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ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc54736
Publicado em 18 de novembro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
DIAGNÓSTICO EDUCATIVO DE PACIENTES COM DESORDENS OSTEOMIOARTICULARES EM TRATAMENTO NA FISIOTERAPIA
Camila de Souza Lopes¹;Rogério Dias Renovato2; Marcos Antônio Nunes de Araújo
1;2;3Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, Dourados, Brasil
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RESUMO
O objetivo desse artigo é identificar diagnósticos educativos de pacientes em tratamento na fisioterapia acometidos com desordens osteomioarticulares. Metodologia A pesquisa é exploratória e descritiva com abordagem qualitativa com amostragem por conveniência. A coleta de dados foi realizada através de diagnósticos clínicos, anamnese fisioterapêutica e entrevistas. Para a organização e análise dos dados foram utilizadas à análise de conteúdo de Bardin e estudos de Maria Helena Salgado Bagnato sobre práticas educativas em saúde. Também, foi aplicada, a técnica de elaboração e análise de unidades de significados através de relatos, atitudes e interpretação. Aliada a essa técnica, foi utilizado, procedimentos, a fim de criar indicadores e qualificadores para avaliar e identificar os diagnósticos educativos. Resultados: Foram identificados dois diagnósticos educativos: a) proporcionar troca de saberes diante da nova situação de saúde; b) prover condições para o sujeito se adaptar e enfrentar a desordem. Conclusão: Após a realização desse estudo, foi evidenciada a importância do diagnóstico educativo, que requer múltiplas perspectivas nos níveis corporal, pessoal, social, histórico, além de valorizar os saberes da vida cotidiana, suas vivencias e experiências. Ao associar o diagnóstico educativo ao diagnóstico funcional fisioterapêutico surgem novos olhares para a busca da funcionalidade e capacidade física, saúde e qualidade de vida do paciente e, tende a contribuir com a prática do fisioterapeuta como educador em saúde.
Palavras-chave: Diagnóstico; Educação em Saúde; Educação de Paciente; Fisioterapia.
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1 INTRODUÇÃO
A educação do paciente é a combinação de experiências de aprendizagem planejadas, organizadas, avaliadas e destinadas a facilitar a adoção voluntária de comportamentos e/ou crenças, conducentes à saúde1. Assim também, está diretamente ligada, a educação terapêutica, educação em saúde e promoção a saúde. Pode ser realizada de maneira formal e informal e em diferentes espaços e tempos. Contudo, para Hammond e Niedermann2 precisam ser orientados por objetivos, amparados na identificação das necessidades educativas, metodologias e programas educativos.
Para identificação das necessidades educativas é importante que seja realizado um diagnóstico. O termo diagnóstico é oriundo da medicina e definido de várias maneiras. É utilizado quando se quer conhecer uma situação atual, com intuito de corrigir e transformá-la positivamente. É o momento da identificação dos problemas, suas causas e principais características. Porém, o termo não é exclusivo das profissões médicas, porque outros profissionais, como professores também o utilizam3. Dessa forma, tanto o tratamento fisioterapêutico, quanto a educação do paciente, deve ser baseado em um diagnóstico. Logo, o fisioterapeuta em sua prática poderá realizar dois tipos de diagnósticos: o fisioterapêutico e o educativo.
O diagnóstico fisioterapêutico objetiva a tomada de decisões clínicas, sobre qual manobra terapêutica ou estratégia de manejo é a mais efetiva, a fim de identificar condições clínicas, que respondam com sucesso a um tratamento específico4. Já o diagnóstico educativo, possibilita a identificação no contexto da vida, saberes, práticas, atitudes e opiniões relacionadas à saúde 5,6. É o primeiro e importante passo, para o planejamento de um programa educativo, a partir de uma de uma relação de valorização do paciente, de sua história de vida, de suas ações e como enfrenta sua desordem, elevando o seu protagonismo, que poderá influenciar nas práticas do fisioterapeuta como educador em saúde.
A saúde osteomioarticular está relacionada com a perfeita sintonia e normalidade na conexão dos ossos, músculos e articulações, que são os responsáveis pela movimentação e sustentação do corpo físico. Quando essa normalidade é alterada, o sistema entra em desordem. O termo desordem tem sido utilizado em linguagem na saúde para expressar uma alteração da normalidade, seja de natureza estrutural, funcional ou comportamental7. As alterações estruturais e funcionais, principalmente no que diz respeito ao sistema osteomioarticular, são decorrentes, muitas vezes, de efeitos cumulativos de pequenos traumas repetitivos, por longo período de tempo8.
