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ISSN: 2595-8402

Journal DOI: 10.61411/rsc31879

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 7, NÚMERO 1, ANO 2024
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ARTIGO ORIGINAL

Redes sociais e os impactos na formação da identidade dos adolescentes

Rodrigo de Freitas Souza1; Alessandra Tozatto2

 

Como Citar:

SOUZA, Rodrigo de Freitas; TOZATTO, Alessandra. Redes sociais e os impactos na formação da identidade dos adolescentes. Revista Sociedade Científica, vol.7, n. 1, p.5279-5294. 2024

https://doi.org/10.61411/rsc202479317

 

DOI: 10.61411/rsc202479317

 

Área do conhecimento: Ciências Humanas

 

Sub-área: Psicologia.

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Palavras-chaves: ​​ Redes sociais; Adolescência; Padrões de beleza; Identidade; Autoestima

 

Publicado: 10 de novembro de 2024.

Resumo

O presente estudo investiga o papel das redes sociais na formação da identidade adolescente, um tema crucial na sociedade contemporânea. Ao analisar as particularidades das redes sociais e o comportamento dos jovens nas plataformas digitais, o artigo busca desvendar como os padrões de beleza e os ideais de corpo que são diferentes ao longo do tempo e atualmente são difundidos nas redes sociais, influenciam a autopercepção, a autoestima e a imagem corporal dos adolescentes. A pesquisa também explora os desafios enfrentados por essa geração ao construir uma identidade autêntica em um contexto marcado pela busca constante por validação social e pela idealização de corpos e estilos de vida. Para a pesquisa foram selecionados artigos em bases de dados como Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Repositório Universitário da Ânima (Runa) e Biblioteca Digital do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), sites e revistas on-line, além de documentos oficiais e autores que são referência no tema desenvolvimento humano. Mediante a produção do artigo, pode-se analisar os benefícios e malefícios da utilização das redes e mídias sociais e seus impactos na construção da identidade do ser.

 

 

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Social networks and their impact on the formation of adolescents’ identity

Abstract

This study investigates the role of social networks in the formation of adolescent identity, a crucial topic in contemporary society. By analyzing the particularities of social networks and the behavior of young people on digital platforms, the article seeks to uncover how beauty standards and body ideals, widely disseminated on social networks, influence the self-perception, self-esteem and body image of adolescents. The research also explores the challenges faced by this generation in building an authentic identity in a context marked by the constant search for social validation and the idealization of bodies and lifestyles. For the research, articles were selected from databases such as Google Scholar, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Electronic Journals in Psychology (PePSIC), Repositório Universitário da Ânima (Runa) and Biblioteca Digital do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), websites and online magazines, as well as official documents and authors who are references in the subject of human development.

Keywords: ​​ Social networks. Adolescence. Identity. Self-esteem. 

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1.Introdução

As redes sociais, que sem dúvida, foram umas das mais revolucionárias e relevantes criações do século XXI, proporcionam inúmeros impactos e desdobramentos na sociedade, sendo, portanto, de suma importância a discussão de seu uso na sociedade globalizada e sua influência no meio coletivo, uma vez que elas são responsáveis pela troca de informações e comunicação entre as pessoas no ambiente digital e também na formação da identidade dos indivíduos.

Devido às preocupações excessivas que os adolescentes têm com sua imagem, observa-se, entre eles, que o excesso de selfies tiradas com filtros contribuem para que os mesmos percam o contato com a realidade, construindo a expectativa de que precisam ser perfeitos e arranjados (Silva, Japur e Penaforte; 2020) [14].

Segundo Papalia e Martorell (2022) [9], a adolescência, período marcado por intensas transformações físicas, psicológicas e sociais, além de estabelecimento de valores, é crucial para a construção da identidade do indivíduo, incluindo aspectos como autoimagem, autoestima e imagem corporal. As autoras ainda afirmam que a constituição da identidade é um juízo do self, formada por valores, princípios e crenças, muitas vezes, podendo ser caracterizado pelo conflito da autonomia, independência e identidade própria.

