Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
DOI: https://doi.org/10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
ARTIGO ORIGINAL
Evidências científicas e aplicações clínicas da ozonioterapia no tratamento de feridas como prática integrativa em saúde no contexto brasileiro: uma revisão de literatura
SILVA, Jessica Jayane Martins Alves1; SANTOS, Kyvia Naysis de Araujo 2; TEIXEIRA, Kelly Sivocy Sampaio3; OLIVEIRA, Milena da Silva4; LIMA, Rômulo Henrique da Silva5;GONÇALVES, Luiz Francisco Wememenson6; NASCIMENTO, José Eranildo Teles do7
Como Citar:
SILVA, Jessica Jayane Martins Alves et al. Evidências científicas e aplicações clínicas da ozonioterapia no tratamento de feridas como prática integrativa em saúde no contexto brasileiro: uma revisão de literatura. Revista Sociedade Científica, vol. 8, n. 1, p. 1015-1034, 2025.
https://doi.org/10.61411/rsc202596118
DOI: 10.61411/rsc202596118
Área do conhecimento:
Ciências da Saúde
Sub-área:
Saúde Coletiva
Palavras-chaves: Práticas integrativas e complementares em saúde; enfermagem; ozonioterapia; feridas.
Publicado: 10 de maio de 2025.
Resumo
O trabalho teve como objetivo evisar a literatura científica nacional sobre a eficácia da ozonioterapia, avaliando seus princípios científicos e suas aplicações clínicas em tratamento de feridas sob o cuidado da enfermagem. A metodologia trata-se de um estudo do tipo Revisão Integrativa, utilizando dados do tipo secundário, oriundos das bases eletrônicas: Scientific Eletronic Library Online, Research, Society and Development e Global Academic Nursing Journal, utilizando-se como critério de inclusão aos resultados, artigos publicados nos últimos cinco anos em Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhola, com disponibilidade do texto completo, que abordem a temática estudada e respondam às questões norteadoras. Já os critérios de exclusão utilizados foram: artigos duplicados nas bases de dados, monografias, teses, dissertações, publicações governamentais, bem como pesquisas que não abordem a temática pertinente aos objetivos desta revisão. Resultados: ao todo foram selecionados oito artigos que abordassem a ozonioterapia nas diversas formas de lesões teciduais em humanos, como: Craurose vulvar, Pé diabético, Lesão por Pressão, Lesões da pele em idosos, Lesões ulcerosas em pacientes portadores da diabetes mellitus, feridas não especificadas, lesões arteriais, venosas, erisipela e fasciíte necrosante. Considerações Finais: a ozonioterapia enquanto prática integrativa é eficaz e promissora no contexto brasileiro, contribuindo para a evolução das práticas de saúde e melhoria dos cuidados com feridas, principalmente por promover cicatrização direcionada e acelerada, bem como redução de infecções. Embora os resultados sejam promissores, ainda há necessidade de mais pesquisas robustas e de maior escala para confirmar os benefícios da ozonioterapia e estabelecer protocolos padronizados para o seu uso.
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SCIENTIFIC EVIDENCE AND CLINICAL APPLICATIONS OF OZONE THERAPY IN THE TREATMENT OF WOUNDS AS AN INTEGRATIVE HEALTH PRACTICE IN THE BRAZILIAN CONTEXT: A LITERATURE REVIEW
Abstract
To review the national scientific literature on the effectiveness of ozone therapy, evaluating its scientific principles and clinical applications in wound treatment under nursing care. Methodology: This is an Integrative Review study, using secondary data from electronic databases: Scientific Electronic Library Online, Research, Society and Development and Global Academic Nursing Journal, using as inclusion criteria for the results, articles published in the last five years in Portuguese, English and Spanish, with full text available, that address the topic studied and answer the guiding questions. The exclusion criteria used were: duplicate articles in the databases, monographs, theses, dissertations, government publications, as well as research that does not address the topic relevant to the objectives of this review. Results: In total, eight articles were selected that addressed ozone in different forms of tissue injuries in humans, such as: Vulvar crackurosis, Diabetic foot, Pressure injuries, Skin injuries in the. elderly, Ulcerative injuries in patients with diabetes mellitus, wounds not specified, arterial and venous lesions, erysipelas and necrotizing fasciitis. Final Considerations: Ozone therapy as an integrative practice is effective and promising in the Brazilian context, contributing to the evolution of health practices and improving wound care, mainly by promoting targeted and accelerated healing, as well as reducing infections. Although the results are promising, there is still a need for more robust, larger-scale research to confirm the benefits of medicinal ozone and establish standardized protocols for its use.
