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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 8, NÚMERO 1, ANO 2025
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ARTIGO ORIGINAL
Efetividade do uso de produtos extraídos da pele de tilápia no auxílio da cicatrização de queimaduras e lesões : uma revisão sistemática
Pablo de Souza Barp1; Miquéias Fernandes Dourado 2; Felipe Dourado Souza Reis3; Gabriel Lopes Machado4; Yan Bandeira Barbosa5; Leonardo Bechara Lacerda6; Guilherme Favaro Borracini7; Manuela Farias de Bessa8; Maria Eduarda Machado Amorim9; Mariana Parreira Neri10; Ana Luah Viana Mesquita11; Gustavo Camilo De Morais12; Ana Laura Azevedo Rezende13; Rafaela Arruda da Silva14; Érica Eugênio Lourenço Gontijo15
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Como Citar:
Barp, Pablo de Souza; Dourado, Miquéias Fernandes; Reis, Felipe Dourado Souza et al. Efetividade do uso de produtos extraídos da pele de tilápia no processo de cicatrização de queimaduras: Uma revisão sistemática. Revista Sociedade Científica, vol.8, n. 1, p.786-803, 2025.
https://doi.org/10.61411/rsc202595918
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Área do conhecimento: Medicina.
Palavras-chaves: Queimadura; Tilápia; Convencional; Cicatrização; Melhora da dor.
Publicado: 14 de abril de 2025.
Resumo
As queimaduras encaixam-se em um contexto clínico capaz de gerar uma exposição do paciente, ocasionando danos físicos e psicológicos, apresentando-se como um problema agudo na saúde pública do mundo. Busca-se avaliar a efetividade de produtos derivados da pele de tilápia do Nilo no auxílio da cicatrização da pele, como uma forma inovadora e promissora. O trabalho apresentado é uma revisão sistemática, ao qual foi feita uma busca PUBMED, BVS, WEB OF SCIENCE e SCIENCEDIRECT, ao qual foi realizada a identificação de ensaios clínicos que compararam a pele de tilápia e curativos tradicionais. Os desfechos buscados foram uma repetelização da pele, melhora da dor e frequência de troca de curativo. De 88 artigos, 4 estudos foram incluídos após análise dos critérios de inclusão e exclusão, sendo os estudos realizados entre 2017 e 2024. Os materiais derivados da pele de tilápia
possuíram uma melhor taxa de tempo de cicatrização, diminuição da dor emenor frequência na troca de curativo quando comparada aos métodos tradicionais de tratamento de queimaduras. Entretanto, apesar de boas evidências para essas intervenções, a maioria ainda carece de estudos de melhor qualidade e de testes em humanos. Levando como base os resultados, conclui-se que a utilização da pele de tilápia como tratamento para pacientes com queimaduras oferece diversas vantagens em relação à terapia convencional.
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Abstract
Burns fit into a clinical context capable of generating patient exposure, causing physical and psychological damage, presenting themselves as an acute problem in public health around the world. The aim is to evaluate the effectiveness of products derived from tilapia skin in the skin healing process, as an innovative and promising way. This is a systematic review, using a search of PUBMED, VHL, WEB OF SCIENCE and SCIENCEDIRECT, which identified clinical trials that compared tilapia skin and traditional dressings. The outcomes sought were skin repeatability, pain improvement and frequency of dressing changes. Of 88 articles, 4 studies were included after analyzing the inclusion and exclusion criteria, with the studies being carried out between 2017 and 2024. Materials derived from tilapia skin had a better rate of healing time, reduced pain and lower frequency of dressing changes when compared to traditional burn treatment methods. However, despite good evidence for these interventions, most still lack better quality studies and human trials. According to the results, it is concluded that the use of tilapia skin as a treatment for patients with burns offers several advantages over conventional therapy.
Keywords: Burning; Tilapia; Conventional; Healing; Pain improvement.
