ISSN: 2595-8402
DOI: 10.61411/rsc27644
Publicado em 16 de outubro de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
O USO DE METODOLOGIAS ATIVAS NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM SAÚDE: UMA REVISÃO DE LITERATURA
Ezucleide Carvalho Camara de Oliveira1; Nadia Maria Silva Montelo2; Silvia Ataides Alves Santana 3; Tiana da Silva Paiva4; Deison Fernando Frederico5
1Fisioterapeuta Hospital Regional de Cacoal - Cacoal- RO, Brasil
2Mestranda em Educação Profissional em Saúde, Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio / Fundação Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro- RJ, Brasil
3Mestranda em Ciências do Movimento Humano, Universidade Federal do Amazonas (UFAM) – Manaus- AM, Brasil
4Fisioterapeuta Hospital Regional de Cacoal – Cacoal- RO, Brasil
5Psicólogo; Especialista em Saúde da Família e Comunidade (modalidade Residência); Especialista em Terapia Comunitária Integrativa; Aperfeiçoamento em Formação Pedagógica para Preceptores Ensino Saúde; Mestre em Saúde Coletiva.
RESUMO
Durante décadas o modelo tradicional de educação foi utilizado na formação de profissionais de saúde, este modelo resiste até os dias atuais, no entanto, a partir dos anos de 1970 e 1980 após forte influência das ideias e concepções de Paulo Freire sobre a autonomia do indivíduo no seu processo de ensino-aprendizagem, as Metodologias Ativas passaram a ser inseridas como recurso metodológico nas Instituições de Ensino Superior e de curso de pós-graduação, visando favorecer um raciocínio crítico e reflexivo no aprendiz que favorecesse integrar teoria e prática. Esta pesquisa tem como objetivo geral verificar o uso das Metodologias ativas na educação profissional em saúde no Brasil e como objetivo específico identificar os tipos mais utilizados pelos docentes. Para tanto foi realizada uma revisão de literatura nas bases, de dados do Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde, publicados em inglês ou português no período de 2018 a 2023. Foram incluídos 13 artigos que contemplavam a temática de interesse, onde foi observado que a Metodologia mais empregada foi a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). As pesquisas em sua maioria tiveram como objeto de estudo acadêmicos de graduação, apenas dois estudos se ocuparam de investigar os efeitos das MA em profissionais preceptores e Agentes Comunitários em Saúde, respectivamente. Conclui-se que com a crescente inserção das Metodologias ativas como recurso pedagógico, faça-se importante a realização de novos estudos sobre o tema.
Palavras-chave: Metodologias Ativas; Saúde; Educação profissional.
ABSTRACT:
For decades the traditional model of education was used in the training of health professionals, this model resists to the present day, however from the 1970s and 1980s after strong influence of the ideas and conceptions of Paulo Freire on the autonomy of the individual in his teaching-learning process, the Active Methodologies began to be inserted as a methodological resource in Higher Education Institutions and postgraduate courses, aiming to favor a critical and reflective reasoning in the learner that favored integrating theory and practice. This research has as general objective to verify the use of active methodologies in professional education in health in Brazil and as specific objective to identify the types most used by teachers. To this end, a literature review was conducted in the databases, of Scielo and Virtual Health Library, published in English or Portuguese from 2018 to 2023. After applying the eligibility criteria, 13 articles were included that contemplated the theme of interest, where it was observed that the most used Methodology was Problem-Based Learning (PBL). Most of the researches had as object of study undergraduate academics, only two studies were concerned with investigating the effects of AM in preceptor professionals and Community Health Agents, respectivelyIt is concluded that with the growing insertion of active methodologies as a pedagogical resource, it is important to conduct new studies on the subject, opening other possibilities to leverage the construction of knowledge and the improvement of the services offered.
Keywords: Active methodologies; Health; Professional education.
1 INTRODUÇÃO
Considerando aspectos relacionados a educação no Brasil, até a década de 1970, podemos notar a prevalência de um modelo tradicional de educação, onde a formação moral e intelectual, com enfoque na transmissão dos conhecimentos e soberania do professor era predominante, tal cenário começa a considerar outras formas de ensino e entre as décadas de 70 e 80 ocorreu forte influência das ideias e concepções de Paulo Freire sobre a autonomia do indivíduo em seu processo educativo, com uma exposição de conteúdos de forma dialogada. A partir desse período, as práticas educativas no campo da saúde começam a dar mais enfase a esses princípios, buscando maior interação entre os saberes científicos e popular. Mesmo após várias discussões a cerca da necessidade de transformação da prática profissional voltada para o diálogo, as ações são pouco difundidas na prática profissional [1].
