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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
Condições de saúde bucal de mulheres cisgênero e transexuais em condições de vulnerabilidade social
Magna Ribeiro Dias 1; Tatiane Costa Silva; Josué Miguel de Oliveira
Como Citar:
DIAS,Magna Ribeiro; SILVA, Tatiane Costa;DE OLIVEIRA, Josué Miguel. Condições de saúde bucal de mulheres cisgênero e transexuais em condições de vulnerabilidade social. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5436-5449, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202485717
Área do conhecimento: Ciências da Saúde.
Palavras-chaves: Pessoas transgêneros; saúde da mulher; vulnerabilidade social; acesso aos serviços de saúde; saúde bucal. Saúde.
Publicado: 14 de novembro de 2024.
Resumo
Este trabalho investiga o acesso à saúde bucal de mulheres cisgênero e transgênero em situação de vulnerabilidade social, destacando as barreiras enfrentadas por essas populações, como precariedade econômica e exclusão social. Analisar as barreiras no acesso aos serviços odontológicos enfrentadas por mulheres cis e transgênero vulneráveis. Além disso, identificar os impactos das desigualdades sociais e de gênero na saúde bucal e propor recomendações para práticas inclusivas e equitativas no SUS. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica utilizando Google Acadêmico, SciELO e PubMed, com artigos publicados entre 2019 e 2023. Dos 785 artigos iniciais, foram selecionados 10 estudos relevantes. Os artigos incluíram revisões de literatura, estudos de caso e pesquisas empíricas. A pesquisa revelou acesso limitado aos serviços odontológicos, com uma prevalência de atendimento regular de 25,7%. As mulheres cisgênero apresentaram maior frequência de consultas que homens, mas a exclusão é mais intensa entre mulheres trans devido à discriminação e falta de preparo profissional. Conclui-se que é necessário reformar a formação dos profissionais de saúde e fortalecer políticas públicas para reduzir as desigualdades no acesso aos serviços odontológicos. A inclusão e sensibilização são fundamentais para garantir que todas as mulheres, independentemente de sua vulnerabilidade, tenham acesso ao cuidado necessário.
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Abstract
This work investigates access to oral health for cisgender and transgender women in situations of social vulnerability, highlighting the barriers faced by these social problems, such as economic precariousness and social exclusion. To analyze the barriers to accessing dental services faced by vulnerable cis and transgender women. Furthermore, identify the impacts of social and gender inequalities on oral health and propose recommendations for inclusive and equitable practices in the SUS. A bibliographic search was carried out using Google Scholar, SciELO and PubMed, with articles published between 2019 and 2023. Of the initial 785 articles, 10 relevant studies were selected. Articles included literature reviews, case studies and empirical research. The survey revealed limited access to dental services, with a prevalence of regular care of 25.7%. Cisgender women had a higher frequency of consultations than men, but exclusion is more intense among trans women due to discrimination and lack of professional preparation. It is concluded that it is necessary to reform the training of health professionals and strengthen public policies to reduce inequalities in access to dental services. Inclusion and awareness are key to ensuring that all women, regardless of their vulnerability, have access to the care they need.
Keywords: Transgender people; women's health; social vulnerability; healthcare access; oral health. Health.
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1. Introdução
Acesso à saúde bucal para mulheres Cisgêneros e Transgêneros em situação de vulnerabilidade social é uma questão complexa que envolve múltiplos fatores, conforme evidenciado por diversos estudos1,2,3. Barreiras geográficas, características dos serviços de saúde e condições socioeconômicas são apenas alguns dos elementos que influenciam esse acesso. A População em Situação de Rua (PSR) representa um grupo particularmente vulnerável, enfrentando desafios adicionais devido à falta de moradia e outras dificuldades associadas à rua 4,5. Apesar dos esforços já existentes de políticas como a Política Nacional para a PSR, o acesso aos serviços de saúde bucal para essa população permanece limitado, especialmente para as mulheres que enfrentam desafios adicionais devido à sua condição de gênero1,2.