Cabe salientar que a relação que um ser humano tem com o próprio corpo é uma construção, a qual compreende não só fatores físicos, mas também questões socioculturais e históricas, que vão se modificando. Por esse motivo, na sociedade, de uma forma geral, o conceito de beleza não é definitivo, sempre se molda e se modifica mediante o passar do tempo.

De acordo com Lopes e Souza (2018, p. 87) [7]: “o conceito de belo é dinâmico ao longo do tempo, assim como nas concepções teóricas e filosóficas que o permeiam. A relação entre ele e a saúde, por vezes, é confundida, haja vista que nem sempre o que é belo costuma a ser sadio e vice-versa”. A partir desse pensamento é possível compreender que o conceito de beleza não é algo estático e se transforma ao longo do tempo e de acordo com as eras históricas.

Cada vez mais na sociedade, se discute a construção da identidade do ser humano, e no presente artigo desenvolvido a ênfase será o período da adolescência. Questões ligadas à autoestima, autoimagem e imagem corporal têm tido expressivo destaque em pesquisas e estudos de variados campos, a fim de proporcionar uma melhor compreensão do indivíduo. (Spamer e Carvalho, 2022) [18]. É de extrema importância reconhecer as particularidades dessas temáticas, pois elas se apresentam como cruciais na constituição da identidade do ser humano, processo fortemente impactado pelo uso das redes e mídias sociais.

Dessa maneira, o presente artigo buscou compreender os impactos das redes sociais na formação da identidade dos adolescentes. Quanto aos objetivos específicos, pretendeu-se: apresentar as características das redes e mídias sociais; descrever características dos adolescentes que utilizam as redes e mídias sociais; investigar a evolução dos padrões de beleza e identificar a relação entre as redes sociais e a formação da identidade dos adolescentes (autoestima. autoimagem e imagem corporal).

A internet oferece uma maneira de comunicação rápida e ampla, ocorrendo principalmente por meio das redes sociais, ferramentas amplamente utilizadas por adolescentes em todo o mundo. De acordo com Barros (2022) [2], segundo uma pesquisa desenvolvida pela TIC Kids Online Brasil 2021, cerca de 78% das crianças e adolescentes, que estavam conectados na internet, usaram as redes sociais em 2021. Esses dados revelam o expressivo uso das redes sociais pelo público adolescente, o que mostra uma preocupação de âmbito social e saúde mental, sendo necessário intervenções com tal público.

Diante das informações apresentadas, este artigo se justifica pela necessidade de investigar como as redes sociais influenciam na percepção de si, na autoestima e na imagem corporal dos adolescentes, contribuindo para o entendimento dos impactos dessas ferramentas na construção de sua identidade e oferecendo insights para lidar com os desafios decorrentes dessa interação cada vez mais presente.

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2.Metodologia

Para alcançar os objetivos propostos, foi realizada uma revisão narrativa de literatura com abordagem qualitativa. Esse método permite uma descrição abrangente do assunto sem esgotar as fontes de informação, uma vez que não é realizado por meio da busca e análise sistemática de dados. Sua relevância reside, portanto, na capacidade de proporcionar uma atualização rápida dos estudos sobre o tema (Cavalcante; Oliveira, 2020) [5].

Foram utilizados trabalhos obtidos a partir da busca em bases de dados acadêmicas, como artigos do Google Acadêmico, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Periódicos Eletrônicos em Psicologia (PePSIC), Repositório Universitário da Ânima (Runa) e Biblioteca Digital do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), abrangendo também TCC e dissertações sobre o tema das redes sociais e sua influência na formação da identidade dos adolescentes sites e revistas on-line, além de documentos oficiais e autores que são referência no tema desenvolvimento humano. Os materiais consultados estão entre os anos de 2018 a 2024.

A respeito dos descritores utilizados, destacam-se: “redes sociais”, “adolescência”, ‘padrões de beleza’’, “identidade” e “autoestima’’. Assim, foram considerados estudos que abordam a relação entre as redes sociais e a formação da identidade dos adolescentes, bem como suas consequências para a saúde mental e emocional desses indivíduos e seus impactos nas interações sociais.