Em 2019, mais de trinta mil trabalhadores foram afastados do seu trabalho, devido à lesão por esforço repetitivo e desordens osteomioarticulares9. Por outro lado, os acidentes domésticos e atividades de lazer, como quedas de bicicletas, skates e patins, são causas comuns de fraturas, nos membros superiores e inferiores. Outro fator é o envelhecimento da população brasileira, associadas à dor, deformidades articulares e incapacidade funcional, que impacta negativamente, na autonomia e na qualidade de vida dos idosos. Além disso, o aumento da frota de motos como meio de locomoção também trouxe o aumento de acidentes e fraturas diversas 10.
Portanto, o objetivo desse artigo é identificar diagnósticos educativos de pacientes acometidos com desordens osteomioarticulares em tratamento na fisioterapia.
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2 METODOLOGIA
Esse estudo é de natureza exploratória e descritiva com abordagem qualitativa e amostragem por conveniência. Nesse tipo de amostragem é possível estudar os sujeitos sociais que detém os atributos que o pesquisador pretende conhecer e que se tem acesso direto11. Foram incluídos nesse estudo, pacientes de ambos os sexos com diferentes morbidades de desordens osteomioarticulares. Os critérios de exclusão foram pacientes menores de 18 anos e mulheres grávidas. A pesquisa foi realizada em uma clinica de fisioterapia, com abordagem realizada em dias e horários dos tratamentos agendados, no término de cada sessão de fisioterapia nos turnos da manhã e tarde.
A coleta de dados foi realizada através de diagnósticos clínicos, anamnese fisioterapêutica e entrevistas. As entrevistas foram gravadas, utilizando smartphone, com duração de 45 minutos em média. As gravações foram transcritas, utilizando o Google® que disponibiliza gratuitamente o aplicativo Google Documentos, que permite a criação e edição de documentos online, com apoio da ferramenta digitação por voz.
Após a transcrição foi constituído um corpus, que segundo Bardin12 p.126 “é um conjunto de documentos tidos em conta para serem submetidos aos procedimentos analíticos”. Assim, os dados foram organizados a partir da análise de conteúdo, a fim de extrair Unidades de Contexto (UC), através de recortes de textos, relacionados com o objetivo da pesquisa, de onde emergiram as Unidades de Registros (UR), quais sejam, relações sociais, políticas, interesse e poder; vulnerabilidade na voz dos sujeitos; significados e sentidos e saberes e ações.
A partir de então, foi classificado e reorganizado os elementos de significação contidos nas mensagens e, como resultado emergiram as seguintes categorias: maneiras como a desordem é compreendida; reação, dificuldades e necessidades; experiências vividas com a desordem osteomioarticular e ainda, objetos para as ações educativas. Da mesma forma, as subcategorias emergiram com a exploração de ligações encontradas e oportunidade de abrir mais um nível de análise.
As subcategorias foram: impedimento para as relações sociais, culturais e familiares; influência na vida pessoal e profissional; saber prático; ações educativas no tratamento; reação ao receber o diagnóstico da desordem; dificuldades para fazer ou concluir atividades rotineiras; necessidade de ajuda; busca por informações sobre a desordem; relações construídas e vivenciadas nos espaços de encontros; efeitos das relações vivenciadas para a saúde; Movimentos corporais; sentidos e significados para a ação educativa; espaços de encontros; saberes compartilhados; artefatos culturais.
A interpretação dos dados foi alicerçada nos estudos sobre Praticas Educativas em Saúde da professora, Maria Helena Salgado Bagnato. O referencial incentivou e contribuiu com novas maneiras de pensar e produzir conhecimento a partir das relações politicas e sociais em uma realidade composta por interesses, cultura e poder.
Foi utilizada a técnica de elaboração e análise de unidades de significados proposto por Moreira, Simões e Porto14 através de relatos, atitudes e interpretação. Aliada a essa técnica, foi utilizado procedimentos elaborado por Lopes15 a fim de criar indicadores e qualificadores (Quadro 3) para a avaliar e identificar os Diagnósticos Educativos (DE).
Nos procedimentos para identificação do DE, primeiramente foi selecionada uma técnica, para análise de unidade de significados, de opiniões, valores, expectativas, sentimentos, a fim de captar expressões comuns significativas e avaliativas nas falas dos participantes da pesquisa. E, para o desenvolvimento dos indicadores e qualificadores, foi organizado um quadro de significados com categorias identificadas, a fim de criar os indicadores, a partir das expressões avaliativas.
Em seguida foram correlacionadas as categorias com os indicadores, para com isso criar os qualificadores. Ex. Prejudica/Não prejudica e outros. Após as avaliações realizadas com os qualificadores, as avaliações individuais dos participantes convergiram para avaliações coletivas. Dessa forma foi identificado o DE.
