ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc81558
Publicado em 27 de novembro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
FORMAÇÃO DOCENTE E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
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José Jakson da Silva1; Cintia Reis de Oliveira2; Carlos Henrique Ferreira Neto3; Elias Fernando Barros Reis4; Gideão Teixeira Queiroz5; Denison Nazareno de Sousa6; José Renan de Souza Belém7; Reginaldo Almeida Andrade8 ; Diógenes José Gusmão Coutinho9.
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1;3;4;5;6;7;8Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas– IFAM – Manaus – Brasil
2Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará– IFCE – Fortaleza - Brasil
9Universidade Christian Business School – Flórida – Estados Unidos
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RESUMO
O artigo explora a interconexão entre a formação docente e as práticas pedagógicas, destacando a evolução desses aspectos ao longo do tempo. A formação docente é abordada como um processo contínuo, desde a educação inicial até o desenvolvimento profissional contínuo, englobando teoria e prática. Isso inclui aspectos como psicologia da aprendizagem, gestão de sala de aula, diversidade cultural e uso de tecnologia na educação. Por outro lado, as práticas pedagógicas são delineadas como estratégias adotadas pelos professores para atingir objetivos educacionais, variando desde métodos expositivos até abordagens mais interativas, como aprendizagem baseada em projetos e ensino colaborativo. Destaca-se a importância de adaptar as práticas às diferentes necessidades dos alunos, incentivando a participação ativa e o questionamento. O texto também ressalta a influência da tecnologia na educação, apontando como seu uso pode enriquecer a experiência educacional, mas sublinhando a importância de equilibrar abordagens tradicionais com tecnológicas para garantir uma educação holística.
Palavras-chaves: Formação Docente, Práticas Pedagógicas, Educação, Aprendizagem.
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1 INTRODUÇÃO
A formação docente e as práticas pedagógicas desempenham um papel crucial no desenvolvimento da educação e no sucesso dos estudantes. A formação docente refere-se ao processo pelo qual os professores adquirem as competências, conhecimentos e habilidades necessários para ensinar de maneira eficaz. Por outro lado, as práticas pedagógicas englobam as estratégias, métodos e abordagens utilizados pelos professores para facilitar a aprendizagem dos alunos.
Ao longo dos anos, a formação docente evoluiu significativamente, passando de um enfoque tradicional, centrado na transmissão de informações, para abordagens mais modernas e centradas no aluno. Hoje, espera-se que os professores não apenas dominem o conteúdo da matéria, mas também sejam capazes de se adaptar às necessidades individuais dos alunos, promovendo a participação ativa, a colaboração e o pensamento crítico.
A formação docente pode ocorrer em diferentes estágios da carreira de um educador, desde a formação inicial em cursos de licenciatura e programas de pós-graduação em educação, até o desenvolvimento contínuo por meio de workshops, cursos de atualização e experiências práticas. A formação docente eficaz deve incluir uma combinação de teoria e prática, abordando aspectos como psicologia da aprendizagem, gestão de sala de aula, diversidade cultural, tecnologia educacional e avaliação.
Por sua vez, as práticas pedagógicas referem-se às abordagens adotadas pelos professores em sala de aula para alcançar os objetivos educacionais. Isso inclui a seleção de materiais didáticos, o planejamento de aulas, a organização do espaço de aprendizagem e a interação com os alunos. As práticas pedagógicas podem variar amplamente, desde métodos expositivos até abordagens mais interativas, como aprendizagem baseada em projetos, ensino colaborativo e uso de tecnologia.
Uma prática pedagógica eficaz leva em consideração as características individuais dos alunos, adaptando-se a diferentes estilos de aprendizagem e níveis de habilidade. Além disso, busca envolver os alunos de maneira ativa, incentivando a participação, o questionamento e a exploração. As práticas pedagógicas também devem ser flexíveis o suficiente para se ajustar às mudanças nas demandas educacionais e nas necessidades dos alunos.
Nos últimos anos, a integração da tecnologia na educação tem impactado significativamente as práticas pedagógicas. O uso de dispositivos digitais, recursos online e plataformas de aprendizagem pode enriquecer a experiência educacional, oferecendo oportunidades de aprendizagem personalizadas e acesso a informações atualizadas. No entanto, é importante equilibrar o uso da tecnologia com abordagens pedagógicas tradicionais para garantir uma educação abrangente e holística.
