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ISSN: 2595-8402

DOI: 10.61411/rsc66925

Publicado em 22 de dezembro de 2023

REVISTA SOCIEDADE CIENTÍFICA, VOLUME 6, NÚMERO 1, ANO 2023

 

PROMOÇÃO DA SAÚDE NO CONTEXTO DAS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS: PROJETO DE EXTENSÃO

 

Moara Ludmila Rosa Lima1, Diego de Oliveira Pereira2, Bruno Henrique Nunes Mendonça3, Lívia Lopes Ferreira4, Kathia Filomena de Carvalho5, Jerusa de Roma Gonçalves Veloso e Souza6, Juliana Caetano de Miranda7, Ana Cristina Soares Ferreira8, Priscila Castro Cordeiro Fernandes9

 

1;2;3;4;5;6;7;8;9Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Brasil

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RESUMO

As Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) são foco de preocupação mundial, sendo um grave problema de saúde pública. No Brasil, destacamos a Hipertensão Arterial Sistêmica e a Diabetes como doenças de incidência relevante na população, que podem levar a outras complicações de saúde. A formação de profissionais de saúde no manejo destas doenças, com enfoque em ações preventivas e de promoção da saúde se torna prioritário dentro da realidade dos serviços de saúde. O profissional enfermeiro, que no âmbito da atenção primaria em saúde é responsável pelo estabelecimento de vínculo e acolhimento junto ao usuário do serviço de saúde, possibilita o processo de detecção precoce das DCNT. A formação acadêmica do futuro enfermeiro deve estimular atividades de contato direto com a população, para vivência de atividades de promoção da saúde, proporcionando ao discente melhor desenvolvimento do seu pensamento clínico por meio de ações de orientação em saúde. O manejo das DCNT desde as atividades de prevenção, rastreamento, promoção e orientações a saúde é fundamental para a melhoria do cenário da situação de saúde relacionada a estas doenças. Projetos de extensão universitária podem contribuir para uma experiência exitosa dentro deste contexto.

Palavras-chaves: Doenças Crônicas não Transmissíveis, Estudante de Enfermagem, Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes.

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1.INTRODUÇÃO

O Brasil é um país com desigualdades sociais, econômicas e territoriais notáveis, evidenciadas pelo padrão de vida de cada habitante no que tange ao acesso a serviços básicos, como por exemplo, à saúde. No país, o Sistema Único de Saúde (SUS) detém a saúde pública e é garantidor da universalidade, equidade e integralidade para cada usuário nos níveis da atenção primária, secundária e terciária. Se temos um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, por que as Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) são tão presentes no cotidiano de vida da população brasileira? [1]

Segundo o Ministério da Saúde, as DCNT são definidas por: “doenças cardiovasculares, cânceres, diabetes e doenças respiratórias crônicas. Ligadas a vários fatores que envolvem as condições de vida dos sujeitos, determinados pelo acesso a: bens e serviços públicos, garantia de direitos, informação, emprego e renda”. [2]

As DCNT configuram-se como as principais causas de mortalidade mundial, caracterizando-se como uma ameaça global. ​​ Diante das mortes prematuras, incapacidades, internações e tratamentos, as DCNT geram um impacto financeiro para as pessoas, famílias, comunidades, e sobretudo para o governo. Constituindo um dos principais desafios de saúde pública global devido à sua expressiva contribuição para a morbidade e mortalidade mundial. [3] [4]

A Diabetes e a Hipertensão Arterial Sistêmica destacam-se entre as DCNT mais prevalentes, com uma conexão direta com o estilo de vida, dieta inadequada e inatividade física. Nesse contexto, o papel prioritário desempenhado pela atenção básica à saúde torna-se incontestável, uma vez que esta desempenha um papel fundamental no rastreamento e orientação dessas condições, impactando diretamente na prevenção, detecção precoce e manejo eficaz destas doenças.

É importante que na formação do profissional enfermeiro haja preparo adequado para desenvolvimento das ações de prevenção e promoção da saúde. A inserção do acadêmico em atividades no nível primário de atenção à saúde auxilia no desenvolvimento do pensamento crítico e clínico dos sujeitos, promovendo o cuidado integral. Projetos de extensão universitária podem auxiliar na melhor assimilação entre teoria e prática, além disso, nestes projetos o tempo de contato entre discentes e pacientes é maior, possibilitando maior vínculo e maior capacidade de análise de cada caso.

