ISSN: 2595-8402
DOI: 10.5281/zenodo.8157815
Publicado em 18 de julho de 2023
REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023
LEITURA: A IMPORTÂNCIA DA ESCOLA, PROFESSOR E FAMÍLIA NA FORMAÇÃO DO LEITOR
Marcos Vinicius Leite¹
1Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEL/UFMS), Brasil
RESUMO
A leitura é de suma importância para o desenvolvimento do senso crítico do indivíduo, ampliação do vocabulário, melhoria da escrita e o aperfeiçoamento do processo de comunicação. O presente artigo tem por escopo debater a relevância da leitura e a formação de leitores, incentivando essa prática tão importante para a formação de seres pensantes, autônomos e críticos. Salientando o papel do professor como mediador da aquisição desse hábito tão importante, a necessidade da presença da família como estimuladora da prática da leitura em seu cotidiano e a escola como espaço formador de cidadãos.
Palavras-chave: Leitura; Escola; Professor; Família.
1 INTRODUÇÃO
Quando falamos em leitura, nos vêm à mente aqueles livros enormes com enredos maçantes. O modo como a leitura nos foi apresentada causa certo repúdio ao hábito de ler, que interfere diretamente nas noções de mundo, interpretações de texto e desenvolvimento cognitivo do ser humano.
Nesse contexto, o estudante não entende que a leitura é de suma importância para seu desenvolvimento estudantil, o que torna a aprendizagem eficiente, tendo em vista que o desenvolve o vocabulário, estimula a criatividade e facilita a escrita, como se vê adiante:
Portanto a praticidade desse processo do letramento geram fatores instigantes e beneficiários para o leitor, sendo dos quais, o aperfeiçoamento da linguística falada, a própria escrita mais sofisticada, uma interação mais contundente no processo de comunicação, desta forma é de mais valia a presenta da leitura dentro do espaço escolar [10].
A importância da leitura escolar se revela cada vez mais essencial, na medida em que há necessidade de formar novos leitores, haja vista todos os benefícios acima citados, a necessidade do professor como mediador desse processo, a família com papel de estimular o aluno e a escola como espaço para esse desenvolvimento.
Almeja-se ainda traçar uma ligação entre a leitura escolar o desenvolvimento da prática da leitura no aluno. Como essa ponte é criada e fortalecida ao longo do tempo para que haja uma contribuição ao ensino da língua portuguesa e outras disciplinas, alcançando uma efetiva relação entre ensino aprendizagem, proporcionando ao aluno uma perfeita assimilação dos conteúdos ministrados.
Com a confecção deste artigo, o professor tem mais uma estratégia de trabalho, deixando de lado o modo antigo de como a leitura era realizada que tornam o estudo tedioso, fazendo com o que o discente tenha prazer em ler e se motive cada vez mais em aprender.
2 A IMPORTÂNCIA DA LEITURA
Conforme o Dicionário Aurélio estabelece, Leitura é o “Ato, arte ou hábito de ler. Aquilo que se lê. Operação de percorrer, em um meio físico, sequências de marcas codificadas que representam informações registradas e convertê-las à forma anterior (como imagens, dados)” [11]. Dessa forma, podemos definir a leitura como intepretação das informações contidas no texto (letra, imagem, dados), bem como, a reflexão acerca dos pensamentos transcritos sobre o tema.
Nessa toada, a leitura deve ser inserida na vida escolar do aluno desde as séries iniciais para que seja criado um hábito, a fim de que o estudante se desenvolva por completo. É o que vemos adiante: “O hábito de leitura é uma prática extremamente importante para desenvolver o raciocínio, o senso crítico e a capacidade de interpretação” [12].
O encanto pela leitura é algo que deve ser aflorado já na infância. Esse hábito contribui para a formação cultural de cada pessoa. Ler instiga a imaginação, proporciona o descobrimento de diferentes costumes e tradições, expande o conhecimento e amplia o vocabulário.