Keywords: Integrative and Complementary Health Practices; Nursing; Ozone Therapy; Wounds.
INTRODUÇÃO
A discussão sobre as Medicinas Tradicionais, Complementares e Integrativas (MTCI) — denominadas no Brasil como Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) — tem ganhado destaque significativo nas últimas décadas em diversos países, conforme aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS). Essas práticas vêm se consolidando tanto como complemento aos tratamentos convencionais quanto como alternativa principal em contextos de atenção primária. No Brasil, o processo de institucionalização das PICS foi formalizado em 2006, com a publicação da Portaria nº 971/2006, que instituiu a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) [1].
Essa política foi criada com o propósito de garantir a integralidade dos serviços de saúde, promovendo o acesso e a oferta de diferentes abordagens terapêuticas no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), voltadas a prevenção de doenças e recuperação, por meio do cuidado integral ao paciente. Sendo pautada em uma visão completa do indivíduo, considerando seus aspectos físicos, mentais, emocionais, espirituais e sociais. Atualmente, 29 modalidades de PICS estão asseguradas sob a legislação, seja de forma gratuita com o SUS, ou em caráter de medicina particular, incluindo Aromaterapia, Arteterapia, Cromoterapia, Homeopatia, Acupuntura, Osteopatia, Ozonioterapia, Plantas medicinais – fitoterapia, Quiropraxia, Yoga, entre outros, que podem estar presentes em todos os níveis de atenção à saúde, principalmente na Atenção Primária [2].
Uma das técnicas citadas acima que vem se destacando no cenário mundial é a ozonioterapia, sendo esta historicamente utilizada contra inúmeras doenças desde o século XIX, e que se configurou como uma aplicação do gás ozônio durante a I Guerra Mundial (1914-1918) para tratar soldados alemães afetados pela gangrena gasosa devido a infecções anaeróbias por Clostridium, muito sensível ao ozônio. Este fato revela a aplicabilidade de terapias complementares economicamente viáveis e eficientes, desde tempos remotos. Essa prática consiste no resultado da transformação de oxigênio (O2) medicinal em ozônio (O3), culminando em uma potente substância oxidante, que melhora a oxigenação sanguínea, promove o aumento da flexibilidade dos eritrócitos, e ainda garante um melhor suprimento de oxigênio tecidual, inibindo crescimento bacteriano além de ser fungicida [3].
A ozonioterapia é um método minimamente invasivo, que se mostra capaz de oferecer analgesia na maioria dos casos e se associa a raros relatos de complicações, e vem ganhando destaque na prática clínica da enfermagem no Brasil, estando presente desde tratamento de feridas, dores crônicas, infecções e até na estética. A ozonioterapia pode ser aplicado de modo tópico, subcutâneo, por via muscular, por via venosa e/ou retal, agindo contra as bactérias e os fungos que não possuem sistemas de proteção à agressão oxidativa. Vale ressaltar que essas vias de aplicação podem deflagrar efeitos locais, regionais e/ou sistêmicos. O uso de via tópica, subcutânea, intra-articular e muscular deflagram efeitos predominantemente locais e regionais, enquanto a venosas e retais predominantemente são sistêmicas [4].