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3.Desenvolvimento e discussão

3.1 Redes sociais

O século XXI permitiu a tecnologia a ser um auxiliar nas relações sociais e na comunicação dentro da sociedade, seja por ligações, seja por e-mails e redes sociais, algo impensável de se viver na atualidade (Souza e Cunha, 2019) [17]. Sem dúvida, a invenção das redes sociais foi uma das mais revolucionárias e relevantes do século XXI e seus impactos podem ser observados em diversos âmbitos da sociedade.

Segundo Silva (2020, p. 79) [15]: “o uso de redes sociais e sua influência são um fenômeno relativamente recente e alvo de estudos de várias áreas do conhecimento para compreender os efeitos à sua exposição em diferentes populações”. Ou seja, a utilização de redes sociais é algo muito recente na sociedade do século XXI, de forma que estudos de várias áreas, tais como tecnologia e psicologia são realizados para verificar os efeitos de sua influência. ​​ 

Para Taboga e Santos Junior (2021, p. 87) [19]: “uma das principais plataformas midiáticas são as redes sociais online que proporcionam troca de informações e comunicação entre seus usuários’’. Como benefícios e a importância que as redes sociais trazem à coletividade, podem ser destacados: a veiculação de comunicação; o envio de mensagens; e postagens do cotidiano - fotos, vídeos, opiniões, hábitos e estilo de vida. Além disso, as redes sociais se caracterizam também como fontes de divulgação de padrões de beleza, por meio de postagens do Instagram e Facebook, e não menos importante, são aplicativos que geram entretenimento como TikTok, Kwai e Youtube.

Aplicativos como TikTok e Kwai, que contém vídeos curtos, levam os usuários a sentir prazer e satisfação de forma imediata, o que ocasiona a concentração total no uso das mídias sociais citadas, dificultando a realização de tarefas mais complexas e que não possibilitam um prazer a curto prazo e imediato O sentimento de prazer e satisfação causados pelo uso das redes é devido a liberação de dopamina em áreas do cérebro, com o auxílio da própria funcionalidade dos aplicativos, tais como: vídeos em tela cheia, ocasionando menores distrações e maiores experiências imersivas e os gestos simples e repetitivos de arrastar pra cima, cujo poder dessa função é a trivialidade (Saldanha, 2023) [12].

De acordo com a Pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, feita através de entrevistas presenciais com 2.424 crianças e adolescentes e 2.424 pais e responsáveis no período entre março e agosto de 2024, constatou-se que 83% de crianças e adolescentes no Brasil fazem uso de redes sociais como WhatsApp, Instagram, TikTok e Youtube (Mozelli, 2024) [11]. Os efeitos do uso excessivo de tempo de tela (Screen Time) são cada vez mais graves no público infantil e adolescente, aumentando os casos de hiperatividade, ansiedade, problemas sociais, sedentarismo, obesidade e não menos importante, impactados na autoestima desses indivíduos. Diante disso, a saúde, a interação social e o próprio comportamento da criança e dos adolescentes usuários de telas e redes sociais encontram-se comprometidos (Souza; Marques; Reuter, 2020) [16].

Redes como o Instagram e Facebook são canais que mobilizam os seres a ter uma posição subjetiva em relação ao Outro, no qual abre margem para que possa ocorrer disputas por visualizações e likes, passando assim a reger os laços que se organizam em torno da imagem, da exibição e da solicitação do olhar (Gomes; Pedrosa Filho; Teixeira, 2021) [6]. Pode-se compreender que os adolescentes se preocupam demasiadamente com a imagem e a forma que se exibem nas redes sociais e, consequentemente, na opinião e julgamento alheios, o que se traduz em uma problemática dos tempos atuais, de tal forma que estão na maioria das vezes tentando agradar o próximo, deixando de viver a sua “verdade’’.

Além disso, observa-se entre a população adolescente, que as selfies tiradas com filtros contribuem para que os indivíduos percam o contato com a realidade, construindo a expectativa de que precisam ser perfeitos e arranjados (Silva; Japur e Penaforte, 2020) [14]. Essa busca pela perfeição pode contribuir muitas vezes com a perda de identidade do indivíduo, motivada pela falsa sensação de felicidade que uma simples postagem na rede pode ocasionar ao visualizar tal publicação.