É notório que mesmo nessas circunstâncias estudos apontam que mulheres procuram mais os serviços de tratamento odontológico que homens6. Além disso, ao analisarmos mais profundamente essa disparidade de gênero no acesso à saúde bucal, torna-se evidente que a falta de acesso está intrinsecamente ligada às vulnerabilidades sociais. A vulnerabilidade social é o conjunto de fatores que determinam o acesso às informações, serviços e bens culturais, ao poder de participar de decisões políticas e às condições de moradia, educação e trabalho 3. Essas condições desfavoráveis impactam não apenas o acesso aos serviços de saúde bucal, mas também a saúde geral das pessoas3. No Brasil, a saúde bucal ainda enfrenta desafios significativos em termos de equidade e acesso, especialmente para grupos marginalizados como a população em situação de rua2. Apesar dos avanços na implementação de políticas públicas, como a Política Nacional para a População em Situação de Rua (PNPSR), a efetividade dessas medidas ainda é questionada devido à persistência de barreiras estruturais e sociais 2,4. A falta de moradia convencional, associada à extrema pobreza e aos vínculos familiares fragilizados, aumenta a vulnerabilidade das mulheres aos problemas odontológicos, excluindo-as dos serviços de saúde bucal, uma vez que enfrentam desafios mais imediatos e urgentes do que os tratamentos dentários5.
A saúde bucal dessas mulheres é afetada por uma série de fatores, incluindo violência de gênero, gravidez indesejada e o uso de substâncias prejudiciais à saúde bucal. Ainda no contexto da gravidez, é importante salientar na gravidez ocorrem modificações hormonais que podem refletir na modulação de sinais e sintomas da Doença Periodontal maior prevalência de cárie e outros problemas dentários4. Ainda mais preocupante, as condições de saúde bucal podem estar interligadas a problemas de saúde mais amplos, como doenças sexualmente transmissíveis e complicações durante a gravidez ou até mesmo a agressão física visto que a prevalência de traumatismos maxilofaciais causados pela violência em mulheres é de até 63,2% no Brasil4.
Para contextualizar nosso estudo, é importante definir alguns termos essenciais: "cisgênero" refere-se a indivíduos cuja identidade de gênero está alinhada com o sexo atribuído no nascimento, enquanto "transgênero" abrange aqueles cuja identidade de gênero difere dessa atribuição7. Mulheres cis e transgênero em situação de vulnerabilidade social enfrentam uma série de desafios específicos no acesso à saúde bucal, refletindo desigualdades estruturais e sistêmicas que precisam ser abordadas7. Portanto, investigar o acesso a serviços odontológicos para esse grupo não apenas preenche uma lacuna na pesquisa, mas também contribui para uma compreensão mais holística das necessidades de saúde dessas populações marginalizadas.
O objetivo deste trabalho é investigar as barreiras ao acesso aos serviços de saúde bucal enfrentadas por mulheres cis e transgênero em situação de vulnerabilidade social, com foco na população em situação de rua. Pretende-se identificar os principais desafios que essas mulheres enfrentam ao buscar cuidados odontológicos e analisar como questões de gênero e vulnerabilidade social interagem para agravar tais dificuldades. Além disso, busca-se compreender as repercussões dessas barreiras no estado de saúde bucal dessas mulheres e propor recomendações para políticas e práticas de saúde mais inclusivas e equitativas, capazes de atender às suas necessidades específicas das mulheres nessa situação.
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2. Metodologia
Este estudo visa investigar as condições de saúde bucal de mulheres cisgênero e transexuais em situação de vulnerabilidade social, bem como o acesso aos serviços de saúde por essas populações. A metodologia foi estruturada em várias etapas, começando com a seleção de palavras-chave, seguida de pesquisa em bases de dados científicas e análise dos artigos encontrados.
Primeiramente, foram selecionadas palavras-chave relacionadas ao tema no Google Acadêmico, resultando na escolha de cinco artigos publicados nos últimos cinco anos que se assemelhavam ao tema. As palavras-chave extraídas dos artigos incluíram: Redução de Danos, Travesti, Pessoas Transgêneros, Direitos Humanos, Pessoas LGBTQIA+, Saúde Bucal, Interseccionalidade, Violência, Mulher, Saúde, Trauma, Cuidados de Saúde Primários, Pessoas Transexuais, Acesso Efetivo aos Serviços de Saúde, e Serviços de Saúde para Pessoas Transgênero.
