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Scientific Society Journal
ISSN: 2595-8402
Journal DOI: 10.61411/rsc31879
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL
A Série “Aventuras com os Kratts” como recurso didático para o estudo dos amniotas, no Ensino Fundamental
Larissa Barros de Souza1; Maíra Moraes2; Virgínia Maria do Rêgo Codá dos Santos3; Elidiomar Ribeiro Da-Silva4; Jean Carlos Miranda5
Como Citar:
DE SOUZA, Larissa Barros; Moraes, Maíra; DOS SANTOS, Virgínia Maria do Rego Codá et al. A Série “Aventuras com os Kratts” como recurso didático para o estudo dos amniotas, no Ensino Fundamental. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.4566-4616, 2024.
https://doi.org/10.61411/rsc202473717
DOI: 10.61411/rsc202473717
Área do conhecimento: Ensino de Ciências.
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Palavras-chaves: Recurso didático; estudo dos amniotas, aventuras com os Kratts, animações.
Publicado: 01 de outubro de 2024.
Resumo
As animações, sejam elas curtas-metragens, filmes ou séries, estão presentes no cotidiano de diversos estudantes. Contempladas pela Metodologia Ativa de Aprendizagem, elas trazem a Ciência como um dos assuntos mais explorados, abordando Zoologia, Ecologia, Educação Ambiental de forma lúdica. Este trabalho tem por objetivo analisar a série “Aventuras com os Kratts” e propor seu uso como recurso didático para auxiliar o processo de construção do conhecimento dos amniotas no ensino de Ciências. Para isto, assistiu-se aos episódios da 1ª e 2ª Temporada da série, identificando os animais principais. A segunda etapa foi restringir os episódios contendo os animais amniotas como protagonistas. Destes, na terceira etapa, foram selecionados alguns episódios, segundo critérios pré-estabelecidos. Na última etapa, buscou-se características zoológicas e ecológicas através da descrição das falas dos personagens e do contexto. Como resultados, dos 66 episódios, contendo invertebrados e vertebrados, sete foram selecionados, representando o grupo: répteis (três), aves (um) e mamíferos (três). As características zoológicas e ecológicas foram comparadas àquelas encontradas em artigos e livros básicos de zoologia, como o “Princípios Integrados de Zoologia” e “Biologia e Ecologia dos Vertebrados”. Por fim, conclui-se que assuntos como: cuidado parental, predação, defesa, alimentação e outros, foram abordados de forma clara, objetiva e divertida, fidedignas às informações encontradas em materiais base; as curiosidades e os conceitos trazidos pela série podem funcionar como um a mais no ensino, cujos episódios possuem uma curta duração viável para serem inseridos na rotina das aulas.
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1. Introdução
Um recurso que vem, cada vez mais, chamando a atenção de professores e demais educadores é a animação. Ela traz consigo mensagens importantes, fomentando nos discentes os sentimentos de preservação do ambiente, respeito às esferas culturais e sociais, e, não menos importante, a busca pelo conhecimento (Siqueira, 2017; De Queiroz; Rocha, 2018). Assim, nas produções audiovisuais ocorre uma junção entre imagem e texto, como argumento para as narrativas ficcionais acerca da Ciência e, com isso, promovem discursos informativos sobre um determinado tema.
Siqueira (2002) afirma que, apesar de esses veículos não produzirem as informações, possuem uma função importantíssima, a de mediação. Isto inclui uma certa seleção, além de filtrar e organizar para distribuir as informações geradas em instituições. Entretanto, há uma reformulação do que será transmitido ao público, pois o que antes era uma tarefa restrita às instituições de ensino, hoje se torna mais acessível por meio da veiculação de conhecimento por parte desses meios de transmissão (Souza, 2010).
Os desenhos fazem parte do mundo humano desde o período pré-histórico, como as pinturas rupestres (Zorich, 2014), e se aperfeiçoaram ao longo do tempo, resultando nas produções atuais. Para Soares (2013), as novas tecnologias nas áreas de animação e de fotografia, permitiram que estas se tornassem mais criativas, inéditas e competitivas, possibilitando que grandes estúdios fossem criados. A autora corrobora que, com o tempo, filmes de animação passaram a ser vistos de forma a retratar questões cotidianas, ou seja, relacionados ao social, o econômico e o cultural, além de ser um entretenimento, passando a ter uma grande influência sobre o mundo. Hoje, utiliza-se de novos instrumentos cinematográficos para tornar possível, o que antes era considerado mágica.
No que tange ao ensino, Silva et al. (2012) compreendem ser importante que os docentes entendam as linguagens dos filmes e da TV. Para isso, é preciso identificar peculiaridades e potencialidades, rumo à aprendizagem efetiva, a fim de promover o desenvolvimento harmonioso dos alunos, uma vez que esse tipo de linguagem está presente em seu cotidiano, sendo o meio tecnológico mais acessível para a classe popular (Callegario; Borges, 2010).
Partindo desta concepção, a inserção das animações no ensino faz parte do conjunto contemplado pelas Metodologias Ativas de Aprendizagem (MAA), que podem ser definidas “como métodos instrucionais que colocam os alunos no centro do processo de aprendizagem” (Bondioli; Viana; Salgado, 2019. p. 23), isto é, são estratégias de ensino em que o aluno é o protagonista, atuando ativamente na construção do seu próprio conhecimento. Por meio dessa abordagem, a aprendizagem do aluno se transforma em um “processo desafiador, imprevisível e personalizado” (Bondioli; Viana; Salgado, 2019. p. 23). Por conseguinte, essa valorização de variados recursos como a aula ativa e a tecnologia, acaba por promover a capacitação de sujeitos e a assimilação dos conceitos ministrados em aula. Segundo Morán (2015. p. 17),
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as metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes. Se queremos que sejam criativos, eles precisam experimentar inúmeras novas possibilidades de mostrar sua iniciativa.
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Para tornar a aula mais atrativa e dinâmica para o aluno, e, menos repetitiva para o professor, há variados recursos que contribuem de forma significativa na aprendizagem e na motivação por conhecimento. Dessa maneira, quando o recurso utilizado pelo professor apresenta resultados positivos, fomentar no aluno a confiança, o interesse e a capacidade de construir conhecimentos mais complexos (Nicola; Paniz, 2016). Assim como em outras disciplinas, o ensino de Ciências parte desse princípio de complexidade, exigindo um esforço maior, tanto do professor quanto do aluno. Um exemplo disso é o ensino de Zoologia que, segundo Barros-Souza et al. (2020. p. 8) “[...] é uma disciplina que abrange uma extensa quantidade de conteúdo com muitos detalhes e demanda o conhecimento de diversos termos e nomes complexos”.
De uma maneira geral, filmes e desenhos animados são marcantes de alguma maneira na vida dos telespectadores, sejam pelas músicas ou pelas mensagens transmitidas (Leles; Miguel, 2017). No Brasil, as séries de animação destacam-se como o principal conteúdo televisivo disponível às crianças (Nery e Rego, 2020). Importante destacar que animações como “Vida de Inseto”, “Era do Gelo”, “Peixonauta”, “Aventuras com os Kratts”, dentre outras, apresentam um caráter educativo, abordando temas como, por exemplo, preservação, extinção, sustentabilidade, ecologia e zoologia, de maneira informal, lúdica e contextualizada.
Segundo Rosa, De-Oliveira e Rocha (2018) ao utilizar um recurso midiático para ensinar conteúdos científicos, faz-se necessário, por parte do professor, uma criticidade sobre o tema e como ele é abordado, pois dessa forma eventuais erros conceituais ou na própria abordagem podem ser identificados e trabalhados em sala. Vasconcelos e Leão (2010. p. 2) apontam que “o professor que utiliza em sua prática metodológica, recursos audiovisuais e do cotidiano do alunado, permite que haja o incentivo a problematização de conceitos, satisfazendo as curiosidades dos alunos e necessidades reais ou imaginárias dos mesmos”. Dessa forma, consegue-se explorar os aspectos cientificamente com os alunos, dando a oportunidade de refletir, discutir e problematizar as temáticas dentro do contexto da realidade local, o que também influencia no desenvolvimento cognitivo dos estudantes.
Portanto, o presente trabalho tem por objetivo analisar a série “Aventuras com os Kratts” como recurso didático para auxiliar no processo de construção do conhecimento acerca de Amniotas no Ensino Fundamental II.
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2. A série “Aventuras com os Kratts”
Com título original Wild Kratts (Figura 1), a série animada “Aventuras com os Kratts” traz aos pequenos telespectadores, até o presente, seis temporadas contendo 146 episódios, com duração média de 22 minutos. Apesar da série estar relacionada à faixa etária de seis a oito anos de idade pelo site oficial, em outros sites, o direcionamento ocorre para o público de cinco a 14 anos (Roe, 2014; PBS Learning Media, 2021; Machado, 2021; Wild Kratts, 2021), abrangendo, portanto, o Ensino Fundamental. Na série, o tema principal são os animais selvagens, havendo uma relação específica com a disciplina de Ciências. Porém, conceitos relacionados a outras disciplinas também são apresentados, como Geografia, Química, Física e a própria tecnologia, mostrando que a interdisciplinaridade é fundamental na construção dos episódios. É explícita a preocupação com a extinção de espécies e a preservação do ambiente, propondo uma sensação de coletividade e trabalho em equipe (Machado, 2021).
Figura 1 – “Aventuras com os Kratts”.
Fonte: Official Wild Kratts Site (2021).