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS) com o número do Protocolo Nº 4.072.857 CAAE 26187219.2.0000.8030 e respeitou todos os aspectos éticos. De acordo com a resolução CNS-466/12 em que todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando sua participação.
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3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
Participaram sete pacientes (codificados de P1 a P7), homens e mulheres em tratamento na fisioterapia, na faixa etária entre 40 a 55 anos sendo a maioria, casado com nível de escolaridade predominantemente médio e com profissões diversas, como operador de máquinas; militar; investigador, técnica de enfermagem, administradora e auxiliar de serviços gerais.
Quanto às desordens, as fraturas foram as mais representativas, em decorrência de quedas, exercícios físicos e acidentes no trabalho, quais sejam: lesão do ligamento cruzado anterior do joelho; fratura da tíbia direita; fratura de rádio esquerdo; fratura do 3º e 4º metacarpo da mão esquerda. As desordens apresentando dores crônicas, advinda de más posturas e sensibilidade nas articulações, músculos e outros tecidos moles, como cervicalgia; lombalgia e fibromialgia foi a segunda maior presença nos participantes.
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3.1 ANÁLISES POR UNIDADES DE REGISTROS, CATEGORIAS E SUBCATEGORIAS
As análises das UR extraídas das falas e buscaram compreender saberes, atitudes, ações em relação ao estado de saúde e suas opiniões, perspectivas, tomadas de posição, assim como, qualificar e avaliar, a fim de identificar diagnósticos educativos.
A UR1, Relações sociais, políticas, interesse e poder (Quadro 4), foi organizada, para analisar maneiras como a desordem é percebida; impedimento para as relações sociais, culturais e familiares; influência na vida pessoal e profissional; saber prático e ações educativas no tratamento.
A categoria maneiras como a desordem é percebida, trata de como o estado de adoecimento é compreendido levando em consideração suas experiências.
A subcategoria impedimento para as relações sociais, culturais e familiares. Foi uma constante nas falas dos entrevistados, o impedimento, relacionado ao desconforto, dores e ainda, o medo de complicações da desordem conforme relato “[...] me impede de fazer as coisas, porque eu tô me privando de sair, movimentar, porque eu tenho medo que a fratura complique” (P2).
A perda da saúde física em decorrência do estado de adoecimento, afeta as atitudes dos sujeitos em relação aos amigos, familiares e lazer, ocasionando uma desconexão interpessoal e também nos grupos que participam e representam seus papeis16. Nesse sentido, é pouco frequente que o desvio da normalidade física pela desordem, não afete atitudes, quando relacionadas com os sujeitos sadios da sociedade e vice versa17.
A subcategoria influência na vida pessoal e profissional. Os relatos em sua maioria reforçaram preocupações e sofrimentos com a influência da desordem na vida profissional, relacionado ao afastamento do trabalho, medo de perder posições no meio profissional e até mesmo, desligamentos: [...] ela pode sim né, porque no meio militar o esforço físico é grande, se eu não ficar 100% ou se a recuperação não for a contento, eu posso não voltar a fazer as atividades normais (P3).
A utilidade, inserção social, produtividade é referenciada pelo trabalho, como continuidade da vida profissional, sem ele, o sujeito perde seu marco referencial e sua identidade profissional 18. Do mesmo modo, na vida pessoal, imputou um reordenamento na vida, para melhor conviver com a desordem, conforme afirma P2: [...] bom, na minha vida pessoal influenciou muito, porque eu não havia passado por isso, afetou meu psicológico, que eu fiquei meio retraído, pensando que eu não faria as coisas que eu fazia antes, mas eu tô vendo que eu posso fazer, com minha recuperação ótima.. O novo modo de conviver exige uma resposta à doença, uma ressignificação da vida, onde o paciente se insere em um novo ambiente existencial, provocado pela doença19.
A subcategoria saber prático buscou conhecer os saberes que vem da vida prática. Nos relatos a maiorias dos entrevistados afirmaram que utilizaram uma terapia própria de saber popular, como exercícios, medicação caseira e outros. O saber popular é evidenciado: [...] eu tomei alguns medicamentos que me ensinaram, para calcificar, para aliviar a dor, para minimizar as cicatrizes, aí bom, um remédio caseiro era matruz com leite, passei andiroba, e vi que tô tendo um resultado bom (P2).
