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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc23307

Publicado em 14 de dezembro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

APRENDIZADOS DA JORNADA DE DESENVOLVIMENTO DE UM PRODUTO EDUCACIONAL

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Ulisses Gonçalves da Silva1; Andréa Pereira Mendonça2

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​​ 1;2Instituto Federal do Amazonas (PPGET – IFAM) - Manaus – Brasil

[email protected].

​​ [email protected]

 

RESUMO

Neste artigo apresentamos alguns aprendizados adquiridos durante a concepção de um produto educacional desenvolvido em um Curso de Mestrado Profissional da Área de Ensino. Com o intuito de contextualizar o leitor, o texto apresenta o processo de concepção de um produto educacional e a organização do produto desenvolvido durante a pesquisa no mestrado. Em seguida, são apresentados três aprendizados relevantes na jornada de desenvolvimento de um produto educacional, os quais estão relacionados: i) a conceituação do produto; ii) a mídia do produto; e iii) aos elementos do produto. A reflexão sobre esses aprendizados deve auxiliar pós-graduandos de Cursos Profissionais na tomada de decisões sobre o desenvolvimento de seus próprios produtos educacionais.

Palavra-chave: Produto Educacional, Desenvolvimento de Projetos, Trabalho em Equipes.

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1INTRODUÇÃO

No Brasil, os Programas de Pós-Graduação (PPG) da modalidade Profissional são regulamentados pela CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e a pesquisa desenvolvida deve culminar em uma dissertação/tese e também em um produto [1].

Em se tratando de PPGs da Área de Ensino (Área 46 – CAPES), o produto derivado da pesquisa deve ser um produto educacional (PE), “elaborado com o intuito de responder a uma pergunta/problema oriunda do campo de prática profissional” [2], e atender a uma das dez categorias a seguir: material didático/instrucional, curso de formação profissional, tecnologia social, software aplicativo, evento organizado, relatório técnico, acervo, produto de comunicação, manual/protocolo, carta, mapa ou similar [2].

Neste artigo apresentamos os aprendizados adquiridos durante a jornada de desenvolvimento do produto educacional “Leve”. Este produto é fruto de uma investigação conduzida no âmbito de um Programa de Pós-Graduação Profissional, durante uma pesquisa de mestrado. Trata-se de uma proposta de ensino-aprendizagem que auxilia professores na condução de trabalhos desenvolvidos em equipes de estudantes, proporcionando oportunidades para o desenvolvimento de soft e hard skills. Para isso, “Leve” une práticas da Aprendizagem Baseada em Projetos e da metodologia ágil conhecida como Scrum.

“Leve” é da categoria material didático/instrucional e foi materializado em um site com orientações, modelos e exemplos de como aplicá-lo em sala de aula, tendo por público-alvo estudantes do Ensino Superior.

A construção de um PE em uma pesquisa na Pós-Graduação é um processo intricado, com diversos desafios e ajustes de rota. No entanto, as respostas encontradas às diferentes dificuldades da jornada para construção do produto “Leve”, trouxeram aprendizados que acreditamos ser úteis a pós-graduandos de programas profissionais. Os aprendizados que traremos neste artigo tratam da: i) conceituação do produto; ii) mídia do produto; e, iii) elementos do produto. As aplicações destes aprendizados serão apresentadas a partir da própria concepção do “Leve”.

Com o objetivo de ampliar os contextos expostos ao leitor, na próxima seção abordaremos o processo de concepção dos produtos educacionais e em seguida apresentamos o “Leve”. Por fim, descreveremos os três aprendizados mencionados anteriormente.

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2 ETAPAS PARA CONCEPÇÃO DE PRODUTOS EDUCACIONAIS

Conforme o Documento de Área de Ensino da Capes [3], os Programas de Pós-Graduação de natureza Profissional são direcionados a profissionais da Educação Básica ou Superior, sendo obrigatória a concepção de um PE como parte integrante do tipo de pesquisa realizado nesses programas. Deste modo, pós-graduandos nos cursos de mestrado ou doutorado profissionais precisam além da dissertação/tese, elaborar um PE que responda ao problema de pesquisa e permita a sua adoção por outros profissionais da Educação.

No decorrer da concepção do produto educacional, é importante ressaltar que o pós-graduando assume, além do papel de pesquisador, o papel de projetista da solução e precisa percorrer um conjunto de etapas para estruturar e materializar seu PE [4], conforme ilustrado na Figura 1.