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Resumen
Las quemaduras se insertan en un contexto clínico capaz de generar exposición al paciente, provocando daños físicos y psicológicos, presentándose como un problema agudo en salud pública en todo el mundo. El objetivo es evaluar la efectividad de productos derivados de la piel humana. proceso de curación de la piel, como una forma innovadora y prometedora. Se trata de una revisión sistemática, mediante una búsqueda en PUBMED, BVS, WEB OF SCIENCE y SCIENCEDIRECT, que identificó ensayos clínicos que compararon piel de tilapia y apósitos tradicionales. Los resultados buscados fueron la repetibilidad de la piel, la mejoría del dolor y la frecuencia de los cambios de apósito. De 88 artículos, se incluyeron 4 estudios después de analizar los criterios de inclusión y exclusión, realizándose los estudios entre 2017 y 2024. Los materiales derivados de la piel de tilapia tuvieron mejor tasa de tiempo de curación, reducción del dolor y menor frecuencia de cambios de apósito en comparación con los métodos tradicionales de tratamiento de quemaduras. Sin embargo, a pesar de la buena evidencia de estas intervenciones, la mayoría todavía carece de estudios y ensayos en humanos de mejor calidad. De acuerdo a los resultados, as concluye que el uso de piel de tilapia como tratamiento para pacientes con quemaduras ofrece várias ventajas sobre la terapia convencional.
Palabras clave: Incendio; tilapia; Convencional; Cicatrización; Mejora del dolor.
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1. Introdução
As queimaduras são caracterizadas por um dano tecidual ou morte celular gerado por agentes térmicos, químicos, radioativos ou de caráter elétrico, possibilitando uma propagação de calor que seja suficiente para que forme uma lesão. No âmbito fisiológico, a exposição em altas temperaturas ocasiona uma desnaturação proteica, gerando necrose por coagulação. Em resposta ao dano tecidual, o organismo ativa ferramentas imunológicas que possuem como objetivo a restauração da morfologia local por meio da homeostase. (1)
Anualmente, inúmeras pessoas ao redor do mundo perdem a vida devido a queimaduras. Além disso, aqueles que sobrevivem a esse tipo de lesão podem enfrentar diversas complicações, incluindo dor intensa, desidratação, danos aos tecidos, desfiguração física, longos períodos de internação, infecções e dificuldades relacionadas ao estigma social (2).
Sob a perspectiva epidemiológica, a Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) relata que, ano após ano, mais de 1 milhão de casos de queimaduras são registrados no país, sendo que cerca de 200 mil pacientes procuram atendimento em unidades de urgência e emergência. Desses, aproximadamente 40 mil necessitam de hospitalização. Além disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as queimaduras representam o quarto tipo de trauma mais frequente no mundo, (3), além de serem responsáveis por cerca de 180.000 mortes anuais.
Atualmente, no manejo dos queimados, existem inúmeros fármacos, com a sulfadiazina de prata e soluções com acetato de mafenida, entretanto esses medicamentosas possuem desvantagens e efeitos colaterais grave, além de ter uma eficácia abaixo do desejado em feridas profundas de queimaduras, com a formação de cicatrizes claras, além de requererem um alto custo para o uso.
Apesar da existência de diversos curativos modernos desenvolvidos especificamente para o manejo conservador de queimaduras superficiais, ainda não há um consenso sobre qual seria o padrão-ouro nesse tipo de terapia. Por outro lado, queimaduras profundas, tanto as mais superficiais quanto as mais profundas, frequentemente requerem intervenção cirúrgica para evitar infecções e complicações graves, como a síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) e falência múltipla de órgãos, além de buscar resultados estéticos e funcionais satisfatórios (4). Por isso, acredita-se que o tratamento idealizado para a proteção das feridas deve agir contra as infecções bacterianas, gerar um ambiente úmido, ser biocompatível, auxiliar na proliferação de células de reparo, remodelação e demais processos. (5)
Com isso, inúmeros estudos estão sendo realizados na busca por curativos capazes de diminuir os índices de contaminação da ferida, facilitar os meios de regeneração e gerar melhores finalidades estéticas. (3). Nesse sentido, ferramentas alternativas promissoras como: O colágeno extraído da tilápia, rico em prolina e hidroxiprolina, substâncias capazes de gerar resistência mecânica e estabilidade (6), os enxertos de pele de peixe acelular ( AFS ) que possuem similaridades com a epiderme humana, promovendo a proliferação celular nas cicatrizações e sem gerar reações alérgicas (7), muito por conta do seu elevado teor de colágeno e boa aderência à região da ferida, tendo como base a pele de tilápia (Oreochromis niloticus) para formação de curativos temporários. (8). Além disso, recentemente, surgiu como alternativa o uso de hidrogênio e curativos hidrocolóides formados a base de quitosana, capazes de manter a região lesada hidratada, preservando a permeabilidade gasosa e absorvendo o exsudato formado, fornecendo uma transparência que facilita a análise clínica.