A educação dos profissionais da saúde baseava-se no modelo Flexneriano dos cursos de medicina, onde a enfatizava os aspectos biológicos, com fragmentação do saber, fortalecendo a dicotomia entre teoria e prática e desconsiderando as demandas do Sistema Único de Saúde - SUS [[2],[3]]. Sendo ainda muito utilizadas as metodologias de ensino-aprendizagem do modelo tradicional, denominada de educação bancária por Paulo Freire, onde a transferência de conhecimento ao aluno supervalorizava a formação técnica, dissociando o conhecimento teórico recebido passivamente pelo discente e o contexto social em que estava inserido [[4], [5], [6]].
Em 2003, a criação do Decreto nº 4.726 da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde - SGTES do Ministério da Saúde, que responde pela gestão do Sistema Único de Saúde – SUS, foi um marco histórico, tendo por finalidade formular políticas orientadoras da formação, do desenvolvimento, da distribuição, da regulação e da gestão dos trabalhadores da saúde. A educação na saúde adquiriu caráter de política de Estado a partir da SGTES, possibilitando o estabelecimento de iniciativas relacionadas com a reorientação da formação profissional e com a educação permanente dos trabalhadores da saúde, com ênfase na integração entre as instituições de ensino superior, os serviços de saúde e a comunidade [[7], [8]].
Com o crescimento de uma sociedade globalizada e informatizada na atualidade, espera-se que as Instituições de Ensino Superior sejam capazes de promover aos estudantes uma educação que vai além das competências técnicas, possibilitando formar profissionais mais reflexivos e capazes de atuar com responsabilidade social, comprometimento com a cidadania e com a promoção da saúde do indivíduo. Dentro desse contexto, várias metodologias podem ser incorporadas, dentre elas as Metodologias Ativas, que são recursos pedagógicos, que se propõem a formar futuros profissionais críticos nas mais variadas áreas [[9], [10]].
As Metodologias Ativas - MA possuem em sua intencionalidade contribuir com o suprimento de possíveis lacunas no ensino, tendo como objetivo buscar formar profissionais críticos, que consigam associar a teoria com a prática, considerando o contexto social em que o indivíduo está inserido. As MA não são um mero conjunto de ferramentas voltadas para a formação profissional ou para ações educativas no serviço de saúde. Para que ela aconteça é exigido planejamento das ações pedagógica baseada em objetivos bem delimitados, considerando as características dos educandos envolvidos, onde o sujeito participa ativamente do processo de ensino-aprendizagem, busca o conhecimento e se apropria dele, reflete criticamente sobre o que apreendeu para depois transformá-lo em ações, trazendo-o para a realidade em que vive [[11]].
O uso das MA ainda são restritos a algumas disciplinas e docentes, não sendo todos os profissionais e Instituições de Ensino Superior - IES que adotam essa metodologia de ensino com seus discentes. Baseados nisso, alguns dos artigos analisados por Sobral e Campos (2012)[12]em uma revisão de literatura integrativa destacavam como fator dificultante da implementação das MA, a falta de parceria. Alerta, ainda, que para vislumbrar mudanças na formação profissional do enfermeiro e na assistência, faz-se necessário criar e fortalecer parcerias entre instituições formadoras, gestores municipais e sistema de saúde, articulando ações conjuntas entre os grupos capazes de executar mudanças, com distribuição de responsabilidades, visando encontrar novas estratégias de planejamento e gestão do ensino e do processo de trabalho nos serviços de saúde, aumentando e diversificando os cenários de aprendizagem.
A indissociabilidade entre teoria e prática, o desenvolvimento de uma visão integral do indivíduo e o engrandecimento da concepção de cuidado são necessárias para um adequado desempenho laboral, nesse sentido faz-se importante considerar formas de ensino que se dediquem a aproximar a teoria e a prática na formação do sujeito, não se colocando como solução, mas como alternativa e criando possibilidades de diversificação, considerando a multiplicidade dos envolvidos no processo [[2]].
Partindo desse contexto, buscamos responder "Quais Metodologias Ativas estão presentes na educação de profissionais da saúde atualmente?, visto que ela se apresenta com uma alternativa atual e que ganha destaque nesse momento, assim como, a realização de tal estudo trata-se da etapa final na realização de especialização lato-sensu em Preceptoria Multiprofissional na Área da Saúde e a escolha da temática é fruto da vivência da atuação como preceptoras na área da saúde em um hospital de média e alta complexidade, localizado no interior do estado de Rondônia, referenciando a segunda macrorregião do estado, vislumbrando a realidade de ter iniciado a prática em preceptoria sem a devida formação pedagógica para tal e a escassez de materiais que possibilitem a aprendizagem autodidata.
O presente estudo justifica-se pela preocupação em garantir que o conteúdo compartilhado pelo educador, sensibilize o educando e torne possível que seu aprendizado seja passível de ser colocado em prática, que o educando seja capaz de desenvolver suas habilidades técnicas e cognitivas de forma crítica e reflexiva. Que consiga planejar, executar e avaliar suas ações com autonomia [[13]].
