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VOLUME 1, NÚMERO 1, OUTUBRO DE 2018

ISSN: 2595-8402

DOI: 10.5281/zenodo.1477715

 

O MOVIMENTO COMPOSTO SEGUNDO DIÁLOGO DE GALILEU, INTRODUZIDO ATRAVÉS DO LANÇAMENTO DE PROJÉTEIS

 

Sabrina Lopes Xavier1; Felipe Grillo2; Carlos Henrique Pagel3; ​​ Daniel Souza Cardoso4; Júlio Damasceno5.

 

1Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia Sul-Rio-grandense, Pelotas – RS, ​​ Brasil

sabrinaxavier30@hotmail.com;

2Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia Sul-Rio-grandense, Pelotas – RS, ​​ Brasil

​​ felipegrillo01@gmail.com;

3Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia Sul-Rio-grandense, Pelotas – RS, ​​ Brasil

​​ carlos.pagel@hotmail.com;

4Instituto Federal de Ciência, Educação e Tecnologia Sul-Rio-grandense, Pelotas – RS, ​​ Brasil

danielcardoso@cavg.ifsul.edu.br;

5 Colégio Municipal Pelotense, Pelotas – RS, ​​ Brasil

juliocdamasceno@hotmail.com

 

 ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​ ​​​​ 

RESUMO

 

Atualmente muitos educadores tem percebido a importância de realizar aulas práticas como recurso metodológico facilitador do processo de ensino-aprendizagem nas disciplinas da área de Física. Por meio da experimentação, buscou-se despertar o interesse e a participação dos alunos, aliando, dessa forma, a teoria e a prática. Nesse contexto, realizou-se uma prática pedagógica que objetivou desenvolver, por meio de “Lançamentos de Projéteis”, transformar o aluno em sujeito da aprendizagem, possibilitando ao mesmo ampliar suas habilidades e competências específicas de forma significativa. Verificou-se através dessa dinâmica que a aula prática potencializou o aprendizado, por envolver os aluno e a partir disso, permitir que ele gerasse hipóteses, sugestões e conclusões, fazendo com que a aprendizagem ocorresse, segundo o professor titular da disciplina.

Palavras-chave: Aulas práticas, lançamento de projéteis, movimento composto.

 

 

1INTRODUÇÃO

No Brasil o paradigma tradicional de ensino, estruturado a partir de um método expositivo, que privilegiam características como memorização e tratam a prática do professor como transmissão de conhecimento ainda prevalecem, como afirma:

Atribui-se ao sujeito um papel irrelevante na elaboração e aquisição do conhecimento. Ao indivíduo que está “adquirindo” conhecimento compete memorizar definições, enunciados de leis, sínteses e resumos que lhe são oferecidos no processo de educação formal a partir de um esquema atomístico [5].

Dessa forma, conteúdos ligados á área de Física, tornam-se excessivamente abstratos e poucos alunos conseguem entender seus conceitos e perceber a utilidade e aplicação do que aprenderam, de acordo com Valadares e Moreira [8].

Acredita-se que as habilidades elencadas pelo paradigma tradicional de ensino, não se mostra suficiente para que o aluno possa construir seu conhecimento de forma significativa:

Cinqüenta anos de experiências ensinaram-nos que não existem conhecimentos resultantes de um simples registro de observações, sem uma estruturação devida ás atividades do indivíduo.

​​ Mas tampouco existem (no homem) estruturas cognitivas a priori ou inatas: só o funcionamento da inteligência é hereditário, e só gera estruturas mediante uma organização de ações sucessivas, exercidas sobre objetos. Daí resulta que uma epistemologia em conformidade com os dados da psicogênese não poderia ser empírica nem pré-formista, mas não pode deixar de ser um construtivismo, com a elaboração contínua de operações e de novas estruturas. [4]​​ (grifo nosso).

O movimento bidimensional é descrito através da decomposição dos movimentos: o movimento retilíneo uniforme, na horizontal, e o movimento retilíneo uniformemente acelerado, na vertical, e qualquer partícula que se mova dessa forma é comumente chamada de projétil.

Os movimentos são tratados independentemente, no transcorrer do mesmo intervalo de tempo. A exemplo que pode-se decompor o movimento parabólico de um corpo lançado obliquamente em duas trajetórias, vertical e horizontal, onde percebe-se ao comparar a trajetória vertical e parabólica que atingem níveis iguais no mesmo intervalo de tempo (Figura 1), que por consequência ​​ percorrerá na horizontal com o mesmo tempo transcorrido.

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Figura 1- Foto estroboscópica do movimento de uma bola. (Fonte da imagem: [3]).

 

Era exatamente desse movimento bidimensional que tratava o livro de Galileu “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo”, ele foi escrito em forma de diálogo, entre três personagens: Salviati (que representa Galileu), Simplício (defensor de Aristóteles) e Sagredo (representado por um observador imparcial inteligente).

Vejamos o argumento expresso por Salviati, onde a experiência ocorre em um navio, e se questiona,se jogando uma bola de chumbo do topo do mastro do navio se ela cairia no mesmo lugar estando este parado ou em movimento.

Ao refutar o argumento, Salviati pergunta à Simplício:

Salviati: Muito bem. Você jamais fez esta experiência do navio?

Simplício: Nunca fiz, mas certamente acredito que as autoridades que formularam o argumento tinham feito uma observação cuidadosa...