A pré-seleção dessas palavras-chave resultou em seis termos principais: Pessoas Transgêneros, Saúde da Mulher, Acesso aos Serviços de Saúde, Saúde Bucal, Pessoas Transexuais e Direitos Humanos. Em seguida, verificamos se essas palavras eram descritoras no DeCS (Descritores em Ciências da Saúde). As palavras chave selecionadas foram: Pessoas Transgêneros, Saúde da Mulher, Vulnerabilidade Social, Acesso aos Serviços de Saúde, Saúde Bucal e Saúde.
Na segunda etapa, realizamos uma pesquisa nas bases de dados SciELO, PubMed e Google acadêmico considerando artigos publicados nos últimos cinco anos (intervalo de tempo de 2019 a 2023).
Inicialmente, foram identificados 785 artigos, mas 253 foram descartados por não se enquadrarem nos critérios definidos, como o ano de publicação. Alguns estudos foram incluídos a partir de referências citadas em outros artigos, mesmo não sendo obtidos pela busca inicial, pois atendiam aos critérios de inclusão. Entre os selecionados, havia 2 revisões de literatura, 5 estudos de caso e 3 pesquisas empíricas.
A seguir, uma tabela apresenta a classificação dos artigos de acordo com o tipo de estudo, ano de publicação, objetivos, métodos empregados e principais resultados encontrados.
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Tabela 1 – Apresentação dos artigos numerados encontrados nessa Revisão de Literatura.
Número | Estudo | Tipo de Produção | Ano | Objetivo | Metodologia | Resultados |
1 | COUTO et al, 2021 | Artigo | 2021 | Explorar como os profissionais de saúde enxergam as iniciativas voltadas para o cuidado com a saúde bucal direcionadas a essa população nas três capitais da Região Sul do Brasil. | Pesquisa de caráter qualitativo, de corte transversal e com abordagem exploratória. Foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com 16 profissionais da área da saúde, sendo os dados examinados utilizando a metodologia de Análise de Conteúdo. | As capitais estudadas apresentam formas variadas de estruturar e fornecer cuidados de saúde bucal para pessoas em situação de rua. As principais dificuldades incluem a falta de profissionais especializados no atendimento a esse grupo, a baixa conscientização desses profissionais quanto às necessidades específicas dessa população e a compreensão limitada sobre o processo saúde doença no contexto da vida nas ruas.
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2 | FAKHRJAHANI et al, 2023 | Artigo | 2023 | Este estudo revisou a literatura para explorar abrangente o estado de saúde bucal e as necessidades não atendidas entre comunidades 2SLGBTQ+, incluindo fatores de risco que influenciam o acesso aos serviços odontológicos.
| Foi desenvolvida uma estratégia de pesquisa abrangente para examinar a literatura globalmente relevante sobre saúde oral 2SLGBTQ+, utilizando uma combinação de palavras-chave em seis bases de dados. Foram identificados e revisados 10 estudos que atenderam aos critérios de inclusão. | A revisão destacou uma lacuna significativa na literatura existente sobre saúde bucal 2SLGBTQ+. Os resultados sugerem uma necessidade urgente de estudos mais abrangentes e representativos para validar e expandir os achados observados, a fim de promover uma compreensão mais completa dos desafios enfrentados por essas comunidades em relação à saúde bucal. |
3 | MACHADO et al, 2012 | Artigo | 2012 | Avaliar a frequência com que adultos e idosos em comunidades vulneráveis utilizam serviços odontológicos de forma regular e identificar os fatores que influenciam esse comportamento. | Estudo transversal com 3.391 adultos e idosos em áreas vulneráveis de Porto Alegre, RS, entre julho e dezembro de 2009. A amostra foi selecionada de 121 setores censitários. A utilização regular de serviços odontológicos foi definida como consultas periódicas ao dentista. Dados foram coletados com um questionário sobre variáveis demográficas, socioeconômicas e saúde bucal. A análise usou teste qui-quadrado e regressão de Poisson.