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa qualitativa do tipo bibliográfica por meio de uma revisão de literatura integrativa, onde se realiza uma investigação metodológica em materiais publicados em jornais, livros, revistas ou qualquer documento disponível e acessível ao público, onde os dados são analisados de forma padronizada [[14]].
Esta pesquisa tem como objetivo geral verificar o uso das Metodologias Ativas na educação profissional em saúde no Brasil e como objetivo específico identificar os tipos mais utilizados pelos docentes.
Para realização desta revisão de literatura, foram realizadas as seguintes etapas: identificação da questão de pesquisa, busca na literatura na base de dados do Scielo e Biblioteca Virtual em Saúde, publicados em inglês ou português no período de 2018 a 2023, combinado as palavras-chave "Metodologias ativas, Saúde, Brasil e Educação profissional" e utilização do operador booleano “AND", avaliação dos dados e apresentação dos resultados (Figura 1) [[15]].
Figura 1 – Fluxograma representando os critérios de inclusão e de exclusão (Fonte: Autores)
3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO
Na combinação das palavras-chave "Metodologias ativas, Saúde, Brasil e Educação profissional" e utilização do operador booleano “AND", foram encontrados 48 resultados, sendo excluídos 27 artigos publicados antes de 2018, 02 artigos após análise do título, 05 artigos por duplicidade e 01 artigo após a leitura na íntegra, visto que, a temática não contemplava a abordagem desse estudo. Permaneceram 13 artigos, conforme (Quadro 1).
Quadro 1 - Descrição dos artigos de pesquisa
Autor e ano | Tipo de estudo | Indexação | Amostra | Desfechos | Resultados |
Caramori et al., 2020. [15] | Relato de experiência | Scielo | 25 alunos de medicina | Utilizou as metodologias ativas: Aprendizagem colaborativa; Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP); Avaliação dos pares; Mapa Conceitual. | O processo de execução do Projeto FELLOWS apresentou benefícios diretos para os organizadores e os alunos, e indiretos para as instituições de ensino a que pertencem, tendo envolvido a produção de conhecimento, engajamento do aluno e responsabilidade social. |
Barreiros et al., 2020.[16] | Estudo de caso | Scielo | 10 preceptores | Comparou estratégias didáticas ativas de ensino -aprendizagem utilizadas por preceptores que fizeram (G1) com os que não fizeram (G2) os Cursos para Formadores em Medicina de Família Leonardo EURACT, da Academia Europeia de Professores de Medicina de Família. | Nenhum dos preceptores possuíam pós-graduação stricto senso; Entre os integrantes do grupo 1, quatro realizaram outro curso de formação em preceptoria. No grupo 2, dois preceptores não realizaram nenhum curso. Quanto a utilização das didáticas ativas pelos preceptores entrevistados, identificou-se que o G1 citou sete tipos, enquanto o G2 mencionou apenas três. Conclui que o curso para formadores em MFC Leonardo EURACT nível 1 tem efeitos positivos no processo de preceptoria dos participantes, já que eles incorporam à sua prática estratégias ativas de ensino que qualificam suas habilidades e atitudes como formadores, tornando-se profissionais com maior arcabouço de competências necessárias para o desenvolvimento do processo de preceptoria. |
Dias-Lima et al., 2019.Erro: Origem da referência não encontrada | Relato de experiência | Scielo | Turmas do segundo e terceiro semestres do Curso de graduação em Medicina. | Aprendizagem Baseada em Problemas e jogos lúdicos. | O emprego de metodologias ativas e a análise e escuta das críticas e sugestões construtivas dos alunos, estimulou o interesse e participação dos discentes a cada semestre. |
Machado et al., 2018.[20] | Revisão narrativa | Scielo | Análise histórica | Ensino superior e escolas médicas no Brasil; Arquitetura curricular na educação médica: desafios e possibilidades; Reflexos das mudanças curriculares e das metodologias ativas no perfil do médico formado. | No Brasil, ainda conforme os mesmos autores, são escassos os estudos neste sentido, ficando a comparação entre o currículo tradicional e currículo integrado com proposições de metodologias ativas com pouco embasamento científico se chegar a uma conclusão sobre a efetividade destes como agentes de transformação na formação acadêmica dos estudantes de Medicina. Conclui que a estagnação em determinados conceitos, mesmo em alunos graduados pelas metodologias ativas tenha relação com o fato de reproduzir e incorporar modelos de ensino concebidos para uma realidade que não a brasileira. |
Bezerra et al., 2020 | Relato de Experiência | BVS | Discentes de um curso da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte na disciplina de Teoria Geral das Organizações | Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). | O desenvolvimento de um caso utilizando as metodologias que integram a Aprendizagem Baseada em Problemas propiciou aos envolvidos a experimentação de um processo criativo, rico, centrado no conhecimento. A participação dos profissionais das redes de serviços de saúde foi fundamental em todas as fases, evidenciando sua potencialidade formadora indo desde a academia aos serviços de saúde com aplicabilidade e eficiência. |