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2METODOLOGIA

Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo com abordagem qualitativa. O estudo contempla a experiência dos discentes de um projeto de extensão universitária no período de 2022.2 a 2023.1. Os acadêmicos que participaram do projeto de extensão atuaram às sextas-feiras, sábados e domingos em atividades comunitárias promovidas pelas Igrejas Católicas e Pastorais da cidade de Uberlândia, Minas Gerias, supervisionados por uma docente Enfermeira, com carga horária de 4 a 5 horas diárias. As atividades desenvolvidas contemplavam: aferição de pressão arterial, aferição de glicemia capilar e orientações em saúde, sensibilizando o público atendido para ações de prevenção e promoção da saúde.

O projeto integrou 21 alunos e um total de 680 pessoas atendidas com os principais objetivos de: promover o contato do discente com a prática clínica, incentivando o pensamento crítico, abordagem humanizada, comunicação assertiva, escuta qualificada e postura ética.

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3DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): “as DCNT foram responsáveis por cerca de 70% das mortes ocorridas globalmente em 2019. No Brasil, as DCNT foram responsáveis, em 2019, por 41,8% do total de mortes ocorridas entre 30 e 69 anos de idade”. [5]

As DCNT, a exemplo Diabetes e Hipertensão Arterial Sistêmica, configuram-se como desafios notáveis para a saúde pública. A atenção básica à saúde exerce um papel central no rastreamento e orientação destas condições, contribuindo para a prevenção, diagnóstico precoce e controle eficaz. Torna-se fundamental que os profissionais de saúde estejam capacitados para conduzir um rastreamento adequado, interpretar os resultados e fornecer orientações claras no que diz respeito à prevenção e tratamento.

Dentro do contexto da atenção básica à saúde, se faz importante realizar estas ações de rastreamento para identificar indivíduos em risco de desenvolver Diabetes ou que já apresentem alterações nos níveis de glicose no sangue. O rastreamento pode ser conduzido através de testes de glicemia capilar, que são procedimentos simples, ágeis e de baixo custo.

Além da Diabetes, a Hipertensão Arterial surge como outra doença crônica de significativa relevância para a saúde pública. Caracterizada pelo aumento da pressão arterial, a hipertensão constitui fator de risco para doenças cardiovasculares, tais como o infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico. No âmbito da atenção básica à saúde, o rastreamento e orientação para a hipertensão também são pilares muito importantes. A aferição regular da pressão arterial e orientação configura-se como uma estratégia simples e eficaz para identificar indivíduos hipertensos ou em risco de desenvolver a doença.

A educação em saúde, combinada com acompanhamento contínuo, possibilita que os pacientes compreendam a importância da adesão ao tratamento e de mudanças no estilo de vida, promovendo melhoria na qualidade de vida e reduzindo complicações associadas.

Os projetos de extensão universitária exercem um papel fundamental no enfrentamento das DCNT. Durante o projeto de extensão desenvolvido entre os anos de 2022 e 2023, os discentes do curso de enfermagem do 3º e 5º semestre realizaram as atividades de: aferição de pressão arterial, glicemia capilar e orientações em saúde, abordando público composto por adultos e idosos dos gêneros feminino e masculino.

O projeto possibilitou ações de prevenção, diagnóstico precoce e controle eficaz destas condições, impactando positivamente na qualidade de vida dos indivíduos e reduzindo o ônus das DCNT para a sociedade, além da contribuição na formação dos futuros enfermeiros que estarão mais preparados para o manejo das ações de educação em saúde e pensamento clínico apurado. Abaixo, evidenciamos os relatos de seis alunos componentes do projeto quando perguntados sobre a experiência junto ao projeto de extensão e o desenvolvimento acadêmico relacionado a abordagem das DCNT:

“O projeto de extensão me proporcionou uma vivência mais próxima da população; por meio dos atendimentos desenvolvi minha humanização para atender melhor; em cada ação aprendia mais. É um crescimento não só como acadêmico, mas também um ganho como pessoa, saber ouvir o que a outra pessoa tem a dizer, explicar, tirar suas dúvidas, é incentivo para aprender além do que se tem em sala de aula, levando nosso conhecimento teórico para a prática, até a população que precisa. E é através de orientações sobre doenças, que desenvolvo minha capacidade de transmitir conhecimento, o enfermeiro é de certa forma um educador, que ensina a população o autocuidado, e a importância da atenção aos sinais de seu corpo por meio de atividades simples e de fácil entendimento”.