..Figura 1​​ – Etapas para concepção de produtos educacionais (Fonte: Farias e Mendonça (2019, p.17)).

A etapa de pré-concepção da pesquisa/produto corresponde ao pré-projeto apresentado pelo pós-graduando quando o mesmo é ainda um candidato participando do processo seletivo para ingresso no curso. De modo geral, é comum que após a aprovação no PPG o pré-projeto e proposta de produto sofram alterações em virtude das disciplinas, orientações e da realização da própria pesquisa.

A primeira etapa, “Base da Pesquisa” diz respeito ao levantamento de referencial teórico-metodológico. Nesta etapa, também é preciso pesquisar sobre o público a quem se destina o produto, suas necessidades e contextos, assim como identificar PE similares. Possíveis ajustes na definição do problema de pesquisa podem ser necessários nesta etapa.

Em Requisitos e Parâmetros do Produto são definidas as especificações que atendem as necessidades do público-alvo, o que ele espera de uma solução, como deve ser feito, e também são descobertas algumas restrições, isto é, os cuidados necessários para que o PE seja utilizável no contexto real.

Na terceira etapa – Prototipação do Produto, uma ou mais versões do produto devem ser construídas, de tal modo que permita a realização da próxima etapa – Aplicação e Avaliação do Produto, momento no qual o produto é avaliado, prioritariamente, com o público a quem se destina e cujos instrumentos de coleta de dados adotados permitem a realização da etapa posterior – Análise da Aplicação do Produto. ​​ 

A partir dos resultados da análise, o pós-graduando, enquanto projetista, deve proceder como a etapa de Revisão do Produto, isto é, avaliar e tomar decisões sobre os ajustes e correções que devem ser efetivados para a confecção da versão final do produto, a qual será avaliada pela Banca Examinadora no ato da defesa da dissertação.

Nas etapas de Revisão do Produto e Geração da Versão Final, o projetista deve considerar aspectos que facilitem e potencializem o uso do produto por terceiros, tais como: linguagem, aspectos estéticos, disponibilidade de recursos de apoio que facilitem o uso, formas de acesso, entre outros.

É importante ressaltar que as etapas apresentadas não seguem uma forma linear, pois como indicado na Figura 1, há “idas e vindas”, podendo por exemplo, o projeto estar na etapa três e voltar para a etapa um. Esta iteratividade faz parte da própria pesquisa que também não é linear, podendo sofrer ajustes de direção em cada nova descoberta.

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3LEVE: UM PRODUTO EDUCACIONAL PARA O DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS EM EQUIPES DE ESTUDANTES

“Leve” é uma proposta de ensino-aprendizagem que tem por objetivo auxiliar professores e estudantes no desenvolvimento de projetos em equipes, mesclando Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) e Scrum, desenvolvendo além das habilidades técnicas (hard skills), as habilidades de trabalho em equipe, as quais estão relacionadas as soft skills.

O fluxo de trabalho de “Leve” é apresentado na Figura 2. A primeira etapa – Projeto – diz respeito a elaboração do projeto pelo professor, considerando os objetivos de aprendizagem, conteúdos e habilidades (hard e soft skills) que o professor deseja que sejam aprendidas pelos alunos. Na etapa de Projeto o professor define os artefatos que precisam ser entregues e o tempo de cada sprint. O projeto é apresentado em dois documentos: i) briefing, no qual são definidas as demandas e critérios que precisam ser atendidas na solução do projeto; ii) contexto, documento no qual são apresentadas informações complementares que possam auxiliar as equipes de estudantes no entendimento do problema que precisa ser resolvido.

 

..Figura 2​​ - Fluxo de trabalho (Fonte: Autoria própria).

A etapa de Embarque diz respeito a apresentação do projeto aos alunos, formação das equipes e escolha do facilitador, isto é, um estudante que irá coordenar a ação do grupo em um intervalo de tempo (sprint). Esta etapa marca também o momento no qual os alunos devem tirar dúvidas sobre as demandas que precisam ser atendidas no projeto, o professor passa a atuar como um orientador.

Sprint é um intervalo de tempo fixo, que pode ser de uma semana, ou duas, dependendo do planejamento do professor, e que finaliza com a entrega de um artefato, que colabora para solução do projeto. São exemplos de artefatos: relatórios, protótipos, maquetes, entre outros. Cada sprint é composta por 4 (quatro) subetapas: Planejamento, Execução, Revisão e Retrospectiva.