Por meio dos filtros e das variadas ferramentas alcançadas pela tecnologia, o público adolescente pode ser levado a perder certa noção da realidade, já que a “perfeição’’ física e psicológica fica ao alcance de todos, o que pode causar em uma busca por validação nas redes sobre a própria imagem (Aguiar; Ferreira, 2022) [1]. Em decorrência disso, transtornos relacionados à imagem corporal, autoestima e autoimagem podem surgir, atrelados também à ansiedade, depressão e aos transtornos alimentares.

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3.2Adolescência

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde (MS) definem a adolescência como a faixa etária que vai dos 10 aos 19 anos (Brasil, 2023) [4]. Enquanto isso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define o mesmo período entre 12 e 18 anos (Brasil, 1990) [3]. Apesar das idades diferentes em cada órgão referido, os comportamentos, características físicas, psicológicas, sociais e as subjetividades dos adolescentes permanecem os mesmos.

A adolescência é um período do desenvolvimento humano no qual o ser humano tem muitas características e comportamentos advindos da infância, porém com um certo amadurecimento e mudanças bruscas nos mais variados campos vitais. Nessa fase, ocorre a continuação da formação de identidade, autoimagem, imagem corporal, percepção da autoestima, múltiplos relacionamentos interpessoais, estabelecimento de valores, papéis sociais, etc. (Papalia e Martorell, 2022) [9].

Papalia e Martorell (2022) [9] indicam que a constituição da identidade é um juízo do self, formada por valores, princípios e crenças, muitas vezes, podendo ser caracterizado pelo conflito da autonomia, independência e identidade própria. Dessa forma, as mudanças sofridas no período referido, tais como a perda do corpo de criança e a reestruturação corporal (puberdade), podem levar o adolescente que se encontra vulnerável pelas tantas transformações que estão ocorrendo em si a ter um sofrimento pela busca de aceitação na sociedade, a qual é dada por meio das experiências cotidianas que o indivíduo se reconhece e que da mesma forma é reconhecido (Piati et al., 2023) [10]. Além disso, podemos observar nos adolescentes um enfrentamento de muitos desafios e limites, quebras com as regras preestabelecidas e sentimento de poder ilimitado (Moraes; Weinmann; Sippert, 2021) [8].

Os padrões de beleza que surgem por meio da mídia são rapidamente internalizados pelos adolescentes, muitas vezes ocorrendo por certa imaturidade emocional, o que guiam seus comportamentos e ocasiona o aumento da insatisfação com seus corpos, além de ser observados comportamentos de diminuição da autoestima e alterações na saúde psíquica. Durante o período da adolescência, há transformações bruscas nas emoções, no psiquismo, nos comportamentos e no físico, graças ao processo denominado puberdade, no qual ocorrem mudanças biológicas e fisiológicas no corpo da criança que passa a se tornar um adolescente (Aguiar e Ferreira, 2022) [1].

Conforme Tozatto (2018) [20] diz: “os desequilíbrios, as crises e instabilidades pelos quais os jovens ou adolescentes passam revelam a naturalização e a universalização desse período’’. De acordo com o pensamento da autora, compreende-se que os adolescentes possuem características únicas e que indicam muitas vezes uma confusão na própria identidade, o que é algo extremamente natural e verificado nessa fase do desenvolvimento humano. 

Para Aguiar e Ferreira (2022) [1]: “o mundo encontra-se em um avanço tecnológico e os adolescentes são os mais próximos desse meio tecnológico e informativo’’. Assim, os adolescentes são uma parcela da população excessivamente vulnerável, pelo fato de seus pensamentos e crenças muitas vezes não estarem enraizados, e com isso tendem a sofrer com as influências das mídias e redes sociais e com a opinião alheia.

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3.3Padrões de beleza

A relação que um ser humano tem com o corpo é de construção, que para além das questões físicas, é perpassada por fatores socioculturais, históricos e ambientais. Alterações significativas são observadas ao longo dos anos (Taboga; Santos Junior, 2021) [9]. Considerando essa situação, o conceito de beleza estabelecido pela sociedade não continua o mesmo, sendo alterado com o passar dos tempos. Essa afirmação dialoga com a ideia de Lopes e Souza (2018) [7], ao dizerem que existe dinamicidade no conceito de belo.