Salviati: ...você o toma como certo sem tê-lo feito... e eles fizeram o mesmo - tendo fé em seus antecessores, e assim por diante, sem jamais chegar a alguém que o tenha feito. Pois quem quer que faça a experiência verá que ela mostra exatamente o contrário do que foi escrito, ou seja, que a pedra sempre cai no mesmo ponto do navio, quer ele esteja parado, quer esteja se movendo com qualquer velocidade que se queira. [6].

No dialogo, Salviati defendia as ideias de Galileu de que o movimento da bola na vertical não era alterado pelo movimento do navio que é na horizontal, e questionava á Simplício o qual acreditava que a bola cairia em lugares diferentes, mesmo sem ter feito a experiência. Constata-se que para Salviati, a bola de chumbo abandonada de um mastro do navio em movimento já compartilha do movimento do navio na horizontal, ao passo que o movimento de queda livre na vertical é independente deste não ocorrendo diferença no ponto de queda.

Galileu também nos mostra que o tipo de movimento depende do ponto de vista do observador. Vejamos no caso do navio: para um observador dentro do navio (observador solidário ao navio) o movimento descrito seria vertical, já para um observador em repouso do lado de fora do navio (observador fixo) o movimento descrito seria de uma parábola. Conforme figura 2.

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Figura 2​​ – Navio em movimento (Fonte da imagem: [7]).

 

Com a intenção de desenvolver uma prática pedagógica que seja um facilitador do processo de ensino-aprendizagem, e baseada em um novo paradigma de ensino, o construtivismo, realizou-se com uma turma do 1º ano do ensino médio, em uma escola do município da cidade de Pelotas, uma dinâmica intitulada “Lançamento de Projéteis”.

 

2 METODOLOGIA

A prática pedagógica foi realizada no Colégio Municipal Pelotense (Pelotas - RS), em 23 de novembro de 2016. Para sua realização, utilizou-se: a) rampa posicionada sobre uma mesa e livros, b) esfera, c) um cronômetro, d) fita métrica e e) três alunos. Como ilustrado (figura 3).

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Figura 3- Foto da rampa utilizada na atividade prática (fonte da imagem: autor, 2016).

Os alunos dispuseram-se da seguinte forma: um para lançar a esfera, um para registrar o intervalo de tempo do deslocamento da esfera em sua trajetória e outro aluno para medir a distância horizontal que a esfera alcançou.

Totalizando três lançamentos, certificando-se que a esfera foi lançada sempre da mesma posição e ignorando os resultados discrepantes. ​​ Após coletados os dados os alunos utilizaram os modelos que descrevem o movimento bidimensional para mensurar a altura de lançamento dos projéteis.

Foi entregue ao professor um questionário, que objetivou coletar dados sobre a aprendizagem dos alunos, visto que este é uma técnica bastante viável, segundo Chaer, Diniz e Ribeiro [1].

 

3 DESENVOLVIMENTO E DISCUSSÃO

Por meio da experimentação, os discentes puderam formular hipóteses, interpretar dados e dessa forma construir o conhecimento sólido com o objetivo de desenvolver conceitos sobre o movimento bidimensional.

Segundo o professor titular da turma, essa prática promoveu o acesso ao conhecimento científico e aprimorou o raciocínio lógico. Percebeu-se que os alunos tiverem grande interesse em participaram de forma voluntária, realizando questionamentos sobre o movimento realizado pelo projétil no decorrer da prática. Num segundo momento houve a retomada dos conceitos por parte do professor.

 

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluiu – se que a realização de aulas práticas na área de Física contribuem para o aprimoramento do conhecimento científico, mantendo o foco e o interesse dos discentes.

Essa discussão mostra-se pertinente, na introdução de práticas que remetam às questões de ensino – aprendizagem na área de Física, sugere-seassim, que em novas práticas busque-se outros instrumentos de avaliação para verificar os impactos na aprendizagem.

 

 

 

5 REFERÊNCIAS

  • CHAER, Galdino; DINIZ, Rafael; RIBEIRO, Elisa. A técnica do questionário na pesquisa educacional. Disponível em: <http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/maio2013/sociologia_artigos/pesqusia_social.pdf>Acesso em 23 de setembro de 2017.

  • Ebha. Lançamento de projétil. Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABOywAB/lancamento-projetil> Acesso em 25 de outubro de 2017.

  • Física em classe. IV. Defenestração, base jump de skate e balística - A Física dos lançamentos. Disponível em:< http://fisicaemclasse.blogspot.com.br/2011/07/iv-defenestracao-base-jump-de-skate-e.htm>Acesso em: 18 de setembro de 2017.

  • MACEDO, L. Ensaios construtivistas. S, o Paulo: Casa do Psicólogos, 1994.p.14.

  • MIZUKAMI, M. G. N. Ensino: as abordagens do processo. S„o Paulo: EPU, 1986.p.11.

  • NUSSENZVEIG, Moysés. Curso de física básica: mecânica. São Paulo: Edgard Blucher, 1981. p. 69-70.

  • Reflexões e ressonâncias. Relatividade de Galileu. Disponível em: <http://reflexoesnoensino.blogspot.com.br/2013/10/relatividade-de-galileu.htm>Acesso: 18 de setembro de 2017.

  • VALADARES, E. C.; MOREIRA, A. M. Ensinando Física Moderna para o segundo grau: efeito fotoelétrico, laser e emissão de corpo negro. Caderno Catarinense de Ensino de física, v. 15, n. 2, 1998. ​​ p. 121-135.

 

 

 

Artigo
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