Em suma, a formação docente e as práticas pedagógicas estão intrinsecamente ligadas à qualidade da educação. Professores bem formados, que adotam abordagens pedagógicas eficazes, têm o potencial de inspirar e capacitar os alunos a desenvolverem suas habilidades, conhecimentos e valores. O aprimoramento contínuo da formação docente e a reflexão constante sobre as práticas pedagógicas são essenciais para garantir uma educação de alta qualidade e preparar os estudantes para os desafios do mundo em constante evolução.
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2 REVISÃO DA LITERATURA
A literatura pré-escolar de qualidade indica a importância de ensinar usando a Pedagogia Centrada no Aluno (PCL). Por definição, a pedagogia centrada no aluno, também conhecida como aprendizagem centrada na criança, é uma aprendizagem que se concentra principalmente nas necessidades e interesses dos alunos, em vez de outras partes envolvidas, como administradores e professores no sistema educacional (Al-Zu' be, 2013, Herbert, 2004, O'Sullivan, 2004). Nesta abordagem, o professor é colocado para facilitar a aprendizagem e focar nas necessidades, interesses e estilos de aprendizagem dos alunos. Estudos anteriores indicam que a falta de habilidades pedagógicas dos professores que trabalham com crianças pequenas está intimamente associada ao atraso das crianças no alcance de metas e marcos de desenvolvimento e causa sérias desvantagens em seus futuros trabalhos e carreiras (Herbert, 2004, Sylva et al., 2003 , Madeira, 2004).
Os currículos centrados no aluno há muito foram estabelecidos nos sistemas educacionais do Ocidente e tornaram-se cada vez mais desejados nos países em desenvolvimento em transição para a democracia (Herbert, 2004, Mtika e Gates, 2010, O'Sullivan, 2004). De acordo com Herbert (2004) “a pedagogia centrada no aluno torna-se instantaneamente atraente porque carrega a promessa de libertação intelectual de abordagens tradicionais opressivas”. As duas filosofias são o “progressismo de John Dewey e o construtivismo social de Lev Semenovich Vygotsky” (Herbert, 2004). Dewey considerava a educação um poderoso agente de transformação social; seu modelo de educação destacou a aprendizagem individualizada baseada na participação ativa e na solução empírica de problemas (Dewey, 2004)/1916. Dewey destacou seus pontos de vista e interesses em uma educação democrática, ou seja, uma percepção mais profunda deve se concentrar na liberdade de agir como o único meio de auto-realização disponível para
O indivíduo em um contexto escolar ou de sala de aula. Por outro lado, as maiores contribuições de Vygotsky para a prática pedagógica de hoje são suas visões epistemológicas sobre a natureza do conhecimento humano e os fatores influentes que determinam sua aquisição (Vygotsky, 1997).
O conceito central do construtivismo social vygotskiano relevante para a pedagogia atual é sua afirmação de que o conhecimento de um indivíduo não é transmitido de uma pessoa para outra (Tracey e Morrow, 2012), mas sim é ativamente construído, ou melhor, construído por meio de interações entre aprendizes dentro de um contexto sociocultural definido (Bell, 2011, Tracey e Morrow, 2012, Wertsch, 1991, Vygotsky, 1978). Em outras palavras, o conhecimento não é externo ao aprendiz e aguarda sua detecção; em vez disso, o conhecimento “é criado por meio de um processo de novas informações que interagem com o conhecimento prévio e as experiências dos alunos” (duPlessis e Muzaffar, 2010). Nessa perspectiva, o conhecimento precisa ser engajado em vez de “entregue” ou “transmitido” (p.45).
Herbert (2004) afirma que os aspectos comuns às abordagens de Dewey e Vygotsky são a forte ênfase no foco no aluno, bem como a promoção da obtenção ativa de conhecimento por meio da exploração, descoberta e reflexão, em vez da absorção passiva de fatos e habilidades por meio da aprendizagem mecânica e perfuração. Portanto, as pedagogias de hoje baseadas nas ideias de Dewey e Vygotsky são “muitas vezes referidas como baseadas no aluno e no ritmo do aluno, o último destacando a necessidade de adaptar a instrução aos pontos fortes e fracos específicos de cada aluno” (Herbert,2004). Isso significa que cada pessoa aprende de maneira diferente, portanto, o desempenho individual de uma criança não deve ser comparado ao de outras crianças, mas apenas pode ser avaliado em termos de seu próprio progresso individual, como o uso de testes padronizados (Al-Zu'be, 2013).