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Criada pelos irmãos Christopher F. Kratt e Martin W. Kratt, a série retrata, em forma de animação, a realidade vivenciada pelos irmãos, ambos biólogos. São dois aventureiros e amantes dos animais, dominando conhecimentos sobre os seres e sobre os ambientes a que pertencem (Roe, 2014). Suas expedições pela selva renderam inúmeras filmagens tanto do comportamento, quanto dos habitats de vários animais, permitindo que estes mostrassem às crianças muito dessas interações e ações do reino animal, nunca vistas antes. Logo, fizeram uma combinação entre educação científica, diversão e aventura viajando ao redor do mundo, a fim de registrar esses momentos na natureza. Cada aventura compartilhada pelos irmãos Kratts explora conceitos de Ciência, atrelados a histórias surpreendentes de aventura, resgate e mistério, de forma descontraída prendendo a atenção infanto-juvenil (PBS Learning Media, 2021; Wild Kratts, 2021). Esse não é o primeiro projeto dos irmãos Kratts. Os biólogos já ajudaram a tornar os lêmures-de-cauda-anelada, uma espécie de primata, populares no final da década de 1999, com a série de televisão infantil da Public Broadcasting Service (PBS), “Zoboomafoo”.
Alguns objetivos educacionais da série são estabelecidos pelos irmãos, tais como: i) ensinar os telespectadores de seis a oito anos sobre a história natural e a ciência adequados à idade, conforme surgir o interesse pelos animais; ii) desenvolver e estimular habilidades básicas de investigação e observação para o estudo das ciências nas crianças; iii) gerar entusiasmo pela ciência (PBS Learning Media, 2021). Segundo Machado (2021), é evidente o grande potencial didático que a série oferece, como recurso.
Seus personagens são os protagonistas; bastante simpáticos e diferentes da imagem de cientista construída ao longo das décadas. Não usam jalecos, nem frequentam laboratórios convencionais, muito pelo contrário. Na maior parte do tempo, utilizam roupas comuns, como um casaco com uma camiseta branca por baixo, bermuda e botas, mudando apenas as cores, Chris utiliza um casaco verde e Martin, um casaco azul. Além disso, em momento de exploração, vestem trajes tecnológicos (Figura 2) que fazem parte dos “Creature Powers”, que lhes dão habilidades temporárias e permitem que se aproximem de cada animal encontrado no ambiente, para ajudá-los em alguma situação ou entender algum conceito. Esses trajes também os colocam em apuros, pois acabam atraindo predadores naturais, deixando cada história mais interessante (Roe, 2014; Lamberson, 2021). Os irmãos não realizam suas descobertas, nem vivem as aventuras sozinhos, eles contam com uma equipe comprometida, sendo eles: Aviva, Koki e Jimmy Z, além de um laboratório móvel em forma de tartaruga (Figura 3).
Figura 2 - Traje dos personagens: A) Traje do poder de leão e B) Traje do poder do elefante.
Fonte: Modificado de Roe (2014).
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Figura 3 - Equipe do “Aventuras com os Kratts” e a Tartaruga.
Fonte: Modificado de Roe (2014).
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A personagem Aviva Corcovado, além de cientista, é uma ótima mecânica. É ela quem confecciona os trajes para os irmãos, projeta os veículos, que também são inspirados nos animais dos episódios, e cria ferramentas para serem usadas, como o “miniaturizador”, que diminui o tamanho de qualquer objeto, inclusive o dos irmãos. Os trajes são feitos a partir de discos que contém algum elemento do respectivo animal que, ao ser inserido na roupa, desperta a habilidade. O laboratório móvel (Tartaruga), também foi projetado pela personagem, assim como todos aqueles que surgem para auxiliar os irmãos Kratts em suas aventuras. Koki é outra personagem habilidosa. Especialista em informática, auxilia os irmãos em todos os planos para salvar um animal em situação de perigo e na desmistificação de conceitos. Jimmy Z é o piloto da Tartaruga. Bastante atrapalhado, ama o seu joystick, instrumento que auxilia a equipe no teletransporte. Os irmãos também contam, de forma eventual, com a ajuda das crianças de cada região onde se passa o episódio, para solucionar alguma tarefa ou de fato auxiliar algum animal que esteja em perigo (Fandom, 2021; Machado, 2021).
Além dos próprios perigos existentes na natureza, a equipe enfrenta alguns vilões. Dentre os principais está Zachary Varmitech (Figura 4A), que além de criar robôs e sempre tentar capturar animais para serviço próprio, sonha construir hotéis nos lugares onde os animais vivem. O Chef Gaston Gourmand (Figura 4B) gosta de fazer pratos exóticos, principalmente utilizando animais ameaçados de extinção. Já a fashionista Donita Donata (Figura 4C), gosta de confeccionar joias, roupas e acessórios usando os animais (Lamberson, 2021; Fandom, 2021; Machado, 2021).
Figura 4 - Principais vilões de “Aventuras com os Kratts”: A) Zachary Varmitech, B) Chef Gourmand e C) Donita Donata.
Fonte: Modificado de Fandom (2021).
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3. Percurso Metodológico
Para o desenvolvimento do presente trabalho, foram assistidos, através da plataforma de streaming Looke, os episódios da primeira e segunda temporadas da série animada “Aventuras com os Kratts”, com o idioma dos personagens dublados em português. Apesar de existirem seis temporadas ao todo, no Brasil estão disponíveis apenas as primeiras duas temporadas, de maneira completa. Apesar de a plataforma do YouTube possuir alguns episódios completos, a grande maioria dos vídeos disponíveis é formada por trechos curtos, o que inviabiliza a realização da pesquisa por meio dela.
Utilizando o computador como recurso principal, dois quadros foram criados e alimentados com as informações obtidas na plataforma Looke e em outros sites relacionados. Nesta triagem, que marca a primeira etapa de pesquisa, objetivou-se identificar, em cada episódio, o animal principal que estava sendo abordado A partir disso, pôde-se classificá-lo de acordo com o grupo zoológico ao qual pertence. Foram utilizados alguns recursos oferecidos pelo próprio computador, tais como: o print screen, recurso que captura a imagem apresentada; a divisão das pastas com diretórios diferentes e planilhas no Microsoft Excel.
Para a organização preliminar dos episódios, os quadros foram renomeados como “Temporada 1” e “Temporada 2”, por meio do software de organização Evernote. Este foi escolhido por ser gratuito, de fácil manuseio, on-line e ter salvamento automático. Após isso, as informações foram transferidas para o Microsoft Excel.
Na segunda etapa da pesquisa, iniciou-se o processo de identificação dos representantes do grupo dos Amniotas, foco da pesquisa. Acerca das subclassificações desses vertebrados, o trabalho ancorou-se nas informações científicas de artigos e livros acadêmicos, como “Princípios Integrados de Zoologia” (Hickman et al., 2016) e “Biologia e Ecologia dos Vertebrados” (Benedito, 2017), na tentativa de evitar possíveis erros conceituais. A terceira etapa da pesquisa se concentrou na escolha de episódios que contemplam o grupo dos amniotas, para uma análise mais profunda das características zoológicas e ecológicas apresentadas. A seleção desses episódios respeitou os seguintes critérios:
mostrar a diversidade em subclassificações dentro do grupo dos amniotas;
As classes Reptilia, Aves e Mammalia são compostas por muitos clados, com vários exemplares e bem representados nas duas temporadas da série. Diante disso, é importante expor todos os animais ou pelo menos a maioria deles, que foram encontrados nos episódios. Logo, mostrar os principais representantes de cada grupo.
a) apresentar os episódios que traziam mais conceitos científicos acerca do animal principal, sendo ele o tema central (sem coadjuvante);
Embora todos os episódios sejam muito bem construídos, em relação à quantidade de conceitos e informações extras sobre os animais, a preferência foi dada àqueles que expunham essas informações de maneira mais objetiva e dinâmica. Além dessa objetividade, episódios que contemplaram apenas um animal como protagonista, foram selecionados, uma vez que alguns episódios traziam animais que não eram Amniotas para dividir o espaço nas histórias, portanto, sem coadjuvantes.
b) o fato de o animal principal ser de fácil reconhecimento do estudante, com preferência por animais da fauna brasileira (animais endêmicos) ou animais populares.
As aventuras da equipe se passam em vários locais do mundo, ou seja, todos os continentes e ambientes (terrestre, aquático e aéreo). Essa articulação permitiu que diversos animais pudessem ser apresentados ao público, portanto, a grande maioria não faz parte da fauna brasileira, sendo impossível destinar todos os episódios, sob os critérios escolhidos, para a fauna nacional. Logo, buscou-se selecionar os animais mais conhecidos pelo público infantil brasileiro, os populares de cada continente (com maior visibilidade pela mídia televisiva) e, se possível, animais que também façam parte da fauna local.
Com os episódios definidos, a quarta e última etapa consistiu em assisti-los novamente, descrevendo todo o contexto e as falas dos personagens. Essa etapa foi fundamental para identificar quais características, conceitos e temas foram abordados acerca dos animais principais. Durante a análise, utilizou-se o recurso de Print Screen e da câmera do celular para capturar as imagens dos animais/contexto com a finalidade de concatenar todas as informações.
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Resultados e discussão
A análise da série de animação "Aventuras com os Kratts”, resultou no total de 66 episódios assistidos (40 episódios da 1ª temporada e 26 episódios da 2ª temporada), com duração de aproximadamente 22 minutos, cada. A grande maioria dos episódios apresentam quase que de imediato os animais principais, porém, alguns poucos trazem uma mistura de conceitos, que serão mostrados nas seções abaixo.