Noro, L,2019 [26] | Revisão de literatura e determinados documentos legais | BVS | Análise histórica | Para construção da proposta foram identificados eixos sobre os quais foi formulado currículo integrado coerente com as DCN. | Para viabilizar o desenvolvimento do currículo é fundamental a adoção de metodologias ativas de aprendizagem em todos os eixos previstos, permitindo que o aluno construa seu aprendizado. Da mesma forma é fundamental processo de avaliação que contribua efetivamente com uma relação professor-aluno mediada pela busca de conhecimento, permitindo que ambos sejam sujeitos no processo. O principal desafio para alcance da proposta refere-se ao processo permanente de desenvolvimento docente na construção de uma “nova” sala de aula. |
Honorato et al., 2022Erro: Origem da referência não encontrada | Estudo descritivo de abordagem qualitativa | BVS | Discentes de graduação de Enfermagem do 5 período da Universidade Federal do Rio Grande do Norte | Consistiu na realização de atividade criativa utilizando o método de sala de aula invertida. | O uso das metodologias ativas foram positivas pois foram utilizadas ferramentas de ensino remoto que estimulou o raciocínio, criatividade e outras aptidões sobre a saúde ocular, em contrapartida houve uma ressalva sobre as desigualdades sociais, visto que muitos estudantes possuem dificuldades ou simplesmente não possuem acesso à internet, portanto, não conseguem conectar-se às plataformas virtuais de ensino. Condições como estas podem gerar desmotivação tendo como consequência a diminuição de seu rendimento. |
Silva, Toassi, 2022[30] | Estudo de caso | BVS | 17 ACS | Baseada na Educação problematizadora e portfólio | Pelos relatos dos ACS as metodologias ativas tiveram um impacto positivo não só na área de trabalho como na qualificação das suas habilidades interpessoais pois se tornam “seres humanos melhores”. |
Monteiro et al., 2021[32] | Relato de experiência de caráter descritivo | BVS | 110 estudantes de enfermagem | Metodologias ativas através de jogos, uso de imagens projetadas e estudos dirigidos. | Observou-se que os estudantes se mostraram participativos e satisfeitos durante as monitorias. Ademais, os monitores puderam desenvolver habilidades relevantes para a docência. |
Medeiro Junior et al., 2021 | Revisão Sistemática | Scielo | 17 estudantes de Medicina | Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). | O conteúdo para o instrumento apresentou validade de conteúdo, com alto percentual de concordância, de um instrumento que engloba os domínios utilização de recursos de aprendizagem, compreensão e raciocínio (quatro itens), profissionalismo e trabalho em equipe (cinco itens) e resolução de problemas e efetividade no grupo (quatro itens), o que está congruente com os objetivos da metodologia ABP descritos na literatura. |
Afonso et al.,2018[36] | Relato descritivo de experiência | BVS | Residentes de universidades públicas paraenses | Reuniões periódicas entre a equipe com palestras educativas e folders com informações relativas ao trabalho realizado com as gestantes. | As práticas do conhecimento empírico são muito comuns no cotidiano população da Amazônia e as metodologias ativas de educação vem permitir o diálogo, a troca de experiências, além de valorizar a gestante como parte importante e principal no processo de mudança de sua realidade. |
Saraiva, et al. 2018[39] | Estudo exploratório e descritivo | BVS | Análise documental | Problematização de situações em equipe por portfólios avaliativos. | Os acadêmicos apontaram as práticas colaborativas interprofissionais e a utilização de metodologias ativas de ensino-aprendizagem como estratégias positivas para formação qualificada, estando em consonância com as Diretrizes Curriculares Nacionais de Odontologia quanto à formação profissional para o trabalho em equipe e compreensão das reais necessidades de saúde da população. |
Caracio, 2018 [38] | Pesquisa de abordagem quanti-qualitativa -estudo de caso | BVS | Estudantes do primeiro, segundo e último anos dos Cursos de Enfermagem e Medicina da Famema (Faculdade de Medicina de Marília) | Curso de Medicina usa como metodologia ativa pressupõem a organização em pequenos grupos, com a participação de estudantes do curso e de enfermagem adota o currículo integrado e orientado por competência dialógica, optando pela aplicação da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP). | O estudo revelou que, na ótica dos estudantes, o processo de formação de enfermeiras e médicos na Famema apresenta-se orientado para a aprendizagem interprofissional por meio da formação ancorada em um currículo integrado, que faz uso de metodologias ativas e cenários reais de prática, promovendo a autonomia do estudante no processo de construção do aprendizado, contribuindo assim para prática colaborativa na APS. |
Fonte: Autores
Em um relato de experiência por Caramori et al. (2020)[15]sobre o Projeto
FELLOWS desenvolvido por docente, proposto e conduzido por 25 estudantes de Medicina com objetivos de formação e o aperfeiçoamento em habilidades de educação para estudantes das profissões da saúde, o projeto proporcionou aos participantes o uso das seguintes metodologias ativas de ensino aprendizagem como: aprendizagem colaborativa; aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), avaliação dos pares e Mapa Conceitual. Gerando benefícios pessoais para os organizadores e participantes, e instituições de ensino, formando estudantes com maior capacidade de aprendizagem, engajados, críticos e com maior responsabilidade social. Indo de acordo com as Diretrizes curriculares Nacionais (DCN) de 2001 e 2014 que reforçam a necessidade de formar médicos que atuem na atenção à saúde, gestão e educação em saúde com ensino centrado no aluno formando médicos com mais autonomias e capazes de se atualizar continuamente.