Atualmente, inúmeras intervenções estão sendo desenvolvidas na busca por uma melhora no desenvolvimento da cicatrização de queimaduras, visando um menor tempo de reepitelização, menor dor sentida pelo paciente e uma diminuição na troca dos curativos, usando como base especialmente a pele do peixe do Nilo. Nossa motivação para a realização deste trabalho foi fazer uma busca e analisar as melhores evidências presentes nas literaturas acerca da efetividade dessas intervenções e compará-las com os métodos tradicionais.
O presente artigo possui como objetivo sumarizar as evidências referentes às literaturas utilizadas do ano de 2017-2024, referentes a efetividade de produtos extraídos da pele de tilápia na cicatrização de queimaduras.
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2. Métodos
A revisão sistemática foi realizada com base nas recomendações da Preferred Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses
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2.1 Fontes de dados
Este trabalho se trata de uma revisão sistemática, realizada por meio da base de dados do PubMed via Sistema On-line de Busca e Análise de Literatura Médica (MEDLINE), Biblioteca Virtual da Saúde (BVS), Web of Science e ScienceDirect.
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2.2 Seleção de estudos
As etapas de triagem, avaliação de elegibilidade e extração de dados foram conduzidas de forma independente por 2 pesquisadores, trabalhando em duplicidade. Inicialmente, a triagem dos títulos e resumos dos estudos recuperados tiveram como objetivo eliminar registros irrelevantes. Na etapa seguinte, os artigos selecionados foram analisados na íntegra. Eventuais divergências foram resolvidas com reuniões de consenso e, quando necessário, com a participação de um terceiro pesquisador. Todo o processo de seleção foi realizado utilizando a plataforma Rayyan (https://rayyan.qcri.org).
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2.3 Estratégias de busca
Foi usada a estratégia de busca que possui base nos descritores do PICO: Queimadura; Tilápia; Convencional; Cicatrização e Melhora da dor. Todos os descritores deveriam estar pelo menos no título, resumo do trabalho ou em suas palavras-chaves.
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2.4 Critérios de inclusão e exclusão
Foi usado como critérios de inclusão trabalhos que tivessem como tema base o uso de produtos extraídos da pele de tilápia ou análogos. Realizou-se também uma tabela de risco de viés que analisasse os artigos usados de base, avaliando com base em uma série de perguntas baseada no NHLBI, usando os descritores SIM, NÃO, NÃO SE APLICA, NÃO RELATADO, NÃO PODE DETERMINAR (tabela 1).
Tabela 1: Análise do Risco de viés dos artigos incluídos na pesquisa.
Legenda da tabela 1: Uso dos descritores SIM, NÃO, NÃO SE APLICA, NÃO RELATADO, NÃO PODE DETERMINAR
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2.5 Extração de dados
Após a identificação dos descritores no título, resumo ou palavras chaves, os artigos passaram por uma leitura dos resumos, para melhor avaliação acerca da adequação dos critérios de elegibilidade. A busca e análise dos artigos foram feitas de forma independente por 2 avaliadores, sendo as divergências resolvidas por intermédio de um terceiro.
Foram registradas as seguintes características: Título, nome do primeiro autor, ano de publicação, desfechos 1 e 2, comparativos, objetivo do artigo e protocolos de intervenção (tabela 2).
Tabela 2: Tabela de sumarização.
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2.6 Avaliação da qualidade da metodologia
De forma específica, os dados quantitativos incluíam os resultados baseados em dados de testes estatísticos descritivos e/ou inferenciais. Os resultados obtidos foram apresentados de forma narrativa e estatística descritiva, usando como meio as tabelas para auxiliar na exposição dos dados, quando apropriado.
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3. Resultados
Tabela 3: Organograma.
Levando em conta os parâmetros de inclusão e exclusão, foram escolhidos 37 artigos dentre os 42 escolhidos em um primeiro momento, como demonstrado abaixo (tabela 3).
Dos 37 artigos escolhidos para elegibilidade, 33 foram excluídos: População errada (n=7), artigo de fundo (n=19), revisão sistemática (n=4), série de casos (n=2), estudo de casos (n=1). Com os estudos incluídos, foram totalizados 146 pacientes, dos quais 72 fizeram parte do grupo controle. Os pacientes eram de ambos os sexos, com uma faixa etária que variava entre 2-70 anos de idade (tabela 4).