Outros benefícios proporcionados pela leitura é a facilidade na escrita e o estímulo à criatividade. Ler é uma prática que desperta o domínio da escrita. Assim, quem cultiva a prática da leitura escreve melhor. Quando se lê a imaginação é estimulada. Através dos livros, inventamos histórias, viajamos para muitos lugares, criamos personagens e histórias incríveis.
Ademais, a prática da leitura proporciona o acesso ao mundo globalizado, do conhecimento, através da interpretação dos signos linguísticos, assim:
“A leitura proporciona ao leitor, o contato com seu significado e conhecimento de mundo, pois a leitura de um texto possibilita várias compreensões e interpretações, e através da leitura é constituída uma prática social, em que o sujeito, ao praticar o ato de ler, se transporta no processo de produção de sentidos” [6].
Seguindo essa premissa, ler permite que a pessoa tenha senso crítico, pensando o mundo além da decifração dos códigos linguísticos. Faz com que os leitores sejam conscientes e percebam seu papel na sociedade com a finalidade de tornar cidadão que faz a diferença no mundo.
A tecnologia é uma aliada nesse processo de desenvolvimento da leitura para as pessoas. Com a cultura digital atual, o estudante tem acesso a uma gama de livros, e-books, artigos, revistas e mídias variadas com muita informação e textos para que possa adquirir conhecimento.
Cada dia mais o acesso à informação, conhecimento e cultura está acessível às pessoas. Nessa toada, a internet torna-se uma aliada na busca de diversos gêneros textuais, fazendo com que o aluno/estudante tenha aprendizado ampliado, como se vê a seguir:
“Por outro lado, a internet se configura também como uma forte parceira no ensino da leitura, visto que, através dela, é possível o contato com uma infinidade de informações, veiculadas pelos mais diversos gêneros textuais. Além disso, a agilidade e comodidade proporcionadas por ela tornar as atividades de leitura mais atrativas e menos desgastantes, como geralmente consideram os alunos” [8].
Em virtude dos fatos expostos, entende-se a o ato de ler e interpretas códigos, dados e imagens contidas no texto, proporcionando seu desenvolvimento cognitivo. Além de contribuir na construção bagagem cultural, visão de mundo e amplificação de habilidades, como: avaliação do texto, estabelecimento de sentido o texto e a visão do autor.
3 LEITURA ESCOLAR: UMA NECESSIDADE
Conforme abordado no tópico anterior, a leitura tem um papel fundamental na vida do indivíduo, uma vez que por meio dela a visão crítica de mundo é ampliada, expande horizontes para novos pensamentos, bem como, cria o pensamento autônomo no meio social.
De acordo com Lajolo:
“Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode (nem costuma) encerrar-se nela” [7].
Nesse aspecto, a escola tem uma função imprescindível no desenvolvimento do hábito da leitura, visto que é neste ambiente que o estudante passa grande parte da vida e leva para outros lugares o uso da prática literária.
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394/96), [4], estabelece em seu artigo segundo que a educação é dever do Estado e da Família, nestes termos:
“Art. 2º A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.”
Partindo de tal premissa, a escola deve estimular o desenvolvimento do gosto pela leitura e fomentar essa prática no cotidiano do indivíduo. Todavia, há alguns problemas enfrentados, como falta de livros, bibliotecas pouco equipadas, até mesmo a dificuldade de significação da leitura com o contexto social em que o estudante está inserido:
“Para a escola o grande desafio é articular os objetivos didáticos com os comunicativos que sejam significativos para os alunos e estejam em consonância com os que orientam a leitura e a escrita fora da escola” [14].
A escola é mais que um lugar de repasse de informações, estimula a capacidade de aprender e, nesse sentido, a leitura é fator primordial. Inserir o educando na cultura letrada/literária faz com que a compreensão de mundo seja ampliada e entendida como algo fundamental no desenvolvimento pessoal e intelectual.