Em estudo de caso de Barreiros et al. (2020)[16]com participação de 10 preceptores foram comparadas estratégias didáticas ativas de ensino-aprendizagem entre o grupo 1 (G1) preceptores que fizeram os Cursos para Formadores em Medicina de Família Leonardo EURACT, da Academia Europeia de Professores de Medicina de Família e o grupo 2(G2) preceptores que não fizeram o curso. Foi observado que os preceptores dos dois grupos fizeram residência em MFC (Médico de Família e Comunidade), mas não possuíam curso de pós-graduação stricto sensu. Pelo menos 4 dos 5 participantes do grupo 1 haviam realizado outro curso de formação em preceptoria além do Leonardo EURACT nível 1, enquanto no grupo 2, três fizeram apenas um curso e dois não participaram de nenhum. Para demostrar o uso das estratégias didáticas ativas de ensino aprendizagem, os resultados desta pesquisa foram divididos em dinâmicas ativas de ensino-aprendizagem e ações para o ensino ativo. Identificou-se que o G1 citou sete tipos de dinâmicas ativas de ensino-aprendizagem enquanto o G2 mencionou três. Já a utilização das ações para o ensino ativo, os preceptores do G1 citaram quatro tipos, enquanto os do G2 mencionaram somente um tipo. Neste estudo foi possível identificar que o curso de formação em MFC Leonardo EURACT nível 1 tem efeitos positivos no processo de preceptoria dos participantes, já que incorporam à sua prática estratégias ativas de ensino que qualificam suas habilidades e atitudes como formadores, tornando-se profissionais com maior arcabouço de competências necessárias para o desenvolvimento do processo de preceptoria. Corroborando com o pressuposto por Paiva et al. (2016)Erro: Origem da referência não encontradade que o uso das estratégias didáticas ativas apresenta alguns benefícios tais como: rompimento com o modelo tradicional; desenvolvimento da autonomia do aluno, exercício do trabalho em equipe, integração entre teoria e prática, desenvolvimento de visão crítica da realidade e uso de avaliação formativa. Por sua vez o compartilhamento dessas estratégias se mostra de grande interesse para os profissionais da saúde, de modo a contribuir com as reflexões e a visualização das potencialidades pedagógicas de metodologias ativas [[12]].
No relato de uma experiência de ensino com turmas do segundo e terceiro semestres do Curso de graduação em Medicina, nos componentes curriculares Mecanismo de Agressão e de Defesa III (MADs), na UNEB, Campus I, Salvador, Bahia relata por Dias-Lima et al. (2019)Erro: Origem da referência não encontrada, utilizaram a aprendizagem baseada em problemas (ABP) com sessões tutoriais, conferências com professores das MADs ou especialistas convidados, filmes e aulas práticas em laboratórios e a prática do lúdico (MADs de “atividade criativa”) com estudantes distribuídos em grupos com tema específico para ser apresentado aos colegas e professores, relacionado a um tema geral. Foi observado que o uso de MA, assim como a análise e escuta das críticas e sugestões construtivas dos educandos incentivou o interesse e participação dos professores a cada semestre. Indo na direção de Gomes e Regoll (2011)[19] que abordam que a concepção de educação profissional vem em direção ao intento da transformação do profissional e do serviço; vem ao encontro da formação de profissionais com características peculiares ao exercício de uma medicina competente tecnicamente, mas aliada sempre ao compromisso ético e à concepção ampliada de saúde, onde cuidar é valorizar, é criar vínculo e se responsabilizar pela integralidade das ações, sendo necessárias ferramentas para a efetivação da mudança.