Apesar de os irmãos e criadores Chris e Martin Kratts serem naturais dos Estados Unidos, os episódios têm foco nos ambientes de diferentes países e regiões. Em ambas as temporadas, uma grande diversidade de seres é apresentada, o que se mostra extremamente positivo quando falamos de Zoologia, disciplina que, por vezes, se torna abstrata ao caracterizar animais que não estão presentes na fauna brasileira, ou que os alunos dificilmente terão contato. Os criadores da série apresentam diversos continentes, e os personagens interagem em seus nichos, mostrando quase sempre aqueles endêmicos da região. Diferentes ambientes são apresentados ao público, respeitando as paisagens, habitats, microclimas, entre outros fatores, com muitas cores, sons e elementos que chamem a atenção dos telespectadores.
Com esse olhar mais crítico aos detalhes contidos na série, foi observado o cuidado com a fidelidade acerca dos conceitos científicos, que os criadores tiveram ao abordar cada assunto dentro das temáticas, resultando num ótimo produto. Essa característica se deve muito em razão da formação acadêmica de ambos. Além disso, com a triagem inicial foi possível visualizar que há pouca repetição de animais.
Em cada episódio, acompanhando o protagonista, a animação apresenta muitos outros animais que interferem na trama, destacando as relações ecológicas intraespecíficas e interespecíficas. Outro aspecto bastante importante, é a construção dos episódios que, não necessariamente, estão encadeados em uma sequência específica. Muitos deles não se interligam, sendo possível assisti-los sem informações prévias sobre algum conceito ou característica dos próprios. A seguir, serão mostrados os principais resultados obtidos nesta primeira fase de observação.
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4.1. Primeira temporada da série animada “Aventuras com os Kratts”
A primeira temporada da série animada “Aventuras com os Kratts” foi lançada em 2011, sendo constituída por 40 episódios e tem uma baixa representatividade de invertebrados, condrictes e osteíctes. Quando falamos desses animais, o trabalho realizado por Avelino-Capistrano e Silva (2017) analisa exatamente esse cenário nos últimos 44 anos. Apesar de a busca focar em invertebrados, os autores trazem dados relacionados a diversos grupos. Na pesquisa, utilizaram como fonte de consulta principal o site do Internet Movie Database (IMDb) buscando por desenhos animados, onde os protagonistas e os coadjuvantes fossem animais. Por meio de classificações pré-definidas, encontraram um total de 905 obras, nas quais 4.383 são personagens animais. Destes, apenas 318 animais são invertebrados, distribuídos em dez filos, sendo o filo Arthropoda (com destaque para a classe Insecta), o mais representativo, seguido pelos filos Mollusca e Annelida. A baixa representatividade dos invertebrados pode estar associada à maneira como esses animais são retratados pelos meios de comunicação, vinculados a problemas agrícolas e sanitários, por exemplo.
Os peixes possuem personagens emblemáticos na indústria fílmica. Um dos filmes mais conhecido é o “Procurando o Nemo” (2003), que traz um peixe-palhaço (Nemo) como animal principal. Na animação, são apresentados outros personagens, como seu pai, Marlin, outro peixe-palhaço, a Dory, sua amiga, uma cirurgião-patela, que em 2016 ganhou seu próprio filme “Procurando Dory”, ambos produzidos pela Pixar Animation Studios e lançados pela Walt Disney Pictures, além de outros peixes e animais aquáticos. O filme “O Espanta Tubarões” (2004) produzido pela DreamWorks é estrelado por um bodião-limpador, chamado Oscar, junto ao seu amigo tubarão-branco, denominado Lenny, sendo acompanhados de outras espécies de peixes e invertebrados, como as águas-vivas (Ardente, 2010; Silva e Oliveira, 2016).
Por conseguinte, os 30 episódios restantes, foram destinados aos amniotas: répteis, aves e mamíferos, sendo este último aquele com maior representatividade. Segundo Avelino-Capistrano e Silva (2017), os amniotas são mais conhecidos pelas crianças do que os invertebrados. Muito em razão do maior contato e, principalmente, pela maior divulgação nas mídias televisivas. Além disso, muitas crianças têm contato com esses animais em espaços formais e não formais de ensino como, por exemplo, museus e zoológicos, nos quais uma grande diversidade de animais vertebrados são apresentados. Sendo assim, era esperado que esse grande grupo assumisse uma predominância na série. Ainda no trabalho de Avelino-Capistrano e Silva (2017), do total de personagens analisados, 3.874 eram pertencentes ao grupo dos Vertebrados, mostrando que a série “Aventuras com os Kratts” está em conformidade com os padrões encontrados em outras animações.
Outras produções também trazem os amniotas como protagonistas. Ardente (2010), Almeida-Bizarria et al. (2017) e Silva et al. (2018) analisaram o filme de animação “Os Sem-Floresta” da DreamWorks Animation, lançado em 2006. Na obra, tem-se como personagens guaxinins, tartarugas e jabutis, esquilos, cangambás, porcos-espinhos, dentre outros animais. Nesse contexto, Ardente (2010) ressalta o papel ecológico do filme, utilizando-o como recurso didático para ensinar conceitos acerca das Ciências Naturais, junto aos filmes “Procurando o Nemo” e “Vida de Inseto”. De Almeida-Bizarria et al. (2017), fazem uma análise quanto ao tema sustentabilidade também trazido pelo filme, funcionando como um suporte para o estudo. Enquanto Silva et al. (2018) abordam a diversidade zoológica e os impactos que os personagens sofrem devido às ações antrópicas.
Os mamíferos são os amniotas mais populares e representativos quando se trata de desenhos animados e filmes. Uma das animações mais clássicas, “A Era do Gelo”, lançada em 2002, traz mamíferos bastante simpáticos num cenário da última Era Glacial no planeta, que ocorreu há 18 mil anos. Rezende et al. (2017) analisaram este filme com a finalidade de registrar as potencialidades para o ensino da Paleontologia, realizando um aprofundamento com base em alguns elementos, sendo um deles os animais que aparecem durante as cenas. O longa é protagonizado pelo mamute Manfred mais conhecido como Manny, um engraçado bicho-preguiça-gigante chamado Sid, um tigre-dente-de-sabre chamado Diego e Scrat, um azarado esquilo pré-histórico, além de vários outros animais que viveram durante aquele período. O estudo evidenciou alguns problemas no que tange a coexistência de alguns animais, bem como a existência do homem, no período retratado no filme. Apesar dessas questões, o filme é uma ferramenta interessante para abordagem de temas relacionados à Paleontologia.
Outra animação, lançada em 1994, bastante explorada em trabalhos acadêmicos e que evidencia o protagonismo dos mamíferos, é “O Rei Leão”. Nele, leões são os principais personagens em meio a savana africana, sendo eles Mufasa, Simba, Scar e Nala. Outros mamíferos compõem a história, como Rafiki, que se assemelha a um mandril, Timão, que é um suricato, e Pumba, seu melhor amigo, um simpático javali-africano (Fandom, 2021). O trabalho realizado por Nery, Pereira e Silva (2020) aponta esse filme como uma ótima ferramenta pedagógica, afirmando que aulas com o uso de animações cinematográficas auxiliam no processo de formação em Ciências, assim como, este filme em específico, auxilia no estudo de Botânica, Ecologia e Zoologia.
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4.2. Segunda temporada da série animada “Aventuras com os Kratts”
A segunda temporada da série animada “Aventuras com os Kratts” teve seu lançamento em 2012 e conta com 26 episódios que, em sua maioria, retratam animais não tratados na primeira temporada. Insetos e Répteis tiveram uma redução na representatividade, e o grupo dos Peixes permaneceu com o mesmo número de episódios. Em contrapartida, o grupo das Aves teve mais protagonismo, passando de três para cinco episódios. Com a quantidade de episódios bastante reduzida em relação à temporada anterior, poucos episódios com animais não Amniotas foram descartados.
Embora o foco deste trabalho seja o grupo dos vertebrados amniotas, é questionável a baixíssima presença de anfíbios na série, tendo sua representatividade protagonizada em apenas um episódio. Até mesmo em obras de outras produtoras, os anfíbios são pouco retratados. O filme “A Princesa e o Sapo”, lançado em 2019 pelo da Walt Disney Animation Studio, é um dos poucos que traz, mesmo como personagem secundário, os anfíbios, e mesmo assim em meio a uma sátira (Moreira, 2021). Recentemente, a série animada, também da Walt Disney Animation Studio, denominada “Amphibia” trouxe esses pequenos animais em destaque. Com sua estreia em 2019, a história fala sobre a menina Anne, que é transportada para “Amphibia” logo após furtar uma caixa de música misteriosa. O lugar é dominado por anfíbios falantes, que logo ensinam a Anne seus costumes, como: se alimentar de insetos, pilotar lesmas e manter certa distância do capitão Grime. O trabalho de Barros (2019) retrata justamente a relação dessa série com a Zoologia Cultural, por meio de um levantamento acerca das características da classe Amphibia encontrada em livros didáticos com aquelas abordadas na série. O autor salienta que resultados positivos e negativos quanto à morfologia e aspectos biológicos dos animais foram encontrados, sendo uma boa ferramenta para gerar discussões em sala de aula.
Portanto, assim como na primeira temporada, a maior parte dos episódios apresentam os Amniotas como animais principais. Dentre os 26 episódios observados, 20 estão distribuídos entre répteis (3), aves (5) e mamíferos (12). Tendo em vista as mudanças ocorridas da primeira para a segunda temporada de “Aventuras com os Kratts”, acerca das quantidades de episódios sobre os diversos grupos de animais, alguns resultados permaneceram próximos. O protagonismo dos amniotas mamíferos ainda é alto.