Diante do exposto, existe a necessidade de explorar e documentar o uso da ozonioterapia como ferramenta emergente na enfermagem em diversas áreas de cuidado humano. Além de propiciar compartilhamento de experiências exitosas, pode fornecer uma base sólida para a tomada de decisões que incluam protocolos de uso, resultados clínicos e desafios enfrentados. Ao destacar as lacunas de conhecimento e os desafios associados ao uso da ozonioterapia, há uma perspectiva de estimular mais pesquisas nessa área, possibilitando construção de estudos clínicos mais robustos e à expansão das evidências científicas disponíveis. Ademais, a transparência científica da aplicabilidade deste método eleva a categoria profissional enquanto ramo de empreendedorismo em saúde.
Objetiva-se com essa pesquisa realizar uma revisão da literatura científica disponível sobre ozonioterapia, destacando suas evidências e aplicações clínicas como prática integrativa em saúde no cenário brasileiro. Especificamente propõe-se revisar a literatura científica nacional sobre a eficácia da ozonioterapia; identificar e descrever os princípios científicos por trás dessa prática; explorar suas aplicações clínicas em diversas condições de saúde através das evidências de trabalhos científicos sobre essa temática; avaliar o cenário da ozonioterapia como prática integrativa no sistema de saúde brasileiro; descrever obstáculos para a ampliação do uso da ozonioterapia no Brasil.
Em face disso, coloca-se as seguintes questões norteadoras: qual legislação assegura a prática de ozonioterapia na enfermagem? Quais as principais formas de uso da ozonioterapia e seus objetivos? Quais são os benefícios clínicos observados com a ozonioterapia no tratamento de feridas?
REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Legislação que assegura a prática de ozonioterapia na enfermagem
A regulamentação da ozonioterapia na enfermagem envolve diversas legislações e normas que visam garantir a segurança e eficácia do tratamento, bem como a proteção dos profissionais e pacientes. Esse tratamento pode ser administrado de diferentes maneiras, incluindo via sanguínea, tópica, retal e articular. A habilidade técnica e o conhecimento científico são essenciais para a aplicação com via e dosagem adequada para cada caso; exigindo assim uma formação específica e contínua dos profissionais que a realizam [5].
Diante desse cenário, em 2018, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) publicou a Resolução n.º 567/2018, que regulamenta a atuação dos enfermeiros em práticas integrativas e complementares, incluindo a ozonioterapia. Segundo a resolução, os enfermeiros podem utilizar técnicas integrativas, desde que estejam devidamente capacitados e sigam protocolos estabelecidos [5].
O ozônio não é um fármaco no sentido clássico do tipo chave-fechadura, mas sim uma molécula biológica, presente na natureza e produzida no interior de todos os seres humanos de forma regular. Pode-se ressaltar que, os profissionais de enfermagem, são amparados legalmente pelo Conselho Regional e Federal de Enfermagem para aplicar esta técnica, subsidiando na monitorização e avaliação constante desde o início do processo [6].
A regulamentação das práticas de ozonioterapia pelos demais Conselhos das Classes Profissionais como odontologia, fisioterapia, farmácia, medicina veterinária e biomedicina, cada um dentro de seu respectivo campo de atuação e com definições específicas sobre capacitação, contribui para transformar significativamente o cenário das Práticas Integrativas e Complementares no Brasil. Essa regulamentação amplia as possibilidades de tratamento e cuidados de saúde disponíveis para toda a população [7].
2.2 Ozonioterapia: suas Evidências Clínicas e Princípios Científicos
A ozonioterapia é um tratamento que utiliza uma mistura gasosa de oxigênio e ozônio gerada por equipamentos específicos de ozônio medicinal. Para obter esse material terapêutico livre de subprodutos, realiza-se a conversão do oxigênio medicinal em ozônio medicinal. O ozônio, uma molécula composta por três átomos de oxigênio, é caracterizado por ser uma forma menos estável do oxigênio. Seu nome origina-se da palavra grega "ozein" (cheiro), devido ao seu odor forte e característico [7].
O ozônio foi implantado no Brasil, em 1975 pelo médico paulista Dr. Henz Konrad. Sendo utilizado em osteomielites, abscessos, pé diabético, queimaduras e disfunção de vários órgãos. No tratamento de úlceras crônicas, a ozonioterapia induziu a formação de tecido de granulação e neoangiogênese devido às suas propriedades com grande poder oxidante e antissépticas [8].