Na revisão narrativa de análise histórica da educação médica no Brasil por meio de sua evolução acadêmica e pedagógica por Machado et al. (2018)[20]foram abordados sobre o ensino superior e escolas médicas no Brasil, arquitetura curricular na educação médica, e reflexos das mudanças curriculares e das metodologias ativas no perfil do médico formado. Foi concluído que mudanças nas arquiteturas curriculares isoladamente parecem não ser o suficiente na alteração do perfil dos profissionais e que a estagnação em determinados conceitos, mesmo em alunos graduados no uso de MA, tenham relação com o fato de reproduzir e incorporar modelos de ensino concebidos para uma realidade que não a brasileira. Segundo Taraco et al. (2017)[21] na maioria das escolas médicas do Brasil segue o modelo tradicional que devido aos conteúdos escolhidos pelo professor com formação de alunos capazes de contribuir e não o atendimento as reais necessidades dos pacientes. Pensando em mudanças nos currículos de Medicina, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) - Brasil, 2011[22]; 2014 vêm propor um currículo integrado, orientado por competência profissional, e a utilização de processos de ensino-aprendizagem ativos, centrados no estudante.
A Aprendizagem Baseada em Problemas - ABP de acordo com Silva et al. (2019)[24] surge como um método de aprendizagem inovador que consiste numa proposta pedagógica de ensino centrado no discente e baseado na solução de problemas, fazendo com que este assumir um papel cada vez mais ativo e não um mero receptor de informações buscando cada vez mais conhecimentos para o seu aprendizado. Portanto, fica evidente que a ABP possui um amplo campo de utilização não somente para ensino de futuros profissionais, mas nos próprios serviços de saúde como metodologia de educação continuada para seus profissionais e de educação popular em saúde para seus usuários. Corroborando com Bezerra et al. (2020)[25] que observa em um relato de experiência que para a realização da construção da ABP e verificação da pertinência da estratégia proposta, os discentes foram divididos em dois grupos contendo seis discentes de um curso da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte na disciplina de Teoria Geral das Organizações. Ficando um grupo responsável pelo desenvolvimento do caso utilizando metodologias que integram a ABP e da estratégia de como conduzi-lo e o outro grupo vivenciou a oficina para verificar a pertinência da estratégia, o que veio proporcionar aos participantes a vivência de um processo criativo, rico e centrado no conhecimento partilhado pelos membros da equipe, despertando um olhar do problema e refletindo de forma construtiva sobre como é enfrentar as dificuldades relacionadas a execuções de ações nos serviços de saúde.
O estudo de revisão de literatura e determinados documentos legais desenvolvidos por Noro (2019)[26]teve como objetivo desenvolver proposta de currículo integrado de um curso de odontologia. Para viabilizar o desenvolvimento desse currículo é fundamental a utilização de metodologias ativas de aprendizagem em todos os seguintes eixos: módulos integrados, estágio supervisionado, extensão curricular, flexibilização e trabalho de conclusão, onde o aluno construa seu aprendizado, com base no princípio de “aprender a aprender”. Além do mais é fundamental o processo de avaliação que contribua efetivamente uma relação professor-aluno mediada pela busca de conhecimento, permitindo que ambos sejam sujeitos no processo de aprendizagem. O principal desafio para alcance da proposta refere-se ao processo permanente de desenvolvimento docente na construção de uma “nova” sala de aula. Segundo Toassi et al. (2012)[27]para que se construa um currículo integrado é necessária uma ação organizada e articulada entre a instituição de ensino, seus professores e alunos, objetivando uma prática educativa de boa qualidade e criadora de possibilidades de intervenção crítica.
No artigo de Honorato et al. (2022)Erro: Origem da referência não encontrada Planejamento e Desenvolvimento de Atividades Criativas no Ensino Remoto sobre Saúde Ocular: relato de experiência foram utilizadas as MA no qual foi abordado 4 vídeos teóricos, gincana com três rodadas de perguntas e atividades lúdicas como reprodução de paródias e quizzes. As ferramentas utilizadas tiveram a finalidade de estimular potencial, desenvolver raciocínio, criatividade, captação, atenção do público, estímulos visuais e sonoros. As dificuldades apresentadas foram que alguns discentes não possuíam ou tiveram dificuldade ao acesso à internet devido às desigualdades sociais. Outro ponto enfatizado foi em relação à complexidade do uso dessa metodologia na realização do Ensino à distância. Porém diante dessas dificuldades foi possível observar de forma positiva o uso dessas metodologias indo de acordo com Berbel (2011)Erro: Origem da referência não encontradaque afirma que as metodologias ativas contribuem com a promoção da autonomia dos estudantes já que despertam a curiosidade, à medida que lhes é permitido trazer elementos novos às aulas, os quais, quando acatados e analisados, fazem o aluno sentir-se valorizado.