O ambiente escolar é o primeiro espaço onde a pessoa tem contato maior com a leitura de forma autônoma e consciente. Promover espaços e ambientes propícios para essa prática é dever da escola, faz com que o aluno entenda a importância da leitura.
“A escola antes de ser somente um local para ensinar, deve ser o palco de muito acolhimento, observação, atenção, criatividade, de lazer, de momentos onde a vivências possam transformar-se em saber, de respeito a si e ao outro, um desafiar o saber e um saber desafiar o desafio, um inovar com sensatez” [2].
O ato de ler na escola é um incentivo à busca da leitura. Para o desenvolvimento das habilidades de escrita e interpretação a leitura assume um papel preponderante. Assim, a escola tem a responsabilidade de propiciar condições de acesso à prática literária.
Convém mencionar, que ler é essencial no aprendizado, fortalecimento de ideias e auxiliando no rendimento escolar nas disciplinas estudadas, conforme se vê na citação a seguir:
“[...] a escola é o lugar onde a maioria aprende a ler e escrever, e muitos têm sua talvez única oportunidade de contato com os livros, estes passam a ser identificados como os manuais escolares. Esses textos condensados, supostamente dirigíveis, dão a ilusão de tornar seus usuários aptos a conhecer, apreciar e até ensinar as mais diferentes disciplinas” [9].
Assim, um dos maiores desafios da leitura na escola é torná-la prazerosa e relacionar com a vivência social do aluno. Entretanto, não deve ser empecilho para que a prática da leitura acontece no ambiente escolar. Desse modo, o espaço escolar precisa ser acolhedor, propício para a criação do hábito de ler, descobrindo o prazer pelo conhecimento, desenvolvendo o processo criativo e imaginativo.
4 PROFESSOR, FAMÍLIA E ESCOLA: COMO ELES PODEM COLABORAR PARA O HÁBITO DA LEITURA?
De acordo com o estabelecido no item anterior, a escola deve ser o espaço propício para a criação do hábito da leitura. Entretanto, não é apenas da escola tal dever. A escola, professor e a família precisam trabalhar juntos para a efetivação de um ambiente de leitura.
A Constituição Federal, em seu artigo 227, estabelece:
“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão [5]”.
Na mesma linha, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), [3], em seu artigo 4º, dispõe:
“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público, assegurar com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à dignidade, ao respeito, à liberdade e a convivência familiar e comunitária.”
O professor é considerado o mediador entre o aluno e o conhecimento. É o estimulador do ato de ler, levando os estudantes a refletirem sobre o contexto do mundo, oportunizando, assim, a formação de seres pensantes. Vejamos:
“Considerando que a leitura é capaz de transformar a vida do indivíduo, cabe ao professor, principal mediador do conhecimento, instigar o aluno na prática da leitura, levando o mesmo a atribuir significados aos textos lidos e este venha tornar-se um adulto leitor” [14].
Vale ressaltar, ainda, que o professor precisa conhecer o gosto do aluno, todavia, deve apresentar os diversos gêneros textuais para que seu aluno tenha uma visão global do mundo da leitura, realçando sua importância na vida escolar e acadêmica.
Ao mestre incumbe o papel de fazer com que seus educandos venham a gostar de ler, independente do local que estejam inseridos. Assim, como facilitador dessa prática, é imprescindível que desperte o prazer literário nos alunos, destacando a necessidade do desenvolvimento intelectual que a leitura proporciona, contribuindo para a criação de uma sociedade leitora.
RITTER e SCHMITZ [1], estabelecem que “cabe ao mestre fazer com que seus alunos possam vir a gostar de ler desde os primeiros momentos que estiverem frequentando uma escola”.
À escola incumbe o dever oferecer um espaço estimulante ao momento da leitura, capaz de tornar este momento prazeroso. Ao professor compete a facilitação e mediação do ato de ler, bem como, despertar o amor pelo hábito de ler, oportunizando uma ampliação de horizontes, visão de mundo, fomentando no indivíduo a importância de ser um cidadão consciente.