As características desses estudos incluídos foram sumarizadas e apresentadas na tabela 2.
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Tabela 4: Características dos participantes.
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4. Discussão
Em virtude da íntima relação dos quadros de queimadura e os índices de óbito no mundo, sendo evidenciado, por exemplo, com declarações da Organização Mundial de Saúde afirmando que as queimaduras são responsáveis por mais de 180 mil mortes anuais. Ademais, mesmo quando não fatais podem ocasionar em uma hospitalização estendida, desconfiguração local, foco para infecções e quadros de complicações (3).
A aplicação de curativos com prata é documentada desde o século XVIII. Diversas características desse material foram investigadas, como a aceleração da cicatrização, a ação antimicrobiana e a rápida reepitelização. (9). Contudo, apesar de sua ampla aplicação, algumas desvantagens, como a citotoxicidade, quadros de hipersensibilidade sobre a sulfadiazina, uma coloração prata no local da lesão, casos de hemólise e hiperosmolaridade motivam a pesquisa de alternativas. (10). No entanto, o sistema público de saúde do Brasil ainda utiliza nos seus centros de queimados um tratamento padrão baseado em cremes compostos por este fármaco, isso evidencia a necessidade urgente de alternativas viáveis que se adaptem à realidade atual que apresenta poucos recursos. (10)
Por esses e demais motivos, busca-se atualmente uma terapia alternativa para o manejo dos queimados , com a aplicação de material biológico, destacando-se a pele de tilápia do nilo (Oreochromis niloticus) que apresenta uma adesão tecidual, resultados histológicos, bioquímicos e de tração da pele eficazes (9), além de não apresentarem efeitos colaterais identificados, no entanto ainda são necessários mais estudos para uma comprovação mais certeira.
Pertencente à família Cichlidae, a tilápia do nilo é originária da bacia do rio Nilo na região da África Ocidental, densamente presente em áreas tropicais e subtropicais, ao qual é o peixe mais cultivado no Brasil e o quarto no mundo, por informações divulgados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O fato de a mesma não possuir uma microbiota infecciosa e composição morfológica semelhante à do ser humano, especialmente pela elevada síntese de colágeno I, favorece seu uso como biomaterial para o manejo das queimaduras (10), junto disso destaca-se a existência de peptídeos antimicrobianos neste tecido. (9).
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4.1 Número de curativos trocados
Acerca dos curativos e da sua frequência de troca, foi perceptível uma redução na quantidade de trocas de forma considerável, especialmente ao se comparar com métodos mais tradicionais de curativos, como a sulfadiazina de prata. Situações de troca podem ocasionar em um aumento da dor sentida pelo paciente, estresse e coceira, todos esses fatores retardam o processo de reepitelização, por outro lado uma diminuição nas trocas gera um maior conforto ao paciente, especialmente quando o mesmo se encontra em um meio gerador de ansiedade que seria o hospital. Ademais, isso implica em uma diminuição dos níveis de atividade dos profissionais da saúde do hospital. (10)
Os curativos e as peles de tilápia são trocadas de forma proporcional a quantidade de exsudato produzido, no entanto caso ocorra uma maior quantidade de trocas, aumenta-se as chances de infecção e o espaço de tempo para o tratamento. Em meio a este aspecto que menos pacientes tratados com a pele necessitam de, mais precisamente cerca dos 9 pacientes (60%) tratados com este produto biológico não precisaram de troca, enquanto por outro lado 53,3% dos que foram submetidos ao tratamento com Aquacel AG® necessitaram de renovação dos curativos. (9)
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4.2 Medição da dor
Inicialmente, vale ressaltar que apesar da dor em queimaduras estar associado com um meio de proteção e de regeneração dos tecidos, quadros de dor aguda podem evoluir para uma centralização, tendo um aumento persistente e gerando casos de depressão ou transtornos de estresse pós-traumático, além de diminuir a confiança na equipe médica, diminuindo a adesão ao tratamento. (3)
Analisando os três braços usados na pesquisa, foi constatada uma redução de forma significativa na intensidade da dor presente entre os dias de visita (V), com uma diminuição da dor ao decorrer dos dias, especialmente do primeiro para o segundo dia. Em 2 dos 3 grupos analisados, foi constatado uma diminuição da intensidade da dor em pacientes que estavam sobre a utilização de NFTS (Pele de peixe tilápia do Rio Nilo) em comparação aos que estavam utilizando SSDC (Sulfadiazina de prata) como tratamento. (3)