| Há disparidades na frequência de uso regular de serviços odontológicos. Iniciativas que promovam a conscientização sobre saúde bucal e aprimorem o autocuidado, juntamente com a ampliação do acesso a serviços odontológicos com enfoque na atenção integral, podem incentivar um aumento na utilização contínua desses serviços. |
4 | MACHADO et al, 2022 | Artigo | 2022 | Este estudo transversal visou analisar a condição periodontal e sua relação com fatores sociodemográficos, práticas de saúde bucal e uso de substâncias em indivíduos temporariamente alojados em instituições para pessoas em situação de rua. | Dados foram coletados de 102 adultos em Goiânia, Goiás, por meio de exame clínico e questionário. A prevalência de CPI>1 foi de 83,3%. Encontrou-se 68,0% de sangramento, 82,4% de cálculo e 9,8% de bolsas periodontais. O uso de drogas ilícitas aumentou o cálculo, e homens e pessoas sem união estável tinham mais bolsas. O uso de fio dental reduziu o sangramento (RP=0,58; IC95%=0,35-0,96).
| A prevalência de alterações periodontais foi elevada, com destaque para a presença de cálculo, e a única associação significativa foi entre sangramento e o uso de fio dental. |
5 | MARSHALL-PAQUIN ET AL, 2023 | Artigo | 2023 | O objetivo deste estudo foi analisar o conhecimento, as atitudes e a disposição dos profissionais de saúde bucal em tratar pacientes transgênero, buscando preencher uma lacuna na literatura existente. | Nos Estados Unidos e Canadá, 315 dentistas, provedores de nível médio e higienistas participaram de uma pesquisa online que avaliou seu conhecimento, atitudes e disposição para tratar indivíduos Transgêneros ou buscar mais educação sobre o tema. Foram realizadas análises estatísticas descritivas, correlacionais e de regressão.
| A pesquisa teve uma taxa de conclusão de 85%, com 70% de acertos nas questões de conhecimento. Muitos não conseguiram definir corretamente termos como "gênero" e "identidade sexual". A falta de disposição para buscar mais informações foi associada a maior estigma, especialmente entre aqueles com menor conhecimento e identificados com certas religiões. |
6 | PIMENTEL et al. 2021 | Artigo | 2023 | Examinar os fatores que contribuem para a falta de adesão ao atendimento odontológico entre crianças em situação de vulnerabilidade, com base na perspectiva de uma equipe de saúde bucal. | Pesquisa qualitativa conduzida entre julho e setembro de 2016, através de entrevistas com a equipe de saúde bucal em uma Unidade Básica de Saúde no sul de Londrina, Paraná. O estudo focou na identificação e análise do atendimento odontológico prestado a crianças de 6 a 9 anos residentes na área de cobertura da unidade. | Os resultados foram descritos e analisados com base na adesão ao tratamento. As entrevistas foram avaliadas por análise temática de conteúdo. Das 55 crianças, 30 faltaram, 19 compareceram regularmente e 6 nunca foram atendidas. A percepção dos profissionais sobre vulnerabilidade está associada a condições socioeconômicas baixas. Os principais fatores para a não adesão incluíram: subestimação dos cuidados, priorização de outras tarefas, questões culturais, experiências anteriores negativas, falta de profissionais, ausência de busca ativa e triagem de risco, e falta de integração entre os profissionais.
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7 | SANTANA et al, 2021 | Artigo | 2021 | Identificar as questões de saúde enfrentadas por pessoas transgênero que trabalham na prostituição | Foi realizada uma revisão integrativa em julho de 2020 nas bases de dados PubMed, Web of Science, SCOPUS, CINAHL, IBECS e LILACS, sem limitações de idioma ou período. Foram utilizados descritores indexados no DECS e MESH, e seus sinônimos: “Pessoas transgênero”, “Trabalhadores do sexo” e “Vulnerabilidades em Saúde”. A análise dos dados foi conduzida por meio da análise temática. | Foram recuperados 547 artigos, dos quais 34 foram selecionados para a revisão. Emergiram quatro temas principais: “Conhecimento e prevenção de ISTs no trabalho sexual”, “Uso de substâncias ilícitas e álcool”, “Vulnerabilidades sociais e estruturais: apoio fragilizado e violências” e “Doenças psicossociais e desafios para pessoas trans na prostituição”. Pessoas trans na prostituição enfrentam discriminação, estigma, violência, uso de substâncias e dificuldades no acesso a serviços essenciais. |
8 | SANTOS et al, 2023 | Artigo | 2023 | Este estudo teve como objetivo entender a experiência de acesso a serviços e ações de saúde bucal por mulheres em situação de rua na cidade de Teresina, Piauí. | Trata-se de uma pesquisa qualitativa, orientada pelo paradigma interpretativo, realizada com mulheres em situação de rua atendidas por instituições de referência. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, gravadas e transcritas. A análise seguiu a hermenêutica de Hans-Georg Gadamer (2015), complementada pelas ideias de Paul Ricoeur (1976). Foram conduzidas 13 entrevistas, das quais emergiram duas unidades de significado: Ser mulher em situação de rua e Acesso a serviços e ações de saúde bucal.