Conforme esse pensamento, é possível compreender que o conceito de beleza não é algo estático e se transforma ao passar dos tempos e eras históricas. Como exemplos, podem ser mencionados o período da Antiguidade, no qual o corpo era sinal de glorificação e pertencia ao Estado; Idade Média, época no qual o corpo humano era fonte de pecado e prazer; Modernidade, simbolizando equilíbrio. Já nos dias atuais, cujo período histórico é caracterizado como Contemporaneidade, o corpo é visto como um espaço de idealização e de múltiplos olhares, buscando um padrão que a internet, mídias e redes sociais estabelece. Na sociedade atual, os indivíduos buscam cada vez mais meios não saudáveis para alcançarem corpos belos, o que ao invés de trazer benefícios para suas realidades, impacta negativamente na sua qualidade de vida (Lopes; Souza, 2018) [7].

Para Silva, Japur e Penaforte (2020) [14], pelo fato de o corpo ser uma construção social, os atributos nos quais precisa-se fazer parte para ser considerado “bonito’’, são, em certo alcance, moldados pelos ideais do corpo e padrões de belezas ditados pela coletividade, sendo dinâmicos e variando nos múltiplos contextos. Os fatores sociais estão muito ligados à insatisfação com o corpo, com ênfase para a influência midiática (que se relaciona intima e diretamente com as redes sociais), tida como um dos principais fatores para tal insatisfação.

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3.4Autoestima, autoimagem e imagem corporal

Conforme Spamer e Carvalho (2022) [18] salientam, a autoestima, autoimagem e imagem corporal estão influenciando fortemente a qualidade de vida dos adolescentes. Por isso, é extremamente importante conhecer as particularidades desses termos, pois eles se apresentam na constituição da identidade do ser humano, que sofre diversos impactos pelo uso das redes sociais.

Segundo Spamer e Carvalho (2022) [18], a autoestima liga-se aos sentimentos de autorrejeição e autoaceitação, o que influencia na confiança de si, nos relacionamentos entre pessoas, no desenvolvimento interpessoal e na saúde psíquica. Essa característica da personalidade, quando se encontra em baixa no indivíduo, pode impactar de forma extremamente negativa, provocando sentimentos de desvalia, ansiedade, depressão, problemas alimentares, distorções de imagem e vícios. Em suma, o que se espera em uma pessoa é que a autoestima se encontre em equilíbrio, já que esta possui altos e baixos, e quando a mesma se encontra de uma forma ordenada, a possibilidade de ocorrer comparação com outros usuários das redes sociais se torna menor.

Por sua vez, a autoimagem é dada por meio da autopercepção e como o contexto em que está inserida impacta nos sentimentos, podendo afetar na autoestima, nos relacionamentos interpessoais, ou até mesmo nos comportamentos pessoais (Aguiar; Ferreira, 2022) [1]. O referido termo pode ser identificado como a visão e o olhar que temos para nosso corpo, como também os pensamentos e sentimentos advindos dessa detalhada observação. Para além disso, a autoimagem, sendo moldada pelas experiências pessoais de cada indivíduo, faz parte da essência do ser e delimita as habilidades individuais. Em decorrência do uso e grande exposição nas redes sociais, a autoimagem do indivíduo pode sofrer alterações, muitas vezes sendo moldado para fazer parte de um padrão delineado pelas redes sociais (Spamer; Carvalho, 2022) [18].

Esses dois conceitos, que tratam diretamente de parte da formação de identidade do ser humano, relacionam-se diretamente com a imagem corporal, muito trabalhada na contemporaneidade. É válido ressaltar que as redes sociais têm grande impacto na imagem corporal dos indivíduos, que segundo Sena et al. (2019) [13], “é uma construção multifatorial que abrange a autopercepção do tamanho e do formato corporal, com destaque para a satisfação subjetiva com o tamanho dos corpos’’. De acordo com os mesmos autores, seria também o conjunto de imagens ou ideias que o ser humano utiliza para pensar o seu corpo ao longo da vida. Na sociedade atual, se faz presente uma sedução narcísica de verdadeira perseguição pela satisfação com a aparência corporal e com a imagem corporal, que traz inúmeras consequências para o ser humano, tais como distúrbios alimentares e distorção de imagem.

