, mas também pela maneira como você se veste e se veste sapatos importados, todas essas são características da avaliação corporal em meninas modernas.

Namorada tentando se livrar da rejeição social lutando com escala e espelhos. No entanto, batalhar nesta batalha exige precaução. Porque linhas consistentes e saudáveis estão intimamente relacionadas com desvios obsessivos e instintivos que pode facilmente se tornar uma patologia. Essa linha de demarcação está ficando cada vez mais tênue, mas no momento parece imperceptível uma mobilização dos meios de comunicação de massa como a mídia na conscientização dessa população. Esses tópicos raramente são discutidos abertamente para aumentar a conscientização pública.

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www.scientificsociety.net

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