Comparando a representatividade das aves na série com aquelas encontradas na indústria fílmica há produções bastante conhecidas, como por exemplo, “Pica-Pau”, série e filme animado criado em 1940 pela Universal Pictures Animation; “A Fuga das Galinhas”, filme de animação em stop-motion lançado em 2000 pela DreamWorks Animation e Aardman Animations; “O Galinho Chicken Little”, de 2005, lançado pela Walt Disney Animation Studio; “Happy Feet: O Pinguim”, animação de 2006, lançado pela Warner Bros. Pictures; “Angry Birds”, lançado em 2016 pela empresa finlandesa Rovio; e uma das mais conhecidas, o filme “Rio”, lançado em 2011 pela Blue Sky Studios e 20th Century Animation (Adorocinema, 2012, 2016, 2021; Fandom, 2021; Martins, 2021; Oliveira, 2021).
O filme “Rio” teve uma ótima recepção pelo público brasileiro, muito em razão de a história se passar em território nacional, especificamente no Rio de Janeiro. O filme tem um personagem bastante cativante, o Blu, uma ararinha-azul que é vítima de tráfico de animais silvestres. Acompanhado de outros animais, a trama gira em torno da fuga do cativeiro. Os trabalhos de Lisboa (2012), Costa e Barros (2014) e o mais recente de Serpa e Da-Silva (2022) exaltam o filme em propostas diferentes. O primeiro, analisa o filme “Rio” a fim de conferir os conceitos da Educação Ambiental presentes, além de aspectos que envolvam a Ciência e seus conhecimentos, para futuras discussões.
Costa e Barros (2014) utilizam esta animação, assim como outros filmes, como estratégia para o ensino de Ciências e Biologia, por meio de suas análises dentro da sala de aula com professores e alunos. Já Serpa e Da-Silva (2022) proporcionam uma outra visão acerca do filme, a preservação ambiental. Isso porque o filme retrata explicitamente o tráfico de animais silvestres, especificamente das aves, o que é crime ambiental. Os autores trazem dados taxonômicos e de estado de conservação dos animais encontrados no longa, a fim de promover não só a conscientização, mas sensibilizar os leitores perante a vasta biodiversidade brasileira abordada.
Filmes com répteis geralmente estão associados ao gênero terror, apresentando esses animais como “monstros” e “assassinos”. Na ficção científica, os filmes “Godzilla”, “Anaconda”, “Pânico no Lago”, “Alligator” e “Jurassic Park” e suas continuações, são algumas produções que expõem equivocadamente os primeiros amniotas (Campos, 2019). Em se tratando de animações, tem-se um vasto repertório de filmes que têm um réptil como protagonista, frequentemente, os dinossauros.
Considerado um clássico, a animação “Em Busca do Vale Encantado”, lançada em 1988 pelas produtoras pela Amblin Entertainment, Universal Studios e Sullivan Bluth, possui várias continuações. O primeiro filme conta a história de um pequeno apatossauro chamado Littlefoot, que enquanto está a caminho do tão sonhado Vale Encantado, perde sua mãe. Logo, se junta a outros dinossauros: Saura, Espora, Patassaura e Petrúcio, selando uma grande amizade. Outro clássico da animação, produzido pela Walt Disney Pictures, é intitulado “Dinossauro”, lançado no ano 2000. Conta a história de Aladar, um iguanodonte órfão criado por uma família de lêmures, que iniciam uma longa jornada após a queda de um meteorito. “O Bom Dinossauro”, animação de 2016, lançado pela produtora Pixar Animation Studios, conta uma outra perspectiva histórica, ou seja, uma realidade onde dinossauros não foram extintos, coexistindo com os humanos (Santos, 2021).
Outras animações que não focam na temática “répteis extintos” também são encontradas, entre elas está “Rango”, filme da Nickelodeon Movies, lançado em 2011, que traz “Rango”, um camaleão que possui crise de identidade, sendo “sem querer” transformado em um herói. Pereira e De Barros (2017) analisaram esta animação com um foco bastante interessante. Criaram um Guia do Educador para usar a animação como forma complementar para trabalhar o ciclo da água com os alunos. Ou seja, sua distribuição, sua escassez e outros aspectos, pois o filme se passa no Velho Oeste, deserto Mojave, localizado na Califórnia. Já o trabalho de Sharara, Santos e Boelter (2018), usa o filme como estratégia para debates da Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA), acerca dos conteúdos de Zoologia e Ecologia, explicitados no filme.
Todas as animações destacadas possuem uma característica em comum, a humanização dos animais. Todos possuem falas, muitos usam vestimentas e expressam comportamentos do homem, entretanto, muitos apresentam atributos fidedignos aos encontrados na natureza. Características zoomórficas, ecológicas e comportamentais, são fundamentais para construir um conhecimento significativo no ensino de Ciências quando se fala em Zoologia. Por isso, a série “Aventuras com os Kratts”, foi a escolhida, pois melhor retrata o animal natural em seu habitat. Apesar de haver algumas licenças poéticas, para prender atenção do público infanto-juvenil, o critério da “não-humanização” dos animais, norteou a pesquisa.
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4.3. Episódios escolhidos da série animada “Aventuras com os Kratts” para o estudo dos amniotas
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a) Tartaruga6 Incrementada (Episódio 17 – Temporada 2)
A história gira em torno do laboratório móvel da equipe, a Tartaruga. Aviva, está pensativa quanto às características do veículo, que realiza diversas funções, mas ainda está faltando alguma coisa. Em meio a discussão, saindo em defesa da Tartaruga, os irmãos Kratts informam sobre algumas características que o veículo tem, dentre elas a capacidade de se retrair como as tartarugas-de-casco (Figura 5 A e B) e a camuflagem, como as tartarugas-de-caixa, tartarugas-leopardo e tartarugas-com-manchas (Figura 5 C, D e E).
Figura 5 - Características do laboratório Tartaruga baseado em espécies de tartarugas. A e B) Veículo contraindo os membros como as tartarugas-de-caixa. C) Veículo camuflado como as tartarugas-de-caixa. D) Veículo camuflado como as tartarugas-leopardos.
Fonte: Captura de tela do episódio 17 (2ª temporada).
Com o decorrer do episódio, a equipe descobre que a Tartaruga não sabe nadar. Então, para que Aviva consiga modificá-la e deixá-la mais completa, ela precisa de uma “bioinspiração”. Após uma votação entre tartarugas de água doce (tartaruga-pintada, tartaruga-de-casco-mole ou tartaruga-com-manchas) e tartarugas marinhas (tartaruga-verde, tartaruga-de-pente, a tartaruga-de-couro, a tartaruga-cabeçuda), a equipe escolhe ir atrás das tartarugas marinhas, para entender como elas nadam e quais "superpoderes" elas têm, que possam ajudar com as modificações no laboratório móvel.
Ao mergulharem no mar, Chris e Martin encontram uma tartaruga, mas ainda não identificam a espécie. Para conseguir chegar mais próximo do animal, eles pensam em algumas estratégias. A primeira se refere à alimentação da tartaruga, ou seja, eles fazem de conta que são águas-vivas, mas a ideia não dá prosseguimento. A segunda estratégia foi se miniaturizar para se esconder no recife de coral que está próximo deles. Miniaturizados, os irmãos ficam dentro de uma esponja-do-mar (Porifera) e logo percebem que algum animal está se alimentando dessa esponja. Ao observarem de perto, percebem que é uma tartaruga-de-pente (Figura 6) que, de acordo com os irmãos, tem como comida preferida, as esponjas-do-mar.
Figura 6 - Tartaruga-de-pente se alimentando da esponja-do-mar.
Fonte: Captura de tela do episódio 17 (2ª temporada).
As tartarugas são répteis pertencentes a ordem Testudines. Neste episódio, a espécie escolhida é a Eretmochelys imbricata (Linnaeus, 1766), família Cheloniidae, mais conhecida como tartaruga-de-pente ou tartaruga-legítima (Benedito, 2017; Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, 2021). Uma das primeiras abordadas é a sua aparição próxima aos recifes de coral. De fato, segundo Fundação Projeto Tamar (2021), devido a sua distribuição tropical, essa espécie é encontrada em locais como recifes de coral e costões rochosos. Além disso, a sua alimentação corresponde às encontradas na natureza, que compreendem as esponjas, anêmonas, corais e algas, utilizando seu o bico córneo cortante semelhante ao de um falcão.
Para dar prosseguimento a tarefa de fazer o veículo Tartaruga nadar, os irmãos pegam “carona” no casco da tartaruga-de-pente. Enquanto nadam com o animal, Chris e Martin dão informações sobre ele. Se referem à morfologia, ou seja, o casco da tartaruga, que é mais chato e hidrodinâmico, permitindo que ela faça uma “maratona” de centenas de quilômetros e tenha um arranque de até 20 Km/h, além de nadadeiras que auxiliam no nado. Também informam sobre a capacidade que elas têm de ficar bastante tempo debaixo d’água (de 10 a 40 minutos), mas, ainda precisam subir à superfície para respirar através das narinas localizadas no focinho. Enquanto os irmãos explicam, Aviva passa a fazer as modificações no projeto da Tartaruga (Figura 7 A, B e C). Por ser uma tartaruga marinha, a tartaruga-de-pente apresenta suas patas peitorais em forma de nadadeiras, que junto ao seu formato corporal hidrodinâmico, facilita o nado (Benedito, 2017).
