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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
O papel da afetividade na aprendizagem dos estudantes – relato de experiência
Pedro Darsayev Silva de Carvalho 1
Como Citar:
DE CARVALHO, Pedro Darsayev Silva. O papel da afetividade na aprendizagem dos estudantes – relato de experiência. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5429-5435, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202483617
Área do conhecimento: Educação.
Palavras-chaves: ensino, aprendizagem, afetividade, acolhimento, educação.
Publicado: 14 de novembro de 2024.
Resumo
Este artigo aborda como a afetividade nas relações professor-aluno pode influenciar na aprendizagem, seja no âmbito disciplinar, onde a qualidade da relação do professor com o estudante interfere na obediência ao regimento escolar, no âmbito avaliativo, como nas relações pessoais, mostrando como os alunos tendem a se interessar mais por uma disciplina cujo professor é alguém querido por eles. Buscando comprovar os resultados percebidos pelo autor, esta investigação teve como foco compreender a relação direta entre fatores afetivos e pedagógicos em diferentes disciplinas. A metodologia apresentada foi um relato de experiência, baseada nas contribuições teóricas de educadores como Paulo Freire, utilizando informações fornecidas por professores e alunos da instituição em que o autor trabalha a partir de um estudo de caso analisando a realidade escolar vivenciada pelo autor durante o ano de 2024, foi possível coletar evidências que a relação afetiva entre docentes e discentes pode interferir diretamente nos resultados da aprendizagem de jovens do ensino médio.
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1. Introdução
A prática pedagógica é uma jornada cujos desafios continuam a existir por todo o percurso e cabe ao educador manter-se atualizado em meio às constantes descobertas científicas de sua área de atuação. Ademais, o educador Paulo Freire afirma que o magistério é uma área de constante aprimoramento.
Como os demais saberes, este demanda do educador um exercício permanente. É a convivência amorosa com seus alunos e na postura curiosa e aberta que assume e, ao mesmo tempo, provoca-os a se assumirem enquanto sujeitos sócios-históricos-culturais do ato de conhecer, é que ele pode falar do respeito à dignidade e autonomia do educando. [4]
Destarte professores que buscam se atualizar em suas perspectivas áreas de trabalho conseguem melhores resultados em sala de aula.
No entanto, engana-se o profissional que acredita que conhecer sua disciplina é a única tarefa do professor. Diferentemente do que acreditavam os positivistas do século XIX, não existe educação impessoal, onde o professor se anula completamente enquanto pessoa para ter um discurso puramente técnico e isento de reflexos de vivências, contatos e impressões causadas pelo fator humano.
Questões do desenvolvimento intelectual, emocional e físico costumam ser ignoradas por professores do ensino médio, normalmente tratando como fase difícil ou rebeldia e casos isolados, mas tal negligência faz com que muitos profissionais percam a oportunidade de entender melhor seus alunos, trabalhar questões socioemocionais e, dentre elas, a afetividade.
Neste contexto, é crucial destacar a importância da afetividade considerando a base científica, o discurso oficial e os programas de formação docente. Além disso, urge uma discussão mais profunda e ampla sobre esse tema, especialmente entre os formadores de professores. Afinal, cultivar relações afetivas positivas não apenas enriquece o processo educativo, mas também contribui para o bem-estar e o sucesso dos estudantes.
Os estudos sobre grandes teóricos da aprendizagem como Piaget, Vigotski e Wallon não estão na grade curricular das licenciaturas por mero acaso: entender as fases do desenvolvimento, aprendizagem e comportamento são cruciais à prática pedagógica, já que não há professores sem alunos e tampouco alunos sem professores e nas relações que rodeiam o ciclo pedagógico, no qual o professor ensina e aprende em uma espiral de experiências.
Então, por que, alguns educadores insistem em ver os estudantes como meros receptáculos que devem passivamente receber o conhecimento ditado pelo profissional sem poderem se conectar, explorar e dar suas perspectivas sobre os conteúdos aprendidos em sala?
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2. Metodologia
O artigo é um estudo de caso, baseado nas leituras e vivências do autor enquanto professor da educação básica, comparando a perspectiva de grandes autores com a realidade presenciada pelo educador, percebendo o impacto da afetividade no desempenho escolar, através da amostragem de estudantes do ensino médio em Fortaleza, a capital do Ceará. Foram analisadas dezoito turmas com uma média de quarenta estudantes em cada turma, cujas idades variavam entre quatorze e dezesseis anos.
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3. Desenvolvimento e discussão
Ao perceber que diversos professores se queixavam do desempenho das turmas do ensino médio, o autor resolveu investigar as causas, perguntando aos docentes quais eram os problemas e o que eles relatavam ser as causas. Ficou evidenciado que a relação com os alunos criava barreiras para o a aprendizagem dos estudantes, visto que estudiosos e educadores renomados, como Paulo Freire e Henri Wallon destacam a importância das relações afetivas no ambiente escolar e como elas podem influenciar significativamente o desempenho acadêmico dos alunos de uma forma ampla, já que há diversas realidades educacionais.
Percebendo que o ponto em comum nas disciplinas que os alunos apresentavam resultados insatisfatórios era a relação dos estudantes com os professores, o coordenador escolar foi informado da situação e buscou dedicar momentos das aulas para conversar com as turmas em questão. Os alunos relataram que situações por parte dos professores como grosseria, falta de interesse dos educadores em serem ouvidos pelos estudantes e que não conseguiam perceber diálogo das disciplinas lecionadas por tais educadores com a realidade deles. Paulo Freire enfatiza a importância do diálogo e da empatia na educação. Em sua obra "Pedagogia do Oprimido", Freire argumenta que a educação deve ser um ato de amor e que o educador deve estabelecer uma relação de confiança e respeito com os alunos. Segundo ele, "não há educação sem amor" [6], e essa afetividade é fundamental para criar um ambiente propício ao aprendizado e ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes.