Há muitas evidências de pesquisa que sugerem que o sucesso das crianças na escola e em outros aspectos de sua vida pode ser consideravelmente melhorado quando experiências educacionais de qualidade em seus primeiros anos são levadas a sério (Melhuish e Petrogiannis, 2006, Sylva et al., 2003, Whitebread, 2008, Yelland, 2010). É teorizado na literatura que o foco no ensino centrado no aluno nos primeiros anos é permitir que um aluno construa conhecimento para si mesmo usando o ambiente, incluindo os ambientes físico e social (Tracey e Morrow, 2012, Vygotsky, 1978) e, portanto, requerem um currículo flexível dentro dos amplos parâmetros do currículo socialmente construído (Bell, 2011, Mligo, 2008). No entanto, muitos escritores defendem que o LCP é situacional, o que significa que não é eficaz para todos os ambientes de aprendizagem, ou seja, “funciona parte do tempo ou para alguns dos alunos, mas não o tempo todo para todos os alunos, e isso alguns grupos de variáveis produzem melhores resultados em termos de desempenho escolar dos alunos do que outros” (Herbert, 2004). Em outras palavras, descrevem-se aspectos que produzem melhores resultados quando o desempenho acadêmico é entendido em termos de desempenho mensurável por instrumentos de avaliação internacionalmente aceitos, como os usados pela Associação Internacional para a Avaliação do Desempenho Educacional (IEA), por exemplo, teste padronizado (Barnett e Frede, 2010, Herbert, 2004). Reconhecer as configurações que provavelmente aumentarão a eficácia do LCP, bem como aquelas em que ele provavelmente falhará, deve ajudar os formuladores de políticas educacionais a adotar um curso de ação mais adequado a um contexto específico, em vez de adotar (habitualmente por razões ideológicas ) uma estrutura centrada no aluno apenas porque pode ter funcionado em outro país ou para uma população diferente (Herbert, 2004, Wood, 2004).
No entanto, para uma aprendizagem significativa nos primeiros anos, o LCP é o mais adequado para o envolvimento na aprendizagem espontânea (Barnett e Frede, 2010, Melhuish e Petrogiannis, 2006, Sylva et al., 2003, Wood, 2004, Mitchell et al., 2008).
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3 DESENVOLVIMENTO: FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICA PEDAGÓGICA
A formação dos educadores é fundamental para dotar os professores de conhecimentos teóricos que, quando conjugados com as suas experiências quotidianas, os capacitam a ultrapassar os desafios e questões da profissão. Isso leva à sua realização profissional e pessoal.
Nóvoa (2013) descreve a fase inicial da formação de professores como um momento muito especial, marcando a transição de aluno para professor e integrando-se no meio educativo. Portanto, o processo de formação de professores deve estar alicerçado em metodologias que enfatizem a integração entre teoria e prática. Segundo a autora, o fortalecimento da formação do professor ocorre por meio do compartilhamento, da troca de experiências com os colegas profissionais, do engajamento em reuniões e da participação nas discussões pedagógicas, o que facilita sua atuação profissional.
Como evidenciado em Tardif (2008), a prática docente se estende para além do conhecimento das ciências da educação; abrange várias formas de conhecimento pedagógico. A autora também defende que essas formas de conhecimento se originam de discussões sobre a prática educativa, servindo de orientação para ela.
Na visão de Paulo Freire (1997), ninguém é inerentemente um educador ou predestinado a sê-lo. Em vez disso, um indivíduo se torna um educador ao se envolver na prática e refletir sobre ela.
De fato, o educador molda sua prática de acordo com sua identidade e/ou experiências, conferindo-lhe uma notável singularidade. Os conhecimentos vão gradualmente se forjando e se acumulando ao longo de suas vivências. Portanto, somente quando a teoria serve como alicerce para a formação dos professores é que a prática docente adquire um significado profundo. Isso capacita os professores a conectar a teoria com a prática.