Figura 7 - Modificações no projeto do veículo Tartaruga. A) Tornar o casco hidrodinâmico. B) Modificar os membros anteriores e posteriores do veículo. C) Acrescentar válvulas ao focinho no projeto da Tartaruga.
Fonte: Captura de tela do episódio 17 (2ª temporada).
Enquanto ocorre o “passeio turístico”, um tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier Péron e Lesueur, 1822) aparece e começa a perseguir a tartaruga e os irmãos. Como estratégia de defesa, a tartaruga utiliza seu casco para evitar ser mordida (Figura 8 A) e nada até o recife para se esconder, se configurando como outra estratégia. Neste episódio, os irmãos utilizam o super traje animal baseado nas tartarugas-de-pente (Figura 8 B), que possui as seguintes características, segundo Aviva: “Os poderes essenciais da tartaruga marinha são: casco aerodinâmico, nadadeiras da frente mais compridas para nadar e nadadeiras curtas para dirigir, mecanismo de busca de oxigênio que dá aos meninos a capacidade de 10 minutos debaixo d'água e bico cortante para comer esponjas! Caso eles fiquem com fome”.
Figura 8 - A) Estratégia de defesa contra o tubarão-tigre. B) Super traje animal de tartaruga-de-pente.
Fonte: Captura de tela do episódio 17 (2ª temporada).
Apesar de não sofrer muitos ataques de outros animais marinhos, esses animais podem sofrer ataques ocasionais de tubarões e orcas (Fundação Projeto Tamar, 2021). Logo, a estratégia utilizada pela tartaruga-de-pente é bastante comum nas tartarugas marinhas em geral. Segundo Hickman et al. (2016), o casco das tartarugas oferece várias vantagens, como por exemplo, atuar como um “colete” parecido com a armadura medieval para proteger o animal de possíveis ataques.
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b) Mamãe crocodilo (Episódio 1 – Temporada 1)
Às margens do Rio Nilo, os irmãos observam um crocodilo-do-nilo que está prestes a pôr seus ovos (Figura 9 A). Logo, os irmãos apresentam uma característica do animal: ser uma das maiores espécies de crocodilos do mundo. Ao cavar e pôr os ovos na areia, os irmãos utilizam o miniaturizador e vestem trajes semelhantes aos ovos do crocodilo (Figura 9 B). Continuam a observar de perto a morfologia do animal, apresentando que esses répteis têm o dobro de dentes dos humanos (64 dentes) (Figura 9 C). Ao entrarem no ninho, os irmãos passam a contar quantos ovos essa “mamãe crocodilo” põe, chegando ao resultado de 57 ovos.
Figura 9 – A) Chris e Martin observam a crocodilo escolher um local para a desova. B) Chris e Martin vestidos de ovos de crocodilo. C) Chris informando sobre a quantidade de dentes que o crocodilo possui.
Fonte: Captura de tela do episódio 1 (1ª temporada).
Pertencente à ordem Crocodylia e família Crocodylidae, o crocodilo-do-nilo, Crocodylus niloticus (Laurenti, 1768), é o réptil principal deste episódio. Ao analisar alguns dos aspectos abordados neste trecho, os crocodilos realmente atingem tamanhos muito grandes, podendo pesar até 1.000 kg e sete metros de comprimento. Seus dentes são numerosos e bastante afiados, o que facilita o processo da tomada de alimento. A fêmea geralmente põe cerca de 50 ovos em ninhos feitos de folhas ou enterrados na areia, permanecendo próximo durante o processo (Pough, Janis e Heiser, 2008; Hickman et al., 2016; Benedito, 2017).
No ninho, Chris e Martin querem saber os “segredos do nascimento dos crocodilos” e para isso, analisam alguns aspectos. O primeiro é a temperatura, no qual identificam uma diferença. Dentro do ninho a temperatura permanece constante, 30ºC dia e noite, já fora dele a temperatura é superior, 32ºC durante o dia. Logo, determinam que a temperatura de incubação é perfeita para o desenvolvimento dos ovos. De acordo com as informações de Martin: "Os crocodilos se tornam meninos ou meninas dependendo da temperatura dos ovos. Se o ninho ficar entre 31 e 34°C eles viram meninos. E, se estiver mais frio ou mais quente, os crocodilos viram meninas!” (Figura 10 A e B).
Figura 10 - Martin explicando que a temperatura é fator determinante nos sexos dos crocodilos.
A) Temperatura dos meninos. B) Temperatura das meninas.
Fonte: Captura de tela do episódio 1 (1ª temporada).
A equipe comenta sobre o cuidado parental que a mamãe crocodilo tem com os filhotes. Em um dado momento, o crocodilo fica imóvel, sem se alimentar por semanas para proteger o ninho e seu cuidado é ainda mais apreciado principalmente quando aparecem predadores no episódio, sendo eles: o lagarto-monitor (Varanus salvadorii Peters e Doria, 1878), um marabu (Leptoptilos crumenifer Lesson, 1831) e um texugo-de-mel (Mellivora capensis Schreber, 1776) (Figura 11 A, B e C). Esses são alguns dos principais predadores de ovos e filhotes de crocodilo (Hickman et al., 2016).
Figura 11 - Principais predadores dos ovos e filhotes de crocodilos abordados no episódio.
A) Lagarto-monitor. B) Marabu. C) Texugo-de-mel.
Fonte: Captura de tela do episódio 1 (1ª temporada).
A temperatura é um determinante no sexo da ninhada dos crocodilos, ou seja, abaixo dos 30°C dão origem a apenas fêmeas e temperaturas elevadas, acima de 31ºC, dão origem a apenas machos. Nota-se que os filhotes, antes mesmo de nascerem, correm risco de predação, o que é observado no ambiente natural. Quando adultos, quase não possuem inimigos, a não ser os humanos, porém, quando filhotes são muito vulneráveis a predadores. Logo, quando os ninhos estão sem a proteção da mãe, correm o risco de serem atacados por mamíferos, garças, aves aquáticas e outros répteis (Hickman et al., 2016; Benedito, 2017).
Um aspecto curioso trazido neste episódio, é o momento em que Martin percebe que existe um outro animal, cavando e colocando ovos no ninho do crocodilo. Uma tartaruga-de-casco-mole (Figura 12 A e B), que segundo ele: “Essa tartaruga sabe que se puser disfarçadamente seus ovos perto de um ninho de crocodilo, a mamãe crocodilo também irá vigiá-los. Isso é brilhante!”. Outra relação apresentada é do territorialismo presente entre os crocodilos e os hipopótamos (Hippopotamus amphibius Linnaeus, 1758) (Figura 12 C). Chris diz: “Tanto os crocodilos quanto os hipopótamos dominam esses rios e esses ‘hipos’ também são durões! Aquelas mandíbulas podem quebrar um crocodilo grande ao meio!”.
Figura 12 - A e B) Tartaruga-de-casco-mole pondo ovos no ninho do crocodilo. C) Hipopótamos no Rio Nilo.
Fonte: Captura de tela do episódio 1 (1ª temporada).
O nascimento dos filhotes é o momento mais celebrado no episódio, pois não só os filhotes de crocodilo eclodem do ovo, mas os filhotes da tartaruga-de-casco-mole (Pelochelys cantorii Gray, 1864) também (Figura 13 A). Para nascerem, Chris nota que os filhotes de crocodilo emitem sons de dentro do ovo, como um aviso para que todos nasçam simultaneamente e afirma: "Os crocodilos calculam o tempo de incubação para nascerem todos juntos. Até mesmo as tartaruguinhas estão nascendo. É uma festa animal!”. Quando todos nascem, eles continuam emitindo o som, que fica cada vez mais alto, para avisar a mamãe crocodilo, que rapidamente cava em direção ao ninho e busca os filhotes com a boca (até os da tartaruga) levando em direção ao Rio Nilo (Figura 13 B).
Figura 13 - A) Nascimento dos filhotes de crocodilo e de tartaruga. B) A “mamãe crocodilo” deixando os filhotes às margens do Rio Nilo
Fonte: Captura de tela do episódio 1 (1ª temporada) realizada pela autora.
Segundo Hickman et al. (2016), ao nascerem, os filhotes emitem vocalizações à mãe, que responde abrindo o ninho e os ajudando a sair, o que demonstra que o cuidado parental desse grupo é bastante diferente e elaborado. Também são animais bastante territorialistas quando se refere à tomada de alimento, proteção da ninhada, entre outros.
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c) O Cristal da Cascavel (Episódio 21 – Temporada 2)
Neste episódio, a equipe se depara com um grande problema, o veículo Tartaruga está `'morrendo” devido à falta de cristal de telúrio, fundamental para as suas funções. Logo, a tartaruga faz um pouso forçado no deserto de Sonora e os irmãos começam a busca por esse metaloide raro. Em meio a exploração, eles encontram vários animais: uma coruja-duende (Micrathene whitneyi Cooper, 1861), um cangambá-pintado (Conepatus semistriatus Boddaert, 1785), o monstro-de-gila (Heloderma suspectum Cope, 1869), mas o animal no qual ficam fascinados é a cascavel Crotalus durissus (Linnaeus, 1758) (Figura 14 A). A cobra passa a perseguir um esquilo-da-califórnia (Otospermophilus beecheyi Richardson, 1829) (Figura 14 B) utilizando sua estratégia de caça. Enquanto Martin observa a cascavel, ele explica sobre o chocalho e sua função nas seguintes falas: “O chocalho é feito de escamas soltas que roçam umas nas outras para produzir esse som de chocalho. E é esse chocalho que faz a cascavel ser a cobra mais educada!” e “Bom, é que ela sempre avisa com o chocalho antes de dar o bote e enfiar as presas cheias de veneno no seu braço!”.