Assim, a ozonioterapia apresenta-se como uma alternativa promissora, pois promove a neoangiogênise, e também, aumenta a produção de fibroblastos no local da lesão, consequentemente, melhora a capacidade de transporte de oxigênio por parte dos eritrócitos e estimula o sistema imunológico [9].
2.3 Ozonioterapia e substâncias Oxidantes
A utilização terapêutica e medicinal do ozônio no organismo é capaz de tratar doenças originadas por processos oxidativos. Nesse contexto, argumenta-se que o ozônio promove o aumento da oxigenação e da circulação/microcirculação sanguínea em tecidos isquêmicos, melhorando o metabolismo de forma geral. Ele também favorece a angiogênese, eleva os níveis de enzimas antioxidantes celulares, como glutationa peroxidase (GSH), glutationa redutase (GSR), catalase (CAT) e superóxido dismutase (SOD), modula o sistema imunológico pela ativação dos neutrófilos e liberação de citocinas e fatores de crescimento (pela ativação plaquetária), reduz mediadores inflamatórios e inativa substâncias algógenas através da oxidação, entre outros benefícios. Para garantir uma aplicação segura da ozonioterapia utilizando o gás, é essencial que esta seja administrada em doses precisas. Para determinar essa dose, são necessários exames criteriosos de sangue, a fim de calibrar a quantidade de ozônio a ser administrada no organismo, levando em consideração a capacidade antioxidante do sangue do paciente [10].
2.4 Uso de ozonioterapia no tratamento de feridas
Uma das lesões cutâneas de maior preocupação é a ferida. A literatura define esse termo como uma "lesão causada por qualquer interrupção na continuidade da pele, seja por traumas, intervenções cirúrgicas, isquemias ou pressão". Quando não tratadas de forma adequada, as feridas podem aumentar de tamanho e assim trazer chances de complicações para o paciente. Sendo considerado um problema de saúde que envolve fatores relacionados ao cliente e ao seu meio externo, provocando sofrimento, além de contribuir para o aumento dos gastos financeiros do sistema de saúde e do próprio doente [11].
Cerca de 3% da população do Brasil sofre com algum tipo de ferida, independente de sexo, idade ou etnia, sendo as feridas crônicas as mais prevalentes. Essas lesões representam um desafio tanto para quem é acometido, quanto para o profissional que irá tratá-las, pois causam dor, imobilidade, incapacidade, alterações psicológicas e emocionais relacionadas à autoestima e à autoimagem gerando mudanças sociais decorrentes da hospitalização, isolamento social e, muitas vezes, a perda de membros corporais como dedos, pés, mãos e pernas, especialmente no caso de pacientes diabéticos [12].
A alta complexidade dos eventos celulares e moleculares presentes no processo de cicatrização de uma ferida e dos fatores que a retardam, a escolha da terapia tópica deve se adequar às suas características apresentadas, uma vez que a sua evolução é dinâmica, que requer técnicas e medicamentos inovadores, capazes de promover melhores resultados. As opções terapêuticas vêm evoluindo nos últimos anos, se fazendo presente recursos ou terapias tecnológicas, tais como: ultrassom, laserterapia, câmera hiperbárica, terapia por pressão negativa e a ozonioterapia [11].
O tratamento das feridas tem sido uma competência dos profissionais de enfermagem, visto que conforme a sua prática clínica, são capazes de decidirem entre os recursos necessários e disponíveis para tratar lesões complexas. A avaliação dessas patologias envolvem as características específicas da lesão, sua localização, extensão, presença ou não de exsudato, as condições das bordas, sensibilidade, odor e outros fatores importantes deste processo [13].
2.5 Principais formas de uso da ozonioterapia e seus objetivos
O ozônio é empregado no tratamento de feridas infectadas, assim como no manejo de doenças de origem bacteriana e viral. Além disso, tem a capacidade de estimular a circulação, sendo aplicado no tratamento de doenças circulatórias e na revitalização de funções orgânicas. Em doses terapêuticas baixas, pode ativar o sistema imunológico. Adicionalmente, o ozônio medicinal atua ativando o sistema antioxidante e ajudando na remoção de radicais livres, sendo útil também no tratamento de doenças inflamatórias crônicas [14].