O mastruz (Chenopodium ambrósoides) é uma espécie de planta utilizada na medicina popular para os mais diversos fins e em diversas regiões do País. Assim também, como a andiroba (Carapa guianensis Aublet, Meliaceae) planta nativa encontrada na região norte do Brasil 20, 21. Os saberes práticos têm sido possíveis, devido ao acúmulo de saberes intuitivos, desenvolvidos por pessoas observadoras das relações com a natureza, gerados de maneira assistemática com significados culturais e por isso, não são limitados à farmacologia ou a terapêutica, foram continuadamente sendo selecionados por utilidade e, ocorrem também, nos espaços sociais mediando significados 22, 23.
A subcategoria ações educativas no tratamento buscou ouvir a percepção e interpretações sobre a inserção de ações educativas no tratamento. A percepção sobre benefícios e possibilidades de potencializar os efeitos do tratamento é identificada na afirmação, “ações educativas com certeza podem contribuir, porque eu vou aprender, vou ter mais conhecimento em relação à doença, certamente as minhas terapias em casa vão melhorar” (P6). O relato abre oportunidades para que a ação educativa possa produzir transformação à partir da apropriação de saberes. Para Renovato, et al.24 , a continua vigilância e cuidados com a saúde mediada pelas experiências, valores atitudes, tendem a trazer possibilidades de intervir nas realidades.
A UR2 Vulnerabilidade na voz dos sujeitos (Quadro 7) foi organizado para ouvir, valorizar as opiniões em relação à desordem que os acomete. O tema foi composto com uma categoria e três subcategorias.
Reação, Dificuldades e Necessidades é uma categoria que tratou da reação sentida, dificuldades e necessidades em relação à convivência com a desordem. A subcategoria reação ao receber o diagnóstico da doença, analisa as reações expressas ao receber o diagnóstico das desordens osteomioarticulares.
“Eu fiquei preocupada, porque na verdade eu não sabia o que era. Eu só sei que sentia dores, mas o médico não foi muito específico na hora, talvez, para não me preocupar” (P6). As falas ilustraram reações sentidas de medo, preocupação, frustração, tristeza e desespero. As reações emocionais surgem como resposta a uma perda, por exemplo, quando um paciente recebe a noticia de que está com algum tipo de doença. Tais reações variam de pessoa para pessoa e, as estratégias de enfrentamento, estão associadas a diferentes culturas e crenças25.
A Subcategoria, dificuldades para concluir ou fazer atividades, tratou de conhecer as restrições na capacidade de executar atividades cotidianas de maneira eficiente e na adaptação do paciente para sua condição atual, conforme o relato, “Sinto bastante dificuldade... desde um simples lavar louça, arrumar uma cama,... eu tenho dificuldade, mas é que eu tenho que fazer e, exige um esforço, mas no momento as dificuldades são cada vez menores...” (P5).
Cada paciente procura a melhor resposta de sobrevivência a uma situação, que determina a reação para conviver e enfrentar as dificuldades e alterações no seu estado de adoecimento e, que são afetadas pelos valores aprendidos e pelas maneiras de lidar com as dificuldades, em uma dada situação 26.
A necessidade de ajuda, é uma subcategoria analisada levando em consideração a ajuda que o paciente necessita, relacionada à sua capacidade funcional, como andar sozinho, vestir-se, limpar a casa, subir e descer escadas e outras. “No inicio eu precisei, tava bem ruim né, porque fica dependente de outra pessoa, acaba sobrecarregando, então coisas básicas de tomar banho, se vestir, se servir, cortar um pedaço de carne, se alimentar, você fica bem complicado” (P3).
As falas em sua maioria confirmaram a necessidades de ajuda e que agora, apesar de ainda encontrarem dificuldades em suas capacidades funcionais, procuram realizá-las sozinhos. Nas conversas, foi suscitado o incômodo por sobrecarregar ou ocupar quem os tem ajudado, geralmente um familiar. Às vezes não é fácil para o paciente pedir ajuda, isso envolve risco e vulnerabilidade. O pedido de ajuda é determinado pelo desejo e capacidade de modificar comportamentos que define a suscetibilidade 27, 28.
A UR, significados e sentidos (Tabela 4) foram organizados na tentativa de compreender, o que, e como faz sentido, as experiências vividas em sua realidade social. A temática foi constituída por uma categoria e três subcategorias. A categoria, experiências dos pacientes com a desordem osteomioarticular buscou conhecer as intenções e significações no direcionamento de suas ações, na relação individual e coletiva.
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A subcategoria busca de informação sobre a desordem tratou do interesse, por informações, à partir das experiências das realidades dos pacientes. Exemplificados na fala “[...] em casa eu fui logo pesquisar... se podia ficar com alguma sequela, algum dano e quando ele falou que ia operar, eu já pesquisei como que era feito o procedimento na internet e livros” (P5). Foi evidenciado o interesse e busca por informações sobre sua desordem. Apenas dois afirmaram que pediram aos profissionais de saúde, mais informações. Além disso, os relatos foram unanimes sobre a busca de informações na internet, utilizando artigos e vídeos no Youtube®.