Figura 14 – A) Cascavel. B) Cascavel perseguindo o esquilo-da-Califórnia.
Fonte: Captura de tela do episódio 21 (2ª temporada).
Dentre as principais características apresentadas pela cascavel, a presença do chocalho é a primeira identificada pelos irmãos. O chocalho ou guizo, como também é conhecido, está localizado na extremidade da cauda do animal e possui a função de defesa e ataque/aviso, pois quando o animal está irritado, agita-o produzindo um som semelhante ao de chocalho.
A capacidade sensorial da cascavel é bastante destacada pelos irmãos. Em uma das falas, Chris aborda características marcantes no animal: “Quando eu fiquei cara a cara com essa cobra, eu pude ver direitinho como a cara dela é cheia de incríveis poderes sensoriais. Olhos aguçados que enxergam bem com o sol forte. Narinas que garantem o olfato apurado. E uma língua que entra e sai sentindo o ar, aguçando ainda mais o seu olfato”. A língua bífida da cobra, de acordo com Hickman et al. (2016) é projetada no ar captando partículas odoríferas e identificadas através do órgão de Jacobson, estrutura olfatória.
Localiza-se também os “furinhos” próximo às narinas do animal, como um órgão sensorial, mas não entra em detalhes quanto ao seu nome. Martin aborda a questão do calor ao explicar como ela sabia da presença do esquilo em sua fala: “Os furinhos que sentem o calor corporal dos animais. Os furinhos dão à cascavel uma habilidade de ver o calor e encontrar sua presa”. Esses “furinhos”, segundo Benedito (2017) fazem parte de um sentido extra, permitido pelo órgão denominado fosseta loreal. É uma abertura, localizada entre os olhos e a narina do animal, capazes de perceber pequenas variações de temperatura, formando uma “imagem térmica” bastante precisa do tamanho da possível presa, que será apresentado a seguir.
Seus dentes (presas) também são apresentados, que de acordo com Chris, medem cerca de 3 cm. Ao mencionar sobre a capacidade térmica da cobra, os irmãos utilizam um de seus óculos térmicos, com o objetivo de entender como o animal enxerga (Figura 15 A). Ao final, para conseguir pegar os cristais de telúrio dentro de um hibernáculo, os irmãos utilizam seu traje animal de cascavel (Figura 15 B) e conseguem salvar a tartaruga.
Figura 15 – A) Chris observando Martin com seus óculos térmicos. B) Chris e Martin em seus super trajes animais de cascavel.
Fonte: Captura de tela do episódio 21 (2ª temporada).
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d) Como Tocar um Beija-Flor? (Episódio 10 – Temporada 2)
Estacionados em alguma floresta tropical, a equipe se depara com um simpático beija-flor-manga-de-peito verde (Figura 16 A). As principais características que os chamam a atenção são como a pequena ave paira no ar, fica de cabeça para baixo, voa para trás com facilidade e de maneira extremamente rápida. Ao utilizar um instrumento de captação, Aviva registra o voo em câmera lenta do animal e informa “Está registrando isso, Koki? As asas dele batem 100x por segundo. Os humanos agitam os braços 4x por segundo! Como eles batem as asas 100x por segundo, é muito rápido para a gente conseguir ver.” (Figura 16 B).
Figura 16 - A) Beija-flor-manga-de-peito-verde. B) Batimento das asas em câmera lenta
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
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Pertencente à ordem Apodiformes e família Trochilidae, o Anthracothorax prevostii (Lesson, 1832), possui algumas variações quanto ao seu nome: colibri-de-gravata-verde, manda-de-peito-verde, beija-flor-de-barriga-verde (Schimidt, 2014, Benedito, 2017). No episódio, o batimento das asas é motivo de curiosidade da equipe. Martin afirma: “Olha só isso! É bem diferente. As asas dele não estão indo para cima e para baixo como nos outros pássaros. Ela se move em forma de 8!”. Aviva complementa que este movimento, em 8, permite que o beija-flor voe nas quatro direções, assim como, de cabeça para baixo.
Logo, um desafio se instala, como tocar o beija-flor, que é extremamente ágil, para ativar o super traje animal? Os reflexos da pequena ave são rápidos e os irmãos criam várias estratégias a fim de garantir seus superpoderes. Aviva, para entender a forma de voo do animal, dá a seguinte explicação: “Olha só, isso é uma asa de pássaro normal. Geralmente a asa é feita de ossos do braço. Essa é uma asa de beija-flor! As asas de um beija-flor são feitas de ossos da mão. E veja, é isso que permite que ele bata as asas em 8 e paire no ar! Esse vai ser o meu super traje animal mais incrível!” (Figura 17 A e B). Além de precisarem tocar em um beija-flor para ativar o traje, os irmãos ainda precisam salvar os seus ovos das garras do vilão Chef Gourmand.
Figura 17 – A) Anatomia da asa de um pássaro “normal”. B) Anatomia da asa de um beija-flor
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
Um dos segredos sobre essa habilidade de voo dos beija-flores está relacionada sim a estrutura das suas asas. Conforme Hickman et al. (2016. p. 621)
A asa é quase rígida, mas liga-se à cintura escapular por uma articulação giratória e acionada, mecanicamente, pelo músculo supracoracóideo, que, em geral, é anormalmente grande para o tamanho da ave. Quando em voo pairado, a asa move-se em um movimento adejado. A borda de ataque da asa move-se para frente na batida para frente, então gira cerca de 180° no nível da cintura escapular, para mover-se para trás na batida para trás. O efeito é fornecer sustentação sem propulsão em ambas as batidas da asa, para frente e para trás.
A alimentação dos beija-flores é bem detalhada. Espaçonave, como foi apelidado por Martin, paira no ar em frente a uma helicônia (Heliconia rostrata Ruíz e Pavón, 1802). Ao observar o momento, Martin diz: “O beija-flor quase sempre paira quando se alimenta! A Espaçonave está sugando o néctar das flores. Esse líquido claro que chamamos de néctar é o que dá energia ao beija-flor! Ele passa boa parte do tempo bebendo essa água açucarada para ter energia suficiente para conseguir voar tão rápido. Na verdade, um beija-flor precisa beber néctar a cada 10 minutos, senão ele não consegue voar.” (Figura 18). De fato, as aves pequenas, que possuem alta taxa metabólica, acabam ingerindo mais alimento em relação a sua massa corporal do que as aves maiores. Logo, o beija-flor, devido a essa condição, se alimenta mais vezes em um curto período (Hickman et al., 2016). De acordo com Martin, a velocidade relativamente rápida do beija-flor faz com que seu “único” ponto fraco seja a alta queima de energia, o que explica a necessidade de se alimentar a cada 10 minutos.
Figura 18 - Beija-flor-manga-de-peito-verde se alimentando de néctar das helicônias.
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
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Super trajes de falcão-real e macaco-aranha são usados na tentativa de tocar na ave, mas só conseguem tocá-lo quando utilizam o traje da cobra-de-pestana (Bothriechis schlegelii Berthold, 1846) (Figura 19 A), que de acordo com Chris, é o predador desses beija-flores. O dimorfismo sexual também está presente no episódio, quando Jimmy Z se depara com dois indivíduos com cores diferentes (Figura 19 B). Ao questionar os irmãos, descobre que são macho e fêmea da mesma espécie, mas que os irmãos precisam ativar os poderes tocando na fêmea para encontrar o ninho. O dimorfismo sexual das aves está ligado, principalmente, à coloração da plumagem (Benedito, 2017); as diferenças podem ser sutis ou extremamente acentuadas. Jungle Dragon (2021) acrescenta que, nesta espécie, os machos são maiores que as fêmeas e, que a plumagem da cauda dos machos adultos tem cores mais escuras, ora magenta, ora vinho. Chris e Martin ativam o traje do beija-flor (Figura 19 C) para salvar seus ovos do terrível vilão, que planejava comê-los com calda de chocolate. No final, Koki aborda a questão do nascimento dos filhotes (Figura 19 D), aguardando 39 dias para eles eclodirem.
Figura 19 – A) Super traje animal de cobra-de-pestana. B) Dimorfismo sexual: macho e fêmea. C) Super traje animal de beija-flor-manga-de-peito-verde. D) Nascimento dos filhotes.
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
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e) Omelete de Ornitorrinco (Episódio 6 – Temporada 1)
Andando de caiaque na Austrália, Chris identifica um ornitorrinco nadando próximo a ele. Para informar o animal ao seu irmão, ele descreve as seguintes características: “Martin, tem um bicho legal, ele está lá embaixo! Tem bico de pato, pés palmados, cauda peluda de castor.” (Figura 20 A). Porém, mais uma vez, o Chef Gourmand está à espreita dos irmãos, escutando toda a conversa e passa a demonstrar extremo interesse na seguinte informação dada por Martin: “Acho que o fato dela por ovos. Bom, todo mundo sabe que aves e répteis fazem isso. Mas, um mamífero peludo, que põe ovos? Isso é bem raro!” (Figura 20 B).
Figura 20 – A) Chris encontra o ornitorrinco. B) Ornitorrinco com seus ovos.