A ozonioterapia, seja utilizada isoladamente ou em conjunto com outros tratamentos, apresenta diversas indicações para o tratamento de patologias humanas e na medicina veterinária. A ozonioterapia tem sido empregada para auxiliar no tratamento de doenças infecciosas agudas e crônicas, procedimentos estéticos e odontológicos, queimaduras, psoríase, herpes-zoster, além de lesões complexas como o pé diabético [15].
2.6 Ozonioterapia como prática integrativa no sistema de saúde brasileiro.
Em 2006, foi estabelecida no Brasil a ABOZ (Associação Brasileira de ozônioterapia) com o propósito de regulamentar legalmente esta prática. Em 2018, o Ministério da Saúde do País integrou-a como uma prática integrativa e complementar no âmbito do SUS. Atualmente, qualquer profissional da área da saúde, podem atuar como ozonioterapeuta, desde que cumpra uma carga horária mínima de aproximadamente 120 horas e solicite seu registro à ABOZ (Associação Brasileira de ozônioterapia). Posteriormente, é necessário submeter-se aos seus respectivos conselhos de classes para obtenção da habilitação correspondente [17].
2.7 Obstáculos para a ampliação do uso da ozonioterapia no Brasil.
Embora os recursos para a implementação das PICS estejam contemplados no piso da Atenção Básica, cabendo aos gestores o direcionamento adequado, frequentemente não recebem a devida atenção dos municípios, o que dificulta a implantação dessas práticas e sua disponibilização para a sociedade. Além disso, poucos profissionais participam de capacitações sobre o uso das PICS, sobretudo à ozonioterapia, principalmente por falta de conhecimento a respeito desta metodologia alternativa de cuidado, ou devido ao custo elevado tanto dos cursos de capacitação quanto dos materiais que serão utilizados, como os aparelhos geradores de ozônio. Isso, aliado à escassez de cursos de capacitação profissional eficazes, muitas vezes oferecidos apenas por instituições de ensino privadas, resulta em uma falta de profissionais qualificados e interessados nessa área, o que novamente complica sua implementação no SUS, e assim demonstra um elevado custo aos pacientes, pois na maioria das vezes, o tratamento requer várias sessões [2].
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo do tipo Revisão Integrativa, onde se buscam semelhanças e diferenças entre publicações do mesmo levantamento da base de dados, através de meios eletrônicos, o que configura uma forma democrática de acesso e atualização constante sobre a temática em questão. Fazendo-se uma síntese rigorosa de todas as pesquisas colhidas sobre um determinado eixo temático, avaliando a relevância dos periódicos selecionados e permitindo uma avaliação completa da problemática [17].
Para tanto, foram utilizados dados do tipo secundário, oriundos das bases eletrônicas: Scientific Eletronic Library Online (SciELO), Research, Society and Development (RSDJOURNAL) e Global Academic Nursing Journal, para buscar artigos atualizados para a construção do quadro de resultados. Priorizando-se o uso dos seguintes descritores: práticas integrativas e complementares em saúde, enfermagem, ozonioterapia e feridas. A revisão bibliográfica do estudo estendeu-se por buscas além das bases eletrônicas citadas acima, incluindo artigos da rede eletrônica United States National Library of Medicine (PUBMED). Utilizando-se como critério de inclusão aos resultados, artigos publicados nos últimos cinco anos em Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhola, com disponibilidade do texto completo, que abordem a temática estudada e respondam às questões norteadoras.
Figura 1 - Fluxograma explicativo do processo de seleção da amostra. Parnaíba, Piauí, Brasil, 2024.)
Fonte: Elaboração própria. (2024)
DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
Tabela 1 – Síntese das características dos estudos incluídos na revisão de acordo com o ano de publicação, título do artigo, objetivo, metodologia e principais resultados – Parnaíba, PI, Brasil, 2024.