| As mulheres em situação de rua enfrentam várias dificuldades, especialmente relacionadas à saúde bucal, que são agravadas pela sua condição de gênero. Elas têm acesso limitado a cuidados odontológicos e é crucial implementar políticas que considerem suas necessidades específicas. Embora todos os dentistas da rede sejam responsáveis pela saúde bucal das pessoas sem-teto, é destacada a necessidade urgente de incluir um profissional de saúde bucal nas equipes de atendimento nas ruas. |
9 | SILVA et al, 2018 | Artigo | 2018 | O objetivo deste estudo foi examinar as principais necessidades e desafios relacionados ao cuidado com a saúde bucal dessa população no Distrito Sanitário I de Recife. | Este é um estudo exploratório e descritivo com uma abordagem qualitativa. Foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com 7 pessoas em situação de rua, 4 profissionais do Consultório na Rua (CnaR) e 12 dentistas da atenção básica, cujos dados foram analisados usando a técnica de análise de conteúdo.
| Entre as principais necessidades de saúde bucal, a dificuldade no acesso ao atendimento odontológico foi destacada por todos os participantes como um desafio e uma possível solução para a atenção à população em situação de rua. A adesão ao tratamento foi mencionada como um problema pelos dentistas, possivelmente refletindo preconceito ou acolhimento inadequado, conforme relatado pelos trabalhadores do CnaR e pelos moradores de rua. |
10 | TAMRAT, 2022 | Artigo | 2022 | Esta revisão examina as pesquisas atuais para aumentar a compreensão sobre a experiência transgênero, identificando necessidades de saúde bucal e propondo estratégias inclusivas para melhorar os resultados nessa área. | Foi realizada uma busca detalhada em bancos de dados online como PubMed, Google Scholar, CINAHL e Education Source, resultando em 35 artigos que abrangem diversos modelos de estudo e metodologias. | A literatura destacou temas como impactos psicossociais, barreiras ao cuidado e a necessidade de práticas inclusivas na saúde bucal. Conclusão: A população transgênero enfrenta desigualdades que afetam sua saúde bucal. Estratégias inclusivas e maior compreensão podem melhorar os cuidados para essa comunidade. |
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3. Desenvolvimento e discussão
A pesquisa revelou que há uma escassez de artigos sobre as condições de saúde bucal de mulheres cisgênero e transexuais em situação de vulnerabilidade social. Além disso, o acesso a informações e tratamentos é frequentemente restrito devido a vários fatores, como barreiras econômicas, sociais e estruturais que limitam a disponibilidade e a qualidade do cuidado odontológico para essa população.
Condições de vida precárias contribuem para o surgimento de doenças e agravam as condições de saúde existentes4. A prevalência de utilização regular dos serviços odontológicos foi de 25,7%, o que está alinhado com a literatura nacional limitada. Estudos anteriores, como os de Camargo et al. (2009) e Matos et al. (2001), encontraram prevalências de 32,8% e 24,6% respectivamente, sendo a última mais próxima dos resultados encontrados no presente estudo4. Mulheres demonstraram uma frequência de consultas mais alta, semelhante ao observado em uma pesquisa canadense com trabalhadores de baixa renda, reforçando os achados do presente estudo sobre a saúde bucal de mulheres cisgênero e transexuais em situação de vulnerabilidade social6.
O acesso aos serviços de saúde para pessoas em vulnerabilidade social é fortemente afetado pelas adversidades de suas condições de vida, como exposição a violências, alimentação inadequada, dificuldades de higiene e uso de substâncias. Além disso, as burocracias institucionais e a exclusão social contribuem para a internalização do adoecimento, adiando a busca por atendimento até que se torne emergencial2,4. Já que a vulnerabilidade social abrange fatores que afetam o acesso a informações, serviços, bens culturais, participação política, além das condições de moradia, educação, saúde e trabalho3.