A intensidade da dor sentida no meio do processo de tratamento e depois da troca do curativo foram medidas com o auxilio de uma EVA com os pacientes, aos quais mencionaram uma pontuação de VAS > 5 no início da limpeza e durante a aplicação do durativo, já no final da aplicação, cerca de 86,7% dos pacientes que usaram a pelo de origem biológica afirmaram uma redução da dor, que foi demonstrado com um VAS < 5. Por outro lado, os pacientes que usaram Aquacel AG® demonstraram redução da dor em menos da metade dos pacientes. (9) De forma semelhante em Moraes FCA, que não apresentou uma diferença significativa entre os grupos que usaram a pele de tilápia (LNTS) e os que não utilizaram (grupo NaCMC-Ag), mas que após os procedimentos de tratamento, o grupo LNTS apresentou uma queda significativa nos parâmetros de dor quando comparada ao grupo NaCMC-Ag. (11)
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4.3 Ingesta de Analgésico / Anestésico
Em 2 dos 3 braços de estudo (A, B e C) foi notado que não ocorreu uma mudança significativa nos níveis de uso de dipirona e tramadol entre os pacientes que usaram NTFS ou SSDC. Entretanto, em um dos grupos de estudo foi perceptível uma diferença considerável no uso de dipirona intravenosa. Já sobre os medicamentos intravenosos usados nos processos de anestesia, foi perceptível que o grupo de NTFS necessitou de menores doses de fentanil e cetamina ao ser comparado ao SSDC, mas com baixas diferenças sobre propofol e midazolam.(3)
A quantidade de dipirona utilizada para a analgesia do paciente para o manejo não demonstrou uma diferença de caráter significativo entre os grupos LNTS e NaCMC-Ag. (11)
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4.4 Grau de reepitelização da pele
A quantidade de dias foi significativamente menor nos grupos tratados com NTFS para que ocorresse uma reepitelização completa do ferimento de queimadura, isso quando comparado aos grupos tratados com SSDC. (3)
O número médio tempo (em dias) para que a reepitelização foi dado como próximo entre os grupos que usaram a sulfadiazina e a pele de tilápia, além disso a taxa de reepitelização (definida pela razão entre TBSA e a quantidade de dias até que a epitelização fosse concluída) não apresentou diferenças significativas entre os dois grupos. (10)
4.5 Avaliação médica da melhoria do queimado
Quando feita a retirada do curativo, foi feita uma avaliação médica da melhora do ferimento com queimadura, ao qual identificou-se uma mediana igual a 1 em ambos os grupos (SSDC e NTFS), não tendo uma diferença significativa (3)
O médico assistente realizou uma avaliação no dia da retirada, usando a Escala de Impressão Clínica Global-Melhoria (CGI-I), com uma média na pontuação igual a 1 em ambos os grupos, tanto naqueles que usaram a sulfadiazina de prata e nos que utilizaram da pele de tilápia, constatando uma ausência de diferença significativa entre os grupos. (10)
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5. Conclusão
Utilizando como base os dados dos estudos que foram usados de base para a produção deste artigo, conclui-se que a utilização de curativos a base da pele de tilápia do rio Nilo apresenta uma aderência satisfatória na região da ferida da ferida, diminuindo a frequência de trocas os curativos e, junto isso uma redução na quantidade de anestésicos utilizados, além de não apresentar efeitos colaterais relatados ao ser humano em qualquer um dos estudos de base. Essa conjuntura de fatores auxilia na cicatrização, diminuindo a perda de fluidos, ocasionando em benefícios para o paciente e para a equipe de saúde, diminuindo a carga de trabalho, estabelecendo assim a pele de tilápia como um recurso adicional e de baixo custo para as manobras terapêuticas contra as queimaduras corporais.
Entretanto, apesar dos benefícios demonstrados, ainda se necessita de uma maior leva de estudos que sejam capazes de sanar lacunas, como a relação do tempo de dias para uma cicatrização e uma deposição completa de tecido epitelial, a quantidade de analgésicos utilizados e o grau de dor referida pelo paciente, comparando a pele de tilápia com os tratamento mais convencionais, sendo o mais conhecido deles sulfadiazina de prata.
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6. Declaração de direitos
O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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7. Referências
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