Ano | Título | Objetivos | Metodologia | Resultados |
2020 | Ozonioterapia realizada pelo Enfermeiro na imunomodulação em paciente com “Craurose vulvar”: relato de experiência. | Relatar a experiência de uma paciente idosa com diagnóstico de “Craurose vulvar”, complementando o tratamento tradicional, preconizado na alopatia com a ozonioterapia. | Estudo descritivo-exploratório definido como relato de experiência, com abordagem qualitativa. (n=1) | A combinação do tratamento convencional com ozonioterapia no “Craurose vulvar” mostrou-se favorável, entretanto, sugerem-se novas investigações, visando aprofundar os benefícios associados a fármacos normalmente indicados para o tratamento dessa patologia, buscando enfim, evidências clínicas mais robustas. |
2020 | O uso da terapia com ozônio no tratamento de pé diabético: revisão integrativa. | Avaliar as evidências científicas, na literatura nacional e internacional, sobre o uso da ozonioterapia como tratamento do paciente com pé diabético. | Revisão integrativa com oito artigos selecionados nas bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde e Scielo, entre o período de 2010 e 2020. | Apesar de haver poucos estudos recentes sobre a terapia com ozônio no tratamento de pé diabético, os artigos elucidam o uso do ozônio como uma modalidade promissora de tratamento, que proporciona redução do tempo de cicatrização e melhora no aspecto das lesões. Contudo, nem todos os estudos apresentam o tempo de aplicação e a via de tratamento. Há a necessidade de novas pesquisas para criar padronizações ou protocolos, a fim de otimizar a qualidade de atendimento aos pacientes com pé diabético. |
2021 | Ozonioterapia em lesão por pressão como alternativa de assistência em enfermagem. | Identificar os métodos para uso da ozonioterapia no tratamento com a Lesão por Pressão (LPP) e descrever benefícios do seu uso no tratamento contra essas feridas complexas durante a assistência em enfermagem. | Revisão bibliográfica baseada em artigos nacionais e internacionais, com pesquisa em base eletrônica de dados científicos tais como: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Scielo e Google Acadêmico, como referências técnico-científicas brasileiras em enfermagem. | Os resultados encontrados indicam a importância do uso dessa prática como opção de assistência com a obtenção de excelentes taxas de melhora. |
2021 | Aplicação da ozonioterapia no tratamento de lesões de pele em idosos | Identificar na literatura científica os efeitos benéficos da ozonioterapia para o tratamento de lesões de pele em idosos. | Estudo teórico do tipo revisão integrativa da literatura (RIL). | A ozonioterapia resguarda muitos benefícios sobre a cicatrização de feridas em idosos, evidenciados a partir dos estudos que investigam os resultados do tratamento com O3 sobre a cicatrização em lesões limpas ou infectadas; estas sendo aspecto importante no âmbito da saúde pública, considerando que um número cada vez maior de bactérias tem se tornado multirresistentes. O tratamento também se mostra satisfatório em pacientes diabéticos, pelo poder antimicrobiano, estimulante da formação de novos vasos na região afetada, acelerando a proliferação do tecido de granulação e diminuindo o tempo de cicatrização em lesões crônicas. |
2022 | Influência da ozonioterapia como adjuvante no tratamento de lesões ulcerosas em pacientes portadores de diabetes mellitus. | Verificar a partir da literatura disponível qual a influência da ozonioterapia como adjuvante no tratamento de feridas ulcerosas de pé diabético. | Revisão integrativa de literatura a partir dos descritores “Ozônio”, “Terapias complementares”, “Pé Diabético” e “Diabetes Mellitus”, por meio da base de dados PubMed e BSV, resultando em 17 artigos para análise completa e selecionando 11 com maior relevância. | A ozonioterapia pode ser usada como tratamento adjuvante no tratamento de úlceras do pé diabético, como foi concluído em 8 (72,7%) estudos analisados, porém 3 (27,2%) concluíram que não havia estudos suficientes para um desfecho sobre o assunto, além de alertarem para que as terapias adjuvantes só sejam usadas quando os tratamentos convencionais não forem eficazes. Apesar das evidências positivas observadas em relação ao uso do ozônio de modo adjuvante no tratamento de úlceras do pé diabético, no Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM) estabelece a ozonioterapia apenas como procedimento experimental. |