No planejamento, as equipes devem planejar quais serão as tarefas a serem entregues e em qual ordem. Na primeira sprint cada equipe deve produzir, sob orientação do professor, o artefato relatório de descoberta, isto é, um relatório no qual a equipe investiga possibilidades e se compromete com uma proposta de solução.

Na sequência, ocorre a Execução, na qual o projeto é desenvolvido. Esta subetapa ocorre fora do ambiente de sala de aula e corresponde ao momento no qual as equipes, de fato, constroem os artefatos demandados ou produzem incrementos para artefatos anteriormente construídos.

Após a conclusão e entrega do artefato ou incremento, as últimas subetapas da sprint são Revisão e Retrospectiva. Na Revisão, as equipes examinam os artefatos produzidos e avaliam o que foi alcançado. Durante esse momento, o professor, no papel de orientador, também avalia e fornece feedback às equipes. Na subetapa Retrospectiva, cada equipe é convidada a refletir sobre suas práticas e organização interna, discutindo erros e acertos ocorridos durante a sprint. Na Retrospectiva, com o suporte do professor, a equipe pode reorganizar seus processos internos antes do início de uma nova sprint, na qual cada equipe deve escolher um novo facilitador.

A Retrospectiva marca, portanto, o encerramento de uma sprint e início de uma nova, na qual as subetapas Planejamento, Execução, Revisão e Retrospectiva são realizadas a fim de que as equipes progrediam na elaboração de uma solução para o projeto.

A etapa de Desembarque marca a finalização do projeto e tem por objetivo o compartilhamento dos resultados alcançados pelas equipes e recebimento de feedback final do professor sobre os artefatos produzidos. Durante o Desembarque, os estudantes são incentivados a publicar seus resultados, seja com a construção de portfólios profissionais ou em apresentações de banners dentro da Instituição de Ensino.

Para tornar esta proposta de ensino-aprendizagem disponível a outros professores, houve a materialização da mesma em um PE, conforme detalhado a seguir.

 

3.1MATERIALIZAÇÃO DO PRODUTO EDUCACIONAL

Inicialmente a “Leve” foi projetada para ser apresentada como um guia didático no formato PDF. No entanto, durante as fases iniciais de desenvolvimento, foram identificadas dificuldades associadas à integração de documentos em formato Word e à disponibilização dos mesmos para download no PDF. Esta versão inicial passou por diversas iterações e revisões, resultando na criação de três versões do PE. À medida que a pesquisa progrediu, fez-se necessário modificar a mídia na qual o produto educacional seria apresentado, conforme delineado na seção 3.2 deste artigo.

Deste modo, a versão final da “Leve” é materializada como um site no qual o professor tem acesso às orientações e recursos necessários para a execução da proposta. O projeto do site partiu do entendimento de que seu usuário seria um professor que busca informações sobre a proposta, logo, a experiência planejada tem como objetivo atender suas demandas.

A partir da conceituação do produto (discutida na seção 3.1), foi elaborada a identidade visual da “Leve”. Esta identidade precisava transmitir conceitos como agilidade, simplicidade e trabalhos em equipe. Com este objetivo, seu layout apresenta o uso de imagens de pessoas, as quais foram retiradas de um banco de imagens gratuito, e as cores branco e vermelho foram adotadas, conforme demonstrado na Figura 3.

Para Heller [5], o branco é uma cor associada ao minimalismo, simplicidade e elegância, enquanto o vermelho pode ser lido como uma cor das paixões, da emergência e do perigo. No site, o branco ocupa a maior parte e o vermelho é utilizado para direcionar a atenção as palavras ou frases de destaque, evitando sobrecarregar visualmente a interface.

A tipografia escolhida foi a OpenSans, uma família tipográfica amigável e neutra, otimizada para computadores e dispositivos móveis, com foco em legibilidade. Para os textos foi utilizado um tom de cinza, diminuindo o contraste com o fundo branco, e também a fadiga visual, como demonstrado na Figura 3.

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Figura 3​​ - Tela de apresentação da proposta de ensino-aprendizagem Leve (Fonte: Autoria própria).

Assim, visualmente, o site procurou equilibrar a energia e o movimento com a tranquilidade e a clareza por meio de imagens, cores e tipografia. O objetivo era associar essas qualidades ao desenvolvimento de projetos utilizando a abordagem "Leve".