Pesquisas mostram que a população transgênero enfrenta altos índices de desemprego, falta de moradia, problemas de saúde mental como depressão e ansiedade, rejeição familiar, abuso físico e emocional, e risco elevado de suicídio e abuso de substâncias8. Além disso, enfrentam desafios significativos no acesso a cuidados gerais e odontológicos devido a barreiras financeiras, falta de sensibilidade cultural e discriminação8. Mulheres cisgênero em situação de vulnerabilidade social também enfrentam dificuldades, mas a situação é ainda mais crítica para mulheres transgênero devido às complexas questões relacionadas à identidade de gênero4.
Um estudo revelou que se encontram níveis alarmantes no que diz respeito à saúde bucal de pessoas transgênero9. Esses indivíduos frequentemente enfrentam uma carga maior de problemas bucais em comparação com a população cisgênero. Estudos revelam que problemas como úlceras orais e doenças relacionadas ao tabaco são mais comuns entre pessoas trans9. Além disso, elas têm maiores índices de cáries, higiene bucal deficiente e doenças periodontais9. A análise do índice de dentes cariados, perdidos e obturados (CPOD) mostra que essas pessoas frequentemente têm uma saúde bucal mais comprometida e relatam maior insatisfação com seus cuidados dentários9.
Um estudo recente destacou a importância de avaliar o conhecimento que profissionais de saúde bucal têm sobre pessoas transgênero, pois esse conhecimento pode influenciar suas atitudes e práticas10. A pesquisa revelou que muitos desses profissionais não compreendem bem conceitos básicos como "gênero" e "identidade sexual", e têm dificuldades para definir termos como "homem trans" e "mulher trans". Um dos participantes expressou surpresa ao perceber o quão pouco sabia sobre a população transgênero10. A análise dos dados mostrou que alguns entrevistados evitaram perguntas sobre conhecimento, o que sugere uma falta de entendimento o que demostrou uma necessidade de melhorar a conscientização sobre as necessidades de saúde bucal específicas de pessoas transgênero10.
Também se encontram níveis alarmantes no que se diz respeito ao acesso à saúde bucal de mulheres cisgênero em situação de vulnerabilidade social que enfrentar essas desigualdades, o que vêm se tornando um desafio complexo para o SUS 2. Uma pesquisa indica que é urgente reformar a formação dos profissionais de saúde para que eles se tornem mais sensíveis às diversas condições de vida, abandonando abordagens rígidas e normativas confirmando o que o autor MARSHALL-PAQUIN afirmou posteriormente2.
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4. Considerações finais
A investigação revelou uma lacuna significativa na compreensão das condições de saúde bucal enfrentadas por mulheres cisgênero e transgênero em contextos de vulnerabilidade social. A dificuldade de acesso aos cuidados odontológicos para essas mulheres é acentuada por uma série de barreiras econômicas, sociais e estruturais que dificultam não apenas a disponibilidade, mas também a qualidade do atendimento recebido. A situação de vulnerabilidade social, que envolve aspectos como a exposição a situações de violência, a dificuldade em manter uma alimentação adequada e as limitações na higiene pessoal, frequentemente resulta na exclusão do acesso a cuidados essenciais. A burocracia e a exclusão social frequentemente atrasam a busca por atendimento até que os problemas se tornem emergenciais, refletindo uma realidade dura e muitas vezes negligenciada. Esses fatores demonstram que a vulnerabilidade social é um conceito amplo que afeta profundamente o acesso a informações, serviços e condições básicas de vida, impactando diretamente a saúde bucal e geral dessas mulheres.
Portanto, para abordar efetivamente essas desigualdades, é essencial implementar reformas na formação dos profissionais de saúde e aprimorar as políticas públicas para garantir um acesso mais justo e eficiente aos serviços de saúde bucal. Promover práticas de saúde mais inclusivas e eliminar as barreiras que perpetuam a exclusão e a desigualdade são passos fundamentais para assegurar que todas as mulheres, independentemente de sua condição de vulnerabilidade social, possam receber o cuidado que necessitam e merecem.
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5. Declaração de direitos
As autoras declaram ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declaram que as imagens e textos publicados são de responsabilidade das autoras, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declaram respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declaram não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Faculdade Planalto Central.