No artigo de Silva e Toassi (2022)[27] onde abordam a Educação Problematizadora em Curso Técnico para Agentes Comunitários de Saúde: experiência de produção de significados no trabalho em saúde, foi desafiador, pois os que se inscreveram no curso eram agentes com a faixa etária mais avançada e que eram acostumados ao método de ensino tradicional. Passaram a conhecer uma metodologia ativa que enfatizava as experiências de vida e de trabalho desses agentes no qual foram estimulados a pesquisa, reflexão, cooperação, valorização de suas experiências e aprendizados. Foram realizados oficinas, dinâmicas, teatros, parodias e atividades coletivas. Os relatos dos agentes comunitários de saúde, foram positivos, pois passaram a se sentir mais seguros na área profissional com uma melhor comunicação, conseguiram assimilar melhor os conhecimentos passados e como seres humanos passaram a enxergar o outro de forma mais solidária. A ação de problematizar, para Freire (2006)[31] acontece a partir da realidade que cerca o sujeito, a partir de sua práxis. Nessa ação, o sujeito busca soluções para a realidade em que vive, tornando-o capaz de transformá-la pela sua própria ação, ao mesmo tempo em que se transforma e vai identificando novos problemas num processo ininterrupto de busca e transformação.
Em pesquisa realizada por Monteiro et al. (2021)[32] os discentes da graduação de enfermagem fizeram o uso de tecnologias na monitoria acadêmica utilizando metodologias como jogos, uso de imagens projetadas, demonstrando despertar nos estudantes a liderança, trabalho em equipe, pensamento crítico, solução de problemas, proatividade e saindo do método tradicional. Metodologias ativas são formas de desenvolver o processo de ensinar e aprender, utilizando-se de experiências reais ou simuladas com o objetivo de solucionar, com sucesso, desafios emanados das atividades essenciais da prática social, em diferentes contextos [[33]]. Essas metodologias correspondem a um conjunto de estratégias, técnicas, abordagens e perspectivas de aprendizagem individual e colaborativa que envolvem e engajam os estudantes, de tal maneira que o aprendiz se torna sujeito ativo de seu processo de instrução [[36]].
Medeiro Junior et al. (2021)Erro: Origem da referência não encontrada em seu estudo utilizou um Instrumento para Avaliação de Estudantes de Medicina em Sessões Tutoriais, teve como metodologia de ensino, a aprendizagem baseada em problemas, observando que os instrumentos validados utilizados para avaliação de estudantes em sessões tutoriais não apresentaram divergências, sendo necessária a realização de novos estudos para estabelecer quais itens devem compor um instrumento que irá avaliar da melhor maneira possível a performance dos discentes. Salienta-se também a importância de que tais instrumentos sejam elaborados de acordo com a realidade de cada local, respeitando-se, assim, particularidades culturais, socioeconômicas e epidemiológicas, entre outras. Também foi observado em uma revisão sistemática previamente realizada pelo autor que era escasso o número de instrumentos de avaliação validado para a língua portuguesa. Ainda assim, a disponibilidade de instrumentos de avaliação validados representa um avanço na tentativa de mensurar e direcionar o aprendizado. Segundo Bacich e Morán (2015) as transformações no processo de ensino aprendizagem precisam acompanhar os objetivos pretendidos e dar início ao avanço dos processos mais complexos de reflexão, de integração cognitiva, de generalização e de reconstrução de novas práticas.
Estudo de relato descritivo de experiência de Afonso et al. (2018)[36]teve por objetivo relatar as experiências com educação popular em saúde (EPS) de residentes de universidades públicas paraenses a fim de os apresentar como caminho capaz de colaborar com saberes, tecnologias e metodologias para a construção de novas práticas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Foi criado um grupo de grupo de grávidas em Unidade de Saúde da Família no município de Ananindeua, Pará por intermédio de reuniões periódicas entre a equipe que elaborou um cronograma com palestras educativas e folders com informações relativas à gestação (faixa etária entre 15 e 35 anos). Sabe-se que as práticas do conhecimento empírico são muito comuns no cotidiano população da Amazônia e as metodologias ativas de educação vem permitir o diálogo, a troca de experiências, além de valorizar a gestante como parte importante e principal no processo de mudança de sua realidade. A EPS, enquanto campo teórico-metodológico e prática social, tem apresentado desafios à política pública de saúde para o avanço da democracia participativa, afirmando o SUS como garantidor do acesso às ações de saúde e essencialmente constituído por valores promotores de relações mais humanizadas [[39]].
A pesquisa de abordagem quanti-qualitativa, do tipo estudo de caso de Caracio (2018) [38]teve como objetivo analisar se o processo de formação de enfermeiros e médicos na Faculdade de Medicina de Marília (Famema) está ancorado nas premissas da Educação Interprofissional, e contribui para prática colaborativa na Atenção Primária e enfoca a formação de enfermeiras e médicos na Famema. Este estudo foi desenvolvido em três etapas: na primeira, análise documental dos projetos político- pedagógicos dos cursos de Enfermagem e Medicina da Famema, na segunda, realizou-se a aplicação do questionário Readiness Interprofessional Learning Scale, na versão adaptada para o português do Brasil e validada para estudantes de cursos de graduação e na terceira etapa foram feitas entrevistas individuais semi-estruturadas com discentes dos cursos de Enfermagem e Medicina. O estudo revelou que, na ótica dos estudantes, o processo de formação de enfermeiras e médicos na Famema apresenta-se orientado para a aprendizagem interprofissional por meio da formação ancorada em um currículo integrado, que faz uso de MA e cenários reais de prática, promovendo a autonomia do estudante no processo de construção do aprendizado.