Os referidos conceitos desenvolvidos acima são diretamente impactados com o uso das redes e mídias sociais, que são apresentados na internet, levando o indivíduo a ter problemas na constituição de sua autoestima, autoimagem a imagem corporal. É válido destacar que há muitas alterações psíquicas, pois, o ser humano passa a apresentar grande dificuldade em lidar com as próprias emoções, levando consequentemente ao acometimento de ansiedade, depressão e alguns vícios, podendo ocasionar também distúrbios alimentares e empecilhos no próprio crescimento regular do corpo. (Taboga e Santos Junior, 2021) [9].

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4.Considerações finais

A partir do presente artigo, realizado por meio de revisão bibliográfica, foi possível compreender e, dessa forma, concluir, que as redes e mídias sociais presentes no século XXI são essenciais na vida do ser humano. Diante disso, podem ser encontrados benefícios, como desenvolvimento de comunicação em massa e geração de entretenimento, e malefícios, como o uso excessivo, a divulgação de padrões de beleza, a falsa ‘’felicidade’’ divulgada através das postagens, que comprometem demasiadamente na constituição da identidade do ser humano.

​​ Através da produção do mesmo artigo, pode-se levantar informações cruciais sobre a adolescência, período marcado pela puberdade e pela preocupação com a validação do outro e atingir o padrão que a sociedade espera. Além disso, pôde-se entender que os padrões de beleza presentes na sociedade não são estáticos, e que se moldam a cada realidade e tempo histórico. Não menos importante, foi salientado as características de alguns aspectos formadores da identidade do ser humano, como a autoestima, a autoimagem e a imagem corporal, que se interligam entre si. Com a influência das redes e mídias sociais, problemas como ansiedade, depressão, baixa autoestima, transtornos alimentares e distorções corporais podem aparecer.

Diante das informações citadas, surge a necessidade de que medidas sejam tomadas, por meio de intervenções de vários campos, a fim de propiciar o cuidado da saúde mental dos adolescentes, sejam brasileiros, sejam estrangeiros, que se encontram cada vez mais tecnológicos e, como consequência, com vários acometimentos em sua autoestima, autoimagem e imagem corporal, aspectos esses que estruturam parte da identidade do ser humano.

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5.Declaração de direitos

 O(s)/A(s) autor(s)/autora(s) declara(m) ser detentores dos direitos autorais da presente obra, que o artigo não foi publicado anteriormente e que não está sendo considerado por outra(o) Revista/Journal. Declara(m) que as imagens e textos publicados são de responsabilidade do(s) autor(s), e não possuem direitos autorais reservados à terceiros. Textos e/ou imagens de terceiros são devidamente citados ou devidamente autorizados com concessão de direitos para publicação quando necessário. Declara(m) respeitar os direitos de terceiros e de Instituições públicas e privadas. Declara(m) não cometer plágio ou auto plágio e não ter considerado/gerado conteúdos falsos e que a obra é original e de responsabilidade dos autores.

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6.Referências

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  • Taboga, Ana Laura Vilamaior; Santos Junior, Randolfo dos. Influência de redes sociais na saúde mental e autoimagem de adolescentes. Psicologia, Educação e Cultura, [s. l], v. 25, n. 1, p. 20-30, maio 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/353017326_INFLUENCIA_DE_REDES_SOCIAIS_NA_SAUDE_MENTAL_E_AUTOIMAGEM_DE_ADOLESCENTES. Acesso em: 23 set. 2024

  • Tozatto, Alessandra. Grupos de encontro no Instituto Federal Fluminense Campus Itaperuna: (des) construindo conceitos. 2018. 127 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Ensino, Universidade Federal Fluminense Instituto do Noroeste Fluminense de Educação Superior, Santo Antônio de Pádua, 2018. Disponível em: https://oasisbr.ibict.br/vufind/Record/UFF-2_fea3b5db6c0c0e50450a89285d7e769e. Acesso em: 23 set. 2024.

1

Discente no Centro Universitário Redentor/Afya, Itaperuna-RJ, Brasil.

2

Docente no Centro Universitário Redentor/Afya, Itaperuna-RJ, Brasil.


 

 

 


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