“Com o projeto, nos aproximamos muito das pessoas, criamos vínculos, tivemos a oportunidade de abraçar, acolher, ouvir e aprender muito com cada história compartilhada conosco, cada olhar, cada gesto, cada sorriso, cada choro. Conseguimos oferecer atendimento humanizado, sem pressa, tocamos e fomos tocados por cada um e percebemos como as pessoas precisam de atenção, de alguém que olhe nos olhos delas, que ouçam o que elas querem e precisam dizer, sem interrupções, que ofereça orientações claras com linguagem de fácil entendimento, que explique quantas vezes for necessário sem perder a paciência, verificamos também a necessidade de levar mais esclarecimento às pessoas, criar mais ações de promoção da saúde para a comunidade. Com esclarecimento fica mais fácil promover o autocuidado”.

“O projeto de extensão me trouxe uma experiência bastante enriquecedora, me fez ser mais humana. Foi no projeto que aprendi a ser uma boa ouvinte, e sendo uma boa ouvinte, vivenciei relatos de angústias e felicidades. O projeto de extensão me fez ser uma pessoa mais acolhedora e será uma experiência que ficará gravada na minha vida”.

“No projeto aprendi muito sobre como fazer orientações em saúde, atender o paciente de forma humanizada, vivi momentos lindos com a população, muitas histórias ouvidas, muitos relatos de quem só queria um ombro amigo naquele momento, foi muito importante para o meu crescimento pessoal e profissional”.

“Aprendi e pratiquei as soft skills (habilidades humanas de criatividade, empatia, colaboração, adaptabilidade e inteligência emocional) que contribuiu para o meu desenvolvimento como discente e futuro profissional de enfermagem. Situações de assistência às pessoas fragilizadas onde a escuta ativa, o acolhimento e o cuidado eram demandados foram os momentos em que mais aprendi de forma mútua. Com certeza, coloquei em prática todo o meu conhecimento para promoção da saúde e bem-estar do usuário”.

“Nas atividades do projeto de extensão, ao realizar aferições de pressão arterial e glicemia capilar, aliadas à oferta de orientações de saúde, desempenhamos papel importante no combate às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, impactando positivamente na qualidade de vida dos indivíduos que atendemos”.

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4CONSIDERAÇÕES FINAIS

É preciso que a informação e a assistência sejam possibilitadas para cada usuário do serviço de saúde, tornando-se prioritária a vigilância, orientação, avaliação e monitoramento para a efetiva promoção da saúde e cuidado integral. É importante ressaltar, que em um país de proporções continentais como o Brasil, o alcance de usuários periféricos, marginalizados e desamparados constitui uma barreira grave de promoção da saúde, desta forma, as DCNT continuarão impactando estatisticamente, matando pessoas e gerando altos gastos para os governos, especificamente, para o SUS. Faz-se necessário e urgente o aumento da cobertura de atendimento e investimento na atenção primária à saúde, porta de entrada prioritária do usuário de saúde no SUS.

Os profissionais de saúde devem estar capacitados para interpretar os resultados e oferecer orientações sobre medidas preventivas e tratamento adequado. A formação destes profissionais deve ser enfatizada desde à Academia para um melhor acolhimento à população e suas condições de saúde.

A Diabetes e a Hipertensão Arterial Sistêmica são condições que demandam diagnóstico precoce e orientações adequadas para sua prevenção e controle. A ênfase é, portanto, direcionada para orientações sobre medidas preventivas e encaminhamento para diagnóstico e tratamento em fases iniciais, visando promover um estilo de vida saudável. A adoção de uma abordagem que integre a educação em saúde e o acompanhamento contínuo dos pacientes promove uma melhoria substancial na qualidade de vida e na redução das complicações associadas às DCNT.

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5REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] BRASIL. Ministério da Saúde. O SUS de A a Z: SUS. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sus. Acesso em 02 set 2023.

[2] BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças Não Transmissíveis. ​​ Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021-2030 [recurso eletrônico].Brasília, 2021. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/plano_enfrentamento_doencas_cronicas_agravos_2021_2030.pdf. Acesso em 03 set 2023.

[3] WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Noncommunicable diseases progress monitor 2020 [Internet]. World Health Organization; 2020. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/ncd-progress-monitor-2020. Acesso em 02 set 2023.

[4] FIGUEIREDO, Ana Elisa Bastos, CECCON, Roger Flores, FIGUEIREDO, José Henrique Cunha. Doenças crônicas não transmissíveis e suas implicações na vida de idosos dependentes. Ciênc. Saúde Colet. DOI: 10.1590/1413-81232020261.33882020. 2021.

[5] BRASIL. Ministério da Saúde. Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde. Brasília, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigitel/fact-sheet-cenario-das-doencas-cronicas-nao-transmissiveis-vigitel/view. Acesso em 02 set 2023.

www.scientificsociety.net

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