Saraiva et al. (2018)[39] realizou um estudo de caráter exploratório e análise documental, para demonstrar a avaliação dos estudantes de Odontologia sobre a disciplina Atenção em Saúde, através de uma análise das narrativas dos portfólios avaliativos. Foram apontados pelos acadêmicos, como estratégias positivas para formação qualificada, o uso das práticas colaborativas interprofissionais e a utilização de metodologias ativas de ensino-aprendizagem, o que está de acordo com as propostas estabelecidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais de Odontologia para a formação profissional voltada para o trabalho em equipe e entendimento das reais necessidades de saúde da população. No Brasil houve um avanço maior do trabalho em equipe e da prática interprofissional na organização dos serviços e no cotidiano de trabalho dos profissionais, mas precisa avançar na educação e prática interprofissional colaborativa [Erro: Origem da referência não encontrada; [30]].
Ao realizarmos a busca na literatura por artigos que abordassem o tema das metodologias ativas na educação profissional em saúde no Brasil, observa-se uma lacuna no que diz respeito ao ensino profissional em campo, as pesquisas foram em sua maioria limitadas a estudar acadêmicos de graduação, como observado nos estudos com estudantes de medicina, de enfermagem , de um curso da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e residentes de universidades públicas paraenses [[16]; [19]; [26]; [32]; Erro: Origem da referência não encontrada; [37]; [38]]. Apenas dois estudos se ocuparam de investigar os efeitos das MA em profissionais preceptores e Agentes Comunitários em Saúde [Erro: Origem da referência não encontrada;[31]].
Nos artigos analisados as metodologias ativas que mais prevaleceram foram: a aprendizagem baseada em problemas que segundo Souza e Dourado (2015)[42], é um método inovador de aprendizagem centrado no educando que o possibilita assumir o lugar de protagonista do seu próprio aprendizado e o prepara para solucionar problemas reais ou simulados a partir do contexto que lhe é apresentado, saindo daquela prática pedagógica tradicional voltada as aulas expositivas em que o professor reproduz e transmite um conteúdo e o aluno é um mero receptor de uma metodologia de aprendizagem que é a mais comum utilizada nas instituições do Brasil observada nos estudos a cima; o portfólio que é um método de aprendizagem que fundamenta no diálogo entre os sujeitos envolvidos para que desenvolvam conhecimentos, atitudes e habilidades, contribuindo positivamente para o aprendizado, gerando troca de ideias, discussões e reflexões críticas acerca de temas abordados [[43]; [44]]. Os jogos lúdicos (jogos didáticos) que são uma tendência que vem motivar o educando a participar espontaneamente da aula proporcionando um ambiente divertido, descontraído, agradável e prazeroso [[45]]. A maioria dos artigos mostram que o uso da MA nas instituições formará estudantes mais criativos e críticos. Nos estudos observa-se que as MA foram de forma positiva de acordo com o cenário e a finalidade de cada pesquisa e que se complementavam, não teve nenhuma MA superior a outra e todas elas só fizeram enriquecer a pesquisa em ralação a metodologia pedagógica tradicional.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da realização da pesquisa qualitativa, utilizando-se da revisão da literatura de forma padronizada como investigação metodológica dos materiais publicados quanto a utilização de Metodologias Ativas na educação de profissionais da saúde atualmente, evidenciou-se um baixo número de produções relacionadas a temática, que, apesar de ser uma metodologia utilizada desde os anos 70, não se mostra muito difundida nas instituições de ensino no Brasil, inferindo prevalecer a metodologia pedagógica tradicional.
Conforme elucidado no decorrer do estudo, a MA que mais aparece como sendo utilizada é a Aprendizagem Baseada em Problemas - ABP, seguida do portfólio e de jogos lúdicos.
Usualmente, o termo MA vem ganhando cada vez mais espaço nas formas de ensino-aprendizagem nas instituições de ensino, por trazer uma concepção do aluno como protagonista em sua formação profissional e que leva em consideração suas vivências e aprendizados anteriores.
Considerando a importância da temática do "como ensinar", assim como a complexidade do ensino de adultos e em serviço, faz-se importante que conceitos sejam elucidados e que a temática seja aprimorada através da construção científica. Nesse sentido destaca-se a importância de novos estudos que refiram-se sobre Metodologias Ativas, assim como outras possibilidades para alavancar a construção do saber e a melhoria dos serviços ofertados.
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