Os menus foram estruturados de forma a facilitar o acesso rápido às perguntas que podem surgir durante a aplicação. A tela de início apresenta um resumo geral sobre a proposta de ensino-aprendizagem, um mapa com todo o processo e seus elementos. A partir desta tela inicial é possível navegar para as orientações gerais de aplicação ou ir direto para cada etapa do processo em uma visão mais aprofundada. Por meio dos menus é também possível navegar para telas de modelos, exemplos e outras informações. No site é possível realizar o download de documentos que precisam ser preenchidos e acessar modelos preenchidos, que o professor pode tomar como exemplos.

A navegação entre as etapas do processo foi planejada para que o usuário (professor) não se perca, utilizando para isso, pares de botões que indicam a etapa que foi visitada e a próxima que precisa ser visitada.

Esta foi uma síntese do PE e do site, apresentando como ele se estrutura e como funciona. A “Leve” pode ser visitada em: <https://www.dinamicaleve.com.br/>. A seguir abordaremos os aprendizados que sua construção proporcionou.

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4APRENDIZADOS OBTIDOS COM O DESENVOLVIMENTO DE UM PRODUTO EDUCACIONAL

Nesta seção abordaremos alguns aprendizados adquiridos durante o desenvolvimento do PE “Leve” com o objetivo de auxiliar pós-graduandos que estão nas fases iniciais do seu produto e que, no papel de projetistas, precisam responder diversas perguntas para que o produto final “tome forma”.

A elaboração da “Leve” ocorreu em duas fases distintas: primeiro houve a organização dos componentes da proposta de ensino-aprendizagem: sua organização didática, etapas, papéis e outros elementos que a estruturam. ​​ Em seguida foi concebida como ela se materializaria, qual seria sua identidade visual e seu formato.

Neste artigo focaremos em três aprendizados que estão relacionados: i) conceituação do produto; ii) mídia do produto; e, iii) elementos do produto, conforme descrito a seguir.

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4.1CONCEITUAÇÃO DO PRODUTO

A conceituação de um produto nasce da compreensão sobre sua “identidade”, é sobre entender o que ele será, respondendo principalmente três perguntas: i) “para quem é o PE?”; ii) “qual problema o PE se propõe a resolver?”; e iii) “como o PE irá colaborar para mitigar o problema”. As respostas para estas perguntas se encontram na própria pesquisa realizada pelo mestrando, mas exigem um esforço consciente para encontrá-las.

Seguindo a construção do PE “Leve”, o pesquisador ao buscar respostas de “para quem é o produto educacional”, identificou como seu público-alvo, estudantes do ensino superior das áreas de tecnologia. No entanto, como “Leve” demanda mediação de um professor, foi ele (o professor/usuário) que determinou a linguagem adotada, quais os termos seriam empregados no produto e como se daria o fluxo de utilização.

Identificar esta reposta auxilia na próxima pergunta: “qual problema o PE se propõe a resolver?”, e novamente o pesquisador deve encontrar a resposta na pesquisa: o produto educacional em questão se propõe a auxiliar professores e estudantes no desenvolvimento de projetos em equipes, desenvolvendo além das habilidades técnicas (hard skills), as habilidades de trabalho em equipe, as quais estão relacionadas as soft skills.

Embora pareça uma resposta simples, ela conduz a outros desdobramentos, tais como, necessidade de definir um fluxo de trabalho que seja exequível no contexto de sala e tempo fixo de aula, necessidade de definir papéis e responsabilidades, modelos de artefatos a serem produzidos pelos alunos que não sejam tão burocráticos ao ponto de desmotivá-los e não sejam superficiais ao ponto de não terem relação com sua prática profissional, dentre outros aspectos.

A última pergunta: “como o PE irá colaborar para mitigar o problema”, também encontra resposta na própria pesquisa, sobretudo, nos fundamentos teóricos e trabalhos relacionados. No caso do produto em questão, sua fundamentação repousa na utilização de estratégias da Aprendizagem Baseada em Projetos e da metodologia ágil Scrum para a condução dos projetos. Ainda como apresentado na pesquisa, o produto educacional faz isso promovendo incrementos em habilidades técnicas e habilidades de trabalho em equipe dos estudantes.

Estes fundamentos fazem parte de uma escolha que o pesquisador faz dentre outras possibilidades, as quais devem ser devidamente justificadas no contexto da pesquisa.