Henri Wallon, psicólogo e educador francês, também contribuiu significativamente para a compreensão da afetividade na educação. Wallon destaca que a afetividade é o berço da socialização do indivíduo, pois é com ela que são transmitidos os primeiros ensinamentos às crianças. Por isso, a emoção é responsável por grande parte do desenvolvimento infantil nos anos iniciais. Nesse período as crianças necessitam de maior atenção daqueles que as cercam. A afetividade na escola, como complemento da afetividade na família, é de suma importância para seu desenvolvimento, tanto cognitivo quanto social [5]. Assim, a necessidade de compreender se a dimensão afetiva entre professor-aluno influencia o processo de ensino-aprendizagem é o que justificou este trabalho.
Durante a pesquisa, percebeu-se que alguns professores se incomodaram com a situação, buscando justificar o rendimento insuficiente com a imaturidade dos alunos, entretanto, segundo Antunes, as pessoas nascem dependentes de pessoas mais maduras; tal dependência pode ser compreendida como amor. A afetividade nasce do instinto de sobrevivência e a proteção fazem com que os genitores retribuem o sentimento pelos filhos. Esse sentimento não se manifesta apenas entre pais e filhos. Homens primitivos viram na atividade em grupo a melhor chance para a sobrevivência [1].
A esse respeito, pode-se afirmar que o clima educacional de auxílio ao aluno que possibilita a autonomia sem oprimir está nutrindo a autoestima dos estudantes e ensinando de forma construtiva. Dessa forma, a relação afetiva do educador pode fazer o aluno se sentir apreciado. Conforme afirma Chalita, “A melhor escola é aquela que leva o indivíduo a descobrir por si próprio a alegria de ser e o entusiasmo em viver, pois não existem pessoas felizes sem a autoestima de querer-se bem” [2].
Os resultados da pesquisa demonstram uma variação de desempenho entre as disciplinas que apresentavam professores admirados pelos alunos e disciplinas onde havia conflitos na relação entre estudantes e educadores, pois as mesmas turmas que tiveram médias abaixo da média sete nas aulas cujos professores eram mal vistos pelos alunos, apresentaram notas acima da média em disciplinas nas quais os educadores conseguiam manter um bom relacionamento com os estudantes. Antunes [1] afirma que o professor muitas vezes é quem consegue auxiliar o aluno a desenvolver e descobrir habilidades, a segurança com os estudos de forma satisfatória. O interesse do aluno interfere na formação da autoestima, aumentando sua capacidade de fazer escolhas com propriedade. A instituição escolar tem uma grande responsabilidade em fornecer um ambiente propício ao desenvolvimento da criança, bem como o convívio entre estudantes é de grande importância para o desenvolvimento social de cada indivíduo.
O afeto desenvolvido pelo estudante por seus educadores fica evidente, pois “criança com elevado grau de autoestima apresenta desempenho consistentemente melhor do que crianças de habilidades semelhantes com baixa autoestima” [3]. É notório que quando o educador estimula ao a confiança em seus alunos suas próprias conquistas em vez de reprimir algum comportamento fora do esperado, está proporcionando aos seus alunos a chance de serem bem sucedidos, visto que quando a falha ocorrer dentro do ambiente escolar o aluno sabe que pode contar com o corpo docente, porque há entre professor e aluno um vínculo afetivo pautado na confiança.
Os resultados da pesquisa foram expostos aos educadores. Relatou-se que havia uma relação direta entre a relação dos professores e alunos com o rendimento nas avaliações, visto que os professores reconhecidos pela turma como profissionais acessíveis conseguiam reter a atenção dos estudantes com mais eficácia, sem apelar para métodos punitivos, como encaminhar alunos para a diretoria. Na contramão, professores que tinham uma postura percebida como autoritária pelos educandos costumam ter dificuldades em estabelecer vínculos e de serem ouvidos pelas turmas, ocasionando um menor rendimento escolar. Os educadores que buscaram entender a responsabilidade na situação conseguiram reverter o quadro de baixo rendimento, enquanto os que foram resistentes à aproximação com os estudantes, não assumindo a responsabilidade enquanto professor com a aprendizagem dos alunos, continuaram a perceber o rendimento abaixo da média sete em suas turmas.
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4. Considerações finais
A escola tem ligação com a vida da criança acolhendo e oferecendo condições para o desenvolvimento da autoestima, autoconfiança e de um bom autoconceito, elementos importantes para a aprendizagem e para que construa sua identidade, situando-se na realidade para elaborar e realizar com determinação seus projetos de vida.
De acordo com Chalita, pensar na construção de uma sociedade escolar mais justa e solidária é refletir sobre os valores e afetos que fazem a diferença humana nas relações escolares no dia a dia, visto que o papel do professor é muito delicado porque necessita de um auto investimento afetivo na relação professor-aluno que ajudará no desenvolvimento da autoestima e eficácia na aprendizagem [2]. A relação do professor no desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, assim como a maturidade emocional dos alunos é muito importante para seu desenvolvimento escolar.
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5. Declaração de direitos
O autor declara ser detentor dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra Revista/Journal. Declara que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do autor, e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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6. Referências
ANTUNES, C. Como ensinar com afetividade. 2ª ed. São Paulo: Ática, 2008.
CHALITA, G. Educação: a solução está no afeto. 15ª ed. São Paulo: Gente, 2001.
FONTANA, David. Aprendizado. Psicologia para professores. São Paulo: Loyola, 1998.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
WALLON, Henri. Psicologia e educação da infância. Lisboa: Estampa 2003.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.
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