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
Ao acompanharem o mergulho do animal, percebem que está com os olhos, orelhas e narinas fechados. Logo, ficam surpresos quando o ornitorrinco preda um enorme lagostim-de-água-doce (Figura 21 A). Curiosos com a cena, os irmãos passam a investigar como que o ornitorrinco se orienta pelo ambiente, sem todos os seus sentidos (excesso o tato). Desconfiam ser algum “superpoder sensorial” (“super sentido”) e seguem o animal até a sua toca, bem próxima ao rio. Ao entrarem, os irmãos dão informações importantes acerca do animal e seus ovos (tempo de incubação e desenvolvimento): “Ovos de ornitorrinco! Nossa, são tão pequenos, quase do tamanho de uma uva! Incrível, mamíferos dentro de ovos, eu não acredito!”, “Lá está a Tinoca e seu irmãos, Tunico! Quase prontos para nascer. É, depois de 10 dias dentro daquele ovo, eles nascem como as aves ou os répteis!” e “E eles ainda não vão ter pelos! Depois eles bebem leite durante 6 semanas, até ficarem maiores, mais peludos e, bom, com mais cara de ornitorrinco” (Figura 21 B).
Figura 21 – A) Ornitorrinco predando um lagostim-de-água-doce. B) Chris utiliza seu instrumento para escanear o filhote dentro do ovo. Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
O Ornithorhynchus anatinus (Shaw, 1799), mais conhecido como ornitorrinco é o único representante vivo da família Ornithorhynchidae, pertencente a ordem Monotremata, que vive na Austrália e na Tasmânia. Por serem mamíferos ovíparos, esta característica é uma das mais abordadas neste episódio. Estes animais põem seus ovos (de um a três ovos) em uma toca e os filhotes nascem após 10-12 dias, pouco desenvolvidos. Apesar de os ornitorrincos não possuírem mamilos, quando os filhotes saem dos ovos, eles sugam o leite que, secretado pelas glândulas mamárias, escorre pela barriga da mãe (Ojo, 2008; Hickman et al., 2016; Benedito, 2017).
Enquanto Aviva constrói mais um super traje, ocorre uma enchente provocada pelo vilão Chef Gourmand, ao abrir a represa, que faz os ovos serem levados pela água. O Chef Gourmand consegue capturar os ovos e, assim, se inicia a Operação ao Resgate Animal. Martin resgata Tina, nome que deu ao ornitorrinco, que está ferida e descobre alguns pontinhos em seu bico. Aviva observa mais de perto e descobre ser sensores (Figura 22 A), revelando que o sexto sentido do animal é a eletrorrecepção - esses animais possuem vários sensores nervosos localizados em seu bico, que auxiliam o animal a identificar as presas e perceberem o ambiente. Aviva confecciona um capacete para captar essas informações e diz: “A Tina pode sentir cargas elétricas... Essa é a informação que o ornitorrinco capta com aqueles sensores. Eles funcionam como os nossos sensores do tato, mas, ao invés de seres apertados como um botão, esses sensores são ativados por pequenas cargas elétricas emitidas pelos objetos.”. Logo, Aviva adiciona ao traje essa nova característica (Figura 22 B). Os irmãos conseguem salvar os ovos de ornitorrinco e os devolvem para a mãe, que eclodem livres (Figura 22 C).
Figura 22 – A) Aviva identificando os sensores no bico do ornitorrinco. B) Super trajes animais de ornitorrinco. C) Filhotes com a mãe ornitorrinco
Fonte: Captura de tela do episódio 10 (2ª temporada).
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f) Força Canguru (Episódio 19 – Temporada 1)
Passeando com o seu jipe na Austrália, os irmãos Kratts estão em busca de um bando de cangurus-vermelho. Enquanto isso, dão algumas informações acerca da locomoção do animal, que pode saltar até 12 metros. Segundo Chris, é como dar um salto equivalente ao tamanho de um ônibus. Martin informa sobre o dimorfismo existente na espécie: “Os machos são vermelhos. Mas, olha só as meninas! As fêmeas dos cangurus-vermelhos são azuis.” (Figura 23 A). Abordam uma característica peculiar, o fato deles lutarem kickboxing, que é uma forma de marcar territorialismo entre os machos da espécie (Figura 23 B) na fala: “Entre os cangurus, o melhor boxeador ocupa a posição de líder do bando!” e "Boa sorte lutador, você vai vencer. Você vai ser o chefe do pedaço!". Outra característica que marca o territorialismo do macho alfa está contida neste trecho: “Os cangurus-vermelhos ficam em pé para mostrar seu tamanho, força e confiança. Eles costumam fazer isso para desafiar.”
Figura 23 – A) Dimorfismo sexual na espécie dos cangurus-vermelhos, fêmea (azul) e macho (vermelho). B) Luta de kickboxing entre cangurus machos.
Fonte: Captura de tela do episódio 19 (1ª temporada).
Macropus rufus (Desmarest, 1822), conhecido como canguru-vermelho, é o maior e mais conhecido canguru da Austrália. É um mamífero marsupial pertencente à ordem Diprotodontia e família Macropodidae (Hickman et al., 2016; Benedito, 2017). A morfologia do animal, que está relacionada com a luta, também é apresentada: “Um chute daquelas patas traseiras potentes, pode causar uma baita dor de estômago. Ainda bem que os cangurus têm uma camada extra de pele na barriga”. Assim como, o fato de se apoiarem na cauda para dar chutes no adversário - esses animais possuem as patas traseiras bastante compridas e poderosas, cauda longa e extremamente musculosa, que ajudam na locomoção e no equilíbrio.
A pelagem apresentada na série é bastante semelhante à encontrada na natureza. Segundo Carter (2020), os machos possuem uma cor laranja-avermelhada e as fêmeas um tom mais azul-acinzentado, sendo os machos maiores e mais pesados que as fêmeas, evidenciando o dimorfismo sexual da espécie. Além disso, o territorialismo apresentado na série ocorre apenas no período de cio das fêmeas, onde os machos precisam lutar para conquistá-las.
A bolsa marsupial das fêmeas é mostrada em vários momentos no episódio, principalmente relacionada ao desenvolvimento dos filhotes, conforme a explicação de Martin: “Os cangurus têm músculos nas bolsas, para que a mãe decida quando deixar o filhote entrar ou sair” e “Puxa, deve ser tão bom ter uma bolsa bem quentinha para viver durante os primeiros 6 meses de vida! E nos três meses seguintes você começa a sair lentamente e bem antes do seu primeiro aniversário, você já se vira sozinho. Mas, ainda fica pertinho da mãe para se proteger dos perigos” (Figura 24 A e B). Os marsupiais são vivíparos com bolsas denominadas marsúpios, que são exibidas de acordo com o padrão reprodutivo. As fêmeas possuem uma gestação breve e por isso, dão à luz filhotes muito pequenos (embriões), consistindo num período de lactação e cuidados parentais bastante prolongado (Hickman et al., 2016).
Figura 24 – A) A mãe canguru com seu filhote dentro da bolsa marsupial. B) Filhote de canguru.
Fonte: Captura de tela do episódio 19 (1ª temporada).
Em um dado momento, Chris avista uma águia-de-rabo-de-cunha (Aquila audax Latham, 1802) (Figura 25 A). A ave é uma das predadoras de filhotes de canguru e todos vão em direção às bolsas de suas respectivas mães. Outro predador é apresentado pela série, o dingo (Canis lupus dingo Meyer, 1793), uma espécie de cão selvagem (Figura 25 B). Como estratégia de defesa, o bando corre para um lago e o Chefão, canguru alfa apelidado por Martin, segura o dingo na tentativa de afogá-lo. Assustado, o animal foge e todos os cangurus ficam a salvo. Chris fica surpreso e diz: “Isso é inacreditável! Os cangurus entram na água e tentam afogar os dingos para se defenderem”. De acordo com Burrell e Eldridge (2021), a principal dieta dos dingos inclui os cangurus-vermelhos, além de coelhos e wombates. Esses predadores também são endêmicos da Austrália e são considerados comuns em todo o território. As águias são aves de rapina que atacam pequenos mamíferos como os filhotes de canguru, outras aves, répteis, invertebrados entre outros animais, se mostrando bastante generalistas (Costa, 2018).
Figura 25 - Predadores de cangurus-vermelhos. A) Águia-de-rabo-de-cunha. B) Dingo
Fonte: Captura de tela do episódio 19 (1ª temporada).
g) Os Assobios dos Golfinhos (Episódio 13 – Temporada 2)
Em alto mar, Aviva mostra sua primeira invenção para idiomas animais, o Decodificador de Golfinhos, que tem por objetivo decodificar os sons emitidos pelos golfinhos (Figura 26 A) e transformá-los em palavras. Portanto, o episódio é pautado, a maior parte do tempo, em assobios e cliques desses mamíferos. Para entender como ocorrem, Koki explica: "Bom, está vendo o orifício que o golfinho usa para respirar? Bem ao lado ficam as cordas vocais. Elas vibram como uma corda de guitarra para aqueles cliques e assobios" (Figura 26 B) e Aviva complementa a explicação: "Isso faz sentido! Coisas que vibram geram sons. E se eu incorporar essas estruturas no traje a gente deve reproduzir os sons especiais deles" (Figura 26 C).
Figura 26 – A) Golfinho-nariz-de-garrafa. B) Cordas vocais dos golfinhos. C) Vibrações dos sons emitidos pelos golfinhos
Fonte: Captura de tela do episódio 13 (2ª temporada).