2022 | Ozonioterapia em Feridas | Discutir o uso da Ozonioterapia no tratamento de feridas, conhecer o uso da ozonioterapia e práticas envolvidas no tratamento apresentando de forma quantitativa estudos que apresentem alto valor científico em relação à utilização da Ozonioterapia na prática clínica, bem como descrever relatos de casos disponíveis nas bases de dados. | Utilizou-se uma pesquisa das informações disponíveis na literatura científica em artigos publicados nas bases de dados Google Acadêmico (Scholar Google), SciElo (Scientific Eletronic Library Online), Lilacs (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Medline (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online). | Considera-se que ozonioterapia tem se mostrado eficiente no tratamento de feridas de difícil cicatrização, com métodos e processos isquêmicos, alérgicos. Trata-se de terapia que tem promovido a atenção em apresentar-se como alternativa de bons resultados. Portanto, o ozônio mostra potencial como uma terapia eficaz no tratamento de feridas crônicas. Em comparação com o cuidado padrão, a terapia com ozônio ainda precisa ser mais estudada, mas pode ser vista como um tratamento avançado de tratamento de feridas podendo melhorar a proporção de feridas crônicas curadas em um curto período de tempo, entretanto, pesquisas adicionais são necessárias. |
2022 | A ozonioterapia na cicatrização de feridas crônicas de membros inferiores: uma série de casos. | Realizar o relato descritivo de uma série de casos clínicos sobre os efeitos da utilização da Ozonioterapia como adjuvante no processo de cicatrização de feridas crônicas em pacientes adultos que realizam tratamento ambulatorial com profissional de enfermagem. | Um relato de experiência de uma série de casos clínicos, envolvendo 52 pacientes adultos atendidos em um consultório de enfermagem no Sul de Minas Gerais, acompanhados em tratamento ambulatorial para feridas crônicas em membros inferiores. Os dados foram coletados por meio de um formulário específico, abrangendo informações sobre o perfil do paciente, características da ferida, tratamento clínico, tipo de cobertura utilizada, eventos adversos e relatos do paciente. | Em todos os casos, mesmo sendo feridas com características distintas, bem como considerando a particularidade e comorbidades de cada paciente, a profissional que conduziu o tratamento conseguiu perceber a diminuição do biofilme das feridas, a diminuição do relato de dor e melhora na coloração e características do tecido, o que pode ter sido ocasionado pela terapia pró-oxidativa, melhorando a oxigenação, promovendo ação bactericida e favorecendo positivamente o processo de cicatrização. |
2023 | Utilização da água ozonizada como recurso otimizador no processo de cicatrização. | Ressaltar os resultados positivos da utilização do ozônio medicinal no tratamento de feridas, enfatizando o seu uso difundido em água. | Revisão integrativa realizada entre novembro de 2021 a fevereiro de 2022, pela busca de dados na Biblioteca Virtual em Saúde, e nas bases científicas MEDLINE e CAPES. | O ozônio possui capacidade de ativar as plaquetas, induzindo fatores de crescimento que aceleram a cicatrização. Comprovou-se que a inativação de bactérias, vírus, fungos, leveduras e protozoários se deve a destruição do envelope da célula destes por meio de oxidação dos fosfolipídios e lipoproteínas. |
Fonte: Elaboração própria. (2024)
Para uma melhor análise dos resultados, os artigos selecionados foram organizados em forma de tabela conforme a ABNT, e dispostos em ordem cronológica por ano de publicação. Ao todo foram selecionados oito artigos para fazer a comparação do uso do ozônio nas diversas formas de lesões teciduais em humanos, especialmente seu uso em tratamento complementar de feridas de difícil cicatrização. De acordo com a pesquisa na base de dados da SCIELO consta o número de artigos publicados (12,5%), logo em seguida pela RSD Journal (75%) e Global Academic Nursing Journal (12,5%). No Quadro 1, os artigos elencados foram selecionados por ano, título, objetivo, metodologia e resultados.