O primeiro aprendizado foi que a partir da resposta às três perguntas apresentadas é possível a conceituação do produto e sua compreensão serviu como norte para o desenvolvimento das etapas seguintes, auxiliando na tomada de decisões e garantindo que o produto não se desviasse do propósito identificado.

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4.2MÍDIA DO PRODUTO

A escolha de qual mídia utilizar, ou seja: o formato final do produto, é outro item a ser decidido pelo pesquisador enquanto ele está no papel de projetista do PE. Tal escolha não é trivial e envolve diferentes questões a serem avaliadas, neste texto focaremos em três: a distribuição do produto, seu manuseio e atualizações.

A distribuição do PE, caso realizada por material impresso, eventualmente dependeria da confecção destes materiais (e seus custos) e sua disponibilização para os professores interessados em aplicar o produto, dificuldades logísticas de envio. A opção por um produto digital pareceu uma forma de contornar as questões de distribuição e gastos de confecção do produto educacional.

Quanto ao manuseio do produto, foram levadas em consideração a facilidade em imprimir os modelos existentes no produto, o que não seria possível em uma versão impressa, a comodidade do professor poder acessar o produto utilizando o celular e a possibilidade de compartilhar o produto com outros professores. No contexto da sala de aula, essas oportunidades apresentam um considerável potencial de impacto positivo, constituindo-se como um indicativo adicional para a decisão de tornar o PE digital.

O último ponto a ser visitado foi a possibilidade de atualizações. O PE é “vivo” e atualizações podem surgir no futuro, após a defesa do pós-graduando, com a finalidade de aprimorá-lo, como, por exemplo, novas estratégias de avaliação ou de organização das equipes. Neste ponto, a versão impressa não permitiria tais atualizações e demandaria um esforço de reimpressão e novo envio das versões atualizadas, tornando o processo oneroso e lento.

Observando as três questões avaliadas, a escolha por uma mídia digital foi a mais adequada pois atendia as necessidades que o pesquisador identificou como sendo do usuário. Deste modo, o PE foi materializado em um site que apresenta a proposta de ensino-aprendizagem. Neste sentido, a partir da definição da mídia do produto, foi possível iniciar a estruturação dos seus elementos (seção 3.3) e o fluxo do usuário no site.

O terceiro aprendizado aborda a compreensão de que a configuração de um produto educacional está intrinsecamente vinculada à sua utilização. Assim, as questões que surgem durante o processo de escolha da mídia são resolvidas por meio da reflexão sobre a concepção do PE. Nesse cenário, a forma do produto educacional não deve ser avaliada de forma isolada, mas sim como um componente integral da estratégia de ensino-aprendizagem.

Esse insight implica que a decisão sobre a mídia a ser utilizada para o PE não pode ser tomada de forma arbitrária. A escolha da mídia deve ser guiada pelo propósito pedagógico, de modo a otimizar a eficácia do PE e a promoção de aprendizagens em sua aplicação.

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4.3ELEMENTOS DO PRODUTO

No desenvolvimento do produto foi necessário entender as partes que o formavam para que fossem formatadas adequadamente. Por meio de processos como o brainstorm e com auxílio de mapas mentais foi possível determinar os elementos que iriam estruturar o PE.

Após a conceituação do PE e a definição da mídia, foi possível (re)elaborar o conteúdo do produto, para que a escrita seja aderente também a mídia escolhida. No caso do site, foi necessário escrever um texto mais curto de apresentação, identificar exemplos para disponibilizar, preparar os modelos dos documentos que seriam disponibilizados, quais links serão compartilhados e escrever o passo a passo de utilização do PE de modo a guiar o usuário na aplicação da proposta, sem que o mesmo se perca na navegação pelo site.

A primeira versão deste fluxo apresentava uma navegabilidade linear pelos conteúdos, entregando as informações em uma ordem pré-determinada pelo projetista, como pode ser visto na Figura 4.

 

Figura 4​​ - Fluxo de navegabilidade para o professor no site de Leve - 1ª versão (Fonte: Autoria própria).

 

Deste modo, planejamos o fluxo de navegação começando pela “apresentação” do produto, que seria um primeiro contado com informações iniciais e para quem se aplica. Seguida pelas “instruções resumidas” da implementação da proposta, para professores que desejam conhecer como funciona ou para aqueles que estão voltando após uma primeira aplicação.