No período de tratamento e adaptação com as mudanças no seu estado de saúde, frequentemente buscam informação sobre suas condições, aos profissionais da saúde que os atendem28 No entanto, há aqueles que por medo, ansiedade até mesmo por timidez ou por não saber o que perguntar, não indaga sobre suas condições de saúde. Essa necessidade de informação é suprida através de pesquisa na internet (vídeos, artigos, e-books e outros).
A subcategoria relações construídas e vivenciadas nos espaços de encontros, buscou ouvir os significados das relações e interações vivenciadas socialmente pelos pacientes pesquisados nessa subcategoria, que é exemplificada na fala. “Olha, significa uma boa relação, eu já estou nessa condição, com dores e vou para um ambiente receptivo, acolhedor por parte dos profissionais que lá estão eu sinto que essa relação venha ser positiva para o meu tratamento” (P6).
O ambiente foi significado como receptivo, importante, de ajuda, bem conceituado, que estimula boas relações e é percebido como ambiente de orientação. E, que a relação é boa com os profissionais, e que esses, são capacitados. Também foi suscitado, sentimentos de gratidão e respeito. Assim, as relações vão sendo construídas a partir de cada sessão de fisioterapia no decorrer do tratamento. Em geral, o significado para o espaço de encontro e relações construídas é de vínculos e, esses vínculos, potencializam a terapêutica do espaço.
Subcategoria, efeitos das relações individuais vivenciadas para a saúde, foi organizada a fim de compreender os sentidos, referentes as necessidades de cada um, que podem ser realizadas ou não, mas que os mobilizam como pessoas. “A humanidade do profissional se preocupar com paciente né,... eu pude receber ajuda tanto enquanto ele estava exercendo suas funções na clínica ou fora, sempre que precisei pude receber conforto e ajuda” (P7).
Foi percebida, uma interpretação da situação vivida com a desordem e, a construção de um sentido sobre características da natureza humana influenciada pela pelo ponto de vista que assume na sua experiência presente. O sujeito visualiza possibilidades e potencialidades em sua subjetividade e, precisa buscar e encontrar um sentido para o sofrimento, pois a busca de sentido é a principal força motivadora do ser humano28.
3.2 DIAGNÓSTICOS EDUCATIVOS
A identificação dos diagnósticos educativos foi realizada através de análises de termos avaliativos. Esses termos emergiram naturalmente, nos relatos recheados de opiniões, atitudes e comportamentos extraídos das UC.
Os relatos individuais convergiram com os relatos dos demais pacientes, quando analisados por categorias, utilizando indicadores e qualificadores (Quadro 9). Ou seja, a convergência se deu do individual para o coletivo. Assim, foram identificados dois diagnósticos educativos:
Proporcionar troca de saberes diante da nova situação de saúde
Prover condições para o sujeito se adaptar e enfrenar a desordem
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4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após a realização deste estudo, evidencia-se a importância da aplicação, não só do diagnóstico funcional, com avaliações músculos esquelética e de funcionalidade, através de exames físicos e testes específicos, relacionados com a biomecânica do paciente, para decidir a abordagem ideal do tratamento. Mas, também a aplicação do diagnóstico educativo associado ao diagnóstico funcional fisioterapêutico.
Ao associar o diagnóstico funcional fisioterapêutico ao diagnóstico educativo, surge um olhar mais atento em busca da funcionalidade e capacidade física, saúde e qualidade de vida do paciente e, tende a contribuir com a prática do fisioterapeuta como educador em saúde. O diagnóstico educativo requer múltiplas perspectivas nos níveis corporal, pessoal, social, histórico, além de valorizar os saberes da vida cotidiana, suas vivências e experiências.
Além disso, o diagnóstico educativo permite ouvir os pacientes, a fim de compreender as vulnerabilidades, necessidades, opiniões e avaliações sobre a saúde e disposição para mudar o estado de adoecimento. Pois, a prática educativa, juntamente com a prática terapêutica, confirma as categorias identificadas nesse estudo, demonstradas no quadro de significações.
A literatura relata a importância do diagnóstico funcional na prática do fisioterapeuta. Porém, modelos para aplicação de diagnóstico educativo em pacientes com desordens osteomioarticulares, ainda são incipientes. Assim, sugerem-se novos estudos, com intuito de fornecer dados a fim de contribuir com a prática do fisioterapeuta como educador em saúde.
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