Com relação ao delineamento de pesquisa, visualiza-se que foram publicados dois trabalhos de relato de experiência e seis estudos do tipo de revisão bibliográfica. Quanto ao ano de publicação, destacou-se o ano de 2022, correspondendo à três estudos incluídos, seguido do ano de 2020 e 2021 com dois trabalhos, e o ano de 2023 com uma pesquisa.
A população-alvo dos trabalhos analisados varia entre todos os estudos, desde apenas um paciente nos artigos de relato de caso até 52 pacientes que utilizaram a ozonioterapia como alternativa para portadores de feridas de membros inferiores. A variação da população estudada envolveu homens e mulheres entre a idade adulta e idosos, além de notar que em alguns estudos não foi especificado o sexo dos participantes. A maioria dos objetivos dos estudos foi relatar ou avaliar a efetividade da ozonioterapia em lesões como pé diabético, além de conhecer o uso da ozonioterapia como prática integrativa. Esses pacientes estavam sendo acompanhados, em sua maioria, pelos serviços de enfermagem.
Os tipos de lesões submetidas ao tratamento com ozônio da amostra, dividem-se em: craurose vulvar, pé diabético, lesão por pressão (LLP), lesões da pele em idosos, lesões ulcerosas em pacientes portadores da diabetes mellitus, feridas não especificadas, lesões arteriais, venosas, erisipela e fasciíte necrosante. Apenas o último estudo, de 2023, não analisou as formas de lesões em si, contudo, seu enfoque foi no processo de otimização do processo cicatricial com o uso de água ozonizada.
Todos os estudos analisados relataram efeitos positivos sobre o uso da ozonioterapia, indicando que esse método possui um potencial inovador conforme suas aplicabilidades embasadas na tecnologia, sendo então um fator promissor para aplicações na saúde humana, com destaque para lesões de pele. Ainda é possível dispor através da amostra deste estudo que se trata de uma técnica com poucos efeitos colaterais. É uma terapia complementar especialmente útil em humanos, evitando amputações, promovendo ampla cicatrização de feridas e melhorando a saúde e qualidade de vida dos pacientes, ao aprimorar a oxigenação dos tecidos, a imunomodulação e as propriedades antibacterianas e antifúngicas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta revisão reforçam que a ozonioterapia enquanto prática integrativa é eficaz e promissora no contexto brasileiro, contribuindo para a evolução das práticas de saúde e melhoria dos cuidados com feridas, principalmente por promover cicatrização direcionada e acelerada, bem como redução de infecções. Além disso, a baixa incidência de efeitos colaterais a torna uma alternativa segura para diversos pacientes. Entretanto, o custo-benefício vai depender de diversos fatores, como área geográfica, valor dos equipamentos e insumos (como geradores de ozônio, seringas, cateteres e outros materiais descartáveis), qualificação e experiência dos profissionais, características da lesão e histórico de saúde do paciente bem como a complexidade do tratamento.
Outro benefício avaliado tem sido associado à redução de amputações, especialmente em pacientes com doenças crônicas, como diabetes, que apresentam risco elevado de complicações em feridas.
A prática tem ganhado aceitação crescente no Brasil, sendo adotada em diferentes unidades de saúde, tanto públicas quanto privadas. No entanto, a disseminação e o treinamento adequado de profissionais são essenciais para maximizar os benefícios desta terapia, assim como formalizar através dos conselhos de classes, as formas de uso, como vias certas, dosagens e indicações terapêuticas.
Embora os resultados sejam promissores, ainda há necessidade de mais pesquisas robustas e de maior escala para confirmar os benefícios da ozonioterapia e estabelecer protocolos padronizados para o seu uso.
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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí, Brasil.
Secretaria municipal de Barreirinhas/MA, Brasil.
Universidade Estadual do Ceará – UECE, Fortaleza, Brasil.
Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Ceará, Fortaleza, Brasil.