O Tursiops truncatus (Montagu, 1821), conhecido popularmente como golfinho-nariz-de-garrafa, golfinho-roaz e roaz-corvineiro, pertence à Ordem Cetacea e a família Delphinidae e possuindo ampla distribuição em zonas tropicais e temperadas (exceto polares), por todos os oceanos (Silveira, 2020). Neste episódio, o comportamento social desses animais é bastante lembrado pelos irmãos. Em uma de suas explicações, Martin informa que estes são uns dos animais mais brincalhões e mesmo adultos, não perdem essa característica.
Outra informação social é dada por Chris, ao dizer que quando eles fazem amizades, as mantém por toda a vida e indica os golfinhos Assobio e Clique (animais apelidados por Martin) como melhores amigos (Figura 27 A). Outra característica bastante importante, a ecolocalização, é mostrada no episódio. Chris identifica os sons em bando, superagudos, incapazes de captar a audição humana captar, que informam sobre alimentação ou sobre algum possível predador. Segundo Aviva: “É, parece que a ecolocalização deles funciona de um jeito parecido com a dos morcegos e cachalotes. Eles emitem um som de clique superagudo através dessa parte da cabeça, o melão! O som bate em objetos como cardumes de peixes e outras presas. Ele ricocheteia, então o golfinho capta as ondas sonoras, formando uma imagem do que está à frente ou invisível” (Figura 27 B, C, D e E).
Figura 27 – A) Golfinhos Assobio e Clique com os irmãos Kratts. B) Localização do “melão”. C, D e E) Caminho percorrido pelo som emitido pelos golfinhos
Fonte: Captura de tela do episódio 13 (2ª temporada).
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Realmente, a ecolocalização é uma das características mais admiradas nesses animais. Esses cetáceos, assim como os morcegos, possuem esse processo muito bem desenvolvido. Ele consiste na capacidade de localizar objetos, presas e perceber o ambiente por meio do som que eles mesmos produzem. A ecolocalização é feita por meio de uma protuberância na parte frontal da cabeça, denominada melão, que permite amplificar e direcionar o som produzido para o ambiente. Ao encontrar algum objeto no ambiente, o som refletido é captado pelo tecido especial na mandíbula do animal, que por sua vez é transmitido para o ouvido interno e depois para o cérebro, onde ocorre a interpretação (Hickman et al., 2016; Busanello, 2021).
Uma estratégia interessante abordada na série faz referência ao modo que esses animais caçam. Através da sinalização de um dos golfinhos, Chris compreende que é hora de cercar um cardume e informa não só a estratégia, mas também características morfológicas do animal: “Eles estão empurrando os peixes formando uma bola. Uma grande bola de peixe. Isso é genial! Vocês são muito inteligentes. E quando se comunicam, conseguem cooperar e trabalhar juntos! (...) Vocês estão empurrando para a superfície, não é? Assim, eles não têm como escapar! Isso é brilhante!" (...) Ah! Agora começa o banquete. Hora do jantar, não é?! Não é à toa que eles são um dos animais mais inteligentes. Tem linguagem, incrível estratégia de caça e um dos maiores cérebros para o tamanho deles! (Figura 28 A e B).
Figura 28 - A e B) Estratégia de caça dos golfinhos-nariz-de-garrafa.
Fonte: Captura de tela do episódio 13 (2ª temporada).
Segundo Jenkins (2009), os golfinhos são animais muito sociáveis, por isso, normalmente são encontrados em grupos que variam bastante em relação a quantidade, podendo chegar a mais de 100 indivíduos. Os grupos são constituídos por jovens e adultos (de ambos os sexos). Machos adultos também podem ser encontrados vivendo em duplas, como aqui representado por Assobio e Clique.
Para manter a coesão do grupo, eles utilizam os assobios que são reconhecidos pelos parentes, também chamados de apitos. É por meio desses sons que eles se comunicam para informar perigo, caçar, entre outros. A alimentação desses animais, segundo Jenkins (2009), varia de um local para o outro, mas é composta basicamente por peixes e pequenos invertebrados, como as lulas.
Outra estratégia para obter alimento, é apresentada por Chris. Este observa um dos golfinhos usar uma esponja-do-mar para cavar a areia no fundo do mar, ou seja, procurar alguma coisa (Figura 29 A e B). Logo ele presencia o golfinho predar um peixe: “Amigão, que coisa esquisita! Por que você está passando a esponja na areia? Um golfinho que gosta de faxina? Essa para mim é nova!”, “Procurando alguma coisa? Hm... Ecolocalização ativada! Quem vai achar primeiro, seja lá o que for. Não tem nada, só areia e mais areia. Tem certeza de que tem alguma coisa aqui?” e “Incrível, ele usa a esponja para proteger o focinho quando enfia ele na areia áspera”.
Figura 29 - A e B) Clique, o golfinho, utilizando a esponja-do-mar em sua procura por alimento.
Fonte: Captura de tela do episódio 13 (2ª temporada).
Esse comportamento peculiar é explicado no trabalho de Morell (2021), em que pesquisadores observaram que golfinhos de algumas espécies, em períodos de fome, arrancavam esponjas-do-mar e as colocavam sobre seus bicos, como luvas e passavam a vasculhar o fundo do mar para localizar peixes. Com o tempo, eles perceberam que as esponjas protegiam os bicos ou rastros dos animais, quando eles buscavam por peixes que vivem mais ao fundo do substrato, que podem ser localizados por meio da ecolocalização das bexigas natatórias de alguns peixes, que emitem fortes sinais captados pelos golfinhos.
Em meio a trama, os amigos golfinhos se separam, assim como os Chris e Martin. Martin segue Assobio, e Chris permanece com o grupo de golfinhos junto ao Clique. Porém, Assobio passa a emitir sons (ecolocalização) em direção aos outros informando a presença de um predador, o tubarão. Para conseguir afastar o predador, todos os golfinhos vão em direção ao tubarão e o atacam simultaneamente (Figura 30 A), constituindo uma grande estratégia de defesa: “Alguns golfinhos cercam e protegem os mais novos dos predadores”, “Enquanto os outros contra-atacam!” e “Quando se tem tubarões e orcas como predadores, não é à toa que os golfinhos têm uma defesa tão dura. Até mais, precisamos de ar!”. Jenkins (2009) apresenta os tubarões (tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier Péron e Lesueur, 1822), tubarão-touro (Carcharias taurus Rafinesque, 1810) e tubarão-negro (Carcharhinus obscurus Lesueur, 1818) como os principais predadores dos golfinhos, além das grandes orcas (Orcinus orca Linnaeus, 1758). Por fim, neste episódio Chris e Martin estão vestidos com o super traje animal de golfinhos a maior parte do tempo, estando equipados com as suas principais características (Figura 30 B).
Figura 30 – A) Grupo de golfinhos atacando o predador tubarão. B) Chris e Martin com o super traje animal de golfinho.
Fonte: Captura de tela do episódio 13 (2ª temporada).
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5. Considerações finais
Tendo em vista o grande alcance dos recursos audiovisuais ao público infanto-juvenil e a sua relação direta com as Metodologias Ativas de Aprendizagem, sugere-se que a série animada “Aventuras com os Kratts” é uma ótima alternativa para auxiliar tanto professores, quanto alunos na construção dos conceitos acerca dos animais amniotas.
Por meio dos resultados da análise e seleção dos episódios e a escolha daqueles mais representativos, temas como: cuidado parental, estratégias de predação, estratégias de defesa, alimentação, relações intra e interespecíficas, morfologia interna e externa, anatomia entre muitos outros, foram abordados de forma clara, objetiva, dinâmica e divertida, fidedignas às informações encontradas nas bibliografias básicas de Zoologia utilizadas. Esta maneira de transmitir os conteúdos, que podem ser considerados difíceis pelos alunos, permite que a Biologia Cultural e a Divulgação Científica se façam presentes, tornando o processo de ensino-aprendizagem mais contextualizado com o cotidiano do aprendiz.
Para mais, as curiosidades trazidas pela série podem funcionar como um adicional no ensino da Zoologia, pois muitas das vezes, esses temas ficam de fora da discussão devido ao tempo de aula e ao próprio currículo escolar. Neste sentido, a curta duração dos episódios permite que sejam inseridos na rotina das aulas, sendo possível também, a utilização de trechos que mais estejam de acordo com o assunto abordado. Assim, estes e outros conceitos apresentados ao longo dos episódios estão em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) atual, especificamente para o ensino de Ciências no 2º ano do Ensino Fundamental 1 (Anos Iniciais), registrada pela Unidade Temática “Vida e Evolução” com os objetivos de conhecimento - Seres vivos no ambiente e Plantas; assim como, no 3º ano do Ensino Fundamental I (Anos Iniciais) sob a Unidade Temática “Vida e Evolução” segundo os objetivos de conhecimento – Características e desenvolvimento dos animais; e por fim, no 7º ano do Ensino Fundamental II (Anos Finais), abrangida pela Unidade Temática “Vida e Evolução”, com os objetos de conhecimento - Diversidade de ecossistemas; Fenômenos naturais e impactos ambientais (Brasil, 2018). Portanto, esta série apresenta-se como uma ferramenta auxiliar na abordagem de temas relacionados à Zoologia, Ecologia e Educação Ambiental.
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6. Declaração de direitos
O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.
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Há quem defenda a divisão dos quelônios, em termos de nomes comuns, como tartarugas (espécies marinhas), jabutis (espécies terrestres) e cágados (espécies de água doce). Enquanto outros defendem o nome generalizado de tartaruga para todos, sendo essa a postura adotada pela tradução dos episódios.