Em seguida, são apresentadas ao professor as “instruções completas”, uma parte mais detalhada onde a proposta de ensino-aprendizagem é narrada etapa por etapa. O próximo componente apresentado é o de “modelos de documentos” e em seguida os “exemplos”. Finalmente, existe a seção de links externos, que indica locais com informações adicionais que se relacionam com a aplicação do produto.

Os elementos expostos seguem a lógica na apresentação do produto e seus documentos, orientando o professor desde o primeiro contato com o produto até os detalhes de sua implementação. Estes elementos identificados são as peças que compõem a “Leve”.

Em uma nova iteração, levando em consideração as possibilidades da mídia (site), os elementos foram mantidos, mas foi realizado um ajuste no fluxo de navegação dentro do site, permitindo que a mesma fosse mais fluida, sendo possível pular de uma página para outra sem seguir uma ordem pré-determinada ou utilizar a ferramenta de busca do site para encontrar palavras-chave, tornando o processo de encontrar informações sobre o produto mais ágil, conforme ilustrado na Figura 5.

Em síntese, projetar os elementos que constituem o produto a partir da conceituação, ajudou a direcionar as decisões do pesquisador enquanto projetista do PE. A seleção da mídia, por sua vez, exerceu uma influência determinante na disposição e linguagem dos seus elementos, destacando as vantagens e limitações inerentes à apresentação dos conteúdos.

 

Figura 5​​ - Fluxo de navegabilidade para o professor no site de Leve - versão final (Fonte: Autoria própria).

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo apresentamos três aprendizados adquiridos durante a concepção do produto educacional “Leve”, uma proposta de ensino-aprendizagem para desenvolvimento de projetos em equipes de estudantes, fundamentada na Aprendizagem Baseada em Projetos e no Scrum. Este produto foi desenvolvido durante uma pesquisa no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ensino Tecnológico (PPGET), do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).

Compartilhar esses aprendizados tem como objetivo auxiliar outros estudantes de Programas de Mestrado Profissional que enfrentarão em sua pesquisa o desafio de elaborar um PE, indicando, por meio da vivência relatada, quais podem ser os possíveis caminhos a se seguir e reflexões que podem auxiliar na tomada de decisões.

Em trabalhos futuros conjecturamos aprofundar a descrição do processo de concepção do PE, oferecendo mais detalhes sobre como foi a definição de requisitos e parâmetros do produto, análise da aplicação e revisão do produto, pois acreditamos que podem contribuir com a produção de outros mestrandos de programas profissionais. Também vislumbramos incluir no site relatos de experiência com a aplicação de “Leve”.

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AGRADECIMENTOS

Agradecemos a FAPEAM - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas, que por meio do seu programa de financiamento de bolsas de estudo deu suporte ao desenvolvimento desta pesquisa.

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6 REFERÊNCIAS

[1]  BRASIL. Portaria n.º 60, de 20 de março de 2019a. Dispõe sobre o mestrado e doutorado profissionais, no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, n. 56, 22 mar. 2019, Seção 1, p. 26.

[2]  RIZZATTI, I. M. et al. Os produtos e processos educacionais dos programas de pósgraduação profissionais: proposições de um grupo de colaboradores. ACTIO: Docência em Ciências, Curitiba, v. 5, n. 2, p. 1-17, 2020. Disponível em: <https://www.gov.br/capes/pt-br/centrais-de-conteudo/ENSINO.pdf>. Acessado em jun. 2022.

[3] BRASIL, CAPES, Documento de Área – Ensino. Brasília, 2019b.

[4] FARIAS, Marcella Sarah Filgueiras; MENDONÇA, Andréa Pereira. Concepção de Produtos Educacionais para um Mestrado Profissional. Disponível em: <http://ppget.ifam.edu.br/e-book/>. Acessado em 24 out. 2023.

[5] HELLER, Eva. A Psicologia das Cores. São Paulo: Gustavo Gili, 2013.

 

1

Mestrando em Ensino Tecnológico pelo Mestrado Profissional em Ensino Tecnológico do Instituto Federal do Amazonas (PPGET – IFAM) - Manaus – Brasil

2

Doutora em Ciência da Computação, professora titular do Instituto Federal do Amazonas (IFAM) - Manaus – Brasil

www.scientificsociety.net

3103

 

Artigo - PDF

 


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