Contudo, não é um papel somente da escola e do professor. A família deve colaborar, é essencial no processo de leitura do estudante, uma vez que ela é o primeiro contato a criança com um ambiente social, antes mesmo da escola. Assim:
“...a família como espaço de orientação, construção da identidade de um indivíduo deve promover o ato de ler para que, ao ser incorporado nas mediações domésticas, construa o gosto pela leitura” [15].
Muitas vezes, a prática da leitura é vista como algo desestimulante, rígido, obrigatório e sem importância, uma vez que geralmente é realizada no ambiente escolar onde é feita como algo que o professor requisita a fim de realizar algum trabalho ou prova no sentido de atribuir uma nota ou aplicar uma avaliação.
Nesse contexto, o ambiente familiar é mais despojado, tendo e vista que não há essa cobrança do campo estudantil. Assim, a leitura realizada no seio familiar é mais leve, descontraída, criando um vínculo estreito entre pais e filhos [13]:
Dentro do seio familiar a leitura é mais leve, prazerosa, criando um vínculo maior entre pais e filhos, num primeiro momento com a observação das ilustrações dos livros lidos pelos pais, com a audição de cantigas de ninar, de histórias para dormir, até que a criança se sinta com vontade de retribuir e contar ou ler suas próprias histórias.
A formação do leitor precisa começar na família, que é a primeira célula social que o indivíduo está inserido. Os pais são os primeiros estimuladores do processo de formação do leitor, gerando um lugar lúdico de criação da imaginação, desde histórias em quadrinhos, revistas até mesmo livro de receitas. VIEIRA (2013), [15], declara que “a família é base para o trabalho educacional e consequentemente da leitura, pois no ambiente familiar à leitura é vista e apresentada de diversos modos.”
A efetivação da formação do leitor é uma força tarefa que deve ser executada pela tríade: família, professor e escola, sendo um conjunto de ações que somadas transformam a realidade do indivíduo, cria seres pensantes, estimula a criatividade e a imaginação, bem como, oportuniza o desenvolvimento cognitivo do sujeito.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este trabalho foi de extrema importância, sendo que se trata de ser um tema de enorme seriedade e relevância. A estimulação da leitura é problema que aflige a educação e é um tema que deve ser discutido.
O tema abordado nesta obra mostrou a necessidade de um debate acerca da formação do leitor, bem como a relação mais próxima dos textos lidos com o meio social em que a pessoa está inserida.
Quebrou-se aqui o paradigma que a leitura é papel do professor ou mesmo da escola, mas deve ser um conjunto de ações contínuas iniciadas na família, estimuladas pelo professor e oportunizada pela escola.
O assunto/tema possui grande relevância ao tratar a leitura e a formação do leitor de forma tão incisiva. Relatar a importância do hábito da leitura, mostrando que esse exercício de ler faz-se cada vez mais necessário, é fundamental para conscientização da sociedade cada vez mais crítica, sabendo seu papel no meio social.
Promover um debate acerca da temática social é preponderante para trazer a todos um olhar reflexivo, ocasionando uma mudança de ótica acerca do tema que se aborda. Família, professor e escola devem andar de mãos dadas na formação do leitor, estender esse hábito para outros ambientes além das fronteiras escolares.
A produção deste trabalho foi fundamental na quebra de modelos sociais acerca da leitura, tendo em vista que a literatura além de textos, busca trazer ao público reflexão acerca dos problemas que muitas vezes não abrangemos, mas que ao ler um texto há uma mudança de visão, o que acarreta mudança de atitude.
7 PERFIL DO AUTOR (Opcional )
Marcos Vinicius Leite. Graduação em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Pós-Graduado em Educação Inclusiva e Especial pela FAVENI. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagens, pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (PPGEL/UFMS).
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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