Assim, ao prosseguir nessa trajetória, o professor constrói gradualmente sua própria prática docente, enriquecendo-a com aprendizados advindos de acertos e erros. Importa ressaltar a perseverança e a determinação contínuas como fatores cruciais. Nessa perspectiva, a formação contemporânea do professor exige a capacidade de reflexão, a habilidade de aprender a aprender, a competência para efetuar um desempenho eficaz na sala de aula, a capacidade comunicativa, o domínio da linguagem informacional e a habilidade de utilizar diversos meios de comunicação. Além disso, é essencial que o professor saiba integrar suas aulas com recursos de mídia e multimídia, em consonância com as ideias de LIBÂNEO (2013).
Imbernón (2001, p.18) também destaca que a educação das pessoas está se tornando cada vez mais diversificada e complexa, devido às mudanças significativas e constantes nas esferas científicas, sociais e educacionais. Diante desse cenário, o modelo tradicional de formação, centrado na mera transmissão de conhecimento acadêmico, torna-se insuficiente; é imperativo educar para que as pessoas adquiram habilidades de adaptação às mudanças e à incerteza.
Nesse contexto, espera-se que as instituições educacionais preparem seus estudantes para enfrentar a complexidade da vida em toda a sua extensão. Consequentemente, esses desafios também repercutem na profissão docente. O autor ressalta que o presente momento exige uma nova abordagem de formação: "os educadores precisam desenvolver habilidades para aprender a lidar com relacionamentos interpessoais, a cultura do ambiente, e a interação de cada indivíduo com o restante do grupo e com a comunidade que está envolvida na educação".
É compreensível, portanto, que no contexto atual, é essencial adotar uma nova concepção de formação docente, visando preparar profissionais dotados de pensamento crítico, motivação e prontidão para as constantes mudanças inerentes ao seu papel social. Como mediadores e transformadores, eles têm a responsabilidade primordial de moldar cidadãos conscientes de seu papel na sociedade em que vivem, como destacado por Tardif e Lessard (2008). O docente, ao trabalhar com subjetividade e seres humanos, exerce uma influência sobre os outros e é responsável pelo crescimento e desenvolvimento das potencialidades de seus alunos.
Assim sendo, de acordo com a visão de Paulo Freire (1996), sua prática e conhecimentos devem ser simbolicamente associados ao ato de cozinhar. Isso envolve a preparação dos ingredientes, a maestria dos utensílios e objetos, bem como a compreensão das proporções e da importância do sabor. Com aprimoramento constante desses saberes, o professor se torna um verdadeiro mestre na sua arte, como um hábil cozinheiro.
Nesse cenário, a formação docente transcende as teorias discutidas em programas de graduação, já que o professor estará atuando em uma sala de aula, um ambiente vivo e dinâmico. Assim, é a prática da profissão docente que legitima sua posição como educador. Por conseguinte, a conexão entre conhecimentos teóricos e prática escolar se faz crucial. Essa conexão se manifesta através da construção de uma abordagem educacional reflexiva e crítica, onde o professor passa a compreender a realidade da escola e, por meio desse entendimento, aprofunda seu compromisso com o processo de ensino/aprendizagem, como ressaltado por Guarnieri (2005).
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A prática pedagógica é compreendida como um terreno fértil onde diversos saberes são assimilados, contribuindo significativamente para a formação docente. Os pilares cruciais para redefinir os conhecimentos e saberes são a relação entre teoria e prática, que se manifestam de maneira reflexiva e crítica.
A prática docente não se limita a conhecimentos epistemológicos; ela engloba principalmente as ações que a sustentam e dão significado dentro das ciências da educação. São ações que mobilizam vários saberes, conhecidos como saberes pedagógicos, frequentemente originados a partir de reflexões sobre a prática educacional.
Além disso, a ação docente é vista como uma expressão do saber pedagógico presente no ambiente escolar, servindo de base para as tarefas do professor como práticas sociais. Nesse contexto, teoria e desempenho se entrelaçam em um ciclo de ação, reflexão e ação novamente. A prática docente é continuamente construída e adaptada no contexto da vida cotidiana.
O exercício da docência requer dos profissionais uma qualificação que vai além da simples soma de habilidades e conhecimentos. Ele demanda o domínio do saber pedagógico e um comprometimento firme com o processo de ensino-aprendizagem. Isso implica em entender que ser um educador vai muito além de apenas transmitir informações; é um envolvimento constante e consciente com o desenvolvimento dos alunos e aprimoramento da prática educacional.
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